Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

José Feldman (Aquarela de Trovas n. 17)

He-heee… pimenta boa!
Tanto assanha o maridão,
Que, emocionada, a patroa
Dobra a ardência do pirão…
A. A. DE ASSIS (PR)
-
Quero, por tudo e por nada,
Esquecer-te a qualquer preço
Mas a distância danada
Já sabe o meu endereço!
ANTÔNIO COLAVITE FILHO (SP)
-
Sou feliz! Não vivo ao lado
das estrelas na amplidão,
mas posso ter um punhado
de vaga-lumes na mão.
ANTÔNIO ROBERTO FERNANDES (RJ)
-
Desta saudade infinita
não guardo mágoas, porque
foi a coisa mais bonita
que me ficou de você.
APARÍCIO FERNANDES (RN)
-

Que barulho o Zé fazia,
na moita de sabugueiro,
e quem passava sentia
que o barulho… tinha cheiro!
CAMPOS SALES (SP)
-
Uma luz quase apagada…
Um sonho chegado ao fim…
Eis um pedaço do nada
que tu fizeste de mim!
CONCEIÇÃO DE ASSIS (MG)
-
Sou tal qual ave ferida
que as suas asas quebrou
e Deus, para dar-lhe vida,
os seus pedaços juntou.
DIVA DA COSTA LEMOS (RS)
-
Bebo lembranças em tragos,
ao ponto da embriaguez,
para curar os estragos
que a sua ausência me fez!
ELISABETH SOUZA CRUZ (RJ)
-
No jogo da vida é assim:
tem encrenca e desacato,
e, quando ele chega ao fim,
a mãe de alguém paga o pato…
ERCY MARQUES DE FARIA (SP)
-
Desponta sereno o dia,
e o meu sonho, sem demora,
enche o mundo de poesia
ao romper da linda aurora!
EVA GARCIA (RN)
-
A palavra mais ardente
não é o fogo, é a paixão;
queimando o corpo da gente
deixa em brasa o coração.
GILDA MOURA (RN)
-
Aquela ponte que unia
nossas vilas ribeirinhas
une ainda, por magia,
tuas saudades e as minhas.
GISLAINE CANALES (SC)
-
Com ambição desmedida
por coisas materiais,
o homem não tem medida,
nem liberdade, nem paz…
GONZAGA DA SILVA (RN)
-
O sol, eterno andarilho,
Nas rotas do movimento,
Abre as cortinas com brilho
No escuro do firmamento.
HÉLIO ALEXANDRE (RN)
-
A ressaca da bebida
é pra ninguém esquecer.
Por isso a melhor pedida
é não parar de beber.
HELIODORO MORAIS (RN)
-
Quase todo brasileiro
tem esta…“mania”… estranha:
– dá sumiço no dinheiro
mais depressa do que ganha!
 IZO GOLDMAN (SP )
-

Se for teste, meu Senhor,
o viver nesta fornalha,
tu verás que a fé e o amor
de um nordestino não falha!
J.B. XAVIER (SP)
-
Não sei se é pecado ou vício,
bobeira… sei lá mais quê…
esse agridoce suplício
de só pensar em você!
 JEANETTE DE CNOP (PR )
-
Minhas lágrimas serenas,
cada qual mais ressentida,
formam um rosário de penas,
das mágoas de minha vida.
JORGE MURAD (RJ)

 -
Quando nós somos crianças
tantos sonhos são sonhados.
Hoje…adultos, são lembranças
daqueles tempos passados.
JOSÉ FELDMAN (PR)
-
“Escolha a pessoa certa
para entregar-se, querida.”
Mamãe, quando a fome aperta,
não dá pra escolher comida!
JOSÉ TAVARES DE LIMA (MG)
-
Não lastime as tristes horas
da viagem que angustia…
Viver é criar auroras
no ocaso de cada dia!
JOSÉ VALDEZ DE C. MOURA (SP)
-
O vazio dos teus braços,
depois de tristonho adeus,
fez a dor rondar meus passos,
na busca inútil dos teus…
JÚLIA LEAL MIRANDA (RJ)
-
O terapeuta sugere:
- “Apimente” a relação!
Mas a mulher interfere:
- “Tô” fora! Pimenta, não!
LUCÍLIA DECARLI (PR)
-
De todo “não” que me deste,
o que mais triste me fez
foi aquele que disseste
disfarçado num “talvez”…
LUIZ CARLOS ABRITTA (MG)
-
Nunca temerei fracassos
chegarei mesmo sozinho.
Quem segue do pai, os passos,
sabe as curvas do caminho…
MANOEL CAVALCANTE (RN)
-
“Limpou” o supermercado
e desculpou-se ao ser presa:
- Não é roubo, delegado,
é mania de limpeza!
MARIA DOLORES PAIXÃO (MG)
-
Meu sogro nem “manda brasa”,
mas, quando está de veneta,
deixa a “mala velha” em casa
e sai com qualquer “maleta”..
MARIA NASCIMENTO (RJ)
-
Vão ficando tão distantes
os carinhos do passado,
que eu nem sei se o que era antes
foi vivido… ou foi sonhado…
MARINA BRUNA (SP)
-
Se navegar é preciso,
se é necessário sonhar,
eu sonho no teu sorriso,
navegando em teu olhar!
MARISA OLIVAES (RS)
-
Quando a nuvem da má sorte
Cobre de sombras teu mar,
A esperança é o vento forte
Que faz o tempo mudar.
MILTON DE SOUZA (RS)
-
De tanto sofrer na vida,
eu peço a Deus, sem revolta;
– Abra as porteiras da ida,
feche as porteiras da volta.
MILTON NUNES LOUREIRO (RJ)
-
Loucuras… quantas já fiz
nos tempos da mocidade…
“Morri de amor” – fui feliz!…
Hoje vivo de saudade…
NÁDIA HUGUENIN (RJ)
-
Não há fronteira na vida
que separe um grande amor,
quando a ponte foi erguida
pelas mãos do Criador.
OLGA AGULHON (PR)
-
Do poeta, o maior sofrer
assim pode ser descrito:
É a luta para escrever
o que nunca foi escrito.
OLYMPIO COUTINHO (MG)
-
Nos extremos desta vida,
um contraste se percebe:
– A Terra chora a partida
daquele que o Céu recebe!
OSVALDO REIS (PR)
-
Altruísta, de verdade,
do benfazer! É sequaz,
age, com serenidade,
sem ostentar, o que faz…
PEDRO GRILO (RN)

-
Minha renúncia…Quem sabe…
não seja a chave secreta,
de tudo quanto só cabe
na inspiração de um poeta!
PROF. GARCIA (RN)
-
Coração, velha gaiola…
A saudade, no poleiro,
com seu canto me consola
noite e dia, o tempo inteiro!
REINALDO AGUIAR (RN)
-
Disse o carteiro, confuso:
- mora aqui o “seu” Leitão?
- Não mais, respondeu o luso:
virou torresmo e sabão.
RELVA DE EGYPTO REZENDE (MG)
-
Quando a paixão é marcada
por possessão, se resume
numa rosa incinerada
na fornalha do ciúme…
RENATA PACCOLA (SP)
-
A vida é um “fogo de palha”
e o tempo se mostra algoz,
mais parece uma fornalha
onde a palha… “somos nós”!…
ROBERTO TCHEPELENTYKY (SP)
-
Se nas revistas reparas,
verás que é questão de gosto:
alguns preferem ver Caras,
outros preferem o oposto…
RODOLPHO ABBUD (RJ)
-
Os dois velhinhos dançavam,
mostrando desenvoltura;
mas sempre que tropeçavam,
trocava de dentadura!
RONALDO AFONSO JÚNIOR (MG)
-
Quando a vida se distrai,
ou dá tudo, ou tudo nega:
Rico… pega o carro e sai;
pobre sai… e o carro pega!
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA (SP)
-

Destilando hipocrisia
segue a tola humanidade
queimando a vã fantasia
nas fogueiras da vaidade!
UBIRATAN QUEIROZ (RN)
-

Aquela duna imponente,
que na paisagem se alteia,
tem na origem, certamente,
minúsculos grãos de areia.
VANDA FAGUNDES QUEIROZ (PR)
-
Que lua-de-mel aquela!
Faltou luz, foi um sufoco:
a noiva queria vela,
o noivo só tinha um toco…
WANDA DE PAULA MOURTHÉ (MG)
-
É sempre ameno, suave, 
é um ápice da emoção,
quando a gente encontra a chave
que destranca um coração!…
ZÉ DE SOUSA (RN)

Irmãos Grimm (Os Seis Cisnes)

Era uma vez um rei que estava caçando numa imensa floresta, e ele caçava um animal selvagem com tanta vontade que nenhum dos que acompanhavam conseguiam segui-lo. Quando a noite chegou ele fez uma parada e olhou ao redor, e então, ele percebeu que ele havia perdido o seu caminho de volta.

Procurou uma saída, mas não encontrou nenhuma. Então, ele avistou uma velhinha que balançava a cabeça continuamente; ela era uma bruxa e vinha em direção a ele.

— “Minha bondosa senhora,” o rei disse para ela, — “Será que a senhoria poderia me mostrar o caminho para eu sair da floresta?”

— “Oh, sim, senhor rei,” respondeu ela, “lógico que eu posso, mas sob uma condição, e se não cumprires o prometido, jamais conseguirás sair da floresta, e morrerás de fome.”

— “E que condições são estas?” perguntou o rei.

— “Eu tenho uma filha,” disse a velhinha, “linda como não existe nenhuma outra no mundo, e muito digna de se tornar sua esposa, e se permitires que ela se torne sua Rainha, eu lhe mostrarei o caminho para sair da floresta.”

Como o rei estava angustiado, ele concordou, e a velhinha o conduziu para a sua pequena cabana, onde a filha dela estava sentada perto do fogo. Ela recebeu o rei como se ela estivesse esperando por ele, e ele constatou que ela era muito bonita, mesmo assim, ela não foi do seu agrado, e ele não conseguia olhar para ela, sem sentir um horror secreto.

Depois de ele ter conduzido a jovem para o seu cavalo, a velhinha mostrou-lhe o caminho, e o rei voltou para o seu palácio novamente, onde foi celebrado o casamento.

O rei já havia se casado uma vez, e com a primeira esposa, ele teve sete filhos, seis meninos e uma menina, a quem ele amava mais do que tudo no mundo. Como ele temia que a madrasta poderia não tratar bem dos seus filhos agora, ou mesmo fazer-lhes algum mal, ele os levou para um castelo solitário que ficava no meio de uma floresta. Ele ficava tão escondido, e o caminho para encontrá-lo era tão difícil, que ele mesmo não conseguiria tê-lo encontrado, se uma fada não tivesse dado a ele um novelo com propriedades mágicas.

Quando ele soltava o novelo, ele se desenrolava e mostrava o caminho até o castelo. O rei, todavia, ia todos os dias visitar os seus filhos queridos na floresta que a Rainha começou a notar a sua ausência; ela ficou curiosa e queria saber o que ele fazia quando estava totalmente sozinho na floresta. Ela deu uma certa quantia em dinheiro para os seus criados, e eles contaram o segredo para ela, e contaram a ela também sobre o novelo mágico que sozinho poderia mostrar o caminho.

E então, ela não conseguiu ter mais sossego, até que ela descobriu onde o rei guardava o novelo, e então, ela fez camisas de seda branca, e como ela tinha aprendido a arte da bruxaria com a sua mãe, ela costurou um encanto dentro das camisas. E quando o rei havia saído para caçar, ela pegou as camisas de seda e foi para a floresta, e o novelo mostrou a ela o caminho. Os filhos, que viram de longe que alguém estava se aproximando, pensaram que o pai deles estava vindo visitá-los, e radiantes de alegria, correram para encontrar-se com ele.

