Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 29 de junho de 2014

A. A. de Assis (Revista virtual de trovas n. 175 Julho de 2014)


  ---------------------------------------
 
--------------------------------------
Penetra no coração;
fica entranhado na mente...
A gente sai do sertão,
mas ele não sai da gente!
Ademar Macedo – RN

Ao beijar a tua mão,
que o destino não me deu,
tenho a estranha sensação
de estar roubando o que é meu!
Durval Mendonça

Vem, palhaço, sem tardança,
com teus trejeitos, teus chistes,
e acorda a alegre criança
que dorme nos homens tristes...
Élton Carvalho

Não há ruas sem esquinas,
nem esquinas sem enredos,
nem enredos sem meninas,
nem meninas sem segredos...
José Coelho de Babo

Minha casa, que tem tudo,
tanta coisa de valor,
minha casa não tem nada;
vive só, sem teu amor!
Joubert de Carvalho

Seria a vida esplendor,
ventura, luz e perfume,
se tu me desses de amor
o quanto tens de ciúme!
Luiz Otávio

------------------------------------------

 
------------------------------------------

Ao saber que a noiva gasta,
na modista, herança inteira,
o noivo vivo se afasta,
e casa com... a costureira...
Dorothy Jansson Moretti – SP

Eta mulher jogo duro!
Por mais que eu implore e tente,
não me garante o futuro...
só quer saber de... presente.
João Costa – RJ

O reumatismo atacava
meu avô em tal escala,
que o velho já se queixava
de dor até na bengala...
José Lucas de Barros – RN

– Mamãe, eu vou pra balada,
mas não demoro a voltar.
– Filha, eu estou preocupada
é se você vai “ficar”!
Olympio Coutinho – MG

Vermelho igual ao tomate,
meu coração é um bife:
quanto mais alguém lhe bate,
mais amolece o patife.
Orlando Woczikosky – PR

Menininha no quintal,
tadinha, brincando só,
faz algo que lhe faz mal:
cata cocô de cocó...
Osvaldo Reis – PR
 

No casório, bebeu todas...
Ficou de fogo o Mané.
E em vez de curtir as bodas,
curtiu a lua... de mé...
Pedro Melo – SP

Na noite do seu casório,
sendo um noivo muito antigo,
usou até suspensório,
mas não suspendeu o artigo...
Wanda Mourthé – MG

------------------------------------------

-------------------------------------------

Esta é uma lei que não muda,
portanto preste atenção:
– O Pai jamais nega ajuda
àquele que ajuda o irmão.
A. A. de Assis – PR

Os namorados, querida,
dois relógios devem ter:
um que retarde a partida,
outro que apresse o volver.
Albercyr Camargo – RJ

Chocolate é ingrediente
de precioso sabor,
que entra na boca da gente
igual a beijo de amor!...
Alberto Paco – PR

Sigam, poetas, cantando
em dom divino e fecundo,
com suas mãos derramando
beleza e paz pelo mundo!...
Almir Pinto de Azevedo – RJ

Sonhando ver sua imagem
na varanda, uma outra vez,
recomponho uma paisagem
que, sem você, se desfez...
Almira Guaracy Rebelo – MG

O poeta é um ser divino
e nos traz felicidade.
A ele dedico um hino
de amor e fraternidade.
Ângela Stefanelli – RJ

Não sente, nunca, a fadiga
desta existência bizarra
quem no peito de formiga
tem coração de cigarra.
Antonio Juraci Siqueira – PA

Com musas vivo a sonhar:
à noite durmo um pedaço,
num caderno ao despertar
uma trova eu sempre faço.
Ari Santos de Campos – SC

Não pense que todo amigo
pode ser um confidente;
às vezes fala contigo
e te entrega logo à frente.
Benedita Azevedo – RJ
 

Ouço teus passos serenos
e o meu abraço se expande,
mas sinto os braços pequenos,
para ternura tão grande!
Carolina Ramos – SP

Nossa briga de verdade,
essa o tempo não contou,
e o que foi felicidade...
a saudade engavetou!...
Clenir Neves Ribeiro – RJ

Teu grande amor, que ironia,
é hoje coisa esquecida:
foi luz que por um só dia
iluminou minha vida!
Conceição de Assis – MG

O vento farfalha a copa,
da árvore, folhas e flores,
e a ave o ninho envelopa
para abrigar seus amores.
Cônego Telles – PR

La buscamos con anhelo
lleva, dicha al corazón,
de dicha nos da desvelo
lleva por nombre ilusión!
Cristina Olivera Chávez – EUA

Mansamente morre a tarde,
e eu na rede a te esperar.
E a saudade, sem alarde,
chega e toma o seu lugar...
Dáguima Verônica – MG

Na minha melhor idade,
sendo velho, sou criança,
vivendo a felicidade
no carrossel da esperança.
Décio Rodrigues Lopes – SP

Empilhados na memória,
um a um, mesmo à distância,
escreveram linda história
os meus brinquedos de infância.
Delcy Canalles – RS

Eu não ouço os teus conselhos
mas, quando fala a razão,
meus pecados, de joelhos,
imploram por teu perdão...
Dilva Moraes – RJ

Ultrapassando as fronteiras,
do Sim, do Não, do Talvez,
nosso amor vence barreiras
e o ciúme não tem vez!
Dirce Montechiari – RJ

Teus cabelos ondulados
caídos sobre o meu rosto,
cobrem os beijos molhados
trocados com tanto gosto.
Djalma da Mota – RN

Saudade é uma dor pousada
nos ombros da solidão:
felicidade passada,
vedada a repetição.
Eliana Jimenez – SC

O progresso da ciência
impulsiona uma nação,
porém só a consciência
constrói nela o cidadão!
Eliana Palma – PR
 

Quando me pedes perdão,
humildemente,  reflito:
– Quem tem Deus no coração
abranda qualquer conflito!
Elisabeth Souza Cruz – RJ

Lembranças que hoje sinto
da infância muito querida;
pedras rolando, não minto,
na longa estrada da vida.
Euclymar Porto – RJ

Este silêncio, tão mudo,
que o nosso olhar escondia,
nos fez sentir quase tudo
de tudo o que já sentia!
Eva Yanni Garcia – RN
 

Tu voltaste tão risonha
e eu, com minha insensatez,
desfiz o amor de quem sonha,
sendo infeliz outra vez!
Francisco Garcia – RN
 

Mesmo que lhe desagrade
dentre os sabores prefira
o amargo de uma verdade
ao doce de uma mentira.
Francisco Pessoa – CE
 

Eu prossigo o meu caminho,
procurando um grande amor,
que me envolva com carinho
e me aqueça em seu calor!
Gislaine Canales – SC

Seu aroma chega a mim,
vindo daquela janela:
são as flores do jardim
que emoldura a vida dela.
Hulda Ramos – PR
 

Numa estrada colorida,
ou na trilha empoeirada,
se a família segue unida,
é suave a caminhada.
Istela Marina – PR
 

Sejamos gratos pelo ar
que respiramos de graça
ou iremos transformar
nosso planeta em fumaça!
Janske Niemann – PR
 

Na clausura da existência
das prisões que nos impomos,
um devaneio é a essência
do que pensamos que somos!
J. B. Xavier – SP

Se sofres, poeta, canta,
que essa cantiga, aonde for,
consola, embala, acalanta,
quem vive pobre de amor!
Jeanette De Cnop – PR

Ah, relógio, meu amigo,
teus ponteiros, como correm!
O tempo voa contigo
e com ele os sonhos morrem...
Jessé Nascimento – RJ

Sem amor e sem carinho,
o homem vive a lamentar
e deixa o calor do ninho
pra buscar noutro lugar.
Jorge Fregadolli – PR
 

Tanta gente só… num canto…
perdida no desamor,
resguardando o desencanto
de um coração sofredor!
José Feldman – PR

De uma forma muito astuta,
a mentira nunca falha:
hoje atinge a quem a escuta,
amanhã a quem a espalha...
José Ouverney – SP

Navega lejos mi barca
son mis años, es mi vida.
La está llamandola parca
para dar la bienvenida.
Libia Carciofetti – Argentina

Na pouca pressa que tens
de aliviar minha saudade,
enquanto espero e não vens,
transcorre uma eternidade!
Lucília Decarli – PR

Fitando o manto estrelado,
fica fácil compreender
a pequenez de meu fado
perante o divino Ser.
Luiz Antonio Cardoso – SP

Vamos fazer uma aliança,
pois poluir é desgraça:
levar o sol da esperança
à chaminé de fumaça !
Luiz Carlos Abritta – MG
 

Saudade, nem sempre triste,
traz lembrança de um ausente
que de longe ainda insiste
em se dar como presente.
Luiz Hélio Friedrich – PR

A brisa, leve em seu canto,
na voz de um timbre sem dono,
é quem solfeja o acalanto
pra noite pegar no sono...
Manoel Cavalcante – RN

Em tua ausência, a esperança
põe seus véus na realidade,
mas quem vive de lembrança
morre aos poucos... de saudade!
Mª Lúcia Daloce – PR

Volta agora com vontade
ser o amor que me encantou...
Traga contigo a saudade
que ao partir você deixou!
Mª Luíza Walendowsky – SC

Os cílios fazem cortina
para um palco de emoção,
que a luz do amor ilumina
quando canta o coração!
Mª Thereza Cavalheiro – SP

Ante os pobres, ter piedade,
ter doçura e compaixão,
é provar a suavidade
que brota do coração.
Marina Valente – SP

No adeus da tua partida
meu coração infeliz
ganhou enorme ferida
e, não parou... por um triz!
Maurício Friedrich – PR

Paciência teve Jó,
que tantas dores sofreu,
perdeu tudo, ficou só,
mas sua fé não morreu.
Mifori – SP

É uma sublime atitude
o saber pedir perdão.
Bem mais nobre é a virtude,
perdoar sem restrição.
Neiva Fernandes – RJ

Quando a neblina é mais densa
e a luz parece tão mansa,
na estrada o que a gente pensa
é que o sol ainda descansa.
Olga Agulhon – PR

Numa montanha de mágoas
há uma vertente escondida
por onde correm as águas
dos prantos da minha vida.
Renato Alves – RJ

Não me intimida o futuro,
nem os porquês dos meus ais.
Quem tem um porto seguro
tem o controle do cais.
Rita Mourão – SP

Concedido por esmola
o perdão não traz fiança.
Dificilmente consola,
tendo sabor de vingança...
Ruth Farah – RJ

Verdade que não se trai,
e quem bem viver verá:
quando um filho agrada o pai,
um bom pai também será!
Selma Spinelli – SP

Vão meus sonhos, num batel,
buscar certezas... Em vão:
os meus barcos de papel
são, apenas, o que são!
Sérgio Ferreira da Silva – SP

Passa a vida passageira,
nesse passo de inquietude,
e leva ao passar ligeira
os traços da juventude.
Sônia Sobreira da Silva – RJ

Em nossas doces lembranças
vejo-me ainda o menino
que ao tocar em tuas tranças
uniu ao teu seu destino.
Thalma Tavares – SP

Tu chegas, só por instantes,
e as minhas mágoas contenho:
se não há depois, nem antes,
vivo os instantes que tenho!
Thereza Costa Val – MG

Meu coração não se expande.
Chora sozinho e sem queixa...
Sabe quando o amor é grande
pela saudade que deixa.
Therezinha Brisolla – SP

