Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Amália Max (Baú de Trovas)


A ermida à beira da estrada
plange seu sino de um jeito,
que eu sinto a corda amarrada
na saudade do meu peito...

A esperança em nossa vida,
pelo valor que ela ostenta,
pode até ser resumida
como o pão que nos sustenta.

A fonte, singelo fio,
contorcendo em cansaços,
encontra por fim um rio
e então se atira em seus braços.

A gota d'água nascida
de veio farto e profundo,
é a fonte da nossa vida
e a própria vida do mundo.

Ao cortar a trança loura,
minha infância em despedida,
deixou na fria tesoura
saudosos fios de vida.

A sombra que, meio arcada,
te segue pelos caminhos,
é minha alma ajoelhada
a beijar os teus pezinhos.

A sorte tem seus encantos,
seus agrados, seus engodos;
às vezes agrada a tantos,
mas jamais agrada a todos!

A vida anda tão tristonha:
pobreza... fome... agonia...
que chego a sentir vergonha
de às vezes ter alegria.

A vida deu-me esta dor;
e hoje entre a dor e a lembrança,
sou um cheque ao portador,
sem fundo para cobrança.

Com mil retalhos tristonhos,
que rasguei do coração,
fiz uma colcha de sonhos
e agasalhei a ilusão.

Da lembrança doce e calma,
quando a tarde se inicia,
tua imagem em minha alma
é saudade todo dia.

Depois do enxerto a coitada,
que quis o rosto alisar,
agora vive assustada...
Seu rosto só quer sentar!

Depois que, um dia, partiste,
nesta rua só choveu.
Será que esta rua é triste
ou triste nela sou eu?

Disfarçando... Disfarçando...
o sol, malandro das horas,
vai aos poucos levantando
a saia azul das auroras.

Em pedaços fui rasgando
tua foto pela praça.
Hoje os procuro chorando,
pedindo ajuda a quem passa.

Esta chuvinha pingando
do telhado sobre o chão,
vai aos poucos empoçando
saudade em meu coração.

Galanteios, que em verdade,
quis dizer-te ou ter escrito,
hoje, finda a mocidade,
sinto dor por não ter dito.

Laranjais de minha infância,
frutos que alegre colhi,
hoje olho para a distância
e choro porque cresci!

Levo na face enrugada
e na fronte embranquecida
a passagem, comprovada,
de que viajei pela vida.

Maria partiu... Maria
que nunca disse a verdade
mas era, quando mentia,
bem melhor que esta saudade.

Meus olhos azuis se embaçam,
acabando por chorar,
quando meus braços se abraçam
por não ter quem abraçar.

Muitos recebem de graça
o bom vinho da alegria;
eu pago mas minha taça
a vida deixa vazia.

Não vens há meses inteiros;
e enquanto conto as auroras
a tesoura dos ponteiros
lentamente corta as horas.

Não faça da despedida
um momento de revoltas;
o amor tem portas na vida
com chave de várias voltas.

Não fale, não diga nada,
aperte mais minha mão,
faça a promessa auebrada
não precisar de perdão.

Não vens... e, em tuas demoras,
na angústia das madrugadas,
o relógio bate as horas
e as horas dão gargalhadas.

Nas noites de paz eterna,
vigiando a escuridão,
toda estrela é uma lanterna
que um anjo leva na mão!

Na velha praça, embalado
por lindo sonho vadio,
apalpo o banco a meu lado
mas meu lado está vazio.

Na vizinha, a linda casa,
nem a vassoura descansa;
se acaso o marido atrasa,
a vassoura canta e dança!

No entardecer quem me dera,
ver teu vulto, ouvir teu passo,
e por magia ou quimera
ter teus braços num abraço!

No instante em que nossa prece
sobe a escada do infinito,
pela mesma escada desce
a paz que acalma o conflito.

Nos dedos eu conto as horas,
não sei contar diferente,
mas, hoje, sei que demoras
bem mais do que antigamente.

No sertão a chuva mansa
que torna a manhã cinzenta,
é mais que chuva e esperança,
é Deus regando água-benta.

Numa ternura infinita
a lua, com mãos de prata
vem prender laços de fita
nas tranças verdes da mata.

O arco-íris tão bonito
e de tão finos arranjos
é só o varal do infinito
secando a roupa dos anjos!

Oh! lembrança, vem com jeito,
não se perca em sonhos tardos,
porque este meu velho peito
já não aguenta tais fardos.

O tempo em sua investida,
como sentença, suponho,
rouba-me um pouco da vida
e muito de cada sonho.

Partindo da meninice
é que o trem do tempo avança
e na estação da velhice
deixa saltar a esperança.

Para os que seguem sozinhos,
descalços e combalidos,
que importa ter mil caminhos
se todos são proibidos?

Partiste... já não te importas
que em nossa casa singela
a ventura feche as portas
e a saudade abra a janela.

Pergunto frequentemente:
felicidade, onde estás?
Será que corres na frente
ou ficaste para trás?

Pobre titia, ao comprar
uma vassoura, é indagada:
será preciso embrulhar
ou já vai nela montada?

Poeira de estrelas cadentes
que à noite caem nos campos
são com certeza as sementes
que germinam pirilampos.

Quando o passado é turista
no trem do meu coração,
a saudade é maquinista
e o meu peito uma estação.

Quando nos chegam tardias,
esperanças sempre são
aquelas parcas fatias
de miolo velho…de pão!

Quanta ternura em agosto:
o vento que beija o ipê
vem também beijar meu rosto
depois de beijar você.

Ralhando com seus porquinhos
a porca, mãe exemplar,
vendo-os, assim, bem limpinhos...
- já pro barro se sujar !!!

Relógio, fique parado!
Não deixe o tempo passar...
Eu quero ser enganado
quando a velhice chegar!

Sabiá põe em seu canto
tal ternura que ao cantar,
mais parece um acalanto
para a alma cochilar.

Saudade... insônia que aspira
ouvir na calçada passos,
mesmo sendo outra mentira
a vir dormir nos meus braços.

Se é por um amor que choras
enxuga os olhos... Repara:
se o relógio pára as horas,
nem por isso a vida pára.

Se me deixas por vontade...
se vais para não voltar...
O que é que eu digo à saudade
amanhã, quando acordar?

Sem mesmo ter ido ao céu
já caminhei sobre a lua!
Foi um dia andando ao léu
pisando as poças da rua.

Sem ter com quem conversar,
o velhinho solitário,
usa as mãos para rezar
conversando com o rosário.

Sentindo a luta perdida,
nos fracassos e derrotas,
abraço o circo da vida
para as minhas cambalhotas.

Solidão é chuva fina
que encharca o chão sem correr;
e às vezes faz que termina
mas... recomeça a chover.

Solidão é vento frio,
vento calmo mas gelado
deixa o meu peito vazio
e ainda dorme ao meu lado.

Sonhos meus... jóias de outrora
qual ouro sem um quilate,
enferrujam na penhora
sem ter mais quem os remate.

Vejo ternuras pagãs
quando o sol, por entre os galhos,
cobre a nudez das manhãs
com seu lençol de retalhos.

Velhice... circo que a vida
armou no fim da ladeira,
de onde a solidão convida
para a sessão derradeira.

Voltaste... voltaste, eu sei,
mas o encanto foi desfeito;
agora já repintei
as paredes do meu peito.

Amália Max



Amália Max nasceu em Ponta Grossa, Paraná, no dia 13 de julho, filha de João Max e Maria Suckstorf Max.

Em 1981 lança seu livro de trovas "Escaninho" e daí em diante passou a concorrer em Jogos Florais e concursos e participar de antologias e coletâneas.

Em 1986 recebeu a homenagem máxima de sua vida quando o Colégio Estadual 31 de Março, ensino de 1º e 2º graus imortalizou-a dando seu nome para a sua biblioteca: "Biblioteca Poetisa Amália Max".

Tem seu nome, como trovadora, trabalhos inseriidos em inúmeras antologias e coletâneas. Figura em Enciclopédias, em livros e Jornais de todo o Brasil.

Professora de pintura, arte que domina com segurança.

Pertence a:
– Centro Cultural Euclides da Cunha, de Ponta Grossa, PR,
– Casa Juvenal Galeno – Ala Feminina, Fortaleza, CE,
– Academia de Letras José de Alencar, Curitiba, PR,
– Centro de Letras do Paraná, Curitiba, PR,
– Academia de Letras dos Campos Gerais, Ponta Grossa, PR, fundadora da cadeira nº 13.
– Já foi Presidente Municipal e Estadual da UBT durante 30 anos.
– Desde 2003, por convite do Cap. Alípio B. Rosenthal é assessora cultural da Associação dos Militares da Reserva.

Fontes:
- Vasco José Taborda e Orlando Woczikosky. Antologia de Trovadores do Paraná.
- Antologia dos Acadêmicos - edição comemorativa dos 60 anos da Academia de Letras José de Alencar.
- UBT Nacional.

Literatura Brasileira (Parte 9 = O Simbolismo)


É comum, entre críticos e historiadores, afirmar-se que o Brasil não teve momento típico para o Simbolismo, sendo essa escola literária a mais européia, dentre as que contaram com seguidores nacionais, no confronto com as demais. Por isso, foi chamada de "produto de importação". O Simbolismo no Brasil começa em 1893 com a publicação de dois livros: "Missal" (prosa) e "Broquéis" (poesia), ambos do poeta catarinense Cruz e Sousa, e estende-se até 1922, quando se realizou a Semana de Arte Moderna.

O início do Simbolismo não pode ser entendido como o fim da escola anterior, o Realismo, pois no final do século XIX e início do século XX tem-se três tendências que caminham paralelas: Realismo, Simbolismo e pré-Modernismo, com o aparecimento de alguns autores preocupados em denunciar a realidade brasileira, entre eles Euclides da Cunha, Lima Barreto e Monteiro Lobato. Foi a Semana de Arte Moderna que pôs fim a todas as estéticas anteriores e traçou, de forma definitiva, novos rumos para a literatura do Brasil.

Transição - O Simbolismo, em termos genéricos, reflete um momento histórico extremamente complexo, que marcaria a transição para o século XX e a definição de um novo mundo, consolidado a partir da segunda década deste século. As últimas manifestações simbolistas e as primeiras produções modernistas são contemporâneas da primeira Guerra Mundial e da Revolução Russa.

Neste contexto de conflitos e insatisfações mundiais (que motivou o surgimento do Simbolismo), era natural que se imaginasse a falta de motivos para o Brasil desenvolver uma escola de época como essa. Mas é interessante notar que as origens do Simbolismo brasileiro se deram em uma região marginalizada pela elite cultural e política: o Sul - a que mais sofreu com a oposição à recém-nascida República, ainda impregnada de conceitos, teorias e práticas militares. A República de então não era a que se desejava. E o Rio Grande do Sul, onde a insatisfação foi mais intensa, transformou-se em palco de lutas sangrentas iniciadas em 1893, o mesmo ano do início do Simbolismo.

A Revolução Federalista (1893 a 1895), que começou como uma disputa regional, ganhou dimensão nacional ao se opor ao governo de Floriano Peixoto, gerando cenas de extrema violência e crueldade no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Além disso, surgiu a Revolta da Armada, movimento rebelde que exigiu a renúncia de Floriano, combatendo, sobretudo, a Marinha brasileira. Ao conseguir esmagar os revoltosos, o presidente consegue consolidar a República.

Esse ambiente provavelmente representou a origem do Simbolismo, marcado por frustrações, angústias, falta de perspectivas, rejeitando o fato e privilegiando o sujeito. E isto é relevante pois a principal característica desse estilo de época foi justa-mente a negação do Realismo e suas manifestações. A nova estética nega o cientificismo, o materialismo e o racionalismo. E valoriza as manifestações metafísicas e espirituais, ou seja, o extremo oposto do Naturalismo e do Parnasianismo.

