Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 30 de abril de 2011

Trova 195 - Roberto Pinheiro Acruche (São Francisco de Itabapoana/RJ)

Colaboração do Autor

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 201)


Uma Trova Nacional

A crise nos invadiu...
pindaíba nacional:
não sei se o real caiu
ou se eu "caí na real"...
–SELMA PATTI SPINELLI/SP–

Uma Trova Potiguar

Galo bom de galinheiro
e pegador de galinha,
quando disputa um terreiro
muitas vezes dá murrinha.
–MARCOS MEDEIROS/RN–

Uma Trova Premiada

1994 - Nova Friburgo/RJ
Tema: “LIVRE” - M/H

Fazer prédio? Desperdício!
Diz o caipira a sorrir:
– Se em baixo diz: “Edifício”,
como é que se vai subir?
–NEIDE ROCHA PORTUGAL/PR–

...E Suas Trovas Ficaram

Ante a noiva bem nutrida,
o cinquentão ficou louco:
– Ela só pensa em comida
e cinquentão come pouco...
–MÍLTON NUNES LOUREIRO/RJ–

Simplesmente Poesia


MOTE:
O filho toma apracur,
a mãe toma novalgina.

GLOSA:
Ele liga o abajour
pra que na cama se aqueça.
E, para a dor de cabeça
O filho toma apracur,
analgésico hor-concour,
recurso da medicina,
qualquer balconista ensina
e vende sem empecilho.
Contrariando seu filho,
a mãe toma novalgina.
–FRANCISCO MACEDO/RN–

Estrofe do Dia

Um candidato a prefeito
falando aos aduladores
distante dos eleitores:
vamos ganhar esse pleito!
Sou cidadão de conceito
só eu levo essa parada,
porém o que mais me agrada
nesta tremenda disputa
é ter um ano de luta
e quatro sem fazer nada.
-VICENTE GONÇALVES/PB-

Soneto do Dia

–BELMIRO BRAGA/MG–
Propaganda Eleitoral

Meu caro Coronel Martins Ferreira,
candidato extra-chapa a deputado
ao congresso da Câmara Mineira,
desejo ser aí o mais votado.

A minha fé de ofício é de primeira.
vale por um programa o meu passado,
e no congresso não direi asneira
todas as vezes... que ficar calado.

Fui caixeiro, depois fui negociante,
e do torrão natal, representante,
agora aspiro a ser como escrivão;

E, eleito, espero, mas que maravilha!
Ser pai da Pátria e receber da filha
todo o subsídio, quer trabalhe ou não..

Fonte:
Colaboração de Ademar Macedo

Trovadores da Seção Bragança Paulista da UBT (Amor é...) Primeira Parte


Há muito tempo morri,
morri, amor, de saudade;
no dia em que te perdi,
foi que morri de verdade.
Adalzira Bittencourt (Céu)

Quem tem alma de poeta,
em geral é um trovador,
que na vida tem por meta
semear somente o Amor!
Amilton Maciel Monteiro (S. José dos Campos)

Amar é meu lema de vida;
viver, meu lema de amor.
Quem ama jamais duvida
que será um vencedor.
Anna Servelhere (Bragança Paulista)
-------------------
Antonio Miguel Cestari (Bragança Paulista)

O brilho do teu olhar
refletiu nos olhos meus.
Início do caminhar
unidos no Amor de Deus.

Pense em Deus, maior Amor
que criou o universo,
na singeleza do verso
que inspira neste louvor.

Deixe logo esse terror!
É o que todo mundo diz.
Viva em paz, em pleno amor.
Tenha uma vida feliz!
-----------------------------

Cida Moreira (Bragança Paulista)

Seu amor - e sou feliz!-
é o meu maior presente
pois tudo que sempre quis
é só te amar, simplesmente.


No mistério desse olhar
naveguei a minha vida
como um barco em alto-mar
sem jamais achar guarida.
-----------------

Flávio Rodrigues (Bragança Paulista)

Mágoa é desgosto, amargura,
paixão, descontentamento,
desagrado, dó, tortura,
tristeza...enfim, sofrimento!

Helena Walderez Scanferla (Bragança Paulista)

Sim! Desde que a vida existe
aqui na face da Terra,
só o amor é que subsiste
na palavra que encerra.

Tantos amores na vida
eu já tive com alegria;
hoje, esta vida bandida
levou-me tudo o que eu tinha.

Henriette Effenberger (Bragança Paulista)

Na grandeza do universo,
enxergo os olhos de Deus.
Na pequenez de meu verso,
mergulham os olhos teus...

O periquito atrevido
adivinhou meu desejo:
beleza, grana e um marido
no toque do realejo.

Joarez de Oliveira Preto (Bragança Paulista)

Sentei-me ali na varanda,
esperando, pode crer,
sem saber por onde anda
meu amor, meu bem-querer.

Olho da porta de entrada,
vejo pássaros voando.
Vi o ônibus na estrada,
mas não vi você chegando.

O ramalhete de flores
que preparei pra te dar;
não esqueças, se tu fores
pretendendo retornar.

No meu castelo de sonhos,
de rosas brancas cercado,
vejo teu rosto risonho,
paz e bem no teu reinado.

Fonte:
Colaboração de Lola Prata com o livro "Amor é..." - Trovadores da Seção Bragança Paulista
da União Brasileira de Trovadores - UBT - Novembro de 2010
Imagem = http://andreiamartins.blogspot.com

Roberto Pinheiro Acruche (Revista Trovas e Poemas n. 27)

Irmanemos nossas vidas
em comunhão generosa,
tal como vivem unidas
as pétalas de uma rosa!
A. A. DE ASSIS – PR

O namoro venturoso,
curtido na mocidade,
mudou de nome, o teimoso:
hoje se chama SAUDADE!
ADAMO PASQUARELLI-SP

No quarto, vazio agora,
nosso velho cobertor
cobre as mentiras que outrora
foram delírios de amor...
ALBA CHRISTINA-SP

Retorno à praça da infância:
é o mesmo antigo jardim!
Só eu mudei, na distância...
Ah! Que saudade de mim!
ALBA ELENA CORRÊA-RJ

A noite inteira acordado
e a inspiração não chegou.
Um poeta amargurado,
foi somente o que restou!
ALBERTO PACO - PR

Ninguém sabe, nesta lida,
onde a surpresa é mais forte:
se nos mistérios da vida
ou nos segredos da morte!
ALFREDO DE CASTRO - MG

Não irá jamais embora
quem deixou tanta amizade;
a despedida de agora
é presença na saudade.
ALMIR PINTO DE AZEVEDO - RJ

A natureza agredida
não se defende e nem xinga,
mas no decorrer da vida
cedo ou tarde, ela se vinga
AMILTON MACIEL MONTEIRO-SP

Que lição de amor profundo
aos homens legou Jesus,
trocando os sonhos do mundo
por três cravos e uma cruz!
ANTÔNIO JURACI SIQUEIRA-PA

O amor, para muita gente,
é diversão perigosa.
Quem não sabe ser prudente
transforma em espinho a rosa.
ARLENE LIMA-PR

Se a vida é mera passagem
por este plano somente,
o preço desta viagem
é a própria vida da gente.
ARLINDO TADEU HAGEN-MG


“Mamãe”, esse fato eu sei,
é palavra de emoção:
a primeira que falei,
a maior no coração.
CARLOS AUGUSTO S. DE ALENCAR-RJ

Quando a penumbra descia,
a nossa emoção vibrava,
sonhando o que não dizia,
dizendo o que nem sonhava!…
CAROLINA RAMOS – SANTOS-SP

Rosas fazem emergir
o que os namorados sentem:
os lábios podem mentir
mas as rosas nunca mentem.
CLÊNIO BORGES-ES

Sei quando vais demorar...
Mesmo assim, tudo ofereço:
quem espera para amar
paga ao tempo qualquer preço!
CLENIR NEVES RIBEIRO – RJ

Enganar que sou feliz
é coisa inútil, porque
meu sorriso triste diz
quanto eu sofro sem você.
CONCEIÇÃO A. C. DE ASSIS - MG

Lança as mágoas ao passado
Ao meu Deus peço um favor,
bom presente para o mundo:
Um saco cheio de amor,
daqueles que não tem fundo!
CRISTIANE BORGES BROTTO - PR

Analisa a própria crença,
veja a beleza da flor,
sinta seu perfume e pensa:
- A minha essência é o AMOR.
DÁGMA VERÔNICA -MG

Eu vejo Deus na magia
dos versos simples que teço
Deus é rima, amor, poesia,
é fim, é meio, é começo!
DELCY CANALLES-RS

Apenas em quatro versos
retrata-se uma emoção,
através da trova imersos
em realidade e ficção.
DILMA RIBEIRO SUERO -RJ

Teu olhar perpetuado
numa saudade sem fim,
é aquele espinho encravado
que já faz parte de mim!
DILVA MORAES-RJ

Pela Maria da Penha,
lei-justiça conquistada,
quebro pau e queimo lenha
mas, congraço a mulherada!
DINAIR LEITE-PR

Voltas… e eu acho tão triste
a emoção de disfarçar,
que, por mim, já que partiste,
nem precisavas voltar…
DIVENEI BOSELI - SP

O nosso amor escondido,
sem papel, sem aliança,
tem o sabor proibido
da fruta da vizinhança
DOMITILA BORGES BELTRAME-SP

]Talvez porque a noite esconda
sombras de amor... é que a Lua
põe mais luz em sua ronda,
quando ronda a minha rua!
EDMAR JAPIASSÚ MAIA -RJ

Na viagem da ilusão,
pela tarde azul e morna,
vivo a esperar na estação
um trem que nunca retorna!
EDUARDO A. O. TOLEDO-MG

Nem mesmo a ilusão remenda,
com seus fios de saudade,
os velhos sonhos de renda
que eu teci na mocidade!
ELIZABETH S. CRUZ - RJ

De armas, não precisaste.
palavras brutais, somente...
com elas apunhalaste
meu coração, friamente!
ESTER FIGUEIREDO–RJ

È certo, é pura verdade,
que se diz do casamento:
Que só, se tem liberdade,
com um mal comportamento!
FABIANO WANDERLEY-RN

Nos trigais do sentimento que
contra o vento eu transponho,
cozi o pão sem fermento
no forno quente de um sonho.
FRANCISCO JOSÉ PESSOA-CE

Na rapidez da informática
meu sonho dura um segundo,
numa proposta automática:
paz, ponto com, ponto mundo.
FRANCISCO NEVES MACEDO-RN