Sempre e sempre se convença
de que há distância infinita
entre aquilo que se pensa
e aquilo que a vida dita...
Vanda Alves – PR

Onde a sombra cobre e embaça
o sol que anima e clareia,
eu quisera ser quem passa
e reacende a luz alheia.
Vanda Fagundes Queiroz – PR

===========================  
 Visite: 
http://poesiaemtrovas.blogspot.com/
http//www.falandodetrova.com.br/
http://universosdeversos.blogspot.com 
=================================

XXVIII Jogos Florais de Bandeirantes/PR - 2014 (Resultado Final: Estadual e Nacional/Internacional)

Concurso de Âmbito Estadual (Paraná)

tema: MOTIVO

Vencedores em ordem alfabética


1- Alberto Paco - Maringá

2- Antonio Augusto de Assis - Maringá (2 Trovas)

3- Dari Pereira – Maringá (2 Trovas)

4- Istela Marina Gotelipe Lima - Bandeirantes (2 Trovas)

5- Janete de Azevedo Guerra – Bandeirantes

6- José Feldman - Maringá (2 Trovas)

7- José Luiz da Luz - Ponta Grossa

8- Lucília Alzira Trindade Decarli - Bandeirantes (2 Trovas)

9- Maria Aparecida Pires - Curitiba

10- Maria da Conceição Fagundes – Curitiba

11- Maria Helena Oliveira Costa - Ponta Grossa

12- Maria Lúcia Daloce – Bandeirantes (2 Trovas)

13- Maurício Fernandes Leonardo - Ibiporã (2 Trovas)

14- Vanda Alves da Silva - Curitiba (2 Trovas)

15- Vanda Fagundes Queiroz - Curitiba

Concurso de Âmbito Estadual (Paraná)

Tema: LOROTA

Vencedores em ordem alfabética


1- Alberto Paco - Maringá (2 Trovas)

2- Antonio Augusto de Assis - Maringá (2 Trovas)

3- Dari Pereira - Maringá

4- Dinair Leite – Paranavaí (2 Trovas)

5- Istela Marina Gotelipe Lima - Bandeirantes (2 Trovas)

6- Janete de Azevedo Guerra - Bandeirantes (2 Trovas)

7-Lucília Alzira Trindade Decarli - Bandeirantes (2 Trovas)

8- Maria Aparecida Pires - Curitiba

9- Maria da Conceição Fagundes - Curitiba

10- Maria Helena Cristovo -- Bandeirantes

11- Maria Lúcia Daloce - Bandeirantes (2 Trovas)

12- Maurício Fernandes Leonardo - Ibiporã

13- Renato Luiz Trindade - Santo Antonio da Platina

14- Vanda Alves da Silva - Curitiba

15- Vanda Fagundes Queiroz - Curitiba (2 Trovas)

Concurso de Âmbito Estadual (Paraná)

Tema: BANDEIRANTES - 80 ANOS

Vencedores em ordem alfabética


01- Antonio Augusto de Assis – Maringá

02– Dari Pereira – Maringá

03– Janete de Azevedo Guerra – Bandeirantes

04- Maria Helena Cristovo – Bandeirantes

05– Maria Lúcia Daloce – Bandeirantes

Concurso de Âmbito Nacional/Internacional

tema: FELICIDADE

Vencedores em ordem alfabética


1 - Bessant – Pindamonhangaba - SP

2 - Campos Sales - São Paulo - SP

3 - Dáguima Verônica de Oliveira - Santa Juliana - MG

4 - Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho - Juiz de Fora - MG

5 - Ercy Maria Marques de Faria -Bauru - SP

6 - Héron Patrício - Pouso Alegre - MG

7 - José Antônio de Freitas - Pitangui - Mg

8 - José Guarany Rodrigues - Pindamonhangaba -SP

9 - José Ouverney - Pindamonhangaba - SP (2 Trovas)

10 - Maria Madalena Ferreira - Magé - RJ

11 - Pedro Mello - São Caetano do Sul - SP

12 - Renata Paccola - São Paulo - SP

13 - Sandro Pereira Rebel - Niterói - RJ

14 - Sérgio Bernardo Correa - Nova Friburgo - RJ

15 - Therezinha Dieguez Brisolla - São Paulo - SP

Concurso de Âmbito Nacional/Internacional

Tema: JANELA

Vencedores  em ordem alfabética


1 - Campos Sales - São Paulo - SP

2 - Edmar Japiassú Maia - Nova Friburgo - RJ (2 Trovas)

3 - Élbea Priscila de Sousa e Silva - Caçapava - SP

4 - Élen de Novais Félix - Niterói - RJ

5 - Geraldo Trombin - Americana - SP

6 - Giva da Rocha - São Paulo - SP

7 - Jaime Pina da Silveira - São Paulo - SP

8 - José Antônio de Freitas - Pitangui - MG

9 - José Ouverney - Pindamonhangaba - SP (2 Trovas)

10 - Nazareno Tourinho - Belém - PA

11 – Olympio da Cruz Simões Coutinho - Belo Horizonte - MG (2 Trovas)

12 - Roberto Tchepelentyky - São Paulo - SP

13 - Sandro Pereira Rebel - Niterói - RJ

!4 - Sérgio Bernardo Correa - Nova Friburgo - RJ

15 - Therezinha Dieguez Brisolla - São Paulo - SP
------------------------------------------------------------------

Concurso de Âmbito Nacional/Internacional

Tema : BANDEIRANTES - 80 Anos

Vencedores  em ordem alfabética


1 - Austregésilo de Miranda Alves - Senhor do Bonfim - BA

2 - Clenir Neves Ribeiro - (... ? ) - Austrália

3 - Dodora Galinari - Belo Horizonte - MG

4 - Jaime Pina da Silveira - São Paulo - SP

5 - Roberto Tchepelentyky - São Paulo - SP

X Concurso de Trovas/2014 da UBT Maranguape/CE (Resultado Final Nacional/Internacional e Aberto)

Âmbito Nacional/Internacional
TEMA: GENTILEZA

(Trovas líricas ou filosóficas)

VENCEDORES (1º ao 5º lugares)

 

1º. Lugar:

Sempre que o destino aperta
e fornece pistas tortas,
gentileza é a chave certa
para abrir todas as portas...
MILTON SOUZA
Porto Alegre/RS

2º. Lugar:

No roseiral das virtudes
sobressai a gentileza,
sem a qual, às atitudes
mais lindas, falta a grandeza!
AMILTON MACIEL MONTEIRO
São José dos Campos/SP

3º. Lugar:

Atenda bem, com presteza,
a quem lhe pede um favor,
porque qualquer gentileza
é sempre um gesto de amor!
EDUARDO A. O. TOLEDO
São Sebastião da Bela Vista/MG

4º. Lugar:

Gentileza e cortesia,
qualidades naturais,
que a todo instante se via,
mas hoje não se vê mais.
ALDA LOPES DE OLIVEIRA REZENDE
Taubaté/SP

5º. Lugar:

Gentileza é quando o sol,
vendo o dia se findar,
no resplendor do arrebol,
deixa a lua triunfar.
JOEL HIRENALDO BARBIERI
Taubaté/SP

MENÇÕES HONROSAS (6º ao 10º lugares):

6º. Lugar:

A gentileza, meu filho,
sincera e sem pretensões,
reflete, na vida, o brilho
dos mais belos corações!
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Natal/RN

7º. Lugar:

A gentileza revela
o bem que o mimo nos faz...
Pois gentileza é janela
aberta ao pódio da paz!
PROFESSOR FRANCISCO GARCIA
Caicó/RN

8º. Lugar:

Gentileza, óh! Gentileza!
Não te faças diminuta...
Sem ti, no mundo a rudeza
ganha espaço e vence a luta!
MARIA LÚCIA DALOCE
Bandeirantes/PR

9º. Lugar:

A gentileza,de fato,
tem uma definição:
ela é por certo o retrato
de quem tem educação.
LARISSA LORETTI
Rio de Janeiro/RJ

10º. Lugar:

Me envolveu com gentileza,
me enganou dizendo amar...
Foi como quem pôs a mesa
mas não serviu o jantar.
JOSÉ HENRIQUE DA COSTA
Magé/RJ

MENÇÕES ESPECIAIS (11º ao 15º lugares):

11º. Lugar:

Na rua, que gentileza,
em casa, quanta agressão!
Quem trata os seus com crueza
já não merece atenção.
ALFREDO BARBIERI
Taubaté/SP

12º. Lugar:

Falar com o coração
Em tudo pondo beleza
Faz a mera educação
Transformar-se em gentileza.
DOMINGOS FREIRE CARDOSO
Ílhavo/Portugal

13º. Lugar:

A gentileza do abraço,
quando o soluço emudece,
é sol que nasce, é mormaço
no âmago de quem padece.
MARIA HELENA URURAHY C. DA FONSECA
Angra dos Reis/RJ

14º. Lugar:

Parece que a humanidade
esqueceu que a gentileza
é um gesto de amizade,
de respeito e de nobreza...
AMAEL TAVARES DA SILVA
Juiz de Fora/MG

15º. Lugar:

Numa Santa gentileza,
com presença garantida,
Deus, na bela natureza,
rege, o milagre da vida...
JOSÉ CARLOS PANAZZOLO
Ribeirão Preto/SP

DESTAQUES (16º ao 20º lugares):
 

16º. Lugar:

Perdão, desculpa, obrigado,
são atos de gentileza
de um povo sério e educado
que vive em paz, com certeza.
ALFREDO BARBIERI
Taubaté/SP

17º. Lugar:

Se você for bom cristão,
Será gentil com certeza,
E tratará seu irmão
Com finura e gentileza.
MAURÍCIO FERNANDES LEONARDO
Ibiporã/PR

18º. Lugar:

Com sorrisos de carinho
e atitudes de nobreza,
vamos plantar nos caminhos
as flores da gentileza!
ELEN DE NOVAIS FÉLIX
Niterói/RJ

19º. Lugar:

Se me ofendem sem razão,
logo me invade a tristeza,
mas eu pago a ingratidão
usando de gentileza!
ALBERTO PACO
Maringá/PR

20º. Lugar:

A gentileza do pobre
Não é pouca nem é rara,
porém ninguém a descobre,
e nela ninguém repara.
António José Barradas Barroso
PAREDE – PORTUGAL

NACIONAL/INTERNACIONAL
TEMA: BOLA [H]

VENCEDORES (1º ao 5º lugares)


1º. Lugar:

O juiz recolhe a bola...
O time deixa o gramado...
E a torcida se consola,
xingando a mãe do coitado!!!
ERCY MARIA MARQUES DE FARIA
Bauru/SP

2º. Lugar:

Na “pelada” a bola rola
misturando o bom e o mau...
Somente o dono da bola
pode ser “perna de pau”...
MILTON SOUZA
Porto Alegre/RS

3º. Lugar:

Casado, ele dava bola
para as moças lá na festa.
Mas, hoje, sempre se amola,
com os dois chifres na testa!
LEONILDA YVONNETI SPINA
Londrina/PR

4º. Lugar:

De olho gordo em seu dinheiro
deu "bola" pro sessentão
que enrolou-a, por inteiro,
e lhe deu tanque e fogão.
ALFREDO BARBIERI
Taubaté/SP

5º. Lugar:

Como enrola o Zé Gabola,
que afirma ser craque, embora,
toda a vez que pega a bola,
é gol contra... ou chute fora!!
CAROLINA RAMOS
Santos/SP