"Dante Negro" - Impossível referir-se ao Simbolismo sem reverenciar seus dois grandes expoentes: Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimarães. Aliás, não seria exagero afirmar que ambos foram o próprio Simbolismo. Especialmente o primeiro, chamado, então, de "cisne negro" ou "Dante negro". Figura mais importante do Simbolismo brasileiro, sem ele, dizem os especialistas, não haveria essa estética no Brasil. Como poeta, teve apenas um volume publicado em vida: "Broquéis" (os dois outros volumes de poesia são póstumos). Teve uma carreira muito rápida, apesar de ser considerado um dos maiores nomes do Simbolismo universal. Sua obra apresenta uma evolução importante: na medida em que abandona o subjetivismo e a angústia iniciais, avança para posições mais universalizastes - sua produção inicial fala da dor e do sofrimento do homem negro (observações pessoais, pois era filho de escravos), mas evolui para o sofrimento e a angústia do ser humano.

Já Alphonsus de Guimarães preferiu manter-se fiel a um "triângulo" que caracterizou toda a sua obra: misticismo, amor e morte. A crítica o considera o mais místico poeta de nossa literatura. O amor pela noiva, morta às vésperas do casamento, e sua profunda religiosidade e devoção por Nossa Senhora geraram, e não poderia ser diferente, um misticismo que beirava o exagero. Um exemplo é o "Setenário das dores de Nossa Senhora", em que ele atesta sua devoção pela Virgem. A morte aparece em sua obra como um único meio de atingir a sublimação e se aproximar de Constança - a noiva morta - e da Virgem. Daí o amor aparecer sempre espiritualizado. A própria decisão de se isolar na cidade mineira de Mariana, que ele próprio considerou sua "torre de marfim", é uma postura simbolista.

Fonte:
http://www.vestibular1.com.br/

Carlos Seabra (Haicais e Que Tais)


GOTAS
pequenos dedos
das gotas de chuva
massageiam a terra

FAROL
os raios de sol
iluminam de manhã
o velho farol

CONTO
era uma vez
um sapo que beijado
poeta se fez

PULGA
pinta no nariz -
era uma pulga que
fugiu por um triz

FLORESTA
que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?

ALTAR
ao te adorar
não sei mais se tens
corpo ou altar...

FONTE
velha na fonte -
os cântaros se enchem
o sol se esconde

MADRUGADA
ave calada -
ninho em silêncio
na madrugada

ONDAS
as ondas beijam
os lábios da praia -
bocas do mar

BRIGA
briga de gatos
na sala de jantar -
vaso em cacos

MORTO
caído, um corpo
acabado, um sonho
imóvel, um morto

ALICATE
com alicate
abre o maluco
um abacate

CEREJA
sabor cereja -
minha boca
a tua deseja

BRASA
brasa do tempo
acende quando passas
no pensamento

FERA
fera ferida
nunca desiste -
luta pela vida

DESPEDIDA
fruta mordida -
saudade de teu beijo
na despedida

AVENTURA
pardal sozinho -
primeira aventura
fora do ninho

PALHAÇO
palhaço triste
é como pássaro preso
sem alpiste

TRIGO
trigo dourado
pelas mão do vento
é penteado

PALAVRAS
letras no papel
trazem tuas palavras
com sabor de mel

PATINS
patins no gelo -
riscos que se cruzam
como novelo

KIGÔ
haicai sem kigô
é de quem bebe saquê
e pisa na fulô

PIRILAMPO
brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

NUVEM
nuvem parada
beijada pela brisa
fica molhada

SACI
Saci Pererê
fuma seu cachimbo
à sombra do ipê

FANTASMA
casa fantasma
cheia de habitantes
feitos de plasma

TENOR
pássaro tenor
afina a garganta
ao sol se pôr

VARANDA
sol na varanda -
sombras ao entardecer
brincam de ciranda
--------------

Fonte:
SEABRA, Carlos. Haicais e Que Tais. Massao Ohno, 2005. http://haicaisequetais.blogspot.com/

Carlos Seabra



Carlos Tabosa Saragga Seabra, filho de Mário Seabra, nascido em Lisboa, Carlos vive em São Paulo há cerca de 40 anos. Possui 55 anos.

Os gêneros literários constituem marcos retóricos ou poéticos, legitimados pelas convenções. Cumpre aos poetas segui-los e, depois, ultrapassá-los.
É o que se verifica com os Haicais de Carlos Seabra. Encontram-se mais próximos da forma do que do espírito. É que a alteridade da composição, transplantada ao solo brasileiro, incorpora os sinais da tradição poética local. Tudo em versos mínimos, de rapidez eletrônica.

Carlos Seabra visita vários núcleos temáticos, com um gestual de cirurgião plástico. Ventila os pequenos poemas ora com o sopro romântico, ora com a graça da ironia, que não chega, todavia, à mordacidade. FÁBIO LUCAS

Como disse Massao Ohno, “Se há versos brancos deverão haver "haicais brancos" onde a métrica, acentuação e rimas não precisarão necessariamente ser seguidas à risca. Apenas o espírito, o momento poético deverá existir para que subsista o poema.”...

Currículo

Coordenador editorial do Núcleo de Publicações de Educação da TV Cultura – Fundação Padre Anchieta, atuando no gerenciamento e produção de coleções didáticas para diversos clientes, entre eles a Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria Especial de Relações do Trabalho.

Coordenação editorial do MiniGuia Claro Curtas, com a Casa Redonda, para o Instituto Claro.

Participação na Comissão Organizadora do blog e evento Crise e Oportunidade, no Instituto Paulo Freire.

Curador da área de Memória Digital no Fórum da Cultura Digital Brasileira.

Coordenação das atividades de apoio ao ONID – Observatório Nacional de Inclusão Digital.

Desenvolvimento e coordenação da Webrádio CulturaViva.

Consultor do Itaú Cultural na área de educação à distância e produtos culturais online, e Itaú Social, com o CENPEC, no Programa "Escrevendo o Futuro".

Desenvolvimento dos sites do "Núcleo de Memória", da Odebrecht, e da "Real Biblioteca", para a Fundação Biblioteca Nacional.

Diretor de Acervo e Difusão do Conselho Nacional de Cineclubes, mandato 2009-2010.

Coordenador do Ponto de Cultura Vila Buarque, parceria com o Ministério da Cultura.

Vice-Presidente da União Brasileira de Escritores, na gestão 2006-2008.

De 1971 a 1972 na IXAT Publicidade, estagiário e assistente de arte nessa agência de publicidade, tendo atuado na sua área editorial, atendendo os house organs de diversos clientes, entre eles a Revista "Gente", da Petrobrás, e na edição de publicações do Mobral ("Quem lê... Vai longe" e outros), em conjunto com a Editora Melhoramentos. Em 1972, a agência passou a se denominar Saragga Seabra & Sasson Publicidade.

De 1973 a 1974, na Editora Liza trabalhou no departamento de documentação da Divisão de Fascículos e no departamento de arte, atuando na pesquisa iconográfica e apoio à produção editorial nos fascículos educacionais daquela editora ("Corte & Costura", "Dicionário Ilustrado Inglês-Português" e "Atividades, Enciclopédia de Trabalhos Manuais").

De 1974 a 1978 da Editora ABZ, Coordenador de Produção, Chefe de Arte e Secretário Editorial, atuando na coordenação editorial e produção de vários fascículos ("Vida Íntima", "Secretariado Moderno e Prática Comercial", "Fio & Agulha", "Atlas do Brasil", "Boutique", "Só Brasil") e na revista "365 – Seleção de Leitura e Informação", coleções paradidáticas, produção de quadrinhos e outras publicações, inclusive para o mercado africano de idioma português.

Secretário Editorial, de 1978 a 1980 da Abril Cultural, na Divisão de Fascículos, nas obras "Enciclopédia Tudo" e "Todos os Jogos", neste gerenciando também toda a pesquisa e testagem lúdica. Também foi colaborador da Abril Educação (Casa Alfa) e da Editora Abril na área de publicações infanto-juvenis (adaptando semanalmente as publicações Disney para Portugal e criando atividades lúdicas).

Gerente Editorial, de 1980 a 1983 da GC Assessoria Editorial, coordenando a edição e produção de obras educacionais para os mercados brasileiro, português e africano, livros, fascículos, revistas e outras publicações, entre elas o fascículo semanal "Vida Íntima" de educação sexual, publicado e distribuído pela Abril Cultural.

Editor da revista mensal "Byte Papo" do Serpro, na área de formação tecnológica de recursos humanos, de 1983 a 1984. Organizador e co-autor do livro "A Revolução Tecnológica e os Novos Paradigmas da Sociedade", editado pelo IPSO e pela Oficina de Livros.

Coordenador do Programa Informática e Educação, de 1987 até 1992 do SENAC, tendo sido antes, de 1984 a 1987, Orientador Técnico na unidade de Informática, também tendo integrado o Centro de Tecnologia Educacional. Atuação no desenvolvimento de diversos softwares educacionais para Apple e PC, tais como Sherlock, O Sangue, Introdução ao Micro e muitos outros, manuais impressos, vídeos e treinamento de professores e desenvolvimento de cursos.

Editor da seção de informática da Folha da Tarde, de 1990 a 1991.

Responsável pela área de informática da revista Superinteressante, de 1995 a 1997

Sócio e Diretor da Oficina de Software, desde 1996. Desenvolvimento de diversos produtos multimídia para clientes como SESC-SP, SENAC-SP, Ministério da Educação etc., tendo lançado no mercado produtos próprios, em conjunto com o PubliFolha, como o CD da Folhinha e o Vestibular Multimídia da Folha.

De 2000 a 2003, pesquisador da equipe da Escola do Futuro da USP, coordenando o CIDEC (Centro de Inclusão Digital e Educação Comunitária), coordenando a capacitação e gerenciamento dos monitores dos infocentros comunitários do Acessa SP e a concepção e produção de minicursos online e de cadernos eletrônicos desse programa, a BibVirt (Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa) e o Projeto WebQuest, entre outras ações de aplicação das novas tecnologias na educação.

De abril a setembro de 2001, colaborou na equipe de assessoria do secretário municipal de educação, Fernando de Almeida, na área de aplicações das novas tecnologias de comunicação na aprendizagem.

Artigos em diversas publicações, como na revista "Acesso" e "Idéias" da FDE, "Em Aberto" do MEC, "Soluções" da Telefonica, "Eixos" da Câmara Brasil-Alemanha, "Lecionare" da FreeShop, revista "Sesc TV", revista "A Rede", "Novos Rumos do Ensino Superior" da PUC-SP etc.

Autor do livro de poesia "Haicais e Que Tais" (Massao Ohno Editor, 2005).

Participou de diversas antologias de contos, como "Antologia de Contos da UBE" (Global Editora, 2008), "Contos de Algibeira" (Casa Verde, 2007), "Expresso 600" (Andross Editora, 2006), "Antologia de Micro-contos" (Edições Pitanga, 2008).

Consultoria e coordenação de projetos na área de telemática educacional e educação à distância, na PUC/SP (na área de cursos de especialização, aperfeiçoamento e extensão), SENAC/SP (Centro de Idiomas), IMESC (Projeto Disque Drogas), colégios particulares (como Colégio Brasil e Magno Escola Integrada) e escola pública (BBS da FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo, CIEd de Santa Catarina), Itaú Cultural, World Trade Center, Estadão na Escola e Rede Saci.

Diretor de Acervo e Difusão do CNC - Conselho Nacional de Cineclubes.

