Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

J. Fausto Toloy (“O Livro que Ninguém Lia”... aventuras do livro rejeitado!)


O autor é médico, da Campina da Lagoa/PR.
Este conto participou do FLIP e será adaptado para o teatro.

Era um livro um pouco estranho: capa azul e borda amarela com  letras garrafais em vermelho: “O CAMUNDONGO DE SARONGO”, um título no mínimo esquisito que rimava. Seria prosa ou poesia? Passou despercebido como tantos naquela livraria. Ignorei-o simplesmente. Mas para minha surpresa ouço uma voz:

— Moço, moço… Você mesmo com carinha imberbe, estudante talvez, um mancebo! – Caramba! De onde vinha aquele som? Espanto, olhares de pavor ao derredor – Droga, não tem ninguém aqui!

— Não se assuste ali na frente tem homem que vira barata, mais adiante um rato atrapalhado, uma baratinha cantora, um grilo falante, e até animais que expulsam o dono da granja! Anything goes, baby! Em ficção é claro! Aqui, bem aqui no cantinho, o livrinho de borda amarela, isso, isso agora mais pra direita… sou eu! Parecia mesmo que a voz vinha do livro… Seria possível? Não fumei nada, nem uso droga ou coisa semelhante, às vezes um antidepressivo... vou falar com ele! 

— Está procurando um best-seller tipo “O livreiro de…” ou “O caçador de…” ou ainda “A ira dos …”, “Não verás…O”; que tal “O menino malu…” – Tô aqui esquecido e não sou nada disso, mas… Acho que vou colocar o dedo na borda. Iche! Mexeu, parece querer pular para as minhas mãos, será que gostou? Acaricio delicadamente o livro na ponta dos dedos sem retirá-lo da estante, espremido entre dois tomos volumosos, “Livraria Cultura – São Paulo supercap fevereiro de 2004”.

— Vamos, cara me pegue, me curta, delicie-se comigo só um pouquinho:  ah! O amor, que maravilha esse sentimento; a paixão, que perigosa ilusão! Enfim, use e abuse, mas cuidado me confunda com “Mate Leão” (tempos de criança). Hiii, cara se soubesse da minha história… quer saber? Vou contar: nasci numa graficazinha de fundo de quintal no Engenho Vila Verde, que nome bonito, ecológico… quem me escreveu? Criou os originais? Ah! Quer saber então? Está interessado, vejo nos seus olhos. Fruto de um escritor-mirim, nem posso dizer que foi um parto, o primeiro filho; essas coisas tolas que todo escriba diz, principalmente os medíocres, que nada ou muito pouco têm a dizer… O nome do meu autor é Ângelo Maiakóvski; tá pensando que é em verdade do grande poeta russo, não é Vladimir; o autorzinho é um nerd de computador desde os quatro aninhos, agora com doze. Então fui parar na Rua Humaitá, 444, onde um ilustrador de cartazes de cinema antigo fez o resto e, ainda sob protesto.— Faz anos que num trabalho nisso, como é pro dotor Aristarco vô fazê o melhó que posso. Rato num gosto de rato num é rato – Tequinho, é camundongo! – é tudo a mesma coisa – Meus Deus! E o meu revisor, uma piada; reprovado em português duas vezes e ainda conseguiu formar-se professor de matemática!!! “porque não trouxe a roupa de Maricota pra mim fazer (em vez de para eu fazer) “Se for ao clube e ver a Cidinha…” (em vez de vir) “Porque não pergunta ao Antonio?” (por que na pergunta) páginas 3, 17 e 27 respectivamente. Mas, entre mortos e feridos salvaram-se todos! Mas, pode me tocar, abrir: aventura, emoção, surpresas, risos, enfim, ingredientes de uma boa estória. Livro:  “Vamo lá, cara, ô meu (assim é melhor) me folheie, cheire, ainda tô novo só um pouco cheio de pó, traça num tenho. A cor azul-amarelo da capa ainda não desbotou apesar do sol que tomo na fuça toda manhã quando a Zica num fecha a cortina – deixa esse livreco, filho, vamos  levar um livro do Ziraldo; – pronto, não desencalhei de novo. ninguém prestigia mesmo autor desconhecido. – “Intelectual, ô você mesmo com óculos John Lennon, olhos negros… pode folhear à vontade; acho que vai levar pra se lembrar dos tempos idos da infância quando nem o Monteiro Lobato despertava curiosidade; não, não, larga, larga: nesta mochila molambenta não quero entrar não! Pode ter até… não, acho que não. Quem sabe levar pro filho bastardo? Topo qualquer parada pra sair dessa pasmaceira: livro na estante (de livraria, ainda, é livro morto) seria bom ganhar vida aos olhos de algum leitor, ensinar pelo encanto das palavras, despertar a alma da paixão, emoção, quem sabe descobrir palavras novas, ou apenas uma ideia, modo de ver o mundo ou uma mensagem! Agora na mochila junto com canivete suíço, cigarro (menos aquilo), uma troca de roupa, caneta, chaveiro. Vamos nessa. Tira-me no ônibus e começa a leitura:

— Mas, que droga, aquela vendedorazinha pivete acha que me engana, falou que tinha uma inspiração kafkiana – é livro infantil! Arremessado pela janela (defenestrado eu?) ufa: Vou pro meio da rua todo desfolhado, aberto no meio da avenida, logo sou atropelado por outro carro e escarafunchado perto do bueiro, nããããão! Uma mão salvadora me agarra antes do desastre: um colegial. – Oba, um livro, achei um livro, oba! Livro: que molequinho mais sem CPF, gostou do presente, e é isso que importa: cavalo dado não se olha os dentes”. Todo mundo quer ser apreciado e  amado, não é mesmo? Talvez seja esse o segredo? Incontinenti o menino inicia a leitura e vou deliciando-me com o desenrolar de tudo, da minha história, claro! O que mais poderia ser, sou só um livro que não queria ficar na estante tomando sol, pó, um dia quem sabe ser roído pelas traças. Que aventura viver, viver livre, enfim… UOFFF! Ledo engano, não é que o pivete não gostou da história e resolveu dar-me de presente ao pai presidiário. Hiche: Comida de preso, Mauser, tudo embrulhado vou para penitenciária”. Na estrada o guarda nem olha a encomenda. “Passa, passa, logo é pro Mekinho boca mole, vai, vai logo moleque”.[a]

— Que droga é essa, Palito, um livro?!

— É, pai, achei na rua, pode ser legal e fazer companhia nessa solidão. Joga-me num canto fétido onde, é claro, fico. Um evangélico começa a ler algumas páginas:— Tudo colonização do Tio Sam, imperialismo, volto pra minha Bíblia, o senhor é meu pastor e nada me faltará. Livro: “Virgem Maria, não precisava humilhar: comparar com o livro sagrado: ou tá alienado demais, ou tá brincando!” – Ah! Já sei vou presentear meu sobrinho internado na FEBEM, ele vai gostar. Dali o menino muda de ideia no caminho e leva para o Hospital Lua Nova, onde está internado o Meldes, vítima de esquizofrenia. Na chegada vive uma briga estranha, porquanto o Meldes disputa o livro com o Tito:

— O livro é meu, Mel, ele trouxe pra mim; a dra. falou que vou ganhar presente!

— Não, Tito, é outro presente, e é de Natal. – Na refrega sou partido em dois e uma metade vai pra cada um dos doidinhos.

— Pater dominus, pace! – entra o missionário e une as duas partes ficando eu livro outra vez – o que Deus uniu o homem não separa – ainda bem!

— O rato roeu a roupa do rei de Roma! – cruz credo, demônio, rato nããão! “De onde estava sou (defenestrado II) e caio no jardim”. Socorram-me subi no ônibus em Marrocos” Jesus é palíndromo! Lido ao contrário é igual— Acho melhor mesmo levar o livro pro seu destino. Colocado num envelope e postado vou pra instituição supracitada.

— Tio Onofre, que legal lembrar-se da gente esquecido aqui nessa antessala do inferno. Noutro dia mesmo me deram tanta pancada que quase acabei no hospital. Puxa um livro, que bacana: chega de TV, futebol (bola murcha), uma pedrinha pra variar… Depois de algum tempo: uau! Que rato esperto, vou fazer assim e logo saio daqui, mas… pensando bem por quê buraco? Um camundongo é pelo menos cem vezes menor que eu, mas, enfim não custa sonhar; ora, mas que bobagem sair… pra onde? Tenho comida, roupa, futebol, TV, sol… pensando bem não vou não! Viu livrinho bobo vou continuar capacho do idiota do “Roberto Carlos” que imagina cantar como o rei… tá vendo? Não serviu pra nada!!! – dar para o bestalhão então não… não sabe dar  valor no que leu… perdedor!  – Dar para o índio Emanuel, tio do Peralta… ele vai amar o presente, além do mais tá aprendendo português… ler também é uma aula da língua, não é?  Pronto seu destino tá traçado: índio pataxó! – Guarde com carinho, cacique, uma lição de português, presente do meu tio Melquisedeque, vulgo Mekinho, mas, olha é de coração, hem? – Cacique Jonas insere o livrinho no bolso da jaqueta de couro, presente do Morel por amansar o cavalo Terenzo, caminha alguns passos e saem para a avenida. O pobre cacique atravessa o farol e, diante do ponto de ônibus da Avenida República dos Inválidos, é atacado por skin-heads… defende-se como pode machucando alguns jovens com golpes de uma luta estranha, mas acaba imobilizado e incendiado pelos bárbaros jovens. Uma poetisa que mora nas vizinhanças e um malabares do farol de trânsito socorrem o silvícola civilizado. O livro cai da jaqueta e arde em chamas na calçada… dos borbotões brotam pequenos vagalumes que se afastam e iluminam a misteriosa noite de abril.

— Que lindo! Que lindo! – Raquel, a poeta, balbucia deslumbrada.

No final da história deste personagem rejeitado, de alguma forma o sacrifício do livro-herói não foi em vão.

Fonte:
Texto enviado pelo autor 

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 743)


Uma Trova de Ademar

Nos poemas que componho,
de beleza quase extrema,
eu ponho em verdade um sonho
dentro de cada poema!
–Ademar Macedo/RN–

Uma Trova Nacional


Um gesto de amor clareia
a escuridão da maldade...
quem faz o bem é candeia
que ilumina a humanidade!
–Larissa Loretti/RJ–

Uma Trova Potiguar

Meu cérebro inda martela
a despedida... o adeus...
o já vou “nos lábios dela”,
o não vá “nos lábios meus”!...
–Zé de Sousa/RN–

Uma Trova Premiada


2009 - Cantagalo/RJ
Tema - SERTÃO - 1º Lugar


No sertão pobre e carente
chuva é a mão que Deus descerra
e apaga a fogueira ardente
que queima a face da terra.
–Elen de Novaes Félix/RJ–

...E Suas Trovas Ficaram


Meu coração, a seu jeito,
cria rumos tão risonhos,
que faz, de um caminho estreito,
uma avenida de sonhos.
–João Freire Filho/RJ–

U m a P o e s i a


O amor da mulher querida
me fez virar trovador,
tornou-me o pai mais feliz
deste mundo encantador,
porque o sentido da vida
só se traduz com amor.
–José Lucas de Barros/RN–

Soneto do Dia

A ALMA DA PEDRA.
–Hegel Pontes/MG–


Longa pesquisa. E o mestre hindu descobre
que existe uma fadiga nos metais;
que o descanso renova, do ouro ao cobre,
o reino singular dos minerais.