Então, ela lançou uma camisa de seda sobre cada um deles, e mal as camisas haviam tocado seus corpos e eles foram transformados em cisnes, e voaram para longe da floresta. A Rainha voltou para casa feliz e realizada, e pensou que ela tivesse se livrado dos seus enteados, mas a menina não havia corrido com seus irmãos para encontrá-la, e a rainha nada sabia sobre ela. No dia seguinte o rei foi visitar os seus filhos, mas ele não encontrou ninguém além da garota.

— “Onde estão os teus irmãos?”, perguntou o rei.

— “Ah, meu pai,” respondeu a menina, — “eles foram embora e me deixaram sozinha!” e ela contou para ele que tinha visto da sua janelinha como os seus irmãos fugiram para a floresta transformados em cisnes, e ela mostrou a ele as penas, que eles tinham deixado cair no quintal, e que ela apanhou.

O rei ficou triste, mas ele não pensou que a rainha tinha feito essa maldade, e como ele receava que a garota poderia também ser roubada dele, quis levá-la consigo. Mas a pequenina tinha medo da madrasta, e insistiu ao rei para deixá-la ficar apenas mais uma noite no castelo da floresta.

A pobre menina pensou: — “Não posso mais ficar aqui. Irei procurar os meus irmãos.”

E quando a noite chegou, ela fugiu, e foi direto para a floresta. Ela caminhou a noite toda, e no dia seguinte também caminhou sem parar, até que ela não conseguiu continuar caminhando porque estava muito cansada. Então, ela encontrou uma cabana na floresta, e entrou dentro dela, e encontrou um quarto onde havia seis pequenas camas, mas ela não ousou deitar-se em uma delas, mas escondeu-se debaixo de uma das camas, e deitou-se no chão duro, pretendendo passar a noite ali.

Pouco antes do amanhecer, todavia, ela ouviu um barulho de asas batendo, e viu que seis cisnes vinham voando pela janela. Eles pousaram no chão e sopravam as plumas uns dos outros, e as suas penas de cisnes ficaram lisas como camisas. Então, a garotinha olhou para eles e ela reconheceu os seus irmãos, ficou contente e saiu debaixo da cama. Os irmãos também ficaram felizes em verem sua irmãzinha, mas a alegria deles teve curta duração.

— “Aqui não podes morar,” disseram eles para ela.

— “Este é um esconderijo de ladrões, se eles chegarem em casa, e te encontrarem, eles te matarão.”

— “Mas vocês não podem me proteger?”, perguntou a irmãzinha.

— “Não,” responderam eles, somente durante quinze minutos por dia de cada noite nós podemos tirar as nossas plumas de cisnes e usar durante esse tempo a forma humana; depois disso, voltamos novamente a sermos cisnes.”

A irmãzinha chorou e disse,

— “Vocês não conseguem se libertar?

— “Oh, não,” eles responderam, “as condições são muito difíceis! Durante seis anos não poderás falar nem sorrir, e durante esse tempo você deverá costurar seis camisas pequenas feitas de aster para nós. E se uma única palavra for pronunciada da sua boca, todo teu trabalho terá sido em vão.”

E quando os irmãos tinham dito isto, os quinze minutos haviam passado, e eles voaram novamente pela janela como se fossem cisnes.

A garota porém, havia decidido resolutamente libertar os seus irmãos, mesmo que isto lhe custasse a própria vida. Ela saiu da cabana, foi para o meio da floresta, sentou-se numa árvore, e lá passou a noite. Na manhã seguinte, ela saiu para colher aster e começou a tecer.

Ela não poderia conversar com ninguém, tampouco poderia sorrir; ela ficou sentada ali e nada lhe interessava além do seu trabalho. Quando já fazia muito tempo que ela tinha passado ali, aconteceu que o rei daquele país estava caçando na floresta, e o seus companheiros de caça vieram até a árvore onde a garota estava sentada. Eles a chamaram e disseram:

— “Quem és tu?” Mas ela não falou nada.

— “Desça aqui com a gente,” disseram eles. — “Não vamos lhe fazer nenhum mal.”

Ela apenas balançava a cabeça. Como eles a pressionavam com perguntas ela lançou seu colar de ouro para eles, e pensou que isso os deixaria satisfeitos. Eles, no entanto, não paravam, então, ela jogou sua cinta para eles, e isso também não adiantou nada, jogou também suas ligas e aos poucos tudo o que ela usava até que ela ficou só de blusa. Os caçadores, porém, não se tomaram por vencidos, mas subiram na árvore, desceram a menina e a levaram para o rei. O rei perguntou:

— “Quem és tu? O que estavas fazendo em cima da árvore?”

Mas ela não respondia. O rei fez a pergunta em vários idiomas que ele conhecia, mas ela permanecia tão calada como um peixe. Como ela era muito linda, o coração do rei ficou encantado, e ele foi tomado por uma grande paixão por ela. Ele colocou nela a sua manta, levou-a em seu cavalo, e a conduziu para o seu castelo. Depois, ele mandou que ela se vestisse com roupas riquíssimas, e a beleza dela brilhava como um dia reluzente, mas nenhuma palavra ele conseguia tirar dela. Ele a colocou ao seu lado, na mesa, e a sua postura humilde e educada o encantou tanto que ele disse:

— “Ela é a mulher com quem eu quero me casar, e não quero nenhuma outra.” E depois de alguns dias ele se uniu a ela.

Mas o rei tinha uma mãe perversa que não estava satisfeita com este casamento e falava mal da rainha.

— “Quem sabe,” disse ela, — “de onde veio essa garota que não sabe falar? Ela não é digna de um rei!”

Depois que um ano se passou, quando a rainha deu a luz ao seu primeiro filho no mundo, a velhinha tomou dela a criança, e manchou a boca dela de sangue enquanto ela dormia. Depois ela foi até o rei e acusou a rainha de ser uma devoradora de crianças. O rei não quis acreditar nisso, e não permitiu que ninguém fizesse nenhum mal a ela. Ela, no entanto, continuava sempre costurando as camisas, e não se preocupava com mais nada. No ano seguinte, quando ela deu a luz a um belo garoto, a falsa madrasta se utilizou do mesma maldade, mas o rei não aceitava acreditar nas palavras dela. Ele disse:

— “Ela é bondosa e meiga demais para fazer qualquer coisa desse tipo, se ela não fosse muda, e pudesse se defender, a sua inocência seria explicada.”

Mas quando a velhinha roubou o filho recém-nascido pela terceira vez, e acusou a rainha, que não proferia nenhuma palavra ou defesa, o rei não pode fazer nada senão entregá-la à justiça, e ela foi condenada a sofrer a morte na fogueira.

Quando chegou o dia para que a sentença fosse executada, esse era o último dia dos seis anos durante os quais ela não podia falar nem rir, e ela tinha libertado os seus queridos irmãos do poder do encantamento. As seis camisas estavam prontas, somente faltava a manga da sexta camisa. Quando, então, ela era levada para a fogueira, ela levava as camisas em seus braços, e quando ela se levantou e o fogo ia ser acendido, ela olhou ao redor e viu seis cisnes que vinham voando pelo ar em direção a ela. Então, ela percebeu que a sua libertação estava chegando, e seu coração pulava de alegria.

Os cisnes pousaram sobre ela e desceram de modo que ela podia lançar as camisas em cima deles, e a medida que eles eram tocados pelas camisas, suas plumas de cisnes se desfaziam e seus irmãos assumiam sua forma humana diante dela, e eles eram fortes e bonitos. Apenas o mais jovem lhe faltava o braço esquerdo, e tinha no lugar do braço uma asa de cisne em seu ombro. Eles se abraçaram e se beijaram, e a rainha foi até o rei, que estava muito emocionado, e ela começou a falar e disse:

— “Querido marido, agora eu posso falar e declarar para ti que sou inocente e fui acusada injustamente.”

E ela lhe contou toda a maldade que a velhinha havia levado embora os três filhos dela e os havia escondido. Então, para grande alegria do rei, eles foram encontrados e trazidos até ele, e como punição, a madrasta má foi colocada na fogueira e queimou até virar cinzas. Mas o rei e a rainha com seus seis irmãos viveram muitos anos feliz e em paz.
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Nota:
Aster = planta da família das borragináceas também conhecida como murugem.


Fonte:
http://pt.wikisource.org/wiki/Contos_de_Grimm/Os_seis_cisnes

Miguel Russowsky (Poemas Avulsos)

A CHUVA CHORA

A chuva chora lenta na vidraça
suas lágrimas são finas... (eu também).
Hoje estou triste e dói... A vida passa
e eu faço versos sem saber a quem.

Há sonhos que recheio de fumaça
sortidos em teares do desdém.
Amei... Perdi... e da amargura, a taça,
soube fazer de mim o seu refém.

Escrevo... A chuva chora... O pensamento
umedece meus olhos, no momento
em que tento findar este terceto.

Sei que o silêncio habita a tarde fria,
só não sei como a chuva, tão macia,
consegue por espinhos num soneto.

ARREPENDIMENTO

Um por um, os meus sonhos, nesta vida,
Despi no andar do tempo modorrento
Qual árvore esfolhada pelo vento
Numa tarde outonal, entristecida.

Quebrei-me um pouco, assim, a cada ida
À procura não sei de qual intento.
Deixei amor, amigos e, ao relento,
Destroços de minha alma enrijecida.

E hoje, velho, ao voltar da caminhada,
Tropeço em meus pedaços pela estrada
Com saudosa visão aqui e ali.

Não mais me iludo, e essa descrença atesta
Que passarei o tempo que me resta
Recolhendo os pedaços que perdi.

CHOVE… E NÃO VENS!

Chove a chuva e tu não vens... (Tristeza!)
... e os talheres... e os cálices de vinho
sobre a toalha, alvíssima de linho...
e as velas... (mas nenhuma foi acesa! )

... e as flores como parte da surpresa...
e alguém ansioso pelo teu carinho...
e a música ambiente... e o som baixinho...
e as duas taças de cristal na mesa...

... e as dobra, com amor, nos guardanapos,
cheias de ardis para teus dedos, guapos...
e as iniciais bordadas num cantinho...

... e a lareira onde o fogo já não arde...
Chove e faz frio... e tu não vens...( É tarde! )
Soubesses como dói jantar sozinho?!..

CONVITE PARA JANTAR

Ela e a Tristeza, sim há semelhança,
ambas estão no pensamento agora.
E a chuva chove... Chove e não se cansa...
Muito solícita a vidraça chora.

O meu relógio diz, de hora em hora,
Uma palavra só: - Desesperança!
E a chuva chove lenta, fria e mansa
e mansa e fria não se vai embora.

A minha amada, longe, não me escreve...
Corre em meu rosto a lágrima, de leve
e vem borrar o retratinho antigo.

A solidão renova o olhar sizudo...
Chove... Silêncio... ( e o telefone mudo)
 Pois bem, Tristeza, janta aqui comigo!

DOMINGO...(DE LICOR E AÇÚCAR CÂNDI)

Manhã de sol...A luz passeia a toa...
Explode a primavera em frenesi.
Meu bairro, todo chique, não destoa,
parece um ogro alegre que se ri.

Mignon, gentil, arisco, sobrevoa,
a namorar a rosa, um colibri...
...e perfumes no ar...-Que coisa boa!
O céu está pertinho...É logo ali!

Meu domingo é grande (- Muito grande!)
Cheinho de licor e açúcar cândi.
Estou de bem com toda a humanidade.

Minha amada virá...(telefonou-me)
e ela não quer que lhe revele o nome,
que tem dez letras...(é ?... -FELICIDADE!)