MENÇÕES HONROSAS (6º ao 10º lugares):

6º. Lugar:

O preconceito careta
na sinuca ele desmente
ao chamar a bola preta
de bola afrodescendente.
DULCÍDIO DE BARROS MOREIRA SOBRINHO
Natal/RN

7º. Lugar:

O estrábico deita e rola,
e o goleiro o encara e diz:
você tá olhando a bola,
ou mirando o meu nariz?
PROFESSOR FRANCISCO GARCIA
Caicó/RN

8º. Lugar:

Ela é boa faxineira,
e dá "Bola" ao Coronel...
Seu "requebro" de "cadeira",
botou fogo no quartel!
IVONE TAGLIALEGNA PRADO
Belo Horizonte/MG

9º. Lugar:

Aquele velho gabola
Quis marcar um gol de placa,
Tropeçou na própria bola,
Coitado! Saiu de maca.
LUIZ POETA
Rio de Janeiro/RJ

10º. Lugar:

Faz gol, mas não se consola...
Choraminga olhando o pé!...
Quando dá chutes na bola
tem saudade do balé!...
MERCEDES LISBÔA SUTILO
Santos/SP

MENÇÕES ESPECIAIS (11º ao 15º  lugares):

11º. Lugar:

O político é matreiro,
quando é corrupto, e ladrão.
Se é mensaleiro, é goleiro:
- Tem sempre, “bolas” na mão...
FABIANO DE CRISTO MAGALHÃES WANDERLEY
Natal/RN

12º. Lugar:

Requebrando na avenida
no desfile lá da escola,
minha sogra Margarida
se achava a "Dona da Bola".
LICÍNIO ANTÔNIO DE ANDRADE
Juiz de Fora/MG

13º. Lugar:

Com fama de ser machão
no campo domina a bola;
sensual, o gostosão...
Dorme só de camisola!
NADIR NOGUEIRA GIOVANELLI
São José dos Campos/SP

14º. Lugar:

Existem bolas e bolas...
Aquelas do Mensalão,
foram festas de cartolas,
Dirceu bateu um bolão!
GERALDO LYRA
Recife/PE

15º. Lugar:

Em jogo da Seleção,
antes da bola rolar,
torço muito que o Galvão
não seja quem vai narrar.
EDWEINE LOUREIRO DA SILVA
Saitama/Japão

DESTAQUES (16º ao 20º lugares)
 

16º. Lugar:

É juíza e bandeirola,
a sogra do Juca Bento.
Se a vizinha lhe dá bola
Ela marca impedimento
DÉCIO RODRIGUES LOPES
Mogi das Cruzes/SP

17º. Lugar:

Quando andas tu rebolas,
não por seres provocante;
mas teu traseiro tem bolas
que a deixam muito abundante!
AMILTON MACIEL MONTEIRO
São José dos Campos/SP

18º. Lugar:

-Deita no colchão de molas,
vem aqui me aconchegar.
-Deitar contigo, ora bolas?
Só simplesmente deitar?
ALBÉRCIO NUNES
Serra/ES

19º. Lugar:

“Não adianta puxar-saco”
-diz a galinha d’angolaquanto
mais dizes “tô fraco”,
mais o galo me dá bola...
DODORA GALINARI
Belo Horizonte/MG

20º. Lugar:

Vendo a bola de cristal,
lendo a minha mão, também,
disse a vidente, afinal:
- Futuro? Você não tem!!!
SECEL BARCOS
Cambridge - Canadá


Âmbito: ABERTO
Nacional/Internacional

TEMA: MÉDICO (L/F]

VENCEDORES (1º ao 5º lugares)


1º. Lugar:

Entre a dor e o seu paciente,
na missão à qual fez jura,
vive, o médico, consciente,
o sacerdócio da cura.
NEI GARCEZ
Curitiba/PR

2º. Lugar:

Não bastam ciência e estudo,
não basta a disposição.
Ser médico é sobretudo
altruísmo e vocação.
ELIANA RUIZ JIMENEZ
Balneário Camboriú/SC

3º. Lugar:

Ser médico numa terra
que carece de hospitais
é sobreviver à guerra,
sem que a paz chegue jamais.
EDWEINE LOUREIRO DA SILVA
Saitama/Japão

4º. Lugar:

O médico em branca farda,
zelando por nossa sorte,
na vida é o anjo da guarda
que nos protege da morte.
DULCÍDIO DE BARROS MOREIRA SOBRINHO
Taubaté/SP

5º. Lugar:

O bom médico, educado,
que os pobres assiste e ensina,
é sempre recompensado
e enobrece a medicina.
ROBERTO RESENDE VILELA
Pouso Alegre/MG

MENÇÕES HONROSAS (6º ao 10º lugares):
 

6º. Lugar:

O médico, na cidade,
para agravar-me a tortura.
disse: - teu mal é saudade,
e a medicina não cura!
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Natal/RN

7º. Lugar:

O médico, meus senhores,
é sacerdote em missão.
Salva vidas, cura dores.
- Bendita essa profissão!
LEONILDA YVONNETI SPINA
Londrina/PR

8º. Lugar:

Nas mãos do médico pomos
A nossa vida, a sofrer;
Dizemos tudo que somos
Só com medo de morrer...
DOMINGOS FREIRE CARDOSO
Ílhavo - Portugal

9º. Lugar:

Deus nos deu inteligência,
e ao médico autorizou
salvar, à luz da Ciência,
as vidas que Ele criou.
VANDA FAGUNDES QUEIROZ
Curitiba/PR

10º. Lugar:
Médico é uma profissão
que requer desprendimento,
muito estudo e doação,
na cura de um sofrimento.
LICÍNIO ANTÔNIO DE ANDRADE
Juiz de Fora/MG

MENÇÕES ESPECIAIS (11º ao 15º lugares):
 

11º. Lugar:

Médico para o doente
é mais que anjo protetor,
é a mão de Deus presente
em cima da sua dor.
LUIZ MORAES
São José dos Campos/SP

12º. Lugar:

Resolve os problemas meus,
meu médico preferido,
para mim, é quase um deus,
um amigo bem querido!
GISLAINE CANALES
Porto Alegre/RS

13º. Lugar:
Um médico competente,
na profissão escolhida,
faz a vida do paciente
valer mais que a própria vida...
MILTON SOUZA
Porto Alegre/RS

14º. Lugar:

São Lucas Evangelista,
foi médico também de almas
e jamais perdeu de vista
as almas que foram salvas.
DANILO DOS SANTOS PEREIRA
Belo Horizonte/MG

15º. Lugar:

O Médico traz consigo
a noção de uma verdade
e trata amigo e inimigo,
com igual sinceridade!
CAROLINA RAMOS
Santos/SP

DESTAQUES (16º ao 20º lugares):

16º. Lugar:

Em seus labores diários,
com muito desvelo e amor,
médicos são emissários
das benesses do Senhor.
WANDA DE PAULA MOURTHÉ
Belo Horizonte/MG

17º. Lugar:

Médico, seu intermédio
buscando a cura de alguém,
se torna, às vezes, remédio
que a Medicina não tem.
DODORA GALINARI
Belo Horizonte/MG

18º. Lugar:

Seja qual for o roteiro,
prioridade é a saúde:
Deus ajuda mas, primeiro,
deixe que o médico ajude!
JOSÉ OUVERNEY
Pindamonhangaba/SP

19º. Lugar:

Estes versos vêm dizer,
com carinho e doce enlevo,
quanto eu quero agradecer
tudo que ao médico devo.
MARIA IGNEZ PEREIRA
Moji Guaçu/SP

20º. Lugar:

Caro médico, mereces
o nosso muito obrigado.
Toda noite, em minhas preces,
teu nome é pronunciado!
ANTÔNIO AUGUSTO DE ASSIS
Maringá/PR

Âmbito: ABERTO
Nacional/Internacional

TEMA: ÉTICA (L/F]

VENCEDORES (1º ao 5º lugares)

 

1º. Lugar:

É de Hipócrates a escrita
de uma sentença profética:
- Salve aquele que exercita
a Medicina com Ética!!!
EDUARDO A. O. TOLEDO
São Sebastião da Bela Vista/MG

2º. Lugar:

Ter ética é respeitar
em cada um seu direito,
é ter conduta exemplar
com retidão e respeito.
LICÍNIO ANTÔNIO DE ANDRADE
Juiz de Fora/MG

3º. Lugar:

Quem numa ética se escora
põe fim a contestação.
Quando a verdade vigora:
fala mais alto a razão!
WANDISLEY GARCIA
Jales/SP

4º. Lugar:

A fala, suave ou rude,
isso é o que menos importa:
sem ética na atitude,
qualquer ação nasce morta!
JOSÉ OUVERNEY
Pindamonhangaba/SP

5º. Lugar:

Valeu teu suor... teu pranto...
mas lembra, ao rumo que tomas,
que a Ética vale tanto
quanto valem os diplomas!...
EDMAR JAPIASSÚ MAIA
Nova Friburgo/RJ

MENÇÕES HONROSAS (6º ao 10º lugares):

6º. Lugar:

Em qualquer escola estética,
filosófica ou moral,
os princípios para a ética
tratam todos por igual.
OLIVALDO JÚNIOR
Mogi Guaçu/SP

7º. Lugar:

Ética, quando se aprende
desde tenra mocidade,
toda a gente a compreende
pois é mãe da honestidade.
ANTÓNIO JOSÉ BARRADAS BARROSO
Parede – PORTUGAL

8º. Lugar:

Sem qualquer mancha ou resíduo
nos pilares da moral,
na ética é que o indivíduo
mostra o seu valor real.
ELIANA RUIZ JIMENEZ
Balneário Camboriú/SC

9º. Lugar:

A Ética é aquele crivo
que apura padrões morais
e, em mundo competitivo,
é necessária demais!
WANDA DE PAULA MOURTHÉ
Belo Horizonte/MG

10º. Lugar:

Cuide de sua postura,
seja entre amigos ou não,
- ter ética, ter lisura -
é da boa educação.
HELENA BARROS

MENÇÕES ESPECIAIS (11º ao 15º lugares):

11º. Lugar:

A gente se torna cética
com gentinha que costuma
nos ditar lições de ética
sem ter ética nenhuma...
CARLOS HENRIQUE SILVA ALVES
Senhor do Bonfim/BA

12º. Lugar:

Quem só pensa no progresso,
que se diz ser muito cética,
que se escraviza ao sucesso,
tem tudo, mas...não tem ética!
DILVA NARIA DE MORAES
Nova Friburgo/RJ

13º. Lugar:

Quem acende a luz da ética,
mesmo em terra pervertida,
vai derretendo a cosmética
que esconde a face da vida.
ROBERTO RESENDE VILELA
Pouso Alegre/MG

14º. Lugar:

Se sou ético, a minha ética,
Busca os trilhos da razão
Sem quedar-me na epiléptica
Postura da contramão.
JAIR SALES DE ALMEIDA
Tomé-Açu/PA

15º. Lugar:

Ética, se desprezada,
tanto mal causa ao redor;
pois atrasa a caminhada
para um futuro melhor.
EDWEINE LOUREIRO DA SILVA
Saitama/Japão

DESTAQUES (16º ao 20º lugares):

16º. Lugar:

Ética conduta mor;
sensatez e disciplina,
ajuda a ser bem melhor
quem pratica a medicina.
LUIZ MORAES
São José dos Campos/SP

17º. Lugar:

Neste mundo de injustiça,
de maldade e intemperança,
a sociedade enfermiça
põe, na Ética, a esperança!
DELCY CANALLES
Porto Alegre/RS

18º. Lugar:

Só a Ética não pode
faltar nunca a quem governa,
pois sem ela o mal eclode
e tudo vira baderna!
AMILTON MACIEL MONTEIRO
São José dos Campos/SP

19º. Lugar:

Como pode a flor mais fina,
mas, na ética, insensata,
ser doutora em medicina
se, de amor, quase me mata?!
JAIME PINA DA SILVEIRA
São Paulo/SP

20º. Lugar:

Uma esperança perdida
Assumida no momento,
É brilho da nossa vida
Na ética do sentimento.
VITOR BATISTA
Portugal

 
Os parabéns da presidência da UBT-Maranguape e da ACLA aos trovadores classificados e participantes do concurso.

