Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Vânia M. S. Ennes (Chuva de Trovas)

Clique sobre a imagem para ampliar--------------
Mais trovas de Vânia podem ser obtidas em seu e-book Chuva de Trovas, no Portal CEN , http://www.caestamosnos.org

Fonte:
ENNES, Vânia Maria de Souza. Chuva de Trovas. Portal CEN, 2008.

Tatiane Leite da Silva (Fábula)

A Lebre e a Tartaruga (Ilustração de Emerson Fialho)
O leão e o camundongo, a lebre e a tartaruga, a raposa e a cegonha, a cigarra e a formiga são algumas das duplas que protagonizam fábulas muito conhecidas. Há também o homem que matou a galinha dos ovos de ouro, fábula de La Fontaine da qual se extrai a lição: "Quem tudo quer tudo perde."

Fábula é uma narrativa alegórica em prosa ou verso, cujos personagens são geralmente animais, que conclui com uma lição moral. Sua peculiaridade reside fundamentalmente na apresentação direta das virtudes e defeitos do caráter humano, ilustrados pelo comportamento antropomórfico dos animais. O espírito é realista e irônico e a temática é variada: a vitória da bondade sobre a astúcia e da inteligência sobre a força, a derrota dos presunçosos, sabichões e orgulhosos etc. A fábula comporta duas partes: a narrativa e a moralidade. A primeira trabalha as imagens, que constituem a forma sensível, o corpo dinâmico e figurativo da ação. A outra opera com conceitos ou noções gerais, que pretendem ser a verdade "falando" aos homens.

Cabe salientar que o elemento dominante, para o gosto moderno, costuma ser a narrativa. A moralidade ou significação alegórica, ainda que anime o todo, jaz de preferência nas entrelinhas, de maneira velada. Os antigos tinham ponto de vista diferente. Para eles, a parte filosófica era essencial. Para atingirem de modo mais direto o alvo moral, sacrificavam a ação, a vivacidade das imagens e o drama. Assim, a evolução da fábula pode ser cifrada na inversão do papel desses dois elementos: quanto mais se avança na história, mais se vê decrescer o tom sentencioso, em proveito da ação. A presença da moral, no entanto, nunca desapareceu de todo da fábula. Explicitada no começo ou no fim, ou implícita no corpo da narrativa, é a moralidade que diferencia a fábula das formas narrativas próximas, como o mito, a lenda e o canto popular. Situada por alguns entre o poema e o provérbio, a fábula estaria a meio caminho na viagem do concreto para o abstrato.

A afinidade com o provérbio encontra-se no nível mediano - lugares-comuns proverbiais - a que geralmente se reduz a lição extraída da narrativa. Sob esse aspecto, a fábula também se distingue da parábola, que procura maior elevação no plano ético, além de lidar com situações humanas mais reais.

Fábula oriental e Esopo.

Na evolução do gênero, o primeiro dos três períodos da fábula, aquele em que a moralidade constitui a parte fundamental, é o das fábulas orientais, que passaram da Índia para a China, o Tibet, a Pérsia, e terminaram na Grécia com Esopo. No Oriente, a fábula foi usada desde cedo como veículo de doutrinação budista. O Pantchatantra, escrito em sânscrito, chegou ao Ocidente por meio de uma tradução árabe do século VIII, conhecida pelo título de Fábulas de Bidpay, depois retraduzida do árabe para várias línguas.

Esopo, fabulista grego de existência duvidosa a quem se atribuem as fábulas reunidas por Demétrio de Falero no século IV a.C., teria sido uma espécie de orador popular que conta histórias para convencer os ouvintes a agir de acordo com o bom-senso e na defesa de seus próprios interesses. De acordo com Aristóteles, a fábula esópica é uma das formas da arte de persuadir e não poesia.

Fedro e a fábula medieval.

O segundo período da fábula se inicia com as inovações formais de Fedro. Ao fabulista latino é atribuído o mérito de ter fixado a forma literária do gênero, o que garante para ele um lugar na poesia. Escritas em versos, as histórias de Fedro são sátiras amargas, bem ao sabor do gosto latino, contra costumes e pessoas de seu tempo. Mas tanto Fedro quanto Bábrio (século III da era cristã) partiram dos modelos de Esopo, que reinventaram poeticamente.

A Idade Média cultivou com insistência a tradição esópica. Entre as muitas versões da época, divulgadas sob o nome de Ysopets (Esopetes), a mais famosa ficou sendo a de Marie de France, do século XII. Os fabliaux (fabuletas) medievais, embora não sejam propriamente fábulas, guardam com elas algumas analogias. Por meio dos personagens animais, os poetas fazem críticas e pretendem instruir divertindo.

La Fontaine e seus seguidores.

O terceiro período inclui todos os fabulistas modernos, dos quais Jean de La Fontaine é considerado o mestre. Suas Fables choisies (Fábulas escolhidas), em 12 volumes, apareceram entre 1668 e 1694. A grande contribuição original do fabulista francês foi ter feito da fábula um pequeno teatro: "uma comédia em cem atos" e "uma pintura em que cada um de nós pode encontrar seu retrato", segundo suas próprias palavras.

No século XVIII, La Fontaine encontrou muitos seguidores, como Jean Pierre de Florian, na França, e Tomás de Iriarte, na Espanha. Em Portugal, Bocage escreveu fábulas originais, além de traduzir La Fontaine em versos. Na Inglaterra, a fábula tomou fisionomia de sátira política. Nas Fables, de John Gay, a formiga representa o Lord do Tesouro. The Fable of the Bees (A fábula das abelhas), de Bernard Mandeville, é uma extensa alegoria política, enquanto as coleções Fables for the Female Sex (1744; Fábulas para o sexo feminino) e Fables for Youth (1777; Fábulas para os jovens) descem ao nível da sátira panfletária.

Na Alemanha, Gotthold Ephraim Lessing reagiu contra o que julgava ser uma excessiva literarização dos imitadores de La Fontaine. Em Fabeln (1759; Fábulas), apresenta importante monografia introdutória em que rejeita como perversões do gênero as elaborações literárias adotadas a partir de Fedro. No entanto, o fabulista mais popular na Alemanha foi seu contemporâneo Christian Gellert, que usou a fábula como veículo de motejo. A glória de melhor fabulista do século XIX pertence ao russo Ivan Krilov, que soube adaptar o gênero a seu gênio de poeta original. O homem rústico é seu herói favorito. Krilov usou da fábula como meio de protesto contra a rigidez das coerções do estado.

Em língua portuguesa, a prática do gênero foi esporádica e não há nomes de grandes fabulistas. Depois de Bocage, Garrett publicou um volume de Fábulas e contos (1853), e, no século XX, surgiram as Fábulas (1955) de Cabral do Nascimento. No Brasil, as melhores realizações inspiraram-se no folclore e na literatura oral. Como exemplos, há as Fábulas de Luís de Vasconcelos, as Fábulas e alegorias de Catulo da Paixão Cearense e as Fábulas brasileiras de Antônio Sales. Cabe mencionar também Monteiro Lobato, José Oiticica e o marquês de Maricá.

Fontes:
http://www.coladaweb.com
Ilustração = http://www.emersonfialho.wordpress.com

Domingos do Nascimento (Meu Lar!)



“Domingos do Nascimento tinha um grande amor pela sua terra natal de que ele cantou belezas em ver­sos simples, mas de muita espontaneidade como: "Meu Lar” - uma canção sem metro, entre o monossílabo e o decassílabo, livres na sua harmonia. Versos em que há muita alma, uma explosão de senti­mentos que se não uniformizam, rebentando o coração do poeta como à trova singela entre dolências enternecedoras de uma viola na “porfia”. De Domingos diremos que era poeta da prosa, como foram Peletan e Michelet.
--------
MEU LAR!
Eu sou da terra dos lírios bravos
Que pendem a haste por sobre o mar.
Por entre lírios vermelham cravos...
Branco e vermelho... fico a cismar!
Fico a cismar nos lírios e nos cravos
Que pendem a haste por sobre o mar.

Minha casita branca de neve,
Com telhas rubras, era um primor.
Minha casita que encantos teve...
Hoje tapera, sem riso ou flor!
Fico a cismar na graça que já teve...
Com telhas rubras, era um primor!

Olha as moçoilas subindo os montes,
Chapéu de palha, saiote curto!
Belas morenas descendo as fontes,
Bilhas à coifa, pezinho a furto...
Fico a cismar nas moças lá dos montes,
Chapéu de palha, saiote curto.

E a minha dama era alva de neve,
De lábios rubros, botão de flor.
A minha dama que olhos já teve,
Escrava agora de outro senhor!
Fico a cismar nos olhos que já teve,
De lábios rubros, botão de flor.

Eu sou da terra dos brancos lírios,
Dos lindos mares, bravos, chorosos...
No céu escuro crepitam círios,
E os ventos gemem, tristes, saudosos!
Fico a cismar que velam tantos círios
Os lindos mares, bravos, chorosos...

A dor eterna seja contigo,
Coração fiel, mar tormentoso!
Meu companheiro, meu velho amigo!
Quando te sinto soberbo e iroso,
Fico a cismar em ti, que estás comigo.
Coração fiel, mar tormentoso!

Eu sou da terra dos liriais...
...Branca de neve... seios de amora...
— Que lindo rastro nos areais!
A noite foge, resplende a aurora...
Fico a cismar por sobre os areais:
— Branca de neve... seios de amora...

0 mar soluça beijando a praia...
— Não mais te beijo, botão de flor,
A onda ruge, a onda desmaia...
Gemo... Saudades de tanto amor!
Fico a cismar se aquela flor desmaia...
...Não mais te beijo, botão de flor!
----
Murici divisa nesta canção influência pastoril portuguesa, embora "temperada por fresca e delicada cor local".
-------

Domingos do Nascimento (Hino do Paraná)


Música de Bento Mossurunga
.
Estribilho
Entre os astros do Cruzeiro,
És o mais belo a fulgir
Paraná! Serás luzeiro!
Avante! Para o porvir!

I
O teu fulgor de mocidade,
Terra! Tem brilhos de alvorada
Rumores de felicidade!
Canções e flores pela estrada.

II
Outrora apenas panorama
De campos ermos e florestas
Vibra agora a tua fama
Pelos clarins das grandes festas!

III
A glória... A glória... Santuário!
Que o povo aspire e que idolatre-a
E brilharás com brilho vário,
Estrela rútila da Pátria!

