Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa (Guiné-Bissau) Parte final

Guiné Bissau

1. A Lírica

Estamos perante o capítulo menos expressivo do espaço literário africano de expressão portuguesa. Praticamente até antes da independência nacional não foi possível ultrapassar a fase da literatura colonial. E esta mesmo de reduzida extensão. Um homem que ali viveu por largos anos, Artur Augusto, escritor dotado, de origem cabo-verdiana, colaborador do primeiro número de Claridade, em Portugal e com larga vivência na Guiné-Bissau, ficou-se, ao que sabemos, por escassos contos publicados n'0 Mundo Português (1935 a 1936). A obra romanesca de Fausto Duarte (1903-1955): Auá, 1934; O negro um alma, 1935; Rumo ao degredo, 1939; A revolta, 1945; Foram estes os vencidos, 1945, cabo-verdiano por dilatados anos radicado na Guiné-Bissau, merece uma palavra especial. Mas é difícil, não obstante o seu empenhamento humanístico e de certa objectividade social, libertá-lo do peso colonial e credenciá-lo como verdadeiro escritor guineense. Deixou um romance inédito sobre cabo-verdianos. Testemunhará ele uma nova face da romanesca de Fausto Duarte? (Benjamin Pinto-Bull defendeu ultimamente na Sorbonne tese de doutoramento, que desconhecemos, sobre Fausto Duarte).

Com efeito, da Guiné-Bissau, durante a dominação portuguesa, não veio um poeta ou um romancista de mérito. Ali foram edificadas durante esse período as condições suficientes ao entrave do desenvolvimento criativo.

Com um índice altíssimo de analfabetismo, até há cerca de duas décadas sem ensino secundário, e só nos últimos anos abrangendo o sétimo ano dos liceus, o seu primeiro jornal (Pró-Guiné) surgido apenas em 1924, as suas infra-estruturas não possibilitaram o aparecimento de gerações letradas de onde poderiam ter saído vocações capazes de se responsabilizarem pelo surto de uma literatura guineense de expressão portuguesa num país de cerca de meio milhão de habitantes.

Nas duas últimas décadas do domínio colonial apenas uma actividade cultural oficial se fez sentir, orientada, porém, para os sectores da investigação histórica e etnográfica (Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, 1946-1973), e sempre marcada, é evidente, pelo espírito oficial. Em nada ou pouco alteram este quadro empobrecido.

O livro de Carlos Semedo (Poemas, 1963) também não modifica os dados desta análise, até porque se trata de obra de modesta qualidade estética. Amilcar Cabral, o fundador da nacionalidade, autor de alguns poemas mas de substância cabo-verdiana, optámos por incluí-lo na parte dedicada a Cabo Verde [119].

Ainda em plena guerra colonial tinha surgido, no ano de 1973, em português, o folheto de poesia Poilão, iniciativa do Grupo Desportivo e Cultural do Banco Nacional Ultramarino. Alguns dos poetas incluídos são guineenses. As suas vozes, necessariamente resguardadas, ou desviadas, ficam insignificativas. Embora durante a guerra colonial, nas áreas libertadas pelo P. A. I. G. C, se tivesse procedido a uma profunda alfabetização, compreende-se que a sua juventude, essencialmente empenhada na luta da libertação nacional, ou então retraída que vivia na capital (Poi/ão, em certa medida, pode ser um exemplo), só agora encontre os meios necessários para se revelar no plano da criação e construir a autêntica literatura do seu país.