Membro do Conselho Consultivo da UBE - União Brasileira de Escritores (e ex-Vice Presidente na gestão anterior).

Membro do Conselho Consultivo do Instituto Claro.

Coordenador do Ponto de Cultura Vila Buarque.

Membro do Conselho Editorial da revista "Novos Rumos" e da revista "A Rede".

Ex-Secretário-Executivo do Pólo SP da SBGC - Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento.

Ex-diretor e fundador da SBIE - Sociedade Brasileira de Informática na Educação.

Ex-Presidente da Federação Paulista de Cineclubes.

Ex-vice-presidente da Comissão de Cinema da Secretaria de Estado da Cultura.

Ex-diretor do Centro Cultural 25 de Abril e da Associação Cultural Agostinho Neto.

Colaborador de diversas publicações, como os jornais Movimento, Em Tempo, Brasil Mulher, Portugal Democrático e outros. Criador e mantenedor de diversos sites de poesia e cultura na internet.

Fontes:
Carlos Seabra
Antonio Miranda

terça-feira, 29 de junho de 2010

Vãnia Maria Souza Ennes (Paraná em Trovas)

artigo por José Feldman

Em 19 de junho de 2010, em um jantar integrante das festividades dos Jogos Florais de Curitiba, a presidente da União Brasileira dos Trovadores do Paraná, Vãnia Maria Souza Ennes realizou uma noite de autógrafos, ao lançar o seu livro Paraná em trovas, em sua 3a. edição, ocasião esta que tive a honra de conhecer pessoalmente esta trovadora, plagiando a definição do irmão trovador maringaense Assis, "encantadora".

Encantada olho os pinheiros,
Formosos! Iguais? não há.
Dos poetas são os parceiros
que versam o Paraná.
(VÃNIA M. S. ENNES)

Vânia Ennes, filha do Paraná, como uma regente que comanda a sua orquestra, sob o movimento de sua batuta faz com que nos embriaguemos em instantes de pura emoção. Através das trovas contidas no livro vivemos os acordes dos noturnos de Chopin, a Pastoral de Beethoven, a Cavalgada das Valquírias de Wagner, a Marcha Triunfal, da Aída, de Verdi. Sejam nas trovas, ou mesmo em textos de sua lavratura, podemos sentir a beleza que há no mundo que nos rodeia. Sempre otimista, essas trovas são o nascer do sol em toda a sua magnitude, o cantar dos passarinhos ao despontar da aurora, é o dia morno a nos aquecer o coração, é o final da tarde quando muitos de nós após um dia intenso de trabalho nos sentamos na varanda a saborear um tererê ou chimarrão. É a noite, não a escuridão, não a tristeza que muitos buscam nela, mas uma noite onde ela descortina uma lua brilhante envolvida por um véu de estrelas.

Quando sopra o vento sul,
a trova viaja e vai fundo.
Seu caminho é o céu azul…
Espalha-se pelo mundo!
(VÂNIA M. S. ENNES)

Paraná em trovas é um livro, onde esta fantástica trovadora reune trovadores paranaenses que deixam a sua marca no livro da história de nossa literatura tão vasta. Por seu intermédio mostra que neste estado verdejante, de terra vermelha, existe um povo que sabe cantar os seus momentos de emoção, com todo sentimento que pode ser contido em uma trovinha de quatro versos setessilábica.

Vem trovador, vem correndo,
ao meu Paraná, porque
O Pinheiro está morrendo…
De saudades de você…
NEIDE ROCHA PORTUGAL (Bandeirantes)

Ao Paraná, imagino,
dentro da graça altaneira,
o pinheiro é como o Hino
ou como a própria Bandeira.
FERNANDO VASCONCELLOS (Ponta Grossa)

Mas, Vânia não pára por aí. Seu livro é uma Arca de Noé que carrega todos que estão em seu caminho, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, etc. e mesmo outros países como Estados Unidos, Portugal, Panamá, México, e outros, famosos e nem tão famosos.

Como já dizia a poetisa norte-americana Emily Dickinson (1830-1886) “Não há melhor fragata que um livro para nos levar a terras distantes”, e Vânia comanda esta fragata por este Brasil imenso levando os trovadores nesta viagem e trazendo até nós toda esta paisagem exuberante, vencendo fronteiras nacionais e internacionais, carregando a bandeira desfraldada da Trova “por mares nunca dantes navegados”.

O livro possui em seu bojo cerca de 400 trovas. Trovadores do Paraná, de outros Estados do Brasil, de outros Países e de trovadores já falecidos que imortalizam as suas trovas nesta obra. Nomes do quilate de, além da autora, Antonio Augusto de Assis, Amália Max, Dinair Leite, Gerson Cesar Souza, José Westphalen Corrêa, Lairton Trovão de Andrade, Fernando Pessoa, Carlos Drummond, Mario Quintana, José Ouverney, Glédis Tissot, entre tantos outros.

Como ela mesma diz “saber viver é saber quebrar as durezas normais da existência, ao conseguir enxergá-las com os olhos da alma e da serenidade de espírito.” É assim que é Vânia, tranquila cativando com seu sorriso a todos que estão em seu caminho. É a voz de nosso querido Paraná, é a voz do Brasil.

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A seguir algumas das trovas de seu livro

Que a amizade não se meça
por sorrisos e elogios,
mas por ser, sem que se peça,
o sol em dias sombrios.
DOMINGOS FREIRE CARDOSO – Portugal

O poeta é um fingidor.
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor,
a dor que deveras sente.
FERNANDO PESSOA – Portugal

Linda musa brasileña
llena de amor y bondad
eres princesa risueña
que me da felicidad.
JOSELITO FERNÁNDEZ TAPIA – Perú

Este é o exemplo que damos
aos jovens recém-casados:
que é melhor se brigar juntos
do que chorar separados!
LUPICÍNIO RODRIGUES – Porto Alegre/RS

Tudo muda, tudo passa,
Neste mundo de ilusão:
Vai para o céu a fumaça,
Fica na terra o carvão.
GUILHERME DE ALMEIDA – Campinas/SP

Diz uma lenda tingui
que Tupã, Deus dos guerreiros,
enterrando a lança aqui
fez nascer muitos pinheiros…
HARLEY CLÓVIS STOCCHERO – Curitiba/PR

Pescador, pensa, avalia…
e diga se ainda crê
na graça da pescaria,
se o peixe fosse você…
HERIBALDO BARROSO – Acari/RN
___________
Fonte:
– ENNES, Vânia Maria Souza (organizadora). Paraná em Trovas: Seleção de Trovas. 3a. Edição revisada e ampliada. Curitiba: ABRALI, 2009.
– Comentário: José Feldman

Josias Alcântara (Como a Poesia Pode Revolucionar a Educação)

pintura à óleo de Diva do Val Golfieri
Educar é relativizar o eu humano; é um processo de abertura para o outro.
(Jean Jacques Rousseau)

Martins D’ Alvarez (Eu Sei Ler)

Eu sei ler corretamente,
faço contas de somar,
sou batuta em dividir,
gosto de multiplicar.

Quando a professora escreve
no quadro-negro da escola,
leio até de olhos fechados:
“Paulo corre atrás da bola.”

Pra somar uma banana
com mais duas e mais três,
vou comendo e vou somando
1 mais 2 mais 3 são 6.

Pra dividir três pães
comigo e com meu irmão?
Eu sou o maior, ganho dois.
Para ele basta um pão.

Se mamãe me dá um doce
na hora de merendar,
acabo comendo três.
Como eu sei multiplicar!

Os professores encontram sérias dificuldades na escolha sobre a melhor estratégia para inserir a poesia em suas aulas. Por que existe essa dificuldade? A resposta é muito simples. Desde a época da ditadura, a poesia e a filosofia, foram quase abolidas das salas de aulas, porque os praticantes se tornavam mais críticos em razão do aumento de conhecimento paralelo que adquiriam. A lacuna de quase cinqüenta anos, fez com que pelo menos duas gerações de educadores não tivessem acesso a essas matérias tão importantes na vida de muitos. Os cientistas descobrem o ápice da tecnologia presente, mas somente os poetas as tornam belas e únicas em seu devido tempo.

Não é a poesia jogada ao léu que mudará a estrutura pedagógica e sim o compromisso de cada profissional com os valores que dão sustentabilidade para a formação humana. *Viver é o que desejo ensinar-lhe. Quando sair das minhas mãos, ele não será magistrado, soldado ou sacerdote, ele será antes de tudo, um homem.*. (Jean Jacques Rousseau). A poesia é, em primeira instância, o ato de viver com alegria e solidariedade existencial.

Se a base estudantil for alimentada por meio de estímulos eficientes e interativos, teremos, com certeza no futuro, um aumento significativo de novos leitores, principalmente para aqueles que entenderam as dádivas que um livro proporciona. Torna-se importante a adesão da família e educadores, fortalecendo sobretudo o ato do pensar com prazer e evoluir conscientemente

Sugestões práticas para trabalhar com a poesia em sala:

1- Oficinas de poesias e literatura visando aguçar a criatividade e a imaginação de novos pensadores. *Um país se constrói com homens e livros* (Monteiro Lobato)

As escolas que beberam desta idéia tiveram incríveis resultados, não somente no crescimento intelectual, como também na disciplina de várias matérias, tais como, português, literatura, história, filosofia e artes.

2- Estimular a contação de histórias, realização de recitais, encenação de peças de teatro, utilizando temas construídos pelos próprios alunos. Os professores notarão a expressiva melhoria de repertório vocabular, no diálogo e na oralidade livre e descompromissada.
3- Incentivar e promover concursos internos e externos de eventos coletivos e competições esportivas.

Esse intercâmbio cultural os fará, com certeza, mais próximos e prósperos, todas as vezes que trabalharem em equipe, inserindo sobretudo, a honra, a verdade, a solidariedade e o amor ao próximo.

4- Desenvolver oficinas que agreguem valores, tais como: desenhos artísticos, canto, dança, jornais interno, oficinas manuais e jogos lúdicos. Havendo disposição para essa prática e exercício contribui-se para uma nova safra de preciosos cidadãos.

5- Motivar a participação dos pais, para que eles sintam mais interesse pela escola e pelos filhos. Se a arte for inserida desta forma, nos corações dos jovens, teremos não somente o resgate da poesia inserida como base, mas uma revolução educacional, propriamente dita...

6- Exemplo: Na escola municipal de Curitiba, Papa João XXIII, alguns professores conseguiram experimentar algumas das propostas citadas. Em razão do exercício prático e contínuo, de tais estímulos artísticos com seus educandos, conseguiram a classificação de melhor escola pública em todo estado do Paraná, e a quarta melhor do Brasil. Esta experiência validou-se, depois de cinco anos de muito interesse e dedicação de todos os envolvidos.

7- Para isso é necessário analisar todas as etapas experimentadas. Uma base de ensino bem fortalecida de valores e unidade, será a promessa de um futuro mais justo e humano.

Edifica-se, portanto, o homem, ou desmorona-se o ser.

Sem poesia, seremos viajantes desatentos, sem percebermos a beleza que nos rodeia.

Fontes:
Josias Alcântara. http://www.unicape.com.br/page7.php
Poema Eu Sei Ler = http://peregrinacultural.wordpress.com/

Literatura Brasileira (Parte 8 = O Parnasianismo)



A poesia parnasiana preocupa-se com a forma e a objetividade, com seus sonetos alexandrinos perfeitos. Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira formam a trindade parnasiana O Parnasianismo é a manifestação poética do Realismo, dizem alguns estudiosos da literatura brasileira, embora ideologicamente não mantenha todos os pontos de contato com os romancistas realistas e naturalistas. Seus poetas estavam à margem das grandes transformações do final do século XIX e início do século XX.

