Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 26 de agosto de 2012

Fábio Lucas (Lançamento de “Peregrinações Amazônicas - História, Mitologia, Literatura”) em São Paulo, 30 de agosto

LETRASELVAGEM e ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS convidam para o lançamento do livro "PEREGRINAÇÕES AMAZÔNICAS - HISTÓRIA, MITOLOGIA, LITERATURA", de FÁBIO LUCAS.

LOCAL: Átrio da Academia Paulista de Letras (APL) –

Largo do Arouche, 324 – São Paulo / SP / Brasil.

DATA: 30 / agosto / 2012 (quinta-feira), a partir das 18h30 horas.

O LIVRO

A “realidade amazônica” desponta, neste livro de Fábio Lucas, autêntica e íntegra, como relembrança de uma “viagem” mais sentimental do que geográfica. Não mais o olhar alienígena – autossuficiente, arrogante e muitas vezes deformador – do naturalista, aventureiro ou “turista”, que insistia em afirmar que a Amazônia era apenas um espaço vazio e acéfalo, infestado de insetos, répteis e índios indignos de continuarem vivos.

Em suas “peregrinações”, Fábio Lucas escutou (e “eufonizou”, como diria Abguar Bastos, o paraense que propagou o Modernismo na Amazônia) as melhores vozes deste Brasil das catedralescas florestas e de uma malha fluvial com cerca de 4.000 rios; um Brasil muito falado e ainda tão pouco conhecido, embora represente 60% do território brasileiro; um Brasil que gera “preocupação” e desperta a cobiça nacional e estrangeira.

A Amazônia aguardava um livro como este de Fábio Lucas, que a interpretasse com senso crítico e sensibilidade, lançando luzes sobre questões mal-resolvidas. O estilo “grandíloquo e aliciante” de Euclides da Cunha, que ainda causa perplexidade em muitos, não paralisou o pensador social, o crítico literário meticuloso, que não titubeia em apontar-lhe os acertos – como, por exemplo, a atitude crítico-assimilativa que Euclides utilizou, “sem passividade e sem basbaquice”, em face da ciência estrangeira (p.68). Mas também mostra os erros, como o de considerar o sertanejo uma “sub-raça”, o negro e o índio “raças primitivas” e o cruzamento étnico “um desastre genético” (p.65).

Fábio Lucas observa que, não raro, o contexto de uma natureza física “grandíloqua e majestática” termina por invadir o texto da maior parte dos que se atrevem a movimentar personagens no cenário amazônico.

Com um olhar seletivo sobre o que já se pensou e escreveu “na” e “sobre” a Amazônia, Fábio Lucas estabelece um roteiro seguro e indispensável para quem quiser tomar posse do conhecimento existencial e filosófico dessa outra Amazônia que o Brasil e o mundo desconhecem – uma Amazônia pensante, sensível, inteligente, representada por escritores, poetas, ficcionistas, historiadores, sociólogos e filósofos de grande valor, como João de Jesus Paes Loureiro, Olga Savary, Thiago de Mello, Jorge Tufic, Astrid Cabral, Aníbal Beça, Age de Carvalho, Márcio Souza, Ferreira de Castro, Abguar Bastos, Inglez de Souza, Dalcídio Jurandir, Benedicto Monteiro, Nicodemos Sena, Leandro Tocantins, José Veríssimo, Arthur Cezar Ferreira Reis, Benedito Nunes... e tantos outros nomes significativos que passam pelas páginas deste livro imprescindível.

Fábio Lucas também amplia e enriquece o painel das ‘letras amazônicas’, tornando-o ainda mais representativo, ao incluir no seu campo de análise as obras de Ferreira Gullar e Nauro Machado, dois ícones da poesia do Maranhão, Estado situado em zona de transição entre o Norte e o Nordeste brasileiros, e que, histórica e geograficamente, mantém fortes vínculos com a Amazônia.

O AUTOR

Fábio Lucas nasceu em Esmeraldas (MG), no dia 27 de julho de 1931. Professor, ensaísta, tradutor, crítico e teórico da Literatura, lecionou em seis universidades norte-americanas, cinco universidades brasileiras e uma portuguesa. Dirigiu o Instituto Nacional do Livro em Brasília, bem como a Faculdade Paulistana de Ciências e Letras. É autor de mais de 50 obras de crítica e ciências sociais. É considerado um dos mais importantes críticos e conferencistas internacionais da Literatura Brasileira.

Em seu discurso de posse na Academia Mineira de Letras, em 19 de outubro de 1961, disse: “O livro é o objeto de quase todas as horas de que disponho”. Com tal paixão tornou-se um dos principais membros da geração literária mineira que fundou, em Belo Horizonte, as revistas “Vocação” (1951) e “Tendência” (1957), em cujas equipes participaram o poeta Affonso Ávila e o romancista Rui Mourão.