IV
Pela vitória do mais forte,
Lutar! Lutar! Chegada é a hora.
Para o Zenith! Eis o teu norte!
Terra! Já vem rompendo a aurora!

Domingos do Nascimento (1863 – 1915)


Domingos Virgílio do Nascimento, filho de Francisco Luís do Nascimento e Antônia Luiza do Nascimento, nasceu em 31 de maio de 1862 no Cerco Grande, em Guaraqueçaba.

Teve suas primeiras letras em Paranaguá, depois matriculado no Instituto Paranaense em Curitiba, na área de Humanidades.

Estudou na Escola Militar de Praia Vermelha – RJ e depois em Porto Alegre RS, onde aprofundou-se nos estudos militares, assentando-se praça em 21 de fevereiro de 1881, casou-se e morou lá até 1894, quando completou os estudos como artilheiro no Rio de Janeiro.

Quando estudante em Porto Alegre, pertenceu ao grupo Republicano, juntamente com Júlio de Castilhos, Barros Cassal, Assis Brasil, Demétrio Ribeiro e outros, pregando as idéias que viriam a ser vencedoras em 1889.

Depois da Proclamação da República, pelos anos de 1890 foi promovido a Segundo-Tenente e veio servir na guarnição de sua terra, alistando-se nas fileiras políticas do partido Republicano Paranaense, sob a chefia de Vicente Machado.

Promovido a Primero-Tenente em 1892, Capitão em 1896 e Major em 1911, quando foi reformado. Certa ocasião foi injustamente punido pelo General da Companhia do Distrito Militar, sendo aprisionado, assim ficando por algum tempo.

Porém em 1893, por ocasião da Revolta Armada em 06 de setembro de 1893, comandou no posto de Tenente-Coronel, o Batalhão Patriótico “23 de Novembro” e com ele combateu as forças inimigas, lançadas contra a Baía de Paranaguá, defendendo a área do Rocio quando a esquerda revoltada do Vice-Almirante Custódio José de Mello tentava desembarcar a tropa.

Na vida política, foi Deputado no Congresso Legislativo do Paraná em 1895, atuando na área de Constituição e Justiça.

Também um dos fundadores da extinta Academia de Letras do Paraná onde ocupava a cadeira Nº 09, mais tarde patrono da cadeira Nº 21 (1938), depois Centro de Letras do Paraná e da atual Academia Paranaense de Letras, onde é patrono da cadeira nº 27.

Considerado um dos três precursores do Simbolismo no Brasil, foi com Euclides Bandeira, um incansável fundador de jornais e revistas literárias que fizeram fulgurar o Paraná no horizonte de literatura do inicio do século, usando os Pseudôminos de “Leo Lino” e “Gastão de Luc”, tendo fundado alguns jornais de notícias periódicas: Folha Nova (1893), A Tarde (1897), A Avenida (1903), A Notícia (1905).

Ainda publicou os livros: Revoadas (de versos) em 1883, no Rio de Janeiro, com a 2ª edição em 1884, Trenos e Arruidos (de versos) em Porto Alegre em 1887, Pelo Dever (1902), Dr. Vicente Machado (com outros autores. S/ data), O Sul (de crítica política), em 1887.

Faleceu em Curitiba, em 30 de agosto de 1915.

Entre os precursores do simbolismo, Andrade Murici concede um lugar a Domingos do Nascimento, asseverando que em Trenos e ArruÍdos (1887) mostrava tendências para o novo estilo. Silveira Neto, citado por Murici, toma a poesia de Domingos do Nascimento como "típica desta linha de transição".

Pré-simbolista ou não, o fato é que Domingos do Nascimento colaborou nas revistas do simbolismo, participando do movimento; mas não publicou livros posteriormente a Trenos e Arruídos, ficando esparsa a sua produção.

Principais obras:

Flora Têxtil do Paraná (1908):

Inicia em Guaraqueçaba, um estudo sobre o aproveitamento das fibras vegetais abundantes na região do litoral, com primeiramente a descrição fisiográfica de Guaraqueçaba, tratando da bananeira desde a raiz até a industrialização da farinha de banana, continua com a Imbauba, Imbira Branca e Vermelha, Corimdiba, Gravatá, Ananazes, Tucum, Piteira, a Sansevieira, Phormium Tenox e Lírio do Brejo, o uso integral para papel ou amido em gomas para doces e mingaus, assim como o uso do perfume das flores.

Homem Forte (1905):

Um manual para ginástica doméstica, abrangendo exercícios calistênicos bem explicitados, com auxílio de gravuras, para natação, esgrima e tiro ao alvo. Detalha desde os primeiros exercícios de movimentação de cabeça ao estudo aprofundado do fuzil Enfield, com fotografias e suas partes, funcionamento, tipo de alvo e tiro.

Hulha Branca do Paraná (1914):

Um álbum tamanho grande (32x25cm) em papel lustro, edição do Centro de Letras do Paraná, com fotos das maiores cachoeiras e cascatas do Paraná, preconizada a utilização na geração de energia elétrica.

Em Caserna (1901):

São contos e crônicas da vida militar. Contista fino, pintando a natureza com minuciosos detalhes, usando um vocabulário específico regionalista, empregando termos do exército do sul. Além da novela “Guerreiro Antigo”, que tem seu livro, apresenta 04 grandes partes: 1ª - “Vivandeiras”: ambientado na Guerra Civil Federalista apresentando 04 contos, demonstrando a abnegação das mulheres que acompanhavam o exército naquele tempo e que se denominavam “Vivandeiras”, cuidavam dos soldados e oficiais, providenciando alimentação e lavagem de roupas. Destes 04 contos: A tenda, Gaúcho, Campineira, Na Jagúncia. 2ª - “Vida Acadêmica”: reporta-se a Academia Militar de Praia Vermelha, mais humorística como a “Bedel”, estudo psicológico daquele auxiliar de ensino que ao ser-lhe pedido uma tábua de logarítmos foi buscar o fundo de um barco. 3ª - “Recrutas”: retoma a temática da guerra civil, iniciando com texto de 1894, que talvez tenha sido publicado em folha diária, pelo seu tom de crônica panfletária. 4ª - “Escola de Heróis”: um anedotário heróico de Osório, Benjamin Constant, Deodoro, Gomes Carneiro e Floriano.

Pela Fronteira (1903):

Um diário de uma viagem em companhia do General Bormam e de Coronel Lino Ramos, quando viajaram por 103 dias, por vales, matas, rios, iniciando em Curitiba pela estrada de ferro, primeiro em direção ao sul. O livro contém anotações sobre os aspectos fisiográficos, humanos e históricos, assim como as vicissitudes da viagem.

Aprovaram sua poesia, como Hino oficial de Paranaguá (música de João Gomes Raposo) e também de sua composição, o Hino Oficial do Paraná (música de Bento Mussurunga),

Era ele um apaixonado por música, uma bondade infinita, recebendo infinitas vezes necessitados em sua casa e ajudando-os. Antes de sua morte ainda disse: “eu sei que morro mas protesto contra esta morte”, falecendo em 30 de agosto de 1915, em Curitiba – onde há um busto em sua homenagem na Praça Osório (erguido em 12 de outubro de 1922) e também uma rua com seu nome.

Romário Martins em “Almanach do Paraná” em 1899, sobre Domingos Nascimento diz:
Poeta ? Sim. Dos mais altivos, Ho! Dos mais raros, diamante de primeira água; os seus versos fulgiram sempre...”.

Fontes::

– CAROLLO, Cassiana Lacerda. Texto publicado no Dicionário Histórico-Biográfico do Estado do Paraná, Curitiba – PR. Disponível em http://www.turismo.pr.gov.br/
– MUNIZ, José Carlos. Guaraqueçaba um pequeno mundo dentro do mundo. obra do autor. Guaraqueçaba.
– KARAM, Paulo Roberto. Domingos Virgílio do Nascimento: antologia e biografia. Biblioteca Pública do Paraná, Curitiba, 2003.
- http://informativo-nossopixirum.blogspot.com/
http://www.antoniomiranda.com.br/

Carlos Borges Lima (Uma ode ao povo)



O lançamento do livro de poesias “Pô Voa”, de Carlos Borges Lima, foi marcado pela manifestação popular e a homenagem ao “povo”.

Segundo o escritor essa é a sua proposta mais corajosa. “Retratar um arquétipo do qual faço parte”. O autor diz que o objetivo é homenagear a “grande massa”, sem subestimá-la. O desafio vem no “sacrifício” do poeta, para apontar os “erros chaves que o povo comete”. Erros, que o poeta diz que só quem ler o livro vai saber quais são.

Borges Lima escreve desde os 11 anos de idade, mas seu trabalho criativo começou com a música, escrevendo letras para melodias. Aos poucos foi desenvolvendo versos, e com 19 anos publicou seu primeiro livro de poesias. Desde então, não parou mais, “Pô Voa” é a décima primeira publicação do poeta paranaense, natural da cidade de Uraí. Mas, ele não abandonou a música e também dirige peças de teatro e musicais.

Na tentativa de abordar o que se entende por povo, Borges Lima brinca com o sentimento de patriotismo e o espírito de nação que são ideais de um país ou estado. Para o lançamento do livro, o artista, que diz serem as criações mais prazerosas aquelas que declama e cria espontaneamente nos espaços para declamação, preparou também uma estrutura para quem deseja recitar versos. “Além de amigos que convidei, qualquer pessoa que deseje declamar aquele verso guardando no fundo da gaveta pode participar. Isso é povo”, fala o poeta.
"Sou de onde
ou sou onde
sou ditongo
sou aonde
muito longo sou
antepassado ente
sonda
onda
senda
sou onde rente sou
onde vou
sou ou não sou"

(extraído do livro "Pô Voa")
Fontes:
http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/
LIMA, Carlos Borges. Pô Voa. Curitiba: Edição do Autor, 2008.

Carlos Borges Lima



Natural do distrito de Cruzeiro do Norte, município Uraí – PR, radicado em Curitiba desde janeiro de 1978.

Profissional das Letras e Artes

Artes Literárias – Teatro e dramaturgia – Música

Atuação primeiro ciclo de leituras dramáticas do Teatro Guaíra – Peça teatral “A Passagem da Rainha” (Antonio Bivar). – Direção: Antonio Carlos Kraide.

Produção do musical “Barragem” com lançamento da dupla Zezé e Simões – Curitiba – PR.