Eu também sinto que a matéria encobre
estranhas vibrações emocionais.
É que a pedra tem alma, simples, nobre,
sonhando evoluções espirituais.

E a alma da pedra imóvel é a energia
que evolui, na ilusória letargia,
entre seres gigantes e pigmeus.

E sonha, nos milênios que a consomem,
ser um cacto que sonha ser um homem,
ser um homem que sonha ser um Deus.

12º Concurso de Poesias - CNEC Capivari (Resultado Final)


Categoria Infantil João Batista Prata 
(08 a 10 anos)

1º LUGAR :Caroline Bresciani (08 anos) = “ Chegou a primavera”

2º LUGAR: Luana Groninger Lima (09 anos) = “Algumas ações”

3º LUGAR: Denise Ortolani de Menezes (10 anos) = “ Sustentabilidade”

SELECIONADAS

Laura Bellini Alves de Souza (10 anos) = “Felicidade de uma criança” e “Para que estudar”

Danilo Ortolani Menezes (08 anos) = “Curiosidade” e “Uma flor”

Luíza Sério de Quadros (08 anos) = “Minha Família”

Luize Maria Pacheco de Carvalho (08 anos) = “Soneto para uma flor”

João Marinho de Almeida (08 anos) = “O sol”

Lívia Feres Haddad (08 anos)= “O Amor”

Gabryel Aparecido de Almeida (09 anos) = “Minhoca”

Isabela Casado Pupo (08 anos) = “Um mundo muito engraçado”

Denise Ortolani de Menezes = “Sentimentos”

Júlia Maria Souza Rossi = “A beleza do mundo está acabando”

CATEGORIA INFANTO JUVENIL Homero Dantas 
(11 a 14 anos)

1º LUGAR: Ana Carolina Silva Sampaio: “ A diferença existe?”

2º LUGAR : Caio Novaes Sandalo : “Bullying”

3º LUGAR : Marciel A. Gonçalves: “Dia das crianças”

SELECIONADAS

Vitória Veronez : “Do colorido ao branco e preto”

Beatriz Schincariol: “Sem mais encanto”

Edna Camatini: “Vida no trânsito”

Carlos Henrique Reginato Ferreira : “O dinheiro”

Marina Girardi Sanches : “ A essência”

Mary Helen Castellani: “ Adolescência”

Vitor Callegaro Veronez: “Todo fim tem um começo”

Tainá Gabriela Carvalho Dias: “Se eu fosse um herói”

Luiz Henrique Fumagalli: “História de Cordel inventada por mim”

Izabella Favarão da Silva: “Violência”

Letícia da Silva Antunes: “ Se eu fosse uma bola velha e rasgada”

Amanda Darossi: “Se eu fosse um aviãozinho de papel”

CATEGORIA JUVENIL RODRIGUES DE ABREU
 (15 a 17 anos)

1º LUGAR : Laramie Joaquina Gomes de Araújo: “ O sótão”

2º LUGAR : Yasmin de Carvalho Marrocco: “É psicológico”

3º LUGAR: Fabíola Silva: “Minha infância”

SELECIONADAS

Laramie Joaquina Gomes de Araújo: “A descoberta do amor”

Alex dos Santos: “A saudade”

Bianca Bordenali da Silva: “As eleições”

Taise Katherine Silva: “Amor”

Yasmin de Carvalho Marrocco: “Dia dos namorados”

Paulo César Martins: “Lembranças”

Cleiton Oliveira de Souza: “Meio ambiente”

Ana Paula Nicolau: “Meio ambiente”

Gustavo Cesar Carillo: “ O meio ambiente”

Marinara Souza Silva: “Uma coisa chamada amor”

Monica Montibeller: “Sonhos”

Lorena Dutra: “Vou me entregar”

CATEGORIA ADULTO AMADEU AMARAL 
(18 a 59 anos)

1º LUGAR: Reginaldo Costa de Albuquerque: “ O vestido”

2º LUGAR: Rita Do Carmo Piai Armelin: “Semeador”

3º LUGAR: Maria Luisa Cassaniga “ Vô Zé”

SELECIONADAS

José Roberto Abib: “Obscuro Caminhar”

Reginaldo Costa de Albuquerque: “Colheita”

Maria Luisa Cassaniga: “Vó Dide”

Maria Flávia Juliani Pastana: “Satisfação”

Rubens Rodrigues da Silva: “Soneto pro tempo que se repete”

Rita do Carmo Piai Armelin: “Girafa”

José Roberto Abib: “Quando isto se der”

Maria Flávia Juliani Pastana: “A família”

CATEGORIA SENIOR TARSILA AMARAL 
(acima de 60 anos)

1º LUGAR: Lídia Varela Sendin: “luz na Alma”

2º LUGAR: Maria Nerêa Baldo Calegari: “À minha terra natal”

3º LUGAR: Paulo Leite: “Poema Recordando o passado”

SELECIONADAS

Dallila Alves dos Santos: “Súplica” e “ Oi menino, esta é para você”

Wilma K. Ferraz de A. Cervi: “Solidão I” e “Solidão II”

Lídia Varela Sendin: “Corpo água”

Nelsira Michel da Silva: “A minha cachorrinha”

Paulo Leite: “Um tributo ao sertanejo Tinoco em poema”

Antonio Garcia Brabo: “A força do desejo”

Nara Pardini: “Entrega de amor”

Luzia do Carmo Cassaniga Leite: “Poema”

Olga Ricomini Pagotto: “A alma”

Maria Nerêa Baldo Calegari: “Tentar” 

Fonte:
 Http://concursos-literarios.blogspot.com 

VII Concurso "Comunidade Escolar" da APPACDM de Setúbal (Resultado Final)


1º Prémio – 
Poema Nrº 20 – “ A Poesia que há em ti é a mesma que há em mim” – 
Pseudónimo – “ Teresa Albuquerque” – 
Identificação – Ana Sofia da Conceição Alves Teixeira (Escola Secundária de Palmela)

2º Prémio – 
Poema Nrº 10 – “ És para mim poesia” – 
Pseudónimo – Bon Vivant” – 
Identificação – Flávio Henrique dos Santos Costa (APPACDM de Setúbal)

3º Prémio – 
Poema Nrº 9 – “ O que há dentro de mim” – 
Pseudónimo – “ Golfinho” – 
Identificação – Rui Alberto Santos Caleira (APPACDM de Setúbal)

MENÇÕES HONROSAS

- Poema Nº 15 – “ A poesia que há em ti” – 
Pseudónimo – “ Catarina Cordeiro” – 
Identificação – Catarina Alexandra Oliveira Cordeiro (APPACDM de Soure)

- Poema Nrº 12 – “Ser diferente…e igual” – 
Pseudónimo – Maria Mendes – 
Identificação – Adélia Maria Mendes (APPACDM de Soure)

- Poema Nrº 14 – “Tão diferente…mas tão igual a mim” – 
Pseudónimo – Tó Bento – 
Identificação – António José Bento de Carvalho (APPACDM de Soure)

- Poema Nrº 8 – “ O meu amor por ti” – 
Pseudónimo – MCC (Magnífico, Corajoso, Carinhoso) – 
Identificação – Tiago Luís Roque Severino (CSE – Centro Sócio Educativo da APPACDM de Setúbal)

- Poema Nrº 26 – “É apenas paixão” – 
Pseudónimo – “J.S” – 
Identificação – José Eduardo Nascimento Semedo (CECD Mira Sintra)

Fonte:
Http://concursos-literarios.blogspot.com 

XVII Concurso de poesia da APPACDM de Setúbal


1º Prémio – 
Poema Nrº 21 – “Estilhaços” – 
Pseudónimo – “ Alda Fragoso” – 
Identificação – Regina dos Anjos Sousa Gouveia (Porto)

2º Prémio – 
Poema Nrº 11 –“ Canção de Mimar” – 
Pseudónimo – “ Estrela Universal” – 
Identificação – Ana Coelho (Carregado)

Menções Honrosas:

- Poema Nrº 33 – “ Síndrome” – 
Pseudónimo – “ João Mafra” – 
Identificação – João Vítor Silva (Mafra)

- Poema Nrº 27 – “Dança Encantada” – 
Pseudónimo – “Mel” – 
Identificação – Vânia Isabel Veríssimo” (Setúbal)

- Poema Nrº 62 – “Moldura” – 
Pseudónimo – “Maria da Fé” – 
Identificação – Manuela Ferreira (Ponte de Lima)

- Poema Nrº 6 – “ Encolho-me nos teus braços esculpidos no vento” – 
Pseudónimo – “ David Ferreira” – 
Identificação – Maria da Conceição Bernardino (Porto)

- Poema Nrº 69 – “As minhas mãos” – 
Pseudónimo “ Flor-de-luz” – 
Identificação – “ Teresa de Jesus Ferreira Teixeira” (Vila Nova de Gaia)

Fonte:
Http://concursos-literarios.blogspot.com 

Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís (Portugal) (Resultado Final)


O romance A Vida Inútil de José Homem, de Marlene Correia Ferraz, é o vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, no valor de 25.000 euros, anunciou a Estoril Sol que o instituiu há cinco anos. 

O júri escolheu, por maioria, o romance de Marlene Correia Ferraz, psicóloga de 32 anos, considerando a "apreciável desenvoltura narrativa e uma relação criativa com a língua portuguesa", segundo a ata do júri a que a Lusa teve acesso. 

O romance "evidencia situações dramáticas da memória histórica portuguesa africana, num enquadramento interessante e, em certa medida, original", afirmou o júri no mesmo texto. 

O júri foi presidido pelo escritor Vasco Graça Moura e integrou Guilherme d`Oliveira Martins, em representação do Centro Nacional de Cultura, José Manuel Mendes, pela Associação Portuguesa de Escritores, Maria Carlos Loureiro, pela Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, Manuel Frias Martins, pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários e, ainda, Maria Alzira Seixo e Liberto Cruz, como convidados, e Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, pela Estoril Sol. 

O Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís foi instituído em 2008 por ocasião dos 50 anos da Estoril Sol que estabeleceu um protocolo com a editora Gradiva, que publica a obra vencedora. 

Fonte: 
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=601206
Http://concursos-literarios.blogspot.com 

Prêmio Uberaba de Literatura 2012 (Resultado Final)


*** CONTOS ***

1º LUGAR
TUDO O QUE HÁ NO OLHAR
JÂNSEN ALMEIDA DINIZ

2º LUGAR
SUICIDAS S.A
TIAGO OLIVEIRA DUMARD

3º LUGAR
ETERNAMENTE EM BOTAFOGO
FÁTIMA SOARES RODRIGUES

4º LUGAR
NATIMORTO
FABIANA RODRIGUES DA CUNHA FELICÍSSIMO

5º LUGAR
TODA A GLÓRIA DE UMA VIDA SEM FIM
BRUNO GARCIA TOMÁZ

6º LUGAR
SONHOS DE UM PASSADO
POLIANA VELOSO DA CRUZ

*** POESIAS ***

1º LUGAR
NA MINHA PELE
MAGDA LUCIA VILAS-BOAS

2º LUGAR
DITOS
RODRIGO FRANCISCO DE OLIVEIRA

3º LUGAR
CONVERSA DE POETA
VICENTE DE PAULO HIGINO

4º LUGAR
PESCADOR
ANDRÉ ESTEVES MARTINS PINTO

5º LUGAR
NATURAIS
WLADIMIR MOREIRA SANTOS

6º LUGAR
DESCANTO
FLAVIO AUGUSTO LANZARINI DE CARVALHO

7º LUGAR
TEMPO! ENSINA-ME A VIVER!
TERESA CRISTINA DE OLIVEIRA ROSA

8º LUGAR
CANÇÃO EM DEGRADE
PERPÉTUA AMORIM

9º LUGAR
CALARIA
THAÍS SILVA DE ASSIS

10º LUGAR
TAMBORES
CARLOS ROBERTO DA ROSA RANGEL

11º LUGAR
NÃO-EU
MARCOS ANTONIO SANTOS SOUZA

12º LUGAR
O TRISTE E CURTO CONTO QUE TE CONTO
DAVID MAGNO DE CARVALHO MENDES

13º LUGAR
ACREDITE QUE SOU TUDO, POR ISSO PEÇO SEU AMOR
SÍLVIA MARTINS PARREIRA

14º LUGAR
LUZ, ENTRE E SIRVA-SE, MAS SEJA PARCIMONIOSA E PRESERVE OS SEGREDOS DA ESCURIDÃO!
MORVAN ULHOA DE FARIA

15º LUGAR
MARIAS DO AMOR
IVANE LAURETE PEROTTI

Fonte:
Http://concursos-literarios.blogspot.com 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Trova 234 - Nei Garcez (Curitiba/PR)



José Maria de Almeida (Haicais)


Praia tranquila,
As gaivotas voando,
O peixe plóff...

Jangadas no mar,
Velas querendo bailar.
As redes caem.

Cachimbo na mão,
Olhar perdido no mar.
Pássaros...fiu...fiu...

Saia voando,
Pés na areia ...andar.
As ondas...chuá.…

Ondas nas pedras,
Mar revolto agita.
Vento...Chuva...Chiii....

Ventos vadios,
Ondas na areia...Mar.
Mulher nadando.

Coqueiros bailam.
A jangada sai do mar.
corpos na chuva.

Saudade estou
Do canto de pássaros
De minha terra.

Saudade estou
Do barulho da água.
Rio ao lado.

Voa sabiá
Canta seu canto livre.
Tui tuiuí.

Vai cotovia
Pousa na flor da vida.
Flapi , flapi, piu.

Chorando por quê?
Hoje é outro dia.
Olhando fotos.

O passado foi,
O hoje é agora.
Vivendo feliz.

Sorriso largo,
Gargalhadas sonoras.
Circo alegre.

Palhaço no chão,
Trapezista sorrindo.
O show começou.

Palhaço feliz.
Trapezista caindo.
Palhaço que é.

Tudo nela é:
Amor e muita paixão.
Minha amada.

Entrega total,
É mulher e amante.
Minha perdição.

Amor latente,
É sensualidade.
É minha paixão

Lágrimas correm,
                   Olhar perdido no céu.
                   Alguém que partiu.

Rosa caindo
                    Das flores que balançam.
                    Vento que baila.

Rosa lilás
                    De sensual perfume.
                    Caída no chão.

Fonte:

1º Prêmio de Trovas Humorista Chico Anísio – 2012 – UBT/Maranguape (Nacional/Internacional e Estadual) Tema: Maranguape


ÂMBITO: NACIONAL/INTERNACIONAL

VENCEDORES (1º ao 5º lugares):

1º. Lugar:

 Encantando o visitante,
 com belezas tão divinas,
 Maranguape é a mais brilhante
 dessas musas nordestinas:
 Ederson Cardoso de Lima – 
Niterói/RJ.

2º. Lugar:

 Maranguape...o rio.. a serra...
 Quanta imagem na distância!
 Mundo evocado que encerra
 o mundo da minha infância!
 José Valdez de Castro Moura 
Pindamonhangaba/SP

3º. Lugar:

 Maranguape vai andando
 sempre com passo seguro.
 Com carinho, vai bordando
 os caminhos do futuro...
 Milton Souza 
Porto Alegre/RS

4º. Lugar:

 Maranguape... em teu reduto
 louva o amor que se concentre...
 Chico Anísio foi um fruto
 que acalentaste em teu ventre!
 Edmar Japiassú Maia 
Nova Friburgo/RJ

5º. Lugar:

 Maranguape entristeceu,
 pois já foi “cidade encanto”
 e assim que "Chico" morreu
 o riso tornou-se pranto.
 Ademar Macedo 
Natal/RN

MENÇÕES HONROSAS (6º ao 10º lugares):

6º. Lugar:

 Digo, insisto e justifico,
 pois é o que pensa a nação:
 Maranguape e o grande Chico
 pulsam num só coração.
 Antônio Augusto de Assis 
Maringá/PR

7º. Lugar:

 Bordada em sopé de serra,
 com flores em profusão,
 Maranguape é bela terra
 onde encanta a tradição.
 Eliana Ruiz Jimenez 
Itapema/SC

8º. Lugar:

 Do seu mais ilustre filho
 Maranguape honra a glória,
 inscrevendo-o com seu brilho
 para sempre em sua História!
 Renato Alves 
Rio de Janeiro/RJ

9º. Lugar:

 Maranguape, este seu filho
 trouxe o nordeste até nós,
 espalhou talento e brilho,
 do Ceará, fez-se a voz!
 Alba Helena Corrêa 
Niterói/RJ

10º. Lugar:

 Quem tem a beleza viva
 e os valores que ela tem?
 Maranguape, além de diva,
 é trovadora também:
 Ederson Cardoso de Lima 
Niterói/RJ.

MENÇÕES ESPECIAIS (11º ao 15º lugares)

11º. Lugar:

 Quis o imprevisto destino,
 que a Maranguape das flores,
 fosse em solo nordestino
 a terra dos trovadores.
 Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho 
Juiz de Fora/MG

12º. Lugar:

 Maranguape está saudosa,
 pois seu artista partiu;
 mas logo vai, orgulhosa,
 sorrir tal qual Chico riu.
 Carlos Alberto de Assis Cavalcanti 
Arcoverde/PE

13º. Lugar:

 Maranguape, é este o nome
 de uma cidade encantada
 onde artista de renome
 teve ali sua morada.
 Eduardo Bottallo 
São Paulo/SP

14º. Lugar:

 Eu vivo ganhando flores
 que de Maranguape vêm:
 são versos de trovadores
 que um doce perfume têm.
 Maria Ignez Pereira 
Moji Guaçu/SP

15º. Lugar:

 Disse em verso o repentista:
 Maranguape foi feliz...
 Deu berço e lar ao humorista
 mais famoso do País!
 Ademar Macedo 
Natal/RN

DESTAQUES (16º ao 20º lugares):

16º. Lugar:

 Num leque de sons e cores
 que lhe conferem beleza,
 Maranguape tem valores
 esculpidos na nobreza.
 Danilo Dos Santos Pereira 
Belo Horizonte/MG

17º. Lugar:

 Maranguape terra boa
 possuis o mais belo porte,
 por ti o poeta entoa
 toda poesia do norte.
 Eduardo Lazaro de Barros 
Bauru/SP

18º. Lugar:

 Maranguape o teu “luar”
 que “Catulo” enalteceu,
 multiplicou seu brilhar
 depois que o “Chico” nasceu.
 Wandira Fagundes Queiroz 
Curitiba/PR

19º. Lugar:

 Maranguape ensolarada,
 igualando pobre e rico
 é sempre muito lembrada:
 ali nasceu nosso Chico.
 Eduardo Bottallo 
São Paulo/SP

20º. Lugar:

 Com exuberante flora,
 junto ao Pico da Rajada,
 onde a natureza aflora,
 Maranguape faz morada.
 Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho 
Juiz de Fora/MG

ÂMBITO ESTADUAL

VENCEDORES (1º ao 5º lugares):

1º. Lugar:

 Maranguape que beleza
 é teu lindo céu de anil
 Deus te fez com a certeza
 de encantares o Brasil.
 João Osvaldo Soares (Vaval) 
Maranguape/CE

2º. Lugar:

 Tuas serras são serpentes
 deitadas na imensidão
 tens cristalinas vertentes
 Maranguape, meu rincão.
 Maria Ruth Bastos de Abreu Brandão 
Maranguape/CE

3º. Lugar:

 És Maranguape querida
 terra do riso e do amor;
 Por ti daremos a vida
 se um dia preciso for.
 Deusdedit Rocha 
Fortaleza/CE

4º. Lugar:

 Terra de gente importante
 que em Maranguape nasceu:
 do Chico, comediante;
 d’um Capistrano de Abreu.
 Haroldo Lyra 
Fortaleza/CE

5º. Lugar:

 Chora, Maranguape, chora
 o humorista excepcional:
 Chico Anísio foi-se embora;
 não mais terás outro igual!
 José Pereira de Albuquerque 
Fortaleza/CE

MENÇÕES HONROSAS (6º ao 10º lugares):

6º. Lugar:

 Maranguape, minha terra
 é meu prazer confessar
 que dentro do peito encerra
 do mundo o melhor lugar.
 José Aureilson Cordeiro Abreu 
Maranguape/CE

7º. Lugar:

 De Maranguape o sorriso
 não é o mesmo de outrora,
 desde que o Rei do improviso
 despediu-se e foi embora.
 José Pereira de Albuquerque 
Fortaleza/CE.