É pecado a idolatria
mas eu te admiro tanto,
que até me ajoelharia
aos teus pés por teu encanto.
GERALDO AMÂNCIO PEREIRA - CE

Reconheço que acabou...
Como tu, não lamentei.
O que pensavas, não sou;
e não és o que pensei...
GILVAN CARNEIRO DA SILVA – RJ

O mar é o mais doce amante
pois não cansa de beijar,
num lirismo alucinante,
toda praia que encontrar!
GISLAINE CANALES - SC

Dupla festa eu preconizo,
para noites de luar:
A festa do teu sorriso,
na festa do meu olhar!...
HERMOCLYDES S. FRANCO-RJ

As flores fito uma a uma,
e mais que eu nelas repare,
em beleza não há nenhuma
que contigo se compare!
HUMBERTO RODRIGUES NETO –SP

Responde, ó Deus, pela mão
que podes ver, calejada:
-- por que há de ter tanto chão
quem nele não planta nada?
JAIME PINA DA SILVEIRA-SP

Tua ausência, mãe querida,
o bom filho nunca esquece…
És o amor de Deus, és vida:
- Tu és a mais linda prece!
JOAMIR MEDEIROS-RN

Não me assusta a alta montanha.
Firme eu empreendo a escalada...
Com a fé que me acompanha,
só vejo flores na estrada.
JOÃO COSTA-RJ

Mãe, se dor fosse julgada,
não sei qual a mais doída:
se a que te dei na chegada,
se a que me dás na partida...
JOSÉ FABIANO –MG

Tanto mal nós infligimos
Em todos que bem nos queira,
E o perdão que lhes pedimos
É uma nuvem passageira.
JOSÉ FELDMAN – PR

O cego, com dedos certos,
tange a sanfona dorida,
e eu, com dois olhos abertos,
erro nas teclas da vida.
JOSÉ LUCAS DE BARROS - RN

Zelar pela natureza,
eis aí nossa missão.
Deus fez tudo com grandeza,
pra nossa sustentação.
JOSÉ MOREIRA MONTEIRO-RJ

Se a sorte não me convida,
teimoso, forças concentro
e entro na festa da vida
como "penetra"... mas entro!...
JOSÉ TAVARES DE LIMA-MG

Falassem os arvoredos...
e o mundo iria corar
ante os milhões de segredos
que o vento deixa, ao passar!...
MARIA MADALENA FERREIRA-RJ

Às vezes, na despedida,
num simples modo de olhar
se diz o que em toda a vida
ninguém ousa revelar.
MARIA NASC. SANTOS CARVALHO-RJ

Representando paixão
na alvura de seu buquê,
tem no centro o coração,
o gerânio que se vê!
MARILENE BUENO– RS

Falaste em breve regresso:
marcaste mês, dia e horário.
Mas a saudade que eu meço
é maior que o calendário!
MARINA BRUNA - SP

Minhas trovas são singelas,
sem marcas nem pedantismo,
pois eu faço, assim, com elas,
arautos do romantismo.
MAURÍCIO NORBERTO FRIEDRICH-PR

Se a saudade não consegue
destruir meu dia a dia,
quero, ao menos, que carregue
esse tédio, essa agonia!
MESSODY RAMIRO BENOLIEL- RJ

Jamais ficarei passiva
ante a luz do teu olhar;
há muito já sou cativa
deste teu jeito de amar!
MIFORI-SP

Sobreviver é uma arte.
É driblar a natureza,
tendo a fé como estandarte
e Deus como fortaleza.
MYRTHES MAZZA MASIERO-SP

A paz, numa sociedade,
entre tantas coisas boas,
só depende, na verdade,
da consciência das pessoas.
NEI GARCEZ-PR

Tenho orgulho do que faço;
se é feito com perfeição.
Mas aceito meu fracasso
se não tiver solução.
NEIVA FERNANDES-RJ

No rodeio do existir,
peço a Deus, a todo instante,
que eu não caia e, se cair,
com mais força me levante.
NEWTON VIEIRA -MG

Nada mais embriagador
no arrepio das ternuras
que escutar juras de amor
mesmo que sejam perjuras.
NILTON MANOEL-SP

A chuva benze a semente,
que o homem planta no chão;
e Deus permite que a gente
transforme o trigo no pão.
OLGA AGULHON – PR

A ciência que eu rejeito
é a que tem a insensatez
de explicar o que foi feito
e afirmar que ninguém fez!
PEDRO ORNELLAS - SP

Teu amor que me enternece,
que acaba todo meu pranto,
da sobra faço uma prece,
e ainda sobra outro tanto.
PROFESSOR GARCIA-RN

Não deixe que se enraíze
A mágoa no coração;
Antes mesmo a cauterize,
Bom remédio é o perdão.
RAYMUNDO SALLES BRASIL-BA

Esses teus mágicos olhos,
quando me fitam assim,
são carícias ou escolhos
do naufrágio que houve em mim?
RENATO ALVES - RJ

O mais sublime recado,
veio de longe... do céu...
Sendo a Maria, levado,
pelo Arcanjo Gabriel.
ROBERTO PINHEIRO ACRUCHE - RJ

Na ansiedade das demoras,
quando chegas e me encantas,
mesmo sendo às tantas horas,
as horas já não são tantas…
RODOLPHO ABBUD - RJ

O belo na juventude
traz orgulho, por costume.
Mas beleza sem virtude
é qual rosa sem perfume...
RUTH FARAH NACIF-RJ

Nas cartas, sê verdadeiro!
Cuida bem tudo o que dizes:
pois cartas são travesseiro
nas noites dos infelizes.
SELMA PATTI SPINELLI/SP

A rua não sabe quando,
mas lembra, do início ao fim,
o quanto a pisei buscando
quem tanto pisava em mim!...
SÉRGIO BERNARDO-RJ

Paguei tanto pelo engano,
pelo mito que criei,
pois foste apenas tirano,
e eu te escolhi por meu rei!
TEREZA COSTA VAL – MG

Da vida o imenso valor
pode estar num… quase nada!
Como ver brotar a flor
entre as fendas da calçada.
VANDA FAGUNDES QUEIROZ-PR

Meu jogo, audaz e exigente,
encara a carta que der,
mas com você, frente a frente...
jogo charme de mulher!
VÂNIA MARIA SOUZA ENNES-PR

O teu silêncio me afronta;
nem breve mensagem veio,
mas meu amor faz de conta
que a culpa é só do correio.
WANDA DE PAULA MOURTHÉ-MG

As nuvens choraram tanto,
que o sol compensa o escarcéu,
tecendo com doce encanto
mais sete cores no céu!
WANDIRA F. QUEIROZ – PR

=============
Dorothy Jansson Moretti-SP
S O L

Hoje estás escondido. Olhando para fora,
em meio à névoa densa, em vão eu te procuro.
Que falta fazes quando, ao se esboçar a aurora,
vejo o céu carrancudo e tão cinzento e escuro!

És tu que trazes vida, a ausência eu te censuro.
Sem ti sofre a semente a emergir para a flora,
falta a luz dos teus raios ao trigo maduro,
esmaecem os tons quando te vais embora.

De repente, através de uma nesga apareces...
Com que força vital a alma da gente aqueces
e afastas tão depressa as nuvens de tristeza!

És dono do universo, a nada te comparas;
e ao sentir teu calor reconfortando as searas,
feliz volta a sorrir, de novo, a Natureza!

Roberto Pinheiro Acruche
CONFIDÊNCIAS AO LUAR

Lua, mística e de rara beleza
inspiradora dos enamorados,
assistente de segredos guardados...
confessados a vossa realeza!

Qual trovador não vos citou um verso
encantado com a luz prateada
ou caminhando pela madrugada,
ainda que, em estado adverso?

Crendo em vossa majestade, confesso,
que vos prestei versos e confidência...
recitei poemas com eloquência...

-Sorvido por grande amor, nele imerso,
perdido de paixão neste universo...
condenado... venho pedir, clemência!

Pierre Acruche Nunes
Ó Filha!


Mal sabes o quanto tensos
e intensos foram
seus primeiros momentos
nosso primeiro encontro

Preocupação imatura, sim
ansiosa aflição logo dissipada
após ver-te linda, forte e sã

O privilégio de antes conhecer-te
ora furtado de sua Mãe
compesa-la-emos por toda a vida
pelo nobre ato maternal

Seu rostinho inchado
seu choro contido
seu susto latente
sua alma bem vinda

- Quem diria, heim, papai ?

Diria, sim, o experiente
o mais íntimo amigo ou parente
que a chegada de uma criança
desmonta o pétreo coração
infla a vida de esperança
me faz dedicado e zeloso guardião.

Seu Pai.

Roberto Pinheiro Acruche
PECANTE

Não importa o quanto pecas.
O que eu quero é sentir o teu calor,
o inebriante perfume do teu corpo,
passear por toda extensão de tuas curvas.

Não importa o quanto pecas.
É irresistível a tua beleza,
o sabor dos teus lábios,
o brilho dos teus olhos.

Tu és divina
Perfeita
Uma obra de arte
Doçura.
Não importa o quanto pecas.


UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES
Delegacia de São Francisco de Itabapoana- RJ

II JOGOS FLORAIS DE SÃO FRANCISCO DE
ITABAPOANA
REGULAMENTO

1-Concurso Nacional
Tema: CRIANÇA- Trovas líricas e/ou filosóficas

2-Concurso Estadual

Tema: VENTO - Trovas líricas e/ou filosóficas
PULGA – Trovas humorísticas
ENDEREÇO PARA REMESSA
II JOGOS FLORAIS DE SÃO FRANCISCO DE ITABAPOANA
A/C de Roberto Pinheiro Acruche
Caixa Postal 123.192
São Francisco de Itabapoana- RJ
CEP – 28.230-000

3-Sistema de Envelopes
A trova deverá ser escrita num envelope pequeno em cujo interior estarão nome e
endereço completo do remetente, telefone e e-mail (se tiver). Esse envelope deverá ser
lacrado e colocado num envelope maior com o endereço para remessa. Como
remetente, repetir no verso o endereço com o nome de Luiz Otávio.
Data limite de entrega – 31 de maio de 2011. Valendo a data da postagem.
Limite de 3 (três) trovas por tema.
É obrigado constar a palavra-tema na trova

OUTROS CONCURSOS EM ANDAMENTO
Jogos Florais Ac. de Letras e Artes de Cambuci- até 31.05.2011
XLI Jogos Florais de Niterói - até 31-05-2011
VII Concurso de Trovas de Maranguape/CE - até 31.05.2011
Jogos Florais de Cantagalo-RJ até 31.05.2011
VII Concurso Maranguape/CE - até 31.05.2011
VII Concurso Academia Mageense de Letras - até 01.06.2011
XV Jogos Florais de Porto Alegre - até 30.06.2011
X Concurso de Trovas do CTS - Caicó - até 30.06
XXXI Concurso de Trovas da ATRN - 2011- até 30.06
Concursos de Trovas de Taubaté - até 30.06.2011

NOITE DE AUTÓGRAFOS
Foi extremamente concorrida e prestigiada a solenidade de lançamento do Livro “O Mangue da Moça Bonita” de autoria de Roberto Pinheiro Acruche.
O espaço da Câmara Municipal de São Franciscode Itabapoana-RJ ficou pequeno para abrigar as inúmeras autoridades, poetas, acadêmicos, professores e membros da sociedade sanfranciscana.