Em 1953, Fábio Lucas graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, e, em 1963, concluiu doutorado em Direito Público, em Economia e História das Doutrinas Econômicas pela Fafich/UFMG. Na mesma Universidade, tornou-se professor de Teoria da Renda e Repartição da Renda Social na Faculdade de Ciências Econômicas, em que teve mestres como Emílio Moura e Francisco Iglésias como colega, sofrendo perseguições durante os sombrios anos da ditadura militar (1964-1975), quando lhe retiram a cadeira em que lecionava, o que o obriga a partir para o exterior.

Em sua extensa produção, destacam-se: Poesia e prosa no Brasil: Clarice, Gonzaga, Machado e Murilo Mendes (1976), Vanguarda, História e ideologia da literatura (1985), Fontes literárias portuguesas (1991), Do barroco ao moderno (1989), Mineiranças (1991), Cartas a Mário de Andrade (1993), Jorge de Lima e Ferreira Gullar, o longe e o perto (1995), Luzes e Trevas, Minas Gerais no séc. XVIII (1998), Murilo Mendes, poeta e prosador (2001), Literatura e comunicação na era da eletrônica (2001), Expressões da identidade brasileira (2002), O poeta e a mídia: Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo (2004), O poliedro da crítica (2009), O centro e a periferia de Machado de Assis (2010), Ficções de Guimarães Rosa: perspectivas (2011). Na ficção, produziu o romance A mais bela história do mundo (1996). Com O caráter social da literatura brasileira (Paz e Terra, 1970) conquistou o Prêmio Jabuti de Literatura, no setor “Estudos Brasileiros”, concedido pela Câmara Brasileira Livro. (Obs: O caráter social da literatura brasileira oferece um roteiro ímpar, seguro e obrigatório, para quem busca os melhores caminhos na brumosa seara das narrativas de cunho social no Brasil). Razão e emoção literária recebeu o Prêmio Crítica, “Os Melhores do Ano de 1982”, da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Em 1992, Fábio Lucas ganhou o Prêmio Juca Pato, como Intelectual do Ano, concedido pela União Brasileira de Escritores, juntamente com o jornal “Folha de São Paulo”. Em 2006 obteve o Prêmio Conrado Wessel na área de Literatura.

Quando da comemoração de seu aniversário, em 1997, em homenagem prestada pela grande imprensa de Minas Gerais, o escritor e jornalista Roberto Drummond definiu Fábio Lucas como o que há de melhor na Crítica no Brasil, ao lado de Antonio Candido e de Wilson Martins.

Acrescente-se que o compromisso do crítico Fábio Lucas, ao longo de seis décadas de intensa militância intelectual, estendeu-se para o campo das lutas cívicas. Todas as vezes em que a liberdade de organização e de expressão do pensamento esteve ameaçada, Fábio Lucas repudiou publicamente o autoritarismo.

Em 1984, por exemplo, participou do movimento político que exigia a redemocratização do Brasil. Como presidente, por cinco vezes, da União Brasileira de Escritores (UBE-SP), Fábio Lucas manteve a independência da instituição frente aos setores do livro ligados ao “mercado”, bem como resistiu às pressões do Estado – quer o Estado totalitário, implantado pelos militares em 1964, quer o Estado “democrático” que se lhe seguiu, o qual, já não com as armas impopulares da ditadura, mas com o emprego “simpático” (e legal!) do dinheiro público, tem aliciado e silenciado consciências.

Vice-Presidente da primeira Diretoria da Associação Brasileira de Direitos Repográficos (ABDR) como representante dos escritores, notabilizou-se pelo combate à pirataria e à fraude ao direito autoral. Foi membro titular do Conselho Nacional de Direito Autoral (CNDA) de 1989 a 1991.
Organizou, em 1985, o Congresso Internacional de Escritores do Brasil, em São Paulo, com a presença de 1200 escritores. Esteve, em 1995, na organização do primeiro Congresso de Escritores do interior de São Paulo. Também, em 1995, participou da organização do Congresso de Escritores do Mercosul.

Mais recentemente, Fábio Lucas presidiu a comissão de escritores que redigiu o Manifesto dos Escritores Brasileiros, que resultou das discussões, análises e deliberações do Congresso Brasileiro de Escritores, que se realizou de 12 a 15 de novembro de 2011, na cidade de Ribeirão Preto (SP).

Saindo da pequena Esmeraldas, Fábio Lucas soube conquistar – com trabalho, inteligência e a notória “prudência mineira” – todos os lugares por onde foi passando, até fixar-se na cosmopolita São Paulo, que acolheu a este ilustre mineiro e concedeu-lhe assento na Cadeira 27 da Academia Paulista de Letras (APL).

Fonte:
Letra Selvagem

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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