Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 30 de abril de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 117)


Uma Trova de São Paulo/SP
HERIBALDO GERBASI


Pombas-da-paz prometidas
pelos países mais ricos,
não portam ramas floridas
e sim ogivas nos bicos.

Uma Trova Humorística, de São Paulo/SP
HÉRON PATRÍCIO

 

"Infiéis, os meus cabelos !",
- saudoso, o careca chora ... -
"Dei carinhos... tive zelos ...
mas foram todos embora!"

Uma Trova Premiada  em Bandeirantes/PR, 2009
JB XAVIER (São Paulo/SP)

 

Na clausura da existência,
das prisões que nos impomos,
um devaneio é a essência
do que pensamos que somos!

Uma Trova de Curitiba/PR
MARIA DA CONCEIÇÃO FAGUNDES – Curitiba

 

Ruínas... sonhos contidos
no penoso caminhar...
Passos trôpegos, sofridos,
à noite esperam sonhar.

Um Poema da Espanha
MIGUEL DE UNAMUNO
Bilbao/ Espanha (1864 - 1936) Salamanca/ Espanha

Oração do Ateu


Ouve meu rogo, Deus que não existes,
em teu nada recolhe as minhas queixas.
Tu, que aos homens mais pobres nunca deixas
sem consolo de enganos. Não resistes
a nosso rogo, e ao nosso anseio assistes.
Quando da minha mente mais te afastas,
eu mais recordo essas palavras castas
com que embalou minha ama as noites tristes.
Que grande és tu, meu Deus! Tu és tão grande
que não passas de Ideia; e é tão estreita
a realidade mesmo que se expande
para abarcar-te. Sofro à tua espreita,
inexistente Deus. Pois se viveras
existiria eu também deveras.
(Tradução: Jorge de Sena)

Trovadores que deixaram Saudades
HELENA KOLODY
Cruz Machado/PR (1912 – 2004) Curitiba/PR


A vida o tempo devora;
o próprio tempo não dura.
Colhe a alegria de agora,
para a saudade futura!

Um Poema de Duas Barras/RJ
JACY PACHECO
1910 – 1989

Primavera do Mundo

Primavera do mundo, tu virás!
Talvez não venhas na tranqüilidade
de um dia claro e musical.
Trarás as mãos ensangüentadas
e as rosas se abrirão todas vermelhas.

Mas chegarás!
E extirparás a tirania
e todos os princípios egoístas.
E as máquinas da paz
revolverão o solo redimido
pelo sangue de irmãos idealistas.

Primavera do mundo, eu te entrevejo
numa nesga de sol recém-nascido,
anunciando o bem dos homens livres,
a vitória do amor, do ideal fecundo!  

Aguardo o teu instante triunfal
primavera do mundo!

Uma Aldrávia do Rio de Janeiro/RJ
LUIZ GONDIM


incorporo
emoções
onde
debruço
meus
cansaços

Um Haicai de Irati/PR
MARILENA BUDEL

 

Na velha floreira
pousa uma borboleta.
Mamãe faz tricô.

Um Poetrix de São José dos Pinhais/SP
DALTON LUIZ GANDIN

Arte


Meu papel foi natura.
Agora,
eu imprimo cultura.

Um Poema de Porto/ Portugal
PEDRO MACHADO ABRUNHOSA

Viagens


Já vai alta a noite, vejo o negro do céu,
deitado na areia, o teu corpo e o meu.
Viajo com as mãos por entre as montanhas e os rios,
e sinto nos meus lábios os teus doces e frios.
E voas sobre o mar, com as asas que eu te dou,
e dizes-me a cantar: "É assim que eu sou".
Olhar para ti e ver o que eu vejo,
olhar-te nos olhos com olhares de desejo.
Olhar para ti e ver o que eu vejo,
olhar-te nos olhos com olhares de desejo.
Eu não tenho nada mais p'ra te dar,
esta vida são dois dias,
e um é para acordar,
das historias de encantar,
das historias de encantar.
Viagens que se perdem no tempo,
viagens sem princípio nem fim,
beijos entregues ao vento,
e amor em mares de cetim.
Gestos que riscam o ar,
e olhares que trazem solidão,
pedras e praias e o céu a bailar,
e os corpos que fogem do chão.

Um Soneto de Maceió/AL
LÊDO IVO
1924 – 2012

Soneto de Outubro


Se mais que a forma e mais que o pensamento
guardado na vigília, sem temor.
Fica no meu olhar, como no amor
verteria teu nome em verso atento.

Sê mais que a forma sempre em movimento
tornada mais humana pela dor.
Fica dormindo em mim, quando eu me for
e te deixar entregue ao desalento.

Sê minha mesmo que eu não te conheça
e te ame sem te ver, sempre te vendo
na forma que jamais fuja ou pereça.

Para tocar-te, eu sempre as mãos estendo
mas não te alcanço, e em minhas mãos transformas
teu corpo imaginário em puras formas.

Um Senryu de Curitiba/PR
ALVARO POSSELT

 

nem flor nem espinho
tinha um haikai
no meio do caminho
============
O que é Senryu?
O Senryu, de acordo com a tradição da poesia japonesa, é uma variação do haicai clássico. Ambos possuem a mesma forma, três versos, mas tratam de temáticas diferentes. Enquanto o haicai tem como berço a natureza, o senryu trata de questões unicamente humanas, em tom irônico ou satírico. (Gustavo Felicíssimo)

O nome Senryu foi dado a partir do nome do haicaísta Senryu Karai (1718-1790), que foi quem propagou este gênero. Abaixo, um exemplo dele:

O ladrão:
quando eu o pego,
eis meu filho.
Senryu Karai

Possuem três versos de 5-7-5, mas não existe um  rigor nos versos. Também podem ser sem título e sem rima. Diferente do Haikai, o senryu  pode ter mas não precisa um "kigo" de estação ou fenômeno sazonal.

De acordo com o poeta Michael Welch, fazer um bom senryu é mais do que mostrar sagacidade e realizar trocadilhos, um bom senryu deve incluir “inteligência ou humor como parte de um propósito ainda mais vibrante”. Paulo Leminski, Helena Kolody, Millôr Fernandes são exemplos nacionais que costumavam publicar senryu utilizando o "rótulo" de haicai. (Blog Haicais)

terça-feira, 29 de abril de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 116)


Uma Trova de São José dos Campos/SP
AMILTON MACIEL MONTEIRO


Quer saber por que razão
 eu uso tanto “por quê”?
 Só tem uma explicação:
 porque rima com você!

Uma Trova Humorística, de São Paulo/SP
CAMPOS SALES


A receita é de colírio
mas o bebum se apavora
e lê, cheio de delírio:
- pinga, só uma vez por hora?

Uma Trova Premiada em Amparo/SP, 1999
SÉRGIO FERREIRA DA SILVA (São Paulo)

 

Nos mais difíceis momentos,
tuas virtudes revelas:
quando o barco enfrenta os ventos,
mostra a beleza das velas!

Um Poema da Espanha
CARLOS EDMUDO DE ORY
Cádiz/ Espanha (1923 - 2010) Thézy-Glimont/ França

Poema

 

Amo aquilo que arde
o que voa e se abre
o que enlouquece e cresce
o que salta e se move
aquilo que bebe os ventos
e é música e contacto
o que é vasto e é casto
o que é milagre e perigo
e se espreguiça e respira
e viaja por capricho.
Amo viajar descalço.

(Tradução: Herberto Helder)

Uma Trova de Curitiba/PR
WALNEIDE FAGUNDES DE S. GUEDES


A tua ausência é o refrão
de uma tristeza sem fim,
onde o tempo ao dizer não,
permite à dor dizer sim.

Trovadores que deixaram Saudades
BELMIRO BRAGA – Juiz de Fora/MG
1872 – 1937


As almas de muita gente
são como o rio profundo:
- A face tão transparente,
e quanto lodo no fundo!…

Um Poema de São Francisco de Itabapoana/RJ
ROBERTO PINHEIRO ACRUCHE

Quem Sou Eu

Eu sou um caso,
um ocaso!
Eu sou um ser,
sem saber quem ser!
Eu sou uma esperança,
sem forças!
Eu sou energia,
ora cansada!
Eu sou um velho,
ora criança!
Eu sou um moço,
ora velho!
Eu sou uma luz,
ora apagada!
Eu sou tudo,
não sou nada!

Uma Aldrávia de Belo Horizonte/MG
ANGELA TOGEIRO


mente
jovem,
corpo
envelhecendo:
ninguém
merece!

Um Haicai de Goiânia/GO
RENEU DO AMARAL BERNI
 

Borboleta
 

No varal do pátio,
Sobre a saia de florzinhas,
Uma borboleta.

Um Poetrix do de Porto Alegre/RS
JOÃO PEDRO WAPLER


mulher nua

na ponta do barbante
a roupa se faz
e depois morre no corpo de alguém.

Um Poema de Évora/ Portugal
CARLOS NOGUEIRA FINO
(1950)


Umas vezes falavas-me dos rios

umas vezes falavas-me dos rios
e densas cicatrizes
e o sangue
procedia
outras vezes velava-te uma lâmpada
de faias e de enigmas
e a sombra
repousava
outras vezes o barro
originava
uma erupção de insónia recidiva
no gume do incêndio onde jazias
nessas vezes a água do teu riso
abria nos meus pulsos uma rosa
e eu entontecia

Um Soneto de São Paulo/SP
JB XAVIER

O mar e o vento


Ouço o bramido deste mar - tormento triste,
Vociferando na alameda da ilusão,
Tecendo espumas desde o dia em que partiste,
Na tentativa de alegrar meu coração!

O vento brando vai mentindo que ainda existe
- Em melodia de gentil diapasão –
As alegrias, e soprando ele persiste
Em transformar tua lembrança em emoção.

Então me calo ante o bramido do oceano;
Tento reter o espumaredo em minhas mãos,
E outra lembrança, então de ti, eu acalento.