Assistente de Produção Musical “Rock Horror Show” – Direção: Antonio Carlos Kraide.

Assistente de produção da peça teatral “Corpo a Corpo” – Direção: Antonio Carlos Kraide (autor: Oduvaldo Viana Filho).

Produção do 1º Encontro Centrado na Pessoa do Sul do Brasil – UNAP – Curitiba- PR.

Coordenação Musical “Pessoa” – Morgana Pessoa. Com grupo Olho Mágico – Curitiba – Pr. (Teatro Paiol, TUC, Teatro de Bolso e Guaíra).

Produção e Coordenação do evento musical “Pira Musical Show Quara Som” pela Secretaria Estadual de Cultura e Prefeitura de Piraquara – Pr.

Produção da exposição itinerante “Vestígios Latinos” – Jacob Silveira – Curitiba e Florianópolis.
Produção e Coordenação do jogral em movimento de teatro e dança “Alviverde Arte” com Grupo de Teatro Oficina de Pimenta Bueno – RO

Fundador e diretor da “Casa de Arte de Cacoal” – Rondônia.

Produção diversas exposições em artes plásticas (Sílvio Rocha, I. Catucci, Jacob Silveira, Plínio Verani e Francis Bernard).

Produção junto à obra de literatura “A Des(construção) da Música na Cultura Paranaense” autor: Manoel Neto, 2005 – Curitiba – PR.

Produção diversa dos livros próprios de ordem independente.

Projeto FERA (Festival Rede Estudantil) e Educação Com Ciência – Secretaria de Estado da Educação do Paraná.

Produção e pesquisa projeto “Fragmentos Xetá” com Sílvio Rocha – Lei Roaunet - (montagem pré-produção) para realização 2008/2009.

Curso de Inspiração e Texto Teatral pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.

Arte terapia no 1º Ciclo de Corpo na PUC-SP.

Laboratório psicodrama congresso de fisioterapia – terapia ocupacional e ortótica – Universidade de Campinas – SP.

Facilitador humanista em diversos encontros e grupos de corpo no Brasil.

Curso de Inspiração Criativa na Biblioteca Pública do Paraná.

OBRAS:

Título em Prosa e Poesia:

“Aponta”, 1984 – “Andes, em ti, pensamentos”, 1987 – “Portal dos Mistérios”, 1990 – “Inefável Ser”, 1994 – “Alviverde Arte”, 1996 – “Sobressaltados”, 1999 – “Idiossincrática Sorte”, 2000 – “Arquifeiticeiro Rei”, 2002 – “Flor Mestiça”, 2004 – “Cântara Livre”, 2006.

Dramas

Autoria da peça teatral “Zé do Ingá”
Criação do “Musical Pessoa”
Criação do “Musical Alviverde Arte”

Publicações Coletivas

Coletâneas Bife Sujo
O Teatro de Laerte Ortega
A (Des)construção da Música na Cultura Paranaense

Premiações

1º Lugar Festival de Música de Corvilha – Minas Gerais “Pagodeiros da Chuva”. Parceria com Yassir Chediack
Músicas do disco “Barragem”

1º Lugar Festival de Araruana – RJ “Ser poeta”. Parceria com Morgana Pessoa
Diversas inéditas

Fonte:
Secretaria de Estado da Cultura do Paraná

Antonio Carlos Menezes (Teia de Poesias)


POR UM LOUCO AMOR

Posso sonhar, sou poeta!
Posso viver o amor mais perfeito,
mais ousado, sem limite...

És tu, minha flor, a fonte...
a razão de meu contentamento.
E assim ao mundo grito!...

- O meu amor por ti é infinito!

Não fiques assustada,
por conta da minha loucura.
Sou poeta!... Posso sonhar nas alturas!
======================

AMAR... AMAR... AMAR...

às vezes não me sinto que sou
alguém que vive e que ama...
porque cá estou tão esquecido por ti.

ah não entendo outro jeito de amar,
a não ser o que está
hoje, amanhã e sempre, eternamente!...
======================

À AMIGA - INSPIRAÇÃO

O que seria de mim
Sem a tua claridade
Sem a tua amizade...

Não haveria beleza
Não haveria jardim...
Nem o toque de clarim.

Eu não faria poesia
E não ficaria no mar
À espera de ti.

O que seria de mim?...
======================

TEU RISO

O teu riso...
É algo tão divino, o teu riso!
Eu viajo nos pensamentos
de teu riso...

E nem sei para onde irei.
Não me importa. Basta-me
a tua felicidade...

Ver o teu riso... eu quero sempre!

======================

NOS MEUS SONHOS

É só nos meus sonhos
que tu me trazes a luz e a poesia.
Porque fico querendo o teu sorriso de flor
e a tua mão que me aquece a alma.

É só nos meus sonhos
que muito te desejo e te espero
na plenitude da fantasia.

É só nos meus sonhos
que chego a ti e confesso o meu amor,
e sigo assim sombrio pela noite adentro
sem a tua alegria.

É só no meus sonhos
que amanheço na tua cama,
no teu espaço... e sinto o teu cheiro de maçã.

É só nos meus sonhos!...
É só na minha humilde e silenciosa poesia!
======================

PERGUNTO-ME

Como é que tu ficas
quando estás a pensar em mim?
Será que desejas que eu esteja
mas próximo de ti?

Ah, minha diva!...
Cá fico a imaginar essas coisas,
Porque em mim é tão forte
o sentimento de amor por ti...

Abre-me as portas,
que já estou chegando,
adentrando nos teus sonhos...
Que hoje sou o sol no teu jardim!
=======================

SEDUÇÃO

poesia… és tu
raio de sol que brilha no amanhecer
de palavras e versos.

flor que se abre
antes da primavera… és bela,
menina dourada de lua e mar.

e pelo caminho me perco
e me atrevo a seguir na claridade
de teus olhos trêfegos.

ainda danças comigo a valsa
da vida que a brisa sopra
nos nossos ouvidos.
–––––––––––
Fontes:
http://blig.ig.com.br/acmpalavrasversos/
http://www.teiadepoesias.com.br/
ORSIOLLI, S.M.G.; FERNANDES, D.C.; SCARPA, M.A.C.; JULIO, S.M. ia. Coletânea Teia dos Amigos. Itu,SP: Ottoni, 2008.

Antonio Carlos Menezes (1954)


Antonio Carlos Menezes nasceu na cidade de Condado (PE), em 23 de abril de 1954, filho de Joana e Francisco. Em 1973 foi para o Recife, continuando seus estudos. Cursou Direito na Universidade Católica de Pernambuco e pós-graduação e outros cursos na área jurídica.

Apaixonado pela literatura, especialmente a poesia, faz parte do Movimento Internacional Poetrix desde a sua criação.

É sócio efetivo da União Brasileira de Escritores, seção Pernambuco.

Participação:

– Antologia Poetrix I, 2002.
– Antologia Poetrix II, 2007.
– Poesia do Brasil, volume 6, organizado pelo Proyecto Cultural Sur – Brasil, em Bento Gonçalves/RS
– Haikais Poemínimos Senryus – textos produzidos na Oficina de iniciação ao haikai, de Alice Ruiz, publicado pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, em 2007.

Possui o site Contemplação Poética (http://www.contemplacaopoetica.com.br/) e o Blog Palavras & Versos (http://acmpalavrasversos.blig.ig.com.br/)

Fonte:
ORSIOLLI, S.M.G.; FERNANDES, D.C.; SCARPA, M.A.C.; JULIO, S.M. Coletânea Teia dos Amigos. Itu, SP: Ottoni, 2008.

domingo, 29 de novembro de 2009

Átila José Borges (Santos Dumont)

Pintura de João Barcelos (Santos Dumont e o 14 Bis)
Em entrevista a O Estado do Paraná, o professor da UFPR, Átila José Borges falou sobre a notoriedade de Santos Dumont e sobre as significativas modificações que o mesmo trouxe à humanidade.

Santos Dumont foi uma personalidade extraordinária, que durante a vida chegou a ser mais valorizado na França, para onde foi estudar mecânica, do que no Brasil, local onde nasceu. Era um homem pequeno, com 1,50 metro de altura e 49 quilos, mas que sonhava grande e estava sempre elegante. Foi uma pessoa notável, independente da invenção do 14 Bis?, declarou.

Entre as curiosidades da vida de Santos Dumont reveladas pelo professor, estão o fato de que, aos 26 anos de idade, ele já tinha conquistado dois monumentos em sua homenagem na França. Naquele país, havia até um pãozinho em formato de balão que levava seu nome e as mulheres costumavam usar véus com bordados de suas invenções. Filho de pai francês e mãe brasileira, Santos Dumont começou a se interessar por mecânica aos doze anos de idade, no início de sua adolescência.

Naquela época, segundo Átila, o então garoto dirigia locomotivas dentro da fazenda de seu pai, em Ribeirão Preto (SP), dentro da qual passavam oitenta quilômetros de trilhos de trem. Aos 18 anos, foi emancipado pela família e viajou para a Europa justamente com o objetivo de aprender mais sobre mecânica. Embora tenha sido o único de oito filhos a não concluir um curso superior, se dedicou intensamente aos estudos, sendo responsável por um total de 26 invenções, às quais criou sempre às próprias custas, sem qualquer financiamento externo.

No que diz respeito à aviação, Santos Dumont foi o único a elaborar, desenhar, construir e voar em suas aeronaves, fazendo tudo praticamente sozinho. Seu primeiro balão, que recebeu o nome de Brasil, foi criado em 1901 e já considerado revolucionário. ?O balão Brasil tinha seis metros de diâmetro e 110 metros quadrados, tendo um décimo do tamanho dos balões considerados comuns no início do século XX. Com ele, Santos Dumont usou pela primeira vez seda japonesa em balões e modificou a engenharia balonística da época?, contou o professor.

Algum tempo depois, o aviador criou o primeiro balão dirigível, de onde derivou o Zeppelin. Mais tarde, soube de um concurso em Paris que daria um prêmio de cem mil francos a quem conseguisse sair de um determinado local, contornar a Torre Eiffel e retornar ao mesmo ponto em trinta minutos. Com seu sexto dirigível, realizou a façanha em 29 minutos, distribuindo o dinheiro conquistado entre mecânicos e pessoas carentes. Após, inventou o dirigível número sete e o número nove, por superstição não dando a este o número oito. ?Com o nove, Santos Dumont descia em frente de seu apartamento, em Paris, causando grande alvoroço. Também foi com ele que levou a primeira mulher ao ar, Aída Acosta, ensinando-a a pilotar?.