O primeiro sinal é dado em Janeiro de 1977, com Mantenhas para quem luta! — a nova poesia da Guiné-Bissau. Iivrinho de cento e três páginas, que reúne catorze jovens poetas, onde o mais novo tem dezanove anos e o mais velho trinta. Acompanha-o um breve prefácio onde se diz: «Hoje, somos jovens trabalhadores no campo da poesia: esta não se define para nós, em termos puramente estéticos. A forma, destinando-se a garantir a eficácia da obra, a fazê-la atingir os objectivos visados, impõe-se como elemento manifestamente importante, mas o que lhe determina a qualidade é a função, pelo valor social que possa representar». A seguir uma questão que tem a ver com o espaço linguístico da Guiné-Bissau, povoado pelas línguas-mãe, pelo crioulo e ainda pela língua oficial, o português: «Se é verdade que esta poesia se escreve actualmente em crioulo e em português, cabe-nos a tarefa da sua fixação nas línguas nacionais, enquanto depositárias dos verdadeiros valores africanos».

Agnelo Augusto Regalia desenvolve um tema comum a outros poetas africanos, como, por exemplo, Costa Andrade e Henrique Guerra: o tema do assimilado. «Fui levado/A   conhecer   a   nona   Sinfonia/Beethoven   e Mozart/Na música/Dante, Petrarca e Bocácio/Na literatura,/Fui levado a conhecer/A sua cultura...» para depois colocar a interrogação:

Mas ti, Mãe África?
Que conheço eu de ti?
Que conheço eu de ti?
A não ser o que me impingiram?
E a fome e a miséria
Como complementos...[120]

António Cabral (Mores Djassy), o tema de constância revolucionária:

Somos crianças do tempo da Revolução
Frutos das sementes de séculos de angústias
Somos crianças da luta
Restos da soma do napalm
Restos da soma do napalm e fósforo [121]

Hélder Proença, o da identidade poeta-povo:

Poema que será a arma dos oprimidos! Poema que confunde com os anseios do povo O MEU POEMA SERÁ A VOZ DO POVO [122]

E deste modo se definem algumas das linhas essenciais que nesta jovem poesia guineense se contêm. Por um lado, os poetas reencontram-se como cidadãos verdadeiramente africanos, por outro a Revolução está em marcha e a poesia (a arte), «arma dos oprimidos!», «voz do povo» vai assumir-se como parte integrante da Revolução.

Daí a denúncia, a determinada acusação: «Para onde vão/Estes troncos de íizmzo/estendidos em caixotes/Como se fossem cargas de porão» (António Sérgio Maria Davyes = Tony Davyes) [123].

«Pelo colonialista/Fui chamado Terrorista.../Como Digno Defensor da minha existência» mas «Pela história/o colonialista é o terrorista/Eis a crua verdade e realidade» (Jorge Ampla Cumelerbo = Jorge António da Costa) [124].

«Não sei quando começaste a bater-me/Em que idade/Em que eternidade/Em que revolução astral/Talvez no ventre da minha mãe» (Kôte = Norberto Tavares de Carvalho) [125].

Ou em Tomás Paquete: «A fome torcia-se, como as velas/dos barcos,/Onde os pais, por um punhado de peixe,/Deixavam viúvas/As jovens mães solteiras.../Onde os irmãos, por uma sorte de ilusão,/deixavam orfãos/os sobrinhos...» [126].

Acusação que tem como alvo imediato o colonialismo, a longa era da escravidão, feita «de dor e lágrimas», como diz António Lopes Jr.: «Prisões! Sacrifícios!/O peso da fome.../Da subalimentação/O peso da História/História de dor e lágrimas/Imposta pela violência repressiva».[127]

Ao contrário do que acontece, não só com a poesia de Cabo Verde, de S. Tomé e Príncipe como também com a de Angola e Moçambique, esta poesia da Guiné-Bissau toda ela nasce em pleno período da luta armada ou então já no período pós-libertação nacional. E natural, portanto, que alguns destes poetas se reencontrem na exaltação da «ÁFRICA MÁRTIR», dos chefes revolucionários e, sobretudo, de Amilcar Cabral. E daí também um profundo sentido gregário, uma real consciência colectiva, como em José Pedro Sequeira:

Encontramo-nos em toda a parte, / Em toda a parte irmãos: / Nos arrozais e no dendém / Nas savanas e nas hortas / Na tabanca e nos pântanos [128]

Ou ainda um largo sentido ecuménico, universal, na voz de Nagib Said:

«Quando o som do tam-tam/Levar o grito d'África/Ao cume mais alto das consciências/E os    processos    mentais    superiores    se conjugarem/Traduzidos      no      código      puro      da fraternidade» então O eco da revolução propagar-se-á Através das mil montanhas do Mundo [129]

Ou em Carlos Almada:

«Porque o sol que hoje arde/Brilha p'ra todos nós/E p'ra toda a África» [130].

