Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 711)



Uma Trova de Ademar  

O papel que eu desempenho
na poesia, não tem preço;
pelos amigos que eu tenho...
Ganho mais do que mereço!
–Ademar Macedo/RN–

Uma Trova Nacional  

É no momento da prece
que o seu coração perdoa…
Quem assim age, merece
viver feliz, pois se doa.
–Cidinha Frigeri/PR–

Uma Trova Potiguar  

São José, mão carpinteira,
pai terreno de Jesus;
fez tanta obra em madeira,
mas nunca fez uma cruz!
–Zé de Sousa/RN–

Uma Trova Premiada  

2005   -   C.E João B.de Mattos/RJ
Tema   -   ECOLOGIA   -   3º Lugar

Defender a Ecologia
de forma séria e decente,
é preservar a harmonia
da própria casa da gente.
–Wandira Fagundes Queiroz/PR–

...E Suas Trovas Ficaram  

A estrada em que me confino
pelo destino é traçada...
Sei que não mudo o destino,
mas posso mudar de estrada!
–José Maria M. Araújo/RJ–

U m a P o e s i a  

Mãe tirana e vaidosa
e o pai que não auxilia,
na hora da gestação
se gera com alegria;
é pai na hora que gera
depois esquece e não cria.
–Waldir Teles/PE–

Soneto do Dia  

UMA HISTÓRIA DE AMOR.
–Gilson Faustino Maia/RJ–

Dois corações singelos, com ternura,
são visitados pela luz do amor.
Da pureza do olhar encantador,
nasce um sonho de paz e de ventura.

Dois anjos de inocente formosura,
tentando neste mundo enganador
construir um jardim, plantar a flor
de uma vida feliz e de candura.

O tempo passa, o vento da maldade
tenta encobrir com pó aquela história,
impedir, do namoro, a liberdade.

Pode, a renúncia, ser obrigatória,
vitoriosa ser a crueldade...
Será eterna a história na memória.

domingo, 28 de outubro de 2012

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 710)



Uma Trova de Ademar 

Como quem faz sua escolha, 
disfarçando o desatino, 
alterei folha por folha 
do livro do meu destino! 
–Ademar Macedo/RN– 

Uma Trova Nacional 

Ao passar por mim, nem para...
sou a sombra de ninguém!
Que espaço enorme separa
meu amor de seu desdém! 
–Wanda de Paula Mourthé/MG– 

Uma Trova Potiguar 

Caminha em rota invertida,
sem um sonho promissor,
quem, nos outonos da vida,
não colhe um fruto de amor!
–José Lucas De Barros/RN– 

Uma Trova Premiada 

2012   -  Cantagalo/RJ 
Tema   -  ESPAÇO   -  2º Lugar 

Neste planeta avarento,
onde o "ter" é o ditador,
que triste é ver o cimento
roubar o espaço da flor! 
–A. A. de Assis/PR– 

...E Suas Trovas Ficaram 

Um dedo contra os pilares... 
murmúrios...silêncio! Tédio...
É a fome subindo andares 
pelo interfone do prédio! 
–Paulo Cesar Ouverney/RJ– 

U m a P o e s i a 

Quando eu partir desta vida, 
irei coberto de paz; 
e chegando lá em cima 
nas mansões celestiais; 
eu vou logo organizando 
e num cartaz anunciando: 
"Primeiro Jogos Florais"! 
–Ademar Macedo/RN– 

Soneto do Dia 

ROGATIVA. 
–Thalma Tavares/SP– 

Senhor, que olhas os antros, as vielas, 
os homens sem trabalho, o lar sem pão, 
que a minha fé não morra como as velas 
que ao mais leve soprar se apagarão. 

Ante a ganância atroz, cujas mazelas 
nos põem em sobressalto o coração, 
eu venho Te pedir pelas favelas 
que ora clamam por paz e proteção. 

O pobre, da miséria anda cansado 
e pensa, em sofrimentos mergulhado, 
que Tu, ó meu Senhor, lhe deste as costas. 

E é tanta, neste mundo, a violência 
que não querendo crer na Tua ausência 
eu ando pela vida de mãos postas.

sábado, 27 de outubro de 2012

Olivaldo Junior (Trovas sobre Desprezo)


Desprezado por você, 
fui prezar as madrugadas.
Cada rua que me vê
só me pega nas calçadas.

Ao findar-se a primavera,
entre as pedras, no capim,
tu desprezas quem eu era
quando eu era seu jardim. 

Violão, “viola à-toa”,
não despreze o seu amigo!
Tudo fica numa boa
quando fica a sós comigo.

Fonte:
O Autor

Cléo Busatto (Dona Cotinha, Tom e Gato Joca)


Em frente à minha casa tem outra casa, pequena, de madeira, azul com janelas brancas. Está no fim de um terreno enorme com muitas árvores. Para mim aquilo é o que chamam de floresta. Tom diz que é um quintal. Ali mora dona Cotinha, uma velhinha que tem cabelos lilás e dirige um Fusquinha vermelho. Esse passou a ser meu esconderijo. Dona Cotinha sempre aparece com um prato de comida. Diz: 

 - Vem, gatinho. Olha só o que eu trouxe para você. 

 Sou premiado com sardinha fresca, atum, macarrão. Tenho engordado além da conta. Dia desses estava tomando sol e ouvi o Tom me chamar. O danado sentiu meu cheiro e descobriu meu segredo. Ele estava no portão quando chegou dona Cotinha, no seu Fusquinha. 

 - Bom dia, menino - disse ela. Já que está em frente à minha casa, faça uma gentileza e abra o portão. 

 Tom obedeceu. Dona Cotinha afagou minha cabeça e perguntou: 

 - Este gatinho é seu? 

 - Sim, senhora. 

 - Ele é muito educado. 

 - Obrigado - disse eu, na minha voz de gato. 

 - No primeiro dia que o vi por aqui, ele entrou na casa e cheirou tudo. Agora, sempre deixo uma comidinha para ele! 

 - Ah! Mas o Joca não come comida de gente, não, senhora. Só come ração - disse o Tom. 

 - Come, sim, meu filho. E come de tudo. 

 Dona Cotinha acabava de denunciar minha gula e o aumento de peso. Continuou: 

 - Passe aqui no fim da tarde. Faço um bolo de fubá com cobertura de chocolate que é de dar água na boca. 