8º. Lugar:

 Maranguape não faz conta
 da natureza que a afeta,
 porém quando o sol tramonta
 mexe com todo poeta.
 Deusdedit Rocha 
Fortaleza/CE

9º. Lugar:

 Maranguape é altaneira
 em toda sua vertente
 e também hospitaleira
 por abrigar boa gente.
 Ana Maria Nascimento 
Aracoiaba/CE

10º. Lugar:

 Maranguape, Alto da Vila,
 Outra Banda vem depressa,
 no verde da clorofila,
 dorme a cidade em promessa.
 Sonia Nogueira 
Fortaleza/CE

MENÇÕES ESPECIAIS (11º ao 15º lugares):

11º. Lugar:

 Maranguape eu gostaria
 de manter no coração;
 Assim peço à Mãe Maria
 para lhe dar proteção.
 Ana Maria Nascimento 
Aracoiaba/CE

12º. Lugar:

 Maranguape a tua glória
 são teus filhos de valor;
 foi Capistrano, na História,
 e Chico Anísio, no Humor!
 Nemésio Prata Crisóstomo 
Fortaleza/CE

13º. Lugar:

 Maranguape envolto em sonhos
 desde o tempo de criança,
 vive momentos risonhos
 no progresso na bonança.
 Raimundo Rodrigues de Araújo 
Maranguape/CE

14º. Lugar:

 És vaidosa e altaneira
 és meu torrão, meu lugar
 Maranguape, companheira
 onde sempre vou morar.
 Luiz Carlos de Abreu Brandão 
Maranguape/CE

15º. Lugar:

 Maranguape boa terra
 de Chico, de Capistrano.
 Maranguape ao pé da serra
 bem pertinho do oceano.
 Raimundo Rodrigues de Araújo 
Maranguape/CE

DESTAQUES (16º ao 20º lugares):

16º. Lugar:

 Gosto de me divertir
 nas belas praias do Iguape,
 mas acho melhor curtir
 a serra de Maranguape.
 Haroldo Lyra 
Fortaleza/CE

17º. Lugar:

 Dentre as terras fascinantes
 Maranguape está no rol,
 pois até seus visitantes
 são de puríssimo escol.
 Deusdedit Rocha 
Fortaleza/CE

18º. Lugar:

 Maranguape inebriante
 atrativos naturais
 a serra nobilitante
 Cascatinha e cabedais.
 Maria Luciene da Silva 
Fortaleza/CE.

19º. Lugar:

 Para o carinho colher,
 por Maranguape eu passava,
 subia a serra a rever
 a noiva que ali morava.
 Haroldo Lyra 
Fortaleza/CE

20º. Lugar:

 Ilustres são os seus filhos.
 O clima bom e fecundo
 exportando sobre trilhos
 Maranguape para o mundo
 Artemiza Correia 
Ocara/CE

Fonte:
Moreira Lopes – UBT/Maranguape

23º Concurso de Contos Paulo Leminski (Resultado Final)


1º Lugar:
FATIMA APARECIDA DUARTE DE OLIVEIRA – São Paulo - SP
Conto: A VIAGEM

2º Lugar:
FLAVIA SOUZA DIAS – Rio de Janeiro - RJ
Conto: A VAN

3º Lugar:
JOSÉ IGNACIO COELHO MENDES NETO – São Paulo - SP
Conto: MILAGROS

Melhor Conto Toledano
LUIZA POSSAMAI KONS
Conto: A CAIXA VAZIA

Menções honrosas:

ARTUR MAIA – São Paulo - SP
Conto: NATAL, DE NOVO NATAL

ALYSSON MURITIBA – Curitiba - PR
Conto: SETE MENINOS

SANDRA LUCIA ABRANO – São Paulo - SP
Conto: A MORTE DE CADA UM

EVERSON BERTUCCI – São Paulo - SP
Conto: NOVA MESMA HISTÓRIA

RODRIGO DOMIT – Rio de Janeiro - RJ
Conto: ASPIRAÇÕES

RODRIGO PETRUZZI DA SILVA - Porto Alegre - RS
Conto: SOMOS TODOS PROSTITUTOS NESSE MUNDO DE ALUGUEL

DOUGLAS MORAES PEREIRA - São Paulo - SP
Conto: A TAVERNA

Fontes:
http://www.toledo.pr.gov.br/?q=portal/23o-concurso-de-contos-paulo-leminski/resultado-do-23o-concurso-de-contos-paulo-leminski 
Http://concursos-literarios.blogspot.com 

Soares de Passos (A Camões)


Ai do que a sorte assinalou no berço
Inspirado cantor, rei da harmonia!
Ai do que Deus às gerações envia
Dizendo – vai, padece, é teu fadário;
Como um astro brilhante o mundo o admira,
Mas não vê que essa chama abrasadora
Que o cerca d'esplendor, também devora
     Seu peito solitário.

Pairar nos céus em alteroso adejo,
Buscando amor, e vida, e luz, e glórias;
E ver passar, quais sombras ilusórias,
Essas imagens de fulgor divino:
Tais s o vossos destinos, ó poetas,
Almas de fogo, que um vil mundo encerra;
Tal foi, grande Camões, tal foi na terra
     Teu mísero destino.

A cruz levaste desde o berço à campa:
Esgotaste a amargura ate às fezes:
Parece que a fortuna em seus revezes
Te mediu pelo génio a desventura.
Combateste com ela como o cedro
Que provoca o rancor da tempestade,
Mas cuja inabalável majestade
     Lhe resiste segura.

Foste grande na dor como na lira!
Quem soube mais sofrer, quem sofreu tanto?
Um anjo viste de celeste encanto,
E aos pés caíste da visão querida...
Engano! foi um astro passageiro,
Foi uma flor de perfumado alento
Que ao longe te sorriu, mas que sedento
     Jamais colheste em vida.

Sob a couraça que cingiste ao peito
Do peito ansioso sufocaste a chama,
E foste ao longe procurar a fama,
Talvez, quem sabe? procurar a morte.
Mas, qual onda que o náufrago arremessa
Sobre inóspita praia sem guarida,
A morte crua te arrojou a vida,
     E as injúrias da sorte.

De praia em praia divagando incerto
Tuas desditas ensinaste ao mundo:
A terra, os homens, ‘té o mar profundo
Conspirados achavas em teu dano.
Ave canora em solidão gemendo,
Tiveste o génio por algoz ferino:
Teu alento imortal era divino,
     Perdeste em ser humano:

Índicos vales, solidões do Ganges,
E tu, ó gruta de Macau, sombria,
Vós lhe ouvistes as queixas, e a harmonia
Desses hinos que o tempo não consome.
Foi lá, nessa rocha solitária,
Que o vate desterrado e perseguido,
À pátria, ingrata, que lhe dera o olvido,
     Deu eterno renome.

«Cantemos!» disse, e triunfou da sorte.
«Cantemos!» disse, e recordando glórias,
Sobre o mesmo teatro das vitórias,
Bardo guerreiro, levantou seus hinos.
Os desastres da pátria, a sua queda,
Temendo já no meditar profundo,
Quis dar-lhe a voz do cisne moribundo
     Em seus cantos divinos.

E que sentidos cantos! d'Inês triste
Se ouve mais triste o derradeiro alento,
Ensinando o que pode o sentimento
Quando um seio que amou d'amores canta:
No brado heróico da guerreira tuba
O valor português soa tremendo,
E o fero Adamastor com gesto horrendo
     Inda hoje o mundo espanta!

Mas ai! a pátria não lhe ouvia o canto!
Da pátria e do cantor findava a sorte:
Aos dois juraram perdição e morte,
E os dois juntaram na mansão funérea...
Ingratos! ao que, alçando a voz do génio
Além dos astros nos erguera um sólio,
Decretaram por louro e capitólio
     O leito da miséria!

Ninguém o pranto lhe enxugou piedoso...
Valeu-lhe o seu escravo, o seu amigo:
«Dai esmola a Camões, dai-lhe um abrigo!»
Dizia o triste a mendigar confuso!
Homero, Ovídio, Tasso, estranhos cisnes,
Vós, que sorvestes do infortúnio a taça,
Vinde depor as c'roas da desgraça
     Aos pés do cisne luso!

Mas não tardava o derradeiro instante...
O raio ardente, que fulmina a rocha,
Também a flor que nela desabrocha,
Cresta, passando, coas etéreas lavas!
Que cena! enquanto ao longe a pátria exangue
Aos alfanges mouriscos dava o peito,
De mísero hospital num pobre leito,
     Camões, tu expiravas!

Oh! quem me dera desse leito à beira
Sondar teu grande espírito nessa hora,
Por saber, quando a mágoa nos devora,
Que dor pode conter um peito humano;
Palpar teu seio, e nesse estreito espaço
Sentir a imensidade do tormento,
Combatendo-te n’alma, como o vento,
     Nas ondas do Oceano!

O amor da pátria, a ingratidão dos homens,
Natércia, a glória, as ilusões passadas,
Entre as sombras da morte debuxadas,
Em teu pálido rosto já pendido;
E a pátria, oh! e a pátria que exaltaras
Nessas canções d'inspiração profunda,
Exalando contigo moribunda
     Seu último gemido!

Expirou! como o nauta destemido,
Vendo a procela que o navio alaga,
E ouvindo em roda no bramir da vaga
D'horrenda morte o funeral presságio,
Aos entes corre que adorou na vida,
Em seguro baixel os põe a nado,
E esquecido de si morre abraçado
     Aos restos do naufrágio:

Assim, da pátria que baixava à tumba,
Em cantos imortais salvando a pátria,
E entregando-a dos tempos à memória,
Como em gigante pedestal segura:
«Pátria querida, morreremos juntos!»
Murmurou em acento funerário,
E envolvido da pátria no sudário
     Baixou à sepultura.

Quebrando a lousa do feral jazigo,
Portugal ressurgiu, vingando a afronta,
E inda hoje ao mundo sua glória aponta
Dos cantos de Camões no eterno brado;
Mas do vate imortal as frias cinzas
Esquecidas deixou na sepultura,
E o estrangeiro que passa, em vão procura
     Seu túmulo ignorado.

Nenhuma pedra ou inscrição ligeira
Recorda o grã cantor... porém calemos!
Silêncio! do imortal não profanemos
Com tributos mortais a alta memória.
Camões, grande Camões; foste poeta!
Eu sei que tua sombra nos perdoa:
Que valem mausoléus antes a coroa
     De tua eterna glória?

Fonte:
Poesias de Soares de Passos. 1858 (1ª ed. em 1856). http://groups.google.com/group/digitalsource

Soares de Passos (1826-18/60)


António Augusto Soares de Passos (Porto, 27 de Novembro de 1826 – Porto, 8 de Fevereiro de 1860) foi um poeta, expoente máximo do Ultra-Romantismo em Portugal.