Mas segurar o espumaredo é ledo engano,
É só mais um dos pensamentos, tolos, vãos,
Tal como foi tentar, por ti, parar o vento!

Um Pantum da Flórida/Estados Unidos
ANGELA BRETAS

O sábia que sabia tanto...


O sabiá que sabia tanto
Sabia que encantava sim
Seu canto, som de encanto,
Soava como harpas dos querubins

Sabia que encantava sim
Seu som de pássaro liberto
Soava como harpas dos querubins
Em manhãs de sonos despertos

Seu som de pássaro liberto
Ecoava nas matas distantes
Em manhãs de sonos despertos
Melodias em formas tocantes

Ecoava nas matas distantes
A música que adocicava a alma
Melodias em formas tocantes
Chamadas de paz e calma

A música que adocicava a alma
Tornava o pássaro alvo cativo
Chamadas de paz e calma
Atraia o inimigo

Tornava o pássaro alvo cativo
Cobiça em forma de canto
Atraia o inimigo
Enfeitiçado por seu encanto

Cobiça em forma de canto
Sufocou o sabiá coitado
Enfeitiçado por seu encanto
Deixou-se prender, morreu calado

Sufocou o sabiá coitado
Armadilha do destino calou o canto
Deixou-se prender, morreu calado
O sabiá que sabia tanto...
=============  

O que é Pantum?

Pantum é um poema de origem Malaia, composto de quadras com rima cruzada, e caracterizado pela repetição de certos versos e pelo paralelismo de duas idéias centrais. introduzido na Europa por Victor Hugo foi muito utilizado por Olavo Bilac e Alberto de Oliveira aqui no Brasil.

 As regras do poema (pantum) consistem em intercalar os versos; ou seja o 2º e 4º verso de cada estrofe passam a ser o 1º e 3º verso da estrofe seguinte, valendo a ressalva que o último verso do poema tem que ser o mesmo que iniciou o Pantum. A métrica do poema, de forma frequente, é a redondilha maior (heptassílabos). Podendo ocorrer também em versos octossílabos ou em decassílabos, todavia mantendo as rimas alternadas (abab).

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Varal da Saudade em Trovas XXXV


Regina Bertoccelli (Revoada de Rondéis )

TRANSPARÊNCIAS

Nada em mim é tristonho,
nem o olhar, nem o sorriso.
Por acreditar no meu sonho
vou em busca do paraíso.

Vendo bem por onde eu piso
os obstáculos eu transponho.
Nada em mim é tristonho,
nem o olhar, nem o sorriso.

Uma canção eu componho
contente e de improviso.
Minh'alma eu exponho
deixando aqui um aviso:
Nada em mim  é tristonho.

SEPARAÇÃO

Sem ti, minh'alma vagueia
pelos becos escuros da solidão.
É grande em meu peito a agonia,
dói demais o meu coração.
 
Perdi o rumo, estou sem direção,
foi embora toda a minha alegria.
Sem ti, minh'alma vagueia
pelos becos escuros da solidão.
 
Volta amor, dá-me a tua poesia
que cantarei pra ti uma canção.
Se o meu sorriso te contagia,
não vaciles, põe fim à separação.
Sem ti, minh'alma vagueia…

NAS ASAS DA POESIA

Vou voar nas asas da poesia,
deixar o vento levar minha mente.
O momento é de pura magia,
o coração feliz bate contente.
 
A alma confortada vibra e sente
a chegada de minha alegria.
Vou voar nas asas da poesia,
deixar o vento levar minha mente.
 
No embalo de uma suave sinfonia
a inspiração se fez presente.
Revigorada e cheia de energia
vou compor meus versos novamente.
Vou voar nas asas da poesia…

CÚMPLICES

Quero-te sempre ao meu lado,
dividir contigo minha alegria.
Posso ser o sonho desejado
de tua noite fria e vazia.
 
Farei pra ti uma poesia
depois do amor consumado.
Quero-te sempre ao meu lado,
dividir contigo minha alegria.
 
Vem, deita aqui do meu lado,
logo surgirá um novo dia.
Descansa teu corpo cansado,
entre nossas almas há sintonia.
Quero-te sempre ao meu lado.

ATRAVÉS DA VIDRAÇA

Através da vidraça vejo o céu nublado
e os respingos da chuva na calçada.
Sozinha, penso no meu amado
com a alma angustiada.
 
Em breve virá a madrugada
e muito já terei chorado.
Através da vidraça vejo o céu nublado
e os respingos da chuva na calçada.
 
Sopra um vento forte e gelado
que estremece a janela molhada.
Com o coração triste e encarcerado
repouso minh'alma extenuada.
Através da vidraça vejo o céu nublado…

ERA UMA VEZ...

Era uma vez o amor,
Um belo sonho ruído,
Na triste face da dor
Desse amor destruído!

Saji Pokeo


Era uma vez um amor que findou
e que destruiu um lindo sonho.
Por isso, tudo em mim mudou
e meu sorriso ficou tristonho.

Minha dor agora eu exponho
porque em mim você não acreditou.
Era uma vez um amor que findou
e que destruiu um lindo sonho.

O meu coração você atingiu e abalou,
tornou meu viver triste e medonho.
Mas agora que tudo passou e acabou,
terei um novo sonho...eu suponho...
Era uma vez um amor que findou.

ESQUECIMENTO

Jaz em cova profunda tua lembrança,
as promessas vãs e o tempo perdido.
Em tuas palavras perdi a confiança,
nada mais entre nós faz sentido.

 De luto meu coração está vestido,
espera ele por uma nova mudança.
Jaz em cova profunda tua lembrança,
as promessas vãs e o tempo perdido.
 
Depois da tempestade vem a bonança,
todo o mal que vivi será esquecido.
Vou procurar sem perder a esperança,
hei de encontrar um amor querido.
Jaz em cova profunda tua lembrança.

COISAS DO CORAÇÃO

Meu coração anda descompassado,
bate assim...meio sem jeito.
Talvez ele esteja cansado
de viver em meu peito.
 
Preciso encontrar o defeito,
saber o que está errado.
Meu coração anda descompassado,
bate assim...meio sem jeito.
 
Tenho pena do pobre coitado,
sem ritmo vive insatisfeito.
Para tê-lo feliz e sossegado,
qualquer conselho eu aceito.
Meu coração anda descompassado…

ABRAÇADA COM A SAUDADE

Adormeci  abraçada com a saudade,
vestida com as cores do passado.
Com a alma em liberdade,
sonhei com o meu amado.
 
Meu coração está apaixonado,
esta é minha realidade.
Adormeci abraçada com a saudade,
vestida com as cores do passado.
 
Por instantes vivi a felicidade
de ter meu desejo realizado.
Despertei feliz, é verdade,
meu coração está  consolado.
Adormeci abraçada com a saudade…

Fonte:
http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?pag=2&id=5527&categoria=L

Angelica Villela Santos (Uma cena de amor)

I Troféu Falando de Amor (Categoria Prosa) Medalha de Ouro
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Uma comprida fila de formigas vinha todas as noites banquetear-se na lixeirinha que tenho sobre a pia da cozinha, onde entravam, mesmo estando tampada. Observei  onde se abrigavam e de lá saiam para o banquete. Resolvi, então, tampar o buraquinho com miolo de pão umedecido, como aprendi a fazer com minha avó materna.

– Demora algum tempo, mas elas acharão outro caminho e um dia voltarão, principalmente se o lixo lhes for apetitoso.  Mesmo que você tampe o buraco com cimento, isto vai acontecer em outro ponto qualquer da parede ou do chão. Esses bichinhos são danadinhos! E não fique pensando que ficarão sufocadas dentro do buraco tampado, como você, que ama todos os animais, já deve estar pensando. As espertinhas devem ter alguma outra saída ou até mais de uma, para escaparem, atraídas por outra guloseima.  Então, use o miolo de pão, que é barato e fácil de ser colocado,  dizia vovó.

Quando cheguei em casa à noite, resolvi por em prática a operação., mas não ia fazer a maldade de tampar o buraquinho antes delas irem embora.

Quando levantei a tampa da lixeira, foi aquela debandada geral!  Coloquei o miolo de pão, mas vi, logo em seguida, que uma delas – talvez a mais gulosa – havia ficado para trás e estava toda agitada, fazendo ziguezagues na parede azulejada, pois encontrara o buraco fechado.

Imediatamente, tirei a massinha e daí a instantes, saíram duas, desceram pela parede e, encontrando a companheira, encostaram as cabecinhas contra a dela, num colóquio que só elas ouviram – mas eu entendi – e, muito ligeiras, partiram em direção ao abrigo, com a outra seguindo logo atrás. Aquela cena de amor, de solidariedade entre as formiguinhas, me tocou profundamente,  principalmente tendo em vista o mundo atual, onde o amor está tão distante e o   lema dos humanos é: “Salve-se quem puder!”     

Dorothy Jansson Moretti (Baú de Trovas) 8


Machado de Assis (D. Paula)

Não era possível chegar mais a ponto. D. Paula entrou na sala exatamente quando a sobrinha enxugava os olhos cansados de chorar. Compreende-se o assombro da tia. Entender-se-á também o da sobrinha, em se sabendo que D. Paula vive no alto da Tijuca, donde raras vezes desce; a última foi pelo Natal passado, e estamos em maio de 1882. Desceu ontem, à tarde, e foi para casa da irmã, Rua do Lavradio. Hoje, tão depressa almoçou, vestiu-se e correu a visitar a sobrinha. A primeira escrava que a viu, quis ir avisar a senhora, mas D. Paula ordenou-lhe que não, e foi pé ante pé, muito devagar, para impedir o rumor das saias, abriu a porta da sala de visitas, e entrou.

- Que é isto? exclamou.

Venancinha atirou-se-lhe aos braços, as lágrimas vieram-lhe de novo. A tia beijou-a muito, abraçou-a, disse-lhe palavras de conforto e pediu, e quis que lhe contasse o que era, se alguma doença, ou...