ALCANÇOU ENORME SUCESSO A SOLENIDADE REALIZADA PELO CONGRESSO DA SOCIEDADE DE CULTURA LATINA – SEÇÃO BRASIL PARA PREMIAÇÃO DOS MELHORES DE 2010

Roberto P. Acruche
MARIA


Maria Mãe
Maria Mulher
Maria Santa
Maria de Nazaré
De Ti nasceu o Jesus menino
De Ti nasceu o Salvador
De Ti nasceu o Nazareno
De Ti nasceu o Redentor
Contigo nasceu o Cristianismo
Sofreste com a crucificação
Deste o fruto do Amor
Jubilou-se com a ressurreição.
Maria Mãe Amantíssima
Maria Mãe Venerada
Maria Mãe de Deus
Maria Mãe Adorada
Aos Vossos pés levo a prece
Pedindo-lhe graças e proteção
Mãe de misericórdia me proteja
Purifique o meu coração.

Fonte:
Colaboração de Roberto Pinheiro Acruche

Monteiro Lobato (Histórias de Tia Nastácia) XXIII - O Macaco e o Aluá


Um macaco, uma vez quis fazer aluá, mas estando sem dinheiro para comprar milho...

Narizinho interrompeu-a:

— Que história de alua é essa?

— É uma petisqueira lá do Norte, que se faz de milho. Mas o macaco, que não tinha dinheiro para comprar milho, armou um plano. Foi à casa do galo, onde comprou um litro de milho para pagar em tal dia e tal hora. Foi à casa da raposa, onde comprou outro litro para pagar a tal dia e tal hora — e marcou uma hora,, meia hora depois da hora marcada para o galo. Depois foi à casa do cachorro, onde comprou outro litro de milho para pagar meia hora depois da hora marcada para o pagamento à raposa. E na casa da onça comprou outro litro de milho para pagar meia hora depois da hora marcada para o pagamento ao cachorro.

E muito contente da vida com os quatro litros de milho arranjados a crédito, o nosso macaquinho foi para casa fazer uma porção de alua, que guardou num pote. Depois armou um jirau bem alto e deitou-se em cima, de cabeça amarrada com um pano, como quem está com dor de dente.

Na hora do primeiro pagamento apareceu o galo.

— Então, que é isso macaco? Doente assim?

— Estou que não posso comigo de tanta dor de dente — respondeu o macaco. — Abanque-se e sirva-se do alua aí do pote.

O galo sentou-se e começou a servir-se do alua. Nisto apareceu lá no terreiro a raposa, que vinha cobrar o litro de milho vendido. O galo ficou com a crista branca de medo.

— Não se assuste, compadre — disse o macaco. — Esconda-se ali no cantinho.

O galo foi e escondeu-se. Entra a raposa. O macaco, depois de contar a sua doença, manda a raposa servir-se de alua.

— Coma, coma, comadre, que está ótimo. O compadre galo já se regalou.

— Quê? — exclamou a raposa. — O galo andou por aqui?

— Ali está ele! — disse o macaco, apontando para o cantinho onde o pobre galo se escondera.

E a raposa foi e comeu o galo. Nisto apontou no terreiro o cachorro. A raposa tremendo de medo, escondeu-se num canto. O cachorro entrou, muito amável.

— Pois é — disse o macaco — estou tão doente que nem posso descer da cama. Mas vá se servindo de alua, compadre cachorro. Está muito bom. A raposa comeu de lamber os beiços.

— Quê? A raposa esteve aqui?

— Não esteve, está! — respondeu o macaco, e apontou para o canto onde a pobre raposa se escondera.

E o cachorro foi e comeu a raposa. Nisto apontou a onça no terreiro. Entrou. Soube da doença do macaco, e também, a convite dele, se serviu do alua.

— Coma, comadre. O cachorro disse que está da pontinha.

— Quê? Esteve o cachorro por aqui? O macaco piscou, apontando o cantinho onde estava escondido o pobre cachorro e a onça foi e comeu o cachorro.

— Bem, macaco — disse ela depois da festança. — Vamos agora ajustar nossas contas. Quero receber o dinheiro do meu milho.

— É boa! — exclamou o macaco. — Pois então a comadre entra aqui, serve-se do meu alua, come um cachorro que tinha comido uma raposa que tinha comido um galo, e ainda tem coragem de querer receber o dinheiro dum litro de milho cheio de caruncho?

A onça, furiosa, deu um pulo para pegar o macaco; mas este saltou do jirau para cima duma árvore e ficou a rir-se da lograda.

— Deixe estar, macaco, que você me paga! — rosnou ela, e lá se foi ruminando a vingança. Chamou as outras onças e combinou que ficariam tomando conta do riozinho que havia ali, de maneira que o macaco não pudesse beber.

O macaco ficou atrapalhadíssimo. A sede veio, e sede é coisa que nenhum animal agüenta. Como fazer? Nisto viu uma cabaça de mel. Teve uma lembrança. Lambuzou-se de mel e rolou sobre um monte de folhas secas ficando transformado no Bicho-Folhagem, que ninguém sabia o que era. E lá se foi para o riozinho, beber água.

Bebeu, bebeu à vontade, bem na vista das onças, que olhavam para aquilo com rugas na testa. Depois de bem saciada a sede, sacudiu-se das folhas e dum pulo alcançou um galho de árvore, gritando para as onças desapontadíssimas: "Piticau! Piticau!..."

— Deixa estar que você me paga! — disse a onça, e pôs-se a imaginar outro meio de pegar o macaco. Abriu um grande buraco, entrou dentro e deitou-se de costas, ficando com a boca arreganhada, como armadilha; e pediu às outras que a cobrissem de folhas secas para que o macaco não desconfiasse.

O macaco veio vindo. Mas ao ver aqueles dentes arreganhados no meio das folhas secas, desconfiou.

— Chão com dentes? Está aqui uma coisa que nunca imaginei. Mas dente de chão há de gostar de comer pedra — e, zás! jogou uma grande pedra dentro da boca da onça.

A onça morreu engasgada e o macaco lá se foi, muito satisfeito da vida.
==============
— Ora até que enfim apareceu um macaco esperto! — exclamou Narizinho. — Esse era dos tais de circo, como dizem, mais matreiro que uma raposa.

— A história deve estar errada — disse Emília. — Em vez de macaco devia ser uma raposa. Só as raposas têm idéias assim. Mas gostei. Está bem arrumadinha. Grau dez.

— Notem — disse dona Benta — que a maioria das histórias revelam sempre uma coisa: o valor da esperteza. Seja o Pequeno Polegar, seja a raposa, seja um macaco como este do alua, o esperto sai sempre vencedor. A força bruta acaba perdendo — e isto é uma das lições da vida.

— Já observei esse ponto, vovó — disse Pedrinho. — Todas as histórias frisam uma coisa só — a luta entre a inteligência e a força bruta. A inteligência não tem muque, mas tem uma sagacidade que no fim derruba o muque.

— E a gente quer que seja assim — disse Emília. — Se vier um conto em que a força bruta derrota a inteligência, os ouvidores são até capazes de dar uma sova no contador.

— E a história perderia completamente a graça — disse Narizinho. — Que graça tem, por exemplo, que um touro vença uma lebre? Ne-nhumíssima. Mas quando uma lebre vence um touro, a gente, sem querer, goza.

— Por isso vivo eu dizendo que a esperteza é tudo na vida — gritou a boneca. — Se eu tivesse um filho, só lhe dava um conselho: Seja esperto, Emilinho!
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Continua… XIX – O Macaco, a Onça e o Veado
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Fonte:
LOBATO, Monteiro. Histórias de Tia Nastácia. SP: Brasiliense, 1995.
Este livro foi digitalizado e distribuído GRATUITAMENTE pela equipe Digital Source

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Aparecido Raimundo de Souza. (O Sósia)


- Oi, Aninha, é você?

- Quem está falando?

- Sou eu, Rafael.

- Ummmmmm! Com essa voz?

- Qual é Aninha? Ta me estranhando?

- Claro que não.

- Então. Vamos sair?

- Calma. Muita hora nessa calma. É você mesmo?

- Três meses de namoro e ainda tem duvida amor?

- Você nunca me chamou de amor. Começa por ai...

- Por isso mesmo. Resolvi fazer a partir de agora tudo o que você gosta e lhe agrada.

- Nossa, que mudança repentina. E a que devo tal honra?

- Ao amor que sinto por você.

- Muito esquisito!

- O que é esquisito, amor?

- Sua mudança de comportamento sem mais nem menos. Quando o santo é demais a esmola desconfia.

- Bobagem, minha princesa. Alguém deve estar botando minhoca na sua cabeça.

- Ninguém bota nada na minha cabeça. Principalmente minhoca.

- Não é o que tem chegado aos meus ouvidos. Suas amigas...

-... Qual delas, exatamente?

- Eliza.

- O que tem contra ela?

- Eu, nada. Só não gosto do que fala a meu respeito.

- Aí é que está, meu caro. Ela não fala. Nem sabe que você existe.

- Não é o que chegou ao meu conhecimento.

- Chegou ao seu conhecimento? Por quem?

- Um passarinho cor de rosa cantou na minha janela.

- Passarinho? Não sabia que gostava.

- Não gosto. Você sabe disso. Escuta amor da minha vida: não acredito que vamos começar a brigar por pouca bobagem. Por favor, me poupe.

- Não é bobagem. A coisa é séria. Você liga pra minha casa, diz que é meu namorado e me pede para sair com você. Hoje em dia... Do jeito que as coisas andam. Sem falar nessa sua voz parecendo de taquara rachada...