Nascido no seio da média burguesia comerciante portuense, viveu largas temporadas da infância com o pai ausente, fugido às perseguições que lhe moveram durante as guerras civis pelas suas ideias liberais, o que terá marcado o temperamento algo soturno do jovem António Augusto. Tendo aprendido francês e inglês durante a juventude, ingressou na Universidade de Coimbra, em 1849, para cursar Direito.

Em Coimbra conviveu com outros estudantes do Porto, como Alexandre Braga, Silva Ferraz e Aires de Gouveia, com quem fundou, em 1851, a revista Novo Trovador. Em 1854, já formado, regressou ao Porto e, depois de uma passagem pelo Tribunal da Relação do Porto, decide dedicar-se exclusivamente à literatura, colaborando activamente nos jornais de poesia O Bardo (1852-1854) e A Grinalda (1855-1869) e preparando a edição em volume das suas Poesias(eBook) (1856).

Para a sua celebridade contribuiu não apenas a sua imagem de misantropo e a frequência dos salões portuenses, como também o bom acolhimento dos críticos, nomeadamente de Alexandre Herculano que, em carta, considerou Soares de Passos como "o primeiro poeta lírico português deste século" (referindo-se ao século XIX).

Sua qualidade pode ser creditada ao fato de ter escrito com autenticidade, pois os sentimentos derramados em seu texto são os que realmente viveu, já que foi pessoa extremamente sofrida, por vezes dominada por uma doença que, reza a lenda, deixou-o preso por anos em seu quarto. Isso explica a proeza de ter trabalhado muito bem com clichês que nas mãos dos outros poetas são extremamente ridículos. Melhor exemplo disso é "O Noivado no Sepulcro".

Seus poemas são fruto de uma angústia da sensação da proximidade da morte precoce mesclada ao desgosto pela situação em que se encontrava seu país. O incrível é que sabe alternar esses aspectos soturnos a momentos de extrema confiança na mudança das condições sociais. Essas oposições dramáticas talvez sejam a causa da visão trágica com que o poeta enxerga o mundo. Quando parte para a religião, enfoca a tragédia de Deus castigando todos; quando enfoca a História, mostra uma sucessão de episódios lastimosos; quando olha o cotidiano, enxerga somente a desgraça.

Sendo um poeta muito divulgado no seu tempo, morreu precocemente aos trinta e quatro anos, vítima da tuberculose, deixando um livro único – Poesias – onde confluem todas as tendências do imaginário poético seu contemporâneo.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Soares_de_Passos

Teatro de Ontem e de Hoje (A Pedra do Reino)


Depois das incursões de Antunes Filho pelo universo da tragédia grega nos primeiros anos de 2000, um antigo projeto de seu Grupo Macunaíma/Centro de Pesquisa Teatral - CPT, ganha forma: colocar no palco o universo ficcional de Ariano Suassuna, escritor e dramaturgo paraibano.

Baseada nos livros de Suassuna Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta e História do Rei Degolado nas Caatingas do Sertão: ao Sol da Onça Caetana, a montagem se organiza com base em conquistas estéticas e formais de outros espetáculos da companhia, lembrando particularmente a histórica encenação de Macunaíma, na gestualidade e na movimentação dos artistas. 

O protagonista, Dom Pedro Dinis Quaderna, "cruzamento de rei e de palhaço", encarcerado numa prisão na Paraíba, na década de 1930, narra suas peripécias e aventuras que o levaram a ser perseguido e condenado pelo Estado Novo. O pai e o padrinho mortos; a seita sebastianista, o messianismo e os episódios do massacre do Reino Encantado de Pedra Bonita, em São José do Belmonte, Pernambuco; a guerra entre famílias pelo poder na Paraíba; o coronelismo e a sujeição do povo local - tudo se desenrola no discurso de Quaderna, que, segundo um corregedor, passa "a vida toda se fazendo de bufão". Sobre a interpretação desafiadora e complexa de Lee Thalor, comenta Mariangela Alves de Lima: "A tarefa difícil de alternar o delírio criador e profético ao desencanto espiritual cabe, na encenação, ao ator incumbido de representar o narrador. Lee Thalor é um intérprete excepcional pelo fôlego digno de um cantador experiente, pela inteligência com que modula as tonalidades e intenções do texto, sobretudo, pela capacidade de revestir a personagem de maturidade atemporal".1

No plano da encenação, a ausência de cenário reserva a atores, figurinos, adereços e à música a composição da memória de Quaderna, cuja representação e reconstrução no palco são os méritos da montagem. A porção predominantemente discursiva do espetáculo espelha-se na procissão de personagens das lembranças que o "rasgo epopéico" do protagonista demanda. O elenco, graças ao trabalho meticuloso dos anos anteriores com a voz e o coro da tragédia grega, expõe seu engenho na execução ao vivo da trilha musical. Elementos da cultura, da história e da política brasileira ganham relevo em uma atmosfera que emula a precariedade e a pobreza - para superá-las - ao enfatizar o aspecto artesanal dos objetos de cena. 

Ainda segundo a crítica Mariangela Alves de Lima, com o caráter memorialístico da montagem, "Antunes Filho optou por um formato em que a personagem-autor da história se sobrepõe aos episódios que testemunha. Em parte, essa escolha é determinada pela empatia absoluta com a perspectiva existencial que resume a finalidade do inquérito de Quaderna. Chamado a prestar contas, preparando-se para o encontro com a 'Morte que me imortalizará', o herói bufão deve resumir, à guisa de defesa, o credo estético em que se alicerça a obra artística".2

O espetáculo recebe os prêmios BRAVO! e da Associação Paulista de Críticos de Artes - APCA de melhor espetáculo de 2006.

Notas

1. LIMA, Mariangela Alves de. O herói Quaderna ajusta contas no palco. O Estado de S. Paulo, São Paulo, Caderno 2, 22 ago. 2006. 
2. Ibidem.

Fonte:

Antonio Donizeti da Cruz (A construção poética em Helena Kolody)


Resumo:

Este artigo apresenta o processo de criação poética de Helena Kolody (1912-2004), poeta brasileira, filha de emigrantes ucranianos, nascida em Cruz Machado (PR), Brasil. Os temas recorrentes na lírica de Kolody são: o tempo, a contemplação, a permanência, a solidão, a memória, a transitoriedade, entre outros. Com doze livros publicados, várias antologias e obras completas, Kolody realiza um fazer poético como busca da síntese, projetada nas formas escolhidas e no enxugamento dos textos. Os poemas sintéticos, tais como os dísticos, tercetos, quadras, epigramas, tankas e haicais (poesia de origem japonesa), são formas poéticas escolhidas pela poeta.

Palavras-chave: Lírica. Fazer poético. Síntese. Helena Kolody.

A poeta Helena Kolody nasceu a 12 de outubro de 1921, em Cruz Machado (PR), e faleceu em 14 de fevereiro de 2004, em Curitiba. A obra poética de Helena Kolody e a crítica literária referente à sua obra é vasta, ou seja, publicou doze livros de poesia e oito antologias e obras completas, além de inúmeros poemas publicados em revistas e jornais. Desde o aparecimento de sua primeira obra, Paisagem interior, vem recebendo destaque por sua produção poética junto à crítica paranaense e brasileira. Ocupa assim, um lugar de destaque na história da literatura do Paraná, por sua poesia expressar extrema sensibilidade, engenho poético e lirismo contido.

A literatura faz parte de uma constelação sincrônica de obras que se interligam tal como o emaranhado de uma rede. Sendo assim, qualquer elemento material que entre no sistema literário transforma-se em função que integra os outros elementos através da construção artística. A literatura está ligada à história. Não é possível entendê-la desvinculada do contexto integral de toda a cultura de uma determinada época.

Para Iuri Tinianov, a história da literatura – que traz à luz o caráter de uma obra literária e dos seus fatores – é como uma espécie de “arqueologia dinâmica”. O autor vê a obra de arte como uma combinação complexa de numerosos fatores. Os períodos, no desenvolvimento da poesia, ocorrem, evidentemente, segundo uma certa alternância, caracterizando–se ora por prevalecer o aspecto acrítico na criação poética, ora por enfatizar outros componentes do verso, passando a um segundo plano, períodos nos quais prevalece o elemento acústico (TINIANOV, 1975, p. 17-20). É mediante a essa multiplicidade de ocorrências que a literatura se configura no amplo quadro da arte e da vida.

Segundo Mikhail M. Bakhtin, a contemporaneidade conserva sua importância decisiva: sem ela não existiria a obra em si mesma. A obra literária revela-se, principalmente, na unidade diferenciada da cultura da época de sua criação, mas não se pode aprisioná-la dentro dessa época: sua plenitude apenas mostra-se tão somente na grande temporalidade (BAKHTIN, 1997, p. 366). Consoante o pensamento de Bakhtin, todo poeta, escritor, criador, por mais criativo que seja, é sempre “fruto” de sua época. A obra literária constitui um processo consecutivo em que as novas formas, por mais inusitadas que sejam, se apóiam nas precedentes.

As afirmativas de Bakthin revelam a literatura como um fenômeno de múltiplas “faces” e complexo. Muitas vezes os “processos literários” de uma determinada época, com suas análises e estudos de correntes literárias, ficam reduzidos, em alguns trabalhos, a uma visão superficial das correntes literárias e, quando se trata dos tempos modernos (de maneira particular do século XIX), as “profundas e poderosas” correntes da cultura (em especial, as populares), que efetivamente determinam a obra dos escritores, permanecem ocultas (BAKHTIN, 1997, p. 362-363).

Conforme Bakhtin, os críticos, geralmente, se esforçam por explicar um escritor e sua obra a partir de sua contemporaneidade e de seu passado próximo (geralmente inseridos nos limites de “época”). Entretanto, às vezes, é preciso um afastamento no tempo, em relação ao fenômeno estudado, pelo fato de a obra ter, muitas vezes, suas raízes num passado longínquo. As grandes obras literárias preparam-se durante séculos e, na época de sua criação, apenas recolhem os frutos de uma prolongada e complexa gestação. No dizer do autor, a obra não pode sobreviver nos séculos futuros se não recolhe dentro de si, de alguma maneira, também, os séculos passados. Tudo o que pertencer apenas ao presente morre com ele. Bakhtin assinala que Belinski já afirmava em seu tempo sobre o fato de que “cada época sempre descobre algo novo nas grandes obras do passado” (BAKHTIN, 1997, p. 364-365).

O significado da produção literária, a reação do material escrito com sua época, a intemporalidade da obra de arte se imbricam e tomam formas a partir de uma tomada de consciência por parte do artista, fundamentada na questão estética tendo como eixo norteador da relação do eu com o mundo. Nessa perspectiva, a história está interligada à vida e ao fazer poético, uma vez que a produção literária se insere no campo da história literária.