Culto à forma - A nova estética se manifesta a partir do final da década de 1870, prolongando-se até a Semana de Arte Moderna. Em alguns casos chegou a ultrapassar o ano de 1922 (não considerando, é claro, o neoparnasianismo). Objetividade temática e culto da forma: eis a receita. A forma fixa representada pelos sonetos; a métrica dos versos alexandrinos perfeitos; a rima rica, rara e perfeita. Isto tudo como negação da poesia romântica dos versos livres e brancos. Em suma, é o endeusamento da forma.
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Anteriores
Parte I - Origens = http://singrandohorizontes.blogspot.com/2010/06/literatura-brasileira-parte-1-origens.html
Parte II - Quinhentismo = http://singrandohorizontes.blogspot.com/2010/06/literatura-brasileira-parte-2-o.html
Parte III - Barroco = http://singrandohorizontes.blogspot.com/2010/06/literatura-brasileira-parte-3-o-barroco.html
Parte IV - Arcadismo = http://singrandohorizontes.blogspot.com/2010/06/literatura-brasileira-parte-4-o.html
Parte V - Romantismo = http://singrandohorizontes.blogspot.com/2010/06/literatura-brasileira-parte-5-o.html
Parte VI - Realismo = http://singrandohorizontes.blogspot.com/2010/06/literatura-brasileira-parte-6-realismo.html
Parte VII - Naturalismo = http://singrandohorizontes.blogspot.com/2010/06/literatura-brasileira-parte-7.html

Fonte:
http://www.vestibular1.com.br/

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Trova 158 - Fiore Carlos (Limeira/SP)

Montagem sobre imagens obtidas em http://crisousil.blogspot.com e www.plinn.com.br/datas/junina/08/sinha/01.htm (fogueira)

Vanda Fagundes Queiroz (1938)

Curitiba (por Jean Baptiste Debret - 1827)
Nasceu em 20 de novembro de 1938, na vila de Santo Antonio da Boa Vista, município de São João da Ponte, norte de Minas Gerais.

Viveu parte de sua infância na Fazenda Tipis, segundo ela, “um paraíso, o melhor lugar do mundo”.

Filha de Aristides Fagundes de Souza (falecido em 1945) e Maria de Deus Ferreira (falecida em 1999).

Vanda, conforme narra em seu livro “UMA LUZ NO CAMINHO”, com sete anos de idade iniciou o curso primário na cidade de Ibiracatu, naquela época uma pequena vila. Logo de inicio, aflorou a tendência para a arte de ler e escrever, e a menina estudiosa e declamadora tornou-se poetisa, ainda adolescente.

Sua vida de infância, até a conclusão do curso primário, foi retratada com emoção no seu livro “UMA CANDEIA NA JANELA”, narração romanceada de seu contexto familiar, baseada em lembranças da infância, mas que indiretamente se faz registro de uma cultura regional, com seu linguajar próprio, culinária, costumes, tipos humanos, traços vivos de um determinado tempo e um determinado espaço restritos a uma rústica região do sertão mineiro.

Continuou os estudos no Colégio Imaculada Conceição, em Montes Claros, progressista cidade do norte de Minas Gerais, e ali fez o curso ginasial e depois se formou normalista (Curso Normal de Formação de Professores Primários).

Casou-se em 1958 e foi residir em Curitiba, Paraná.

Por concurso público, ingressou no então DCT (Departamento de Correios e Telégrafos), hoje ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Ainda em Curitiba, fez o curso de Letras (Português e Francês) na Universidade Católica do Paraná (PUC), enquanto escrevia crônicas, poemas, trovas e sonetos.

Depois de 16 anos de trabalhos e estudos em Curitiba, em razão da transferência de seu marido para a Base Aérea de São Paulo, Cumbica – Guarulhos, a família mudou-se para Guarulhos, onde Vanda continuou trabalhando nos Correios, escrevendo e participando de concursos de Trovas e Poesia em todo o país.

Licenciada em Letras, tornou-se professora da rede escolar paulista, lecionando, inclusive Francês. Pouco depois, concursada, deixou a ECT e efetivou-se como professora na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus “Professor Fábio Fanucchi”, em Guarulhos-SP.

Em 1984 recebeu medalha de “Professor do Ano”, uma promoção da Prefeitura Municipal.

Foi a primeira mulher a ingressar na Academia Guarulhense de Letras (AGL). Ainda em Guarulhos, fez o Curso de Pedagogia Plena, nas Faculdades Farias Brito.

Contando com trabalhos ainda inéditos, publicou até agora cinco títulos:
“TRAJETÓRIA” (Poesia), Editora do Escritor, São Paulo, 1981;
“DESCORTINANDO” (Poesia), J. Scortecci Editora, São Paulo, 1990;
“CONVERSA CALADA” (Sonetos), Editora Lítero-Técnica, Curitiba, PR, 1990;
“UMA CANDEIA NA JANELA” (Prosa), Torre de Papel Editora Gráfica, Curitiba, PR, 1997 e
“UMA LUZ NO CAMINHO” (Autobiografia), Editora Torre de Papel, Curitiba, PR, 2004.

Premiadíssima nos concursos de poesias e trovas por todo o Brasil e às vezes em Portugal, a poesia versátil de Vanda é repleta de ternura, sensibilidade, profundidade de sentimento, com domínio perfeito da língua portuguesa, mas sem rebuscamento. Emociona quem lê, porque escreve com o coração.

No livro CONVERSA CALADA, são sessenta (60) sonetos (incluindo uma versão para o Francês), versando sobre desencontro, esperança, tristeza, alegria, família, criança, flor, fantasia, filosofia, amor, saudade, vida, etc.

Assim, em seus versos encontramos a jovem apaixonada:

“Quando eu te conheci,
plasmou-se a infinitude
das coisas eternas.
Algum liame perene
para além firmou-se,
muito além das coisas menores.
Estrelas trocaram sorrisos,
anjos tocaram guizos.
Nasceu o inexplicável,
o essencial,
o verdadeiro”.

A mulher casada e mãe, embevecida com suas crianças, como escreveu no soneto A Meu Filho:

“Vejo a criança de ontem em você,
que embalei nos meus braços ternamente.
Sinto inundar-me de emoção porque
eu vi botão a flor hoje imponente”.

Ou ainda, a avó saudando o primeiro neto:

“A notícia é como afago,
traz-me ternura e carinho:
Que bênção! Chegou Tiago,
o meu primeiro netinho”.

Lendo a poesia espontânea, vibrante e suave de Vanda Queiroz é impossível não nos lembrarmos da grande poetisa de Goiás, Cora Coralina, com suas “Estórias da Casa Velha da Ponte”.

Retornando a família em 1985 para Curitiba, Vanda aposentou-se do magistério e passou a ocupar-se com trabalhos de revisão de texto, além de desempenhar serviço voluntário na igreja.

Ocupa, hoje, a cadeira nº 12 da Academia Paranaense de Poesia.

Pela sua obra literária, foi agraciada em 2008 com a Medalha de Mérito “Fernando Amaro”, promoção da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Só no âmbito da trova, conta com mais de trezentas premiações. Eis uma pequena amostra:

Em Niterói, RJ:

“Sombra e luz fazem nuança
no largo painel da vida.
Luz é o raio de esperança,
e sombra, a ilusão perdida”.

Pouso Alegre, MG:

“Olhando o velho retrato
da praça, eu ouço à distância
acordes que são, de fato,
cirandas da minha infância”.

Bandeirantes, PR:

“A mais sublime lição
de grandeza, amor e fé,
foi ver um homem sem mão
pintando flores com o pé”.

Campinas, SP:

“Por mais que o progresso iluda,
deturpe e inverta valor,
o que Deus fez ninguém muda:
o amor será sempre amor!”

Sua preocupação social é patente no poema “Menino da feira”, 1º lugar no Concurso Rosacruz, em Guarulhos, SP:

“Menino da feira,
esperto e magrinho,
tão cedo na vida
perdeu seu lazer.
Carreto, moça?
Baratinho, dona!
Posso cuidar do carro, tia?
Menino insistente
pedindo com os olhos
que guardam no fundo
segredos do lar…
(Talvez o pai fugiu…
A mãe leva para fora…
Oito irmãozinhos com fome...)
Menino
sem direitos…
só deveres.
Seus pais, onde estarão?
Talvez você seja filho…
da minha própria omissão.”

Segundo Adélia Victória Ferreira, “Vanda não precisa de apresentações ou apologistas. Sua arte fala por si. Basta conhecê-la para se constatar que ali se desvenda uma das maiores poetisas brasileiras da atualidade”.

Bem definiu a professora Elisa Campos de Quadros, Mestre em Letras e Professora Adjunta de Literatura Brasileira da Universidade Federal do Paraná, quando disse: “A alma doce e introvertida da autora demonstra, nesse impulso para o retraimento, que a poesia coabita mais com a solidão do que com o barulho, viceja mais no silêncio do que no burburinho”. E acrescenta que: “Conversa Calada é uma obra que traz canto, encanto e encantamento”.

Está presente no “Anuário de Poetas do Brasil – 1980 – 3º volume, organizado pelo saudoso poeta Aparício Fernandes, Rio de Janeiro, RJ, páginas 447/452 com dez sonetos primorosos. Figura também no “Anuário – Coletânea de Trovas Brasileiras (página 10) e em ESCRÍNIO, Seleção Anual de Trovas (página 14) ambos de 1981, organizados pelo saudoso trovador Fernandes Vianna, Recife – Pernambuco.

Assim, a mineira de nascimento e paranaense de coração, ou por adoção, vai construindo sua obra literária sem alarde, mas forte, vigorosa e contínua, sem abdicar, contudo, da ternura e da simplicidade, garantindo um lugar de destaque no Panorama da Literatura Brasileira.

Fonte:
Artigo de Filemon F. Martins para a Usina das Letras.

Silviah Carvalho (Sacrifício)



Altar! Onde deixo meus mais puros sentimentos,
Lugar de descanso e quietudes, de onde verte águas
Que purificam meus pensamentos, um caminho a seguir,
Uma busca exaustiva por um único momento.

Levo-te ao cume da montanha para que saiba que existe um abismo,
Que faz separação entre pureza e impureza, santo e profano,
Que nos leva a conhecer todos os nossos limites e percebemos
Que o bem que pensamos ter não é nosso... Somos humanos.

Não há conquista onde não há coragem!
Para que ir ao templo se tudo já é puro?
Nossas vontades tomam o espaço de nossas necessidades
Incoerentes decisões nos leva ao final do túnel.

“A lágrima é o direito da dor”, ao menos se tem esse direito!
Pois na solidão forma-se um talento, a índole na convivência,
Para que compreenda o meu amor por você, na sua essência,
Olhe para baixo de onde estamos deste cume tão alto...

Veja se pode ousar ver a terra, se pode ao menos sentir seu cheiro,
Saiba se estivesse lá em baixo, onde estou neste momento,
E se pedisse “se joga em meus braços”, eu me lançaria por inteira.
E voaria rumo a este profundo abismo... Seu sentimento!

Levaria comigo meu templo, e no altar te purificaria a consciência,
Mesmo sabendo que tudo isso pode nunca ser verdadeiro,
Mesmo sabendo que perderia o direito e a inocência.

Deste cume e deste chão me rendo aos seus encantos,
Fecho ante a mim a porta do meu templo e no meu recôndito a selo,
Pela tua liberdade, fecho-me à vida e aprisiono meu canto.

Prostro-me, para confessar que te amo tanto e sem razão,
Incapaz... Num altar de dor que passa a ser só meu. Procuro absorver
Num sacrifício infindo este resto de vida que agora é seu.