Numa luta de libertação fatalmente há os que hesitam ou se destróem, mas a história o registará. Será isso mesmo que o verbo repousado, mas liricamente impressivo de José Carlos significa: «E vi na tabanca queimada devastada/As mesmas botas calcar o sangue, o corpo a morte inocente/De crianças da tua cor, do teu credo perdido/E soube que na terra em pranto pela tua afronta/Tu terias uma morte desenraizada» [131].

«[...] Contribuição militante a todo um processo de desenvolvimento cultural que decorre no nosso País», como se afirma no Prefácio, ela não podia deixar de ser também a expressão da libertação, da esperança, de uma colagem ao futuro, e aqui vem a propósito citar dois nomes, Armando Salvaterra: «Qu'importa que eu não venha/A saborear os frutos da própria árvore?/Que é isso/Ao pé da inabalável certeza desse dia admirável?!...[132]

E Justino Nunes Monteiro (fusten):

Libertar a África, / Libertar o Homem / Libertar o tam-tam e o Korá / Libertar o canto das crianças e o grito sufocado da esperança. / Uma esperança vermelho-sangue / Temperada na luta e na morte / Abrindo um caminho novo [133]

Em resumo,

«arma de combate, ferramenta de construção, ela [a poesia] forja-se no quotidiano árduo mas exaltante da Nação emergente, contribuição modesta no património da Humanidade, por uma Revolução Cultural», são ainda palavras do citado Prefácio.


2.    A EXPRESSÃO EM CRIOULO

Entre as várias etnias circula o dialecto crioulo (semelhante ao de Cabo Verde: criado na Guiné ou levado para lá?) [133] e parece cada vez mais, a esse nível, tender a funcionar como língua de contacto, sobrepondo-se às línguas de várias etnias, até porque progressivamente aumenta o seu número de utentes. Só recentemente as tentativas poéticas em dialecto crioulo começam a ganhar o espaço textual. Não só nas canções, nos cantos revolucionários, gravados em disco, como também na lírica que desponta. Curiosamente, no entanto, em Mantenhas para quem luta! há apenas duas poesias em crioulo, e subscreve-as José Carlos.
==============
Notas:

119 Amílcar Cabral nasceu na Guiné-Bissau, filho de pais cabo-verdianos. Viveu em Cabo Verde desde criança e ali concluiu o curso dos liceus. Isto explica a natureza da sua poesia.

120 Agnelo Augusto Regalia, «Poema de um assimilado» in Conselho Nacional de Cultura (Guiné-Bissau), Mantenhas para ai, 1977, p. 15.

121    António Cabral, «Somos crianças», idem, p. 22.

122    Hélder Proença, «Escreverei mais um poema», idem, p.51.

123    Tony Davyes, «Desespero», idem, p. 26.

124    Jorge Ampla Cumelerbo, «O julgar pertence à história», idem, p. 55.

125    Kôte, «Soba Quinty», idem, p. 86.

126    Tomás Paquete, «Ao acaso... no mar ...», idem, p. 93.

127    António Simões Lopes Jr. «Abusivamente», idem, pp. 29-30.

128    José Pedro Sequeira, «A vida real dos homens nossos irmãos, idem, p. 67.

129    Nagib Said «A agonia dos impérios», idem, p. 80.

130    Carlos Almada, «Geba», idem, p. 46.

131    José Carlos, «Morte desenraizada», idem, p. 61.

132    Armando Salvaterra, «Depois de mim», idem, p. 39.

133    Justen, «Poema», idem, p. 73.

134 Foi sempre considerável a comunidade cabo-verdiana na Guiné-Bissau. Tenhamos presente que esta ex-colónia portuguesa esteve administrativamente vinculada a Cabo Verde até 1879.