- Antes fosse uma doença! antes fosse a morte! interrompeu a moça.

- Não digas tolices; mas que foi? anda, que foi?

Venancinha enxugou os olhos e começou a falar. Não pôde ir além de cinco ou seis palavras; as lágrimas tornaram, tão abundantes e impetuosas, que D. Paula achou de bom aviso deixá-las correr primeiro. Entretanto, foi tirando a capa de rendas pretas que a envolvia, e descalçando as luvas. Era uma bonita velha, elegante, dona de um par de olhos grandes, que deviam ter sido infinitos. Enquanto a sobrinha chorava, ela foi cerrar cautelosamente a porta da sala, e voltou ao canapé. No fim de alguns minutos, Venancinha cessou de chorar, e confiou à tia o que era.

Era nada menos que uma briga com o marido, tão violenta, que chegaram a falar de separação. A causa eram ciúmes. Desde muito que o marido embirrava com um sujeito; mas na véspera à noite, em casa do C..., vendo-a dançar com ele duas vezes e conversar alguns minutos, concluiu que eram namorados. Voltou amuado para casa de manhã, acabado o almoço, a cólera estourou, e ele disse-lhe coisas duras e amargas, que ela repeliu com outras.

- Onde está teu marido? perguntou a tia.

- Saiu; parece que foi para o escritório.

D. Paula perguntou-lhe se o escritório era ainda o mesmo, e disse-lhe que descansasse, que não era nada, dali a duas horas tudo estaria acabado. Calçava as luvas rapidamente.

- Titia vai lá?

- Vou... Pois então? Vou. Teu marido é bom, são arrufos. 104? Vou lá; espera por mim, que as escravas não te vejam.

Tudo isso era dito com volubilidade, confiança e doçura. Calçadas as luvas, pôs o mantelete, e a sobrinha ajudou-a, falando também, jurando que, apesar de tudo, adorava o Conrado. Conrado era o marido, advogado desde 1874. D. Paula saiu, levando muitos beijos da moça. Na verdade, não podia chegar mais a ponto. De caminho, parece que ela encarou o incidente, não digo desconfiada, mas curiosa, um pouco inquieta da realidade positiva; em todo caso ia resoluta a reconstruir a paz doméstica.

Chegou, não achou o sobrinho no escritório, mas ele veio logo, e, passado o primeiro espanto, não foi preciso que D. Paula lhe dissesse o objeto da visita; Conrado adivinhou tudo. Confessou que fora excessivo em algumas coisas, e, por outro lado, não atribuía à mulher nenhuma índole perversa ou viciosa. Só isso; no mais, era uma cabeça de vento, muito amiga de cortesias, de olhos ternos, de palavrinhas doces, e a leviandade também é uma das portas do vício. Em relação à pessoa de quem se tratava, não tinha dúvida de que eram namorados. Venancinha contara só o fato da véspera; não referiu outros, quatro ou cinco, o penúltimo no teatro, onde chegou a haver tal ou qual escândalo. Não estava disposto a cobrir com a sua responsabilidade os desazos da mulher. Que namorasse, mas por conta própria.

D. Paula ouviu tudo, calada; depois falou também. Concordava que a sobrinha fosse leviana; era próprio da idade. Moça bonita não sai à rua sem atrair os olhos, e é natural que a admiração dos outros a lisonjeie. Também é natural que o que ela fizer de lisonjeada pareça aos outros e ao marido um princípio de namoro: a fatuidade de uns e o ciúme do outro explicam tudo. Pela parte dela, acabava de ver a moça chorar lágrimas sinceras, deixou-a consternada, falando de morrer, abatida com o que ele lhe dissera. E se ele próprio só lhe atribuía leviandade, por que não proceder com cautela e doçura, por meio de conselho e de observação, poupando-lhe as ocasiões, apontando-lhe o mal que fazem à reputação de uma senhora as aparências de acordo, de simpatia, de boa vontade para os homens?

Não gastou menos de vinte minutos a boa senhora em dizer essas coisas mansas, com tão boa sombra, que o sobrinho sentiu apaziguar-se-lhe o coração. Resistia, é verdade; duas ou três vezes, para não resvalar na indulgência, declarou à tia que entre eles tudo estava acabado. E, para animar-se, evocava mentalmente as razões que tinha contra a mulher. A tia, porém, abaixava a cabeça para deixar passar a onda, e surgia outra vez com os seus grandes olhos sagazes e teimosos. Conrado ia cedendo aos poucos e mal. Foi então que D. Paula propôs um meio-termo.

- Você perdoa-lhe, fazem as pazes, e ela vai estar comigo, na Tijuca, um ou dois meses; uma espécie de desterro. Eu, durante este tempo, encarrego-me de lhe pôr ordem no espírito. Valeu?

Conrado aceitou. D. Paula, tão depressa obteve a palavra, despediu-se para levar a boa nova à outra, Conrado acompanhou-a até à escada. Apertaram as mãos; D. Paula não soltou a dele sem lhe repetir os conselhos de brandura e prudência; depois, fez esta reflexão natural:

- E vão ver que o homem de quem se trata nem merece um minuto dos nossos cuidados...

- É um tal Vasco Maria Portela...

D. Paula empalideceu. Que Vasco Maria Portela? Um velho, antigo diplomata, que... Não, esse estava na Europa desde alguns anos, aposentado, e acabava de receber um título de barão. Era um filho dele, chegado de pouco, um pelintra... D. Paula apertou-lhe a mão, e desceu rapidamente. No corredor, sem ter necessidade de ajustar a capa, fê-lo durante alguns minutos, com a mão trêmula e um pouco de alvoroço na fisionomia. Chegou mesmo a olhar para o chão, refletindo. Saiu, foi ter com a sobrinha, levando a reconciliação e a cláusula. Venancinha aceitou tudo.

Dois dias depois foram para a Tijuca. Venancinha ia menos alegre do que prometera; provavelmente era o exílio, ou pode ser também que algumas saudades. Em todo caso, o nome de Vasco subiu a Tijuca, se não em ambas as cabeças, ao menos na da tia, onde era uma espécie de eco, um som remoto e brando, alguma coisa que parecia vir do tempo da Stoltz e do ministério Paraná. Cantora e ministério, coisas frágeis, não o eram menos que a ventura de ser moça, e onde iam essas três eternidades? Jaziam nas ruínas de trinta anos. Era tudo o que D. Paula tinha em si e diante de si.

Já se entende que o outro Vasco, o antigo, também foi moço e amou. Amaram-se, fartaram-se um do outro, à sombra do casamento, durante alguns anos, e, como o vento que passa não guarda a palestra dos homens, não há meio de escrever aqui o que então se disse da aventura. A aventura acabou; foi uma sucessão de horas doces e amargas, de delícias, de lágrimas, de cóleras, de arroubos, drogas várias com que encheram a esta senhora a taça das paixões. D. Paula esgotou-a inteira e emborcou-a depois para não mais beber. A saciedade trouxe-lhe a abstinência, e com o tempo foi esta última fase que fez a opinião. Morreu-lhe o marido e foram vindo os anos. D. Paula era agora uma pessoa austera e pia, cheia de prestígio e consideração.

A sobrinha é que lhe levou o pensamento ao passado. Foi a presença de uma situação análoga, de mistura com o nome e o sangue do mesmo homem, que lhe acordou algumas velhas lembranças. Não esqueçam que elas estavam na Tijuca, que iam viver juntas algumas semanas, e que uma obedecia à outra; era tentar e desafiar a memória

- Mas nós deveras não voltamos à cidade tão cedo? perguntou Venancinha rindo, no outro dia de manhã.

- Já estás aborrecida?

- Não, não, isso nunca, mas pergunto...

D. Paula, rindo também, fez com o dedo um gesto negativo; depois, perguntou-lhe se tinha saudades cá de baixo. Venancinha respondeu que nenhumas; e para dar mais força à resposta, acompanhou-a de um descair dos cantos da boca, a modo de indiferença e desdém. Era pôr demais na carta, D. Paula tinha o bom costume de não ler às carreiras, como quem vai salvar o pai da forca, mas devagar, enfiando os olhos entre as sílabas e entre as letras, para ver tudo, e achou que o gesto da sobrinha era excessivo.

"Eles amam-se!" pensou ela.

A descoberta avivou o espírito do passado. D. Paula forcejou por sacudir fora essas memórias importunas; elas, porém, voltavam, ou de manso ou de assalto, como raparigas que eram, cantando, rindo, fazendo o diabo. D. Paula tornou aos seus bailes de outro tempo, às suas eternas valsas que faziam pasmar a toda a gente, às mazurcas, que ela metia à cara das sobrinha como sendo a mais graciosa coisa do mundo, e aos teatros, e às cartas, e vagamente, aos beijos; mas tudo isso - e esta é a situação - tudo isso era como as frias crônicas, esqueleto da história, sem a alma da história. Passava-se tudo na cabeça. D. Paula tentava emparelhar o coração com o cérebro, a ver se sentia alguma coisa além da pura repetição mental, mas, por mais que evocasse as comoções extintas, não lhe voltava nenhuma. Coisas truncadas!

Se ela conseguisse espiar para dentro do coração da sobrinha, pode ser que achasse ali a sua imagem, e então... Desde que esta idéia penetrou no espírito de D. Paula, complicou-lhe um pouco a obra de reparação e cura. Era sincera, tratava da alma da outra, queria vê-la restituída ao marido. Na constância do pecado é que se pode desejar que outros pequem também, para descer de companhia ao purgatório; mas aqui o pecado já não existia. D. Paula mostrava à sobrinha a superioridade do marido, as suas virtudes e assim também as paixões, que podiam dar um mau desfecho ao casamento, pior que trágico, o repúdio.