Fonte:
Colaboração da Autora

Literatura Brasileira (Parte 7 = Naturalismo)


O romance naturalista, por sua vez, foi cultivado no Brasil por Aluísio Azevedo e Júlio Ribeiro. Aqui, Raul Pompéia também pode ser incluído, mas seu caso é muito particular, pois seu romance "O Ateneu" ora apresenta características naturalistas, ora realistas, ora impressionistas. A narrativa naturalista é marcada pela forte análise social, a partir de grupos humanos marginalizados, valorizando o coletivo. Os títulos das obras naturalistas apresentam quase sempre a mesma preocupação: "O mulato", "O cortiço", "Casa de pensão", "O Ateneu".

O Naturalismo apresenta romances experimentais. A influência de Charles Darwin se faz sentir na máxima segundo a qual o homem é um animal; portanto antes de usar a razão deixa-se levar pelos instintos naturais, não podendo ser reprimido em suas manifestações instintivas, como o sexo, pela moral da classe dominante. A constante repressão leva às taras patológicas, tão ao gosto do Naturalismo. Em conseqüência, esses romances são mais ousados e erroneamente tachados por alguns de pornográficos, apresentando descrições minuciosas de atos sexuais, tocando, inclusive, em temas então proibidos como o homossexualismo - tanto o masculino ("O Ateneu"), quanto o feminino ("O cortiço").
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domingo, 27 de junho de 2010

Marly Nascimento Brasiliense (Poemas Escolhidos)



SEM TEU AMOR...

Meu amor, sem o teu, é tão triste
Perdido anda a Deus e a ventura
Faz da vida, a falsa fé, antítese
E vive lento se perdendo em toda rua.

Meu amor sem o teu é tão amargo
Corre em busca do teu olhar tão doce
A furto rouba-te um pequeno pedaço
E faz vida inteira...como se fosse.

Meu amor, sem o teu, não tem sentido
É um caminho estranho bipartido
Que nos afasta e nos enfurece...
E por mais que meu amor queira o teu
Sabe que minha pouca fé, é de um ateu
Que confia na ineficácia de toda prece!

MADRUGADA

Gosto das madrugadas não quentes
Onde escuto o som do silêncio
Cortado, de súbito, de repente
Pelo uivo do vento excêntrico.

...que faz tudo lhe fazer coral
Sinfonia imprevista e mutatória
Passando por minha janela, formal
Triunfante na sua brava vitória.

Ao longe um cachorro late
O som dum motor reanima
Vida que, na madrugada, sabe
onde o coração se aninha.

E...com, esperança, alguma
Minh`alma só se acostuma
Com o meu sonho de quimera!
Escuto todo o silêncio do mundo
No meu íntimo mais profundo
- minha madrugada te espera!

HARMONIA

O coração está em festa, a alma aguarda
O olhar prepara- se para se alegrar
A emoção preenche o vazio, o nada
E, de toda a tristeza, toma o lugar.

A aventura de rever o semblante
Que faz páreo cúmplice constante
Com nossa expectativa, nosso afeto...
E de lá vem o beijo e o abraço
Que não são maléficos ou mal dados
De harmonia e carinho, repletos!

Então a conversa flui sem tempo
Soltam-se as alegrias, os lamentos
E a vida parece mais alongada...
Podemos dizer tudo ao nosso amigo!
( amizade – sentimento tão antigo )
Rir por tão pouco... chorar por quase nada!

ESPONTÂNEO

Preciso de um coração generoso que resista
À influência do desânimo que, às vezes, sofro
Que ouça, da minha alma, as primícias
E seja o primeiro a pedir o meu socorro!

Que comigo empunhe a bandeira da alegria
Que não traia, do meu amor, as confidências
Que tenha sede de vitórias e de conquistas
Que nossas aspirações se tornem quase idênticas.

Que rasgue com os meus: momentos sofridos
Com cuidado consinta ser providente
Achar antes de um amante, um grande amigo
Que tento não ser, jamais, impaciente.

Que visione como eu, sem cogitação - paz
Que encontre em mim, de espelho, fragmentos
Que creia, ainda agora, na ressurreição capaz
De ensinar-me a soletrar outros novos sonhos.

Que velemos – estimar e sermos estimados
Risonhos sorrisos saídos do fundo do peito
Ternuras do afeto, por nós, compartilhado
E ...se assim tudo feito...nada desfeito
Que eu mate esta tortura de querer amar
E esta pouca vontade de querer ficar.....

...é tão nossa....

A liberdade é tão nossa, tão pessoal
Cúmplice de nossos sonhos íntimos
Desprovida de pecado parece legal
Mas, sabemos, o quanto fingimos...

O pensamento, pelo menos, é livre
Como não há frustração, não deprime
nossa mente e nosso corpo não arruína...
Como um encanto acontece lá distante
Dos olhares, dos ditadores, dos maçantes.
E aí a liberdade, no peito, fica recôndita!

HORA SAGRADA

Qual será a hora sagrada?
Os minutos daquela que nascemos?
Ou quando nossa mãe é amada
E amando, vão nos concebendo?

Será que é aquela que passa molhada
Por lágrimas de dor e sofrimento
Ou aquela de alegria desfrutada
Que gera novo encantamento?

Que hora será a hora sagrada
A da partida ou a da chegada?
A que fica ou foge da memória?

Hora sagrada...por Deus abençoada
É aquela que vem e que passa
E que inventa nossa história!

UM FILHO, UM LIVRO E UMA ÁRVORE

Que me pese a mão da morte
Não temo, não definho
Eu tive o poder e a sorte
De todo o dever cumprido...

Longa estrada, um só caminho
Amar , amparar e defender
Os que me deram carinho
Os que sofreram com meu sofrer!

A alma sabe, o coração sente
Quem sorriu comigo sempre
Quem enxugou o meu pranto.

Ficaram no caminho alguns sonhos
Mas esperanças ainda componho
Até meu derradeiro dia – santo!
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Fontes:
- Selmo Vasconcellos.
- Na hora Sagrada – e-book.

Marly Nascimento Brasiliense


Nasceu no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Cursou o primário no Externato Santo Antonio.O colegial e o curso científico cursou no Colégio Paulistano.

Diplomou–se técnica em Análises Biológicas no Instituto Bioclínico e desempenhou suas funções nos laboratórios dos Hospitais: Modelo, do Câncer e Infantil Menino Jesus.

Autodidata, freqüentou cursos de literatura e poesia na busca de cada vez mais aprimorar seus conhecimentos do nosso riquíssimo idioma.

Laureada em vários concursos regionais e nacionais possui vasta gama de Diplomas e troféus.

Contribuiu com a Prefeitura de São Bernardo do Campos ministrando “wokshop” em colégios e bibliotecas.

Com 19 títulos e mais de 2.000 poesias registrados na *Fundação Biblioteca Nacional*
tem nos versos * a emoção e a vida que não cabem no dia-a-dia *.

Participa de vários sites relacionados à literatura e escrita poética.

Publicações:

• Vasos e Vértices (1997) – Lançado na Câmera de Cultura de São Bernardo do Campo. Segundo lançamento no Clube MESC – Movimento de Expansão Social Católica;
• Relançamento (1998) na 15* Bienal Internacional do Livro de SãoPaulo pela Editora Scortecci. Foi laureado com a Comenda do Mérito Poético da Academia de Letras e Ciências de São Lourenço (MG) e melhor livro de Poesia Moderna pela Sociedade de Cultura Latina do Brasil (Mogi das Cruzes);
• Réplica Poética (1998) – Lançado no Bufê Bordon`s numa festividade restrita em São Bernardo do Campo e no Salão Internacional do Livro de São Paulo (199?). Editora Scortecci;
• Amor sem limites (2000) – Lançado na FATI – Faculdade Aberta da Terceira Idade de São Bernardo do Campo.Opção2 – Porto Alegre RS;
• Quase todas as emoções (2001) – Lançado Na FATI – Faculdade Aberta da Terceira Idade de São Bernardo do Campo. Produção independente.

Ebooks:

• Na hora sagrada
• Amor sem limites
• *Tanto de Tempo* - Poesias
• *Amores Alados*
• Página por página.
• ...Calmarias e Temporais...
• ...truques e perseverança...

Marly usa as figuras de linguagem, o ritmo e as rimas para que seus Poemas transmitam emoções com mais encanto e harmonia.

É membro acadêmico da AVBL – Ocupa a cadeira 321
Presidente e Patronnesse Profa.Maria Inês Simões.
Aí tem seis e-books publicados, sendo este “...truques da perseverança...” o sétimo.
É Dra. Honoris Causa em Filosofia Universal/Ph.I e membro da ALB/ Nacional (12/09/2009)
É membro acadêmico da ALB de Piracicaba
Membro CLUBE-BRASILEIRO-DA-LÍNGUA-PORTUGUESA-BH-MG-BRASIL

Pertence ao Grupo Internacional Poetas del Mundo

Fonte:
Selmo Vasconcellos.
http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/2010/04/marly-nascimento-brasiliense-entrevista.html

Rodolpho Abbud (Baú de Trovas)


Nasceu em Nova Friburgo/RJ, em 21 de outubro de 1926; filho de Dona Ana Jankowsky Abbud e de Ralim Abbud. Radialista, Locutor Esportivo, Poeta e Trovador, foi sempre muito bom em tudo aquilo que fez ou faz.

Contam até que, certa vez, transmitindo um jogo do Friburguense, teve a sua visão do campo totalmente coberta pelos torcedores. Sem perder a calma, e com sua habitual presença de espirito, continuou a transmissão assim: - "Se o Friburguense mantém a sua formação habitual, a bola deve estar com o zagueiro central, no bico esquerdo da área grande..."

Tem um livro de Trovas intitulado: "Cantigas que vêm da Montanha", e, recebeu, com inteira justiça e por voto unânime de todos os Trovadores que ostentam essa honra, o titulo de "Magnífico Trovador".

Na vida, lutar, correr,
não me cansa tanto assim...
O que me cansa é saber
que estás cansada de mim!

Naquele hotel de terceira,
que a policia já fechou,
a Maria arrumadeira
muitas vezes se arrumou!

Enquanto um velho comenta
sobre a vida: -"Ah! Se eu soubesse..."
um outro vem e acrescenta
já descrente: -"Ah! Se eu pudesse..."

Foram tais os meus pesares
quando, em silêncio partiste,
que, afinal, se tu voltares,
talvez me tornes mais triste...

Depois do sonho desfeito,
louvo o porvir que, risonho,
não me recusa o direito
de escolher um novo sonho!

Soube o marido da Aurora,
ela não sabe por quem,
que o vizinho dorme fora,
quando ele dorme também...

Seja doce a minha sina
e, num porvir de esplendor,
nunca transforme em rotina
os nossos beijos de amor...

-"Dê carona ao seu vizinho!"
E a Zezé, colaborando,
vai seguindo o meu caminho
e me dá de vez em quando!...

Na vida, em toscos degraus,
entre tropeços a sustos,
mais que a revolta dos maus,
temo a revolta dos justos!

Minha magoa e desencanto
foi ver, no adeus, indeciso:
- Eu disfarçando o meu pranto...
- Tu disfarçando um sorriso...

Em seus comícios, nas praças,
o casal cria alvoroços:
- Vai ele inflamando as massas!
- Vai ela inflamando os moços...

Vamos brincar de mãos dadas,
crianças pretas e brancas!...
O sol de nossas calçadas
não tem porteiras nem trancas!

Um Deputado ao rogar
ao Senhor, em suas preces,
pede que o verbo "caçar"
não se escreva com dois esses!...