ESTOU SÓ!... (DUVIDO)

Estou só?...(Não tão só: eu tenho esta caneta
que adora conversar. É discreta, fiel
e sempre me quis bem. Depois tem o papel
que apóia o meu trabalho e veste a camiseta.)

Eu, só?...(Só se quiser. A ideia, meu corcel,
se parece um “Sputnik”, vai a qualquer planeta,
não cansa de falar, toca flauta e trombeta
e traz ao meu silêncio, amadas em tropel).

Estou só?...Um pouquinho. (Aprendi que a saudade
desfaz da solidão, ao menos a metade
e o resto que sobrar, com jeito, vira pó)

Estou triste, é verdade. Entanto (quem diria?)
uma lágrima só, pode ser companhia.
Duvido, sendo assim, que eu esteja só.

NOITE SEM AURORA

A noite de um adeus não tem aurora
mas tem silêncios longos por recheio;
tem farpas arranhando, bem no meio...;
tem desesperos mil vagando fora...

A noite de um adeus, eu sei que chora
ao ver a sepultura de um anseio.
Não a censuro e até a manuseio
com estes versos que componho agora.

A noite de um adeus ensina a gente
ter dias sem relógio...e alguém já disse
que nunca cicatriza totalmente.

A noite de um adeus...só bem depois
expõe a solidão, numa velhice,
em que murchamos tristes nós, os dois.

ORAÇÃO DO POETA

– Que me darás, Senhor, pela jornada
de dores, privações e misereres?
– Eu te darei a noite salpicada
de estrelas e silêncio. Que mais queres?

– E para a solidão da madrugada?
– Já fiz o mundo cheio de mulheres.
procura e encontrarás a tua amada.
Faz os mais lindos versos que puderes.

– Mas como irei, Senhor, reconhecê-la?
– Há no céu, entre todas, uma estrela
que apenas tu verás. Que mais perguntas?

– E este frio e esta angústia que ora sinto?
– Quando ela penetrar em teu recinto
a primavera e a paz hão de vir juntas.

OUTONO EM MEIO

O vento desistiu de seus andares,
cansou-se e resolveu dormir mais cedo.
As folhas, nem balançam no arvoredo.
Borboletas...algumas pelos ares.

Nuvenzinhas solteiras e sem medo
buscam no céu seus noivos ou seus pares.
Cá por dentro borbulham os cismares
numa ausência de rumos e de enredo.

(- Ó tardes, de domingo, ensolaradas!...)
O silêncio murmura uma cantiga
para ouvirmos a sós...mas de mãos dadas.

Deixemos, por enquanto o lábio mudo!
E o relógio, deixemos que prossiga...
Conversar?...Para que, se sabes tudo?!.

PROMESSAS
 

Estava eu só Passou... Sorriu... Olhei-a...
Estremeceu. Estremeci. Sucede
que o imprevisível manda e a gente cede.
No céu azul brilhava a lua cheia.

Depois... as consequências... — Quem as mede
se a razão, sem razão, já titubeia?
E o mar acariciando o ardil, na areia:
"O vinho é bom sorver antes que azede!"

Vai-se o verão. Agora é frio e neva.
Palavras sem valor, o vento as leva.
As juras antecedem as desditas.

Um instante de amor — eternidade!
Dois instantes de amor — fidelidade'
... Nem todas as mentiras foram ditas.

RECEITA DE SAÚDE E FELICIDADE

Não antecipe nunca o sofrimento!...
Diga “Bom Dia!” ao sol que lhe saúda.
Seja qual um discípulo de Buda:
- É mister se gozar cada momento.

No “que será...será” que não se muda,
se abrigam primaveras...(mais de um cento!)
os “depois” nem podem ser tormento
se os “agoras” lhe derem boa ajuda.

“Cara feia” - sinal de enfermidade -
com certeza, costuma sobrepor
mais pesos aos obstáculos da idade.

"Alegre-se e sorria, por favor!
Um sorrisinho dá felicidade,
pois contagia e ativa o bom humor"

TARDE NEVOENTA... EM JULHO

Domingo sem ninguém...A casa está vazia.
O silêncio no horror persistente blasfema.
Quer se fazer ouvir. Ó tolo estratagema!...
Eu posso ouvi-lo bem, mas qual a serventia?

A solidão nem quer me servir como tema...
...e a tarde se espezinha imensamente fria...
Ó Tristeza, vem cá! Se queres companhia
ajuda-me a cerzir pedaços de um poema

Talvez assombrações que possuam prestígio
se queiram embutir em tercetos, com zelo,
para dar-lhe feições de soneto-prodígio.

Alguém se desmanchou em brumas do passado
e quer ressuscitar de cor, num atropelo.
Se lembrar é viver, eu devo estar errado.
=
Fonte da Imagem = Libreria Fogola Pisa (Facebook)

Teófilo Braga (Contos Tradicionais do Povo Português) As Fiandeiras

Recolhido no Algarve

Era uma mãe que tinha uma filha e só pensava em casá-la bem. Foi a casa de um mercador que vendia linho, e pediu-lhe para que lhe vendesse uma pedra de linho, porque a filha fiava tudo num dia. Trouxe o linho para casa e disse à filha:

– Tens de me fiar esta pedra de linho hoje mesmo, porque amanhã vou buscar mais. Quando voltar a casa quero achar o linho todo fiado.

A pequena foi sentar-se à porta, a chorar, sem saber como obedecer à mãe. Passou uma velhinha:

– A menina o que tem, que está a chorar desse modo?

– O que hei de ter! É minha mãe que quer à força que lhe fie num dia uma pedra de linho, e eu não sei fiar.

– Deixe a menina estar que eu lhe fio tudo se me prometer que no dia do seu casamento me há de chamar três vezes tia.

A menina olhou para dentro de casa, e viu o linho remexido, e todo fiado. No dia seguinte a mãe foi à loja, gabou muito a habilidade da filha, e pediu outra pedra de linho para ela fiar. A pequena foi sentar-se à porta, a chorar, esperando que passasse a velhinha da véspera.

Passou uma outra:

– A menina o que tem, que está a chorar dessa maneira?

A pequena contou-lhe as ordens que tinha recebido da mãe.

– Pois se a menina me promete que no dia do casamento me há de chamar três vezes sua tia, o linho há de aparecer fiado.

A pequena prometeu que sim, e olhando para dentro de casa deu com o linho remexido e pronto.
   
A mãe foi buscar mais outra pedra de linho, e repetiu-se o mesmo caso; até que passou uma terceira velhinha que lhe fez tudo com a mesma promessa. O comerciante sabendo daquela habilidade quis ver a rapariga, achou-a bonita e esperta e quis casar com ela; a mãe ficou bem contente porque o noivo era muito rico. O comerciante mandou-lhe um grande presente, com muitas rocas e fusos, para que quando casassem, as suas criadas todas fiassem. No dia do casamento fez-se um grande jantar, e todos os seus amigos assistiram; quando estavam à mesa bateu à porta uma velhinha:

– Ai! É aqui que mora a noiva?

– Entre minha tia; sente-se aqui, minha tia; coma alguma coisa, minha tia.

Ficaram todos pasmados de verem uma velha tão corcovada com um nariz muito grande. Mas calaram-se. Instantes depois, bateram à porta; era outra velhinha:

– É aqui que mora a noiva que se casou hoje?

– É, minha tia; entre, minha tia; jante conosco, minha tia.

A velha sentou-se e todos ficaram pasmados do grande aleijão que ela tinha nos queixos. Mas continuaram a jantar. Bateram outra vez à porta; era outra velhinha, que fez a mesma pergunta.

– Ora entre, minha tia; cá a esperávamos, minha tia; há de jantar conosco, minha tia.

Também não causou menos pasmo esta velha toda corcovada e com as costelas embicadas para fora; mas desta vez os curiosos, principalmente o noivo, perguntaram porque tinham aquelas tias tamanhos aleijões.

Disse a primeira:

– Tenho assim o nariz, porque fiei muito, muito, e as arestas do linho puseram-me assim.

– E eu, meu sobrinho, tenho assim os queixos, porque fiei muito, e fiquei assim por tanto riçar os tomentos.

– E eu, sobrinho, fiquei com estas corcovas por estar sempre para um canto com a roca à cinta.

O marido assim que ouviu aquilo, levantou-se e foi pegar nas rocas, fusos, sarilhos, dobadouras e tudo e atirou-os para a rua, e disse que na sua casa nunca mais se havia de fiar, porque não queria que lhe acontecessem à sua mulher tais desgraças.
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Notas Comparativas

Nas The Fireside Stories of Ireland, de P. Kennedy, acha-se este conto, e traduzido por Brueyre com o título A preguiçosa e suas tias. (Contes populaires de la Grande Bretagne, n.º XXII, pág. 159).

Entre as diferentes fontes, cita a versão escocesa da coleção de Chambers, Whooppity storie (op. cit, p. 245, de Brueyre); há uma lição francesa Histoire du Ric Din-Don de M.lle L'Héritier; no Pentamerone de Basile, o conto italiano, e na Novelline di Santo Stefano, de Gubernatis, La Comprata.

No Norske Folkeeventyr, de Asbjørnsen e Moe, As Três Tias;

e na coleção sueca de Cavallius e Stephens. A Rapariga Que Não Podia Fiar Ouro com Lama e Palha, e As Três Corvinhas.

Jacob Grimm, nos seus Kinder und Hausmärchen, n.º 14, traz As Três Fiandeiras; traduzido nos Contes choisis, de Fred. Baudry, p. 128.

Há alguns vestígios em Rumpelstilzchen; na coleção de Bürching, Volksagen, Märchen, und Legenden, é o das Três Fiandeirinhas.

Há uma outra versão portuguesa traduzida por G. Ralston nos Portuguese Folk-Tales, de Consiglieri Pedroso, n.º XIX, com o título As Tias. Na Mythologie des plantes, t. 11, p. 212, Gubernatis traz um conto popular da Calábria, cujo maravilhoso versa sobre o poder de fiar concedido pelas fadas a uma mulher.


Fonte:
Contos Tradicionais do Povo Português
http://pt.wikisource.org/wiki/Contos_Tradicionais_do_Povo_Portugu%C3%AAs/As_fiandeiras

Jangada de Versos do Ceará (7) Artur Eduardo Benevides

Artur Eduardo Benevides
(Príncipe dos Poetas Cearenses)
Pacatuba, 1923

Soneto inglês


Na divina tolice dos que amam,
Quando se traçam rumos sem sentido.
Algumas cousas belas se proclamam
Do acontecido ou do inacontecido.
De repente, fiquei enamorado!
Será, talvez, na idade, uma loucura.
Mas, se é destino meu mudar o fado,
Já sei que o desatino não tem cura.
Por que somente agora vejo tudo?
Por que guardas em ti tanta poesia?
Com tua luz ficou feliz e mudo
Um coração que a morte pressentia.

Mas, esse amor, que agora em mim se enflora,
Será por certo, o último, Senhora.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Soneto em Recife

Tão leve qual capulho de algodão
Que a brisa da tarde transportasse
Sinto o doce luar de tua face
Sobre o azul dos gestos em canção.

Mesmo distante, vem-me tua mão
Trazendo a flor que agora despertasse
Na manhã de teu sonho, de que nasce
A paz das verdes relvas pelo chão.

Que fazes por aí? Aqui, eu teço
Uma saudade enorme. Não te esqueço.
Se te, esquecesse, já estaria morto.