Conrado, na primeira visita que lhes fez, nove dias depois, confirmou a advertência da tia; entrou frio e saiu frio. Venancinha ficou aterrada. Esperava que os nove dias de separação tivessem abrandado o marido, e, em verdade, assim era; mas ele mascarou-se à entrada e conteve-se para não capitular. E isto foi mais salutar que tudo o mais. O terror de perder o marido foi o principal elemento de restauração. O próprio desterro não pôde tanto.

Vai senão quando, dois dias depois daquela visita, estando ambas ao portão da chácara, prestes a sair para o passeio do costume, viram vir um cavaleiro. Venancinha fixou a vista, deu um pequeno grito, e correu a esconder-se atrás do muro. D. Paula compreendeu e ficou. Quis ver o cavaleiro de mais perto; viu-o dali a dois ou três minutos, um galhardo rapaz, elegante, com as suas finas botas lustrosas, muito bem-posto no selim; tinha a mesma cara do outro Vasco, era o filho; o mesmo jeito da cabeça, um pouco à direita, os mesmos ombros largos, os mesmos olhos redondos e profundos.

Nessa mesma noite, Venancinha contou-lhe tudo, depois da primeira palavra que ela lhe arrancou. Tinham-se visto nas corridas, uma vez, logo que ele chegou da Europa. Quinze dias depois, foi-lhe apresentado em um baile, e pareceu-lhe tão bem, com um ar tão parisiense, que ela falou dele, na manhã seguinte, ao marido. Conrado franziu o sobrolho, e foi este gesto que lhe deu uma idéia que até então não tinha. Começou a vê-lo com prazer; daí a pouco com certa ansiedade. Ele falava-lhe respeitosamente, dizia-lhe coisas amigas, que ela era a mais bonita moça do Rio, e a mais elegante, que já em Paris ouvira elogiá-la muito, por algumas senhoras da família Alvarenga. Tinha graça em criticar os outros, e sabia dizer também umas palavras sentidas, como ninguém. Não falava de amor, mas perseguia-a com os olhos, e ela, por mais que afastasse os seus, não podia afastá-los de todo. Começou a pensar nele, amiudadamente, com interesse, e quando se encontravam, batia-lhe muito o coração, pode ser que ele lhe visse então, no rosto, a impressão que fazia.

D. Paula, inclinada para ela, ouvia essa narração, que aí fica apenas resumida e coordenada. Tinha toda a vida nos olhos; a boca meio aberta, parecia beber as palavras da sobrinha, ansiosamente, como um cordial. E pedia-lhe mais, que lhe contasse tudo, tudo. Venancinha criou confiança. O ar da tia era tão jovem, a exortação tão meiga e cheia de um perdão antecipado, que ela achou ali uma confidente e amiga, não obstante algumas frases severas que lhe ouviu, mescladas às outras, por um motivo de inconsciente hipocrisia. Não digo cálculo; D. Paula enganava-se a si mesma. Podemos compará-la a um general inválido, que forceja por achar um pouco do antigo ardor na audiência de outras campanhas.

- Já vês que teu marido tinha razão, dizia ela; foste imprudente, muito imprudente...

Venancinha achou que sim, mas jurou que estava tudo acabado.

- Receio que não. Chegaste a amá-lo deveras?

- Titia...

- Tu ainda gostas dele!

- Juro que não. Não gosto; mas confesso... sim... confesso que gostei... Perdoe-me tudo; não diga nada a Conrado; estou arrependida... Repito que a princípio um pouco fascinada... Mas que quer a senhora?

- Ele declarou-te alguma coisa?

- Declarou; foi no teatro, uma noite, no Teatro Lírico, à saída. Tinha costume de ir buscar-me ao camarote e conduzir-me até o carro, e foi à saída... duas palavras...

D. Paula não perguntou, por pudor, as próprias palavras do namorado, mas imaginou as circunstâncias, o corredor, os pares que saíam, as luzes, a multidão, o rumor das vozes, e teve o poder de representar, com o quadro, um pouco das sensações dela; e pediu-lhas com interesse, astutamente.

- Não sei o que senti, acudiu a moça cuja comoção crescente ia desatando a língua; não me lembro dos primeiros cinco minutos. Creio que fiquei séria; em todo o caso, não lhe disse nada. Pareceu-me que toda gente olhava para nós, que teriam ouvido, e quando alguém me cumprimentava sorrindo, dava-me idéia de estar caçoando. Desci as escadas não sei como, entrei no carro sem saber o que fazia; ao apertar-lhe a mão, afrouxei bem os dedos. Juro-lhe que não queria ter ouvido nada. Conrado disse-me que tinha sono, e encostou-se ao fundo do carro; foi melhor assim, porque eu não sei que diria, se tivéssemos de ir conversando. Encostei-me também, mas por pouco tempo; não podia estar na mesma posição. Olhava para fora através dos vidros, e via só o clarão dos lampiões, de quando em quando, e afinal nem isso mesmo; via os corredores do teatro, as escadas, as pessoas todas, e ele ao pé de mim, cochichando as palavras, duas palavras só, e não posso dizer o que pensei em todo esse tempo; tinha as idéias baralhadas, confusas, uma revolução em mim...

- Mas, em casa?

- Em casa, despindo-me, é que pude refletir um pouco, mas muito pouco. Dormi tarde, e mal. De manhã, tinha a cabeça aturdida. Não posso dizer que estava alegre nem triste, lembro-me que pensava muito nele, e para arredá-lo prometi a mim mesma revelar tudo ao Conrado; mas o pensamento voltava outra vez. De quando em quando, parecia-me escutar a voz dele, e estremecia. Cheguei a lembrar-me que, à despedida, lhe dera os dedos frouxos, e sentia, não sei como diga, uma espécie de arrependimento, um medo de o ter ofendido... e depois vinha o desejo de o ver outra vez... Perdoe-me, titia; a senhora é que quer que lhe conte tudo.

A resposta de D. Paula foi apertar-lhe muito a mão e fazer um gesto de cabeça. Afinal achava alguma coisa de outro tempo, ao contato daquelas sensações ingenuamente narradas. Tinha os olhos ora meio cerrados, na sonolência da recordação, - ora aguçados de curiosidade e calor, e ouvia tudo, dia por dia, encontro por encontro, a própria cena do teatro, que a sobrinha a princípio lhe ocultara. E vinha tudo o mais, horas de ânsia, de saudade, de medo, de esperança, desalentos, dissimulações, ímpetos, toda a agitação de uma criatura em tais circunstâncias, nada dispensava a curiosidade insaciável da tia. Não era um livro, não era sequer um capítulo de adultério, mas um prólogo, - interessante e violento.

Venancinha acabou. A tia não lhe disse nada, deixou-se estar metida em si mesma; depois acordou, pegou-lhe na mão e puxou-a. Não lhe falou logo; fitou primeiro, e de perto, toda essa mocidade, inquieta e palpitante, a boca fresca, os olhos ainda infinitos, e só voltou a si quando a sobrinha lhe pediu outra vez perdão. D. Paula disse-lhe tudo o que a ternura e a austeridade da mãe lhe poderia dizer, falou-lhe de castidade, de amor ao marido, de respeito público; foi tão eloqüente que Venancinha não pôde conter-se, e chorou.

Veio o chá, mas não há chá possível depois de certas confidências. Venancinha recolheu-se logo, e, como a luz era agora maior, saiu da sala com os olhos baixos, para que o criado lhe não visse a comoção. D. Paula ficou diante da mesa e do criado. Gastou vinte minutos, ou pouco menos, em beber uma xícara de chá e roer um biscoito, e apenas ficou só, foi encostar-se à janela, que dava para a chácara.

Ventava um pouco, as folhas moviam-se sussurrando, e, conquanto não fossem as mesmas do outro tempo, ainda assim perguntavam-lhe: "Paula, você lembra-se do outro tempo?" Que esta é a particularidade das folhas, as gerações que passam contam às que chegam as coisas que viram, e é assim que todas sabem tudo e perguntam por tudo. Você lembra-se do outro tempo?

Lembrar, lembrava, mas aquela sensação de há pouco, reflexo apenas, tinha agora cessado. Em vão repetia as palavras da sobrinha, farejando o ar agreste da noite: era só na cabeça que achava algum vestígio, reminiscências, coisas truncadas. O coração empacara de novo, o sangue ia outra vez com a andadura do costume. Faltava-lhe o contato moral da outra. E continuava, apesar de tudo, diante da noite, que era igual às outras noites de então, e nada tinha que se parecesse com as do tempo da Stoltz e do Marquês de Paraná; mas continuava, e lá dentro as pretas espalhavam o sono contando anedotas, e diziam, uma ou outra vez, impacientes:

– Sinhá velha hoje deita tarde como diabo!

Fonte:
Machado de Assis. Várias Histórias.

Thalita Moraes Guimarães (Análise do conto machadiano D. Paula)

O conto D. Paula, de Machado de Assis, escrito em 1884, foi publicado na obra Várias Histórias e percebe-se neste relato um tema que j fora desenvolvido em O Enfermeiro e outros contos: a desconexo entre o externo e o interno, pois se dizia e pregava o moralismo, no seu íntimo desejava, ou pelo menos deliciava-se com algo imoral.

Em D. Paula, Machado descreve o ambiente propício às abordagens amorosas “...o corredor, os pares que saíam, as luzes, a multidão, o rumor das vozes...”

Na obra em análise, o narrador faz uma focalização externa de Venancinha, com a intenção de mostrar ao leitor que algo estava acontecendo: “a sobrinha enxugava os olhos cansados de chorar”, mas não revela o porquê de tantas lágrimas da moça, fazendo assim uma paralipse que representa um recurso retórico em que a narrativa não salta, como na elipse, por cima de um momento, passa ao lado de um lado.
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Dessa forma a paralipse causa um breve enigma, pois não revela o motivo de tantas lágrimas derramadas pela sobrinha quando D. Paula a encontra. Nesse instante o enunciador volta-se para o leitor instigando-o a desvendar o que realmente teria acontecido, “quando Venancinha atirou-lhe aos braços, as lágrimas vieram-lhe de novo”. Mas em seguida, o leitor recebe a informação de que quando a senhora envolveu a moça em um jogo de gestos carinhosos e de palavras doces e confortáveis, Venancinha confiou à tia tudo o que havia acontecido. Trata-se de uma briga que a moça teve com o marido porque este achava que ela cometera adultério.