Dentro de alguns dias estaremos divulgando os âmbitos Estadual e Municipal, pois as trovas ainda estão com os julgadores.

Saliento que houve um atraso nos troféus do concurso anterior. A UBT-Maranguape e a FITEC está providenciando para receber do fabricante e enviar na mesma data dos troféus do presente concurso.

Os diplomas serão enviados por e-mail.

Solicito cientificar aos trovadores e poetas de seus contatos.

Abraços.
Fco. J. Moreira Lopes (Dedé Lopes)
Presidente da UBT-Maranguape e Coordenador do Concurso.

domingo, 22 de junho de 2014

Dorothy Jansson Moretti (Baú de Trovas) 18


Caldeirão Poético 5

LUIZ EDUARDO CAMINHA (SC)

Desilusão


Sonho,
Amargurado,
Agruras
Dum dia feliz...
Que não vem.

Sol, chuva,
Noite fria,
Lua nua,
Noite, dia,
Que se vão

Dia, noite,
Noite dia,
Cá espero.

A Felicidade?
Mera quimera,
Castelo d’areia.
Fere-me a alma.
Machuca-me
O coração que anseia
O vazio de sua ausência,
Preencher.

Tempo passa
Ela não vem
Nem a Felicidade,
Nem aquela,
Quem me dera,
Me pudera,
Fazer feliz...

Sorrir,
Quiçá,
Outra vez!!!

RAQUEL ORDONES (MG)

Diva


E chameja sempre em seu  desfilar
A sua fragrância atinge toda a alma
Tem um encanto doce em seu olhar
Alguém que agita e também acalma.

O seu toque tem um suposto feitiço
A sua profundeza uma lição de vida
O matiz da sua tez provoca reboliço
Perfeita flor com a isenção de ferida.

E arrebata; é de fazer parar o vento
Adorável de uma criação que abusa
Esse é um esboço feito a uma musa.

Fizeram um desenho no pensamento
Sem consulta e nenhuma permissão
Mulher torna-se diva na imaginação.

OLIVALDO JUNIOR (SP)

Mordaça


O ser de um homem,
descalço em versos,
contém o bálsamo que o purifica
e o cáustico que o atordoa.

Doa-se para os que não o querem,
quer os que não o amam,
ama os que não têm nada
a lhe oferecer.

Com a mordaça presa aos lábios,
lambe os abismos de rosas
que se recitam diante dos sábios,
que não sabem.

Muda o rumo das rugas,
rasga rusgas ao léu,
lota os ombros de músicas,
enche o papel.

Deus, acima do homem,
embaixo dos pés que se despem
diante das fontes,
tira a mordaça que morde a pele
onde as "fomes"
se matam com um pouco de mel,
arte, adeus e horizonte.

CLEVANE PESSOA (MG)

Creta


Decifro-te
mensagem secreta
e invisível em minha pele
escrita com ácido limão
Ardente o sol cáustico
do preconceito
conheço-te os signos
e signais
codificados.
Alpha e Aleph,
dragão com asas de cristais
e flor de fogo
Decifro-me
depois de tecer-te
no tear das fadas
depois de devorar-te,
arte dos deuses
Decifro-te após devorar-me
tecer-me
abastecer-me
com novelos de Ariadne
e nos encontrarmos no labirinto
para vencer o Minotauro"

VANESSA LOCATELLI PIETROBELLI (RS)

Tempos e cavalos


Eu não entendo
Como esses potros os obedecem
Pois eu puxo as rédeas do meu minuano
E só o que fazem os seus cascos
É tecer a poeira
Das minhas memórias.

LAU SIQUEIRA (RS)

Barulho


palavra
por palavra
minha úlcera
de verbos
tece aos poucos
a membrana
do silêncio

LAURINDO RABELO (RJ)

A minha resolução


O que fazes, ó minh'alma?
Coração, por que te agitas?
Coração, por que palpitas?
Por que palpitas em vão?
Se aquele que tanto adoras
Te despreza, como ingrato,
Coração sê mais sensato,
Busca outro coração!

Corre o ribeiro suave
Pela terra brandamente,
Se o plano condescendente
Dele se deixa regar;
Mas, se encontra algum tropeço
Que o leve curso lhe prive,
Busca logo outro declive,
Vai correr noutro lugar.

Segue o exemplo das águas,
Coração, por que te agitas?
Coração, por que palpitas?
Por que palpitas em vão?
Se aquele que tanto adoras
Te despreza, como ingrato,
Coração, sê mais sensato,
Busca outro coração!

Nasce a planta, a planta cresce,
Vai contente vegetando,
Só por onde vai achando
Terra própria a seu viver;
Mas, se acaso a terra estéril
As raízes lhe é veneno.
Ela vai noutro terreno
As raízes esconder.

Segue o exemplo da planta,
Coração, por que te agitas?
Coração, por que palpitas?
Por que palpitas em vão?
Se aquele que tanto adoras
Te despreza, como ingrato,
Coração, sê mais sensato,
Busca outro coração!

Saiba a ingrata que punir
Também sei tamanho agravo:
Se me trata como escravo,
Mostrarei que sou senhor;
Como as águas, como a planta,
Fugirei dessa homicida;
Quero dar a um'alma fida
Minha vida e meu amor.

LÊDO IVO (AL)

Soneto dos vinte anos


Que o tempo passe, vendo-me ficar
no lugar em que estou, sentindo a vida
nascer em mim, sempre desconhecida
de mim, que a procurei sem a encontrar.

Passem rios, estrelas, que o passar
é ficar sempre, mesmo se é esquecida
a dor de ao vento vê-los na descida
para a morte sem fim que os quer tragar.

Que eu mesmo, sendo humano, também passe
mas que não morra nunca este momento
em que eu me fiz de amor e de ventura.

Fez-me a vida talvez para que amasse
e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento,
trazendo a aurora para a noite escura.

DÉBORA NOVAES DE CASTRO (SP)
 

Nudez do poeta

Essa necessidade
que sentem os poetas
de colocarem as almas
nas conchas das mãos,
numa oferenda 'inda quente
a um outro ser humano,
deu-lhes, em graça , o Senhor
para que se torpedeiem as pedras,
para que floresçam desertos
e os céus se debrucem
em pinceladas de ouro!

LÍLIAN ÁVILA JAWORSKY (SP)

Meu doce amor

 

Dentro da noite,
há um mistério vago,
pairando dentro da bruma,
que se esgarça lentamente...
E a saudade entra docemente dentro de minha alma,
como se fosse um pouco de brisa dentro de um jardim em flor.

E traz esse perfume exótico que vem do passado,
que me traz as recordações que não morrem...
não morrem jamais.

Da tristeza infinita de haver perdido tudo na vida...
Tudo.
Os momentos felizes...
As horas mais deliciosas...
Os sonhos mais doces...
Tudo enfim...

Só ficou está saudade
imensa que fala de você...
Essa saudade que é todo meu tesouro...
todo meu viver.

É o meu relicário de saudades...
Que é tudo que me resta,
nestes dias infinitos,
tristes e solitários...
Dias em que vejo as horas passarem lentamente...
Horas amargas...
Horas cheias de tédio...
Enfim são horas longas que se arrastam...
Porque são horas em que vivo sem você meu doce amor.

Manuel Maria Barbosa Du Bocage (Sonetos) II

XI

Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre flores?

Vê como ali beijando-se os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores.

Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folgas a abelhinha para,
Ora nos ares sussurrando gira:

Que alegre campo! Que amanhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira,
Mais tristeza que a morte me causara.

XII

A frouxidão no amor é uma ofensa,
Ofensa que se eleva a grau supremo;
Paixão requer paixão; fervor, e extremo;
Com extremo e fervor se recompensa.

Vê qual sou, vê qual és, vê que dif(e)rença!
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;
Em sombras a razão se me condensa.

Tu só tens gratidão, só tens brandura,
E antes que um coração pouco amoroso
Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.

Talvez me enfadaria aspecto iroso;
Mas de teu peito a lânguida ternura
Tem-se cativo, e não me faz ditoso.

XIII

Os garços olhos em que Amor brincava
Os rubros lábios, em que Amor se ria,
As longas tranças, de que Amor pendia,
As lindas faces, onde Amor Brilhava:

As melindrosas mãos, que Amor beijava,
Os níveos braços, onde Amor dormia,
Foram dados, Armânia, à terra fria,
Pelo fatal poder que a tudo agrava.

Seguiu-te Amor ao tácito jazigo,
Entre as irmãs cobertas de amargura;
E eu que faço (ai de mim!) como não os sigo!

Que há no mundo que ver, se a formosura,
Se Amor, se as Graças, se o prazer contigo
Jazem no eterno da sepultura?

XIV

Vós crédulos mortais, alucinados
De sonhos, de quimeras, de aparências,
Colheis por uso erradas consequências
Dos acontecimentos desastrados:

Se à perdição correis precipitados
Por cegas, por fogosas impaciências,
Indo cair, gritais que são violências
D(e) inexoráveis céus, de negros fados:

Se um celeste poder, tirano e duro,
Às vezes extorquisse as liberdades,
Que prestava, ó Razão, teu lume puro?

Não forçam corações as divindades;
Fado amigo não há, nem fado escuro:
Fados são as paixões, são as vontades.

XV

Ó céus! Que sinto nalma! Que tormento!
Que repentino frenesi me anseia!
Que veneno a ferver de veia em veia
Me gasta a vida, me desfaz o alento!

Tal era, doce amada, o meu lamento;
Eis que esse deus, que em prantos se recreia,
Me diz: - ¨A que se expõe quem não receia
Contemplar Ursulina um só momento!

¨Insano! Eu bem te vi dentre a luz pura
De seus olhos travessos, e co´ um tiro
Puni tua sacrílega loucura:

De morte, por piedade hoje te firo;
Vai pois, vai merecer na sepultura
A tua linda ingrata algum suspiro.

Folclore Brasileiro (Mitos Indígenas) Iguaçu - As cataratas que surgiram do amor

Distribuída em várias aldeias, às margens do sereno Rio Iguaçu, a tribo dos Caiangangs formava uma poderosa Nação Indígena. Tinham como Deus Tupã, o Deus do Bem e M'Boy, seu filho rebelde, o Deus do Mal. Era este o causador das doenças, tempestades, das pragas nas plantações, além dos ataques de animais ferozes e das demais tribos inimigas.

A fim de se protegerem do Deus do Mal, em todas as primaveras, os Caiangangs a ele ofereciam uma bela jovem como esposa, ficando esta impedida para sempre de amar alguém. Apesar do sacrifício, esta escolha era para ela um privilégio, motivo de honra e orgulho.