Muito tempo custou-me a travessia
Até te achar, nas ilhas da Poesia,
Iluminando as noites do meu porto.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Elegia cearense

1.
Longo é o estio.
Longos os caminhos para os pés dos homens.
Longo o silêncio sobre os campos. Longo
o olhar que ama o que perdeu.
Já não vêm as auroras no bico das aves
nem se ouve a canção de amor
dos tangerinos.
A morte nos apóia. Exaustos, resistimos.
Se se acaso caímos os nossos dedos
começam a replantar a rosa da esperança.
Ai Ceará
teu nome está em nós como um sinal
de sangue, sonho e sol.
Chão de lírios e espadas flamejantes,
território que Deus arranca dos demônios,
mulher dos andarilhos, dálida da canícula,
em nós tu mil rorejas. Pousas. És canção.

2.
Para cantar-te me banho em tua memória
e ouço a voz enternecida
diante de esfinges soluçando.
Oh! ver-te apunhalada — e o sol
roubando tua frágil adolescência
e ponto em tua face o esgar
de quem se sente, súbito, perdido.
Teus pobres rios secam
os galhos perdem os frutos
as aves bicam o céu
fogem as nuvens.
Então ficamos escravizados
à tua sede austera, ao teu desejo
de um dia seres bela igual às noivas
que se casam no fim dos teus invernos.

3.
Triste é ver as crianças finando-se nos braços
de mães alucinadas que vendo-as à morte
inda cantam de amor canções do tempo antigo.
E ficas desesperada vendo os filhos
ao longo das estradas onde há pouco
trabalhadores cantavam ao entardecer.
Mudas a voz, então: és cantochão
és réquiem crescendo à sombra dos degredos
és rouca como presos que murmuram
palavras dos dias em que foram
jovens e felizes.
Para cantar-te, Bem-Amada telúrica,
seria feliz se vez de vãs palavras
tivesse em minha boca chuvas e sementes.
Ai, viúva do inverno, flor violentada,
teu sol não brilha: queima. Mas um luar
renasce sempre no olhar
dos homens.
Ó grande olhar de pedra, sede e solstício:
te dessem um novo reino e nunca aceitarias!

4.
Belos são os teus frutos porque difíceis.
Em cada sepultura nasce uma rosa.
Em cada filho teu o amor é como o inverno.
Jamais tu morrerás. Não seríamos fortes
se por ti não estivéssemos em vigílias cruéis, ó mãe!
Mas se as chuvas te querem
como louco partimos
para o amanho da terra.
Os campos então ficam maduros
qual ventre de mulher,
e as bocas
— tranqüilas e felizes —
gritam
palavras de amor
que erguem
primaveras.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
A sombra das palavras

As palavras nos recriam.
Às vezes, belas, nos reconciliam
com o voo das cousas em mistério
ou o magistério
da solidão das nuvens do Sião.

Elas guardam a prenhez
de lobas solitárias. A lividez
das cousas fontanárias.
E as albas e os montes
cobrindo o descolor de velhos horizontes.
Ou de nossas feridas e súbitas partidas
para o nunca mais.
E tudo nelas é um velho cais
onde tentamos amar. E ancorar.

Podemos ir a Tebas, dançar em Babilônia,
ou ter uma alma dórica ou jônia.
E partir para o desconhecido.
Ou sermos apenas um gemido
por não havermos beijado os seios da Donzela
em sua cidadela.

As palavras são fendas
de onde vemos palomas descerem sobre lendas
e canções emoldurarem as moças nas varandas,
ou as plumas da tarde, as cousas mais brandas
e as pedras sagradas
em que se escondem as cartas das Amadas.

Em ritmo e verdade celebram a desventura
de nosso desviver e a incessante loucura
do entardecer fatal da Poesia.
Às vezes, têm o cristal puríssimo do dia,
mas chegam com leveza de pés de bailarinas
ou de róseas algas vespertinas
dormindo sobre espumas. E são brumas
abrindo-se no verso como rosas,
frágeis e formosas,
quais luzes de estrelas num rondó.
E mesmo poucas e loucas
estão nos sete anos de Jacó.

Os poetas são seus turiferários,
que êxtases ofertam, nos itinerários,
com um canto a prolongar
por terras de Aragão, ou às margens do Jordão,
fazendo do sonho uma estrela polar.
Em seu ir e vir
pelos campos desertos ou as tardes de Ofir,
tentam limpar a pátina e o bolor
do tempo interior.
Ou fazem renascer o perfume e o lume
da espera e da vida.
E essa é sua glória. Sua lida.
Seu barco, a descer, lento
pelos rios de nosso pensamento,
enquanto em sedução e solidão
transformam-se em abismo ou alumbramento.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Soneto autobiográfico

O meu modo solene, o jeito vago,
A metódica forma de enfrentar
Os problemas, as lutas, o deixar
E as outras cousas que em silêncio trago,

Nasceram quais nenúfares no mar,
Ou serenas visões de um grande lago.
Mas nunca os procurei, tampouco afago.
A minha face externa, singular.

Habito etérea torre em decadência,
Mas essa é minha marca de existência.
O meu destino. Ou sorte. Ou meu fanal.

No coração, contudo, vos abraço
E sigo pelo sonho passo a passo,
Tentando ser moderno e provençal.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Momento

O vôo dos pássaros prolonga
a beleza das tardes.
E há, em nosso olhar,
um vasto
dealbar.
Tudo, em grandeza, torna-se possível.
O visível nasce do invisível.
As nuvens acenam, de repente.
E aquilo que emergiu
é o emergente.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Num sonho

Em minhas mãos tomo teu rosto agora
E não sei se esse gesto vai ferir-me.
Não sei se fico aqui, pensando em ir-me,
Ou se a teus pés sucumba sem demora.

Tenho medo de amar! Vou demitir-me
Desse ofício de sonhos. Vou-me embora.
Mas, o Amor me chama e nele ancora
O meu jeito de ser e de exprimir-me.

Tomo teu rosto, então, por um minuto.
Um grande amor, do eterno claro fruto,
Envolve-me de todo e com loucura.

Entregue fico então ao meu desejo
E ficas em meus braços e te beijo
E morres de prazer e de ventura.
——————–

Fonte:
http://www.revista.agulha.nom.br/artur4.html#soneto

Artur Eduardo Benevides em Xeque

Entrevista realizada por João Soares Neto, em julho de 2005.

Artur Eduardo Benevides é uma das maiores expressões poéticas do Ceará, ganhador de vários prêmios nacionais. Ter sido eleito o 4o. Príncipe dos Poetas Cearenses não foi uma mera campanha encabeçada por Itamar Espíndola, mas uma eleição aberta e um ato de justiça poética.

Artur, formado em direito, foi um dos primeiros professores da Universidade Federal do Ceará, da qual tornou-se Professor Emérito.

Artur foi o homem que trouxe a Academia Cearense de Letras para o chão da realidade do Palácio da Luz e nele albergou as diversas e plurais academias que cuidam ou imaginam cuidar das artes e da literatura cearenses.

As respostas a este questionário, curtas, diretas e objetivas, refletem um momento pessoal novo na maturidade existencial que Artur está vivenciando, após deixar o comando efetivo da Academia Cearense de Letras. Agora, Artur dedica-se mais ao pensar, entremeado com o exercício de várias presidências de honras de academias cearenses.


JSN - Como eram Pacatuba e sua família?

ARTUR EDUARDO BENEVIDES - Pacatuba, mais do que uma cidade, era um estado de espírito. E minha família, que desfrutava de prestígio político e situação econômica satisfatória, vivia imensamente feliz, num clima de fraternidade.

JSN - Fortaleza foi atração ou porta natural?

AEB - As duas cousas. Quando a conhecemos todos nós a amamos.

JSN - Como era a Fortaleza da sua juventude?

AEB - Serena e poética. Uma ilha de paz.

JSN - Você reescreveria o seu primeiro poema?

AEB - Não sei. A estrada da criação literária foi longa, com mais de quarenta livros publicados, sendo a maioria poesia. Além disso, a linguagem literária se aperfeiçoa com o tempo e se enriquece.

JSN - O poeta nasceu no Grupo Clã ou já estava feito?

AEB - Fui um dos fundadores do Grupo, o maior que o Ceará já teve, e já havia publicado muitos versos.

JSN - Afinal, CLÂ é mais memória ou foi realidade mesmo?
AEB - Realidade das melhores e memória das maiores.

JSN - Que caminhos lhe surgiram, além da poesia?

AEB - O ensaio e o conto. Jamais tentei o romance e o teatro.

JSN - A UFC foi pedra ou luz no seu caminho?

AEB - Foi uma grande luz no meu caminho. Mas, ajudei a acendê-la.

JSN - Quem era Martins Filho?

AEB - Um dos dez maiores cearenses de todos os tempos. Um exemplo de trabalho e de idealismo.

JSN - Quem ajudou Martins Filho a ser o que foi?

AEB - A sua fé, a sua esperança e o seu profundo desejo de ajudar o nosso estado. Ao lado disso, a colaboração de alguns companheiros que ele chamou para a grande tarefa de criar um novo Ceará.

JSN - O Professor Artur era severo ou bonachão?

AEB - Nem uma cousa, nem outra. Era, como ainda sou, um homem que sonha e se mantém fiel ao seu destino.

JSN - Mário Quintana disse que um poeta deve escrever como se fosse o último vivente sobre a Terra. Você concorda?


AEB - Inteiramente. Sem isso, não atingirá suas metas, nem realizará sua missão.

JSN - Um poeta define amor sem fazer verso?

AEB - O amor independe disso. É uma iluminação. E quem ama atinge a sua plenitude.

JSN - Quais foram as suas ilusões ao se tornar poeta?


AEB - Não houve ilusões. A poesia era o meu caminho.

JSN - Namorar tem hora, tempo e lugar?


AEB - Namorar é um processo inesperado que nos ajuda no enriquecimento de nossa alma.

JSN - Quais de suas obras você gosta mais?


AEB - Para quem escreveu mais de 40 livros, em poesia, ensaio e conto, difícil dizer.

JSN - Como entrou na Academia Cearense de Letras?

AEB - Indicado, sem que nada soubesse, pela inesquecível Henriqueta Galeno.

JSN - O que é a Academia?

AEB - No gênero, a instituição mais antiga do Brasil, anterior à Academia Brasileira de Letras. Somos , irrecusavelmente, capítulo especial de nossa História, com uma caminhada que se inicia a 15 de agosto de 1894, em sessão realizada no Salão de Honra da Fênix Caixeiral, de que participaram, entre outros, o Barão de Studart, Justiniano de Serpa e Farias Brito, o grande filósofo que o Ceará deu o Brasil. (Revista ACL, 93/94, 149). A ACL,no conteúdo e na ação, é uma força a serviço da cultura cearense.

JSN - Como é ser presidente entre os iguais?


AEB - Dirigi a Academia durante doze anos, sendo hoje Presidente de Honra, e nunca tive problemas. Procurei manter-me como um acadêmico igual aos companheiros. E recebi a ajuda de muitos.

JSN - Do Edifício Progresso para o Palácio da Luz (antiga e atual sede da Academia) foi só atravessar a rua?

AEB - Foi muito mais. O Palácio da Luz, para onde chamei todas as instituições culturais do Ceará, que não tinham sede, nos foi dado por Lei pelo então Governador Tasso Jereissati. E hoje é a grande Casa da Cultura Cearense, cousa de que me orgulho.

JSN - O que você considera o marco de sua vida?
AEB - A Poesia. E o que, realmente, haverá de mais importante para qualquer escritor do que a procura da beleza, a que serviram Apolo e Dionísios e todas as Musas, e todas as Ninfas, e todos os Anjos, e todos os bardos e menestréis do mundo, e todos quantos morreram de amor?(revista ACL, 93/94, pág.151)

JSN - Você, que é o Príncipe dos Poetas Cearenses, foi eleito ou escolhido?