FIM

BIBLIOGRAFIA PASSIVA
(selectiva)

Nota:
Dada a impossibilidade de irmos além de uma bibliografia selectiva, aceitamos correr o risco de qualquer omissão discutível ou involuntária.

Aconselhamos, porém, aos que estiverem interessados, a consulta com destaque para Alfredo Margarido, Mário Pinto de Andrade, Jaime de Figueiredo, António Aurélio Gonçalves, Mário António, Pires Laranjeira, Serafim Ferreira e Manuel Ferreira. Útil poderá ser também a leitura de prefácios a algumas das obras mencionadas, como as de Agostinho Neto, Costa Andrade, Manuel Rui, Bobella-Mota.

Por certo que a Bibliografia africana de expressão portuguesa de Gerald Moser e de Manuel Ferreira, no prelo, será um guia indispensável.

GERAL

BURNESS, Donald
Fire: Six Writers from Angola, Moçambique, and Cape Verde. Prof. Manuel Ferreira. Washington, Three Continents Press, 1977.

CABRAL, Amilcar
«O papel da cultura na luta pela independência» [Texto apresentado à UNESCO, em Paris, na reunião de 3-7 de julho de 1972].

Também in Obras escolhidas de Amilcar Cabral, vol. 1 (A arma da teoria/ unidade e luta I), textos coordenados por Mário de Andrade. Lisboa, Seara Nova, 1976, p. 234-247.

CÉSAR, Amândio
Parágrafos de literatura ultramarina. Lisboa, 1967. 346 p. Novos parágrafos de literatura ultramarina. Lisboa, 1971. 511 p.

HAMILTON, Russel G.
Voices from an Empire. A History of Afro-Portuguese Uterature. University of Minnesota Press, 1975. 450 p.

HERDECK, Donald E.
African Authorr. a campanion to black African wtiting, vol. 1, 1300-1973. Washington, Black Orpheus Press, 1973. XII+605 p. [Inclui a biografia de 58 escritores africanos de língua portuguesa].

MARGARIDO, Alfredo
«Incidences socio-économiques sur Ia poésie noire d'expression portugaise». In Diogène, n.° 37. Paris, janeiro-março, 1962, pp. 53-80.

«Panorama». In C. Barreto, Estrada larga, vol. 3. Porto [1962], pp. 482-491. [Sobre a poesia de «S. Tomé, Angola e Moçambique» integrada no tema geral «A poesia post-Orpheu»].

Negritude e humanismo. Lisboa, Casa dos Estudantes do Império, 1964. 44 p.

MOISÉS, Massaud
Literatura portuguesa moderna. Guia biográfico, crítico e bibliográfico. Ed. Cultrix. S. Paulo, Universidade de S. Paulo, 1973. 202 p. [Contém a bibliografia de vários autores africanos e o cap. «Literatura do Ultramar», p. 102-105].

MOSER, Gerald
Essays in Portuguese-Afiican Uterature. Col. The Pennsylvania State University Studies, 26. University Park (Pensilvania). Universidade do Estado da Pensilvânia, 1969. (8) + 88 p. [Contém um ensaio sobre Castro Soromenho].

A tentative Portuguese-African bibliography: Portuguese literature in África and Ajrican literature in the Portuguese language. University Park (Pennsylvania). The Pennsylvania State University Iibraries, 1970. XI, 148 p.+suplemento de 2 p. 11 folha de err. L.

«How African is the African literature written in portuguese?». In «Black African», Review of National Literature, vol. 2, n.° 2. Jamaica (Long Island), Estados Unidos), outono 1971, pp. 148-166.

NEVES, João Alves das
Vários artigos e críticas literárias in suplemento literário do Estado de S. Paulo (Brasil) e na revista Anhembi, cerca de 1960 a 1968.