Do dirigível treze, o aviador passou diretamente do balonismo para a forma aerodinâmica com a invenção do 14 Bis. Com este avião, em 23 de outubro de 1906, ele realizou o primeiro vôo mecânico da história da humanidade, em Bagatelle, na França. Participando de um novo concurso, que premiaria quem conseguisse voar uma distância de 25 metros a dois metros do chão, ele percorreu com o 14 Bis um total de sessenta metros, a uma altura de seis. ?O vôo aconteceu em público e foi bastante noticiado. Já o segundo vôo do 14 Bis foi realizado em 19 de novembro do mesmo ano, quando Santos Dumont percorreu 220 metros?.

Na opinião do professor, a façanha de 23 de outubro tira qualquer dúvida de que o avião não teria sido inventado por Dumont, mas sim pelos irmãos americanos Wright. ?Os Wright quiseram para si o título de pais da aviação defendendo um vôo realizado por eles em 1903. Porém, aquele vôo foi catapultado e não mecânico e os irmãos se utilizaram de trilhos para ir ao ar. Em sua última viagem ao Brasil, realizada recentemente, Bill Clinton reconheceu que o brasileiro foi o inventor do avião?.

Paraná

O turismo paranaense e mesmo nacional também deve muito a Santos Dumont. Tanto que Átila está encabeçando uma campanha para que o aviador seja intitulado “Pai do Turismo Brasileiro”. O professor conta que, em 1916, Dumont foi convidado a conhecer as Cataratas do Iguaçu, no lado argentino. Enciumados, os brasileiros o convidaram a ver a vista das cataratas também no Brasil. Admirado com a beleza das mesmas, ele ficou indignado ao saber que a área onde elas se encontravam eram de propriedade de um uruguaio, Jesus Val. Percorrendo grande parte da distância no lombo de um cavalo, viajou até Curitiba e realizou um protesto, pedindo ao então presidente do Estado do Paraná, Afonso Camargo, que tomasse providências. “Três meses depois, graças aos esforços do aviador, a área das cataratas foi transformada em Parque Nacional do Iguaçu”.

Atualmente, o coração de Santos Dumont, retirado por um médico legista logo após a morte do aviador e sem o conhecimento da família do mesmo, está guardado como relíquia dentro de uma esfera de cristal no Museu Aeroespacial do Rio de Janeiro.

Fonte:
Cintia Végas. Histórias e Curiosidades de Santos Dumont. Disponível em Paraná On Line. http://www.parana-online.com.br/canal/tecnologia/news/205527/

Átila José Borges (1936)



Nasceu em 28/02/1936, na cidade de Porto União/SC.

Casado com Mareli Teresinha Andretta Borges, tendo dois filhos: Marelise Cristina Borges (falecida) e Átila José Borges Júnior.

É filho de Óttilo Borges e de Garacita Martins Ricardo Borges

Licenciado em Ciências pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná

Bacharel em ciências econômicas pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná

Oficial Especialista em Comunicações pela Escola de Oficiais Especialistas da Aeronáutica

Licenciado em Estatística Superior pelo Ministério da Educação e Cultura.

Foi oficial da Força Aérea Brasileira, professor da Universidade Federal do Paraná, do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná, da Fundação de Estudos Sociais do Paraná e instrutor da Força Aérea Brasileira.

Jornalista e Relações Públicas.

Entre muitas honrarias que recebeu no percurso de sua vida, foi agraciado com as medalhas de:
– Cavaleiro da Ordem do Mérito Aeronáutico
– Cavaleiro da Grã Cruz do Governo da Polônia
– Medalha Mérito Santos Dumont
– Medalha Militar de Prata
– Medalha Max Wolf Filho da Legião Paranaense do Expedicionário
– Medalha Santos Dumont do Governo de Minas Gerais
– Medalhão de Prata da Comissão de Alto Nível do Ministério da Aeronáutica
– Troféu “Escrínio de Santos Dumont”
– Medalha Jubileu de Ouro da Campanha Nacional das Escolas da Comunidade
– Comenda Maçônica Duque de Caxias do Grande Oriente do Brasil /Paraná
– Medalha Gratidão Prata da União dos Escoteiros do Brasil
– Comenda Maçônica Grande Mérito Dario Vellozo
– Medalha General Antônio Ernesto Gomes Carneiro da cidade da Lapa-PR
– Comenda “Cavalheiro da Boca Maldita”
– Cidadão Honorário de Curitiba.

Obteve várias homenagens, placas de prata e bronze e troféus, entre as quais, das Forças Aéreas dos Estados Unidos, Bolívia, Turquia, Itália, Inglaterra e Vietnã do Sul.

E mais ainda, do Aeroclube do Paraná, da Academia da Força Aérea Brasileira entre outras

– Sócio Honorário da Casa do Estudante Paraguaio
– HONORARY MEMBERSHIPS pela Aerophhilatelic of The Américas-Brookfield,Illinois
– Recebeu dezoito elogios individuais no seu histórico-militar por relevantes serviços prestados à Força Aérea Brasileira.

Teve seu nome inscrito, com louvor: uma vez na Câmara Federal, três vezes na Assembléia Legislativa do Paraná e onze vezes na Câmara Municipal de Curitiba.

Foi eleito o melhor Relações Públicas das Forças Armadas pelo jornal “Letras em Armas” e pelo jornal “Diário Popular” de Curitiba.

Tem trabalhos publicados no Brasil, Estados Unidos da América, Portugal, Argentina, Paraguai e breve na China. É autor de nove trabalhos técnicos editados e distribuídos pela Encyclopaedia Britannica do Brasil e Barsa Society além da Editora Três, Laboratório Ache do Brasil, entre outros.

AUTOR DE SETE LIVROS:

- MEMÓRIAS DE UM GURI EM TEMPO DE GUERRA – Prefácio: Professora/Historiadora Maria Cecília Westphalen /UFPR – Já na 2ºª EDIÇÃO.

- NO PICO DO DIABO – Prefácio: Dr. Túlio Vargas – Presidente da Academia de Letras do PR.

- AS MAIS 100 BELAS MENSAGENS – Pró beneficente.

- MAIS DE 700 PENSAMENTOS PREFERIDOS – Pró beneficente.

- PELUDOS X PELADOS – A GUERRA DO CONTESTADO – Prefácio: Jornalista Rosy
de Sá Cardoso – Jornal Gazeta do Povo/PR. Já na 2ª EDIÇÃO.

- EMOÇÕES, EU VIVI... Prefácio: Dr. João Darcy Ruggeri – Presidente da Academia de Cultura de Curitiba PR – Já na 2ª EDIÇÃO.

- A MENINA E O GENERAL – Prefácio: Dr. René Ariel Dotti da Academia de Letras-PR

PEÇA TEATRAL INFANTIL
– UM MENINO ENTRE NUVENS E ESTRELAS.

Vários trabalhos diversificados, publicados em diversos órgãos da imprensa brasileira.

Átila José Borges foi criador, fundador e Diretor do Museu Museu Entre Nuvens e Estrelas, inaugurado pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso, que ficou em exposição no Aeroporto Afonso Pena por mais de cinco anos.

No ano de 2002 Átila , doou ao Museu, todo o seu riquíssimo acervo, à Universidade Tuiuti do Paraná.

Produziu e apresentou por mais de VINTE ANOS, na TV Paranaense Canal 12 o programa Entre Nuvens e Estrelas (em prol da aviação) e foi colunista da Gazeta do Povo, também por MAIS DE VINTE anos

– Membro da Academia de Cultura de Curitiba

– Associado “Bandeirante” do Círculo de Estudos Bandeirantes/PR.

– Filiado ao Grande Oriente do Brasil, Grau 33 *

Já visitou 44 países.

Fonte:
Biografia resumida por Vânia Maria de Souza Ennes.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Jean-Pierre Bayard (História das Lendas) Parte XII


CAPÍTULO IV

O CICLO ARTURIANO

O ciclo arturiano, apresenta-se como um conjunto vasto e fértil que prossegue os Romances corteses. E também denominado Matéria da Bretanha. A figura central continua a ser a de Artur, rei lendário de origem céltica; pretendeu-se ver nesse rei o mantenedor da luta contra os saxônios e que, para salvaguardar sua ilha, deixou-se matar em 542; esse rei liberal teria nascido em Tintagel, na Cornualha.

Artur — ou Artus — triunfa com suas armas maravilhosas, mas também pela amizade do mágico Merlin que é considerado algumas vezes como sendo um personagem real.

A rainha Guenièvre, filha do rei Léodagan, figura ideal da dama da corte, toma emprestado alguns traços a Isolda, outro personagem do ciclo. Guenièvre reina sobre os seus cavaleiros que se reúnem em volta da Távola Redonda; o casal real comanda empresas nobres e temerárias; o “geis” que é ao mesmo tempo um pedido piedoso e uma injunção de defesa, cria um obstáculo que é a base de perigosas aventuras. A fim de levar a bom termo a conquista de objetos-talismã e de taças com virtudes mágicas que embelezarão os tesouros do rei, as fadas ajudam os cavaleiros. Esses combates sobre naturais, esses próprios objetos, vêm de uma tradição pagã muito divulgada.

Quando o poderoso Artur vai penetrar em Roma, a revolta de seu sobrinho Mordret — que talvez seja também filho do adultério e do incesto entre Artur e a esposa do rei Loth — obriga-o a reconquistar seu reinado. Nessa campanha sangrenta, seus leais servidores morrem. Os saxônios aproveitam-se do sucedido para invadir o país e, no último episódio da carnificina, Artur e Mordret se ferem de morte.

É a ruína da cavalaria bretã, mas a sua esperança sobrevive. Artur teria sido levado vivo para o reino das fadas e um dia voltaria para restituir ao seu povo a independência e o poderio.

O ciclo arturiano contém a extraordinária Demanda do Santo Graal que se inicia com um romance de cavalaria e termina como uma narrativa mística.

Essas demandas permitiram a cada narrador de compor uma narrativa de acordo com seu temperamento; os episódios de combate se alternam com cenas sentimentais; atos de bravura sucedem às imagens voluptuosas e ordens breves de estratégia guerreira, às palestras galantes. Os progressos sucessivos afastam pouco a pouco o tema da deixa primitiva e depois os romances em prosa efetuam a fusão entre as lendas arturianas e as narrativas do Graal.