- Para com isso, minha linda. Taquara rachada? De onde tirou essa comparação? Resolveu tirar o dia pra me sacanear. Ta legal conseguiu. Um a zero pra você. Agora posso passar ai e te pegar?

- Você não é o Rafael.

- Pelo amor de Deus, Aninha. Não é hora pra brincadeiras.

- Sua voz. Há algo de errado com ela.

- Meu Deus! O que há com a minha voz?

- Não é a do meu namorado.

- Estou rouco. Lembra que falei pra você que estava com uma tosse danada, o nariz escorrendo, garganta inflamada?

- Mas isso já faz bem uns quinze dias.

- Em que planeta você está, Aninha. Na ultima vez que nos encontramos ainda me pediu para parar de tomar banho frio.

- E quando foi?

- Quarta passada. Ou seja, uma semana hoje.

- E onde você se meteu desde a última vez em que nos encontramos?

- Viajando, amor. Você não sabe que eu vivo viajando?

- Pra onde mesmo?

- São Paulo.

- Ué! Você não me ligou ontem de Belo Horizonte?

- Sim, liguei, mas você sabe que não paro muito tempo num lugar só.

- Tudo bem. Deixo você vir me buscar...

-... Legal. Passo ai em meia hora. Esteja pronta.

- Calma, meu caro. Pra que a pressa? Devagar com o barro que o andor é de santo.

- Xiiiiii! Aninha não estou a fim de brincar. Tive uma semana chata.

- Não estou brincando. Falo sério.

- Então se apronta.

- Primeiro me prove que você é o Rafael.

- Tá legal. Você quer brincar? Pois bem. Vou entrar na sua.

- Pensei que já tivesse...

- Modo de falar.

- Pois bem. Você não é o Rafael.

- Sou.

- Vou te provar que não.

- Vou te provar que sim.

- Tente. Se realmente for, pode passar aqui e me buscar. Estarei pronta, a sua espera, cheia de amor e carinho pra dar.

- Aninha, não sei qual é a sua, ou o que andaram te falando. Mas tudo bem. Vou fazer seu jogo.

- Então vamos jogar. No final terá que ter me convencido de que realmente é o Rafael.

- Certo. Concordo. Provar que sou seu namorado é a coisa mais fácil deste mundo.

- Não é provar que é meu namorado. Vai ter que provar que é o Rafael.

- Que seja. A ordem dos fatores não altera o produto. Eu sempre digo essa frase. Está lembrada?

- Claro que estou.

- Então. Pode começar seu jogo.

- Na verdade, Rafael, ele já está em andamento. Agora você precisa de um fator mais sério e talvez o mais importante desta conversa toda: ser o ganhador.

– Não me faça rir, Aninha.

- Quem ri por melhor, ri por último.

- Engraçadinha.

- Onde foi nosso primeiro encontro?

- Em frente a farmácia do seu Alcides

- Essa foi fácil. O bairro inteiro sabe. Quem me apresentou a você?

- A sua amiga Heliodora.

- Barbada.

- Então. Posso ir até sua casa te buscar?

- Não me lembro de ter marcado nada com você.

Ademais hoje estou...

- Estudando para a prova de sábado. Viu? Sou eu ou não sou, Aninha.

- Que eu estou estudando pra prova toda galera que convive comigo também sabe. Até aquele cachorro sarnento que fica ali na esquina.

- Amor, qual é! Resolveu me tirar?

- Não, resolvi te tirar?

- Me tirar?

- Não. Eu disse te tirar.

- Como assim, me tirar? O que é me tirar?

- Não é me tirar, é te tirar.

- Diabo, Aninha e o que é me... Digo te tirar?

- Te tirar do meu caminho.

Fonte:
http://www.paralerepensar.com.br/aparecidoraimundo_osocia.htm

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 200)


Uma Trova Nacional

Após busca pertinaz,Alinhar ao centrodescobri, um dia, a esmo:
- Só hei de encontrar a paz
na renúncia de mim mesmo!
–LUIZ ANTONIO CARDOSO/SP–

Uma Trova Potiguar

Quando eu não fizer mais trova
numa noite enluarada,
podem cavar minha cova,
que estarei no fim da estrada!
–JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN–

Uma Trova Premiada

1998 - Bandeirantes/PR
Tema: PODER - Venc.

Do poder tens o infinito,
à fortuna tens direito,
mas não sufoques o grito
do amor que vive em teu peito...
–MÍLTON NUNES LOUREIRO/RJ–

...E Suas Trovas Ficaram

Os laços indestrutíveis,
que reúnem corações,
são, geralmente, invisíveis:
nascem só das emoções!
–MARIINHA MOTA/SP–

Simplesmente Poesia

–CARLOS DRUMMOND DE ANDRADEMG–
Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas,
muito mais que
lindas,
essas ficarão.

Estrofe do Dia

Aqui por estas areias
Já correram muitos pés...
Estalaram muitos arcos,
Vibraram muitos borés...
Estes garbosos coqueiros
São fantasmas de guerreiros
Que o tempo não quis matar!
Estas palmeiras delgadas
São índias apaixonadas
Por homens brancos do mar!
–ROGACIANO LEITE/PE–

Soneto do Dia

–FRANCISCO MACEDO/RN–
Água

A vida nasceu fazendo parceria
com a água, e, dela fez-se dependente.
Ação, relação, no Meio Ambiente,
que canto e decanto na minha poesia.

Esta água que bebo também te sacia,
no rio que passa, veloz, transparente,
ou mesmo na fonte, tão doce e tão fria,
é a vida real, nesta vida da gente.

Presente de Deus, ele é minha, ela é sua...
Conserve-a, proteja-a, favor não polua,
nós temos desta água, três terços em nós.

Que seja meu verso o maior mutirão,
minha arma é meu “grito de alerta” e de ação,
e as balas que tenho é só minha voz!…

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Santana do Matos, município no estado do Rio Grande do Norte (Brasil), localizado na microrregião da Serra de Santana. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano 2007 sua população era estimada em 14.312 habitantes. Área territorial de 1.420 km².

No Município de Santana se encontram dois sítios arqueológicos registrados pelo IPHAN nos quais se preservam pinturas rupestres deixadas pelos habitantes da região (paleoameríndios) no período pré-colonial. Localizam-se a sudeste do Serrote dos Cablocos.

Características geográficas

Área 1.420,313 km²
População 14.312 hab. est. 2007
Densidade 12,1 hab./km²

O Município de Santana do Matos, foi fundado a partir de uma fazenda de nome Bom Bocadinho, de propriedade do português Manoel José de Matos, onde teve início um povoado com o nome de Santana do Pé da Serra e por ter sido iniciada nas proximidades de uma capela construída em homenagem a Nossa Senhora de Santana , o povoado passou posteriormente a ser chamado de Santana do Matos, num vínculo direto com a capela que lhe deu origem.

Com o desenvolvimento do povoado criou-se o distrito por alvará em 13 de agosto de 1831. Em virtude da resolução Provincial no 9 de 13 de outubro de 1836, foi criado o Município com a denominação de Santana do Matos, em território desmembrado do município de Açu. Mas, outra lei de 07 de março de 1853, extinguiu o município de Santana do Matos e tudo voltou na estaca zero, passando a ser dependente de Açu novamente.

Somente em 06 de agosto de 1855, depois de muitas lutas políticas aconteceu a Emancipação Política do nosso município através da lei no 314, oriunda do deputado Manoel de Melo Montenegro Pessoa, e sancionada pelo presidente da província Antônio Bernardo de Passos. A referida lei restaura definitivamente o município de Santana do Matos. E a partir de 05 de setembro de 1855 começa a funcionar a Câmara de vereadores de Santana do Matos, prova do governo próprio sem depender de qualquer outro município.

Limitando-se ao Norte com os municípios: Angicos, Itajá, Fernando Pedrosa; ao Sul com: São Vicente, Florânia, Tenente Laurentino Cruz, Lagoa Nova; ao Leste com: Bodó, Cerro-Corá; ao Oeste com: São Rafael e Jucurutu. Distante 218 km da capital do estado do Rio Grande do norte (Natal) e 190 km de Mossoró RN.

Ponto Turistico:

Sítios Arqueológicos
Santana do Matos é o município com o maior número de sítio arqueológicos registrados no nosso Estado. São mais de 80 sítios repletos de pinturas rupestres, feitas em sua maioria com ocre, uma argila de coloração avermelhada devido à presença de óxido de ferro. Outros resquícios da presença de povos pré-históricos na região são ossadas humanas e utensílios da pedra polida e lascada encontrados nestes sítios.

Os sítios arqueológicos estão espalhados por toda região de Santana do Matos. Alguns são de fácil acesso, podendo-se chegar de carro até o local. Outros estão localizados em lugares de mais difícil acesso. Para chegar até eles, é preciso percorrer um longo caminho a pé. Um destes sítios fica no alto da Serra do Basso, onde há uma loca repleta de pinturas rupestres.

A trilha que leva ao topo da serra é um atrativo à parte. É uma prazerosa caminhada passando por rios, plantações, casas típicas da zona rural e ainda por lajedos repletos de rochas arredondadas e com outros formatos curiosos. No alto da serra, o visual é de tirar o fôlego. Não é difícil encontrar no caminho lascas de sílex, um tipo de pedra cujos pedaços foram usados como ferramenta de corte pelos povos pré-históricos.

Fontes:
Colaboração de Ademar Macedo
Santana do Matos
http://wikimapia.org/7814002/pt/Santana-de-Matos-Rio-Grande-do-Norte-Brasil
http://www.vivaviver.com.br/viagens/rn_pre_historico_conheca_santana_do_matos/973/

Moacyr Scliar (A Volta do Filho Pródigo)


"Cerca de 30 mil crianças e adolescentes fogem todo ano no Brasil. Oitenta por cento voltam para casa. Dificuldades com a família e busca de independência são as causas mais freqüentes das fugas. A volta é acompanhada de arrependimento". Folhateen, 28.mar.2005

Meus pais não me compreendem, ele pensava sempre. As brigas, em casa, eram freqüentes. Os pais reclamavam do som muito alto, das roupas estranhas, das tatuagens. Revoltado, decidiu fugir de casa. Sabia que, para seus velhos, aquilo seria uma dura prova: afinal, ele era filho único. Mas estava na hora de mostrar que não era mais criança. Estava na hora de dar a eles uma lição. Botou algumas coisas na mochila e, uma madrugada, deixou o apartamento. Tomou um ônibus e foi para uma cidade distante, onde tinha amigos.