 Com água na boca fiquei eu. Naquela tarde voltamos à casa de dona Cotinha. Ela foi logo mostrando pro Tom uma coleção de carrinhos antigos. Era do filho dela, que morreu bem pequeno. Depois nos levou para uma sala repleta de livros. Tom ficou de boca aberta e perguntou: 

 - A senhora já leu todos esses livros? 

 - Praticamente todos. Ler foi minha diversão, meu bom vício. Infelizmente meus olhos não ajudam mais. Essa pilha que você está vendo aqui ainda nem foi tocada. 

 Tom começou a ler em voz alta, e sua voz encheu a sala de seres fantásticos. O tempo parou. 

 Desse dia em diante, à tardinha, eu e Tom tínhamos uma missão. Abrir os livros de dona Cotinha e deixar os personagens passearem pela casa mágica, no meio da floresta da cidade de pedra.

Fonte:

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 709)



Uma Trova de Ademar  

Caiu meu muro de arrimo; 
sinto fraqueza... E, aos oitenta, 
nem com Viagra eu me animo, 
só se der cobra em noventa! 
–Ademar Macedo/RN– 

Uma Trova Nacional  

É minha a dívida, assumo,
e hei de saldá-la... porém,
enquanto a grana eu arrumo,
que tal me emprestar mais cem???
–José Ouverney/SP– 

Uma Trova Potiguar  

É por demais assanhada 
a galinha do vizinho: 
já tem a costa pelada 
por excesso de carinho... 
–Fabiano Wanderley/RN– 

Uma Trova Premiada  

1999   -   Cachoeiras de Macacu/RJ 
Tema   -   LADINO   -   M/E 

"Cara-de-pau!" E o grã-fino 
não se abala, não se afoba;
e no rosto, enfim, ladino,
passa um óleo de peroba...
–Antonio Colavite Filho/SP– 

...E Suas Trovas Ficaram  

Sendo traída, de graça, 
pelo esposo, capitão, 
a Maria, por pirraça, 
o traiu com o “batalhão”. 
–Célio Grunewald/MG– 

U m a P o e s i a  

O rádio é para se ouvir 
e todo mundo entender, 
0 telefone é melhor 
para a gente ouvir sem ver, 
sou matuto e não ignoro: 
no telefone eu namoro 
sem minha mulher saber! 
–Fenelon Dantas/PB– 

Soneto do Dia  

O POBRE. 
–Francisco Macedo/RN– 

Vida de pobre é um mutirão de dor, 
uma loucura e grande confusão, 
quando tem carne nunca tem feijão, 
se tem feijão, de carne nem a cor. 

Compra uma “muda” de roupa todo ano 
e no sapato, tome meia-sola! 
No celular faz pose de gabola, 
mas pra ligar, está sem vez no plano... 

No “lotação” precisa paciência, 
arroto choco e tome flatulência, 
e, mesmo assim, com jeito vai levando... 

Sendo enxerido, segura a aparência, 
pose de rico, mas rei da inadimplência 
e vai em frente, as dores disfarçando. 

José de Alencar (Ao Correr da Pena) 3 de novembro: Máquinas de coser


(Crônicas publicadas no “Correio Mercantil”, de 3 de setembro de 1854 a 8 de julho de 1855, e no “Diário do Rio”, de 7 de outubro de 1855 a 25 de novembro do mesmo ano, ambos os jornais do Rio de Janeiro).

Meu caro colega. – Acho-me seriamente embaraçado da maneira por que descreverei a visita que fiz ontem à fábrica de coser de M.me Besse, sobre a qual já os nossos leitores tiveram uma ligeira notícia neste mesmo jornal.

O que sobretudo me incomoda é o título que leva o meu artigo. Os literatos, apenas ao lerem, entenderão que o negócio respeita aos alfaiates e modistas. Os poetas acharão o assunto prosaico, e talvez indigno de preocupar os vôos do pensamento. Os comerciantes, como não se trata de uma sociedade em comandita, é de crer bem pouca atenção dêem a esse melhoramento da indústria.

Por outro lado, tenho contra mim o belo sexo, que não pode deixar de declarar-se contra esse maldito invento, que priva os seus dedinhos mimosos de uma prenda tão linda, e acaba para sempre com todas as graciosas tradições da galanteria antiga.

Aqueles lencinhos embainhados, penhor de um amante fiel, e aquelas camisinhas de cambraia destinadas a um primeiro filho, primores de arte e de paciência, primeiras delícias da maternidade, tudo isto vai desaparecer.

As mãozinhas delicadas da amante, ou da mãe extremosa, trêmulas de felicidade e emoção, não se ocuparão mais com aquele doce trabalho, fruto de longas vigílias, povoadas de sonhos e de imagens risonhas. Que coração sensível pode suportar friamente semelhante profanação do sentimento?...

Declarando-se as senhoras contra nós, quase que podemos contar com uma conspiração geral, porque é coisa sabida que desde o princípio do mundo os homens gastam a metade de seu tempo a dizer mal das mulheres, e a outra metade a imitar o mal que elas fazem.

Por conseguinte, refletindo bem, só nos restam para leitores alguns homens graves e sisudos, e que não se deixam dominar pela influência dos belos olhos e dos sorrisos provocadores. Mas como é possível distrair estes espíritos preocupados com altas questões do Estado de faze-los descer das sumidades da ciência e da política a uma simples questão de costura?

Parece-lhe isto talvez uma coisa muito difícil; entretanto tenho para mim que não há nada mais natural. A história, essa grande  mestra de verdades, nos apresenta inúmeros exemplos do grande apreço que sempre mereceu dos povos da antiguidade, não só a arte de coser, como as outras que lhe são acessórias.

Eu podia comemorar o fato de Hércules fiando aos pés de Onfale, e mostrar o importante papel que representou na antiguidade, a teia de Penépole, que mereceu ser cantada por Homero. Quanto à agulha de Cleópatra, esse lindo obelisco de mármore, é a prova mais formal de que os Egípcios votavam tanta admiração à arte da costura, que elevaram aquele monumento à sua rainha, naturalmente porque ela excedeu-se nos trabalhos desse gênero.

As tradições de todos os povos conservam ainda hoje o nome dos inventores da arte de vestir os homens. Entre os gregos foi Minerva, entre os lídios Aracne, no Egito Isis, e no Peru Manacela, mulher de Manco Capa.