Essa mitologia céltica ter-se-ia formado por ocasião da invasão saxônia (450-510) e ter-se-ia enriquecido posteriormente com a inspiração vinda do continente. A história Britonum, atribuída a Nênio, foi retomada no século XII na História Regum Brittaniac de Geoffroi de Monmouth (1137). Wace menciona a Távola Redonda no seu Roman de Brut. A origem é talvez gaulesa a partir de Kuchwch e 0lwen ou irlandesa como diz Jean Marx baseado no texto dos Mafinogion.

Chrétien de Troyes nos legou esse conjunto extraordinário e sobrenatural. Hábil narrador, aproveitou a tendência do povo pelo fabuloso e criou romances de aventuras e de episódios palpitantes. Ao descrever Lancelote à procura da, rainha (Le chevalier à la charrette), imaginou um herói que tendo merecido o amor de sua amante arrisca-se a adormecer numa vida ociosa. Mas Yvain (ou Le chevalier au lion), voltará ao manejo das armas. Erec, o “cavaleiro do falcão”, depois das censuras de sua dama Enide, encontra novamente sua força.

Não podendo citar todos os trabalhos relativos a esse ciclo (remetemos o leitor à Histoire littéraire de la France, t. XXX e XXXI, de Gaston Paris e aos Romans de la Table Ronde, de Paulin Paris), observaremos que o assunto continua a ser o de um jovem cavaleiro desconhecido que, da corte de Artur, levará a bom termo uma aventura tida como impraticável; graças às suas qualidades, desposa a jovem que se acha envolvida e que lhe dá, como dote, um reinado.

Todas essas lendas comportam elementos míticos, pagãos, druídicos nos quais se envergará uma concepção mística cristã. Histórias humanas mescladas de história sagrada, conjunto que forma a tragédia da fraqueza humana cobiçando os poderes do espírito (o Graal). Este tema se assemelha ao de Fausto; Lancelote ficou sendo o valete de nossas cartas e o uso da torta de reis veio até nós. Estudaremos sucessivamente: A demanda do Santo Graal, Merlin, Tristão e Isolda.
-------------
continua...
-------------
Fonte:
BAYARD, Jean-Pierre. História das Lendas. (Tradução: Jeanne Marillier). Ed. Ridendo Castigat Mores

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Folclore de Portugal – Distrito de Leiria (S. Jorge e o Dragão)



O culto de S. Jorge foi introduzido em Portugal nos primórdios da nacionalidade, através dos cruzados ingleses que participaram na Reconquista. Entre alguns dos devotos deste Santo, que nasceu de uma ilustre família cristã de Capadócia (actual Turquia), estão D. João I e o Condestável Nuno Alvares Pereira.

Mestre-de-campo do imperador Diocleciano com apenas vinte anos, o valente S. Jorge insurgiu-se contra a injustiça da perseguição dos cristãos. Por esta razão, o imperador romano mandou-o torturar mas este escapou ileso à roda de pontas cortantes que lhe deveria dilacerar o corpo. Mas S. Jorge acabou por morrer decapitado nos finais do século III.

A história mais conhecida de S. Jorge tem a ver com a morte de um dragão terrível que existia em Silene, na Líbia. Os habitantes desta cidade ofereciam-lhe duas ovelhas por dia, para acalmar a sua fúria. Um dia, porém, o dragão tornou-se mais exigente e reclamou um sacrifício humano, cuja escolha aleatória recaiu sobre a filha única do rei da Líbia. Foi então que S. Jorge apareceu e se ofereceu para lutar com o dragão, libertando a cidade daquele terrível jugo. Montando a cavalo com a sua lança, feriu o dragão e, ordenando à princesa que tirasse o seu cinto e com ele amarrasse o pescoço do dragão, trouxe-o preso para a cidade. Aí chegados matou o dragão perante todos os habitantes, depois de exigir em troca a sua conversão ao cristianismo.

Mas os habitantes de S. Jorge, perto de Aljubarrota, reclamam uma outra versão da história do dragão passada na sua terra. Era então S. Jorge um oficial romano que estava aquartelado naquela região e tinha por costume mandar os seus soldados dar de beber aos cavalos na "Fonte dos Vales", no ribeiro da mata. Mas, no momento em que os cavalos bebiam surgia da fonte um dragão que os devorava. Os soldados, com medo de serem também mortos, recusavam-se a voltar à fonte. S. Jorge dirigiu-se à fonte, deu de beber ao seu cavalo e quando o dragão surgiu, matou-o com a sua lança. Por esta razão, foi construída uma capelinha naquele local onde foi colocada a imagem de S. Jorge a cavalo, dominando o temível dragão.

Fonte:
http://lendasdeportugal.no.sapo.pt/

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Nilto Manoel (Palavra)



Antes era o verbo!
hoje a verba.
antes eram os desenhos
hoje as palavras.
palavra:
idéias e significados de dicionário.
A palavra
lavra
a folha do papel
e cria céus e infernos
animando o social.
Ah! Palavra falada e cantada
na gama dos conhecimentos.
A palavra-ônibus é a seqüência de idéias
na categoria das coisas;
pa
la
vra,
lavra
os saberes
na cartilha da vida:
A pata nada,
nada, na;
na silabação a versificação
tamborilada do poeta,
no lavor da literatura
à luz da gramática.
do mundo moderno
anda bem quando há homens de palavra:
verbo –palavra ação
palavrão - falta de educação.
palavreado –astúcia
palavra – fonemas com significação
palavra é tudo;
sonho nas primeiras letras
e movimento no correr da vida
Palavra é poder:
tempestade e calmaria
é pesadelo e sonho
é luz que faz a poesia
pintada em estrelas de sonho.
Ah! Palavra falada e cantada
sonho nas primeiras letras
e luz no correr da vida
––––––––––––-
Fonte:
Colaboração do autor

Viviane Lima Vidal (Contos)



Desde sempre o homem vem sido seduzido pelas narrativas, sejam elas de ordem simbólica ou realista, que diretamente ou indiretamente falam da vida, relacionando-as com deuses ou com os próprios homens . Uma possível explicação para esse fascínio estaria no fato de que provavelmente, desde a origem dos tempos o homem vem sentindo a presença de poderes maiores que a sua vontade, e de mistérios que sua mente não consegue explicar ou compreender . Na tentativa de amenizar essa ânsia permanente de saber e de domínio sobre a vida, surgem as narrativas populares, formando uma heterogênea matéria narrativa . Todas essas formas de narrar nasceram entre os povos antigos, foram transformadas, acrescentadas confundidas e assim espalharam-se por toda parte e estão vivas até hoje, seja nos livros, na memória nas rodas de história etc...

Duas dessas narrativas destacam-se, pois conseguiram grandes divulgações e atravessaram séculos, são os Contos de Fadas e os Contos Maravilhosos . É importante diferença-las, pois ambas nasceram de fontes diferentes e tem enfoques distintos .

O Conto de fadas expressa uma atitude humana que refere-se a luta do eu , ou seja, a nível do existencial, onde tudo gira em torno do casamento homem x mulher .

Por sua vez os Contos maravilhosos tratam das realizações no plano material, profissional, de realizações externas, ao nível social .

Vale lembrar que uma não anula a outra, as duas se completam em uma realização integral .

Também chamados de Contos da Carochinha, os Contos de fadas surgiram no Brasil e em Portugal no final do século XIX , e nem sempre tem a real presença de fadas como diz o nome. São desenvolvidos dentro da magia feérica (reis , rainhas, príncipes, bruxas, gigantes anões, animais, objetos mágicos, tempo e espaço fora da realidade conhecida etc.) . Tem como eixo gerador uma problemática existencial, a realização do herói ou da heroína alcançando seus objetivos, essa realização intimamente ligada à união homem mulher .

A estrutura básica de um conto de fadas é uma narrativa curta, dotada de tempo, espaço, clímax, enredo e o número reduzido de personagens.

Na literatura infantil a linguagem deve ser usada como instrumento de criação, revelação e direção. Dizemos linguagem para nos referir-se não só a forma com que ela se apresenta, mas também para a intenção total da obra, seus arranjos e seus objetivos .

No conto Dona Baratinha percebemos que o seu léxico é adequado à literatura infantil, não contendo rebuscamento de termos ou emprego de palavras grosseiras, possuindo clareza e simplicidade de estilo .

A linguagem do conto é repleta de onomatopéias e diálogos, o que desperta o interesse das crianças . Veja algumas falas abaixo :

"–Gato! Como é que fazes de noite ?"

"- Faço miau! miau !"

"-Cachorro ! Como é a tua fala a noite ?"

"-Uau ! Uau !"

Outro aspecto que não deve ser ignorado é que o conto Dona Baratinha não possui gírias, o que o torna ainda mais fácil de ser compreendido e lhe garante ser atual . Como a maioria dos contos sempre se volta para palavras mágicas ou mesmo frases que se repetem ao longo do texto, Dona baratinha não poderia ser diferente, durante toda a história notamos a forte presença da pergunta que a protagonista faz a todo candidato a noivo :

"-Queres casar comigo ?" (o que funcionaria como um "abre-te sésamo", ou "Rapunzel jogue as tranças") .

Outro tipo de linguagem contida na fábula é a das ilustrações, uma linguagem não verbal, mas tão expressivo quanto .

No início da história percebe-se um cenário todo colorido, arborizado e com casinhas, mostrando um local calmo, tranqüilo e pacato, nota-se também que essas ilustrações não são tecnicamente perfeitas, pois são desproporcionais ao tamanho da protagonista, além disso os traços das figuras se assemelham aos desenhos feitos por crianças . Essas características servem como recursos para atrair o pequeno leitor, entrando assim no seu vasto mundo imaginário . Ao longo da fábula nota-se que as cores que antes eram claras, passam a ficar mais fortes e mais escuras, preparando o leitor para algum acontecimento importante, esse acontecimento chama-se clímax, na verdade essas cores que se tornam fortes funcionam como um " Parananam!!!!!!!! " dos filmes e novelas .

Pode-se dividir um conto de fadas em partes :

Enredo: É o conjunto de fatos que se subdivide em :

Introdução : Coincide geralmente com o começo da história onde são apresentados os fatos iniciais e os personagens. Enfim é à parte em que se situa o leitor diante do que irá ler .