Esta crença do marido é revelada sumariamente:

Desde muito que o marido embirrava com um sujeito; mas na véspera à noite, em casa do C..., vendo-a dançar com ele duas vezes e conversar alguns minutos, concluiu que eram namorados.

O sumário aumenta a velocidade discursiva, distanciando o leitor dos fatos, pois não se sabe até então se era “birra” do marido ou algo semelhante.

D. Paula, agora envolvida na situação em que o casal encontrava-se, decide ajudá-los. A princípio ela vai ao escritório de Conrado para conversar e ver se há possibilidades, entre o casal, de reconstituir a paz conjugal. Quando a senhora está de partida, a sobrinha acrescenta-lhe que: “apesar de tudo” adorava-o, gerando aí uma ambiguidade, permitindo ao leitor pensar que ela realmente traiu o marido ou estava dissimulando para se mostrar arrependida de tal situação, diante da tia. Neste momento, o narrador instiga o enunciatário a refletir se realmente houve ou não adultério, criando assim uma postura depreciativa sobre a moça em relação ao seu caráter. Esta passagem pode ser identificada quando a jovem jura que “apesar de tudo, adorava o Conrado”.

Na verdade o que se nota é que o discurso toma um rumo, quando na verdade seu foco é outro. Ou seja, o sujeito da enunciação também é um dissimulador, pois focaliza o adultério de Venancinha sendo que a trama está em volta da figura de D. Paula. Porém, isso está latente na narrativa.

D. Paula segue o seu destino a caminho do escritório do rapaz, para que possa tentar promover a paz entre a moça e Conrado, “não digo desconfiada, mas curiosa”, esta focalização interna não é tão reveladora assim, pois a tia, a partir de então, passa a possuir dúvidas a respeito da traição da sobrinha e fica instigada em saber se houve, ou não o adultério.

Quando a senhora chegou ao escritório não precisou explicar o motivo de sua visita, porque o sobrinho adivinhara tudo e em seguida “confessou que fora excessivo em algumas cousas”. Por intermédio do narrador o leitor descobre que Conrado tinha certeza de que sua mulher o traía devido a pessoa de quem se tratava. Sendo assim, pode-se observar que o moço tinha certo conhecimento do caso, para afirmar com tanta firmeza sobre a situação. Ou ainda, pode ser que ele conhecesse o caráter do sujeito; levando em consideração também a leviandade de sua esposa, e chegou a esta conclusão de que eram namorados.

Após uns minutos de conversa, a senhora propõe ao moço que a jovem passasse alguns dias com ela, em sua casa, para a recuperação de caráter. E ainda deu-lhe conselhos de brandura e prudência e também alertou-o de que esse homem não merecia todo esse cuidado que estavam tomando.

Percebe-se então que nesta circunstância a senhora não tinha o conhecimento de quem se tratava, pois até neste ponto o enunciador não estava completamente voltado para D. Paula, e sim para Venancinha. Ou seja, o narrador prende a atenção do enunciatário que está concentrado na situação em que a moça se encontra, mas isso é até o momento em que a tia descobre de quem se tratava, pois, a partir daí o sujeito da enunciação volta-se para a senhora.

Na continuidade da narrativa o narrador conta que na hora da despedida, de D. Paula com Conrado, o nome do rapaz envolvido na separação temporária entre o casal, é pronunciado e de imediato “D. Paula empalideceu”. Diante desta reação mostrada através de uma focalização externa o leitor prossegue com um mistério em mãos. Afinal por que D. Paula ficou pálida? Que valor tem o nome do rapaz na vida dela? Neste momento do enunciado começa o enigma em torno da personagem.

Para reafirmar o grande significado que este nome representa para a senhora, o sujeito da enunciação associa o modo pelo qual ela retira-se do local, usando uma focalização externa: “com a mão trêmula e um pouco de alvoroço na fisionomia”. Em relação a este tipo focalização, pode-se dizer que ela é geradora de significados para o leitor, pois a personagem age na frente do enunciatário sem que ele tenha o conhecimento dos seus sentimentos ou pensamentos.

Na sequência do conto o narrador utiliza outra paralipse, mas desta vez omitindo os sentimentos da tia quanto ao Vasco Maria Portela, sendo este o nome revelado na despedida. Com isso gera outro enigma na diegese, só que agora em relação à senhora.

Então D. Paula após o choque que tomara, foi encontrar-se com a sobrinha para notificar-lhe a sentença final, a moça por sua vez aceitara tudo. Após este fato o narrador utiliza a elipse para omitir o que acontece nos dois dias que antecede a ida de Venancinha para a casa da tia. Finalmente a jovem segue para a casa da senhora, que com ajuda desta, tem a intenção de modificar-se e reconciliar-se com o marido.

Quando a tia e a sobrinha estão a caminho da casa, o enunciador usa outra estratégia para que o leitor possa imaginar o que teria acontecido nos dias anteriores.

Através do discurso modalizante da ordem do crer na expressão “pode ser também que algumas saudades”, o narrador sabe o que realmente se passa na cabeça da moça, mas não afirma e ainda não identifica de quem são estas possíveis saudades sentidas, se pelo marido ou pelo amante.

Na proporção em que o nome do Vasco foi revelado, D. Paula não teve sossego em seus pensamentos, pois a partir daí começou a escutar espécies de ecos, que a conduziam a seu passado, às suas aventuras do tempo de moça. Entende-se nesse momento, que a senhora também foi leviana, assim como a sobrinha é no presente; e que agora a tia é: “uma pessoa austera e pia, cheia de prestígio e consideração”. Com isso D. Paula deparava-se com as lembranças do passado identificando-se com Venancinha na situação em que está vivendo.

Na sequência dos fatos o narrador revela ao leitor o que de fato aconteceu com D. Paula e Vasco Maria Portela, que consiste em uma aventura com sucessões de horas doces e amargas, de delícias, de lágrimas, de cóleras, de arroubos, e que foram momentos vividos intensamente. Com a intenção de anunciar que foi apenas uma aventura, o sujeito da enunciação nos fornece, em seguida, a informação do fim do relacionamento entre a tia e Vasco, e revela também que a senhora mantinha este caso “à sombra do casamento, durante alguns anos”. Aqui no tempo da enunciação o narrador sugere que no passado, no tempo da diegese, a personagem, D. Paula, não era uma figura prestigiada devido à postura que apresentava, mas que no tempo presente constitui-se de um caráter sério, digno de considerações.

Desta forma o enunciador caracteriza duas personalidades distintas referentes à senhora, sendo uma de quando era jovem e apresentava atos de leviandade; e a outra, a de agora que adquiriu experiências da vida e compõe-se de uma postura séria. Considerando este aspecto podemos chegar a conclusão de que a tia na sua juventude, mantinha uma postura não recomendável em que descaracterizava os “bons costumes” da época e consequentemente, colocava em risco sua reputação. Por outro lado nota-se o oposto, porque D. Paula atribuiu outro caráter, em relação ao que tinha, fazendo assim com que o leitor tenha uma visão apreciativa sobre ela, no presente, com isso o enunciatário passa a depositar mais confiança na senhora em relação a recuperação de caráter de Venancinha.

Na proporção em que a sobrinha relatava os fatos para a tia, esta voltava, em seus pensamentos, para o tempo passado relembrando, ou até mesmo revivendo, as suas aventuras. Diante deste processo pode-se afirmar que a moça é quem levou a senhora a recuar-se para as emoções ocorridas.

Durante uma conversa com a sobrinha, a tia percebe a dissimulação da jovem quando lhe responde uma pergunta que diz respeito às saudades da Tijuca, e a moça para dar mais intensidade à resposta faz gestos que D. Paula acompanhou, observando cada detalhe com seus olhos sagazes. Os mesmos que se mostram na conversa com Conrado, reafirmando, portanto, que ela está sempre atenta ao que acontece ao seu redor.

Diante da dissimulação de Venancinha, a senhora chega a concluir que: ”eles amam-se”. Esta descoberta fez com que avivasse ainda mais suas lembranças. Apesar de lutar contra esses pensamentos, nada adiantou, pois o passado voltara de manso ou de assalto. Desta maneira o narrador faz uma analepse sumarizada, registrando alguns momentos vividos pela tia:

D. Paula tornou aos seus bailes de outro tempo, às suas eternas valsas que faziam pasmar a toda a gente, às mazurcas, que ela metia à cara da sobrinha como sendo a mais graciosa cousa do mundo, e aos teatros, e às cartas, e vagamente, aos beijos.

Desde que a tia retornou ao tempo passado não pôde mais concentrar-se totalmente em sua missão para atingir seu objetivo, isso porque ficava dividida entre o presente e o passado. Contudo:

D. Paula mostrava à sobrinha a superioridade do marido, as suas virtudes e assim também as paixões, que podiam dar um mau desfecho ao casamento, pior que trágico, o repúdio.

Na continuidade do discurso o narrador utiliza uma elipse que é caracterizada como “um segmento nulo de narrativa que corresponde a uma qualquer duração da história.”. “Nove dias depois”, Conrado fez a sua primeira visita à sua esposa e à tia. Durante essa visita ele manteve a mesma conduta de quando chegou até a sua saída; caracterizando-se em uma postura fria. Esse procedimento do marido resume-se em uma dissimulação para atingir os sentimentos de Venancinha, e assim aconteceu pois ela ficou sem reação ao vê-lo daquele jeito, que até temeu a perda do marido e a partir daí tornou o seu principal motivo de sua transformação, ou seja, quando viu o marido naquele estado, decidiu lutar pelo seu casamento.