PINTO BULL, Benjamim
«Regards sur Ia poésie africaine d'expression portugaise». In UAfrique, n.° 2. Universidade de Dakar, 1972, p. 79-117.

PRETO-RODAS, Richard A.
Negritude as a theme in the poetry ofthe Portuguese-Speaking World. Col. Humaniti.es Monographs, 3?. Gainnsville, University of Florida Press, 1970. 85 p.

RlÁUSOVA, Helena A.
«O papel das tradições estrangeiras na formação das literaturas africanas de expressão portuguesa». In Problemas actuais do estudo das literaturas dÁfrica. Moscovo, 1969, p. 106-15.

Formação das literaturas africanas de expressão portuguesa. Moscovo, Academia das Ciências da U. R. S. S. Instituto de Literatura Mundial Gorki, 1970. 20 p.

«Acerca da literatura negra». In Mensagem, ano XV, Estrada larga, n.° 3. Porto, Porto Editora [1962].

As literaturas da África de expressão portuguesa. Moscovo, Ed. «Nauka», 1972. 263 p. [Academia das Ciências da U. R. S. S. Instituto de literatura Mundial Gorki. Bibliografia].

TENREIRO, Francisco
«Acerca da literatura negra». In Mensagem, ano XV, n.° 1, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império, 1963, p. 9-16, 32-33, e depois in Costa Barreto, Estrada larga, vol. 3. Porto Editora [1962].

«Processo poesia». In Mensagem, ano XV, n.° 1. Lisboa, Casa dos Estudantes do Império, Abril 1963, p. 4-10.

TORRES, Alexandre Pinheiro
O neo-realismo literário português. Lisboa, Moraes Editores, 1976. 226 p.

CABO VERDE
ALMADA, Maria Dulce de Oliveira
Cabo Verde. Contribuição para o estudo do dialecto falado no seu arquipélago. Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar, 1961.166 p. II.

ARAÚJO, Norman
A. study of Cape Verdean literature. Boston, Boston College, 1966. 225 p.

BARCELLOS, Christiano José de Scena Subsídios para a história de Cabo Verde e Guiné. Iisboa, tip. da Academia Real das Ciências de Lisboa, 1899 a 1912.
Cabral, Amilcar

«Apontamentos sobre a poesia cabo-verdiana». In Cabo Verde, ano III, n.° 28. Praia, Cabo Verde, janeiro 1952, p. 5-8.
Cardoso, Pedro

Folclore caboverdeano. Porto, Edições Maranus, 1933. 120 p.
Carreira, António

Cabo Verde. Formação e extinção de uma sociedade escravocrata (1460-1878). Lisboa, Centro de Estudos da Guiné Portuguesa, 1972. 580 p. Extensa bibliografia. II.

DUARTE, Manuel
«Cabo-verdianidade e africanidade». in Vértice, xn, n.° 134. Coimbra, 1954, p. 639-644. [O primeiro ensaio sobre este tema].
Ferreira, Manuel

«As ilhas crioulas na sua poesia moderna». In C. Barreto, listrada larga, vol. 3. Porto, Porto Editora, [1962], pp. 448-454.

A. aventura crioula. 2.a ed. Lisboa, Plátano Editora, 1973. XXIX + 442 p. [Extensa bibliografia].

«Jorge Barbosa». In J. J. Cochofel, Grande dicionário da literatura portuguesa e de teoria literária [em curso de publicação desde 1971], p. 601-604.

«O círculo do mar e o terra-longismo em Chiquinho de Baltasar Lopes». In COLÓQUIO/Letras, n.° 5. Lisboa, janeiro 1972, pp. 66-70.

FRANÇA, Arnaldo
Notas sobre poesia e ficção cabo-verdianas. Praia, Cabo Verde, 1962. 23 p. Sep. Cabo Verde (nova fase), n.° 1-157, outubro 1962.