Os chineses atribuem essa invenção ao Imperador Ias; e na Alemanha, conta a legenda que a fada Ave, tendo um amante muito friorento, compadeceu-se dele, e inventou o tecido para muito friorento, compadeceu-se dele, e inventou o tecido para vesti-lo. Naquele tempo feliz ainda eram as amantes que pagavam os gastos da moda; hoje, porém, este artigo tem sofrido uma modificação bem sensível. As fadas desapareceram, e por isso os homens vão cuidando em multiplicar as máquinas.

Só estes fatos bastariam para mostrar que importância tiveram em todos os tempos e entre todos os povos as artes que servem para preparar o traje do homem. Além disto, porém a tradição religiosa conta que já no Paraíso, Eva criara, com as folhas da figueira, diversas modas, que infelizmente caíram em desuso.

Já não falo de muitas rainhas, como Berta, que foram mestras e professoras na arte de coser e fiar; e nem das sábias pragmáticas dos Reis de Portugal a respeito do vestuário, as quais mostram o cuidado que sempre mereceu daqueles monarcas, e especialmente do grande Ministro Marquês de Pombal, a importante questão dos trajes.

Hoje mesmo, apesar do rifão antigo, todo o mundo entende que o hábito faz o monge; e se não vista alguém uma calça velha e uma casaca de cotovelos roídos, embora seja o homem mais relacionado do Rio de Janeiro, passará por toda a cidade incógnito e invisível, como se tivesse no dedo o anel de Giges.

Assim, pois, é justamente para os espíritos graves, dados aos estudos profundos e às questões de interesse público, que resolvi descrever a visita à fábrica de coser de M.me Besse, certo de que não perderei o meu tempo, e concorrerei quanto em mim estiver para que se favoreça este melhoramento da indústria, que pode prestar grandes benefícios, fornecendo não só à população desta côrte, mas também a alguns estabelecimentos nacionais. 

A fábrica está situada à Rua do Rosário, n.º 74. Não é uma posição tão aristocrática como a das modistas da Rua do Ouvidor; porém tem a vantagem de ser no centro da cidade; e, portanto, as senhoras do tom podem facilmente e sem derrogar aos estilos da alta fashion fazer a sua visita a M.me Besse, que as receberá com graça e a amabilidade que a distingue.

Era na ocasião de uma dessas visitas que eu desejaria achar-me lá para observar o desapontamento das minhas amáveis leitoras (se é que as tenho, visto que estou escrevendo para os homens pensadores). Dizem que o espírito da indústria tem despoetizado todas as artes, e que as máquinas vão reduzindo o mais belo trabalho a um movimento monótono e regular, que destrói todas as emoções, e transforma o homem num autômato escravo de outro autômato.

Podem dizer o que quiserem; eu também pensava o mesmo antes de ver aquelas lindas maquinazinhas que trabalham com tanta rapidez, e até com tanta graça. Figurai-vos umas banquinhas de costura fingindo charão, ligeiras e cômodas, podendo colocar-se na posição que mais agradar, e sobre esta mesa uma pequena armação de aço, e podeis fazer uma idéia aproximada da vista da máquina. Um pezinho o mais mimoso do mundo, um pezinho de Cendrillon, como conheço alguns, basta para fazer mover sem esforço todo este delicado maquinismo.

E digam-me ainda que as máquinas despoetizam a arte! Até agora, se tínhamos a ventura de ser admitidos no santuário de algum gabinete de moça, e de passarmos algumas horas e  conversar e a vê-la coser, só podíamos gozar dos graciosos movimentos das mãos; porém não se nos concedia o supremo prazer de entrever sob a orla do vestido um pezinho encantador, calçado por alguma botinazinha azul; um pezinho de mulher bonita, que é tudo quanto há de mais poético neste mundo.

Enquanto este pezinho travesso, que imaginareis, como eu, pertencer a quem melhor vos aprouver, faz mover rapidamente a máquina, as duas mãozinhas, não menos ligeiras, fazem passar pela agulha uma ourela de seda ou de cambraia, ao longo da qual vai-se estendendo com incrível velocidade uma linha de pontos que acaba necessariamente por um ponto de admiração (!).

Está entendendo que o ponto de admiração é feito pelos vossos olhos, e não pela máquina, que infelizmente não entende nada de gramática, senão podia-nos bem servir para  elucidar as famosas questões do gênero do cólera e da ortografia da palavra asseio. Questões estas muito importantes, como todos sabem, porque, sem que elas se decidam, nem os médicos podem acertar no curativo da moléstia, nem o Sr. Ministro do Império pode publicar o seu regulamento da limpeza da cidade.

Voltando, porém, à nossa máquina, posso assegurar-lhes que a rapidez é tal, que nem o mais cabula dos estudantes de São Paulo ou de medicina, nem um poeta e romancista a fazer reticências, são capazes de ganha-la a dar pontos. Se a deixarem ir à sua vontade, faz uma ninharia de trezentos por minuto; mas, se a zangarem, vai aos seiscentos; e então, ao contrário do que desejava um nosso espirituoso folhetinista contemporâneo, o Sr. Zaluar, pode-se dizer que quando começa a fazer ponto, nunca faz ponto.

Mau! Já me andam os calemburs  às voltas! É preciso continuar; mas, antes de passar adiante, sempre aconselharei a certos credores infatigáveis, a certos escritores cuja verve é inesgotável, que vão examinar aquelas máquinas a ver se aprendem delas a arte de fazer ponto. É uma coisa muito conveniente ao nosso bem estar, e será mais um melhoramento que deveremos a M.me Besse.

Aos Estados Unidos cabe a invenção das máquinas de coser, que hoje se têm multiplicado naquele país de uma maneira prodigiosa, principalmente depois dos últimos aperfeiçoamentos que se lhe têm feito. M.me Besse possui atualmente na sua fábrica seis destas máquinas, e tem ainda na alfândega doze, que pretende  despachar logo que o seu estabelecimento tomar o incremento que é de esperar.

M.me Besse corta perfeitamente qualquer obra de homem ou de senhora; e, logo que for honrada com a confiança das moças elegantes, é de crer que se torne a modista do tom, embora não tenha para isto a patente de francesa, e não more na Rua do Ouvidor.

Além disto, como ela possui máquinas de diversas qualidades, umas que fazem a costura a mais fina, outras próprias para coser fazenda grossa e ordinária, podem também muitos estabelecimentos desta corte lucrar com a sua fábrica um trabalho, não só mais rápido e mais bem acabado como mais módico no preço.