Naípi, filha de um grande cacique, conhecida em todos os cantos por sua beleza, foi desta vez a eleita. Feliz, aguardava com ansiedade o dia de tornar-se esposa do temido Deus.

Iniciaram-se assim os preparativos da grande festa. Convidados chegavam de todas as aldeias para conhecê-la. Entre eles estava Tarobá, valente guerreiro, famoso e respeitado por suas vitórias. Ocorreu que, talvez pela vontade do bom Deus Tupã, Tarobá e Naípi vieram a se apaixonar, passando a manter encontros secretos às margens do rio.

Sem ser notado, M'Boy acompanhava os acontecimentos, aumentando a sua fúria a cada dia. Na véspera da consagração, os jovens encontraram-se novamente às margens do rio. Tarobá preparou uma canoa para fugirem no dia seguinte, enquanto todos adormeciam, fatigados com as danças e festejos e sob efeito das bebidas fermentadas.

Iniciaram a fuga e, já à boa distância do local, M'Boy concretizou sua vingança. Lançou seu poderoso corpo no espaço em forma de uma enorme serpente, mergulhando violentamente nas tranquilas águas e abrindo uma cratera no fundo do rio Iguaçu. Formaram-se assim as cataratas, que tragaram a frágil canoa.

Tarobá foi transformado em uma palmeira no alto das quedas e Naípi em uma pedra nas profundezas de suas águas. Do alto, o jovem apaixonado contempla sua amada, sem poder tocá-la. Resta-lhe apenas murmurar seu amor quando a brisa lhe sacode a fronde. Lança suas flores para Naípi, através das águas, como prova de seu amor. A jovem está sempre banhada por um véu de águas claras e frescas, que lhe amenizam o calor de seus sentimentos.

Ainda hoje, M'Boy permanece escondido numa gruta escura, vigiando atentamente os jovens apaixonados. Ouve-se dizer que, quando o arco-íris une a palmeira à pedra, pode-se vislumbrar uma luz que dá forma aos dois amantes, podendo-se ouvir murmúrios de amor e lamento.

Fonte:
Jayhr Gael (Mitos indígenas). www.caminhodewicca.com.br

Gonçalves Dias (Primeiros Cantos) 10

(mantida a grafia original)
Hinos

O Mar


Frappé de la grandeur farouche
Je tremble... est-ce bien toi, vieux lion que je touche.
Océan, terrible océan!
- Turquety

 
Oceano terrível, mar imenso
De vagas procelosas que se enrolam
Floridas rebentando em branca espuma
Num pólo e noutro pólo,
Enfim... enfim te vejo; enfim meus olhos
Na indômita cerviz trêmulos cravo,
E esse rugido teu sanhudo e forte
Enfim medroso escuto!
Donde houveste, ó pélago revolto,
Esse rugido teu? Em vão dos ventos
Corre o insano pegão lascando os troncos,
E do profundo abismo
Chamando à superfície infindas vagas,
Que avaro encerras no teu seio undoso;
Ao insano rugir dos ventos bravos
Sobressai teu rugido.
Em vão troveja horríssona tormenta;
Essa voz do trovão, que os céus abala,
Não cobre a tua voz. - Ah! donde a houveste,
Majestoso oceano?
Ó mar, o teu rugido é um eco incerto
Da criadora voz, de que surgiste:
Seja, disse; e tu foste, e contra as rochas
As vagas competiste.
E à noite, quando o céu é puro e limpo,
Teu chão tinges de azul, - tuas ondas correm
Por sobre estrelas mil; turvam-se os olhos
Entre dois céus brilhantes.
Da voz de Jeová um eco incerto
Julgo ser teu rugir; mas só, perene,
Imagem do infinito, retratando
As feituras de Deus.
Por isto, a sós contigo, a mente livre
Se eleva, aos céus remonta ardente, altiva,
E deste lodo terreal se apura,
Bem como o bronze ao fogo.
Férvida a Musa, co’os teus sons casada,
Glorifica o Senhor de sobre os astros
Co’a fronte além dos céus, além das nuvens,
E co’os pés sobre ti.
O que há mais forte do que tu? Se eriças
A coma perigosa, a nau possante,
Extremo de artifício, em breve tempo
Se afunda e se aniquila.
És poderoso sem rival na terra;
Mas lá te vais quebrar num grão d’areia,
Tão forte contra os homens, tão sem força
Contra coisa tão fraca!
Mas nesse instante que me está marcado,
Em que hei de esta prisão fugir p’ra sempre
Irei tão alto, ó mar, que lá não chegue
Teu sonoro rugido.
Então mais forte do que tu, minha alma,
Desconhecendo o temor, o espaço, o tempo,
Quebrará num relance o circ’lo estreito
Do finito e dos céus!
Então, entre miríades de estrelas,
Cantando hinos d’amor nas harpas d’anjos,
Mais forte soará que as tuas vagas,
Mordendo a fulva areia;
Inda mais doce que o singelo canto
De merencória virgem, quando a noite
Ocupa a terra, - e do que a mansa brisa,
Que entre flores suspira.

Idéia de Deus

Gross ist der Herr! Die Himmel ohne Zahl
Sind seine Wohnungen!
Seine Wagen die donnernden Gewölke,
Und Blitze sein Gespann.
- KLeist

 
I

À voz de Jeová infindos mundos
Se formaram do nada;
Rasgou-se o horror das trevas, fez-se o dia,
E a noite foi criada,
Luziu no espaço a lua! sobre a terra
Rouqueja o mar raivoso,
E as esferas nos céus ergueram hinos
Ao Deus prodigioso.
Hino de amar a criação, que soa
Eternal, incessante,
Da noite no remanso, no ruído
Do dia cintilante!
A morte, as aflições, o espaço, o tempo,
O que é para o Senhor?
Eterno, imenso, que lh’importa a sanha
Do tempo roedor?
Como um raio de luz, percorre o espaço,
E tudo nota e vê -
O argueiro, os mundos, o universo, o justo;
E o homem que não crê.
E ele que pode aniquilar os mundos,
Tão forte como ele é,
E vê e passa, e não castiga o crime,
Nem o ímpio sem fé!
Porém quando corrupto um povo inteiro
O Nome seu maldiz,
Quando só vive de vingança e roubos,
Julgando-se feliz;
Quando o ímpio comanda, quando o justo
Sofre as penas do mal,
E as virgens sem pudor, e as mães sem honra.
E a justiça venal;
Ai da perversa, da nação maldita,
Cheia de ingratidão,
Que há de ela mesma sujeitar seu colo
A justa punição.
Ou já terrível peste expande as asas,
Bem lenta a esvoaçar;
Vai de uns a outros, dos festins conviva,
Hóspede em todo o lar!
Ou já torvo rugir da guerra acesa
Espalha a confusão;
E a esposa, e a filha, de tenor opresso,
Não sente o coração.
E o pai, e o esposo, no morrer cruento,
Vomita o fel raivoso;
- Milhões de insetos vis que um pé gigante
Enterra em chão lodoso.
E do povo corrupto um povo nasce
Esperançoso e crente.
Como do podre e carunchoso tronco
Hástea forte e virente.

II

Oh! como é grande o Senhor Deus, que os mundos
Equilibra nos ares;
Que vai do abismo aos céus, que susta as iras
Do pélago fremente,
A cujo sopro a máquina estrelada
Vacila nos seus eixos,
A cujo aceno os querubins se movem
Humildes, respeitosos,
Cujo poder, que é sem igual, excede
A hipérbole arrojada!
Oh! como é grande o Senhor Deus dos mundos,
O Senhor dos prodígios.

III

Ele mandou que o sol fosse princípio,
E razão de existência,
Que fosse a luz dos homens - olho eterno
Da sua providência.
Mandou que a chuva refrescasse os membros,
Refizesse o vigor
Da terra hiante, do animal cansado
Em praino abrasador.
Mandou que a brisa sussurrasse amiga,
Roubando aroma à flor;
Que os rochedos tivessem longa vida,
E os homens grato amor!
Oh! como é grande e bom o Deus que manda
Um sonho ao desgraçado,
Que vive agro viver entre misérias,
De ferros rodeado;
O Deus que manda ao infeliz que espere
Na sua providência;
Que o justo durma, descansado e forte
Na sua consciência!
Que o assassino de contínuo vele,
Que trema de morrer;
Enquanto lá nos céus, o que foi morto,
Desfruta outro viver!
Oh! como é grande o Senhor Deus, que rege
A máquina estrelada,
Que ao triste dá prazer; descanso e vida
À mente atribulada!

O Romper d’Alva
 
Quand ta carde n’aurait qu’un son,
Harpe fidèle, chante encore
Le Dieu que ma jeunesse adore.
Car c’est un hymne que son nom.
- Lamartine

 
Do vento o rijo sopro as mansas ondas
Varreu do imenso pego, - e o mar rugindo
As nuvens se elevou com fúria insana;
Enoveladas vagas se arrojaram
Ao céu co’a branca espuma!
Raivando em vão se encontram soluçando
Na base d’erma rocha descalvada;
Em vão de fúrias crescem, que se quebra
A força enorme do impotente orgulho
Na rocha altiva ou na arenosa praia. _
Da tormenta o furor lhe acende os brios,
Da tormenta o furor lh’enfreia as iras,
Que em teimosos gemidos se descerram,
Da quieta noite despertando os ecos
Além, no vale humilde, onde não chega
Seu sanhudo gemer, que o dia abafa.
Mas a brisa sussurrando
A face do céu varreu,
Tristes nuvens espalhando,
Que a noite em ondas verteu.
Além, atrás da montanha,
Branda luz se patenteia,
Que d’alma a dor afugenta,
Se dentro sentida anseia.
Branda luz, que afaga a vista,
De que se ama o céu tingir,
Quando entre o azul transparente
Parece alegre sorrir;
Como és linda! - Como dobras
Da vida a força e do amor!
- Que tão bem luz dentro d’alma
Teu luzir encantador!
No teu ameno silêncio
A tormenta se perdeu,
E do mar a forte vida
Nos abismos se escondeu!
Porque assim de novo agora
Que o vento o não vem toldar,
Parece que vai queixoso
Mansamente a soluçar?
Porque as ramas do arvoredo,
Bem como as ondas do mar,
Sem correr sopro de vento,
Começam de murmurar?
Sobre o tapiz d’alva relva,
- Rocio da madrugada -
Destila gotas de orvalho
A verde folha inclinada.
Renascida a natureza
Parece sentir amor;
Mais brilhante, mais viçosa
O cálix levanta a flor.
Por entre as ramas ocultas,
Docemente a gorjear,
Acordam trinando as aves,
Alegres, no seu trinar.
O arvoredo nessa língua
Que diz, por que assim sussurra?
Que diz o cantar das aves?
Que diz o mar que murmura?
- Dizem um nome sublime,
O nome do que é Senhor,
Um nome que os anjos dizem,
O nome do Criador.
Tão bem eu, Senhor, direi
Teu nome - do coração,
E ajuntarei o meu hino
Ao hino da criação.
Quando a dor meu peito acanha,
Quando me rala a aflição.
Quando nem tenho na terra
Mesquinha consolação;
Tu, Senhor, do peso insano
Livras meu peito arquejante,
Secas-me o pranto que os olhos
Vertendo estão abundante.
Tu pacificas minha alma,
Quando se rasga com pena,
Como a noite que se esconde
Na luz da manhã serena.
Tu és a luz do universo,
Tu és o ser criador,
Tu és o amor, és a vida,
Tu és meu Deus, meu Senhor.
Direi nas sombras da noite,
Direi ao romper da aurora:
- Tu és o Deus do universo,
O Deus que minha alma adora.
Tão bem eu, Senhor, direi
Teu nome - do coração,
E ajuntarei o meu hino
Ao hino da criação.