GÉRARD, Albert S.
«The literature of Cape Verde». In Afiican ArtslArts d'Afiique, vol. 1, n.° 2. Los Angeles, inverno 1968, p. 66-70.

GONÇALVES, António Aurélio
«Alguns poemas de Osvaldo Alcântara». In Cabo Verde, n.° 80, maio 1956, pp. 9-13. [Trata-se de Baltasar Lopes].

«Bases para uma cultura de Cabo Verde». In Diário da viagem presidencial às províncias da Guiné e Cabo Verde. Lisboa, Agência-Geral do Ultramar, 1956, pp. 159-177.

LlNA, Mesquitela
Pão & fonema ou a odisseia de um povo. (Estudo analítico de um poema de Corsino Fortes). Luanda, Comité de Acção do PAIGC — ANGOLA. Casa Amflcar Cabral, 1974. 52 p.

LOPES, Baltasar
O dialecto crioulo de Cabo Verde. Lisboa, Imprensa Nacional de Lisboa, 1957. 391 p.

Cabo Verde visto por Gilberto Freyre. Apontamentos lidos ao microfone de Rádio Barlavento. Praia, Cabo Verde, Imprensa Nacional, 1956. 52 p. Sep. do Cabo Verde, n.° 84 a 86.

«Uma experiência românica nos trópicos, I, n. In Claridade (S. Vicente, Cabo Verde), n.° 4,1947, pp. 15-22,en.°5,1947, pp. 1-10.

LOPES, Manuel
«Reflexões sobre a literatura cabo-verdiana ou a literatura nos meios pequenos». In Colóquios cabo-verdianos, Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar, 1959, p. 1-22.

LOPES, Oscar
«Ficção cabo-verdiana». In Modo de ler. Porto, Editorial Inova, 1969, p. 135-147.
MARIANO, Gabriel

«Negritude e cabo-verdianidade». In Cabo Verde, ano IX, n.° 104. Praia, Cabo Verde, 1958, p. 7-8.

«Em torno do crioulo». In Cabo Verde, ano IX, n.° 107. Praia, Cabo Verde, 1958, p. 7-8.

«A mestiçagem: seu papel na formação da sociedade cabo-verdiana». In Cabo Verde, n.° 109. Praia, Cabo Verde, 1958.

«Do funco ao sobrado ou o 'mundo que o mulato criou». In Colóquios cabo-verdianos. Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar, 1959, p. 23-49.

«Inquietação e serenidade. Aspectos da insularidade na poesia cabo-verdiana». In Estudos ultramarinos, n.° 3. Lisboa, 1959, p. 55-79.

«Convergência lírica portuguesa num poeta cabo-verdiano na língua crioula, do séc. XIX». In II Congresso das comunidades de cultura portuguesa, vol. 2. Moçambique, 1967, p. 497-510. [Sobre Eugênio Tavares].

Uma introdução à poesia de Jorge Barbosa. Praia, Cabo Verde, 1964. 70 p.
Monteiro, Félix

«Bandeiras da ilha do Fogo. O senhor e o escravo divertem-se». In Claridade, n.° 8. S. Vicente, Cabo Verde, 1958, pp. 9-22.

«Cantigas de Ana Procópio». In Claridade, n.° 9. S. Vicente, Cabo Verde, 1960, pp. 15-23.
122

NUNES, Maria Luisa (NUNES, Mary Louise)
The phonologie of Cape Verdean diakcts of portuguese. Sep. do Boletim de Filologia, tomo XX. Iisboa, Centro de Estudos Filológicos, 1963. 56 p.

OLIVEIRA, José Osório de
Poesia de Cabo Verde. Lisboa, Agência-Geral do Ultramar, 1944. 50 p. não num.

RlÁUSOVA, Helena A.
«As literaturas das Ilhas de Cabo Verde e São Tomé». In vários autores, Literaturas contemporâneas da África Oriental e Meridional, cap. VI, pp. 224-258. Moscovo, Idotelstvo «Nauk», 1974.