Presentemente a fábrica já tem muito que fazer; mas, quando se possui seis máquinas, e por conseguinte se dá três mil e seiscentos pontos por minuto, é preciso que se tenha muito pano para mangas.

Sou, meu caro colega, etc.

Fonte:
José de Alencar. Ao Correr da Pena. SP: Martins Fontes, 2004.

58a. Feira do Livro de Porto Alegre (Programação: 28 de outubro, domingo)


09h 

Campanha de prevenção ao Diabetes.
Pórtico central do Cais do Porto

11h 

A Arte Levada a Sério.
Sessão de Autógrafos com Escola São Marcos, de Alvorada.
Teatro Sancho Pança - Armazém B do Cais do Porto 

14h 

Sombras da alma: tramas e tempos da depressão.
Reflexão sobre a depressão e capacitação de pessoas e instituições para tratar esse crescente “mal da alma”, com Karin Hellen Kepler Wondracek, Lothar Carlos Hoch e Thomas Heimann.
Sala Leste - Santander Cultural

Contação de histórias para o público infantil.
Contação de histórias para o público infantil, com Danilo Furlan.
QG dos Pitocos 

Cidade das Crianças.
Território das Escolas 

14h30 

 Pai, mãe e educadores: por uma conduta equilibrada.
Discussão das obras com os autores Içami Tiba e Natércia Tiba.
Sala dos Jacarandás - Memorial do RS

Primeira sessão – curtas e documentários: Casa Afogada.
Homem luta para manter sua memória enquanto as águas se tornam violentas.
Sessão comentada com o diretor.
Direção: Gilson Vargas. Duração: 14 min.
Tenda de Pasárgada

15h 

O povo Yorùbá – Costumes e tradições.
Costumes e tradições do povo Yorùbá (Nigéria) – África Ocidental,  com Julio Cezar Ferro
Sala Oeste - Santander Cultural

Fábulas de Bolso.
Teatro Sancho Pança - Armazém B do Cais do Porto 

15h30 

O alvorecer de uma nova era.
A mãe-terra está “parindo” uma nova maneira de ser, uma nova frequência vibracional, e seus habitantes terão que repensar suas formas de existir, com Diógenes Pastre Camargo.
Sala Leste - Santander Cultural

Acessibilidade e inclusão social.
Sala de Vídeo

16h 

Quântica: espiritualidade e saúde.
Organização é apenas um engano de nossa percepção? Com Moacir da Costa de Araújo Lima.
OBS: Atividade com tradução simultânea para Libras – Língua Brasileira de Sinais
Sala dos Jacarandás - Memorial do RS

Oficina o processo criativo: da narrativa breve ao romance de fôlego.
Como desenvolver a ideia do primeiro parágrafo ao ponto final. Módulo 2/2, com Marcel Citro.
Mais informações e pré-reserva pelo email oficinas@camaradolivro.com.br.
Sala A2B2 - Casa de Cultura Mario Quintana

 Roda de histórias.
Roda de histórias. Uma história é  contada revelando o tema a ser compartilhado com o grupo, e os participantes são convidados a partilhar suas histórias. Com Clarice Nejar e Luana Fernandes.
Tenda de Pasárgada

Poesia Inclusiva.
Recital das poesias produzidas em oficina de criação poética, em formato acessível, destinada a pessoas que tenham deficiência visual ou baixa visão. Com Roselaine Funari e participação do harpista Daniel Uchoa.
Ateliê da Imagem 

16h30 

Professor Hermógenes – Vida, Yoga, Fé e Amor.
Palestra de lançamento da biografia do meste de Yoga,  com  Vítor Caruso Júnior e Enio Burgos.
Sala Oeste - Santander Cultural

Academia Literária Feminina do RS.
Encontro da Academia Literária Feminina do RS, convidada especial Susana Cordero de Espinosa.
Inscrições: visitacaoescolar@camaradolivro.com.br
Casa do Pensamento 

17h 

Terapia de regressão – perguntas e respostas.
Bate-papo com autor, Mauro Kwitko, que fala sobre a terapia de regressão e esclarece dúvidas do público presente.
Sala Leste - Santander Cultural

Aprenda a desenhar com a família Falcote.
Sala de Vídeo

Na Magia dos Sonhos…Tudo Pode Acontecer.
Teatro Sancho Pança - Armazém B do Cais do Porto 

17h30 

 Sustentabilidade mental.
A memória como base da potência cerebral, com Tomio Kikuchi, José Tachenco, Flávio Tavares e Rosvita Bauer.
Sala dos Jacarandás - Memorial do RS

18h 

Crack e o labirinto das drogas.
Sala Oeste - Santander Cultural

18h30 

Amor por minuto.
Uma abordagem diferente sobre relacionamentos contemporâneos, com Flavio Silveira, Otávio Augusto Wink Nunes e Cínthya Verri.
Sala Leste - Santander Cultural

19h 

 Presença de Valter Hugo Mãe na 58ª Feira do Livro de Porto Alegre
Participam da mesa Jane Tutikian e Pedro Gonzaga.
Sala dos Jacarandás - Memorial do RS

 Espiritualidade e qualidade de vida.
Os conhecimentos das leis de Deus transformam o homem em um ser completo, com uma melhor qualidade de vida, com Alírio de Cerqueira e Gabriel Salum.
OBS: Atividade com tradução simultânea para Libras – Língua Brasileira de Sinais
Teatro Sancho Pança - Armazém B do Cais do Porto

Oficina: o desafio de publicar.
O processo de publicação de um texto. Módulo 1/3, com Cassio Pantaleoni.
Mais informações e pré-reserva pelo email oficinas@camaradolivro.com.br.
Sala A2B2 - Casa de Cultura Mario Quintana

Sessão de Cinema no Cine Santander Cultural – 27 out a 11 nov.
Menos que Nada, de Carlos Gerbase.
OBS: Exibição única, com entrada franca – ingressos na bilheteria,  por ordem de chegada.
Cine Santander Cultural

3º Seminário Reinações na Feira do Livro de Porto Alegre.
Mesa – redonda: A presença da magia em Lygia Bojunga: falando sobre bolsas e outras coisas, com Liza Petiz e Rodrigo Barcellos. Mediação de Caio Riter.
Inscrições: visitacaoescolar@camaradolivro.com.br
Casa do Pensamento 

20h 

Flávio Tavares
1961 – O golpe derrotado e memórias do esquecimento – L&PM Editores.
Praça de autógrafos

Fonte: 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Eliana Jimenez (A Trova-Legenda)


artigo pela autora

A ideia da publicação de uma imagem no blog para instigar a imaginação dos trovadores surgiu por acaso.

