Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Cristovão Tezza (Uma Noite em Curitiba)

Análise por Lívio Leonni Silva de Carvalho

Uma noite em Curitiba" é uma obra de vários conceitos, embora seja fictícia, pode apresentar várias interpretações. Analisando o autor juntamente com a obra, "Uma noite em Curitiba" deixa de ser ficção e desta visão, não é uma mera coincidência com a vida, história e personagem. Para alguns leitores, fica claro que Cristovão Tezza se projeta no livro, sendo o personagem principal um professor universitário tal qual o mesmo. O desencadear dos fatos, os acontecimentos podem ser os mesmos conflitos do autor-professor.

São 131 páginas de pura história. O começo maçante nos faz querer desistir da leitura, mas por algum motivo, cria-se a necessidade de continuar lendo-o, talvez por súbita curiosidade ou apenas para saber qual o desfecho que toma um pai - professor - frustrado perfeitamente mascarado, uma mãe - submissa, um filho - rebelde e uma filha - ausente, formando a total idéia da falsa - família. Do meio em diante, é um livro que prende atenção, até porque, muitos se deparam com a mesma situação, e aliás, esse talvez seja o segundo motivo para que se recomende tal leitura (identificação pessoal). O primeiro, é claro, na utilização no vestibular da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Fora isso, não nos apetece muito ler sobre uma história "água com açucar" de final trágico quase previsível.

Mas até que ponto essa história que se assemelha tanto com a realidade, é assim tão "água com açucar"? Aí, uma maresia turbulenta? De professor para professor, uma frustação aparece quando não se ensina, a vida é um aprendizado, então só podemos ser todos alunos. E quem sabe pais, filhos, escritores... alunos.

"Uma noite em Curitiba"

Resumo:


O livro conta a estória do professor Frederico Rennan e a paixão deste por uma atriz de cinema.

A trajetória da estória, narrada pelo seu filho, revela surpreendente vida obscura de um homem respeitadíssimo em seu meio profissional.
O filho, ex-drogado, desprestigiado pelo pai, pré-vestibulando, passa a ser um oculto observador das mudanças comportamentais do professor Rennan.

Frederico Rennan é catedrático de História na Universidade do Paraná. Vive com sua mulher Margarida, seu filho, num razoável apartamento em Curitiba. Dos conflitos familiares, há a filha Lucila, espécie de "ovelha negra" que havia fugido de casa, voltara com um filho e pouco tempo depois retomou a estrada, sem notícias, avisos ou similares. Desapareceu. O filho, com alguma dependência de drogas, tinha ainda contra si, um acidente automobilístico, que o levara ao hospital e lhe deixara, como recordação, uma placa de metal no cérebro.
Mas, para o professor, estes "acidentes" nunca o afetaram. Sua vida estava acima dos dissabores. O livro começa revelando as cartas do professor para a atriz Sara Denovan, convidando-a para um ciclo de palestras sobre literatura brasileira.

Sara foi a estrela dos filmes "Senhora" e "Minas de Prata". O professor, respeitosamente, deseja, para o brilho do ciclo, a presença ilustre da atriz.
Aos poucos, as cartas de confirmação, reserva, etc., são freqüentes e permutadas com telefonemas a cobrar, feitos à noite, para a residência do professor.

As cartas são expostas na obra, uma a uma, num total de vinte.
As cartas vão revelando uma outra ligação do professor com a Sara.

Chega o ciclo e explode a paixão de Rennan por Sara. Os dias do ciclo curitibano, são de paixões, descontroles, noites de insônia e juvenis rejuvenecimentos.
Acresce a isso, o resgate de uma ligação de mais de vinte entre o professor e Sara.
Haviam convivido, na época da ditadura militar, ela como Maria, ele como ativista de um aparelho revolucionário. Em cima disso, uma verdade mais sinistra, computa-se um assassinato praticado pelo Professor e Sara, numa passeata, matando um fotógrafo.
 
As revelações e as paixões se sucederão pelas cartas e se encaminham para o epílogo. O Professor requer a aposentadoria e desaparece. Nenhuma notícia. Margarida e o filho não tem explicações, exceto pelo conhecimento que este tinha das relações do pai.
Seu desaparecimento e sua posterior localização numa publicação com foto, ao lado de Sara, em São Paulo.

Desapareceu e foi viver com Sara.

Margarida resiste, busca soluções e a filha Lucila retorna, para, pouco depois, ir embora.

Algum tempo depois a notícia do suicídio do professor, atirando-se de um edifício em São Paulo. A companheira seguira para a Europa, após, breve ligação com o historiador.

O filho e a namorada Fernanda, resolvem publicar as cartas e a história.

O principal motivo foi o financeiro.

A obra poderia custear parte da vida deles.

O livro, assim colocado, mostra o lado obscuro e fascinante do personagem.

IV- Personagens

Professor Frederico Rennan
Professor de história, com vários trabalhos publicados, membro da Universidade do Paraná. Casado com Margarida, arquiteta sem atividade fora do lar. Dois filhos: o narrador da estória e Lucila, que abandonara a casa.

Sara Denovan
Atriz de teatro e cinema. Cinqüentona, charmosa, com razoável prestígio na mídia. Na sua biografia, o nome correto é Maria. Foi militante política e manteve uma secreta e breve relação com o professor num "aparelho clandestino". Os dois, numa história confusa e indefinida, envolveram-se num assassinato durante a época da repressão. Manterá uma relação com o Professor e, depois, irá descarta-lo.

O filho
Narrador da estória. Acompanhou todo o percurso do pai e seu ciclo de palestras que trouxeram a tona a atriz. Testemunha da paixão do professor, cúmplice indireto, desprezado pelo pai que o considerava um idiota. Ex-drogado, poeta eventual, conflituado, para que a mãe, não sofresse com o desenrolar dos fatos.

Dona Margarida
Esposa. Vida metódica, comum, rala, de dona de casa. Abdicara a carreira pelo lar. Permanentemente sofria de dores nas costas e cabeça. Dida, como depois é chamada, reage as mudanças do marido, com pequenas sua frente, reage sem nenhuma mudança mais substancial.

Lucila
Filha que abandonou a casa, fugindo com o namorado. Tempo depois, retornou com um filho e sem o namorado. Desaparece de novo e volta provisoriamente com a criança. Depois, segue seu rumo.

Fernanda
Companheira do narrador. Conheceram-se no curso de história. É prática e objetiva, sugere a venda da estória, para obterem dinheiro.

Paulo
Personagem indireto. Seria o sétimo amante-marido de Sara.
 
Fonte:
http://www.sosestudante.com/resumos-u/uma-noite-em-curitiba-2.html

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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