Em relação ao processo histórico da literatura no Paraná, Marilda Binder Samways, em Introdução à literatura paranaense (1988), afirma que a bibliografia sobre a matéria historiográfica paranaense é escassa e são poucos os autores, tais como Octávio de Sá Barreto e Erasmo Pilotto, que delinearam uma proposta no que tange à questão do estabelecimento do processo literário no Paraná. Para Samways, Joaquim – revista publicada em 1946, pelos diretores Dalton Trevisan, Antônio Walger e Erasmo Pilotto – é o ponto culminante no processo histórico da literatura paranaense. Para a autora, é difícil imaginar a nova geração de escritores paranaenses desconhecendo o papel histórico de Erasmo Pilotto, Dalton Trevisan, Rodrigo Júnior, Helena Kolody e tantos outros construtores da herança cultural paranaense (SAMWAYS, 1988, p. 10-12).

O movimento modernista, em âmbito nacional, legou à poesia brasileira o verso livre, a “liberdade de linguagem” sem estar presa às regras da gramática e da retórica, o humor, a naturalidade e a sinceridade de expressão, uma maior “humanização” através do aproveitamento lírico do cotidiano. Helena Kolody é uma representante em potencial dessas tendências, uma leitora da tradição brasileira, européia e oriental e, ainda, uma observadora atenciosa do falar coloquial, das coisas simples, mas essenciais que, através do verso livre, ganham expressão. Kolody reflete muito sobre a poesia e o fazer poético. Tendo optado pelo verso livre, suas fontes são, todavia, a lírica de Fernando Pessoa, Camões, a poesia de Rabindranath Tagore, a poesia de Cecília Meireles, entre outros. A presença do Oriente em sua poesia, deve-se, no dizer de Kolody, às suas leituras “prediletas”, em sua juventude, das obras de Tagore. “Talvez aí também esteja a influência do meu sangue eslavo, porque esse pessoal é muito místico. Eu sou de origem ucraniana, mas li mais os orientais do que propriamente os ucranianos. Vejo que a espiritualidade de Tagore me marcou muito”, afirma Kolody (KOLODY. In: VENTURELLI, 1995, p. 23-24).

Na base da criação kolodyana estão o senso de trabalho poético e a noção de ritmo, entre outros procedimentos. Optar pelo verso livre, no final da década de 30 e início da de 40, quando começa a escrever e publicar, quando boa parte da poesia escrita no Paraná se resumia à arte poética metrificada e do soneto, significou para a poeta questionar a rigidez da métrica parnasiana e, ao mesmo tempo, levar adiante as pesquisas da musicalidade e do simbolismo brasileiro. Nesse sentido, nota-se em seus primeiros livros uma maior ênfase na linguagem simbólica. Grandes nomes da poesia modernista brasileira como Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Ronald de Carvalho, Mario Quintana, entre outros, iniciaram suas incursões poéticas compondo versos com influências simbolistas. Kolody também vivenciou estas experiências. Dessa forma, assumir o verso livre foi para ela uma maneira de refletir sobre o que pode haver de trabalho efetivamente poético, ou seja, que vai além das simples resposta a imposição e regras dos versos metrificados. Afirma Helena Kolody: Venho de um tempo em que a poesia era rigorosamente metrificada, do tempo do soneto, embora sempre procurando caminhos novos. Hoje, meus versos são polimétricos e, ainda, têm ritmo. Embora não pareça, o verso moderno é muito mais sutil do que o tradicional. 

Na poesia moderna, os ritmos são livres, nascidos da idéia a expressar-se; o poema tem um ritmo interno, ajustado ao corpo da idéia. Esse modo de versejar não é tão novo como parece. Até os versos da Bíblia são de ritmo leve. (KOLODY, 1986, p. 15)

Assim, na obra kolodyana, nota-se uma firme deliberação por parte da poeta em não ficar presa a técnicas precedentes. Os textos de Helena Kolody, estando, muitas vezes, aparentemente calcados no prosaico e no cotidiano, apresentam uma visão de mundo marcada pela aspiração à transcendência.

Paisagem interior é uma obra que se insere na estética modernista, mas nota-se, também, que ela traz marcas daquilo que Fábio Lucas denomina conexão “simbolismo-modernismo”, pois o modernismo na literatura brasileira “constitui um prolongamento dentro da corrente inovadora da literatura brasileira” (LUCAS apud MURICY, 1987, p. 8). Para o crítico Andrade Muricy, o modernismo, ao engendrar uma ruptura radical com a tradição, impregnou-se de tendências e atitudes espirituais que poderiam ser denominadas de simbolistas Manuel Bandeira, Henrique Lisboa, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Guilherme de Almeida, em cuja poesia se percebe a musicalidade, a expressão diáfana. 

Também o “Grupo Festa” se insere no referido quadro, representado pelos escritores Tasso da Silveira, Cecília Meireles, Murilo Araújo e Andrade Muricy, com uma poesia em que sobressai a economia dos meios, os contornos intimistas, a motivação social, entre outros (MURICY, 1987, p. 8).

As primeiras obras de Helena Kolody, tais como Paisagem interior, Música submersa e A sombra no rio, inserem-se na estética modernista com uma temática acentuada pelo registro do cotidiano, as angústias frente à passagem temporal, a valorização do passado, a busca do subconsciente e do inconsciente. A poeta, por conhecer Tasso da Silveira, tem contato com a produção literária do grupo Festa, liderado pelo referido escritor e poeta. O grupo visava, segundo Bella Josef, “redefinir em termos de reespiritualização, o Modernismo. A poesia passou a ocupar-se dos conflitos interiores do homem, com seus dramas íntimos, através da obra de Jorge de Lima, Murilo Mendes e Cecília Meireles” (1986, p. 140). A autora observa ainda:

Da poesia de Mário de Andrade, com seu elogio do sentimento e do subconsciente, com a valorização do papel desempenhado pela subjetividade na deformação à obra de arte e a poesia contida e reduzida ao essencial de Oswald de Andrade, chegou-se, passando por Carlos Drummond de Andrade na década de 30 à engenharia poética de João Cabral de Melo Neto e à poesia concreta. (JOSEF, 1986, p. 140-141)

A concretude do modernismo no processo histórico, segundo Josef, ocupou um espaço literário acentuado pela visão e adesão ao “hoje”, dando o devido valor à temática do efêmero e do momento presente. A busca do essencial, na poesia de Kolody, está centrada na questão da transcendência e também na prática poética que visa à síntese. Ao mesmo tempo, em suas produções literárias verificam-se influências de poetas, de movimentos literários, porém, é importante realçar que a poeta realizou uma trajetória poética sem estar ligada a qualquer grupo ou corrente literária.

Em relação à estética kolodyana, o escritor Temístocles Linhares afirma que Helena Kolody é “uma voz que o Brasil precisa ouvir”, pois, a sua trajetória de poeta já percorreu várias estradas. Não porque tenha vindo do romantismo, ainda presente em muitos de nossos poetas, ou porque tenha desembocado em qualquer tipo de poesia de vanguarda. As suas mudanças têm sido realizadas mais através de suas hesitações secretas, à custa de muito esforço, com a sua arte reduzida a alguns raros signos concretos: a estepe que ela não viu, a infância, a solidão, a voz das raízes, entre outros. (LINHARES, 1969, p. 1 )

Para o crítico Hélio C. Teixeira, a mensagem poética de Kolody se apresenta “atual”, com uma linguagem marcada pela “concisão”. “Até mesmo os versos da mocidade da autora já revelam a força de sua sensibilidade e inspiração” (TEIXEIRA, 1977, p. 17). O autor salienta que:

A poetisa, tendo recebido influência das diversas escolas ou correntes literárias, teve o talento de adaptar ao seu artesanato o que lhe pareceu o melhor dessa influência. Por isso, observamos, na sua coletânea de produções de várias décadas, os diferentes aspectos de seus nomes, que revelam ser a poetisa algumas vezes clássica e parnasiana, outras vezes, lírica e simbolista; e, diversas vezes, moderna, sem adotar, no entanto, os excessos do modernismo desvairado daqueles que deturparam o objetivo do movimento de 1922. (TEIXEIRA, 1977, p. 17)

Essas afirmativas dos autores traduzem opiniões relacionadas à estética kolodyana. Note-se que mais que situar a produção literária de Kolody dentro de movimentos ou correntes literárias, os críticos observam que a sua poesia não fica presa às regras e modelos estabelecidos, mas vai além, pois sua lírica de uma vertente mais universal se encaminha para a concisão, para a economia dos meios de expressão poética.

Ao observar o conjunto de obra de Kolody, verifica-se a constante condensação e burilamento da linguagem tendo em vista a síntese do poema. Se na década de 40 os poemas kolodyanos se “derramavam em versos longos” na forma do verso livre e com uma aproximação da linguagem da prosa, esse procedimento justifica-se pelo fato de a poeta estar conjugando uma poiesis bem aos moldes do movimento modernista brasileiro. Basta comparar poetas da tradição brasileira dessa década para notar procedimentos estéticos comuns nesse período, tais como o verso livre, a aproximação com a linguagem em prosa, em que se conjuga a regularidade e as variações construtivas dos poemas, tendo em vista os modelos fixos e as formas livres.

Helena Kolody – herdeira da uma tradição modernista e poeta da modernidade – procura constantemente no quotidiano a matéria de sua lírica, a realidade entrelaçada à maneira de compor as relações entre poesia e vida. Em relação ao quotidiano e à lírica, Solange Fiuza Cardoso Yokozawa tece o seguinte registro sobre tal procedimento na obra de Mario Quintana, assinalando que, [...] o poeta não reproduz o olhar automatizado que lançamos sobre a vida de todo dia. Trata-se de um olhar que reinventa o quotidiano. Nessa reinvenção, o poeta recorre muita vez ao humor, a uma ironia sutilíssima, de modo a apresentar uma visão desestabilizadora da vidinha diária aparentemente estabilizada, das verdades assentadas do senso comum, ou ainda dos valores estabelecidos pela tradição literária. O quotidiano também é muita vez reinventado em flagrantes poéticos originais que lembram os haikus japoneses. (YOKOZAWA, 2000, p. 55)

Assim, pode-se inferir que há, tanto na obra de Kolody quanto na de Quintana, o olhar projetado no cotidiano e nas suas reinvenções, em suas transmutações da realidade convertidas em matéria verbal capaz de refletir e de dar novos direcionamentos à vida e à arte, como bem lembra Paulo Leminski, ao comparar a obra de Kolody e a de Quintana.