AEB - Fui eleito por dezessete instituições culturais do Ceará, sob a coordenação do inesquecível Itamar Espíndola. O primeiro Príncipe foi o Padre Antônio Tomaz; o segundo, Cruz Filho; o terceiro, Jader de Carvalho; o quarto, eu.

JSN - Você se considera da Geração de 45?

AEB - Eu e todo o Grupo Clã. A Geração de 45, como as demais, não se mede por idade, mas pelas idéias e caminhos.

JSN - Se tivesse que escolher três nomes, entre Camões, Baudelaire, Pessoa, Castro Alves, Drummond, Francisco Carvalho e Shakespeare, com quem ficaria?
AEB - Ficaria com Camões (o lírico), Fernando Pessoa e Shakespeare.

JSN - Goethe dizia que "nós somos seres coletivos". Um poeta é um ser coletivo?

AEB - Como representante do pensamento de uma época e sintetizador de seus sentimentos, sim.

JSN - O que o fez disputar vaga na Academia Brasileira de Letras?

AEB - Um momento de burrice. A ABL é um órgão fechado e quase todo os seus membros são cariocas. Quem mora longe, dificilmente chega lá. O Arnaldo Niskier, criticando isso, disse-me certa vez que ela deveria chamar-se Academia Carioca de Letras. Veja o exemplo de nossa Rachel de Queiroz: só foi eleita depois de ir morar no Rio...

JSN - Qual é o futuro da Poesia?

AEB - A poesia é eterna. Desde Homero ou Salomão, ou antes. Dos poemas de Homero, aliás, nasceu o romance. E os versos de Salomão fazem parte da Bíblia. Com o material transcendente da criação, trabalham, em todas as épocas os grandes poetas e escritores.

JSN - Falando sobre aspectos polêmicos da Obra de Shakeapeare você põe em dúvida a legitimidade da autoria e o problema da originalidade. Por quê?

AEB - Se examinarmos o problema da originalidade e legitimidade da autoria, em relação a grandes obras da literatura universal, veremos que algumas delas seriam adaptações de outras, ou a erudização de temas populares aproveitados, com maior largueza e beleza de linguagem, em criações que se tornariam inesquecíveis. Para citar apenas três dos mais importantes autores do mundo, estariam nesse rol a Odisséia, de Homero, o Hamlet de Shakeapeare, e o Fausto, de Goethe, todos três recriados de histórias mais antigas, que pertenciam ao patrimônio da cultura popular.

JSN - Quer dizer, então, que, por exemplo, Romeu e Julieta é um plágio?

AEB - Romeu e Julieta é inspirado em lenda muito antiga, da qual se conhecem as recriações de Xenofonte, de Masuccio de Salerno, e Luigi da Porto, Mateo Bandello e Arthur Brocke. Acrescente-se o fato de que as duas famílias rivais, de Verona, estão mencionadas por Dante no Canto VI do Purgatório, na Divina Comédia. Coube a Shakespeare, portanto, uma das versões, a mais bela de todas, não sendo, contudo, uma criação rigorosamente sua, da mesma forma que a história do Barba-Azul não é de Perrault, mas aproveitada do lendário popular.

JSN - Como é estar maduro?


AEB - É saber ver as cousas na verdade de sua essência, exercitando-se no espírito de compreensão e de justiça. E aproveitando, uns poucos versos de The Tempest ... our litle life is rounded wiht a sleep. E nesse sono que rodeia a nossa vida estão todas as mágoas e esperanças, ou todas as vigílias e solidões do ser humano.

JSN - Se não fosse poeta?

AEB - Essa hipótese, em minha vida, não tem sentido. Poesia, para mim, mais que Literatura, é vida.

JSN - O amor envelhece?


AEB - Se envelhecer, não é amor.

JSN - Há segunda época no amor?

AEB - Sim, principalmente se for para vive-lo com mais grandeza e dignidade.

JSN - Que amigos você conversa desde a juventude?

AEB - Poucos, mas não mencionarei os nomes, pelo temor de esquecer algum...

JSN - Com quem fala o impublicável?


AEB - Com ninguém.

JSN - Como escreveria uma mini-biografia sua ou um perfil?

AEB - Não gostaria de faze-lo. Que outros o façam.

JSN - Qual a diferença entre a Fortaleza de ontem e a de hoje?
AEB - A primeira era mais bela e mais humana. A segunda perdeu muito de sua substância poética.

JSN - Qual a importância da Academia Cearense de Letras na cultura cearense do século XX?

AEB - A Academia foi o mais importante órgão cultural do nosso Estado, ao lado do Instituto do Ceará. E continua com a mesma importância.

JSN - Você acha que a frase - "Os eventos futuros projetam sua sombra muito antes", atribuída a Cícero, tem real sentido?

AEB - Sim. A trilogia do tempo é, às vezes, um mistério e os elementos se interligam. O que somos, fomos. Por ação direta ou indireta.

JSN - O que é a fé e como ela se manifesta?


AEB - A fé é a esperança em súplica, revestida de amor. É força que projeta o espírito em suas múltiplas manifestações, sendo fundamental no ato de viver.

Fonte:
http://www.joaosoaresneto.com.br/entrevistas_artur_eduardo.asp

Machado de Assis (Gazeta de Holanda) N.° 32 – 18 de outubro de 1887

Tudo foge; fogem autos,
Fogem onças, foge tudo.
Ó guardas moles e incautos!
Ó corações de veludo!

Uma onça, que vivia
Em casa de uma senhora,
Viu aberta a porta um dia
Da gaiola, e foi-se embora.

Na roça? Não; na cidade.
Que cidade? É boa! a tua.
Dou mais esta claridade:
Era na rua... na rua...

Rua da América... Pronto!
Mas, se não leste a notícia,
Cuidarás que é isto um conto,
É talvez conto e malícia.

Não, amigo. Era uma onça,
Tinha aos três anos chegado;
Vivia discreta e sonsa
Em casa, num gradeado.

Vai senão quando, — um descuido —
Deixaram-lhe aberta a porta,
E a onça sentiu um fluido
Que não sente onça já morta.

Sentiu passar-lhe no lombo
O fluido da liberdade,
E, ligeira como um pombo,
Deixou a casa da grade.

Nenhum liberal, que o seja
Como deve, achará livro
De tantos da sua igreja
Que condene este carniv’ro.

Pois se foge o papagaio,
O macaco, a patativa,
Seja outubro, seja maio,
Tenha ou não tenha mãe viva,

Que muito é lá que uma nobre
Onça das brasílias matas,
Logo que possa, recobre
O uso das sua patas?

Lá por viver entre gente
E canapés delicados,
Não acho suficiente
Para condená-la a brados.

Certo é que fugiu. Bem perto,
Duas casas logo abaixo,
Achou como que um deserto,
E resolveu:”Lá me encaixo”.

Era casa em obras. Passa
Todo o sábado e domingo,
Sem comer sombra de caça,
Sem beber de sangue um pingo.

Na segunda-feira, cedo
Sobe ali um operário,
Despido de qualquer medo:
Vai ganhar o seu salário.

Casualmente (bendito
Seja Deus!) o desgraçado
Vê o olhar da onça fito
De dentro de um tabuado.

Foge; muita gente acode
Armada, e com laço e rede,
A ver se apanhá-la pode;
Ela, com fome e com sede,

Fere o pé a um bom valente,
Mas é já laçada, e morre
Á faca da demais gente,
Que ali bravamente corre.

E porque não era grave
A ferida recebida,
Fechou-se com dura chave
A história, e mais a ferida.

E disse alguém, que não erra
Ocasião de uma vasa:
— “Que há mais natural na terra
Que criar onças em casa?

“Quando muito, demos graças
Aos deuses, que esta podia
Matar duas ou três praças,
E toda um inspetoria.

“Não há onças espanholas?
Não há onças desgraçadas
Estas não rugem nas solas
Das botas acalcanhadas?

“Virá tempo em que não ande
Pessoa que se respeite
Sem uma onça já grande,
Ou, pelo menos, de leite.

“Que toda a senhora fina,
De passeio ou de passagem,
Tenha uma onça menina
Ao lado, na carruagem.

“Que algumas fujam, que trinquem
O pé a qualquer pessoa,
Ou por mal, ou porque brinquem
Pode acontecer, é boa!

“Mas quem já viu neste mundo
Progresso sem sacrifício?
Sangue que corre é fecundo,
E há virtude que foi vício.

“Cavalo que anda direito
Já foi bravio e inquieto,
Onça que morde um sujeito,
Talvez não lhe morda o neto.

“Vamos, pois, encomendemos
Onças, muitas onçazinhas,
E nos quintais as criemos,
Como se criam galinhas”.

Fonte:
Obra Completa de Machado de Assis, Edições Jackson, Rio de Janeiro, 1937.
Publicado originalmente na Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, de 01/11/1886 a 24/02/1888.

Tércia Montenegro (Linha Férrea)

Não conseguia mais dormir. Observava o sono do velho: braços e pernas estirados, inúteis. Apenas a cabeça permanecia viva, para dar ordens em alta voz e lançar olhares cheios de fúria.

No começo, quando era um menino, o velho quis educá-lo; funcionou como uma família inteira, com todos os cuidados. Era rico, sem herdeiros __ foi fácil apegar-se àquela criança magra e suja que se divertia improvisando armadilhas para aves, pelo simples prazer de segurá-las e ir arrancando, uma a uma, as penas de suas asas.

Depois do desastre, tudo mudou. O menino, já adolescente, via-se obrigado a cuidar daquele homem transformado em estranha carcaça, que bem se poderia jogar num canto esquecido, não fossem os gritos que ecoavam pela casa.

“É como uma linha férrea desativada” __ o médico lhe mostrava o raio-X, levantando a chapa contra a luz. Lá estava a coluna vertebral, na estrada completa, com todos os seus ossinhos aparentemente em perfeito estado. Mas agora não servia para mais nada, os membros paralisados, a teia dos músculos já frouxa. O velho precisaria de atenção constante: para ir ao banheiro, para passear na cadeira de rodas (estofada como um sofá), para mudar os canais da televisão... E os gritos a cada momento. Chamava o rapaz por qualquer motivo, um copo d'água que era preciso levar aos lábios, a mosca que lhe zumbia sobre a testa.

Ele quis contratar um enfermeiro, mas não conseguiu convencer o velho __ era seu filhinho, não podia abandoná-lo na mão de qualquer pessoa. A partir daí nasceram os olhares de ódio, única ameaça do pai adotivo, intimidação silenciosa que dizia o que a voz não arriscava.

Os dias eram todos iguais, e a rotina lhe trazia certa habilidade com as tarefas. Fazia tudo no horário certinho: comida, banho, barba. Escovava os dentes do boneco de carne, penteava o cabelo escasso. E os assuntos repetidos, que ele respondia com silêncio, mas não podia deixar de escutar, desesperado com as mesmas histórias, as queixas. Por que o velho não fazia como os pássaros, que nem piavam nem nada, com as penas extraídas como dentes e as asas ao final completamente peladas, dois bracinhos tortos e nus, pingados de sangue?

O velho, porém, falava. Os olhos, se os buscasse, eram sempre iguais, inflamados de raiva, ódio de estarem ali, presos, enquanto o rapaz poderia passeá-los por onde quisesse, qualquer paisagem, qualquer corpo __ era livre, móvel. A cada momento poderia deixá-lo, aproveitar a vida... mas ele não permitiria que aquilo acontecesse. Havia a herança, uma fortuna em dinheiro e terras. Certa vez mesmo disse o valor de seu testamento, incentivou o filho a falar, e foi das poucas vezes em que o rapaz conversou com ele. Os olhos então ficaram alegres __ o seu menino fazia planos, ia comprar um carro belíssimo, hein? E uma fazenda, que tal? O dinheiro dá e sobra. Fazendona cheia de bichos. E viagens __ poderia viajar para onde quisesse, sair daquele fim-de-mundo. Verdade que tinha enriquecido ali, as terras eram boas e o povo, ingênuo. Mas para os jovens aquilo devia ser uma cidadezinha de merda, sem diversão nenhuma, hein? Se era!