Machado de Assis (Almas Agradecidas) Capítulo VII ,final

Quando entrou a semana seguinte, já na véspera do dia em que Oliveira se dispunha a sair e visitar o comendador, recebeu uma carta de Magalhães.

Leu-a com pasmo: Meu querido amigo, dizia Magalhães; desde ontem tenho a cabeça fora de mim.

Aconteceu-me a maior desgraça que podia cair sobre nós. Com mágoa e vergonha to anuncio, meu prezadíssimo amigo, a quem tanto devo.

Prepara o teu coração para receber o golpe que já me feriu, e por muito que ele te faça sofrer, não sofrerás mais do que eu já sofri...

Saltaram duas lágrimas dos olhos de Oliveira.

Adivinhava mais ou menos o que seria. Cobrou forças e continuou a leitura: Descobri, meu querido amigo, que Cecília (como direi?), que Cecília me ama! Não imaginas como me fulminou esta notícia. Que ela não te amasse, como ambos desejávamos, era já doloroso; mas que se lembrasse de consagrar os seus afetos ao último homem que ousaria opor-se ao seu coração, é uma ironia da fatalidade. Não te contarei meu procedimento; facilmente o adivinharás. Prometi não voltar lá mais.

Queria ir eu mesmo comunicar-te isto; mas não ouso contemplar a tua dor, nem te quero dar o espetáculo da minha.

Adeus, Oliveira. Se a fatalidade ainda consentir que nos vejamos (impossível!), até um dia; se não... Adeus! Adivinha o leitor o golpe que esta carta descarregou no coração de Oliveira. Mas é nas grandes crises que o espírito do homem se mostra grande. A dor do apaixonado superada pela dor do amigo. O final da carta de Magalhães aludia vagamente a um suicídio; Oliveira deu-se pressa em ir impedir esse ato de nobre abnegação. Demais, que coração tinha ele, a quem confiasse todos os seus desesperos? Vestiu-se apressadamente e correu à casa de Magalhães.

Disseram-lhe que não estava em casa.

Oliveira ia subindo: — Perdão, disse o criado; eu tenho ordem de não deixar subir ninguém.

— Razão demais para eu subir, respondeu Oliveira, afastando o criado.

— Mas...

— Trata-se de uma grande desgraça! E subiu apressadamente a escada.

Na sala, não havia ninguém. Oliveira entrou afoitamente no gabinete. Achou Magalhães sentado à secretária inutilizando alguns papéis.

Perto dele, havia um copo com um líquido vermelho.

— Oliveira! exclamou ele, quando o viu entrar.

— Sim, Oliveira, que vem salvar a tua vida, e dizer-te quanto és grande! — Salvar-me a vida? murmurou Magalhães; quem te disse que eu?...

— Tu, na tua carta, respondeu Oliveira. Veneno! continuou ele, vendo o copo. Oh! nunca! E despejou o copo na escarradeira.

Magalhães parecia atônito.

— Eia! disse Oliveira; dá cá um abraço! Este amor infeliz foi ainda um lance de felicidade, porque conheci bem que coração de ouro é esse que te bate no peito.

Magalhães estava de pé; caíram nos braços um do outro. O abraço comoveu Oliveira, que só então deu largas à sua dor. O amigo consolou-o como pôde.

— Bem, disse Oliveira, tu que foste causa indireta da minha desgraça, deves ser agora o remédio que me há de curar. Sê eternamente meu amigo.

Magalhães suspirou.

— Eternamente! disse ele.

— Sim.

— Minha vida é curta, Oliveira; eu devo morrer; se não for hoje, sê-lo-á amanhã.

— Mas isso é uma loucura.

— Não é: eu não te disse tudo na carta. Falei-te do amor que Cecília me tem; não te falei do amor que lhe tenho eu, amor que me nasceu sem eu pensar. Brinquei com fogo; queimei-me.

Oliveira curvou a cabeça.

Houve um longo silêncio entre os dois amigos.

Ao cabo de um longo quarto de hora, Oliveira ergueu os olhos vermelhos de lágrimas e disse a Magalhães, estendendo-lhe a mão: — Sê feliz, que o mereces; não tens culpa disto. Procedeste honradamente; compreendo que era difícil estar ao pé dela sem sentir o fogo da paixão. Casa com Cecília, pois que se amam, e fica certo de que serei sempre o mesmo amigo.

— Oh! tu és imenso! Magalhães não ajuntou nenhum substantivo a este adjetivo. Não nos é dado perscrutar o seu pensamento interior. Caíram os dois amigos nos braços um do outro com grandes exclamações e protestos.

Uma hora depois de ali haver entrado, saía Oliveira triste mas consolado.

— Perdi um amor, dizia ele consigo, mas ganhei um verdadeiro amigo, que já o era antes.

Magalhães veio logo atrás dele.

— Oliveira, disse ele, passaremos o dia juntos; receio que faças alguma loucura.

— Não! o que me ampara nesta queda és tu.

— Não importa; passaremos o dia juntos.

Assim aconteceu.

Neste dia, não foi Magalhães à casa do comendador.

No dia seguinte, apenas lá apareceu, disse-lhe Cecília: — Estou zangada contigo; por que não vieste ontem? — Tive de sair da cidade em serviço público e por lá fiquei a noite.

— Como passaste? — Bem.

Seis semanas depois uniam eles os seus destinos. Oliveira não compareceu à festa com grande admiração de Vasconcelos e de D. Mariana, que não compreendiam essa indiferença da parte de um amigo.

Nunca houve a menor sombra de dúvida entre Magalhães e Oliveira.

Foram amigos até à morte, posto que Oliveira não frequentasse a casa de Magalhães.

Fonte:
www.dominiopublico.gov.br

sábado, 14 de junho de 2014

Dorothy Jansson Moretti (Baú de Trovas) 17


Caldeirão Poético 4

BEATRIZ TAVARES

Andanças

Se me perguntasses por onde tenho andado
teria que te falar dos corredores negros e úmidos
pelos quais caminho quando a noite cai.
Teria que te falar dos medos que tenho galgado
na busca desesperada daquilo que sou
(e também do que fui...).
Sim, querido, o caminho tem sido árido.
E se me perguntasses o que tenho feito
só te diria que tenho caminhado.
Talvez, quando chegares,
eu já possa te trazer à minha casa
e te mostrar as violetas que florescem
feito um sinal
nesse jardim cuidadosamente regado.
E então, coração, verás
que tuas palavras foram dádivas, e não consolo,
para as tristes histórias que em tuas mãos depositei.
E terás, feito fruto,
a partilha do caminho,
o gozo dos prazeres,
e o lar do meu abraço
desprovido de segredos e de provas de amor.

BELVEDERE BRUNO
Rodopios


Meu universo
rodopiou...
Por um segundo
pensei estar
“de pileque”,
tamanha
a sensação
vertiginosa.
Porém,
à medida
que abria
os olhos
via que nada
estava fora
de seu lugar.

Só eu.
Minha alma,
calada,
se perguntava:
– choro ou emudeço
de vez?

BANDEIRA TRIBUZI

A mesa


A mesa tem somente o que precisa
para estar, circundada de cadeiras,
fazendo parte da vida familiar
entre alimentos, flores e conversa.
Escura mesa gravemente muda
que, parecendo alheia a quanto a cerca,
encerra no silêncio toda a ciência
da idade desdobrando gerações.
olho de cerne, comovido e frio!
indiferente coração parado
entre o grito infantil e o olhar cansado.
Mistério de madeira rodeado
por cadeiras, lembranças, utensílios,
e um leve odor de tempo alimentício.

BENI SOARES

Ternura


Lembrando a sua voz,
ou mesmo o seu jeito
Já surge insistente
irrequieta euforia
Tamanha ternura
emerge do peito
E dele transborda
febril energia
Se abre no rosto
um sorriso perfeito
Murmuro o seu nome,
e se faz
a Poesia !

BERILO WANDERLEY

Homem Só


Além da janela, os ramos verdes
e um resto de tarde se apagando.
Mulheres de branco, os rostos parados e frios,
passam.
Algumas colhem flores friamente,
como se não colhessem flores,
Homens tristes e abandonados descem do alto da rua.
Vem do trabalho que ficou lá no fim da cidade,
e trazem para suas mulheres suor, pão quente e amor.
Sempre há amor nos homens quando as tardes findam.
E sempre haverá mulheres de branco apanhando flores,
quando as tardes findam.
Há amor também no homem só
que está por trás da janela
e se embala numa rede azul.
Um azul que vai e vem e que arranca do homem
uma canção que se apaga com a tarde
e que vai enchendo de noite
o entardecer do quarto.

BEATRIZ HELENA RAMOS
A Dor Salta

A dor salta pelos seus olhos.
Dentro do brilho negro,
No fundo profundo de sua escuridão,
A sombra do seu passado
Rasga o véu da alegria.
Há infinitas metades restantes
No caminho de te encontrar.
A tristeza deixa seu perfume
Nos cantos sombrios da alma:
Você acalenta o aroma...
Feito um camponês,
Amante apaixonado pelas flores,
Respira no ar a abstração mágica
De quem tece jardins.
E eu que amo todas as suas faces,
Perco-me tentando adivinhar
A profundidade da sua solidão
Que nenhuma presença alcança...
O que lhe falta é tanto e tão pouco,
Que nada preenche.
Cheio de vazios é o seu interior,
Transbordante de nada.
Suas máscaras não camuflam suas perdas
Nem apagam sua lenda:
A história que a ferro
Foi fundida em sua pele,
Escapa no silêncio da sua voz.
Nenhuma dimensão dos seus desastres
Pode ser cantada:
A quietude do seu grito
Amarga a ausência de sons.
Do seu amor,
Só restou o medo.
Ele é o fauno que se banha
Na fonte cristalina da sua íris esquerda.
Apenas ele,
Rei soberano sobre o Mito
Que mora em você,
Conhece os seus segredos.
No seu peito partido,
Ele acalenta os mistérios.
Mas não os revelará jamais…

BEATRIZ CAMELO

Apenas por que há


Existe um vazio
Entre a tinta e o papel
Entre o dito e o silêncio
Entre a passividade e o ato
Entre o feito e o esquecido
Entre o amar e o depender
Entre a filosofia e a prática
Entre a crença e a realidade
Entre tudo que sinto
E o nada que encontro

BEATRIZ KAPPKE
Estrela do amor


Lá fora o vento ululante,
Deste dia que está para chegar
Deixa nossa estrela mais brilhante
Banhada por um lindo luar.

No firmamento a brilhar
Num sorriso parece dizer,
Que por ter alguém para amar
É preciso a Deus bendizer!
Amar... apenas para se amar
E não para se complementar
Amar para o outro preservar
É verdadeiro...é suplementar...