Ali ficou por vários meses. Não foi uma experiência gratificante, longe disso. Os amigos só o ajudaram na primeira semana. Depois disso ficou entregue à própria sorte. Teve de trabalhar como ajudante de cozinha, morava num barraco, foi assaltado várias vezes, até fome passou. Finalmente resolveu voltar. Mandou um e-mail, dizendo que estaria em casa daí a dois dias. E, lembrando que a mãe era uma grande leitora da Bíblia, assinou-se como "Filho Pródigo".

Chegou de noite, cansado, e foi direto para o prédio onde morava. Como já não tinha chave do apartamento, bateu à porta. E aí a surpresa, a terrível surpresa.
O homem que estava ali não era seu pai. Na verdade, ele nem sequer o conhecia. Mas o simpático senhor sabia quem era ele: você deve ser o Fábio, disse, e convidou-o a entrar. Explicou que tinha comprado o apartamento em uma imobiliária:

- Seus pais não moram mais aqui. Eles se separaram.

A causa da separação tinha sido exatamente a fuga do Fábio:

- Depois que você foi embora, eles começaram a brigar, um responsabilizando o outro por sua fuga. Terminaram se separando. Seu pai foi para o exterior. De sua mãe, não sei. Parece que também mudou de cidade, mas não sei qual.

Fábio não agüentou mais: caiu em prantos. O homem se aproximou dele, abraçou-o. Entre aqui no seu antigo quarto, disse, tenho uma coisa para lhe mostrar. Ainda soluçando, Fábio entrou. E ali estavam, claro, o pai e a mãe, ambos rindo e chorando ao mesmo tempo. Tinha sido tudo uma encenação. Abraçaram-se, Fábio jurando que nunca mais sairia de casa.

A verdade, porém, é que não gostou da brincadeira, mesmo que ela tenha lhe ensinado muita coisa. Os pais, ele acha, não podiam ter feito aquilo. Se fizeram, é por uma única razão: não o compreendem. Um dia, ele terá de sair de casa. Mais tarde, naturalmente, quando for homem, quando tiver sua própria casa. Só que aí levará os pais junto. Pais travessos como os que ele tem precisam ser controlados.

Fontes:
Escritores do Sul
Imagem = http://mqccpinhais.blogspot.com

Monteiro Lobato (Histórias de Tia Nastácia) XXII – O Macaco e o Coelho


Um macaco e um coelho fizeram a combinação de um matar as borboletas e outro matar as cobras. Logo depois o coelho dormiu. O macaco veio e puxou--lhe as orelhas.

— Que é isso? — gritou o coelho, acordando dum pulo.

O macaco deu uma risada.

— Ah, ah! Pensei que fossem duas borboletas...

O coelho danou com a brincadeira e disse lá consigo: "Espere que te curo."

Logo depois o macaco se sentou numa pedra para comer uma banana. O coelho veio por trás, com um pau, e lept! — pregou-lhe uma grande paulada no rabo.

O macaco deu um berro, pulando para cima duma árvore, a gemer.

— Desculpe, amigo — disse lá debaixo o coelho. — Vi aquele rabo torcidinho em cima da pedra e pensei que fosse cobra.

Foi desde aí que o coelho, de medo do macaco vingar-se, passou a morar em buracos.
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— Bravos! — exclamou Emília. — Gostei da historinha. Vale por todas as outras que tia Nastácia contou. Está bem engraçada. Viva o coelho!

— E também nesta o macaco sai levando na cabeça — observou Narizinho. — O coelho, que é um coitado, mostrou-se mais inteligente.

— Por que mais inteligente? — contestou o menino. — Mostrou-se, sim, mais mau, porque o macaco apenas lhe puxou as orelhas e ele moeu o rabo do macaco.

— A inteligência do coelho veio depois — disse Narizinho — quando tratou de morar em buraco para livrar-se da vingança do macaco.

— Pois é — observou Emília. — Apesar da sua fama de inteligente e esperto, e de avô do homem, o macaco, pelo menos nas histórias, nem sempre fica de cima.

— Vocês precisam ler — disse dona Benta — as histórias de macacos que Rudyard Kipling conta naquele livro de Mowgli, o Menino Lobo. Esses macacos de Kipling são os Bandarlogs, nome de certos macacos da Índia. Os outros animais os desprezam, por causa da sua leviandade, da sua falta de seriedade, das suas molecagens. São uns perfeitos louquinhos, os macacos.

— Até parecem homens — disse Emília, que fazia muito pouco caso nos homens.

— Macaco é bobo — disse tia Nastácia — mas às vezes acerta a mão e sai ganhando — como aquele que logrou a onça.

— Conte, conte, pediram os meninos.
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Continua… XXIII – O Macaco e o Aluá
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Fonte:
LOBATO, Monteiro. Histórias de Tia Nastácia. SP: Brasiliense, 1995.
Este livro foi digitalizado e distribuído GRATUITAMENTE pela equipe Digital Source

Lucia Constantino (Nossa Senhora dos Sonhos)


Maria,
Há quanto tempo olho as nuvens,
esperando ver-Te numa estrela despertada
em pleno dia.

Há quanto tempo
deixei de contar ao sol os meus sonhos
porque a chuva sempre me surpreende
a caminho do Teu olhar.

Há noites, Maria,
em que penso ouvir Tua voz
na harpa que o vento toca nas ramagens
e meus ouvidos assemelham-se à terra
aguardando a semente que gerará a primavera.

Maria, Maria....
um a um os anjos me dizem de Ti
quando mal distingo as luzes do dia
entre as brumas dos meus olhos.
Vejo-os brincarem ao nascer de cada dia,
vejo-os rolarem pela grama e latirem para mim
seu bom dia de amor.

Eles me dizem de Ti
em cada pétala que o vento leva,
em cada pássaro que me sorri
do beiral do mundo, me dizendo
estou aqui esperando a chuva passar
para cumprir a vida.

Maria,
Mãe de todas as cores
do arco-íris por onde caminham os sonhos,
da Tua luz sobre a noite mais brilhante,
doa-me o sentir cada novo dia
como aquela Tua Noite de Paz.

Batista de Lima (O Demolidor de Mitos)


A poesia do Poeta de Meia-Tigela se alicerça sobre os escombros da mitologia que lhe incutiram ao longo dos anos, mas que ele preferiu escarafunchar nesse seu mais recente livro. O livro tem como título "Concerto nº 1nico em mim maior para palavra e orquestra. Poema". Ainda tem um subtítulo "Combinação de realidades puramente imaginárias". Fica assim o leitor, logo de início, encafifado com essa volúpia verbal que parece não dizer nada mas termina por dizer tudo.

O primeiro mito que ele destrói é o seu próprio nome sacralizado na pia batismal e referendado no cartório de registro civil. Como não foi nome da sua escolha, ele então mudou para Poeta de Meia-Tigela. Só há um momento do livro em que aparece seu nome oficial: Alves de Aquino.

Mesmo assim, o primeiro não aparece. Após esse desfazimento da veste antiga, ele começa fustigando Shakespeare no seu "Sonho de uma noite de verão", e tange Dante das profundas dos infernos às delícias do paraíso no mesmo itinerário do poeta Virgílio no momento do seu resgate. Isso tudo levando a tiracolo Antônio Conselheiro e a procissão de seus beatos. E pode não ser nada disso, mas sugere.

Meia Tigela é um poeta semiótico. E quem não é? Mas no caso dele os signos verbais são transformados em não verbais através da desconstrução que opera sobre metáforas cansadas de tanto uso. Ele dilapida conteúdos, destrói fórmulas e endoida leitores.

Não é bobo, no entanto, esse poeta de tigela e meia. Chamou logo para prefaciar seu livro o professor Sânzio de Azevedo, maior conhecedor da Literatura Cearense e exímio desmontador de formas e fórmulas poéticas. Por isso que o professor Sânzio ficou "Antes dos Versos", diante da parafernália literária que Tigela derramou ao longo das 343 páginas do livro que a Expressão Gráfica Editora teve coragem de editar. Afinal, nem Osman Lins tanto ousou.

Para posfaciar esse seu libelo poético, ele conseguiu a adesão de Nilto Maciel, guru dessa mais recente geração de escritores cearenses. Nilto o classifica, acertadamente, logo no título, de "Vampiro". Depois verifica que para ler esse "Concerto" é preciso participar da brincadeira, do jogo que o poeta instaura. Para entrar nesse jogo é preciso entender de brinquedos verbais. Nesse comportamento lúdico, Nilto Maciel, diferentemente de Sânzio de Azevedo, deixou de lado a forma para mergulhar no conteúdo, fez muito mais uma análise no nível da metáfora. É aí que constatamos, como diz o crítico, que essa desconstrução tigeleana começa da mitologia grega e vem ao horóscopo dos jornais atuais.

Meia Tigela dilapida velhas construções à moda Alcides Pinto, Carlos Emílio Corrêa Lima e Gerardo Melo Mourão. Ao mesmo tempo reconstrói a seu modo a terra arrasada, inclusive fustigando a alienação ortográfica a que se submetem escritores tradicionalistas. Modifica a grafia dos vocábulos, dando-lhes uma forma mais convincente que aquela que eles oficialmente portam. Quando ele escreve "abissurdo" está bem mais próxima a grafia do seu som, do que na versão dicionarizada. O mesmo acontece com "iguinora" e com outras palavras dos poemas. Fica então patenteada sua vocação motivadora de signos. Desconstruir arbitrariedades verbais é dar uma função metalinguística inovadora às palavras.

A partir dessas desconstruções, pode-se pensar enganosamente que a função de sua poética é apenas deletéria daquilo que por aí está posto. Ledo engano de quem assim pensar. Meia Tigela tem o domínio dos versos nas suas feições mais tradicionais. No segundo movimento de seu "Concerto", quando ele trata de "Os prisioneiros", é impressionante o seu domínio do soneto clássico. "Achando pouco tal demolição", seu estro se volta para a confecção de sonetos clássicos de forma decassilábica até em rimas ABBA, ABBA CDC DCD como em "De virtude", um poema lapidado à beira da perfeição. É aí onde o leitor precisa parar e se extasiar com a eloquência do poeta.