O rapaz chegou a rir, excitado pelos projetos. Dava palmadinhas na coxa do velho, que também se exaltava, esticando o pescoço. Ainda falaram de bebidas e mulheres, parecendo antigos companheiros de bar, até que o homem tossiu uma, duas vezes __ e se calou. Depois o olho ficou novamente sério, a voz agravou-se:

__ Mas isso tudo, eu lhe digo, só depois da minha morte. Até lá, você fica comigo, é sua obrigação.

Sinal de cabeça, afirmativa a contragosto. Como se um forte vento tivesse destruído a armadilha de gravetos e o passarinho emplumado já voasse bem longe... De volta às tarefas de sempre, tudo no horário certo. Mas ele não conseguia se concentrar mais em nada, nem dormir.

Caminhava pela sala silenciosa, dissolvido na penumbra, sem formas. Sala ampla, com a coleção de relógios antigos respirando metalicamente. Tão jovem, ele. Bonito, até __ olhava-se no espelho, às vezes, e gostava do rosto moreno, de feições firmes. Tão distante da velhice, daquele cheiro adocicado que o tempo traz. A pele bamba despregando pouco a pouco da carne e da vida: tudo inútil, depois. Abre a porta da frente __ o jardim está quase morto, repleto de folhas secas. Agora observa outra vez a chapa contra a luz. Uma linha férrea, sim. Sem ligações nervosas, sem circuitos, o trenzinho parado não se sabe em que canto do corpo, enferrujando.

Naquela cidade, a estação fica distante, os trilhos são longos e cortam as principais ruas e a praça. Lembra-se do primeiro encontro com o velho: ali perto, ao pé da ferrovia, ele menino, vendo aquele homem que andava normalmente e tinha descido do trem sem precisar de ajuda, sem imaginar que ficaria inválido. Um convite para almoçar: ele, tão magro e sujo, adorou o bife com batatas. Depois, quando o homem o chamou para a casa, pensou que ia ser sempre assim, todo dia, filhinho-e-papai.

Entrou no quarto do velho. O sono custoso, sufocado, lábios soltos preparando ordens. Amordaçá-lo, sim. Como a um cão raivoso. Nunca mais ouvir seus gritos chamando, lá da cozinha, do banheiro. O homem se tornou essa cabeça aflita que não pára de ordenar. O resto do corpo é indiferente __ poderia encostar ferro em brasa na pele: tudo morto.

Pela noite, o passeio na cadeira-sofá; ele vai empurrando por trás e assim não vê os olhos do velho, de boca amordaçada, braços e pernas acorrentados na própria paralisia. “Vamos rever o local do nosso encontro, papai” __ a voz baixa, só ela, no escuro.

Amanhã será livre. Dinheiro, terras, viagens __ por que o velho foi falar? Talvez ele nunca tivesse pensado naquilo. O trem das onze chega logo. Sente um arrepio: a luz do poste iluminou o rosto do homem, o mesmo que descia na estação, anos atrás. Não podia imaginar que um dia estaria deitado na linha do trem, com o menininho lhe ajeitando os membros, cuidadoso como se buscasse o equilíbrio entre as madeiras de uma gaiola.

Afasta-se. Pensa em voltar rápido para casa; a cadeira de rodas leve, ágil. Mas não resiste a um impulso: o de ver os vagões correndo, correndo, atravessando a linha férrea e correndo, correndo.

 (Tércia Montenegro, Linha Férrea)

Fonte:
MACIEL, Nilto. Contistas do Ceará: D’A Quinzena ao Caos Portátil. Fortaleza/CE: Imprece, 2008.

Nilto Maciel (Contistas do Ceará) Tércia Montenegro

Tércia Montenegro Lemos (Fortaleza, 1976) tem graduação em Letras, mestrado em Literatura Brasileira e doutorado em Linguística pela Universidade Federal do Ceará. Publicou os livros de contos O Vendedor de Judas (Fortaleza: Edições UFC, 1998; 2 ed, Fortaleza: Demócrito Rocha, 2003), que recebeu o prêmio Funarte; Linha Férrea (São Paulo: Lemos Editorial, 2001), que recebeu a Bolsa para Escritores Brasileiros da Biblioteca Nacional e venceu o Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, promovido pela Revista Cult, em 2000; e O resto de teu corpo no aquário (Fortaleza: Secult, 2005), Prêmio Secretaria da Cultura do Estado do Ceará em 2004. Em 2005, recebeu os prêmios Osmundo Pontes e Fran Martins, pela Academia Cearense de Letras. Escreveu ainda o ensaio biográfico Oliveira Paiva (Fortaleza: Demócrito Rocha, 2003) e participou das antologias 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Rio de Janeiro: Record, 2004), Contos Cruéis (São Paulo: Geração Editorial, 2006) e Quartas Histórias – contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa (São Paulo: Garamond, 2006). Tem dois livros infantis, Um pequeno gesto (Fortaleza: Demócrito Rocha/ APDMCE, 2006) e O gosto dos nomes (Fortaleza: Seduc, 2006).

No mais das vezes, os primeiros livros, mesmo de escritores menos jovens, demonstram imaturidade de seus autores, quando não são notórios a falta de leituras, sobretudo dos clássicos, e de exercício da escrita, imprescindível ao seu aprimoramento.

“O Vendedor de Judas”, conto que dá título ao volume, mostra que pelo menos em dois pilares da cultura a nova contista fincou os pés (ou a cabeça): os textos bíblicos e o folclore. Para intitular o livro, valeu-se do conto inspirado no mito bíblico da traição. O conto, porém, se centra no folclore de Judas, as comemorações profanas do Sábado de Aleluia, em que o “personagem” é um boneco, para ser vendido. Mercadoria, portanto. Não chega, pois, a personagem. Ou seja, os papéis se invertem: Judas, o vendedor de Cristo, se transforma em boneco a ser vendido e queimado. O protagonista do conto é, na verdade, um fabricante e vendedor de “bonecos esculpidos em madeira clara”.

Mas vejamos alguns aspectos da carpintaria da contista. Comecemos pelos personagens, sempre poucos em cada história. Tão poucos que em alguns contos estão em completa solidão. Em “A Espera”, o preso à espera da visita de uma filha que lhe promete levar fotos de outra filha, morta, e “o abraço impedido pelas grades”. Em “Um Poeta”, os três personagens “sentados no jardim, pensando em morrer.” Em “A Longa Espera”, o velho que “ficou só, no casarão alpendrado, com as terras diminuídas e a esposa cada vez mais magra, resmungando sozinha.” A solidão dele e a dela, mesmo vivendo na mesma casa. Em “A Inspetora”, D. Mozarina, vivendo apenas de lembranças: “fecha as janelas, arreia-se numa cadeira, abanando o pescoço com o decote.”  Em “Himalaia”, o menino órfão no farol abandonado, “aquele fio de terra, herança de três gerações.” Em “O Mestre”, um pobre coitado que já viveu na riqueza e terminou mendigo: “na maior parte do tempo, o mestre fica mesmo é calado, com seu ar prepotente, olhando as páginas abertas dos muitos livros.” E o que dizermos do velho viúvo à procura da esposa, pelos povoados, enlouquecido, angustiado (“A Longa Espera”)? São personagens sofridos, quase sempre às voltas com fantasmas do passado.

Há uma relevância do passado no contexto de algumas narrativas, o que se contrapõe às lições de teóricos da ficção menor. Em “A Espera” o marido esfaqueara a esposa, “numa crise de ciúmes”, e, em consequência, a mãe da jovem também morrera, poucas horas após a consumação do crime. Alguns contos lembram os de Moreira Campos, pela carga de sofrimento, angústia, solidão das personagens, assim como pelo andamento dos incidentes, os diálogos, a caracterização das personagens, o desfecho. Essa narração de fatos do passado é absolutamente necessária ao entendimento do leitor, sob pena de o conto se tornar ilegível. Isso se repete em “Vitorina”, uma aleijada que nutrira paixão por um rapaz, depois feito padre e morto no mar. Um dos melhores contos do livro.

Em alguns dos contos de TM o tempo narrado se alonga, sem prejuízo dos incidentes centrais da trama. De qualquer forma, quase todas as narrativas principiam no passado, quando não descrevem traços do protagonista ou o ambiente. Vejamos: “A cidade era pequena” (“O Vendedor de Judas”); “Era longo o caminho de terra e mato” (“O Franciscano”, no qual a trama esconde o homossexualismo do protagonista); “Ninguém se lembra mais de quando ele apareceu” (“O Mestre”); “Dos três, João é o mais inquieto” (“Um Poeta”) e outros.

No desenrolar das tramas, Tércia se serve ora de narração ora de diálogos, estes sempre bem dosados, curtos, sem apelos a gírias, modismos ou regionalismos. Vale ressaltar que os espaços das ações nunca são nominados, sejam cidades ou logradouros, sendo perceptíveis, porém, o espaço das pequenas cidades nordestinas. Num conto há um Mercado Central, que pode ser o de Fortaleza. Em outros há referências a um botequim da esquina, a uma padaria da esquina, a “uma barraquinha tosca, cheirando a peixe”, talvez referência às praias de Fortaleza. Em outras histórias aparecem peitoril da janela, anões de jardim, estátuas de gesso, bibelôs de porcelana, mesa de jantar, chapéu, banquinho, roupas molhadas no varal, mocinhas à calçada, “desfazendo as tranças”, tudo a lembrar casas, velhas casas, ruas de cidadezinhas. Os “crimes de faca”, a “surra de cinturão grosso”, porcos e galinhas soltos no quintal ou no terreiro conduzem ao interior.

São raros os contos em que o espaço da ação principal está circunscrito a quatro paredes. Em “O Tapete Vermelho” é um convento de freiras, onde Irmã Querubina, “a mais ingênua de todas”, se vê a final catalisadora de um milagre. Em “O Poeta” três personagens numa casa em clima de sonho, como nos contos fantásticos. É uma das narrativas mais profundamente poéticas, uma das mais bem realizadas do livro. Linguagem bem elaborada, sem gorduras, como em outras. A praia, o farol, “a escadinha enferrujada do velho farol” em “Himalaia”. Em “Carnaval de antigamente” cabe ao leitor escrever as entrelinhas do enredo, completar o quadro. Em “Morte às Escondidas” menina vê avô morrendo, num quarto.

Em alguns contos o espaço da ação é difuso, como em “O Vendedor de Judas”. O protagonista ora se encontra no meio da rua a caminhar, ora num bar, ora num hotel, ora a caminho de volta, “perto da Serra Branca, a minúscula figura do homem montado num cavalo marrom.” Nesse conta a linguagem semelha a do cinema.

O ponto de vista é, nos dois últimos do volume, na 1.ª pessoa; nos demais, o narrador é onisciente. Em “Réquiem” um tom fantástico perpassa a narrativa. Professor particular de música recebe telefonema de amigo espírita, que teria psicografado réquiem em mensagem de  certo André Luís, um espírito. Em “O Sobrevivente” o clima é mais fantástico ainda. Uma peste assola a cidade. “A doença corrói por dentro, chegando ao coração.” A linguagem é profética, bíblica. Todos cairiam nas garras da pestilência.”

Há momentos de intensa poesia, especialmente em “Dois Búzios ao Mar”. Um casal indo ao mar, como num sonho de amor trágico. No entanto, não pode ser confundido com poema, por presentes todos os requisitos da ficção menor.