Fiz uma trova alusiva à foto de uma passarinha abrigando seus filhotes sob as asas e percebi que a trova não tinha existência própria, que precisava da imagem para ser compreendida.

Em seguida, comecei a procurar trovas para imagens, mas nem sempre se encaixavam perfeitamente, além de consistir em um grande trabalho de pesquisa.

Surgiu então a ideia de fazer o contrário: publicar a imagem e convidar os trovadores para enviarem uma trova que funcionasse como legenda.

Na edição de estréia, em 21 de outubro de 2011, tive o apoio de grandes mestres e divulgadores do movimento trovadoresco, como A. A. de Assis, Ademar Macedo, José Feldman, e Prof. Garcia. Logo em seguida, importantes nomes da trova aderiram ao blog, como Carolina Ramos, Darly O. Barros, José Fabiano, entre outros. Esse suporte dos trovadores consagrados foi sempre crescente e fundamental para que a ideia se propagasse.

Após esse primeiro ano de existência da Trova-legenda, o blog consolidou-se, tendo até obtido reconhecimento da UBT de São Paulo. Conta com uma média de 45 trovas por edição. A cada 10 dias uma nova imagem é publicada, sempre tentando desafiar a imaginação e a habilidade dos trovadores.

Como não é concurso, todas as trovas que atendam aos requisitos de métrica e rima são publicadas e com isso, o blog está cumprindo uma importante missão, que é cativar e trazer novos admiradores para o movimento trovadoresco.

A trova tem esse poder, como dizia Luiz Otávio, de nos tomar por inteiro e abrir o coração para abrigar tantos irmãos queridos e iluminados, de romper fronteiras, e ainda preencher nossos momentos com a chama da inspiração.

O endereço do blog é:
http://poesiaemtrovas.blogspot.com.br e estão todos convidados a participar.
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José Feldman escreve:

São ativistas como Jimenez que mantém acesa a chama da cultura brasileira. Pessoas como ela, com garra, com novas idéias, com dedicação que endossam este exército de literatos, tremulando a nossa bandeira.
Parabéns pelo seu trabalho, que  seja uma árvore carregada de frutos.

E aproveitando o espaço, prezado trovador, você já enviou sua trova para a nova trova-legenda? Vence em mais uns dias. Desta vez, não vou colocar a figura. Entre no blog da Jimenez. Vamos participar com mais afinco, não vejo o nome de muitos outros trovadores que poderiam estar participando. Lembrando, o endereço é http://poesiaemtrovas.blogspot.com.br. Nos encontramos por lá.

Fonte:
Boletim Nacional n. 531 – outubro/2012 – União Brasileira de Trovadores – UBT/Nacional

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 708)



Uma Trova de Ademar  

Não acredito em trapaça, 
o livre arbítrio eu imponho; 
não há destino que faça 
eu desistir do meu sonho. 
–Ademar Macedo/RN– 

Uma Trova Nacional  

Lançada a sorte! Em verdade,
eu parti... Mares medonhos!...
E, no Porto da Saudade,
fui ancorar com meus sonhos...
–Giselda Medeiros/CE– 

Uma Trova Potiguar  

Quando um jardim perde as flores, 
a mão de Deus recupera, 
pintando as mais lindas cores 
nas flores da primavera! 
–Prof. Garcia/RN– 

Uma Trova Premiada  

2010   -   ATRN - Natal/RN 
Tema   -   INSPIRAÇÃO   -   1º Lugar 

Inspiração, não me deixes 
neste mundo imerso em dor! 
– Sem ti, sou rio... sem peixes... 
Sou coração... sem amor...! 
–Marisa Vieira Olivaes/RS – 

..E Suas Trovas Ficaram  

Somos dois gritos calados 
dois momentos desiguais, 
dois seres desencontrados 
mas que se buscam demais. 
–Marisol/RJ– 

U m a P o e s i a  

O meu jeito de ser não me subleva 
quero ser como Deus mandou que eu fosse, 
quando eu vim foi a vida quem me trouxe 
quando eu for é a morte quem me leva, 
pra que eu reclamar de Adão e Eva 
se a serpente lhes fez quebrar a jura, 
pra que eu exibir a dentadura 
se não tem nenhum osso que ela roa; 
pra que tanta riqueza se a pessoa 
nada leva daqui pra sepultura. 
–Fernando Emídio/PE– 

Soneto do Dia  

DONA FLOR.
–Vicente de Carvalho/RJ– 

Ela é tão meiga! Em seu olhar medroso 
vago como os crepúsculos do estio, 
treme a ternura, como sobre um rio 
treme a sombra de um bosque silencioso.

Quando, nas alvoradas da alegria, 
a sua boca úmida floresce, 
naquele rosto angelical parece 
que é primavera, e que amanhece o dia. 

Um rosto de anjo, límpido, radiante... 
Mas, ai! sob esse angélico semblante 
mora e se esconde uma alma de mulher 

que a rir-se esfolha os sonhos de que vivo 
– Como atirando ao vento fugitivo 
as folhas sem valor de um malmequer...

58a. Feira do Livro de Porto Alegre (Programação: 27 de outubro, sábado)


09h 

Seminário Internacional 
O papel da biblioteca e da leitura no desenvolvimento da sociedade.
Programa Prazer em Ler:rede de atores mobilizando a leitura literária no Brasil,com Paulo Castro. 
Sala dos Jacarandás-Memorial do RS

Literatura e Arte, Pedagogia Waldorf.
Vitrina da Leitura 

Teatro de Mesa.
Ateliê da Imagem 

A Arte Levada a Sério.
Território das Escolas 

Campanha de prevenção ao Diabetes.
Pórtico central do Cais do Porto

9h30 

Seminário Internacional 
O papel da biblioteca e da leitura no desenvolvimento da sociedade.
Abertura do Seminário Biblioteca Viva RS e do IV seminário redes de Leitura :O papel do estado na construção das políticas integradas de leitura. As bibliotecas públicas,escolares e comunitárias.Elisa Machado,Vera Saboya,Jéferson Assumção,Rogério Pereira e Maria Zenita de Monteiro.Mediação de Márcia Cavalcante.
Sala dos Jacarandás-Memorial do RS