Imaturo é o outro amar
Por dele necessitar
Maturidade é poder falar:
Necessito de ti por muito te amar!
–––––––––––––––
Os outros caldeirões
I
http://singrandohorizontes.blogspot.com.br/2011/05/caldeirao-poetico-i.html

2
http://singrandohorizontes.blogspot.com.br/2013/03/caldeirao-poetico-2.html

3
http://singrandohorizontes.blogspot.com.br/2013/03/caldeirao-poetico-3.html


Fonte:
http://www.casadobruxo.com.br/poesia/b.htm

Nilza Helena (A cada dia mais magra)

Mais uma vez na balança – um quilo a menos. Tia Augusta estava até feliz, pois quem não gosta de emagrecer? Só uma coisinha a preocupava: como emagrecia sem fazer regime? Pensou que podia estar doente e foi ao médico. Afinal, com 65 anos, estava na hora. Fez exames e enfrentou filas, usando todos os serviços a que tinha direito como aposentada.

- Saúde de menina – disse o médico. Pode ficar despreocupada.

Foi durante a novela das oito que tia Augusta deu um grito que assustou tia Celina, a companheira com quem divide o apartamento.

Já sei. É a aposentadoria.

- O quê???

- Nós não somos aposentadas? Não ganhamos menos do que os outros? Então é isso. Você reparou, Celina, como nossa alimentação piorou de uns tempos para cá?

Menos verduras, menos legumes, menos frutas, menos vitaminas, menos cálcio, menos gordura. Menos cinema, menos teatro, menos viagens, menos compras, menos livros, menos doce, menos biscoito.

 - Será que o sorriso diminuiu também, Celina? – arrisca tia Augusta, desconfiada. Perder gordura não importa, mas perder alegria...

Descoberto o problema, o jeito foi tocar a vida. Fila no dia do pagamento da aposentadoria, fila para o pagamento da pensão do marido. Pouco dinheiro. Sempre. Tia Augusta aprendeu até a fazer piada. Quando alguém reclama que está gordo, que precisa de um regime, ela aconselha:

- Aposenta.

A irmã Celina, professora, igualmente aposentada, outro dia foi surpreendida, pois ela primeira vez sua aposentadoria não acompanhou o aumento do pessoal da ativa.

- Se os funcionários públicos federais são assim, por que os estaduais não seriam? – pergunta tia Augusta com aquele ar de “eu não disse?”. Não falei que mau exemplo todo mundo segue? Aumentos diferenciados! Só faltava essa...

Foi quando as duas descobriram que aposentado é tudo, menos inativo.

- Vai o aposentado ficar parado que ele dança. Nunca estive tão ativa. Tenho que acompanhar o noticiário diário das redes de televisão, das emissoras de rádio e jornal para saber novidades sobre os aposentados, pegar informações nos guichês das repartições, esperar horas para ser  atendida, ver a impressa nos chamar de velhinhos... Se eu não ficar de antena ligada, fico prejudicada – é o que tia Augusta tem explicado aos preocupados filhos.

E lá vai ela andar de ônibus, aproveitando que é de graça, para atravessar a cidade. Vai ao serviço pegar informações com as colegas, logo depois está na casa de uma amiga aposentada tomando café com bolo enquanto criticar o governo e, no mesmo dia, ainda dá uma passadinha na Associação para perguntar o de sempre ao advogado:

- E então, vamos ou não entrar na justiça?

Tia Augusta entende de leis e decretos, guarda todos os números na cabeça e dá mostras de tanta vitalidade que o antigo chefe a convidou:

- Quer voltar a trabalhar conosco?

Não fosse a dor insuportável no joelho até que ela aceitava. Mas só de pensar que depois ia passar por outra aposentadoria, desistiu. Medo de trabalho ela não tem, pois foi o que fez a vida inteira, ajudando a mãe, dando duro na escola, cuidando da casa, do marido e dos três filhos, enfrentando a repartição, carregando sacolas pesadas, lavando, passando, cozinhando, tomando conta dos netos...

Foi-se o tempo em que ela sonhava ter uma aposentadoria banhada de sol pelas manhãs, ela  lendo o jornal na varanda, fazendo blusas de tricô, conversando com a Celina.

- Inativo! Velhinhos! Pois sim! – ela explode, enquanto quer saber de uma amiga quem inventou essas palavras.

Entre uma atividade e outra, tia Augusta aprende a desconfiar e a se defender. Todos os dias. Não, ela não quer traficar influências, ganhar em dólar, superfaturar pagamentos, fraudar a previdência. Ela quer apenas – e tão somente – parar de emagrecer.

Fonte:
http://www.descubraminas.com.br/Home/Default.aspx

Manuel Maria Barbosa Du Bocage (Sonetos)

I

Apenas vi do dia a luz brilhante
Lá de Setubal no empório celebrado,
Em sangüíneo caráter foi marcado
Pelos destinos meu primeiro instante.

Aos dois lustros a morte devorante
Me roubou, terna mãe, teu doce agrado;
Segui Marte depois, e enfim meu fado
Dos irmãos, e do pai me pôs distante.

Vagando a curva terra, o mar profundo,
Longe da pátria, longe da ventura
Minhas faces com lágrimas inundo.

E enquanto insana multidão procura
Essas quimeras, esses bens do mundo,
Suspiro pela paz da sepultura.

II

Das faixas infantis despido apenas,
Sentia o sacro fogo arder na mente;
Meu tenro coração inda inocente,
Iam ganhando as plácidas Camenas.

Faces gentis, angélicas, serenas,
De olhos suaves o volver fulgente,
Da idéia me extraíam de repente
Mil simples, maviosas cantilenas.

O tempo me soprou fervor divino,
E as Musas me fizeram desgraçado,
Desgraçado me fez o deus-menino.

A Amor quis esquivar-me, e ao dom sagrado:
Mas vendo no meu gênio o mau destino,
Que havia de fazer? Cedi ao fado.

III

Incultas produções da mocidade
Exponho a vossos olhos, ó leitores:
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade,
Que elas buscam piedade, e não louvores.

Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, lágrimas e amores;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração de seus favores.

E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes alguns, cuja aparência
Indique festival contentamento,

Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela mão do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.

IV

Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza, e sem brandura,
Urdidos pela mão da Desventura,
Pela baça tristeza envenenados;

Vede a luz, não busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura;
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados

Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da sátira mordaz o furor louco,
Da maldizente voz a tirania.

Desculpa tendes, se valeis tão pouco;
Que não pode cantar com melodia
Um peito, de gemer cansado e rouco.

V

De suspirar em vão já fatigado,
Dando tréguas a meus males, eu dormia.
Eis que junto de mim sonhei que via
Da morte o gesto lívido e mirrado.

Curva fouce no punho descarnado
Sustentava a cruel, e me dizia:
¨Eu venho terminar tua agonia;
Morre, não penes mais, ó desgraçado...

¨Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada.
Que armada de cruentos passadores
Aparece, e lhe diz com voz irada:

¨Emprega noutro objeto os teus rigores;
Que esta vida infeliz está guardada
Para vítima só de meus furores¨.

VI

Em que estado meu bem, por ti me vejo,
Em que estado infeliz, penoso, e duro!
Delido o coração de um fogo impuro
Meus pesados grilhões adoro e beijo.

Quando te logro mais, mais te desejo,
Quando te encontro mais, mais te procuro,
Quando mo juras mais, menos seguro
Julgo esse doce amor, que adorna o pejo.

Assim passo, assim vivo, assim meus fados
Me desarreigam da alma a paz, e o riso,
Sendo só meu sustento os meus cuidados.

E, de todo apagada a luz do siso,
Esquecem-me (ai de mim!) por teus agrados
Morte, juízo, inferno e paraíso.

VII

Senhor que estás no céu, que vês na terra
Meu frágil coração desfeito em pranto,
Pelas ânsias mortais, o ardor, o encanto
Com que lhe move Amor terrível guerra.

Já que poder imenso em ti se encerra,
Já que aos ingênuos ais atendes tanto,
Socorre-me, entre os Santos Sacrossanto,
Criminosas paixões de mim desterra.

Fugir aos laços de um gentil semblante
Não posso eu só: da tua mão preciso
Com que prostrou Davi o atroz gigante:

Fira-me a contrição, torne-me o siso,
Acode-me, Senhor, põe-me diante
Morte, juízo, inferno e paraíso.

Morres de fraco? Morres de atrevido

VIII

Aflito coração, que o teu tormento,
Que os teus desejos tácito devoras,
E ao doce objeto, ás perfeições adoras,
Só te vás explicar co(m) pensamento.

Infeliz coração, recobra alento,
Seca as inúteis lágrimas, que choras;
Tu cevas o teu mal, porque demoras
Os vôos ao ditoso atrevimento.

Inflama surdos ais, que o medo esfria;
Um bem tão suspirado, e tão subido,
Como se há de ganhar sem ousadia?

Ao vencedor afoite-se o vencido;
Longe o respeito, longe a cobardia;
Morres de fraco? Morres de atrevido

IX

Marília, nos teus olhos buliçosos
Os amores gentis seu facho acendem;
A teus lábios voando os ares fendem
Terníssimos desejos sequiosos:

Teus cabelos sutis e luminosos
Mil vistas cegam, mil vontades prendem;
E em arte aos de Minerva se não rendem
Teus alvos curtos dedos melindrosos:

Reside em teus costumes a candura.
Mora a firmeza no teu peito amante,
A razão com teu riso se mistura:

És dos céus o composto mais brilhante;
Deram-se as mãos Virtude e Formosura
Para criar tua alma e teu semblante.

X

Por esta solidão que não consente
Nem do sol, nem da lua a claridade;
Ralando o peito já pela saudade
Dou mil gemidos a Marília ausente.

De seus crimes a mancha inda recente
Lava Amor, e triunfa da verdade;
A beleza, apesar da falsidade,
Me ocupa o coração, me ocupa a mente.

Lembram-me aqueles olhos tentadores,
Aquelas mãos, aquele riso, aquela
Boca suave, que respira amores...

Ah! Trazei-me, ilusões, a ingrata, a bela!
Pintai-me vós, ó sonhos, entre flores
Suspirando outra vez nos braços dela.

Lendas de Minas Gerais (Lenda de Nova Lima) A alma que pediu missa

Antigamente, onde hoje é a igreja matriz de Santo Antônio, havia uma pequena capela e, ao lado, um cruzeiro grande. Neste local morreram alguns homens que levavam uma boiada.

Certo dia, um morador passava próximo ao cruzeiro, quando ouviu então gemidos e lamentos que não paravam e resolveu perguntar:

 Em nome de Jesus, por que geme e lamenta tanto?

 - Então um homem sentado aos pés do cruzeiro lhe respondeu:

 - Peça à minha filha para mandar celebrar uma missa para mim. Há muito tempo não recebo uma.

Em seguida dá o nome e o endereço da tal filha ao morador que lhe garantiu que no dia seguinte falaria com ela.

O morador encontrou a filha no endereço dado e constatou que aquele homem morrera no local do cruzeiro há muitos anos e também há tempos não era rezada uma missa em sua memória.

Contam outros moradores próximos à igreja matriz de Santo Antônio que de vez em quando são ouvidos lamentos e gemidos sem que ninguém saiba de onde vêm.

Fonte:
http://www.descubraminas.com.br/Home/Default.aspx

Folclore Brasileiro (Mitos Indígenas) Mundo novo - O paraiso terrestre

A Nação Indígena dos Caiapós habitava uma região onde não havia o sol nem a lua, tampouco rios ou florestas, ou mesmo o azul do céu. Alimentavam-se apenas de alguns animais e mandioca, pois não conheciam peixes, pássaros ou frutas.

Certo dia, estando um índio a perseguir um tatu canastra, acabou por distanciar-se de sua aldeia. Inacreditavelmente, à medida que este se afastava, sua caça crescia cada vez mais.