À noite, ao passar das horas,
esqueço os dias tristonhos,
pois tuas longas demoras
dão-me folga para os sonhos!

Chegaste a sorrir, brejeira,
depois da tarde sem fim...
E, nunca uma noite inteira
foi tão curta para mim!...

Ao se banhar num riacho,
distraída, minha prima
lembrou da peça de baixo
quando tirava a de cima ....

Vejo em minhas fantasias,
em Friburgo, pelas ruas,
mil sois enfeitando os dias
e, à noite, a luz de mil luas.

Na ansiedade das demoras,
quando chegas e me encantas,
mesmo sendo às tantas horas,
as horas já não são tantas...

Nessa paixão que me assalta,
misto de encanto e de dor,
quanto mais você me falta
mais aumenta o meu amor!...

Hei de vencer esta sina
que num capricho qualquer,
me fez amar-te menina
depois negou-me a mulher!...

Vem amor, vem por quem és!
Pois já tens, em sonhos vãos,
minhas noites a teus pés,
meus dias em tuas mãos!...

Toda noite sai "na marra",
Dizendo à mulher: -"Não Torra!"
Se na rua vai a farra,
em casa ela vai à forra!...

Um longo teste ela fez
de cantora, com requinte...
Cantou somente uma vez,
mas foi cantada umas vinte!...

Vendo a viuva a chorar,
muito linda, em seu cantinho,
todos queriam levar
a "coroa" do vizinho...

Não sei como não soubeste
mas o amor veio, infeliz...
Eu te quis, tu me quiseste,
mas o Destino não quis...

Provando em definitivo
que o Brasil é de outros mundos,
há muito "fantasma" vivo
passando cheques sem fundos...

Nosso encontro ...O beijo a medo...
A caricia fugidia...
Nosso amor era segredo,
mas todo mundo sabia...

Aproveita, criançada,
o tempo, alegre, ligeiro,
que da a uma simples calçada,
dimensões do mundo inteiro!

Cama nova, ele sem pressa
ante a noivinha assustada,
quer examinar a peça
julgando já ser usada!...

Em tudo o que já vivi,
nessa passagem terrena,
se um pecado eu cometi
com ela, valeu a pena!...

Fonte:
UBT Juiz de Fora.

Álvaro de Campos (Aniversário)



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,
com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro de Campos, 15-10-1929
––––––––––––––––––––
Obs: Alvaro de Campos é um dos heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa
____________________
A não distribuição uniforme dos versos e a despreocupação com a distribuição rítmica dão ao poema um tom confessional, aproximando-o de um texto em prosa. As lembranças relatadas no texto referem-se a uma data específica lembrada pelo eu-poético - o dia do aniversário. Esta data é a propulsora para outras recordações da infância e outras angútias do eu-poético, servindo também como ponto de referencia temporal quando o eu-poético intercala-se e contrapõe-se entre o passado e o presente. A época da infância no poema é marcada pela inocência, pois a criança ainda não tem noção do que se passa à sua volta: "Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma". A passagem da criança para o adulto é marcada por uma perda, pois ele percebe que a vida não tem mais sentido. O poeta hoje "é terem vendido a casa", ou seja, é um vazio, que perdeu, inclusive, o bem mais precioso, a sensação de totalidade, de alegria, de aconchego dado pela vida em família na infância longínqua. Assim, a festa de aniversário toma o aspecto simbólico de um ritual familiar e religioso, dentro do qual a criança se torna o centro de um mundo que a acolhe e protege carinhosamente. "As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa", denota, com esta adjetivação uma característica comum a toda infância: o egocentrismo.

No presente, não há mais aniversários nem comemorações: resta ao poeta durar, porque o pensamento amargurado, critico e pessimista da vida o impede de ter a inocência de outrora. O tom nostálgico e angustiado do poema dá a sensação de que o eu-poético vive uma introspecção conflitiva relembrando um passado supostamente mais feliz que o presente. O trecho "serei velho quando o for. Nada mais." parece querer dar fim a este conflito interno. "Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira !..." conclui o tom confessional do poema e enfatiza uma espécie de conformismo ríspido e amargurado com o presente melancólico e sem perspectiva em relação a vida. "O tempo em que festejavam o dia dos meus anos !" é repetida muitas vezes no texto dando ênfase a importância da data na lembrança do eu-poético, servindo também para marcar a justa contraposição entre passado e presente, respectivamente infância e fase adulta.

O ultimo verso do poema sugere uma acomodação amargurada em relação ao passado.

Em "Eu era feliz e ninguém estava morto" pode-se notar novamente o conformismo com o presente que pode não ser o idealizado, mas que está alicerçado em um passado inocente, de aspecto virginal, contrapondo-se com a atual falta de perspectivas e a desmotivação para a vida, onde ele diz: "Hoje já não faço anos. Duro." O eu-poético oraliza um tom de amargura versificado de forma clara, coesa e coerente, marcando com precisão verbal os estados temporais e emocionais a que se refere no poema. Por se parecer com uma "auto-confissão poética", pode-se afirmar que o eu-poético insere no texto características comuns às pessoas que estão prestes a deixar o mundo material, ou que neste não sentem mais vontade de estar por muito mais tempo. A reflexão conflitiva e melancólica sobre o passado, a amargura em relação ao presente e sensação de que o tempo passou e algo que deveria ser resgatado perdeu-se em um passado longínquo, são características comuns em pessoas que encontram-se neste estágio da existência humana.

Fonte:
CD Digerati CEC 003.

Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio 2010


O Estado do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, torna público aos interessados a realização do Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio, edição 2010, doravante denominado Concurso de Contos, que obedecerá ao disposto na Lei Estadual nº 15.608, de 16 de agosto de 2007 e normas gerais nacionais sobre licitações e contratos administrativos, na forma deste Edital.

O Edital poderá ser obtido na Coordenação de Editoração e Literatura da Secretaria de Estado da Cultura - SEEC, localizada na Rua Ébano Pereira, 240, Centro, Curitiba, Paraná ou no sítio da SEEC (http://www.cultura.pr.gov.br/).

Esclarecimentos e informações aos interessados serão prestados pela Coordenação de Editoração e Literatura da SEEC, no endereço citado; pelos telefones: (41) 3321-4738 e 3321-4718, pelo e-mail editoracao@seec.pr.gov.br , nos dias úteis no horário compreendido entre 09h00min e 12h00minh e 14h00minh-17h: 30min.

1. DO CONCURSO

O Concurso tem por objeto a seleção de contos inéditos, que não tenham tido qualquer tipo de apresentação, veiculação ou publicação antes da inscrição no concurso e até a divulgação do resultado e entrega dos prêmios aos vencedores.

O tema é livre e o texto deve ser em língua portuguesa.

2. DAS INSCRIÇÕES

2.1 Poderão inscrever-se no Concurso de Contos, brasileiros, maiores de dezoito anos.

2.2. Cada autor deverá participar com 03 (três) contos.

2.3. As inscrições estarão abertas no período de 16 (dezesseis) de junho a 16 (dezesseis) de agosto de 2010, devendo o envelope descrito no 2.6.1 ser entregue pessoalmente ou pelos Correios, no seguinte endereço:

SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA – SEEC
Coordenação de Editoração e Literatura da SEEC
Rua Ébano Pereira, nº 240 - Centro
80410-903 - Curitiba, PR.

2.4. Só serão aceitos os trabalhos entregues dentro do prazo estipulado.

2.5. A inscrição estará efetivada a partir do recebimento dos documentos pela Coordenação de Editoração e Literatura.

2.6. Os documentos para inscrição deverão ser encaminhados observando-se os seguintes procedimentos:

2.6.1. Envelope nº 1 – O Envelope nº 1 deverá conter:

- quatro cópias impressas dos contos;
- uma cópia dos contos gravados em CD-ROM, em formato TXT ou PDF;
- o envelope nº 2, devidamente lacrado.

2.6.1.1. O envelope n.º 1 deverá estar identificado com os dizeres: “Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio, edição 2010” e o endereço da SEEC, no caso de remessa pelo correio.

2.6.1.2. No caso de envio pelo correio, somente serão aceitos os trabalhos postados no período indicado no item 2.3 (de 15/06/2010 a 16/08/2010). A Coordenação de Editoração e Literatura não se responsabiliza pela chegada tardia ou pelo extravio do material.

2.6.1.3. Para os Envelopes entregues diretamente no endereço citado no item 2.3 serão emitidos comprovantes de recebimento.

2.6.1.4. O carimbo de postagem do Sedex servirá como documento de comprovação da data de inscrição para os trabalhos enviados via correio.

2.6.1.5. Os custos de postagem correrão por conta dos candidatos.

2.6.1.6 Não serão aceitas, em nenhuma hipótese, trocas, alterações, inserções ou exclusões de partes ou de quaisquer dos contos após a entrega, ainda que dentro do prazo de recebimento.

2.6.2. Envelope nº 2 - Para efeito de identificação, o autor deverá enviar junto com os contos, um envelope lacrado, chamado de envelope n.º2 “IDENTIFICAÇÃO”, externamente identificado somente com o título das obras e o nome do Concurso. O envelope deverá conter a ficha de identificação com declaração de autoria (modelo disponível no sítio www.cultura.pr.gov.br link Editoração) com nome completo, endereço, telefone(s), e-mail, título das obras, acompanhada de fotocópia da Cédula de Identidade e Comprovante de Endereço.

2.6.2.1. A não apresentação dos documentos indicados implicará na automática desclassificação da inscrição.

2.7. Não poderão concorrer os membros da Comissão Julgadora, servidores da Secretaria de Estado da Cultura e demais pessoas envolvidas na organização do Concurso.

3. DOS CONTOS

3.1. Os três contos deverão ser, obrigatoriamente, inéditos e originais, vedada a publicação anterior, total ou parcial.

3.2. Os três trabalhos deverão ser do mesmo autor, vedada a co-autoria.

3.3. Não poderão conter nenhum dado que possa identificar a autoria.

3.4. A apresentação dos contos deverá observar os requisitos a seguir:

a) Cada um dos três trabalhos deverá ser precedido da identificação do concurso (Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio, edição 2010).
b) Impressão em folha de papel branca, em formato A-4;
c) Digitação do texto em espaço 1,5 (entrelinhas), em corpo 12, fonte Arial, cor preta;
d) apresentação em 4 vias impressas e uma em CD-ROM.

4. DO JULGAMENTO

4.1. Os Contos serão avaliados em até 60 (sessenta) dias contados da data final de inscrição por Comissão Julgadora especialmente designada pela SEEC, composta por três membros de comprovada vinculação com a área literária.

4.2. A Comissão Julgadora selecionará o trabalho de 10 (dez) autores pelo conjunto dos três contos, registrando tudo em ata.

4.3. Concluídos os trabalhos e divulgados os resultados do Concurso de Contos, a Comissão Julgadora tornar-se-á automaticamente extinta.

4.4. A Comissão Julgadora é soberana em suas decisões, das quais não caberá nenhum tipo de recurso.

5. DA PREMIAÇÃO

5.1. A divulgação do resultado (prevista para a segunda quinzena de novembro) e a entrega dos prêmios ocorrerão em datas a serem oportunamente divulgadas no sítio www.cultura.pr.gov.br e no Diário Oficial do Estado.

5.2. O concurso conferirá os seguintes prêmios:

5.2.1. Prêmios em dinheiro:

a) 1º lugar: R$ 5.000,00 (cinco mil reais);
b) 2º lugar: R$ 3.000,00 (três mil reais);
c) 3º lugar: R$ 2.000,00 (dois mil reais).