Cumpre lembrar que Kolody, já em sua primeira obra, Paisagem interior, demonstra uma tendência para a poesia sintética, pois nesta aparecem três haicais publicados que remetem à “poesia-síntese” de origem japonesa. Segundo Reinoldo Atem, “os primeiros publicados no Paraná e demonstram sua tendência permanente e contínua para a brevidade reflexiva” (ATEM, 1990, p. 159). Em relação à arte do haicai, Kolody declara: 

Os literatos e os críticos simplesmente ignoraram essa poesia que ninguém, ainda, estava fazendo no Paraná. No entanto, meus alunos, alunas principalmente, decerto porque eram muito jovens, e os jovens adoram novidades, gostaram muito. Tanto que a turma de 1943, se não me engano, ofereceu-me, como presente de aniversário, seis quadros, em pergaminho, com ilustrações dos três ‘hai-kais’ de Paisagem interior: três quadros de Guido Viaro e três iluminuras de Garbácio. Meus alunos sempre amaram minha poesia; divulgaram-na pelo Paraná afora. (KOLODY, 1986, p. 27)

A poeta assinala que a comunicação com outros centros culturais é por demais relevante. Ela destaca que foi através do Jornal de Letras e da correspondência com a escritora paulista Fanny Dupré que teve conhecimento do poema miniatural japonês.

Os haicais de Kolody registram momentos privilegiados na percepção da paisagem do mundo e/ou da realidade comum. Os poemas são marcados pela brevidade e pela concentração intensa de uma linguagem esteticamente organizada. Neles, a poeta instaura um jogo de cumplicidades com o leitor. No olhar do poeta e do leitor, a linguagem ganha contornos e se torna “poesia-revelação”. Nesse sentido, a poesia kolodyana opera como “caminho-síntese” de uma tensa jornada em busca do euoutro-cosmo. Daí a relação e valorização da natureza circundante e a serenidade a sublimar. Para a poeta Alice Ruiz, “Helena nos mostra, como um mestre zen, que a poesia está nas coisas, é só acertar o olhar”, pois “poesia não é perfumar a flor. Poesia é o perfume da flor. Tal como a poesia de Helena Kolody” (RUIZ. In: VENTURELLI, 1995, p. 50-51). Com admiração confessa para sua cúmplice em poesia, Ruiz declara que recebeu juntamente com Helena Kolody a outorga de nome haicaísta em 1993. Afirma ainda:

Vivi, com Helena Kolody, a maior homenagem que meu coração de poeta já recebeu. O nome de haicaísta, tradicionalmente dado pela comunidade nipônica aos que se destacam nesta poesia, nos foi outorgado na mesma cerimônia, em 13 de junho de 1993. Talvez, pela primeira vez, para duas ocidentais. Homenagem ainda maior por ter sido ao lado de nossa poeta mais amada. Ela, Reika e eu, Yuuka. O Ka dos dois nomes significa flor. Os prefixos Rei e Yuu são adjetivos/virtudes específicas da flor. Ambos apontam para formas de grandeza. Superlativos para quem pratica a poesia mínima. [...] Helena é mestra desta grandeza desde 1941, quando publicou seus primeiros haikais, até os dias de hoje, num aperfeiçoamento em que espírito e técnica se fundem para deixar em nós, definitivamente, o perfume da mais autêntica poesia. (RUIZ. In: SINFONIA da vida, 1997, p. 15)

Em suas três primeiras obras, Kolody se encaminha cada vez mais para a poesia intimista, confessional e auto-indagadora em que predomina o subjetivismo, a introspecção e o “mergulho” no mundo interior, no qual o eu-lírico vai se desdobrando em imagens, deixando transparecer uma consciência de mundo projetada na questão pessoal e social. A partir de Vida breve verifica-se, ainda mais, a condensação e a síntese, que será a marca atual de sua poesia, ou seja, ocorre uma “progressiva essencialização” (MURICY. In: RUMO paranaense, [197-], p. 6) em sua obra, consoante afirmativa de Andrade Muricy. Em relação à evolução de sua poesia, Helena Kolody declara:

Minha poesia foi crescendo no sentido da síntese. No meu primeiro livro há poemas com três páginas, eu me derramava muito nas palavras. Hoje busco a síntese para traduzir o pensamento. Os meus melhores livros são aqueles em que digo muito em poucas palavras. (KOLODY. In: JORNAL do livro. 1985, p. 5)

Entre os primeiros críticos a apresentar a poesia Helena Kolody estão Rodrigo Júnior e Andrade Muricy. A poeta teve orientação muito especial de Andrade Muricy. Ela declara que na sua formação escolar seu contato era com textos literários simbolistas e parnasianistas, e que chegou à literatura modernista através da obra A nova literatura brasileira, de Andrade Muricy. “Por ser amigo de meus amigos, ele me ofereceu o livro e para mim foi uma descoberta. Eu não conhecia nenhum daqueles autores, porque nada do que eu lia ia além de Olavo Bilac (KOLODY. In: VENTURELLI, 1995, p. 20)”. Kolody afirma ainda que o crítico Muricy lia seus textos, mas “não mexia no que a gente escrevia. [...] Uma vez ele me falou: ‘reparei que você chega mais ao objetivo nos poemas curtos. Você tem talento para a síntese. Os seus poemas mais breves são os melhores’” (loc. cit.).

Consoante as afirmações de Helena Kolody e a evolução de sua obra, nota-se que na lírica kolodyana ocorre um “enxugamento” dos textos, encaminhando-se cada vez mais para um estilo direto, privilegiando a economia dos meios de expressão. A poeta realiza um fazer poético marcado por uma linguagem densa, sutil, registrando o instantâneo, o fugaz e as coisas mais simples. Tal como o tecelão que vai escolhendo os fios e emaranhando-os no tear, da mesma forma Kolody constrói seus poemas – tecidos de palavras – com precisão e arte. 

No texto “Invenção”, com seus versos metafóricos, nota-se que o sujeito lírico é capaz de inventar uma “lua cheia”. O eu-lírico salienta que o fazer poético é puro engenho criativo e contemplação: 

Invento uma lua cheia. 
Clareia a noite em mim. 
(KOLODY, 1991, p. 33)

Para o poeta, inventar é uma maneira de instaurar um diálogo do eu com o mundo. O ato de inventar um farol para iluminar a noite interior, através de “uma lua cheia”, indica, de antemão, um dos traços característicos da poeta: a criação literária como jogo de palavras, ou seja, o ato poético implica sempre o plano ontológico, tendo em vista a essência das coisas.

“Rodeio” (IP), poema dístico, apresenta a luta incessante do sujeito lírico com as palavras:

Travo um combate sem tréguas
com palavras indomáveis.
(KOLODY, 1980, p. 49)

Os versos revelam que as palavras tomam forma e proporções a ponto de se tornarem fortes oponentes. Ao poeta cabe a tarefa de remodelálas, de resistir à luta e transformá-las de pedra bruta em “brilhante”. A palavra é elemento essencial, vital, que tem o poder de imortalizar o momento. Ela é força que redimensiona o querer do poeta. Através de sua imaginação criadora, ele constrói um mundo de sentidos, com palavras que se interligam e apontam para o caráter efêmero da vida.

O haicai “Alquimia”, com seu caráter ideográfico expandido, aponta para o caráter revelador da poesia:

Nas mãos inspiradas
nascem antigas palavras
com novo matiz.
(KOLODY, 1993, p. 27)

Esse é mais um texto kolodyano a afirmar o poder das palavras e jogo metafórico da linguagem. Nos versos do poema, o sintagma “mãos inspiradas” remete ao esforço do poeta perante o fazer poético. Esta metáfora aponta para o trabalho do poeta, cujo ofício é ser intérprete da consciência e vivências humanas. Aqui o artesão se apresenta objetivamente. A mão (metonímia de corpo) reconduz para o ato criador do poeta na tarefa de dar forma e sentidos à vida. No eixo sintagmático, a sonoridade rítmica fica patente: “mãos inspiradas”; “antigas palavras” e “novo matiz”. Os vocábulos no eixo paradigmático são apresentados pelas palavras: “mãos”, “palavras” e “matiz”. O trabalho da criação poética reside em o poeta dar novo matiz às antigas palavras.

No poema dístico intitulado “Poeta”, o sujeito lírico declara:

O poeta nasce no poema,
inventa-se em palavras.
(KOLODY, 1980, p. 38)

O poeta “inventor” é capaz de dar sentido a tudo que toca. No momento da criação o poeta deixa aflorar à consciência, como parte mais secreta, sua maneira de ver e de dar sentido às coisas e à vida. Aí está a essência do fazer poético: transformar o poema em mediador da relação entre o eu e o mundo. Os versos desse poema dístico transmitem uma carga de sentidos estritamente peculiar, comprovando que “as palavras” mostram que a linguagem é uma condição da existência humana e não apenas um objeto, um organismo ou um sistema puramente convencional de signos, os quais se pode aceitar ou rejeitar.

O poema “Captura”, com seus três versos, expressa toda uma associação imagética revelando as magias que há nas palavras:

Ao dizer PÁSSARO
sinto a palavra fremir,
alada e prisioneira.
(KOLODY, 1999, p. 115)

O poder da palavra fascina o sujeito poético, pois ela é capaz de agitar o “eu”, a consciência do poeta. O signo “pássaro”, em versais, remete às palavras “alada” e “prisioneira”, pautadas no jogo da antítese. O ânimo que a poesia empresta à palavra, se revela nas características de pássaro, pois, embora alada, ela fica retida, até que num sopro articulado, ganha o espaço e adquire vida própria no mundo dos significados. A temática da palavra como ser animado e livre, após a eclosão, ganha novos elementos, isto é, sentimentos de posse e de perda no poema “Pássaros libertos” e expressa todo um conceito em relação à palavra e ao poema, que uma vez criado ganha independência: 

Palavras são pássaros.
Voaram!
Não nos pertencem mais.
(KOLODY, 1985, p. 17)

É um texto que aborda o fazer poético, explicando a relação poesia/linguagem. A palavra “pássaro”, nos versos, simboliza o poema ou a palavra poética, cuja associação imagética justifica-se pelo fato de o pássaro e outros seres alados simbolizarem a “espiritualização”. O vocábulo “pássaros” associado a “palavras” refere-se, também, ao fazer poético, ou seja, uma vez capturadas, elas deixam de pertencer ao poeta. 

O título “Pássaros libertos” apresenta toda uma correspondência de sentido com a recepção do poema por parte do leitor. O poeta sabe que depois que escreve, a razão de ser do poema é o leitor. “Aquarela” é um tanka que apresenta marcas da rica imaginação da poeta ao elaborar a linguagem e dar contornos às imagens, integrando– as de forma harmoniosa:

Sol de primavera.
Céu azul, jardim em flor.
Riso de crianças.
Na pauta de fios elétricos,
uma escala de andorinhas.
(KOLODY, 1993, p. 55)

A conjugação vital integrada aos elementos da natureza direciona para uma permanente renovação cíclica da vida. No “âmago” do poema, destaca-se o verso “riso de criança”, que simboliza a espontaneidade, a simplicidade natural. As imagens visuais relacionadas à estação da primavera se destacam nos três primeiros versos. Os versos são marcados pela justaposição. Na última estrofe, o vocábulo “andorinhas” remete de imediato à referida estação. As palavras do mesmo campo semântico são escolhas motivadas e intencionais por parte da poeta.

