sábado, 29 de setembro de 2012

Constança Lucas (Poemas)


PALAVRA

Perdi-te sem nunca te saber
 envelhecemos os sons
 cansada de maus usos
 embarcou para terras velozes
 não soubemos cochichar
 nos abraços que ardiam
 por inventarmos alguém
 para sabermos perder
 perdi-te vontade de falar
 nesta cadência muda

“FOI NUM ADEUS…”

Foi num adeus que mais te amei
 nas nossas mãos as cores cantaram
 numa harmonia de saudades futuras
 nos quereres contorcidos em ondas quentes
 onde o lenço imaginado corria pelo vento
 nas ruas da nossa cidade encantada
 só de palavras e afeições longas
 olhávamos as folhas em silêncio
 por tanto querermos os toques
 em arrepios de ternuras
 lânguida corri pelo teu corpo
 por nada nele deixar de querer
 fiquei embevecida com o teu canto
 por infinitos tempos das nossas peles

“SONHO”

Escuta este sonho não é para ti
 ele pertence-me
 não desisto do meu medo
 da minha alegria
 da minha amargura
 de querer que acabe a realidade
 tudo me cansa
 tão profundamente
 quando me querem invadir
nos meus sonhos
 mesmo não os conhecendo

E por vezes quero que me deixem
 ver o mundo
 mandar a realidade tomar banho
 mudar de cheiro
 deixar de me perseguir
 nesta angústia de nada poder
 e ao mesmo tempo saber
 que tanto posso

Sonho nas noites
 de dias sem tempo
 acordada ou mesmo a dormir
 sempre num parque
 de cores caídas
 nesta nossa casa
 tão nossa
 mas os sonhos
 alguns são só meus
-
DO OUTRO LADO DO VIDRO

Pela janela, um rubor de nuvem,
 alguém sem articulação, rabisca,
 do outro lado do vidro, lá em baixo
 observo-o como quem não entende

Sinto falta de mais árvores
 a calçada tem um dono
 que não gosta das folhas
 e o rapaz rabisca como quem marca
 um território fictício

AS MÃOS

ardes em febre de eletricidade
 por esconderes almas
 de ti e por ti desenho
 contigo aprendi a desejar
 o que só dentro de mim existe
 as palavras crescem,
 em teus dedos amáveis
 para depois esquecermos
 o silêncio triste

TENS SIDO

Tens sido um ás nessa de protocolos 
acho que me contagiei 
Vales pelos sorrisos provocados 
pelas tuas e pelas minhas palavras 
não de entrelinhas, sem linhas mesmo 
cada palavra escrita 
talvez não fossem nunca ditas 
Vales pelas provocações 
dos conhecimentos de mundos 
onde o convencional perde lugar 
mas está presente 
Vales pelo pedaço de coração 
que roubastes 
sem saber onde o colocar 
anda no firmamento 
Vales assim nesta amizade 
que sem tempo vive 
sem lugar cresce 
com carinho segue 
Vales pela liberdade 
de conhecer e não concordar 
Vales pela diferença 
num mar de águas comuns 
Valho por assim sentir,
mesmo assim saber dizer-te 
sem medos demasiados 
mas com a vida pulsando 
neste mundo tão torto 
Oiço is a beautiful day 
de bem com os meus sentimentos 
saberás dizer-me mais de ti sem protocolos

Fontes:

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