O Vendedor de Judas é uma demonstração do talento de Tércia Montenegro, assim como de sua dedicação à leitura de obras fundamentais da Literatura e ao exercício do ato de escrever e reescrever. Um exemplo a ser seguido, no que for possível, pelos que se iniciam nas Letras.

Fonte:
MACIEL, Nilto. Contistas do Ceará: D’A Quinzena ao Caos Portátil. Fortaleza/CE: Imprece, 2008.

V Concurso de Contos do Grupo Livrarias Curitiba (Prazo: 28 de Fevereiro de 2014)

1. Do Concurso Cultural

O Concurso Cultural de Contos promovido pelo Grupo Livrarias Curitiba, doravante também denominada de promotora, é um concurso exclusivamente cultural artístico, com a finalidade de estimular a produção literária, premiando obras de novos talentos da literatura brasileira.

Poderão participar do presente concurso todas as pessoas físicas, residentes e domiciliadas em todo o Território Nacional, com idade superior a 18 anos, que apresentem textos em língua portuguesa totalmente inéditos (ainda não publicados e nem premiados), com temática livre e que queiram concorrer conforme as condições previstas neste Regulamento.

Trata-se de concurso sem subordinação a qualquer modalidade de área, pagamento pelos concorrentes, nem vinculação destes ou dos contemplados à aquisição ou uso de qualquer bem, direito ou serviço, realizado com base no art. 3º, II, da Lei 5.768/71 e art. 30 do Decreto 70.951/72.

2. Das inscrições

As inscrições serão gratuitas e, para concorrer, os interessados deverão, a partir das 0h do dia 01 de janeiro de 2014 até às 23h59 do dia 28 de fevereiro de 2014, enviar o formulário (clique aqui para fazer o download do arquivo http://www.livrariascuritiba.com.br/arquivos/FORMUL%C3%81RIO_V_Concurso_de_Contos.doc) preenchido constando: nome completo, CPF, cidade em que reside, telefone e e-mail para contato, além do título do conto e o conto. O arquivo preenchido deve ser enviado para o e-mail contos@livrariascuritiba.com.br e somente serão considerados válidos aqueles que chegarem até o último dia de inscrição. O arquivo de Word deverá ser renomeado e enviado com o nome do autor seguido pelo título do conto, por exemplo, “Rodrigo Domit - Psicose”.

Eventuais dúvidas quanto à inscrição no concurso, bem como sobre as regras do concurso, poderão ser esclarecidas através do e-mail indicado acima.

Não poderão concorrer, nem participar do concurso os empregados do Grupo Livrarias Curitiba, direta ou indiretamente envolvidos na sua organização.

3. Da Forma de Execução

Os participantes que se inscreverem na forma descrita no item anterior, poderão participar com até 02 (dois) contos, enviando-os em arquivos/formulários separados até o dia 28 de fevereiro de 2014 para o e-mail contos@livrariascuritiba.com.br, sendo que, cada conto, deverá conter no máximo 3.000 (três mil) toques, incluindo espaços e desconsiderando o título.

Serão considerados nulos e ficarão imediatamente desclassificados e impedidos de concorrer aos prêmios, a critério exclusivo e de acordo com a discricionariedade da promotora, os contos que:

- Contenham dados incorretos ou que de qualquer modo contenham informações incompletas ou que apresentem algum tipo de erro ou de inadequação ao disposto neste Regulamento.

- Possuam conteúdo considerado inapropriado ou contenham palavras e/ou expressões de baixo calão, contrárias à moral e aos bons costumes.

- Agridam a imagem, direta ou indiretamente, do Grupo Livrarias Curitiba ou de terceiros.

- Já tenham sido publicados e/ou divulgados por quais quer veículos de comunicação, no seu todo ou em parte.

- Contenham indícios de plágio.

- Não atendam as especificações exigidas e/ou quaisquer outras disposições deste Regulamento.

Na hipótese de recebimento pelo Grupo Livrarias Curitiba de dois ou mais contos idênticos ou significativamente similares, análogos e/ou que de qualquer forma possam ser interpretados como cópia ou reprodução, total ou parcial, apenas será considerada para os efeitos de inscrição, o primeiro conto a ser recebido pela Promotora, sendo os demais desconsiderados para efeitos de julgamento e/ou premiação, aplicando-se as demais disposições deste Regulamento.

Na hipótese do recebimento de três contos ou mais de um mesmo inscrito, serão considerados apenas os dois primeiros, pela ordem dos arquivos anexados ao e-mail.

4. Do Julgamento

A Comissão Julgadora reserva-se no direito de cancelar o concurso na hipótese de entender que o nível dos contos inscritos não seja satisfatório.

Os melhores contos serão selecionados por uma Comissão Julgadora constituída para os fins do concurso e composta por 03 (três) representantes da Promotora. As decisões desta Comissão Julgadora são soberanas e irrecorríveis.

A Comissão Julgadora escolherá os 6 (seis) melhores contos, segundo os seguintes critérios: criatividade, originalidade e adequação às normas gramaticais vigentes da Língua Portuguesa.

5. Da Divulgação do Resultado

No dia 17 de março de 2014, a Livrarias Curitiba divulgará o resultado no site http:/www.livrariascuritiba.com.br.

O ganhador receberá um e-mail do marketing do Grupo Livrarias Curitiba solicitando uma cópia do documento de identidade para comprovação de maioridade. Após a confirmação, será combinada uma forma de entrega do prêmio.

6. Da Premiação

Os autores de cada um dos 6 (seis) melhores trabalhos ganharão um vale-presente de R$ 500,00 (quinhentos reais) a ser gasto em qualquer uma das lojas físicas do Grupo Livrarias Curitiba ou nas compras on-line no site www.livrariascuritiba.com.br (em uma compra única sem taxa de frete para qualquer lugar para do Brasil) e terão seus contos publicados na revista ler&Cia. A ordem da publicação dos contos é de acordo com a data de envio da inscrição, podendo ser alterada sem aviso prévio:

1º Ganhador: 56ª Edição da revista ler&Cia – meses maio/junho de 2014;

2º Ganhador: 57ª Edição da revista ler&Cia – meses julho/agosto de 2014;

3º Ganhador: 58ª Edição da revista ler&Cia – meses setembro/outubro de 2014;

4º Ganhador: 59ª Edição da revista ler&Cia – meses novembro/dezembro de 2014;

5º Ganhador: 60ª Edição da revista ler&Cia – meses janeiro/fevereiro de 2015;

6º Ganhador: 61ª Edição da revista ler&Cia – meses março/abril de 2015.

Em caso de insuficiência de dados, telefone inexistente ou qualquer outra informação que impossibilite a equipe da Livrarias Curitiba de entrar em contato com o ganhador, este estará automaticamente desclassificado. Os prêmios serão entregues aos vencedores, sem qualquer ônus e nas condições deste Regulamento.

Em hipótese alguma o vencedor poderá trocar o prêmio ou recebê-lo em dinheiro, total ou parcialmente.

O participante declara estar ciente de que não estão incluídos no prêmio os valores relativos a quaisquer outros gastos fora do apresentado como prêmio, despesas estas que, se incorridas, deverão ser custeadas integramente pelo premiado.

Os prêmios são pessoais e intransferíveis, não se responsabilizando a Promotora por eventuais restrições que os contemplados possam ter.

Na eventualidade do participante ganhador vir a falecer, o prêmio será entregue ao respectivo espólio, na pessoa do seu inventariante.

O direito à reclamação do prêmio vale-presente de R$ 500,00 (quinhentos reais) extingue-se após o prazo de 180 dias, contados da data de divulgação do resultado.

7. Da Responsabilidade

Os participantes são responsáveis pela veracidade dos dados fornecidos no ato da inscrição, bem como por conceitos e opiniões expressados em seus trabalhos e pelos aspectos de natureza jurídica relacionados com as pessoas, instituições ou coisas mostradas ou que de alguma forma sejam objeto de alusão ou referência, não cabendo à Promotora nenhuma responsabilidade nesse sentido.

O participante assume a inteira e exclusiva responsabilidade na hipótese de constatação de plágio total ou parcial, sujeitando-se às penalidades da lei.

8. Das Considerações Gerais

Ao inscrever-se para participar deste concurso cultural, nos termos deste Regulamento, o participante estará automaticamente autorizando, desde já e de pleno direito, de modo expresso e em caráter irrevogável e irretratável:

- O uso gratuito, por tempo indeterminado, sem qualquer ônus ou encargo ao Grupo Livrarias Curitiba, de seu nome, sua imagem e sua voz em arquivos e/ou meios digitais ou não, digitalizadas ou não, bem como em cartazes, filmes e/ou spots, jingles e/ou vinhetas, em qualquer tipo de mídia e/ou peças promocionais, inclusive em televisão, rádio, jornal, cartazes, faixas, outdoors, mala-direta e na Internet, para a ampla divulgação da conquista do prêmio e/ou do conto vencedor.

- O uso, bem como cedendo todos os direitos patrimoniais relativamente ao conto criado, inclusive, mas sem limitação, os direitos de expor, publicar, reproduzir, armazenar e/ou de qualquer outra forma dela se utilizar, em caráter gratuito e sem qualquer remuneração, ônus ou encargo, podendo referidos direitos serem exercidos por meio de cartazes, filmes e/ou spots, jingles e/ou vinhetas, bem assim em qualquer tipo de mídia e/ou peças promocionais, inclusive em televisão, rádio, jornal, cartazes, faixas, outdoors, mala-direta e na Internet, para a ampla divulgação do conto vencedor, deste concurso e/ou de seu desenvolvimento posterior.

As autorizações descritas acima são com exclusividade e não significam, implicam ou resultam em qualquer obrigação de divulgação nem de pagamento, concordando ainda os vencedores, inclusive, em assinar eventuais recibos e instrumentos neste sentido e para tal efeito, sempre que solicitado pela Promotora.

Ao inscrever-se para participar neste concurso, nos termos deste Regulamento, os participantes estarão automaticamente ainda:

- Autorizando, reconhecendo e aceitando que os dados pessoais e demais informações são verdadeiras e que passam a ser de propriedade da Promotora que poderão utilizar tais dados para os fins necessários para a adequada realização e conclusão deste concurso.

- Assumindo plena e exclusiva responsabilidade pela autoria do conto, por sua originalidade, por seu ineditismo e por sua imagem, incluindo, sem limitação, responsabilidade por eventuais violações à intimidade, privacidade, honra e imagem de qualquer pessoa, a deveres de segredo, à propriedade industrial, direito autoral e/ou a quaisquer outros bens juridicamente protegidos, eximindo a Promotora de qualquer responsabilidade relativamente a tais fatos, aspectos, direitos e/ou situações.

- Conhecendo e aceitando expressamente que a Promotora não é responsável, nem poderá ser responsabilizada, por qualquer dano ou prejuízo oriundo da participação neste concurso ou da eventual aceitação do prêmio.

- O presente Regulamento do V Concurso de Contos poderá ser alterado, suspenso ou cancelado, sem aviso prévio, por motivo de força maior ou por qualquer outro fator ou motivo imprevisto que esteja fora do controle da Promotora e que comprometa o evento de forma a impedir ou modificar substancialmente a condução deste como originalmente planejado. Caso haja alteração em item(ns) deste concurso, na qual os participantes efetivamente inscritos não concordem com os termos alterados, poderão cancelar a inscrição de participação, a fim de se liberarem das obrigações ora assumidas.

Quaisquer dúvidas, divergências ou situações não previstas neste regulamento serão julgadas e decididas de forma soberana e irrecorrível pela Promotora.