Após dois dias do ocorrido, a jovem e a senhora vão para um passeio, como de costume, e viram em suas direções, um cavaleiro, em que Venancinha após fixar seus olhos nele, escondeu-se atrás de um muro enquanto D. Paula manteve-se em seu lugar observando-o. Com a reação da mocinha a tia pôde perceber de quem se tratava e que este relacionamento chegou a um grau perigoso, porque a reputação de sua sobrinha estava em risco.

Na mesma noite em que a jovem avistou o rapaz, a senhora com toda a sua experiência manipulou a sobrinha para lhe contar tudo o que aconteceu. O sujeito da enunciação faz neste instante um sumário caracterizando a história da moça, acelerando o tempo do discurso.

O sumário em questão mostra ao leitor o quanto a jovem se encantou com o sujeito, a ponto de comentar dele para o marido que ao escutar “franziu o sobrolho” e que “foi este gesto que lhe deu uma idéia que até então não tinha”. Ou seja, a mulher falou com tanta graça sobre o rapaz, que despertou em Conrado uma certa desconfiança que antes não tinha.

Ainda na residência da tia, Venancinha continuava a revelar à D. Paula os fatos e a senhora escutava-os prestando atenção em cada detalhe pronunciado, fazendo assim com que voltasse a seu espírito jovem, criando, no entanto, mais confiança à moça. Nestas circunstâncias a sobrinha “achou ali uma confidente e amiga”. Na verdade o não julgamento pela tia era mais um ato egoísta do que humano, pois ela encontrou naquele momento em seu passado, mesmo que por alguns instantes. Para melhor exemplificar esta passagem o narrador compara a senhora “a um general inválido, que forceja por achar um pouco do antigo ardor na audiência de outras campanhas”. É como se a senhora tentasse perdoar ela mesma.

Ao longo da confissão Venancinha contou à tia que gostou do rapaz, mas agora estava arrependida e assim foi contando-lhe mais coisas. À medida em que a sobrinha revelava os acontecimentos, D. Paula deliciava-se com as confissões retornando ao seu passado, e no final do discurso da jovem a senhora conclui que esta situação não passava de um prólogo (começo), interessante e violento. Enfim, a tia consegue colocar na cabeça da sobrinha a ideia do erro que quase cometera. Mas para a senhora esta história ainda se passava em sua mente fazendo-a viajar no tempo, isso pode ser notado quando ela “gastou vinte minutos, ou pouco menos, em beber uma xícara de chá e roer um biscoito”.

Em seguida o narrador faz uma alegoria que refere-se exatamente ao que se passou com D. Paula: “esta é a particularidade das folhas, as gerações que passam contam às que chegam as cousas que viram”, que neste caso a senhora viveu a mesma situação em que a sobrinha vive atualmente. Porém D. Paula prefere dissimular ao invés de revelar à sobrinha que passou por experiência similar.

Voltando ao início do conto nota-se uma frase interessante: “Não era possível chegar mais a ponto”, que se repete no decorrer da história. No entanto com esta expressão pode-se observar que Venancinha e D. Paula encontram-se em um ponto em comum. Ou seja, ambas as personagens têm uma história semelhante, a diferença é apenas temporal, uma aconteceu no passado e a outra ocorre no presente.

Partindo da análise do conto referido, verifica-se que o adultério cometido pela personagem que protagoniza o conto foi mais extenso do que da moça, pois este foi apenas um começo e com a ajuda da senhora não foi prolongado.

Contudo, nota-se que apesar de D. Paula ter solucionado o caso de Venancinha, fica para ela a incômoda, inquietante e impossível de ser “resolvida” lembrança do passado.

Tendo em vista nosso interesse em compreender a construção ambígua da personagem D. Paula, percebemos no conto analisado que a perspectiva que prevalece para gerar efeito ambivalente ao comportamento da personagem, que nomeia o conto, é a focalização externa, permitindo assim a visualização do aspecto físico em que se encontra a personagem analisada, o que consequentemente, contribuiu para o estudo do seu comportamento.

Neste texto também foram usados os recursos anisocrônicos, como os sumários e as elipses, com a finalidade de economizar tempo e espaço, simplificando os fatos da diegese. A presença das anacronias e modalidades básicas acrescentam-se também no decorrer do conto em quantidade mínima.

Em relação aos estudos realizados em D. Paula, podemos encontrar uma chave de interpretação para o clássico Dom Casmurro e uma preocupação central da obra de Machado de Assis. Ora, se inicialmente (como em Dom Casmurro) pensamos ser a questão central do conto um dado de enredo (o adultério), logo percebemos o interesse real do escritor que se caracteriza-se em deslocar a atenção do leitor para o efeito que este dado provoca na vida interior da personagem. Ou seja, Machado de Assis direciona o conto, e paralelamente ao que acontece, há sempre o que parece estar acontecendo.

Fonte:
Créditos: Thalita Moraes Guimarães, Letras UEMG, in Passeiweb

25. Concurso de Contos Paulo Leminski (Prazo: 31 de Julho)

Realização

Prefeitura Municipal de Toledo - PR

Inscrição dos contos: de 11/04/2014 a 31/07/2014
Reunião Final da Comissão Julgadora: 30/08/2014
Premiação e lançamento da 5ª Coletânea de Contos Premiados: 26/09/2014

    REGULAMENTO DO CONCURSO

    O Concurso se destina a todas as pessoas interessadas; e cada concorrente poderá participar com apenas um trabalho que ainda não tenha sido premiado em outro concurso ou já publicado em livros, coletâneas ou revistas. O tema é livre e a inscrição gratuita.

    Consideram-se inscritas as obras entregues sob protocolo ou enviadas pelos correios (com registro A.R.), endereçadas à Biblioteca Pública Municipal de Toledo ou à Unioeste - Campus de Toledo, Paraná, aos seguintes endereços:

        Biblioteca Pública Municipal de Toledo Av. Tiradentes, 1165 CEP:85900-230 - Toledo - PR.

        Unioeste - Campus de Toledo - Fone: (045) 3379-7000; R. 3379-7091 Rua da Faculdade, 645 CEP: 85903-000 Caixa Postal 320 – Toledo PR.


    O conto deverá ser apresentado em 01 (uma) via, escrito em língua portuguesa ou espanhola, digitado em espaço 1,5 (um e meio), com fonte Arial, tamanho 11 (onze), podendo ser impresso na frente e verso do papel - mas em sequência - e obedecer a um limite máximo de 20 páginas.

    Deverá constar, no interior do envelope que contém a obra, outro envelope menor (lacrado), contendo em seu interior uma folha na qual constem: o título do conto, nome do autor e seu pseudônimo correspondente, telefones, RG, e-mail e grau de instrução do contista. No entanto, na parte externa desse pequeno envelope, deverão constar apenas o pseudônimo do autor e o título do conto a ser inscrito no concurso. Portanto, em nenhuma das folhas impressas do conto enviado para o concurso poderá constar o nome de seu autor ou tampouco o seu pseudônimo poder fazer uma referência implícita ao seu nome. Caso isso ocorra, o trabalho será excluído do concurso.

    NOTA:: Por exigência das Agências dos Correios, no envelope maior deverá constar o nome do remetente; mas isso não implicará na quebra de sigilo, posto que a comissão que realiza a leitura apenas recebe os contos, identificados apenas com o pseudônimo de seu autor.

    A Comissão Julgadora será composta por oito membros de reconhecido nível intelectual e acadêmico, sendo sua decisão soberana e irrecorrível. O número de integrantes dessa comissão, no entanto, poderá variar, dependendo do número de obras inscritas no evento.

    Premiação:

        Primeiro prêmio: R$ 2.500,00 - (Dois mil e quinhentos reais);
        Segundo prêmio: : R$ 1.800,00 - (Um mil e oitocentos reais);
        Terceiro prêmio: : R$ 1.500,00 - (Um mil e quinhentos reais);

        Melhor Conto Toledano: : R$ 1.000,00 - (Um mil reais);

        NOTA: : A eventual premiação de um conto que já tenha sido premiado em outro concurso implicará na obrigatoriedade de devolução do prêmio pelo respectivo candidato. E contos com indícios de plágio serão automaticamente excluídos do concurso.

    A relação dos contos classificados para premiação e os indicados com menções honrosas será publicada nos órgãos de imprensa da região e nos portais web das instituições promotoras do concurso. Posteriormente, a cada período de cinco anos, os contos serão publicados sob forma de coletânea, reunindo os contos premiados e os que tenham recebido menções honrosas. Por ocasião de seu lançamento, os respectivos autores receberão um determinado número de volumes em seu domicílio, no endereço por eles fornecido. Na última coletânea, 4ª, foram publicados trabalhos do 16º ao 19º evento; e na 5ª, constarão os da 20ª à 24ª edição do concurso, prevista para ser lançada juntamente com a premiação da 25ª edição do evento.

        Os contos premiados consideram-se propriedade da Unioeste e Prefeitura Municipal de Toledo - Biblioteca Pública Municipal, entidades realizadoras do Concurso de Contos Paulo Leminski, para finalidade de publicação da Coletânea de Contos; e aqueles que tenham recebido menções honrosas serão incluídos nessa coletânea mediante cessão de direitos por seus respectivos autores, por meio de documento legal, no caso de que se viabilize uma edição com a finalidade de venda para subsídio e auto sustentação do próprio concurso.

        O produto de uma potencial venda das coletâneas será depositado na conta da Fundação Universitária – Unioeste, mediante acordo com essa entidade; ou na conta da Associação dos Amigos da Biblioteca Pública Municipal de Toledo PR - cujo fundo se destinará exclusivamente para cobertura dos custos de divulgação, comissão julgadora e premiação das subsequentes edições do Concurso de Contos Paulo Leminski.