Complicação: É a parte do enredo na qual se desenvolve o conflito .

Clímax – Como já foi citado assim é o momento culminante da história . Ele é o ponto de referência para as outras partes do enredo, que existem em função dele.

Desfecho- É a solução dos conflitos, boa ou má, com final feliz ou não .

Tempo- Constitui o pano de fundo para o enredo . A época da história nem sempre coincide com o tempo real em que foi publicada ou escrita . Os contos de um modo geral apresentam uma duração curta em relação aos romances. Algumas narrativas dão dicas da época que estão retratando através de frases do tipo: "Era no tempo dos reis" ou "No tempo em que os bichos falavam".

Espaço- É o lugar onde se passa a ação de uma narrativa .O termo espaço só dá conta do lugar físico onde ocorrem os fatos da história .

Ambiente- É o espaço carregado de características socio econômicas, morais, psicológicas, em que vivem os personagens .

Narrador- É o elemento estruturador da história, pode estar em terceira pessoa, que se divide em onisciente e onipresente . O primeiro sabe tudo da história e o segundo está presente em todos os lugares da narrativa. Outro tipo de narrador é o primeira pessoa, a qual participa diretamente do enredo como personagem .

Vamos analisar melhor essas estruturas situando-as no conto da Dona Baratinha:

Enredo

Exposição – O começo da história da Baratinha, onde ela está em sua casa e é apresentada como a protagonista do conto.

Complicação – Dom Ratão em seu apartamento começa a sentir o cheiro de Toucinho .

Clímax – É quando Dom Ratão cai na panela de Feijoada e se suja todo .

Desfecho – dona Baratinha não pode se casar e volta para a janela a espera de um novo noivo .

Personagens

Personagens: Principais
; Baratinha , João Ratão .

Secundários: Cão , Boi e Gato .

A história da Baratinha apresenta como personagens principais ; a Baratinha e João Ratão , e como figuras secundárias ; o Boi , o Cão e o Gato . As personagens do conto encarnam virtudes ou defeitos , que são exaltados no mais alto grau . Essas qualidades estão sempre em oposição e , esse conflito empresta ao conto um colorido vivo e intenso . As qualidades são físicas e espirituais . As físicas são a grande e a pequena estatura , a força e a fraqueza , o formato e a maneira de agir . As espirituais são a bondade e a maldade , a obediência e a desobediência , a modéstia e o orgulho, coragem e o medo , a curiosidade , a sedução , a sexualidade, a esperteza e a sensibilidade .

A personagem Baratinha representa a sexualidade , a fragilidade, a esperteza , e a sensibilidade da mulher :

A sexualidade feminina é representada pelo formato e cheiro da barata que apresentam características da mulher .

A fragilidade feminina é representada pelo fato da barata ser um animal muito pequenino , que vive se escondendo nos buracos com medo de ser capturada.

A esperteza feminina é representada pelos movimentos rápidos da barata , reza a lenda que ela ver os humanos em câmera lenta .

A Baratinha queria se casar , simbolizando com esse ato a busca feminina , porque aos olhos da sociedade de antigamente toda mulher precisava se casar , se não ficaria para titia (solteirona) , o que era o grande medo das mulheres .

O cheiro da barata é a sedução que as mulheres exercem sobre os homens , através dessa sedução , as mulheres se sentem poderosas , espertas e muito mais .

Quanto ao personagem João Ratão , representa a sexualidade masculina , que está visceralmente ligada à união , homem , mulher , deve-se ao fato de os ratos viverem procurando os buracos para se esconder , enfatizando dessa maneira a necessidade básica do homem , o sexo , a procura de sua parceira , representada na história pela barata.

O nome João Ratão representa o poder que o homem exerce sobre a mulher perante a sociedade , referindo-se ao fato de que , quando um homem se casava com uma mulher , esta era obrigada a utilizar o sobrenome do homem . (atualmente por lei não é mais obrigatório) .

O fato de João Ratão ter morrido desastradamente dentro de uma panela quente , refere-se a fragilidade , a curiosidade do homem que está oculta, ele se sente seduzido pelo cheiro da mulher , representada na história pelo cheiro da panela , ou seja através da sedução a mulher pode dominar o homem.

Os personagens secundários da história representam os homens desajeitados , que não conseguem conquistar as mulheres , em vista disso ficam sozinhos .

Tempo

Na fábula o tempo cronológico da história é fictício, pois não pode ser localizado no calendário Cristão .

Espaço

A narrativa se divide em três espaços: casa de Dona baratinha a floresta em que passam os candidatos a noivos e a janela da casa. O começo da história tudo gira em torno de sua casa, ao passarem os candidatos nota-se a divisão entre a janela e a floresta, e por fim a igreja em que todos esperam o noivo guloso.

Ambiente

A casa de Dona Baratinha é um ambiente que caracteriza um personagem de classe econômica baixa, pois é uma casinha bem simples, porém muito arrumada, mostrando o quão caprichada é a protagonista . O outro espaço que é mostrado é a floresta que se assemelha com uma comunidade onde só animais fazem parte . essa floresta é bem cuidada, colorida e toda enfeitada para o acontecimento mais esperado, o casamento.

Narrador

O narrador de a dona Baratinha está em terceira pessoa e é onisciente, pois ele não apenas narra o que se passa com os personagens, mas também o que sentem, em outras palavras ele sabe mais que os personagens.

Todo conto traz a sua mensagem, uma espécie de lição para a vida toda. O que pode ser aproveitado como exemplo no conto da Baratinha é a importância do dinheiro na sociedade em que vivemos . Em algumas versões da história a protagonista precisa pagar pelos serviços do Jabuti com todas as suas economias e mais um cacho de bananas. Essa passagem do texto nos permite fazer uma crítica com a realidade em que vivemos, onde tudo é pago e ainda assim sempre fica faltando alguma coisa .

Outra importante lição tirada da narrativa é que não existe esse alguém tão perfeito conforme imaginamos, de modo que deve-se saber que todos possuem defeitos e que apenas com a convivência é possível conhecer as inúmeras qualidades das pessoas .

Ao encontrar nesses personagens mensagens construtivas, os jovens e as crianças paulatinamente adquirir conceitos positivos para suas vidas . Por isso a importância dos contos, a fim de se formar jovens mais críticos e mais éticos

Mini-conto

É uma narrativa muito curta que pode abordar qualquer tipo de tema. Sua estrutura básica é formada pelos seguintes componentes:
Personagens
Narrador
Espaço
Tempo
Símbolos

A análise desses componentes se dará a seguir:

A narrativa Proustiano nos conta as peripécias de um adolescente que ao espiar uma biblioteca sente-se atraído por ela e despercebidamente a penetra .

Em uma hora morta do dia em que as mulheres estão atarefadas demais para notá-lo, e os homens descansando, o menino que era proibido pelo tio de visitar a biblioteca não resiste a curiosidade e começa a espiá-la e quando se dá conta já está lá dentro . Embora ali só houvesse livros para adultos o menino aleatoriamente escolhe um e começa a ler. A medida que ia lendo era tomado de uma sensação de bem estar avassaladora e inexplicável, foi quando lembrou que quando bem pequeno ele sentia esta mesma sensação, só que quando salvava mariposas de serem seduzidas pelo reflexo da água .

Temos aqui um narrador em terceira pessoa, que não participa da história mas que sabe exatamente o que se passa na cabeça de seu personagem.

Ao analisarmos o mini-conto percebemos que ele possui um reduzido número de personagens, que aparecem sob a forma de pessoas . Temos o protagonista que é intitulado pelo narrador como "menino", já mostrando o seu desprezo para com ele. Temos os personagens secundários que pode-se dizer que são as outras crianças que moravam na casa também o tio, que queria mantê-las longe de sua sedutora biblioteca .

Ao falar da narrativa ,se pode citar que ao início do mini-conto é apresentado o conflito , e que todos os acontecimentos presentes no texto irão girar em torno deste conflito . Este já o é senão a proibição da entrada na tentadora biblioteca, e o doce sabor de nela penetra e se deliciar com o sabor da leitura.

Pode- se fazer uma ponte entre o conto analisado e o livro de Roland Barthes O prazer do texto, pois os dois textos falam do prazer da descoberta pela leitura, cada um do seu jeito e dentro da sua expectativa.

Em relação ao espaço em que se passa a narrativa, nota-se que ele não se divide, tudo começa dentro da biblioteca e lá se desenvolvem todos os outros acontecimentos . Embora nosso protagonista se lembre de alguns fatos que aconteceram há alguns anos, isso não interfere no espaço em que se desenvolve a história .

É possível notar que o tempo em que se passa a narrativa não é muito atual, isso é percebido quando o narrador descreve a concepção do tio em relação ao menino, chamando-o de criança e o proibindo de entrar na biblioteca. Atualmente a idade que o menino estava,14 anos, ele já não seria mais considerado como uma criança, e sim como um adolescente que está na escola e que certamente estaria acostumado com os livros. Por isso a prática de se chamar de criança um menino de 14 anos não é atual . Assim como a maioria dos mini-contos, até mesmo por não disporem de muito espaço, o Proustiano não toca na passagem do tempo, o autor escolhe um período da vida do personagem para comentar e descrever, mesmo que sejam feitas menções a épocas passadas, elas servem apenas para ilustra a narrativa e não para de fato mostrar a passagem do tempo.

É proposto ainda a utilização de alguns símbolos na narrativa. Temos a biblioteca que remete a idéia de sabedoria e conhecimento, encontrados nos livros . temos também a tentativa adotada pelo menino, salvar mariposas, transparecendo assim na esfera simbólica toda a pureza, inocência e fantasticidade de uma criança . Pode se dizer mais, que através do cheiro que é emanado dos livros se faça uma ponte com o livro o Banquete de Platão, onde tem-se no texto a metáfora de liberdade, metaforizada no conto pelo cheiro que é percebido pelo menino.

Temos embutida, na narrativa a questão da verossimilhança, que é a lógica interna do enredo, tornando-o ou não verdadeiro para o leitor . Os fatos contidos em um mini-conto não precisam ser verdadeiros, no sentido de corresponderem exatamente a fatos ocorridos no universo exterior ao texto, mas devem ser verossímeis, isto quer dizer que mesmo sendo inventados, o leitor deve acreditar no que lê . Esta credibilidade advêm da organização lógica dos fatos dos fatos dentro do enredo .