A participação neste concurso cultural acarreta a aceitação total e irrestrita de todos os itens, cláusulas e condições deste Regulamento e não gerará ao participante e/ou contemplado nenhum direito ou vantagem que não estejam expressamente aqui previsto.

Fonte:
http://www.livrariascuritiba.com.br/content.aspx?idChannelType=1&idChannel=37

I Concurso Literário Sarau da Onça (Prazo 20 de fevereiro de 2014)

Com o propósito de dar visibilidade a escritores maiores de 15 anos residentes em Salvador. Os textos inscritos serão avaliados por uma banca composta por cinco pessoas indicadas pelo coletivo Sarau da Onça. As inscrições estarão abertas de 10.01.2014 a 20.02.2014, via e-mail saraudaonca@gmail.com, para o qual os interessados deverão enviar o máximo de cinco poemas, inéditos ou não, cujo tema é livre, dos quais apenas dois serão selecionados.

Junto com os poemas os autores devem encaminhar nome completo, endereço, telefones e e-mail de contato, bem como uma minibiografia de até cinco linhas falando de suas atividades literárias e artísticas. Cada poema deve se limitar a vinte e cinco linhas. O lançamento está previsto para 10.05.2014, com recital e noite de autógrafos,  na sede do CENPAH.

REGULAMENTO

O Coletivo Sarau da Onça torna pública a realização do I Festival de Arte, Cultura e Concurso Literário Sarau da Onça, para a escolha de composições que irão compor a primeira antologia poética do evento.

Art. 1º O Sarau da Onça por meio deste regulamento abre inscrições para o Primeiro Concurso Literário Sarau da Onça 2014.

Parágrafo único – O tema é livre.

Art. 2º – Podem participar do Concurso todos os Soteropolitanos, público em geral, de qualquer região da Cidade do Salvador e Região Metropolitana.

Parágrafo único: - Para participantes selecionados da Região Metropolitana de Salvador, será obrigatória a presença no lançamento do livro, para o recebimento dos exemplares.

§ 1º – Membros da equipe de produção do Sarau da Onça também podem participar deste concurso.

§ 2º – Vetada a participação de membros da comissão julgadora.

§ 3º – Podem participar brasileiros natos, ou naturalizados brasileiros, maiores de 15 anos, com texto em língua portuguesa. Que residam na cidade do Salvador

Art. 3º – As inscrições podem ser feitas somente através do e-mail saraudaonca@gmail.com, no período de 10 de Janeiro de 2014 até 20 de fevereiro de 2014.

Art. 4º – Cada participante poderá inscrever no mínimo 02 (dois) e até 05 (cinco) poemas, dos quais 02 (dois) serão selecionados fazer parte da antologia. Os poemas não precisam ser inéditos.

§ 1º – Os poemas devem ser enviados via internet e devidamente identificados com nome, endereço residencial completo, CPF, telefone, e-mail e título(s) do(s) poema(s), obedecendo aos seguintes critérios:

a) Os poemas devem ser digitados em editor de texto eletrônico (Word);

b) Fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12;
 
c) Cada poema não deve exceder o limite de 25 linhas;

§ 2º – As inscrições são gratuitas

§ 3º – Ao se inscreverem, todos os candidatos aceitarão automaticamente todas as cláusulas e condições estabelecidas no presente regulamento.

Art. 5º - Entrega de 05 (cinco) exemplares do livro para cada autor selecionado presentes no dia do lançamento do livro.

§ 2º – Serão 100 (cem) poemas classificados.

§ 3º – Publicação de livro com os poemas classificadas, com edição de 1.000 (mil) exemplares.

§ 8º – Menção honrosa no livro para os 10 melhores poemas.

Art. 6º – A Comissão Julgadora será escolhida pela Comissão de Organização do Concurso e será composta por 03 (três) membros.

Parágrafo único – A Comissão Julgadora terá autonomia no julgamento, que será regido pelos princípios da originalidade e linguagem poética.

Art. 7º – O resultado do concurso será divulgado no dia 1º de março de 2014 pelo site:
saraudaonca.wordpress.com e sites parceiros: www.galinhapulando.com,
http://cenpah.wordpress.com/ etc..

Art. 8º - Os livros serão entregues na edição especial do Sarau da Onça de lançamento da antologia.

Parágrafo único - Os selecionados que não estiverem presentes na edição especial do Sarau da Onça de lançamento da antologia não receberão os exemplares.

Art. 13º – Os exemplares terão o selo da Editora Galinha Pulando.

Art. 14º – Do julgamento apresentado pela Comissão Julgadora, quanto à qualidade dos poemas selecionados, não caberá qualquer recurso, ficando esta medida adstrita às condições do concurso, dispostas nas cláusulas deste regulamento, que será julgado pela comissão de organização do concurso.
 
Para download da ficha de inscrição clique aqui
http://www.4shared.com/office/xcV7wsrLce/Ficha_de_inscrio_sarau.html

Fonte:
http://saraudaonca.wordpress.com

Prêmio Teixeira e Sousa de Literatura 2014 (Prazo: 7 de Fevereiro de 2014)

EDITAL Nº 1/2013

Edital de publicação do Prêmio Teixeira e Sousa de Literatura 2014

O SECRETÁRIO MUNICIPAL DE CULTURA DE CABO FRIO, no uso de suas atribuições legais, objetivando implementar as diretrizes da Lei nº 1.106, de 15 de outubro de 1991, torna público, para conhecimento dos interessados, o presente Edital de abertura do Prêmio Teixeira e Sousa de Literatura 2014.

1 DO OBJETO

Constitui objeto desta seleção pública selecionar, através de concurso, textos nas categorias Conto, Crônica e Poesia para serem contemplados pelo Prêmio Teixeira e Sousa de Literatura 2014.

2 DO OBJETIVO

Homenagear o escritor cabo-friense Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa, autor do primeiro romance brasileiro “O filho do pescador” e estimular a criação literária, premiando novos talentos.

3 DA INSCRIÇÃO

3.1 As inscrições estarão abertas no período de 9 de dezembro a 7 de fevereiro de 2014 na Secretaria Municipal de Cultura – SECULT, situada na Rua Itajuru, 131 – Largo do Itajuru –
CEP: 28905-060 ou enviadas pelos Correios para o endereço acima.

3.2 Não serão válidos os textos postados nos Correios após o dia 7 de fevereiro de 2014.

3.3 No ato da inscrição presencial o participante receberá um comprovante que confirmará sua inscrição no concurso. Para os textos enviados pelos Correios, a inscrição será confirmada no sítio oficial da Prefeitura: www.cabofrio.rj.gov.br e pelo endereço eletrônico do Prêmio:
premioteixeiraesousa@gmail.com de acordo com as exigências do item 5 – DA
APRESENTAÇÃO DO TRABALHO. 
Todas as inscrições, presenciais ou não, receberão confirmação via correio eletrônico.

4 DAS CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO

4.1 O Prêmio está aberto a todas as pessoas a partir de 16 anos de idade.

4.2 Os trabalhos da categoria Conto terão abrangência nacional. Os trabalhos das categorias Crônica e Poesia terão abrangência regional.

4.3 Cada autor poderá inscrever 1 (uma) obra em cada categoria, nos gêneros: poesia, conto e crônica.

4.4 A obra inscrita deverá ser inédita, não sendo aceitas obras póstumas e adaptações de obras de outro autor.

4.5 Não será permitida a participação de servidores da Secretaria de Cultura de Cabo Frio.

4.6 Não será permitida à mesma pessoa receber mais de uma premiação.

5 DA APRESENTAÇÃO DO TRABALHO

5.1 O trabalho deverá ser apresentado em 3 (três) vias impressas, digitado em Língua Portuguesa, em uma só face, identificado apenas com o título da obra e o pseudônimo do autor, como segue:

a) Categoria Conto: fonte Times New Roman, tamanho 12, espaço 1,5. Os contos não poderão exceder 4 (quatro) páginas, cada página com até 30 (trinta) linhas;

b) Crônica e Poesia: fonte Times New Roman, tamanho 12, espaço 1,5. Não poderão exceder 3 (três) páginas, cada página com até 30 (trinta) linhas.

5.2 As obras a serem inscritas deverão ser encaminhadas em envelope tamanho ofício lacrado, identificado com o pseudônimo, o título e a categoria, como segue:

a) Prêmio Teixeira e Sousa de Literatura – SECULT Cabo Frio;

b) dentro do envelope, em papel A4, o nome completo do autor, endereço, telefone, endereço eletrônico, título da obra, categoria, números de CPF e RG e mini currículo;

c) para as inscrições feitas pelos Correios, o participante deverá realizar o mesmo procedimento, enviando o envelope para o destinatário e endereço citados no item 3.1.

6 DO JULGAMENTO

6.1 Os textos serão julgados por uma Comissão formada por 9 (nove) membros da área literária.

6.2 O julgamento será realizado com base nos critérios de: originalidade, criatividade e qualidade técnica empregada.

6.3 Caberá à Comissão Julgadora avaliar e classificar os textos concorrentes, proclamar os vencedores, impugnar os trabalhos que não se enquadrem nas condições do Prêmio e aos critérios de avaliação divulgados neste Edital.

7 DA PREMIAÇÃO

7.1 Em 2014 serão premiados os 5 (cinco) primeiros ganhadores de cada categoria, sendo os 3 (três) primeiros vencedores premiados com valores em dinheiro, e os seguintes, com a publicação dos trabalhos no Anuário de Cabo Frio 2013. Os 5 (cinco) primeiros colocados receberão certificados e terão seus trabalhos publicados no sítio www.cabofrio.rj.gov.br.

7.2 Os melhores autores de cada gênero receberão prêmios em dinheiro nos valores, conforme a seguinte classificação:
1º lugar: R$ 1.000,00 (mil reais)
2º lugar: R$ 750,00 (setecentos e cinquenta reais)
3º lugar: R$ 500,00 (quinhentos reais)

7.3 Os 5 (cinco) primeiros colocados em cada gênero receberão certificados e terão suas obras publicadas posteriormente.

8 DOS RESULTADOS E ENTREGA DA PREMIAÇÃO

8.1 A divulgação dos resultados estará disponível no sítio oficial http://www.cabofrio.rj.gov.br/ no dia 28 de fevereiro de 2014 e a entrega dos prêmios será realizada durante a 24ª Semana Teixeira e Sousa, que acontecerá de 21 a 30 de março de 2014.

8.2 Os ganhadores do concurso que residirem fora do município e que estejam impossibilitados de participar da solenidade de premiação, serão contatados pelos organizadores do Prêmio para recebimento do prêmio.

9 DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

9.1 Os interessados em participar da presente seleção poderão obter o texto deste Edital no endereço eletrônico: http://www.cabofrio.rj.gov.br/servicos/voce/editais.

9.2 As dúvidas poderão ser esclarecidas na SECULT, situada na Rua Itajuru, 131 – Largo do Itajuru - CEP: 28905-060, pelo telefone: (22) 2643-2784, de segunda a sexta-feira, de 10h a
17h e pelo endereço eletrônico: premioteixeiraesousa@gmail.com.

9.3 Após 30 dias da entrega do prêmio, os participantes poderão retirar seus originais.

9.4 Os trabalhos que não estiverem de acordo com as condições explicitadas neste regulamento serão automaticamente cancelados.

9.5 Não caberá recurso das decisões da Comissão Julgadora.

9.6 A inscrição e entrega do texto significa a aceitação, pelo candidato, de todas as condições previstas no Regulamento divulgado por este Edital. Só serão aceitos trabalhos em conformidade com estas condições.

9.7 À SECULT fica reservado o direito de prorrogar, revogar ou anular este Edital, havendo motivos ou justificativas para tal.

JOSÉ FACURY HELUY
Secretário Municipal de Cultura

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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