5.2.1.1. Os prêmios serão pagos por meio de depósito bancário em conta indicada pelo ganhador ou em ordem de pagamento.

5.2.1.2. Sobre os prêmios indicados incidirão os tributos e demais contribuições previstos em lei.

5.2.1.3. Em nenhuma hipótese os prêmios serão fracionados, devendo a Comissão Julgadora, por unanimidade ou por maioria, decidir-se por um trabalho em cada colocação.

5.2.2. Além dos prêmios em dinheiro serão concedidas 07 (sete) menções honrosas, totalizando 10 (dez) selecionados.

5.3. Os dez trabalhos selecionados serão publicados em uma antologia, cabendo a cada um dos autores 50 (cinquenta) exemplares como parte da premiação.

5.4. Os autores premiados cederão os direitos autorais patrimoniais não exclusivos sobre a obra à SEEC. Os trabalhos premiados passarão a fazer parte do acervo do Coordenação de Editoração e Literatura da SEEC, podendo ser utilizados, total ou parcialmente, em expedientes e publicações – internas e externas – em quaisquer meios, inclusive Internet, respeitados os créditos do autor, sem que caiba a percepção de qualquer valor.

6. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

6.1. O direito de impugnar os termos deste Edital perante a Administração decairá se o concorrente não o fizer na forma e prazos previstos no art. 72, da Lei Estadual 15.608/07.

6.2. O concurso poderá ser revogado em qualquer de suas fases, por motivos de oportunidade e conveniência administrativa, devidamente justificada, sem que caiba aos respectivos participantes direito a reclamação ou indenização, cabendo aos autores o direito à devolução dos trabalhos.

6.3. As despesas com o pagamento dos prêmios do presente Edital, correrão à conta da dotação orçamentária nº 5102.13392032.273 - Natureza de Despesa: 33.90.31.02 (Prêmio em Pecúnia), Fonte de Recurso:100 (Tesouro Geral do Estado).

6.4. Os trabalhos apresentados não serão devolvidos aos autores.

6.5. O resultado do concurso será divulgado no sítio da SEEC e no Diário Oficial do Estado e os ganhadores serão informados por e-mail.

6.6. Somente serão divulgados os autores selecionados.

6.7. Os casos omissos serão resolvidos pela Secretária de Estado da Cultura ouvidos a Coordenação de Editoração e Literatura e a Comissão Julgadora, quando couber.

Curitiba, 15 de junho de 2010.
Vera Maria Haj Mussi Augusto,
Secretária de Estado da Cultura.

Fonte:
Secretaria de Estado da Cultura

Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody 2010



O Estado do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, torna público aos interessados a realização do Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody, edição 2010, doravante denominado Concurso de Poesias, que obedecerá o disposto na Lei Estadual nº 15.608, de 16 de agosto de 2007 e normas gerais nacionais sobre licitações e contratos administrativos, na forma deste Edital.

O Edital poderá ser obtido na Coordenação de Editoração e Literatura da Secretaria de Estado da Cultura - SEEC, localizada na Rua Ébano Pereira, 240, Centro, Curitiba, Paraná ou no sítio da SEEC (http://www.cultura.pr.gov.br/).

Esclarecimentos e informações aos interessados serão prestados pela Coordenação de Editoração e Literatura da SEEC, no endereço citado; pelos telefones (41) 3321-4738 e 3321-4718, pelo e-mail editoracao@seec.pr.gov.br , nos dias úteis no horário compreendido entre 09:00 e 12:00h e 14:00h-17h:30min.

1. DO CONCURSO

O Concurso tem por objeto a seleção de poesias inéditas, que não tenham sido objeto de qualquer tipo de apresentação, veiculação ou publicação antes da inscrição no concurso e até a divulgação do resultado e entrega dos prêmios aos vencedores.

O tema é livre e o texto deve ser em língua portuguesa.

2. DAS INSCRIÇÕES

2.1 Poderão inscrever-se no Concurso de Poesias, brasileiros, maiores de dezoito anos.

2.2. Cada autor deverá participar com 03 (três) poesias.

2.3. As inscrições estarão abertas no período de 16 (dezesseis) de junho a 16 (dezesseis) de agosto de 2010, devendo o envelope descrito no 2.6.1 ser entregue pessoalmente ou pelos Correios, no seguinte endereço:

SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA – SEEC
Coordenação de Editoração e Literatura
Rua Ébano Pereira, nº 240 - Centro
80410-903 - Curitiba, PR.

2.4. Só serão aceitos os trabalhos entregues dentro do prazo estipulado.

2.5. A inscrição estará efetivada a partir do recebimento dos documentos pela Coordenação de Editoração e Literatura.

2.6. Os documentos para inscrição deverão ser encaminhados observando-se os seguintes procedimentos:

2.6.1. Envelope nº 1 – O Envelope nº 1 deverá conter:

- quatro cópias impressas das poesias;
- uma cópia das poesias gravadas em CD-ROM, em formato TXT ou ODF;
- o envelope nº 2, devidamente lacrado.

2.6.1.1. O envelope n.º 1 deverá estar identificado com os dizeres: “Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody, edição 2010” e o endereço da SEEC, no caso de remessa pelo correio.

2.6.1.2. No caso de envio pelo correio, somente serão aceitos os trabalhos postados no período indicado no item 2.3 (de 15/06/2010 a 16/08/2010). A Coordenação de Editoração e Literatura não se responsabiliza pela chegada tardia ou pelo extravio do material.

2.6.1.3. Para os Envelopes entregues diretamente no endereço citado no item 2.3 serão emitidos comprovantes de recebimento.

2.6.1.4. O carimbo de postagem do Sedex servirá como documento de comprovação da data de inscrição para os trabalhos enviados via correio.

2.6.1.5. Os custos de postagem correrão por conta dos candidatos.

2.6.1.6 Não serão aceitas, em nenhuma hipótese, trocas, alterações, inserções ou exclusões de partes ou de quaisquer dos contos após a entrega, ainda que dentro do prazo de recebimento.

2.6.2. Envelope nº 2 - Para efeito de identificação, o autor deverá enviar junto com as poesias, um envelope lacrado, chamado de envelope n.º2 “IDENTIFICAÇÃO”, externamente identificado somente com o título das obras e o nome do Concurso. O envelope deverá conter a ficha de identificação com declaração de autoria (modelo disponível no sítio www.cultura.pr.gov.br link Editoração) com nome completo, endereço, telefone(s), e-mail, título das obras, acompanhada de fotocópia da Cédula de Identidade e Comprovante de Endereço.

2.6.2.1. A não apresentação dos documentos indicados implicará na automática desclassificação da inscrição.

2.6.2.1. A não apresentação dos documentos indicados implicará na automática desclassificação da inscrição.

2.7. Não poderão concorrer os membros da Comissão Julgadora, servidores da Secretaria de Estado da Cultura e demais pessoas envolvidas na organização do Concurso.

3. DAS POESIAS

3.1. As três poesias deverão ser, obrigatoriamente, inéditas e originais, vedada a publicação anterior, total ou parcial.

3.2. Os três trabalhos deverão ser do mesmo autor, vedada a co-autoria.

3.3. Não poderão conter nenhum dado que possa identificar a autoria.

3.4. A apresentação das poesias deverá observar os requisitos a seguir:

a) Cada um dos três trabalhos deverá ser precedido da identificação do concurso (Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody, edição 2010) e do título da poesia;

b) Impressão em folha de papel branca, em formato A-4;

c) Digitação do texto em espaço 1,5 (entrelinhas), em corpo 12, fonte Arial, cor preta;

d) Apresentação em 4 vias impressas e uma em CD-ROM.

4. DO JULGAMENTO

4.1. As poesias serão avaliadas em até 60 (sessenta) dias contados da data final de inscrição por Comissão Julgadora especialmente designada pela SEEC, composta por três membros de comprovada vinculação com a área literária.

4.2. A Comissão Julgadora selecionará o trabalho de 10 (dez) autores pelo conjunto das três poesias, registrando tudo em ata.

4.3. Concluídos os trabalhos e divulgados os resultados do Concurso de Poesias, a Comissão Julgadora tornar-se-á automaticamente extinta.

4.4. A Comissão Julgadora é soberana em suas decisões, das quais não caberá nenhum tipo de recurso.

5. DA PREMIAÇÃO

5.1. A divulgação do resultado (prevista para a segunda quinzena de novembro) e a entrega dos prêmios ocorrerão em datas a serem oportunamente divulgadas no sítio www.cultura.pr.gov.br e no Diário Oficial do Estado.

5.2. O concurso conferirá os seguintes prêmios:

5.2.1. Prêmios em dinheiro:

a) 1º lugar: R$ 5.000,00 (cinco mil reais);
b) 2º lugar: R$ 3.000,00 (três mil reais);
c) 3º lugar: R$ 2.000,00 (dois mil reais).

5.2.1.1. Os prêmios serão pagos por meio de depósito bancário em conta indicada pelo ganhador ou em ordem de pagamento.

5.2.1.2. Sobre os prêmios indicados incidirão os tributos e demais contribuições previstos em lei.

5.2.1.3. Em nenhuma hipótese os prêmios serão fracionados, devendo a Comissão Julgadora, por unanimidade ou por maioria, decidir-se por um trabalho em cada colocação.

5.2.2. Além dos prêmios em dinheiro serão concedidas 07 (sete) menções honrosas, totalizando 10 (dez) selecionados.

5.3. Os dez trabalhos selecionados serão publicados em uma antologia, cabendo a cada um dos autores 50 (cinquenta) exemplares como parte da premiação.

5.4. Os autores premiados cederão os direitos autorais patrimoniais não exclusivos sobre a obra à SEEC. Os trabalhos premiados passarão a fazer parte do acervo da Coordenação de Editoração e Literatura, podendo ser utilizados, total ou parcialmente, em expedientes e publicações – internas e externas – em quaisquer meios, inclusive Internet, respeitados os créditos do autor, sem que caiba a percepção de qualquer valor.

6. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

6.1. O direito de impugnar os termos deste Edital perante a Administração decairá se o concorrente não o fizer na forma e prazos previstos no art. 72, da Lei Estadual 15.608/07.

6.2. O concurso poderá ser revogado em qualquer de suas fases, por motivos de oportunidade e conveniência administrativa, devidamente justificada, sem que caiba aos respectivos participantes direito a reclamação ou indenização, cabendo aos autores o direito à devolução dos trabalhos.

6.3. As despesas com o pagamento dos prêmios do presente Edital, correrão à conta da dotação orçamentária nº ???

6.4. Os trabalhos apresentados não serão devolvidos aos autores.

6.5. O resultado do concurso será divulgado no sítio da SEEC e no Diário Oficial do Estado e os ganhadores serão informados por e-mail.

6.6. Somente serão divulgados os autores selecionados.

6.7. Os casos omissos serão resolvidos pela Secretária de Estado da Cultura ouvidos a Coordenação de Editoração e Literatura e a Comissão Julgadora, quando couber.

Curitiba, 15 de junho de 2010.
Vera Maria Haj Mussi Augusto,
Secretária de Estado da Cultura.

Fonte:
Secretaria de Cultura do Estado

Izabel Leão (Ser Poeta, um Sentimento do Mundo: Lupe Cotrim Garaude)


Ser poeta
é meu resíduo
de tristeza
ao não ser triste
A dor que deveras sente
é a que sinto.
E o que vemos a mais
nas coisas simples
os subterrâneos cavados
nas doces superfícies
é nosso modo de unir
o solto e o que resiste.
(O dúplice, de Lupe Cotrim)

Trajetória breve, mas fulgurante, intensa, com brilho próprio. Assim foi Lupe Cotrim Garaude, poetisa e intelectual, professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, que morreu há 40 anos e que ganhou em março uma exposição no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, organizada pela professora Leila Gouvêa, numa homenagem à sua obra literária. Na abertura da mostra, um seminário e um recital com canções do compositor Almeida Prado inspiradas no livro Cânticos da Terra, de Lupe Cotrim.