    O resultado do concurso será divulgado na imprensa e na Internet, nos portais oficiais das instituições promotoras do evento, a seguir: http://www.unioeste.br/leminski e http://www.toledo.pr.gov.br

    .Para a devolução dos contos, as despesas de postagem serão de responsabilidade do solicitante, devendo para tanto enviar envelope já selado, constando nele os dados do destinatário. O conto estará à disposição de seu autor após a divulgação do resultado do concurso por um período de 30 (trinta) dias e, após esse prazo, eles serão incinerados.

    O encaminhamento dos trabalhos na forma prevista neste regulamento implica na concordância com as disposições nele consignadas.

Informações:
Unioeste - Campus de Toledo - PR - (45) 3379-7091
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Concurso Poemas no Ônibus e no Trem/Edição 2014 (Prazo: 16 de Maio)

PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE - PMPA
SECRETARIA MUNICIPAL DA CULTURA - SMC
COORDENAÇÃO DO LIVRO E LITERATURA – CLL

CONCURSO 007 /2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº. 001.000615.14.5
POEMAS NO ÔNIBUS E NO TREM - EDIÇÃO 2014

REGULAMENTO


O presente Regulamento institui normas para o procedimento do Concurso Poemas no Ônibus e no Trem/Edição 2014, observadas as disposições da Lei 8666/93, no que couber.

DA FINALIDADE:
Estimular e divulgar, de forma abrangente, a produção poética. Para tanto, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA), através da Secretaria Municipal da Cultura (SMC) e da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), em parceria com a Companhia Carris Porto-Alegrense, a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) e a Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A – Trensurb, propõem a 23ª edição do Concurso Poemas no Ônibus e 11ª edição do Poemas no Trem, que selecionará até 50 (cinquenta) poemas, de acordo com a demanda por parte das empresas de transporte coletivo, para veiculação na frota de ônibus de Porto Alegre e nos trens da Empresa Trensurb, ressaltando a soberania do Júri na seleção dos mesmos.

DA ORGANIZAÇÃO:
O concurso será organizado pela PMPA, através da Secretaria Municipal da Cultura.

DA INSCRIÇÃO:

3.1. As inscrições podem ser feitas de 31 de março a 16 de maio de 2014, de três formas:

3.1.1. INSCRIÇÃO NA COORDENAÇÃO DO LIVRO E LITERATURA (CLL): cada candidato deverá entregar 06 (seis) cópias do trabalho inscrito e trazer os dados para preencher sua ficha de inscrição (anexo 1). As inscrições podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h, na Coordenação do Livro e Literatura / Editora da Cidade (Av. Erico Verissimo, 307 – Bairro Menino Deus. Porto Alegre - RS).

3.1.2. INSCRIÇÃO PELO CORREIO: cada candidato deverá enviar 06 (seis) cópias do trabalho inscrito e a ficha de inscrição preenchida (anexo 1). A postagem deverá ser efetuada até o dia 18 de maio (será considerada a data do carimbo dos Correios), para o seguinte endereço:

Concurso Poemas no Ônibus e no Trem Edição 2014
Coordenação do Livro e Literatura
Av. Erico Verissimo, 307, Bairro Menino Deus
Porto Alegre / RS CEP: 90160-181


A confirmação da inscrição pode ser feita pelo telefone 0xx 51 3289.8074 ou pelo e-mail poemasonibus@smc.prefpoa.com.br

3.1.3. INSCRIÇÃO PELA INTERNET: cada candidato poderá inscrever APENAS um poema, sob pena de anulação, que deverá ser enviado em formato Word junto com a ficha de inscrição, disponível no site da Prefeitura, preenchida com todos os dados solicitados nela: nome completo, endereço completo, telefone para contato, e-mail, profissão, como ficou sabendo do concurso, título do trabalho. Se não houver título, o autor deverá identificar o poema com o primeiro verso.
As inscrições só poderão ser feitas até às 18h (horário de Brasília) do dia 16 de maio, depois desse horário, o acesso será bloqueado. Se por ventura o sistema aceitar o ingresso de inscrição, a mesma não será considerada válida após o horário estipulado acima. Os trabalhos inscritos no site serão impressos pela Companhia de Processamento de Dados do Município de Porto Alegre (Procempa).
A confirmação da inscrição pode ser feita pelo telefone 0xx 51 3289.8074 ou pelo e-mail poemasonibus@smc.prefpoa.com.br.
IMPORTANTE: Cada participante poderá inscrever apenas um poema, caso haja mais de um poema de uma mesma pessoa, isso implicará na desclassificação automática do candidato ao concurso.                                                                             

ATENÇÃO: quando for feito o anexo do arquivo do poema pela internet, o mesmo deverá conter apenas o poema e título, se houver.

3.2. As inscrições SOMENTE serão efetivadas mediante a entrega do poema de acordo com as seguintes regras:

3.2.1. cada candidato poderá inscrever 01 (hum) único poema que deve ser inédito; entende-se como inédito o poema nunca antes publicado em QUALQUER veículo, seja impresso ou eletrônico (sites, blogs etc).

3.2.2. o poema deverá ter no máximo 14 (quatorze) versos (linhas), em Língua Portuguesa;

3.2.3. entregar 06 (seis) cópias do poema, quando efetuada a inscrição na CLL ou pelo Correios. A inscrição pela Internet obedecerá outra norma.

3.2.4 não serão aceitas cópias manuscritas; os poemas inscritos deverão ser entregues datilografados ou digitados em folha de papel A4 ou ofício, em fonte 12, espaçamento de linha 1,5, no formato vertical e sem imagens, contendo no máximo 45 toques cada verso. Leia-se toque qualquer tecla acionada no teclado no ato da digitação do texto: pontuação, espaço etc. Não serão aceitas inscrições de poemas no formato horizontal da folha.

3.2.5 em cada cópia constará, além do poema, APENAS o título do trabalho.

3.2.6 no caso de inscrições pelos Correios e/ou pessoalmente, NÃO serão aceitos trabalhos que não estiverem estritamente de acordo com este REGULAMENTO e, em envelope anexo, o candidato deverá enviar a ficha de inscrição (anexo 1) preenchida com todos os dados solicitados:

Nome completo.
Dados de documento de identidade (número, órgão expedidor, local de expedição);
Endereço completo;
Telefone para contato;
E-mail, se houver;
Profissão;
Como ficou sabendo do concurso e por que está participando;
Título do trabalho; se não houver título, o autor deverá identificá-lo com o primeiro verso.

3.3. A organização do concurso não se responsabiliza por eventuais problemas de revisão de poemas cuja ficha de inscrição não apresente os dados completos (artigo 3.2.6)

3.4. Os poemas enviados que não estiverem de acordo com o REGULAMENTO terão automaticamente suas inscrições invalidadas.

3.5. As inscrições que não estiverem de acordo com o REGULAMENTO serão automaticamente invalidadas.

Obs: Caso ocorra qualquer problema na inscrição do candidato pela internet, em hipótese alguma deverá ser enviado um novo trabalho, isso implicará numa nova inscrição, não permitida pelo REGULAMENTO. Neste caso, o participante deve procurar a organização do concurso pelos contatos: 51 3289.8074 ou pelo e-mail cll@smc.prefpoa.com.br

4. DA PARTICIPAÇÃO:

O Concurso é aberto a todos os interessados, exceto aos funcionários da PMPA, de acordo com a LC 133/85 (servidores ocupantes de cargo efetivo, ocupantes de Cargo em Comissão, estagiários, terceirizados, contratados e funcionários de autarquias), e dos parceiros da ATP, Carris e Empresa Trensurb. Essa exceção não se aplica aos aposentados.
Os trabalhos inscritos não serão devolvidos.
O ato da inscrição de todos os trabalhos implica automaticamente na cessão dos direitos autorais para publicação (adesivos, coletânea Poemas no Ônibus e no Trem e meios eletrônicos) ou utilização em qualquer outra forma de veiculação do Projeto, sempre que assim for decidido pela SMC.

5. DA SELEÇÃO:

5.1. A Secretaria Municipal da Cultura, através da Coordenação do Livro e Literatura (CLL), designará um júri composto por 5 (cinco) pessoas representativas da área da literatura, nomeado pelo Secretário Municipal da Cultura através de Portaria. A este júri se confere o poder soberano de seleção de até 50 poemas.

    5.2. A Comissão de Seleção terá como critérios:
Criatividade, Ineditismo, Qualidade do Texto (ortografia, normas da língua oral e escrita, estilo).

5.2.1 A Comissão Julgadora atribuirá a cada trabalho pontuação na escala de 1 a 5 para cada critério supracitado, sendo que a nota mínima, 1, deverá ser atribuída ao critério que menos se adequar aos objetivos deste concurso e a nota máxima, 5, àquele que melhor se adequar ao mesmo. Os premiados serão aqueles que atingirem os maiores valores no somatório de pontos.

5.2.2 As pontuações não serão divulgadas.A decisão do Júri é soberana e estará alicerçada pelos critérios que balizam sua escolha.


5.3. A arte gráfica da matriz onde o poema será impresso é elaborada por uma equipe especializada e, uma vez inscrito o poema, o autor concorda com essa condição, isentando-se de qualquer questionamento quanto à apresentação gráfica da matriz. OBS: a disposição visual do poema será mantida tal qual o autor inscreveu no concurso.

5.4. Os membros do corpo de jurados poderão ser remunerados conforme disponibilidade da Secretaria Municipal da Cultura.

6. DA DIVULGAÇÃO DO RESULTADO:

O resultado do Concurso será divulgado durante o mês de setembro de 2014, e pode ser conhecido através do telefone 156 (número de informações da PMPA), do site da PMPA (www.portoalegre.rs.gov.br, entrar em Secretarias, clicar em Cultura, depois em Literatura e Poemas no Ônibus) e terá publicação no Diário Oficial de Porto Alegre e em jornal de grande circulação na Cidade.
Os autores selecionados serão avisados por telefonema ou e-mail, em momento oportuno. A coletânea dos poemas selecionados/2014 será lançada na 60ª Feira do Livro de Porto Alegre.