Já próximo de alcançá-la, o tatu rapidamente cavou a terra, desaparecendo dentro dela. Sendo uma imensa cova, o indígena decidiu seguir o animal, ficando surpreso ao perceber que, ao final da escuridão, brilhava uma faixa de luz.

Chegando até ela, maravilhado, viu que lá existia um outro mundo, com um céu muito azul e o sol a iluminar e a aquecer as criaturas; na água muitos peixes coloridos e tartarugas. Nos lindos campos floridos destacavam-se as frágeis borboletas; florestas exuberantes abrigavam belíssimos animais e insetos exóticos, contendo ainda diversas árvores carregadas de frutos. Os pássaros embelezavam o espaço com suas lindas plumagens.

Deslumbrado, o índio ficou a admirar aquele paraíso, até o cair da noite. Entristecido ao acompanhar o pôr do sol, pensou em retomar, mas já estava escuro...

Novamente surge à sua frente outro cenário maravilhoso: uma enorme lua nasce detrás das montanhas, clareando com sua luz de prata toda a natureza. Acima dela multidões de estrelas faziam o céu brilhar. Quanta beleza! E assim permaneceu, até que a lua se foi, surgindo novamente o sol.

Muito emocionado, o índio voltou à tribo e relatou as maravilhas que viera a conhecer.

O grande pajé,  Caiapó, diante do entusiasmo de seu povo, consentiu que todos seguissem um outro tatu, descendo um a um pela sua cova através de uma imensa corda, até o paraíso terrestre.

Lá seria o magnífico Mundo Novo, onde todos viveriam felizes.

Fonte:
Jayhr Gael (Mitos indígenas). www.caminhodewicca.com.br

Gonçalves Dias (Primeiros Cantos) 9

(mantida a grafia original)

Quadras da Minha Vida
Recordação e Desejo


Ao meu bom amigo o Dr. A. Rego
Sol chi non lascia eredità d’affeti
Poca gioia ha dell’urna.
- Foscolo

 
I

Houve tempo em que os meus olhos
Gostavam do sol brilhante,
E do negro véu da noite,
E da aurora cintilante.
Gostavam da branca nuvem
Em céu de azul espraiada,
Do terno gemer da fonte
Sobre pedras despenhada.
Gostavam das vivas cores
De bela flor vicejante,
E da voz imensa e forte
Do verde bosque ondeante.
Inteira a natureza me sorria!
A luz brilhante, o sussurrar da brisa,
O verde bosque, o rosicler d’aurora,
Estrelas, céus, e mar, e sol, e terra,
D’esperança e d’amor minha alma ardente,
De luz e de calor meu peito enchiam.
Inteira a natureza parecia
Meus mais fundos, mais íntimos desejos
Perscrutar e cumprir; - almo sorriso
Parecia enfeitar co’os seus encantos,
Com todo o seu amor compor, doirá-lo,
Porque os meus olhos deslumbrados vissem-no,
Porque minha alma de o sentir folgasse.
Oh! quadra tão feliz! - Se ouvia a brisa
Nas folhas sussurrando, o som das águas,
Dos bosques o rugir; - se os desejava,
- O bosque, a brisa, a folha, o trepidante
Das águas murmurar prestes ouvia.
Se o sol doirava os céus, se a lua casta.
Se as tímidas estrelas cintilavam,
Se a flor desabrochava envolta em musgo,
- Era a flor que eu amava, - eram estrelas
Meus amores somente, o sol brilhante,
A lua merencória - os meus amores!
Oh! quadra tão feliz! - doce harmonia,
Acordo estreme de vontade e força,
Que atava minha vida à natureza!
Ela era para mim bem como a esposa
Recém-casada, pudica sorrindo;
Alma de noiva - coração de virgem,
Que a minha vida inteira abrilhantava!
Quando um desejo me brotava n’alma,
Ela o desejo meu satisfazia;
E o quer que ela fizesse ou me dissesse,
Esse era o meu desejo, essa a voz minha,
Esse era o meu sentir do fundo d’alma,
Expresso pela voz que eu mais amava.

II

Agora a flor que m’importa,
Ou a brisa perfumada,
Ou o som d’amiga fonte
Sobre pedras despenhada?
Que me importa a voz confusa
Do bosque verde-frondoso,
Que m’importa a branca lua,
Que m’importa o sol formoso?
Que m’importa a nova aurora,
Quando se pinta no céu;
Que m’importa a feia noite,
Quando desdobra o seu véu?
Estas cenas, que amei, já me não causam
Nem dor e nem prazer! - Indiferente,
Minha alma um só desejo não concebe,
Nem vontade já tem!... Oh! Deus! quem pôde
Do meu imaginar as puras asas
Cercear, desprender-lhe as níveas plumas,
Rojá-las sobre ó pó, calcá-las tristes?
Perante a criação tão vasta e bela
Minha alma é como a flor que pende murcha;
É qual profundo abismo: - embalde estrelas
Brilham no azul dos céus, embalde a noite
Estende sobre a terra o negro manto:
Não pode a luz chegar ao fundo abismo,
Nem pode a noite enegrecer-lhe a face;
Não pode a luz à flor prestar mais brilho
Nem viço e nem frescor prestar-lhe a noite!

III

Houve tempo em que os meus olhos
Se extasiavam de ver
Ágil donzela formosa
Por entre flores correr.
Gostavam de um gesto brando,
Que revelasse pudor;
Gostavam de uns olhos negros,
Que rutilassem de amor.
E gostavam meus ouvidos
De uma voz - toda harmonia, -
Quer pesares exprimisse,
Quer exprimisse alegria.
Era um prazer, que eu tinha, ver a virgem
Indolente ou fugaz - alegre ou triste,
Da vida a estreita senda desflorando
Com pé ligeiro e ânimo tranqüilo;
lmpróvida e brilhante parecendo
Seus dias desfolhar, uns após outros,
Como folhas de rosa; - e no futuro -
Ver luzir-lhe somente a luz d’aurora.
Era deleite e dor vê-la tão leda
Do mundo as aflições, angústias, prantos
Afrontar co’um sorriso; era um descanso
Interno e fundo, que sentia a mente,
Um quadro em que os meus olhos repousavam,
Ver tanta formosura e tal pureza
Em rosto de mulher com alma d’anjo!

IV

Houve tempo em que os meus olhos
Gostavam de lindo infante,
Com a candura e sorriso
Que adorna infantil semblante.
Gostavam do grave aspecto
De majestoso ancião,
Tendo nos lábios conselhos,
Tendo amor no coração.
Um representa a inocência,
Outro a verdade sem véu;
Ambos tão puros, tão graves,
Ambos tão perto do céu!
Infante e velho! - princípio e fim da vida! -
Um entra neste mundo, outro sai dele,
Gozando ambos da aurora; - um sobre a terra,
E o outro lá nos céus. - O Deus, que é grande,
Do pobre velho compensando as dores,
O chama para si; o Deus clemente
Sobre a inocência de continuo vela.
Amei do velho o majestoso aspecto,
Amei o infante que não tem segredos,
Nem cobre o coração co’os folhos d’alma.
Armei as doces vozes da inocência,
A ríspida franqueza amei do velho,
E as rígidas verdades mal sabidas,
Só por lábios senis pronunciadas.

V

Houve tempo, em que possível
Eu julguei no mundo achar
Dois amigos extremosos,
Dois irmãos do meu pensar:
Amigos que compr’endessem
Meu prazer e minha dor,
Dos meus lábios o sorriso,
Da minha alma o dissabor;
Amigos, cuja existência
Vivesse eu co’o meu viver:
Unidos sempre na vida,
Unidos - té no morrer.
Amizade! - união, virtude, encanto -
Consórcio do querer, de força e d’alma -
Dos grandes sentimentos cá da terra
Talvez o mais recíproco, o mais fundo!
Quem há que diga: Eu sou feliz! - se acaso
Um amigo lhe falta? - um doce amigo,
Que sinta o seu prazer como ele o sente,
Que sofra a sua dor como ele a sofre?
Quando a ventura lhe sorri na vida,
Um a par doutro - ei-los lá vão felizes;
Quando um sente aflição, nos braços do outro
A aflição, que é só dum, carpindo juntos,
Encontra doce alívio o desditoso
No tesouro que encerra um peito amigo.
Cândido par de cisnes, vão roçando
A face azul do mar co’as níveas asas
Em deleite amoroso; - acalentados
Pelo sereno espreguiçar das ondas,
Aspirando perfumes mal sentidos,
Por vesperina aragem bafejados,
É jogo o seu viver; - porém se o vento
No frondoso arvoredo ruge ao longe,
Se o mar, batendo irado as ermas praias,
Cruzadas vagas em novelo enrola,
Com grito de terror o par candente
Sacode as níveas asas, bate-as, - fogem.

VI

Houve tempo em que eu pedia
Uma mulher ao meu Deus,
Uma mulher que eu amasse,
Um dos belos anjos seus.
Em que eu a Deus só pedia
Com fervorosa oração
Um amor sincero e fundo,
Um amor do coração.
Qu’eu sentisse um peito amante
Contra o meu peito bater,
Somente um dia... somente!
E depois dele morrer.
Amei! e o meu amor foi vida insana!
Um ardente anelar, cautério vivo,
Posto no coração, a remordê-lo.
Não tinha uma harmonia a natureza
Comparada a sua voz; não tinha cores
Formosas como as dela, - nem perfumes
Como esse puro odor qu’ela esparzia
D’angélica pureza. - Meus ouvidos
O feiticeiro som dos meigos lábios
Ouviam com prazer; meus olhos vagos
De a ver não se cansavam; lábios d’homens
Não puderam dizer como eu a amava!
E achei que o amor mentia, e que o meu anjo
Era apenas mulher! chorei! deixei-a!
E aqueles, que eu amei co’o amor d’amigo,
A sorte, boa ou má, levou-mos longe,
Bem longe quando eu perto os carecia.
Concluí que a amizade era um fantasma,
Na velhice prudente - hábito apenas,
No jovem - doudejar; em mim lembrança;
Lembrança! - porém tal que a não trocara
Pelos gozos da terra, - meus prazeres
Foram só meus amigos, - meus amores
Hão de ser neste mundo eles somente.

VII
Houve tempo em que eu sentia
Grave e solene aflição,
Quando ouvia junto ao morto
Cantar-se a triste oração.
Quando ouvia o sino escuro
Em sons pesados dobrar,
E os cantos do sacerdote
Erguidos junto do altar.
Quando via sobre um corpo
A fria lousa cair;
Silêncio debaixo dela,
Sonhos talvez - e dormir.
Feliz quem dorme sob a lousa amiga,
Tépida talvez com o pranto amargo
Dos olhos da aflição; - se os mortos sentem,
Ou se almas tem amor aos seus despojos,
Certo dos pés dó Eterno, entre a aleluia,
E o gozo lá dos céus, e os coros d’anjos,
Hão de lembrar-se com prazer dos vivos,
Que choram sobre a campa, onde já brota
O denso musgo, e já desponta a relva.
Laje fria dos mortos! quem me dera
Gozar do teu descanso, ir asilar-me
Sob o teu santo horror, e nessas trevas
Do bulício do mundo ir esconder-me!
Oh! laje dos sepulcros! quem me desse
No teu silêncio fundo asilo eterno!
Ai não pulsa o coração, nem sente
Martírios de viver quem já não vive.

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to