A nível de análise de narrativas são esses os aspecto que devem ser ressaltados, a fim de se compreender e explorar um mini-conto dentro de suas possibilidades.

Fonte:
http://www.colaweb.com.br

Rodrigo Garcia Lopes (Poesias Escolhidas)



SOMOS PESSOAS ESTRANHAS

somos
pessoas
estranhas
nem sabemos
que sonhos
que somos

esses
olhos
poucos

essas
folhas
secas?

esqueçam
fiquem
calados

somos
estranhos
no entanto

esta noite
dormiremos
lado a lado
================

PEÔNIAS NEGRAS SERENAS

peônias negras
serenas
quase secas
pombos se aquecem
num resto
de sol

uma planta
luta para
romper a fenda

formigas dragam
uma abelha
ainda viva

o inverno
furta a flor
a cor da fruta

(gestos & acenos
de sombras
não consolam)

a tarde passa
arrasta e deixa
um rastro prata
====================

SEU CORPO É UMA PRAIA DESERTA

Seu corpo é uma praia deserta
onde uma música desperta
numa onda esperta e a deserda:
espumas a ferem como pétalas.

Desterra, em tradução infinita,
pérolas na orla do olhar, ilha
que ainda está por ser escrita.
==========================

A TEMPESTADE

Canibal, palavra latina,
à maneira de canis, animal
de fidelidade canina.
Nas Bermudas, sublime ironia,
será um vento do cão
e vai se chamar hurracán

E quando o mar de lã
de repente apontar terra à vista
Então será Caliban
======================

LÁ VEM VOCÊ

Lá vem você
Se passando por vento
Como se ninguém te visse
Lá vem você dublando pensamento
Como praia que sentisse
Pra perto do riso, do risco, do início
Das ondas das dunas do espanto,

Lá onde o calar fala mais alto
E onde o momento comemora
Com um minuto de silêncio.
=======================

TALVEZ SEJA ISSO

De repente você nota, em certa noite de chuva,
que ninguém se importa mais.
Noite em vigília. A ipoméia se abriu
Enquanto você dormia.
A imagem iluminada desgastou
depois que a duração virou mercadoria. O "eu lírico"
não subsiste num mundo de fluxos e superfícies vazias
que o olho mal consegue acompanhar
enquanto a verdadeira face da vida começa a dar as caras.
Evaporaram-se os dados precisos e algo mágicos que a poesia exibia.
Perdemos toda inocência, talvez nossa última chance,
e agora tudo o que você disser
pode ser
Usado contra você. Transformamos o real não num mito fugidio, performance discreta ou fluxo de uma gravura, mas numa incoerência
algo eufórica, cheia de comentários sobre outras
pessoas e paisagens, pois aquilo
que se chamava vida
eram fábulas do momento presente,
o recriar incessante no castelo de areia, onde ondas eram adivinhas, brincando de desaparecer. Não investigações vazias
sobre a temporalidade ou algo assim, muito menos
a idéia da palavra em si mas que pára ali,
cara a cara com sua onipotência, e
de como a sensação agora
é de uma velocidade que de repente não muda muito as coisas.
Pelo menos em essência. Isto não existe. Mas o que é essência,
e por que perdemos
nossos instantes preciosos
e o sonho de qualquer elegância
escrevendo ao vento ou então dispersos
nesses gestos inúteis e sublimes
tentando entender
alguém no outro lado da linha.
-----
Fonte:
Jornal de Poesia

Rodrigo Garcia Lopes (1965)



Rodrigo Garcia Lopes nasceu em Londrina (Paraná, Brasil), a 2 de outubro de 1965. Formado em Jornalismo, em 1984-85 viajou pela Europa e, na volta, publicou a página literária "Leitura" e as revistas "Hã".

Trabalhou em jornais e veículos literários em São Paulo ("Ilustrada") e Curitiba ("Nicolau").

De 1990 a 1992 viveu nos Estados Unidos, onde realizou mestrado em Humanidades Interdisciplinares na Arizona State University com tese sobre os romances de William S. Burroughs. Neste período, também reuniu material para seu livro de 19 entrevistas com escritores e artistas (como John Ashbery, William Burroughs, Marjorie Perloff, Allen Ginsberg, Nam June Paik, Charles Bernstein and John Cage).

Doutor em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina, com tese sobre a poeta e filósofa modernista norte-americana Laura Riding.

O livro, "Vozes & Visões: Panorama da Arte e Cultura Norte-Americanas Hoje" foi publicado pela Iluminuras em 1996. Em seu retorno, lançou "Solarium", que reúne sua produção poética desde 1984.

Em 1996 publicou a tradução das "Illuminations" de Rimbaud (também pela editora Iluminuras). No ano passado lançou seu segundo livro de poemas, "visibilia" (Rio de Janeiro: Sette Letras).

Ao longo destes anos traduziu, entre outros, a poesia de Ezra Pound, Sylvia Plath, William Carlos Williams, Robert Creeley, Gertrude Stein, Laura Riding, Gary Snyder, Charles Bukowski, John Ashbery, Jim Morrison, e Samuel Beckett.

Em 1998 foi curador da exposição "Olhares", do fotógrafo nipo-brasileiro Haruo Ohara, que participou da Bienal Internacional de Fotografia, em Curitiba. Realiza performances de poesia & música pelo Brasil.

Seu livro Solarium foi incluído na lista das mais importantes publicações de poesia brasileira dos anos 90, e em 2004 ele foi escolhido pelo governo francês para o Programa de Ajuda Especial em Favor da Literatura Brasileira.

Vive na ilha de Florianópolis.

Bibliografia
– Nômada.
– Polivox. Poemas 1997-2000
– Poemas Selecionados (1984-2001)
– visibilia.
– Solarium.

Fontes:
Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais
Jornal de Poesia.

Concurso Internacional de Literatura 2010 da UBE-RJ


A União Brasileira de Escritores (UBE-RJ) dá prosseguimento ao seu projeto iniciado há mais de cinquenta anos e promove novo CONCURSO literário de caráter internacional.

UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES (UBE/RJ)
Integrante da Federação Latinoamericana de Sociedades de Escritores
20021-350 Rua Teixeira de Freitas, 5 s/303 – Centro. Rio de Janeiro, RJ – Brasil.
Fundada em 27 de agosto de 1958.

CONCURSO INTERNACIONAL DE LITERATURA PARA 2010.

R E G U L A M E N T O

I - DOS PRÊMIOS

Art. 1.° - Ainda com a ressonância do JUBILEU DE OURO recém-comemorado (1958/2008), a União Brasileira de Escritores (UBE-RJ) concederá, no próximo ano (2010), os seguintes prêmios literários para livros editados em 2009:

– Contos - PRÊMIO CLARICE LISPECTOR;
– Crônicas - PRÊMIO PAULO MENDES CAMPOS;
– Ensaio - PRÊMIO AMELIA SPARANO;
– Literatura Infantil e Juvenil - PRÊMIO VIRIATO CORRÊA;
– Poesia – PRÊMIO ADALGISA NERY;
– Romance - PRÊMIO LÚCIO CARDOSO;
– Teatro - PRÊMIO MARTINS PENA.

Parágrafo único - Para livro de contos, será concedida também a MEDALHA HARRY LAUS, apenas para o primeiro colocado.

Art. 2° - A critério das Comissões Julgadoras poderão ser concedidas às obras concorrentes a qualquer dos prêmios uma menção especial e uma menção honrosa, exceto a Medalha Harry Laus que terá somente um ganhador.

II - DA APRESENTAÇÃO DAS OBRAS CONCORRENTES

Art. 3° - Poderão concorrer autores de quaisquer nacionalidades, desde que se expressem em língua portuguesa e tenham sido editados no ano de 2009. Enviar três exemplares da obra concorrente.

§ 1° - O autor deverá anexar envelope contendo: título da obra, nome e endereço completo do autor, telefone, e-mail (se houver) e sucinto curriculum vitae.

§ 2° - Não haverá devolução de livros concorrentes.

III - DAS INSCRIÇÕES E DOS PRAZOS

Art. 4° - Não há limitação quanto ao número de livros por autor, observadas as disposições do Art. 3.° e seus parágrafos.

Art. 5° - Os trabalhos deverão ser enviados entre os dias 4 de janeiro a 15 de maio de 2010, considerando-se, no caso de remessa pelo correio, a respectiva data da postagem.

Art. 6° - Os livros concorrentes a prêmios devem ser remetidos, em separado por categoria, para o seguinte endereço: Rua Teixeira de Freitas, 5, Sala 303 - Lapa, CEP 20021-350 - Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Solicita-se colocar no envelope ou embalagem o nome do prêmio a que se destina(m) a(s) obra(s).

Art. 7° - É vedada a participação de membros da Diretoria da UBE-RJ.

IV - DAS COMISSÕES JULGADORAS E ACEITAÇÃO DOS CONCORRENTES

Art. 8° - As comissões julgadoras serão constituídas, cada uma, por três escritores indicados pela Diretoria da União Brasileira de Escritores (UBE-RJ), sendo irrecorríveis as decisões desses Colegiados.

Art. 9° - A participação no concurso implica a aceitação, por parte do concorrente, de todas as exigências regulamentares, resultando em desclassificação o não-cumprimento de quaisquer destas.

Art. 10° - O resultado do concurso será tornado público até 90 (noventa) dias após o encerramento das inscrições, devendo a entrega dos prêmios ser em data e local previamente anunciados.

Art. 11 - Qualquer informação ou correspondência, enviar para a Secretária da UBE-RJ Margarida Finkel - Rua Malvino Ferreira de Andrade, 69, Aleixo - CEP 25900-000 – Magé, RJ, Brasil. E-mail: margafinkel@hotmail.com

Art. 12 - Os casos omissos no presente Regulamento serão resolvidos pela Diretoria da UBE-RJ.

Rio de Janeiro, RJ, 30 de outubro de 2009.
EDIR MEIRELLES
Presidente da UBE-RJ

Fonte:
Colaboração de Neida Rocha

Música e poesia no Terças Poéticas, em Belo Horizonte



No dia, 24 de novembro, às 18h30, a poeta Cristina Borges esteve nos jardins internos do Palácio das Artes para homenagear o poeta Francisco Lins do Rego Santos. A poeta leu poemas do livro “Inventário da Noite”. A entrada foi gratuita.