Cumpre destacar que o projeto do livro Reika (composto por tankas e haicais) foi anterior à outorga recebida por Helena Kolody, em 1993, ou seja, os poemas que fazem parte desta obra já estavam sendo escritos na década de 80 e mesmo nas anteriores, conforme pode ser comprovado com o haicai intitulado “Noite”, já apresentados em momentos anteriores. Um outro haicai ilustrativo desta questão é “Flecha de sol”, da obra Reika:

A flecha de sol
pinta estrelas na vidraça.
Despede-se o dia.
(KOLODY, 1993, p. 17)

A sutileza das imagens, o registro do instantâneo, o encadeamentodos dois primeiros versos, a duplicidade (reflexo das estrelas na vidraça), a imagem da “flecha de sol” e do dia que finda são artifícios da linguagem e da imaginação de Kolody, ao construir o minúsculo haicai, que traz o máximo de informação e criatividade em três versos. A imaginação é o suporte da construção textual e a marca de um pensamento capaz de reinventar a linguagem.

Os poemas kolodyanos possuem uma relação de sentido que os mantêm interligados a uma constante temática: a construção do poema, o fazer poético e o uso de seu material, discutindo o valor das palavras, frases, linguagem, as dificuldades encontradas pela poeta na construção de seus poemas. Nota-se, também, a tentativa de Kolody em transpor muros e barreiras através do trabalho da linguagem, tendo em vista a livre expressão de seus anseios e desejos.

Helena Kolody surge para a poesia brasileira na década de 40, com Paisagem interior (reunião dos textos escritos na década anterior), numa época pautada pela desilusão com o presente sem visão de perspectivas, num contexto social marcado pela falta de liberdade, por crises das democracias liberais e pela Segunda Grande Guerra. É nesse contexto que surge a geração de 45. A poesia kolodyana, publicada na década de 40, revela uma obra repleta de símbolos de descrença, mostrando o mundo submerso, a preocupação com o presente, com a violência de sua época, tal como a II Guerra Mundial, que não permitia que os jovens de 45 vivessem despreocupados. Esse panorama histórico e social sombrio se reflete na fase inicial da poesia de Kolody.

A escritora Maria Lúcia Pinheiro Sampaio, em História da poesia modernista, afirma que a geração de 45 nasceu oprimida pelo Estado Novo, pelas ameaças de prisão, exílio e tortura, desesperançada com a falta de perspectiva do presente. Assim, a fase dos anos 40 é marcada pela seriedade, pelas preocupações políticas, pela angústia, pela descrença no presente, pelo medo, pela hostilidade a 22, pela recuperação dos valores do passado (SAMPAIO, 1991, p. 76). Para a autora, a geração de 45 conseguiu o equilíbrio entre o social e a elaboração requintada do poema. Entre as características da geração de 45 estão o primado da forma, a preocupação com o fazer poético e com a linguagem. Esta geração recriou artisticamente o contexto histórico de 40, com suas perplexidades e tensões (id., ibid., p. 77-93). Sampaio observa que a geração de 45 cultivou os temas eternos da poesia bem como os temas considerados antipoéticos pela poesia clássica. Com relação à linguagem de 45, não há uma uniformidade. A linguagem despojada, precisa, exata, sem ornamentos inúteis é uma das características marcantes da geração de 45 (ibid., p. 79).

Em relação ao perfil de uma geração, Sampaio destaca que o diálogo com os mestres do passado iniciado em 30 se intensifica em 45 e os integrantes da geração buscam sua inspiração na tradição clássica da poesia, mesclando o passado com o presente e criando novos ritmos e formas, inovando a poesia brasileira que segue a trajetória normal de sua evolução. No dizer da autora, não há uma radicalização para o social, mas a coexistência de vários tipos de poesia, que está centrada em temas existenciais e comprometida com o social. Presente na maioria dos poetas de 45, a temática social é tratada de forma diferente pelos poetas (loc. cit.).

A visão de mundo do sujeito e a pluralidade de temas dão configurações próprias às obras de Kolody, inseridas na tradição, na universalidade e no testemunho amoroso que direciona para o “espetáculo do mundo”, cuja contemplação reconduz ao amor e à poesia em um mundo aprazível aos sentidos. É por isso que a melhor forma de “testemunhar a contemplação” é, no dizer de Darcy Damasceno, “fazer do mundo matéria de puro canto, apreendendo-o em sua inexorável mutação e eternizando a beleza perecível que o ilumina e se consome” (DAMASCENO. “Poesia do sensível e do imaginário”. In: MEIRELES, 1983, p. 17).

A respeito da obra kolodyana, Marly Catarina Soares afirma que desde seu primeiro livro, verificam-se “tendências temáticas e formais que irão permear toda a sua obra, e, sobretudo, determinar o rumo que a poesia paranaense tomará nas décadas seguintes. Sua importância reside no fato de representar o início de uma geração de poetas que surgiram na década de 60” (SOARES, 1997, p. 8). A autora observa ainda que, “Helena Kolody é a precursora da poesia paranaense contemporânea, por ter sido ela uma das primeiras a iniciar o itinerário da sintetização de linguagem e pensamento. Atualmente, muitos são os escritores paranaenses que se filiam a esta prática, tanto na poesia quanto na prosa” (idem, ibidem). As afirmativas de Soares confirmam a constante preocupação de Kolody em relação à poesia sintética, condensada, pois no trabalho de criar e “re-criar” os poemas, a autora dá provas de que sua poesia é uma constante busca da palavra essencial.

O universo poético de Helena Kolody se apóia nos aspectos lúdicos, rítmicos e imaginários da linguagem, cuja função poética funciona como um vetor constitutivo da natureza humana. É pela palavra que a poeta se lança no plano expressivo e transforma sua arte em matéria dinâmica, capaz de nomear o mundo, com uma linguagem que tem o poder de “conter a surpreendente variedade do real”, isto é, que abre múltiplos espaços de “comunicação e de nominação dos objetos” (GONZALEZ, 1990, p. 156– 157), no dizer de Gonzalez.

Pode-se concluir que a construção poética e o projeto estético kolodyano, como busca do essencial, residem nos procedimentos e nas formas escolhidas, nos ritmos, no enxugamento dos textos. Assim, seus poemas sintéticos registram o teor de modernidade e contemporaneidade.

Na poesia de Kolody, verifica-se a preocupação do eu poético em relação à elaboração precisa da linguagem, registrada na maneira de interpretar o mundo e as coisas. Tais procedimentos poéticos e estéticos de Helena Kolody se concretizam de maneira harmoniosa, em que prevalece a síntese, a economia dos meios, a linguagem singela e vigorosa, as imagens e os símbolos. Com sua maneira própria de atuação, a poeta apresenta o ato criador como um exercício e comprometimento perante a vida e a arte. Por meio da efetivação de um pensamento capaz de reinventar universos imaginários, Kolody elabora uma poesia essencial, singela, lúdica e, acima de tudo, participativa e reveladora da condição humana.

Referências:

ATEM, Reinoldo. Panorama da poesia contemporânea em Curitiba. Curitiba, 1990. Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira) – Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná, 1990.
BAKHTIN, Mikhail M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997 (Coleção ensino superior).
DAMASCENO, Darcy. Poesia do sensível e do imaginário. In: MEIRELES, Cecília. Flor de poema. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1983 (Coleção poiesis).
GONZALEZ, Javier. El cuerpo y la letra: la cosmología poética de Octavio Paz. México – Madrid – Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 1990.
JORNAL do livro, Curitiba, abr./ jun. 1985, n. 7, p. 4-5.
JOZEF, Bella. A máscara e o enigma. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1986.
KOLODY, Helena. Infinito presente. Curitiba: 1980.
KOLODY, Helena. Sempre palavra. Curitiba: Criar Edições, 1985.
KOLODY, Helena. Helena Kolody: um escritor na Biblioteca. Curitiba: BPP/SECE, 1986.
KOLODY, Helena. Viagem no espelho. Curitiba: Criar Edições, 1988.
KOLODY, Helena. Ontem agora. Curitiba: SEEC, 1991.
KOLODY, Helena. Reika. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba: Ócios do ofício, 1993 (Série Buquinista).
KOLODY, Helena. Viagem no espelho. 5ª ed. Curitiba: Editora da UFPR, 1999.
LINHARES, Temístocles. A poesia de Helena Kolody (I). Gazeta do Povo, Curitiba, 16 fev. 1969, p. 1.
MURICY, ANDRADE. Panorama do movimento simbolista brasileiro. São Paulo: Editora Perspectiva, 1987.
RUIZ, Alice. Opiniões da crítica. In: VENTURELLI, Paulo (Org.). Helena Kolody. Curitiba: Ed. da UFPR, 1995. p. 50-51.
RUIZ, Alice. In: SINFONIA da vida: Helena Kolody (Antologia poética organizada por Tereza Hatue de Rezende). Curitiba: Pólo Editorial do Paraná – Letraviva, 1997. p.15.
RUMO paranaense, Curitiba, ano II, n. 35, p. 1-14, nov. [197-].
SAMPAIO, Maria Lúcia Pinheiro. História da poesia modernista. São Paulo: João Scortecci Editora, 1991.
SAMWAYS, Marilda Binder. Introdução à literatura paranaense. Curitiba: HDV, 1988.
SINFONIA da vida: Helena Kolody (Antologia poética organizada por Tereza Hatue de Rezende). Curitiba: Pólo Editorial do Paraná – Letraviva, 1997.
SOARES, Marly Catarina. Helena Kolody: uma voz imigrante na poesia paranaense. Campinas, 1997. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) – Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, 1997.
TEIXEIRA, Hélio C. Poemas do Paraná. Diário popular. Curitiba, 1 ago. 1977, p. 17.
TINIANOV, Iuri. O problema da linguagem poética I: o ritmo como elemento construtivo do verso. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975.
VENTURELLI, Paulo (Org.) Helena Kolody. Curitiba: Ed. da UFPR, 1995 (Série paranaense, n. 6).
YOKOZAWA, SOLANGE FIUZA CARDOSO. A memória lírica de Mário Quintana. Porto Alegre, 1991. Tese (Doutorado em Literatura Brasileira) – Instituto de Letras, Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2000.

Fonte:
Revista Ciênc. Let., Porto Alegre, n.39, p.264-278, jan./jun. 2006. Disponível em:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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