11h 

Contação de Histórias.
A Bola e o Goleiro, contação de histórias com a equipe do QG
QG dos Pitocos

13h30 

Hunsrik, unser taytx – Patrimônio Cultural do RS.
Língua Germânica ainda em uso por mais de dois milhões de falantes no Brasil, com Solange Hamester Johann.
Sala Oeste - Santander Cultural

Compartilhamento de boas práticas de promoção da leitura – bibliotecas comunitárias, públicas e escolares.
Sala 1-Escola de Leitores (POA),Biblioteca Pública de Sertão Santana,Biblioteca Pública de bagé,Literasampa(São Paulo),Biblioteca Pública do Rio Grande do Sul,crianças e jovens do Rio Grande escrevendo história e baixada literária(RJ).Mediação de Marcelo Azevedo.
Sala 2-Adote um Escritor(POA),Biblioteca Pública de Caxias do Sul,Valelendo (SP) e sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Rio de janeiro.Mediação de Laís Chaffe.
Sala 3 – Mar de Leitores (Paraty), Biblioteca Pública do Paraná, Redes de Leitura (Porto Alegre) e Prefeitura Municipal de Canoas (RS). Mediação de Neide Almeida.
Sala 4 – Ler com Arte (Curitiba), Biblioteca Pública de Venâncio Aires, Biblioteca Monteiro Lobato (São Paulo), Conexão Leitura (RJ) e Autor Presente (RS). Mediação de Loiva Serafini.
Faculdades Monteiro Lobato (Rua dos Andradas, 1180)

14h 

Cosette Castro (org.)
Conteúdos em multiplataformas: extensões das narrativas digitais – Armazém Digital 
Memorial - Térreo

Álvaro Benevenuto Jr., Cézar Steffen (org.)
Tecnologia, pra quê? (vol.II) – Armazém Digital
Memorial - Térreo

Carol Casali (org.)
Produção do acontecimento jornalístico: perspectivas teóricas e analíticas – Armazém Digital
Memorial - Térreo

Carlos Sanchotene (org.)
Comunicação e mídias digitais – perspectivas teóricas e empíricas – Armazém Digital
Memorial - Térreo

Como nascem os livros.
O amor e o conhecimento sobre o caminho que dá vida aos livros, com Jane Tutikian e Jerônimo Carlos Santos Braga.
Sala Leste - Santander Cultural

Moda e Literatura – A imagem do dândi: beleza, exotismo e perversidade
Museu Júlio de Castilhos - Rua Duque de Caxias, 1205

14h30 

A loucura dos normais: inteligência quântica aplicada ao aperfeiçoamento mental humano.
Sala dos Jacarandás - Memorial do RS

Primeira sessão – curtas e documentários.
Tenda de Pasárgada

15h 

Marion Cruz e Monika Papescu
Deck dos Autógrafos - Pórtico Central do Cais do Porto

Walmor Luiz Filla (org.)
Um novo caminho é possível – Suliani/ Letra&Vida
Praça de Autógrafos

Luiz Carlos Gosmann
A saga de um imigrante italiano em busca da terra nostra: a saga da família Rota/Rotta – Suliani / Letra&Vida
Praça de Autógrafos

Izabel Eri Camargo
Caminhos do mapa literário – Suliani / Letra&Vida
Praça de Autógrafos

Crimes, impérios, névoa translúcida e um porco entre os peixes: a respeito da atual literatura alemã.
Sala Oeste - Santander Cultural

Avenida Cores por Todo Lugar.
Teatro Infantil com Ato Espelhado Companhia Teatral.
Teatro Sancho Pança - Armazém B do Cais do Porto 

15h30 

Mesa do patrono
Jane Tutikian, patrona da 57ª Feira do Livro, apresenta o novo patrono, Luiz Coronel.
Sala Leste - Santander Cultural

Acessibilidade e inclusão social.
Sala de Vídeo

Sessão de autógrafos.
Sessão de autógrafos com Associação Cristã de Moços, de Porto Alegre.
Território das Escolas 

16h 

Jorge Menezes
A loucura dos normais: inteligência quântica aplicada ao aperfeiçoamento mental humano – Hapha Editora
Praça de autógrafos

Oficina o processo criativo: da narrativa breve ao romance de fôlego.
Como desenvolver a ideia do primeiro parágrafo ao ponto final. Módulo 1/2, com Marcel Citro.
Mais informações e pré-reserva pelo email oficinas@camaradolivro.com.br.
Sala A2B2 - Casa de Cultura Mario Quintana

 III Seminário Nacional de Crítica e Literatura – Grandes mestres e seus leitores
Homenagem a Jorge Amado, com Josélia Bastos de Aguiar, Carlos Augusto Magalhães e mediação de Eliana Pritsch.
Sala dos Jacarandás - Memorial do RS

 O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá.
De Jorge Amado, a história de amor de um gato mau por uma adorável andorinha, com Alexandre Malta e Nathaliê Oliveira.
Tenda de Pasárgada

16h30 

A vivência dos sonhos.
A vivência dos sonhos. Um ensaio em prosa poética e sua ligação com a experiência dos sonhos, com Maria Carpi, Luiz Olyntho, Iván Izquierdo e Fabrício Carpinejar.
Sala Oeste - Santander Cultural 

17h 

Anderson Vicente
Às voltas com a caveira – SVB Edição e Arte
Praça de Autógrafos

Sérgio Vieira Brand
Por que não eu? – SVB Edição e Arte
Praça de Autógrafos

Silvio Melo
Bucaneira – Alcance
Praça de Autógrafos

Tributo a Moacyr Scliar.
Homenagem ao escritor através de depoimentos, comentários sobre a gênese da obra, leitura de manuscritos e elementos do seu imaginário, com Zilá Bernd, Luiz Antonio de Assis Brasil, Ana Maria Lisboa de Mello e Marie Hélène Paret Passos.
Sala Leste - Santander Cultural

Louça Cinderela.
Teatro de bonecos, com Cia Gente Falante
Teatro Sancho Pança - Armazém B do Cais do Porto 

Contação de histórias para o público infantil.
Sala de Vídeo

A Arte Levada a Sério.
Território das Escolas 

17h30 

 Capitães da Areia – homenagem aos cem anos de Jorge Amado.
Sala dos Jacarandás - Memorial do RS 