Até sua depressão é eloquente. Afinal, é no seu momento de melancolia quando entra em cena o vampiro enfadado de dar conselhos. É então que todo um vocabulário é posto de oitiva para servir à tristeza: "merencório", "penseroso", "esquizofrênico", "misantropo", "anacoreta", "tartamudo", "macambúzio", "encabulado", "abirobado", "atarantado", "azarado", "songamonga", "mocorongo", "nefelibata", "rastaquera", "sotrancão", "estercorário" e por aí vem uma desvampiragem escorrendo pela eloquência de uma autoestimada zerada. Essa insônia constipada que vê a porta mas não vê a chave, se esvai pelas frechas e contamina o leitor, levando-o também a essa "vidinha solidã".

Esse livro do Poeta de Meia-Tigela é tão contaminador que o próprio autor a certa altura de sua trajetória criou um compartimento chamado de "Mantenha Distância". Depois ainda prega o aviso: "Este poema está temporariamente programado para não receber chamadas". Mais adiante ele chega a suplicar: "Leitor amigo, por que insistir em ler? Quando bastaria me olhasses adentrolhos?" Essa tentativa de afastar a aproximação do leitor da sua poesia é pura ciumeira. Depois da obra pronta, beirando a perfeição, o poeta se narcisa, se enamora do que fez, à sua imagem e semelhança, convence-se de que criou uma bela obra de arte e agora não quer dividir o prazer de possuí-la com seu concorrente leitor. Isso tudo mostra que esse Poeta de Meia-Tigela é poeta de muitas tigelas e meias.

Fonte:
Literatura Sem Fronteiras

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Trova 194 - Antonio Juraci Siqueira (Belém/PA)

Montagem da Trova sobre imagens obtidas em Imagem = http://ajursp.romandie.com (delegacia) e http://www.acatolica.com/ (homem apontando o dedo)

Monteiro Lobato (Histórias de Tia Nastácia) XXI – O Rabo do Macaco


Era um macaco que resolveu sair pelo mundo a fazer negócios. Pensou, pensou e foi colocar-se numa estrada, por onde vinha vindo, lá longe, um carro de boi. Atravessou a cauda na estrada e ficou esperando.

Quando o carro chegou e o carreiro viu aquele rabo atravessado no caminho, deteve-se e disse:

— Macaco, tire o rabo da estrada, senão passo por cima.

— Não tiro! — respondeu o macaco — e o carreiro passou e a roda cortou o rabo do macaco.

O bichinho fez um barulho medonho.

— Eu quero meu rabo, eu quero meu rabo — ou então uma faca!

Tanto atormentou o carreiro que este sacou da cintura a faca e disse:

— Tome lá, seu macaco dos quintos, mas pare com esse berreiro, que está me deixando zonzo.

O macaco lá se foi, muito contente da vida, com a sua faca de ponta na mão.

"Perdi meu rabo, ganhei uma faca! Tin-glin, tinglin, vou agora para Angola!"

Seguiu caminho. Logo adiante deu com um tio velho que estava fazendo balaios e cortava o cipó com os dentes.

— Olá, amigo! — berrou o macaco. — Estou com dó de você, palavra! Onde já se viu cortar cipó com os dentes? Tome esta faca de ponta.

O negro pegou a faca mas quando foi cortar o primeiro cipó a faca se partiu pelo meio. O macaco botou a boca no mundo.

— Eu quero, eu quero minha faca — ou então um balaio!

O negro, tonto com a gritaria, acabou dando um balaio velho para aquela peste de macaco — que, muito contente da vida, lá se foi cantarolando: "Perdi meu rabo, ganhei uma faca; perdi minha faca, pilhei um balaio! Tinglin, tinglin, vou agora para Angola!"

Seguiu caminho. Mais adiante encontrou uma mulher tirando pães do forno, que recolhia na saia.

— Ora, minha sinhá — disse o macaco — onde se viu recolher pão no colo? Ponha-os neste balaio.

A mulher aceitou o balaio, mas quando começou a botar os pães dentro, o balaio furou. O macaco pôs a boca no mundo.

— Eu quero, eu quero o meu balaio — ou então me dê um pão.

Tanto gritou que a mulher, atordoada, deu-lhe um pão. E o macaco saiu a pular, cantarolando: "Perdi meu rabo, ganhei uma faca; perdi minha faca, pilhei um balaio; perdi meu balaio, ganhei um pão. Tinglin, tinglin, vou agora para Angola!"

E lá se foi, muito contente da vida, comendo o pão.

— Foi para onde? — indagou Emília. — Para Angola?

— Sei lá para onde o macaco foi! — respondeu tia Nastácia. — Para Angola não havia de ser, que é muito longe. Foi para o mato, que é a Angola dos macacos.

— Esperei que a história acabasse melhor — disse Narizinho. — A esperteza do macaco para ganhar coisas está boa, apesar de que isso de dar parte do corpo em troca duma faca não me parece negócio. Mas o inventor da história chegou no meio e não soube como continuar; por isso parou no pão.
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— É, sim — concordou Pedrinho. — Ele devia fazer o macaco ir ganhando coisas de valor cada vez maior, para mostrar que com esperteza uma pessoa consegue tudo quanto quer na vida. Mas o pobre macaco fazia os negócios e ia ficando na mesma. Saía perdendo sempre.

— Bobinho! — exclamou Emília. — Dar a cauda por uma faca ordinaríssima, que quebra ao cortar um cipó, parece-me o pior negócio do mundo. Depois trocou a faca por um balaio velho e podre. Outro negócio péssimo. E acabou trocando o balaio por um pão. Comeu o pão e ficou sem balaio, sem faca e sem cauda. Isso é mesmo o que se chama "negócio de macaco". E ainda acham que macaco é bicho ladino! — observou a menina.

— Não — disse dona Benta. — Nas histórias populares o mais ladino não é o macaco, sim a raposa e o jabuti. A raposa, ladiníssima, sai ganhando sempre. Chegou a ficar o símbolo da esperteza. Quando queremos frisar a manha dum político, dizemos: É uma raposa velha! E o jabuti, não sei por que, também ficou com fama de fino. O macaco, coitado, faz suas espertezas mas nem sempre sai ganhando. Esse de tia Nastácia, por exemplo. Lá foi, muito contente da vida, a comer o pão — mas não se lembrou de que estava sem cauda.

— Tolinho! — gritou Emília. — Quando for trepar a uma árvore é que verá a asneira que fez. Macaco sem cauda é macaco aleijado. Eles fazem na floresta aqueles prodígios de agilidade justamente por causa da cauda. Idiota!
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Continua… XXII – O Macaco e o Coelho
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Fonte:
LOBATO, Monteiro. Histórias de Tia Nastácia. SP: Brasiliense, 1995.
Este livro foi digitalizado e distribuído GRATUITAMENTE pela equipe Digital Source

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 199)


Uma Trova Nacional

Só mesmo um Deus poderia
sair dos braços da cruz
e perdoar a utopia
dos que mataram Jesus!
–FLÁVIO STEFANI/RS–

Uma Trova Potiguar

O trabalho me norteia
e dele eu não me despeço,
pois quero meu grão de areia
na construção do progresso.
–JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN–

Uma Trova Premiada


2007 - Bandeirantes/PR Tema: DESVELO - Venc.

Merece este amor perfeito
desvelos de passarinho
que arranca as penas do peito
para aquecer o seu ninho.
–ARLINDO TADEU HAGEN/MG–

...E Suas Trovas Ficaram

Nos pés só calço uma sola,
presa por alça num dedo;
quantos me chamam carola...
mas é de Deus meu segredo.
–EVA REIS/MG–

Simplesmente Poesia

–RAYMUNDO DE SALLES BRASIL/BA–
Bom Dia


Certa vez ia passando
Numa calçada de rua,
Vi uma velha esmolando,
Maltrapilha, seminua nua.
Constrangeu-me aquela cena.
Eu fiquei morto de pena,
Movido de compaixão,
Reconheci a velhinha,
Ela teve uma casinha,
Fornecia refeição.

E eu também fui seu freguês
Dos seus PFs baratos
No tempo da escassez,
Lá eu batia bons pratos.
Estudante sem recurso,
Ela me ajudou no curso
E sem saber que o fazia.
Quando a vi naquele estado,
Eu me senti consternado,
Não foi pra mim um BOM DIA.

Estrofe do Dia

A leitura habitual
Reserva muita surpresa.
Cada livro duma estante,
Que se põe sobre uma mesa,
Quando não tira uma dúvida,
Fortalece uma certeza.
–ZÉ FERREIRA/PI–

Soneto do Dia

–PEDRO BANDEIRA/CE–
Um Traje Para o Meu Amor

Vou te dar uma anágua diamantina
Rendilhada de estrela e ventania,
Perfumada de aragem da campina,
Com babados da cor da luz do dia.

A calcinha, do azul da serrania,
Pontilhada de nuvens e neblina
E um corpete que traga a mataria
Estampada formando uma cortina.

Umas meias cinzentas como a serra,
As sandálias mais pardas que a terra.
E esse traje, te peço, nunca tires.

Permaneça vestida o tempo inteiro
Numa saia da cor de um nevoeiro
E uma blusa da cor do arco-íris.
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Extremoz

Extremoz é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte, pertencente à Região Metropolitana de Natal, microrregião de Natal, mesorregião do Leste Potiguar e ao Polo Costa das Dunas. De acordo com o IBGE, em 2010, sua população foi contada em 24 550 habitantes, sendo o vigésimo município mais populoso do estado. Localiza a norte de Natal (capital do estado), distante desta cerca de dezesseis quilômetros, tendo como principal atração turistica a Praia de Genipabu e suas dunas.

A cidade recebeu este nome pela sua localização geográfica ao norte da capital e tem uma área territorial de 126 km².


História

As terras que hoje formam o município de Extremoz, no passado tinham outros habitantes: os índios Tupis e Paiacus que viviam as margens da Lagoa de Guajirú atualmente conhecida como lagoa de Extremoz.

Em 1607, século XVII, o governo português na pessoa do seu capitão-mor Jerônimo de Albuquerque concedeu aos jesuítas a terra utilizada pela missão. Responsáveis pela catequese dos índios, os jesuítas estabeleceram a missão em Guajirú, construíram a igreja de São Miguel e a partir de então a sociedade tribal sofreu a influência de novos costumes alicerçados na doutrina cristã.

Em 1757, diante da invasão holandesa, os jesuítas foram expulsos e a aldeia que já abrigava cerca de 1429 pessoas foi elevada a condição de Vila. No dia 3 de maio de 1760 a vila passa a se chamar Vila Nova de Extremoz do Norte. Segundo o historiador Câmara Cascudo, Extremoz foi a primeira Vila da Capitania do Rio Grande do Norte.