Nesta edição o poeta Paulinho Andrade apresentou “Celebração”, lendo poemas de sua autoria, além de receber os convidados especiais Wanderson Novato, Paulo Cezar Nogueira, Zebeto Corrêa, Emerson Bastos, Diovvani Mendonça, Rogério Salgado e Virgilene Araújo. Também compositor, o poeta lançou o CD “Paulinho Andrade & Boa Cia”, com participações de intérpretes mineiros, sendo alguns parceiros de carreira.

O projeto de leitura, vivência e memória de poesia Terças Poéticas é uma realização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais em parceria com Suplemento Literário e Fundação Clóvis Salgado e recebe apoios culturais da Rádio Inconfidência e Rede Minas.

Paulinho Andrade
Paulo César Andrade nasceu em 11 de dezembro de 1955 na cidade de Carmo, Rio de Janeiro, morou na região da zona da mata mineira, e atualmente mora em Belo Horizonte. O poeta publicou “Volts, 293” pela editora - Por Ora 2001, BH. O poeta e ativista cultural - pretende lançar em breve o 2º livro de poesia, “Palavras de quase tudo”.

Francisco Lins do Rego Santos (1958 - 2002)
O escritor nasceu, em 1958, no Rio de Janeiro e passou a infância em Guaíra e Curitiba, no Paraná, e estudou Direito na Universidade Cândido Mendes. Neto de José Lins do Rego, o poeta faleceu em 2002. Em 1999, publicou “Inventário da Noite”, pela editora José Olympio, RJ.

Francisco Lins do Rego Santos tem no sangue o dom de fazer música com as palavras. Como o "Menino de engenho" ou "Doidinho", ele observa, sensibiliza-se e depois liricamente protesta contra o lado obscuro da vida.

Poeta norte - americano Walt Whitman recebeu homenagem no Terças Poéticas

O projeto de leitura, vivência e memória de poesia Terças Poéticas apresentou no dia 03 de novembro, às 18h30, nos jardins internos do Palácio das Artes, o poeta Rodrigo Garcia Lopes em homenagem a Walt Whitman.

O poeta Rodrigo Garcia Lopes leu e cantou poemas de seu livro e cd Polivox, além de ler e falar sobre Folhas de Relva, de Walt Whitman, traduzido por ele.

Fonte:
Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais

Jean-Pierre Bayard (História das Lendas) Parte XI



III. — O Cid

O personagem do Cid pertence à Espanha. Mas Corneille, prosseguindo com a peça de Guillen de Castro, imortaliza o herói. Essa lenda cavaleiresca descreve a vida rude e trabalhosa de um hábil guerreiro; é uma poesia de autenticidade na qual o sobrenatural, o misticismo e o fanatismo desaparecem.

1. — O personagem histórico

A Gesta Roderici Campidocti registra o nascimento do Cid em, aproximadamente, 1050; a Crónica del Cid, em 1026. Deve ter nascido em Bivar (a 8 quilômetros de Burgos), de Diego. Laynez, descendente de Layn Calvo, juiz do condado de Castilha.

Conforme outras tradições, Rodrigo é um bastardo e tem três irmãos mais velhos. Guillen de Castro faz dele um filho natural, Corneille, um filho único.

Guerreia sob o reinado de Sancho II e depois sob o de Afonso VI que o exilou em 1081. Rodriguez Diaz bate-se então para outros reis. Requestam-se os serviços do Campeador (O batalhador).

Ajudando o rei muçulmano de Saragoça, os soldados lhe deram o nome de Cid, Mio Cid oriundo do árabe Sidi, senhor. Cumulado de riquezas e honras apoderou-se de Valença (1094) e lá viveu até 1099 como grande senhor. Depois de sua morte, sua mulher, Ximena, neta de Afonso V. teve que abandonar Valença (1102).

A imaginação do povo acrescentou logo uma infinidade de pormenores extraordinários. Esse vassalo injustamente exilado permanece um motivo ora respeitável, ora revoltado; chefe de um bando ambicioso, pouco escrupuloso (conforme Dozy), torna-se um cavalheiro cortês e galante. São-lhe atribuídas intenções que são de outros tempos e de outros personagens. Mas esse homem rude, independente, leal, representa bem a Espanha cristã; provocou a admiração.

2. — Os documentos

O Museu Real de Armas de Madri conserva uma das espadas do Cid (Tizona); a catedral de Sala manca retém o ato de 1098 pelo qual o Cid dava todos os seus bens à catedral de Valença; bem como os de Ximena (1101). Burgos tem em seu poder o contrato de casamento entre Cid e Ximena e os. dois cofres que o Cid teria entregue aos judeus. Os restos mortais do herói e de sua mulher descansam em San Pedro de Cardena. Em 1272, Afonso X mandou erguer, em sua homenagem, um ataúde de pedra.

3. — Fontes literárias

a) Historia Roderici Didaci Campi docti, crônica latina (antes de 1238), descoberta em 1742 pelo P. Risco, traduzida por Saint-Albin (Paris, 1866).

Só nos restam trinta e duas estrofes desse poema;

b) Crônica rimada, descoberta em 1844 por Enjemio de Ochoa, publicada por Francisque Michel e Ferdinand Wolf — Tradução de Damas-Hinard em 1858. E a juventude do Cid feudal. A narração inicia-se com a querela entre o Conde de Gormaz e Diégo Lainez;

c) Le Romancero é a obra mais considerável. Foi impressa em Saragoça em 1550;

d) A crônica do Cid, quarto livro da Crónica general, teria sido composta pelo próprio Afonso X e refundida no século XV; e) La crónica del famoso Caballero Cid Ruy Diaz Campeador, em prosa, publicada em 1512 por Juan de Veloredo, em 1845 por Huberto, em Marburgo e em 1853, em Stuttgart;

f) O poema do Cid (Gesta del mio Cid), publicado em 1779 por Sanchez, reeditado em 1858 por Damas-Hinard e depois por Saint-Albin. Talvez escrito por um prestidigitador de Madenaceli em, aproximadamente, 1140; esse admirável poema encena um Cid mais apaixonado pelas guerras do que pelo amor. A influência da Canção de Rolando nela é indiscutível, mas os episódios sobrenaturais são apenas quatro, sendo um a visita, do Anjo Gabriel e o outro a de São Lázaro.

Essa grande lenda épica espanhola não precisa pois do maravilhoso;

g) Documentos árabes. Dozy (1881) encontrou o manuscrito árabe de Ibn Bassam (Dzakhira, terceiro volume, primeira parte), escrito em Sevilha em 1109 dez anos depois da morte do Cid lbn-al-Cardebus et Ibn-al-Abar falaram também do Cid.

4. — Sucessão literária

O amor Ximena-Cid não é tratado. Essa invenção arbitrária nasceu nos romanceros, os quais dizem que Ximena amou Rodrigo depois da morte de seu pai. Francisco Santos no Cid ressuscitado faz com que o Cid ressuscite bastante descontente com as fábulas que lhe são atribuídas.

a) Guillen de Castro — No século XVII, este autor forneceu o conflito dramático da morte do conde. Las mocedades del Cid (Juventude do Cid), composto em 1618, foi editado em 1621; é um drama fértil em espetáculos nos quais o amor luta com o dever durante três anos. A segunda parte de Las mocedades narra as proezas do Cid e a ação só é iniciada vários anos depois do casamento do Cid com Ximena.

Esta peça edificante exalta o espírito da caridade; é uma arma contra a Reforma;

b) Corneille — Corneille retoma esse texto (dezembro de 1636) inspirando-se também em dois antigos romances espanhóis. A lei imperiosa da unidade de tempo aboliu esse período de três anos; Corneille, reagindo contra a apresentação dos mistérios, suprime as cenas religiosas mas exalta o ideal de cavalaria. É criticado pelo casamento dessa moça com o assassino de seu pai, mas na Espanha, o rei dispunha, como queria, da mão de uma órfã.

“La querelle du Cid”, erguida por Richelieu, tem motivos políticos (apologias do duelo e de um herói espanhol justamente quando os éditos de 1634 proíbem esses combates e que a França está em guerra com Madri). E nada mais do que uma rivalidade literária, o orgulho de Corneille feriu a suscetibilidade de seus rivais;

c) Diamante — La Harpe e Voltaire pretenderam sem razão que o Cid de Diamante era anterior ao de Castro. Le vengeur de son père data de 1659 e é uma tradução de Corneille;

d) Les tragédies — Desfontaines (Le mariage du Cid, 1635), Chevreu (La vraie suite du Cid), Timothée Chillac (La mort du Cid ou L’ombre du comte de Górmaz, 1639), Pierre Lebrun (Le Cid d’Andalousie, 1825), de Casimir Delavigne (La fille du Cid, 1840) não trouxeram nenhum elemento novo.

Abel Hugo traduziu o Romancero (1822) e Victor Hugo lembra-se de Rodrigo em La bataille perdue (Les Orientales), Bivar, Le Cid exilé, Le Romancero du Cid (La légende des siècles);

Em 1882, Zorilla compõe uma abundante paráfrase do romancero (La légende du Cid). Massenet escreve sua música segundo o livreto de Gallet, d’Ennery e Blau. Leconte de Lisle inspira-se em Rodrigo nos seus Poèmes barbares (1862), bem como José-Maria de Herédia (Revue des Deux Mondes, 1885).

Alexandre Arnoux publicou uma excelente Légende du Cid Campeador (Piazza, 1923) e Georges Fourest traduziu o lamento de Ximena em La négresse blonde (Vanier-1909):

Dieu!
Qu’il est joli garçon l’assassin de papa! (Deus! Como é belo o assassino de meu pai!)

5. — Conclusão

Esse canto triunfal, único texto épico de uma tradição espanhola foi, desde o princípio, influenciado pelo espirito francês que se irradiou então sobre toda a Europa. Poema de propaganda, o autor baseou-se em documentos humanos. Debaixo de sua boa cota de malha, o Cid combateu para ganhar a sua vida. Mas esse personagem bem espanhol veio até nós, não tanto pela sua coragem que se assemelha à de Rolando, mas por um fato imaginado por Guillen de Castro: a luta entre o dever e o amor. Corneille, pela sua concisão, pelo vigor de seus versos cintilantes e imortais, forjou sua duradoura personalidade.
-------------
continua...
-------------
Fonte:
BAYARD, Jean-Pierre. História das Lendas. (Tradução: Jeanne Marillier). Ed. Ridendo Castigat Mores

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to