ROMANO, Luís
«literatura cabo-verdiana». In Ocidente, vol.  70, n.° 335. Lisboa, março 1966, p. 105-116. Cabo Verde — Renascença de uma civilização no Atlântico Médio. Sep. Ocidente. Lisboa, 1975. 212 p.

SILVEIRA, Onésimo
Consciencialização na literatura cabo-verdiana. Lisboa, Casa dos Estudantes do Império, 1963. 32 p.

SILVEIRA, Pedro da
«Relance da literatura cabo-verdiana», I, II, Hl. In «Cultura e Arte» d'O Comércio do Porto. Porto, 24 dezembro 1953, 27 abril 1954 e 13 julho 1954.

SOUSA, Teixeira de
«A estrutura social da ilha do Fogo em 1940». In Claridade, n.° 5. S. Vicente, Cabo Verde, 1974, pp. 42-44.

«Sobrados, lojas e funcos». In Claridade, n.° 8. S. Vicente, Cabo Verde, 1958, pp. 2-8.

TENREIRO, Francisco José
Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe. Esquema de uma evolução conjunta. In Cabo Verde, ano W, n.° 76. Praia, Cabo Verde, janeiro 1956, p. 12-17.

VALKHOFF, Marius F.
Textos crioulos cabo-verdianos por Sérgio Frusoni. Lisboa, Silvas, C. T. G. scarl, 1975, Sep. Miscelânea Luso-Africana, Junta de Investigações do Ultramar, pp. 165-203. [Contém algumas poesias e um conto em crioulo com tradução em português de M. Valkhoff, que prefaciou a obra].

S. TOMÉ E PRÍNCIPE

MARGARIDO, Maria Manuel
«De Costa Alegre a Francisco José Tenreiro». In Estudos Ultramarinos, n.° 3. Lisboa, Instituto Superior dos Estudos Ultramarinos, 1959, p. 93-107.

RlÁUSOVA, Helena A.
«As literaturas das Ilhas de Cabo Verde e São Tomé». (Vide «Cabo Verde»).

SANTO, Alda do Espírito
«Algumas notas sobre o falar dos nativos da ilha de S. Tomé». In Conferência Internacional dos Africanos Ocidentais. S. Tomé, 1956.

REIS, Fernando
Povo flogâ. «O povo brinca». Folclore de São Tomé e Príncipe. Edição da Câmara Municipal de São Tomé e Príncipe. Lisboa, Tip. Bertrand (Irmão), Lda., 1969. 241 p. [Além do mais contém as peças O «Tchiloli» ou a tragédia do Marquês de Mântua e do imperador Carloto Magno e o Auto de Floripes].

RIBAS, Tomaz
«O tchiloli ou as tragédias de São Tomé e Príncipe». In Espiral, vol. 1, n.° 6-7. Lisboa, 1965, p. 70-77.

GUINÉ -BISSAU

BARROS, Marcelino Marques de
«O Guineense». In Revista Lusitana, vol. II, pp. 166 e 268; vol. V, pp. 174 e 271; vol. VI, p. 300; vol. X, pp. 306-310.

PINTO BULL, Benjamim
Le créole de Ia Guiné-Bissau. Structures grammaticales, philosophie et sagesse à travers ses surnoms, ses proverbes et ses expressions. Université de Dakar, Centre de Hautes Études Afro-Ibero-Americaines. Faculte des Lettres & Sciences Humaines, 1975. 55 p.+l folha err.

TENDEIRO, João
«Aspectos marginais da literatura da Guiné Portuguesa». In Estudos Ultramarinos, n.° 3. Lisboa, Instituto Superior dos Estudos Ultramarinos, 1959, 93-107.
125


Fonte:
Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa I Biblioteca Breve / Volume 6 – Instituto de Cultura Portuguesa – Secretaria de Estado da Investigação Científica Ministério da Educação e Investigação Científica – 1. edição — Portugal: Livraria Bertrand, Maio de 1977

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to