Nessa época a vila era importante centro econômico da região com a criação de gado, antes da chegada do cultivo da cana-de-açúcar. Dessa época, os moradores preservam na memória coletiva lendas como a da cobra, a do carro caído, e a do tesouro enterrado nos alicerces da igreja. Diz a lenda que a população na tentativa de encontrá-lo, destruiu a igreja na qual hoje só se vê ruínas.

Entretanto em 18 de Agosto de 1885 a Lei Provincial n.º 321 incorporou a Vila de Nova Extremoz ao povoado de Boca da Mata, que recebeu a denominação de Vila de Ceará Mirim. Apena em 4 de abril de 1963 Extremoz recuperou sua autonomia, tornando-se Município do Rio Grande do Norte.


Cultura

Ruínas da antiga Vila, capela de São Miguel e convento de Extremoz - tombado a 18 de Dezembro de 1990.

A Matriz de São Miguel foi considerada por Câmara Cascudo como a mais bela igreja colonial do estado erguida no barroco, tinha 16m de altura, 13,5m de largura, 30m de comprimento e paredes com 80 cm de largura. Servia de igreja residência dos jesuítas. Foi nessa igreja que o índio Poti, Antônio Felipe Camarão, foi batizado na manhã de 13 de Junho de 1612. Aos 30 anos recebeu os nomes de Antônio em homenagem ao santo do dia, Felipe em homenagem ao rei Felipe da Espanha e "Camarão" a tradução de seu nome (Poti). Mais tarde casou-se, na mesma igreja, com Clara, índia de nação potiguar.


Praias

Redinha

Porta de entrada para o Litoral Norte do Rio Grande do Norte, a Redinha é a mais antiga vila de pescadores da região. Até hoje ainda se vêem construções como a da antiga igreja de pedra de Nossa Senhora da Apresentação. A praia fica no encontro do rio com o mar, o que dar a opção de banhar-se tanto em águas doces como salgadas, além de possuir uma ampla estrutura de quiosques à beira do rio e do mar, na Redinha, ainda pode-se encontrar o antigo mercado, onde se come a mais tradicional e deliciosa Ginga (tipo de peixe pequeno) com Tapioca do estado.

Santa Rita

Praia típica de veraneio, com poucos bares e barracas de praia, e pouca movimentação de banhistas. Situada no município de Extremoz, Santa Rita é a primeira a exibir o aparecimento das Dunas, típicas do Litoral Norte.

Genipabu

Com certeza o cartão postal mais famoso do Rio Grande do Norte. Com suas dunas imensas e sua lagoa de águas doces, Genipabu é um dos principais passeios do Litoral do estado. É nas dunas localizadas ao redor dessa lagoa que é comum a prática do esquibunda, onde os interessados descem as dunas em cima de pranchas de madeiras até cair na lagoa. Conta com uma infra-estrutura para atender os turistas, com restaurantes, pousadas, hotéis, barracas de praia, passeios de Buggy, jangada e dromedário nas areias da praia.

Pitangui

Pitangui, praia típica de pescadores, sua paisagem é recheada com coqueiros e palmeiras. Também uma das praias preferidas dos veranistas, com muitas casas e uma boa estrutura de restaurantes a beira mar.Pitangui é roteiro obrigatório nos passeios de Buggy graças as suas belíssimas dunas e suas lagoas. Na Lagoa de Pitangui além de restaurante também encontramos passeios de caiaque e pedalinho.

Fontes:

Mensagens Poéticas = Colaboração de Ademar Macedo


Extremoz

Wikipedia
Prefeitura Municipal de Extremoz
Imagem da Praia de Jenipabu

Luís Fernando Veríssimo (Na Fila)


- Olha a fila! Olha a fila! Tem gente furando aí.

- Tanta pressa só pra ver um caixão...

- Um caixão, não: o caixão do Dom Pedro.

- Como é que eu sei que é o Dom Pedro mesmo que está lá dentro?

-A gente tem que acreditar, ora. Já se acredita em tanta coisa que o Go...

- Com licença, é aqui a inauguração do Dom Pedro Segundo?

- Meu filho, duas coisas. Primeiro: não é segundo, é primeiro. E segundo a inauguração do viaduto foi ontem. Esta fila é para ver o caixão do Dom Pedro.

- Eles inauguraram o viaduto primeiro?

- Como, primeiro?

- Primeiro inauguraram o viaduto e depois chegou o Dom Pedro Segundo?

- Segundo, não, Primeiro!

- Primeiro o quê?

- O Dom Pedro! Dom Pedro Primeiro!

- Primeiro chegou o Dom Pedro e depois inauguraram o viaduto?

- Olha a fila!

- Primeiro inauguraram o Viaduto Dom Pedro Primeiro e, segundo, chegou o Dom Pedro Primeiro em pessoa. Quer dizer, no caixão. Está claro? E eu acho que o senhor está puxando conversa para pegar lugar na fila. Não pode, não, eu cheguei primeiro.

- Ouvi dizer que ele não serviu para nada.

- Como, para nada? E o grito? E a Independência?

- Não, o viaduto.

- Ah. Não sei. Mas é bonito. Como esse negócio todo, o caixão, os restos do Imperador, as bandeiras, Brasil e Portugal irmanados, essas coisas simbólicas e tal. Eu acho bacana.

- Olha a fila! Vamos andar, gente. Pra frente, Brasil.

Fonte:
HOHLFELDT, Antonio (seleção). Antologia da Literatura Rio-Grandense Contemporânea. Vol.2 Poesia e Crônica. RS: L&PM, 1979.

Poesia no Onibus 2011/2012 (Inscrições encerram-se neste sábado)


Termina neste sábado (30) o prazo para inscrições no programa Poesia no Ônibus - período 2011/2012 – versão Poetas do Comércio, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. As inscrições deverão ser enviadas exclusivamente via Correios para o endereço: Concurso Municipal do Programa Poesia no Ônibus – Edição 2011/20112, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Rua Julia Wanderley, 936, Centro, Cep 84010-170, Ponta Grossa, PR.

Nesse ano, poderão participar trabalhadores do comércio de todas as categorias, desde que as empresas que trabalham estejam localizadas em Ponta Grossa. O tema será livre e deverá ser produzido em língua portuguesa. Cada pessoa poderá inscrever até três poemas inéditos, que deverão ser encaminhados em envelope (tamanho folha A4), com AR, sem identificação pessoal no verso (a identificação virá apenas no recibo AR). Serão escolhidos 12 poemas para circularão nos ônibus de transporte público no período de julho de 2011 a junho de 2012.

O objetivo do programa é estimular e divulgar a produção literária dos escritores da cidade, sobretudo, tornando a arte acessível a todos e oferecendo à comunidade uma nova alternativa de acesso à arte literária, fomentando o hábito da leitura entre os ponta-grossenses, usuários do transporte coletivo.
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SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA E TURISMO

PROGRAMA POESIA NO ÔNIBUS
Edição 2011/12

POETAS DO COMÉRCIO

01. A Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, através da Secretaria de Cultura e Turismo e o SESC PR, por intermédio do SESC Ponta Grossa, com a finalidade de estimular a produção poética local, instituem o edital que regulamenta o PROGRAMA POESIA NO ÔNIBUS, período 2011/12 – versão Poetas do Comércio, de acordo com a Lei Municipal n. 6860/2002.

02. Poderão participar TRABALHADORES DO COMÉRCIO, de todas as categorias, desde que as empresas estejam localizadas no município de Ponta Grossa.

03. O tema será livre e em Língua Portuguesa.

04. Cada interessado poderá inscrever até 3 (três) poemas inéditos. Entenda-se por inédito o poema nunca premiado em outros concursos, nem publicado em livros, revistas ou jornais até a data de encerramento das inscrições deste concurso.

05. As inscrições estarão abertas no período de 14/03 a 15/04/2011,enviadas exclusivamente via Correios.

06. Os poemas inscritos deverão ser apresentados em 4 (quatro) cópias em formato A4, digitados com espaçamento 1,5 entre as linhas, nas fontes Times Roman ou Arial, tamanho 12. Não poderão ultrapassar 1 (uma) folha de papel A4, constando no início da folha apenas o título do poema, sem nome ou pseudônimo do participante. As 4 (quatro) cópias deverão ser postadas em envelope tamanho grande, com AR (aviso de recebimento), destinado para:

PROGRAMA POESIA NO ÔNIBUS
Edição 2011/12
Secretaria Municipal
Rua Julia Wanderley n 936
CEP 84010-170
Ponta Grossa – PR

OBS: os dados do remetente não deverão estar no verso do envelope grande, mas apenas no AR.

07. Em envelope menor, lacrado (que será colocado no interior do envelope grande) o participante adicionará os seguintes dados:

Na parte externa do envelope

-nominação do concurso “PROGRAMA POESIA NO ÔNIBUS”
-título(s) do(s) poema(s) inscrito(s)

No interior do envelope

-nome e endereço completos -telefones e e-mail para contato -c e comprovante de residência em nome do inscrito
-foto
– fotocópia da cédula de identidade
– carta de apresentação da empresa onde atua, confirmando a função que desempenha, data da contratação, departamento ou setor em que o participante trabalha.

08. Serão escolhidos 12 (doze) poemas para circulação nos veículos do Sistema Integrado de Transporte Urbano, no período de julho de 2011 a junho de 2012 .

09. Uma comissão julgadora referendada pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e SESC PR será responsável pela escolha dos 12 (doze) poemas.

10. Os vencedores terão seus poemas publicados na Antologia de Poesias, Contos e Crônicas do exercício de 2011, iniciativa da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa.

11. As inscrições fora das normas do concurso não serão aceitas.

12. Não poderão participar do concurso funcionários da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e integrantes dos Conselhos Municipais de Cultura, Patrimônio Cultural e Turismo de Ponta Grossa. Está vetada também a participação de funcionários do SESC PR, bem como seus parentes até o primeiro grau civil (afim ou consangüíneo).

13. O(s) poema(s) e os demais documentos entregues na inscrição não serão devolvidos após o concurso.

14. É de responsabilidade exclusiva do concorrente a observância e regularização de toda e qualquer questão relativa a direitos autorais sobre a obra inscrita.

15.Este edital atende ao disposto na Lei Federal nº 9.610 de 12/02/1998 sobre os direitos autorais.

16. Os autores das obras selecionadas automaticamente autorizam a publicação das mesmas na edição da antologia do concurso e a exposição nos ônibus do sistema de transporte de Ponta Grossa.