Com a reunião dos documentos que hoje compõem o acervo no IEB, a exposição “Ser poeta: Lupe Cotrim, 40 anos depois” propõe uma revisita à trajetória intelectual e literária da poeta. “Será uma reconstituição do itinerário de Lupe, desde o projeto, formulado aos 12 anos de idade, até tornar-se escritora, depois metamorfoseado em ‘ser poeta’, como ela mesma escreve na poesia O dúplice”, ressalta Leila.

O seminário com três mesas-redondas aberto pelas professoras Ana Lucia Duarte Lanna, diretora do IEB, e Marta Amoroso. “A professora-poeta”, tema da primeira mesa-redonda, contou com as memórias e lembranças de alguns artistas e docentes que foram alunos de Lupe nos primeiros anos de funcionamento da ECA, entre eles Ismail Xavier, Djalma Batista, Luís Milanesi e José Possi Neto.

A segunda mesa-redonda, “Uma intelectual na travessia dos anos 60”, contou com vários pesquisadores e intelectuais, que fizeram uma apresentação mais acadêmica de Lupe. Telê Ancona Lopez analisou anotações, comentários e sublinhamentos feitos nas margens dos livros e textos de Lupe Cotrim. Fábio Lucas, Ana Maria Fadul e Eduardo Peñuela Canizal mostraram sua visão particular sobre a obra da poetisa e intelectual.

“A poesia lírica de Lupe Cotrim”, nome da terceira mesa-redonda, com a participação de vários poetas brasileiros, que analisaram a obra poética da autora, inclusive seu livro póstumo, Monólogos do afeto, publicado seis meses após sua morte, “uma poesia espontânea, sem elaboração, mas com poemas muito interessantes”, comenta Leila Gouvêa. Desse livro Leila destaca a poesia Hino dos comedidos, em que Lupe mostra um caráter de inconformismo com o mundo em que vive e uma certa rebeldia em relação às convenções sociais do tempo em que viveu:

Não me agradam esses homens
bem fracionados no tempo,
cedendo-se amavelmente
em todas ocasiões
e mais também não me agradam
os partidários tão vários,
de toda moderação.
Vou passando bem distante
desses homens comedidos
desses homens moderados (...)
Adeus homens moderados,
adeus que sou diferente.
Compreendo a mulher que rasga
as vestes em grande dor
e sinto imensa ternura
pelo homem desesperado.

Segundo Leila, Lupe foi uma professora muito estimada pelos alunos. Embora tenha tido uma passagem meteórica como professora da ECA, deixou marcas profundas. “Ela fugia ao padrão acadêmico, tinha uma comunicação fácil com os jovens alunos. Em homenagem, o Centro Acadêmico da ECA recebe seu nome.”

Filho de Lupe, o professor de Artes Visuais da ECA Marco Giannotti, que não chegou a conviver muito tempo com a mãe em razão de sua morte precoce, afirma que um evento como esse é importante para a comunidade acadêmica relembrar uma pessoa que teve destacado papel na formação de uma das suas unidades de ensino, a ECA. “Ela conseguiu viver em pouco tempo uma vida intensa, construindo uma obra pequena, mas de grande valor literário. Assim a USP, como instituição, está valorizando melhor os seus quadros de professores.”

O Fundo Lupe Cotrim Garaude, no IEB, contém cerca de 1.100 documentos. Foi organizado e catalogado graças a uma bolsa de pós-doutorado concedida a Leila Gouvêa pela Fapesp. A exposição “Ser Poeta: Lupe Cotrim, 40 anos depois” e o livro Estrela breve – Uma biografia da poeta Lupe Cotrim, a ser publicado no segundo semestre, são os produtos finais do trabalho de pesquisa. Leila teve como supervisora do seu pós-doutorado a professora Yêdda Dias Lima, do IEB.

Lupe Cotrim começou a lecionar Estética na ECA em 1967, aos 33 anos. Na mesma época, fez doutorado em Filosofia na então chamada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, na rua Maria Antonia, sob a orientação da professora Gilda de Melo Souza. Dizia ter necessidade de adensar sua concepção de mundo, pesquisar nova dicção poética e depurar sua escrita. No final da década de 60, na turbulenta época da ditadura militar, os alunos da ECA entraram em greve e Lupe teve um papel fundamental na intermediação e diálogo entre autoridades e estudantes.

Nesse período, combinou a escrita literária e a docência com a produção ensaística, além de compor uma peça de teatro cuja revisão não pode concluir, devido ao câncer que a levou, em 18 de fevereiro de 1970, com apenas 36 anos de idade.

Sua trajetória foi intensa, deixando um legado de sete livros de refinada poesia lírica. Também cultivou o diálogo e a troca de cartas com escritores, especialmente Carlos Drummond de Andrade, o maior interlocutor epistolar de sua breve vida.

No livro Raiz comum (1959), ela já mostra sinais de pesquisa formal, elaboração e ao mesmo tempo um pouco da chamada geração 45, praticante das formas fixas da poesia, especialmente o soneto. Os destaques são Destino mineral e Nem um profundo mar. Ainda com uma certa proximidade com a geração de 45, com um estetismo subjetivo, é em Entre a flor e o tempo, de 1961, que Lupe cria sonetos que revelam certa inquietação com a busca de uma nova dicção poética. “A poetisa sempre esteve em busca de uma dicção autoral em conformidade com o seu sentimento do mundo”, lembra Leila.

O quarto livro, publicado no final de 1962, Cânticos da Terra, são poemas sobre animais e, assim como poetas como Borges e Apollinaire, criou seu próprio bestiário – uma coletânea sobre animais. Essa coletânea teve uma preocupação estética maior, ganhando uma edição belíssima, com ilustrações a bico-de-pena do artista plástico Aldemir Martins. “No mundo poético de Lupe, também havia espaço para os animais, numa tentativa de sair da nebulosa do eu que caracterizou muito seus primeiros livros”, explica Leila. Em Cânticos da Terra, por exemplo, a poetisa afirma:

Ritmado andar azul
e calculado
de um solene pavão
– longa cauda em flor,
adorno de linguagem
e proteção

Vale lembrar que o bestiário foi publicado pelo editor Massao Ohno, que teve importante papel nos anos 60, divulgando a chamada poesia novíssima de Roberto Piva, Carlos Felipe Moisés, Lindolf Bell, Hilda Hilst e Lupe Cotrim.

Cartas do seu amigo Carlos Drummond de Andrade (cerca de 50 correspondências) mostram o poeta elogiando Cânticos da Terra. “Sou um velho apaixonado do mistério dos animais, Lupe, e encontro com emoção em seus poemas esse poder de ir até o mais delicado deles, essa essência de vida e significado que a natureza não oferece cabalmente senão através da intuição poética.”

Ainda sobre essa coletânea, Leila conta que seis desses poemas foram musicados pelo compositor Almeida Prado, que sempre admirou ciclos de canções sobre bestiários e, quando descobriu os poemas de Lupe, entusiasmado, fez um ciclo de seis canções. Três delas serão apresentadas ao vivo no final do evento do dia 23. São canções para canto e piano interpretadas pelo barítono Pedro Ometto e o pianista Eduardo Tagliatti.

Lupe Cotrim tinha grande interesse pelo canto lírico, chegando a estudar para ser soprano. Acabou descobrindo que a poesia era seu maior dom. “Mais de uma vez Lupe chegou a falar de sua alegria em ter algum dos seus poemas musicados”, relembra Leila.

Em 1964, Lupe publica seu quinto livro O poeta e o mundo, que reflete uma fase de transição. Na poesia Última passagem, por exemplo, o tema a morte é bem recorrente na obra.

Quando eu morrer,
se morrer,
quero um dia de sol,
denso, cintilante,
escorrendo-me pelo corpo
seus dedos quentes.
E quero o vento,
Um largo vento dos espaços
Que me respire e me arrebate
No seu fôlego
Por outros continentes.
(...)
quero pegar a vida,
palmo a palmo,
traço a traço,
num dia esfuziante de azul,
com o mar na boca e nos braços.

O início de uma certa maturidade literária, conta Leila, se deu no livro Inventos, de 1967, em que Lupe revela fugir do impacto da geração de 45 e ensaiar uma nova dicção literária. Esse livro divide-se em duas partes. A primeira, De Mar, tem como tema recorrente o mar e nela transparece o impacto que a leitura de João Cabral de Melo Neto exerce sobre a autora, assim como também uma geração de poetas.

É na segunda parte, denominada De Amor, que a autora consegue dar um salto, aproximando-se da dicção autoral que tanto buscava. Leila comenta que a autora, enfim, consegue uma poesia lírica de alta qualidade. “É um poema para vozes, onde comparecem um narrador e dois amantes. O diálogo dos amantes é extraordinário. Podemos afirmar ser esse o marco da obra de Lupe”, diz Leila, citando um dos poemas:

Se entre nós cada folha de silêncio
for linguagem de gestos desprendidos
e em clareiras tombar cada momento
o que outrora foi verde e preenchido,
segurarei na queda tua imagem.
Antes que perca todos os indícios
desta palavra dita na coragem
da posse em nós, hei de levar comigo
o último desejo, o corpo intenso
para tramar de novo um novo invento.


No período mais repressivo da ditadura militar, iniciado com a instauração do Ato Institucional número 5, Lupe Cotrim dá vazão a uma poética mais participante, com poesias de cunho social, de denúncia do cenário histórico e social do País e do mundo. Os livros dessa época são muito eloquentes e oratórios, como Memória barroca, que a poetisa dedicou ao amigo Carlos Drummond de Andrade. Segundo Leila, as poesias desse livro conseguem ser engajadas, conciliando denúncia com concisão e lirismo, “por isso são poesias de boa qualidade”:

Uma cola negra escorre
das calçadas, e o mar escurece
no pigmento do rosto.
Uma fratura na pedra; e mais outra.
Estátua que se ergue
ou entranha que se mostra.
O saveiro furta às águas
a sumária riqueza dos peixes
e no farol se acende
a história ameaçada; nem tudo será
resíduo e paisagem. A couraça
urbana acintura a nova cidade
cinza e domesticada.

A fase do lirismo participativo também resultou no livro Poemas ao outro, uma coletânea em duas partes, triplamente premiado ainda no original: recebeu, em 1969, o Prêmio Governador do Estado, desbancando os maiores poetas da época, o Prêmio Jabuti e o Prêmio Poesia, da Fundação Cultural de Brasília.

Na primeira parte desse livro, Lupe dialoga com um personagem imaginário, João, que ela considera aparentado do personagem Severino, de João Cabral de Melo Neto, e do personagem José, de Drummond:

O que é nosso, João,
entre o teu e o meu
o que separa em posse
a nossa solidão?
Não sei. Não sei
o que era de mim
no que te encontrei.

Na segunda parte de O dúplice – Alter ego, Desdobramento, o Outro –, eixo norteador da exposição no IEB, o ser poeta representa a busca de uma vida inteira de Lupe Cotrim. Giannotti, o filho, encontra na poesia da mãe o vínculo afetivo que não teve tempo de criar: “O que mais me encanta na poesia de Lupe é a grande vontade de atualização do eu lírico – aquele sujeito que se coloca perante o mundo, podendo sentir e escrever o que vive no mundo sem subterfúgios. Ela viveu o mundo intensamente, e na sua poesia eu sinto isso claramente”.
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Izabel Leão é jornalista e mestre em Educomunicação em São Paulo , SP.
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Fonte:
Extraído do Jornal da USP, março de 2010, adaptado para atualmente.

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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