Oficina Nem tudo é conto.
A estrutura do conto, suas leituras e seus contistas. Módulo 1/2, com  Altair Martins.
Mais informações e pré-reserva pelo email oficinas@camaradolivro.com.br.
Sala de Literatura - Casa de Cultura Mario Quintana

18h 

Caio Riter
Fio da palavra – Sintrajufe/RS
Memorial - Térreo

Camisa brasileira.
Bate-papo sobre o livro de arte fotográfica, com Gilberto Perin e José Francisco Alves.
OBS: Atividade com tradução simultânea para Libras – Língua Brasileira de Sinais.
Sala Oeste - Santander Cultural

Ciclo Fahrenheit 451: Caio Riter homenageia Jorge Amado.
Inspirado em Fahrenheit 451, do mestre da ficção científica Ray Bradbury, o ciclo lembra a história em que, num futuro totalitário, os livros seriam proibidos e queimados. Graças a uma comunidade de homens-livros, publicações são decoradas e retransmitidas. A cada dia, um convidado especial passa a ser um livro, dividindo-o com o público.
Tenda de Pasárgada

18h30 

Solidão continental e outros textos
Leitura de trechos da obra de João Gilberto Noll pelo autor.
Sala Leste - Santander Cultural

Contação de histórias para o público infantil.
QG dos Pitocos

A Arte Levada a Sério.
Território das Escolas 

19h 

 Bate-papo com J.J. Benitez, autor da saga Cavalo de Troia.
O escritor conversa com o público sobre sua vida e obra. Com mediação de Regina Kohlrausch e Luiz Gonzaga.
OBS: Atividade com tradução simultânea para Libras – Língua Brasileira de Sinais.
Sala dos Jacarandás - Memorial do RS

Sessão de Cinema no Cine Santander Cultural – 27 out a 11 nov.
Cine Santander Cultural

 3º Seminário Reinações na Feira do Livro de Porto Alegre.
Conferência de abertura – A construção de um universo mágico: a obra de Lygia Bojunga, com Ninfa Parreiras e mediação de Elaine Maritza.
Inscrições: visitacaoescolar@camaradolivro.com.br
Casa do Pensamento 

20h 

As mulheres que amavam Gainsbourg.
Sarau em homenagem ao cantor e compositor francês Serge Gainsbourg. Com Eliana Guedes Müssnich, Boni Rangel, Danniel Coelho, Fernanda Moreno, Fabíola Ribeiro Barreto, Cristiano Godinho, Martha Brito Arsego e Cínthya Verri.
Tenda de Pasárgada

Fonte: 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Ialmar Pio Schneider (Efemérides Poética) Outubro - até dia 25



SONETO A HUMBERTO DE CAMPOS 
– In Memoriam  
Nascimento do escritor em 25.10.1886 

Ao ler suas Memórias comoventes, 
e as crônicas, sonetos, cujos temas 
demonstram como ele enfrentou problemas, 
e o fez em páginas inteligentes,... 

fico a pensar também quantos poemas 
nascem das almas boas, penitentes, 
nos momentos aflitos em que os crentes 
se debruçam perante seus dilemas... 

Mas, o Senhor que reina nas Alturas, 
o Pai Supremo de todas criaturas, 
olha por nós, Seus filhos prediletos,... 

pra que sejamos ternamente irmãos 
e os nossos sonhos nunca sejam vãos 
num mundo justo e fraternal de afetos…

SONETO ALEXANDRINO A AMADEU AMARAL
– In Memoriam 
Falecimento do poeta em 24.10.1929 

“Rios”, “Sonhos de Amor”, e “A um Adolescente”, 
são sonetos de escol que leio comovido, 
porque me fazem bem neste dia envolvente 
pela nublada luz do céu escurecido... 

E fico a meditar, trazendo para a mente, 
os poemas “A Estátua e a Rosa”, em sublime sentido; 
“Prece da Tarde”, quando exsurge a voz do crente 
como um sopro de amor no caminho escolhido... 

Estou perante o mestre Amadeu Amaral, 
cujos versos serão sempre muito admirados, 
como régio cultor da nobre poesia... 

Além do mais, ficou sendo vate Imortal, 
pois eleito ele foi por membros consagrados 
de nossa Brasileira Excelsa Academia !

SONETO A THÉOPHILE GAUTIER 
Falecimento do poeta em 23.10.1872 
– In Memoriam 

Poeta que saudou a Primavera, 
ao chegar com seu primeiro sorriso, 
por toda a parte a floração impera 
como se próxima do paraíso... 

No jardim, no pomar, também diviso 
as mais lindas flores e o crescer da hera... 
Quanta imaginação fora preciso 
para desenvolver esta quimera ! 

No vergel, as pequenas margaridas; 
no bosque, violetas e malmequeres; 
tudo aparece viçoso a florir... 

Enfim, para alegrar as nossas vidas, 
e tornar mais bonitas as mulheres, 
proclamo: “Primavera, podes vir!”

SONETO LIVRE A OSWALD DE ANDRADE 
Falecimento do escritor em 22.10.1954 
– In Memoriam 

Homenagear um poeta modernista 
como o foi Oswald de Andrade, como seria? 
se escrevo versos rimados de artista 
nos modelos antigos da poesia?! 

Mas minha verve faz com que eu insista 
a prestar, já nem sem se é honraria, 
este preito em palavras de anarquista, 
num soneto livre de métrica, neste dia ! 

Entretanto, não prescindo da rima, 
por ser ela que sempre me anima 
quando qualquer poema componho... 

Desculpe-me por este sacrilégio 
de abandonar as normas do colégio 
parnasiano ! Foi apenas um sonho…

SONETO A ARTHUR AZEVEDO 
– In Memoriam 
Falecimento em 22.10.1908

Foi dramaturgo, poeta e contista, 
com “Arrufos”, um soneto forte, 
após desentender-se com a consorte, 
fez uns ares de quem do amor desista... 

Toma o chapéu e sai, sem que suporte, 
fingir que não mais ama e se contrista, 
mas algo o faz voltar e então persista 
a manter a paixão até a morte... 

Assim são os amores verdadeiros, 
ao menos na aparência dos amantes, 
que às vezes têm questiúnculas por nada... 