17. Os premiados concordam e permitem a divulgação de seu nome e imagem para a divulgação do concurso, sem qualquer ônus para os realizadores.

18. Os participantes declaram estar cientes e de acordo com este regulamento.

19. Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e SESC PR.

Elizabeth Silveira Schmidt
Secretária Municipal de Cultura e Turismo

Maristela Bruneri
Gerente Executiva do SESC Ponta Grossa

Fonte:
Colaboração da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Trova 193 - Aloísio Bezerra (Fortaleza/CE)

Ialmar Pio Schneider (Homenagens Póstumas em Soneto) 1


SONETO A RALPH WALDO EMERSON
poeta e pensador

Faleceu em 27.4.1882 – In Memoriam


Sendo filósofo e poeta nobre
cantou a natureza das herdades;
soube, também, como o escultor descobre
a estátua mais perfeita e nas verdades

que perquiriu, percebeu desdobre,
aos seus momentos de perplexidades…
Afirmou que nossa leitura é pobre
e que viajar são simples veleidades…

Mas no rol da genial Filosofia
que abrange seus escritos e a poesia
que nasce de permeio aos pensamentos,

qual um gigante americano, Emerson,
foi como um construtor neste Universo,
que soube demonstrar os seus talentos !

SONETO A MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO - In Memoriam
Morte em Paris em 26.4.1916

Dedicou-se a poetar sobremaneira;
deixa Coimbra e busca ser feliz
na França e na fantástica Paris,
tem a poesia como companheira…

Na vida breve, sua lida inteira
foi de poeta um céptico aprendiz;
e tanto persistiu e tanto quis
o ser, até na hora derradeira.

Cultuou o soneto, foi moderno,
e a Fernando Pessoa, seu amigo
e confidente, escreve cartas duras…

Outras vezes, porém, foi homem terno,
e sem explicação levou consigo
à tumba sepulcral, as desventuras…

SONETO AO POETA ÁLVARES DE AZEVEDO - IN MEMORIAM
Falecimento em 25.4.1852

Tua formosura cândida e mimosa
que me deslumbra os olhos e fascina,
é a luz esplendorosa entre a neblina
de minha vida triste e tenebrosa.

A face levemente cor-de-rosa,
os cabelos, a boca purpurina,
os negros olhos, a cintura fina,
oh que beleza de mulher formosa !

Por ti somente coroei de flores
os sonhos lindos que vivi contigo,
e suspirei em meio aos esplendores

que ornamentavam tua fronte linda.
Por ti somente, meu anjinho amigo,
- (eu vivo agora e viverei ainda) !

SONETO A WILLIAM SHAKESPEARE – IN MEMORIAM –
data do nascimento e morte do grande escritor, 23 de abril.

O fenômeno da Dramaturgia
William Shakespeare foi poeta,
cujos versos plenos de harmonia,
me suscitam a plástica de esteta…

São criações da mais alta poesia,
seus versos quais os salmos de profeta,
representam, além da fantasia,
as sublimes paixões de um´alma inquieta.

Para a Musa, a quem dedicou seu canto,
deixou a profecia que perdura
por séculos afora sem quebranto;

pois ela ficará neste Universo,
como a mais cativante criatura,
durante o tempo em que viver seu verso…

SONETO A TIRADENTES – IN MEMORIAM –
Morto em 21.4.1792

Nós estamos em pleno mês de abril,
quando reverenciamos com sapiência,
nosso Mártir maior da Independência,
o heróico Tiradentes varonil…

E demonstrando um forte amor febril,
não temeu entregar sua existência,
com denodo cabal e paciência,
querendo a liberdade do Brasil.

Há de permanecer sua memória,
com respeito de todas as nações,
porque jamais se apagará da História…

Exemplo de coragem inaudita,
representa às futuras gerações,
a imagem que será sempre bendita…

SONETO A AUGUSTO DOS ANJOS – IN MEMORIAM
Nascimento em 20 de Abril de 1884

Leio seus versos de poeta ousado,
e me comovo com a verve forte,
que se deprime qual um condenado,
a cada instante lamentando a sorte.

Mas foi um grande, embora desgraçado,
sem ter um lenitivo que o conforte,
em cada verso um passo encaminhado
rumo ao destino que o esperava: a morte !

E sendo um vândalo destruidor,
andou por “templos claros e risonhos”,
como num pesadelo com pavor…

Então, num ímpeto de iconoclastas,
“quebrou a imagem dos seus próprios sonhos”,
“erguendo os gládios e brandindo as hastas”!

SONETO PARA AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT - IN MEMORIAM
Data de nascimento do poeta em 18.4.1906

Sonetos vívidos de verso branco
trazem imagens do cotidiano,
o vate-poeta sincero e franco,
às vezes não esconde um desengano…

Seus poemas messiânicos são cânticos
que me suscitam o louvor dos salmos
evangélicos, bíblicos, românticos,
para se apreciar nos dias calmos…

“Eu vi a morta, Senhor !” Mas por que
sentir este tristor quando se vê
alguém que já partiu pra eternidade?

Foi o Poeta do Galo Branco assim
sentimental… chorava o triste fim
daquela que o deixava na saudade…

Fonte:
Colaboração de Ialmar Pio Schneider
Imagem = http://medievalegends.blogspot.com

Aparecido Raimundo de Souza (A Partir Deste Momento)


A partir deste momento a minha vida dá uma guinada de 180 graus. Diria que a historia do meu destino começou no instante, ou mais precisamente naquele minuto em que coloquei meus olhos em seu rosto. A partir dali, você passou a ser única, insubstituível, inigualável, inimitável...

Veja como a vida é engraçada e como nos prepara armadilhas pela estrada afora. Eu que não carregava mais esperanças, de repente me pego aqui, vencido, dominado, atraído, cativo desse amor que nasceu do nada e, de tão pouco, floresceu e prosperou de maneira desordenada. A tal ponto, diria, de criar raízes e atingir meu velho coração em cheio.

Desde então, tomei consciência, percebi que bem ao seu lado, e de mãos dadas, é onde eu me pertenço. Esse é o meu lugar escondido, secreto, longe da terra, sagrado. O cantinho de onde eu não posso e, claro, não pretendo jamais sair ou me afastar.

Me sinto agora, plenamente realizado. Totalmente afortunado e venturoso. Diria mais, abençoado e próspero por ter lhe encontrado. Às vezes me ponho a pensar: quem sabe, um anjo venturoso, vindo do infinito mais distante desta galáxia, me tenha trazido e dado você embrulhada num papel coberto de estrelas, com um laçarote de nuvens, acondicionada numa caixinha encantada. Pelo privilégio de ter sido escolhido e ganho essa dádiva (só pode ser uma benção), eu prometo que enquanto restar um sopro de vida dentro de meu ser, eu viverei somente para a sua felicidade.

Nesta hora, eu entrego minha mão pra você e, com ela, meu coração em festa, a alma em gozo intenso, o sangue a correr nas veias em regozijo pleno. Sei que não posso esperar mais. Para mim, aliás, não me é dado à paciência de poder esperar. O tempo urge, preme e se estreita. Corre afoito e destemido. Em igual passo, as horas também se alvoroçam, abrasadas pelo afluxo de quererem voar mais rápido. A vida, como um todo, tem pressa, e por essa impaciência, trafega ao meu lado numa velocidade espantosa. Mal consigo segurar a emoção.

Você é a razão maior para eu acreditar piamente no amor. No amor incondicional, sem máculas, sem meios termos, sem distinção de credo ou idade. Resumindo, você é a resposta concreta das minhas orações lá em cima.

Como foi bom saber, como me senti feliz ao descobrir que para o nosso amor ser completo e infindo, para poder seguir adiante e prosperar, só precisava unir nossas almas numa só. Só necessitávamos de nós dois. Veja, minha princesa, como a natureza é simples, e como o amor é humilde: nós dois num só trilhar e nada mais!...

Na verdade, eu sinto aqui dentro do peito – imagina –, pode até parecer loucura –, mas sinto que eu e você nunca nos separamos. Mesmo quando não nos conhecíamos, você vivia em mim e, de alguma forma magnânima, fazia parte do meu passado, como faz agora, do meu futuro. Quando nem pensávamos trocar olhares ou palavras, você já era a luz viva que eu enxergava na escuridão; o vento que soprava em meu rosto e desalinhava, com suavidade, os meus cabelos.

Meus sonhos se tornaram verdadeiros, por sua causa. E por conseqüência dessa causa, eu comecei a viver e a acreditar piamente no amanha.

Antes de você existir, eu vegetava corpo morto, sem esperanças de me reerguer, de me construir, enfim, de me refazer por inteiro. Antes de você chegar eu vagava solitário, destino, incerto, sem porto seguro, como um barquinho frágil perdido na imensidão de proceloso mar.

Por todas essas razões, eu vou amar você enquanto viver. Amar com a intensidade de um homem diante do seu primeiro amor.

Daqui a algum tempo, quando eu não mais puder abrir os olhos para contemplar seu sorriso, ou for impedido pelo passar do avanço da idade, de caminhar ao seu lado, por favor, amor, senta perto de mim, e canta, canta no meu ouvido, aquela musica nossa que eu gosto de ouvir junto com você nas nossas noites, no nosso quarto, na nossa cama: “From thes moment on”. Canta que eu me transportarei ao passado. Voltarei correndo, aos dias dos nossos encontros primeiros...

“A partir deste momento a vida começou
a partir deste momento você é o único
e bem ao seu lado é onde eu pertenço...
A partir deste momento
eu fui abençoada
e vivo somente para sua felicidade
e pelo seu amor eu darei o meu último suspiro...
A partir deste momento em diante
eu entrego minha mão pra você com todo meu coração
não posso esperar para viver minha vida com você
ela é agora, precisa ser vivida agora
você e eu nunca nos separamos
meus sonhos se tornaram realidade por sua causa
a partir deste momento e enquanto eu viver
eu vou te amar, eu te prometo isso
e não há nada que eu não daria
a partir deste momento em diante.
Você é a razão para eu acreditar no amor
Você é a resposta das minhas orações lá em cima
Tudo que nós precisamos é somente de nós dois
Meus sonhos se tornaram realidade por sua causa
A partir deste momento e enquanto eu viver
Eu vou te amar, eu te prometo isto
E não há nada que eu não daria
A partir deste momento
Eu vou te amar
EU VOU TE AMAR ENQUANTO EU VIVER...”.

Fonte:
Para Ler e Pensar

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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