E quando voltam ficam companheiros 
para viverem todos os instantes, 
seguindo adiante pela mesma estrada…

SONETO A ALPHONSE DE LAMARTINE 
Nascimento do poeta em 21.10.1790 
– In Memoriam

Recordo-me do seu poema “Outono”, 
que o Irmão Érico, enfaticamente, 
lia alto, na aula, com tamanho entono, 
que despertava a comoção na gente... 

Saudava a natureza, tristemente, 
como se a visse ficar no abandono 
pela queda das folhas, de repente, 
ao reclinar pra o derradeiro sono! 

Nesse cálice em que bebia a vida, 
talvez, houvesse uma gota de mel, 
após ter sorvido néctar e fel... 

Na multidão uma alma desconhecida, 
quem sabe, o compreendesse com bondade 
e lhe desse, afinal, felicidade !…

SONETO A ARTHUR RIMBAUD 
Nascimento do poeta em 20.10.1854 
– In Memoriam 

Jovem poeta que parou bem cedo 
de fazer versos plenos de emoção... 
Soneto de “Vogais” em cujo enredo 
cada uma tem a significação. 

Sua obra não foi simples arremedo 
de alguém que pensa apenas na ilusão; 
não se sabe do enigma nem do medo 
de a poesia dar continuação... 

O certo é que depois, quando indagado 
se era parente de Rimbaud, dizia: 
“Eu nunca ouvi falar !” E assim calado 

continuou pelo resta da vida, só, 
com sua nova e vã filosofia 
em que se sabe que seremos pó !

SONETO  AO DIA DO POETA
20.10

O poeta é aquele que vê mais longe: 
pode saber de tudo ou quase nada... 
Tanto é um pecador quanto é um monge, 
vive numa caverna ou segue a estrada 

dos sonhos. Às vezes parece um conde 
a procurar sua alma gêmea, a maga 
que num castelo medieval se esconde, 
cuja lembrança a solidão lhe afaga. 

Também não deixa de sofrer por isso 
e nunca se conforta no prazer 
de sempre se afastar do rebuliço: 

assim é que pretende compreender 
o destino que leva no feitiço 
questionável do ser ou do não ser !

SONETO A VINÍCIUS DE MORAES 
Nascimento do poeta em 19.10.1913
- In Memoriam

Quando nasceu Vinícius de Moraes 
trouxe consigo a chama da poesia, 
pra celebrar as musas, dia a dia, 
até o fim com versos geniais... 

Poeta da Paixão e da magia 
de conquistar mulheres especiais, 
compondo seus sonetos sensuais, 
viveu intensamente na boemia. 

Nesta data do seu aniversário 
há que lembrar-se: “Eu sei que vou te amar...” 
E assim nesse romântico cenário 

ouvir “Soneto da Fidelidade”, 
na voz do poetinha a declamar 
com tanto romantismo e intensidade !

SONETO A CASIMIRO DE ABREU 
– In Memoriam 
Falecimento do poeta em 18.10.1860 

Mas, onde se esconderam “Meus Oito Anos”, 
que os procuro debalde na distância? 
Casimiro de Abreu, teus desenganos, 
trazem saudades de minha infância... 

No entanto, sempre na mesma constância, 
bate meu coração com seus arcanos; 
e o que outrora tinha significância, 
hoje, são meus pobres cantos profanos. 

Pois, “oh! que saudades que tenho”, agora, 
daquele tempo bom que foi embora, 
e que, bem sei, não volta nunca mais? 

Sigo meu caminho sempre confiante, 
que cada etapa que me surge adiante, 
só vem complementar meus ideais…

SONETO A MANUEL BANDEIRA
Falecimento do poeta em 13.10.1968
– In Memoriam

MEU CARNAVAL 78 

Ilusão desta vida imaterial, 
não adianta pensar nem presumir, 
o negócio é deitar para dormir 
ou ler Manuel Bandeira tão jovial... 

Mas que anseio, que lástima, afinal, 
se tudo é passageiro ?! quero ouvir 
Sonatas ao Luar e me sumir 
à procura de um bálsamo ao meu mal. 

E não será aqui, nem mais distante... 
Lança-perfume d éter não existe ! 
O que fazer? Confete e serpentina?! 

Desvairado, sem álcool e perante 
mulheres tão bonitas e eu tão triste: 
pobre Pierrô buscando a Colombina !

SONETO CAÓTICO A MÁRIO DE ANDRADE
Nascimento do poeta em 9.10.1893
– In Memoriam

Mário de Andrade cria o Desvairismo, 
foge da rima e métrica também... 
Houvera de existir, no entanto, alguém 
que a outra escola desse outro batismo ! 

Hoje apresento-lhes o Caotismo 
e de antemão não sei se lhes convém; 
voltando a antigas fórmulas, porém, 
a conservar ainda o Telurismo... 

Procuro na desordem o entendimento 
e misturando todos, bons e maus, 
faço versos, até com sentimento, 

que singram mares, vagarosas naus... 
Seguem o rumo que lhes dita o vento 
na vastidão das águas para o caos...!

SONETO A CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE  
Nascimento do poeta EM 8.10.1863 -– 
– In Memoriam 

Faz-me lembrar o tempo de menino, 
no lar paterno, lá na velha aldeia, 
com minha mãe, irmãos e irmãs, na ceia, 
de noitezinha, ao bimbalhar do sino... 

Depois, eu contemplava a lua cheia 
e perguntava aos céus: qual meu destino, 
neste mundo que roda e cambaleia, 
com momentos de luz e desatino?!... 

E ouvia a minha voz na voz do vento, 
dizendo que eu tivesse paciência, 
estudasse, aprendesse e na paixão 

de adquirir maior conhecimento, 
ingressasse no reino da sapiência... 
Que lindo era o Luar do meu Sertão !…

SONETO A EDGAR ALLAN POE 
Falecimento do escritor em 7.10.1849
– In Memoriam 

À meia-noite o visitou alguém, 
enquanto refletia nessa hora, 
lendo doutrinas em manuais de quem 
pudesse distraí-lo, sem demora... 

Curiosidade neste mundo têm 
todos os seres em que a dor vigora, 
e ao vate parecia que do Além 
surgia a voz saudosa de Lenora. 

Pensou, então, que fosse algum amigo, 
que tinha vindo lhe pedir abrigo 
p´ra mitigar as dores infernais... 

Abre a janela a olhar, e num tumulto 
enxerga esvoaçar sinistro vulto; 
era o Corvo que disse: “Nunca mais!”

Fontes:
O Autor
Imagem = montagem por J. Feldman

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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