7. DOS RECURSOS:

7.1.Os interessados poderão impugnar este Edital/Regulamento até 05 (cinco) dias úteis antes da abertura das inscrições com base na Lei 8666/93, artigo 41.  Os pedidos de impugnação devem ser protocolados na Coordenação do Livro e Literatura (haverá formulário específico a ser preenchido no local), mesmo endereço das inscrições. Perderá o direito de impugnar o presente Regulamento quem não o fizer no prazo previsto. Os inscritos, portanto, estarão, automaticamente, em concordância com os termos deste Regulamento.

7.2 Da decisão da Organização do Concurso que inabilitar as inscrições apresentadas, em razão de documentos exigidos ou apresentados em desconformidade com o exigido, caberá recurso administrativo de 05 (cinco) dias úteis, a contar da publicação do resultado no DOPA e protocolados na Coordenação do livro e Literatura. O recurso apresentado será julgado no prazo máximo de 05 (cinco) dias úteis.

8. DA PREMIAÇÃO:

O prêmio aos selecionados será a veiculação dos poemas nos ônibus de Porto Alegre e trens da Trensurb, e a edição e lançamento de livro com os poemas selecionados, mais uma cota de livros equivalente a 30% do total da edição, valor a ser dividido entre os autores selecionados a título de quitação de direitos autorais.

9. DA DOTAÇÃO ORÇAMENTÁRIA:

As despesas decorrentes do presente Concurso correrão por conta da dotação orçamentária n° 1003.2429.339036.

10. DAS OUTRAS DISPOSIÇÕES:

A inscrição dos trabalhos neste concurso implica conhecimento integral dos termos do presente Regulamento. Casos omissos serão resolvidos pela SMC, observada a legislação pertinente.

11. DO CRONOGRAMA:

11.1 Inscrições: de 31 de março a 16 de maio de 2014.

11.2 Seleção: primeira quinzena de agosto de 2014.

11.3. Divulgação do resultado: segunda quinzena de agosto de 2014.

11.4. Lançamento do livro: em dia a confirmar, durante a 60ª Feira do Livro de Porto Alegre.

INFORMAÇÕES e obtenção do inteiro teor do Regulamento.

Coordenação do Livro e Literatura
Centro Municipal de Cultura
Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues
(Av. Erico Verissimo, 307; CEP: 90.160-181)
e-mail: cll@smc.prefpoa.com.br;
www.portoalegre.rs.gov.br/smc
Telefone: 0xx 51 3289 8074
Horário: das 9h às 12h e das 14h às 18h.

Porto Alegre, ........ de ............... de 2014.

Roque Jacoby
Secretário Municipal da Cultura

ANEXO I

Concurso Poemas no Ônibus e no Trem
Edição 2014

INSCRIÇÃO N° ________

Nome:____________________________________Sexo:__________
Identidade:nº_____________________Órgão expedidor:__________
Endereço:______________________________________________________________________
Cidade:_____________________________UF:___________CEP:_________________
Telefone:____________________________
E-mail:___________________________________________
Profissão:_________________________________________
Já participou:__________________ 
Como soube:_______________________________________

Título do poema inscrito (ou primeiro verso do poema, se este for sem título):
Forma de inscrição:
(  ) Pelo correio                                      (  ) O próprio autor                                         
(  ) Terceiros

Assinatura: ______________________________


Data: __________________ 
Responsável pela inscrição (CLL):____________________________



COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO

Concurso Poemas no Ônibus e no Trem – Edição 2014                 
INSCRIÇÃO N° __________

Nome:___________________________________________________

Data:________________ 
Assinatura/CLL: ____________________________________________

Obs.: A divulgação dos selecionados será no mês de setembro, no site da Prefeitura de Porto Alegre. Coordenação do Livro e Literatura: 3289 8071/8076/8074 – poemasonibus@smc.prefpoa.com.br

4º Concurso de Microcontos de Humor de Piracicaba (Prazo: 26 de Maio)

Regulamento

1 – Tema

A Prefeitura do Município de Piracicaba, através da Secretaria Municipal da Ação Cultural/Centro Nacional de Humor Gráfico de Piracicaba e a Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”, estabelecem as normas para a participação no 4º CONCURSO DE MICROCONTOS DE HUMOR DE PIRACICABA, que fará parte da programação do 41º Salão Internacional de Humor de Piracicaba/2014, conforme Lei Municipal nº 7064 de 06 de julho de 2011.

1.1 – Os participantes deverão escrever um microconto em português, com até 140 caracteres ( baseado no twitter ), incluindo o título, pontuação e espaçamento.

1.2 – Cada participante poderá enviar somente um microconto, cujo tema é livre e deve apresentar teor humorístico.

2 – Categorias

Todas as faixas etárias podem participar do concurso. Não será permitida a participação dos membros das comissões Organizadora e Julgadora.

3 – Participação

3.1 – Os candidatos deverão enviar o microconto para o e-mail microcontos@piracicaba.sp.gov.br, em formato doc;

3.2 – No e-mail deverão constar dois anexos: um para o microconto, cuja identificação do documento será apenas o título do trabalho, e outro anexo contendo a Ficha de Inscrição, disponível nos sites http://biblioteca.piracicaba.sp.gov.br/site/?page_id=3757 e http://salaodehumor.piracicaba.sp.gov.br;

3.3 – Não serão aceitos outros formatos de ficha de inscrição que não sejam o oficial do concurso;

3.4 – Os três primeiros colocados terão seus trabalhos divulgados nos seguintes endereços eletrônicos:

site do Salão Internacional de Humor: http://www.salaodehumor.piracicaba.sp.gov.br

Blog da Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”: http://biblioteca.piracicaba.sp.gov.br

Blog do programa radiofônico “Educativa nas letras”: http://www.educativanas
letras.blogspot.com.br

Twitter do Microcontos de Humor: http://www.twitter.com/microcontospira

3.5 – Os vencedores do concurso declaram, desde já, serem de suas autorias os microcontos encaminhados ao concurso, ao mesmo tempo que cedem e transferem à Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”, sem quaisquer ônus para esta em caráter definitivo, plena e totalmente, todos os direitos autorais sobre os referidos microcontos, para qualquer tipo de utilização, publicação ou reprodução na divulgação do resultado.

3.6 – Os cem melhores microcontos selecionados pela Comissão Julgadora serão reunidos em uma antologia, que será editada pela Secretaria Municipal de Ação Cultural e distribuída gratuitamente;

3.7 – Aos classificados não será paga taxa monetária alguma;

3.8 – Fica assegurada, com o máximo de rigor, a confidencialidade dos dados pessoais dos concorrentes.

4 – Prazos
Período de inscrição : de 1 4 de abril até 26 de maio de 2014

Divulgação do resultado: 02 de julho de 2014

Premiação: 23 de agosto de 2014 , às 15h00, no Anfiteatro “Alceu Maynard Araújo” da Biblioteca Pública Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”.

5 – Premiação

1º lugar – R$ 800,00 (oitocentos reais);
2º lugar – R$ 500,00 (quinhentos reais);
3º lugar – R$300,00 (trezentos reais).

6 – Comissões

O 4º Concurso de Microcontos de Humor contará com duas comissões

Comissão de Organização:
contará com representantes do Centro Nacional de Humor Gráfico de Piracicaba, Presidente do 41º Salão Internacional do Humor, da Biblioteca Pública Municipal de Piracicaba e a (o) Secretária (o) Municipal da Ação Cultural que tem a função de organização do Concurso, da indicação dos membros da Comissão de Seleção e Premiação e da organização da solenidade de premiação .

Comissão Julgadora:
se encarregará de selecionar os 100 melhores microcontos de humor para fazer parte de uma publicação e destes 100, deverá escolher os 3 melhores trabalhos classificando – os em 1º, 2º e 3º lugar para uma premiação especial.

A decisão desta comissão será soberana e irrecorrível.

Composição:
A Comissão Julgadora será formada por 5 jurados de reconhecida capacidade e atuantes na área.

7 – Disposições Finais

7.1 – Serão automaticamente desclassificados os trabalhos encaminhados fora do prazo estipulado e/ou não estiverem dentro das normas estabelecidas neste regulamento;

7.2 – Os trabalhos com teor pornográfico e/ou que possam ser considerados ofensivos serão sumariamente excluídos;

7.3 – A participação neste concurso cultural implica na aceitação irrestrita deste regulamento;

7.4 – O participante autoriza, desde já, a utilização de seu nome e imagem para fins de divulgação/promoção do concurso literário.

Piracicaba, fevereiro de 201 4

Ficha de Inscrição
http://biblioteca.piracicaba.sp.gov.br/site/wp-content/uploads/2012/04/Ficha-de-Inscri%C3%A7%C3%A3o-Microcontos-20141.doc

II Prêmio Escriba de Crônicas – 2014 (Prazo:30 de maio)

1 – O II PRÊMIO ESCRIBA DE CRÔNICAS, oficializado por Lei Municipal, é promovido pela Prefeitura do Município de Piracicaba, através da Secretaria Municipal da Ação Cultural e da Biblioteca Pública Municipal de Piracicaba “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”, com o apoio das Instituições Literárias de Piracicaba, com objetivo de dar oportunidade de expressão e manifestação a todo segmento de público.

Os concorrentes deverão ter a idade mínima de 15 (quinze) anos.

2 – As crônicas serão inscritas mediante o cumprimento das seguinte exigência 2.1 -
Somente pelo site: http://biblioteca.piracicaba.sp.gov.br/premioescriba

Os candidatos deverão mandar os três trabalhos inscritos somente para o site: http://biblioteca.piracicaba.sp.gov.br/premioescriba

a ) Os arquivos deverão ser enviados no formato DOC (Word)

b) Serão aceitos somente os trabalhos enviados com a ficha de inscrição disponível para download no site. Outras formas de inscrição que não sejam a oficial serão imediatamente desclassificadas.

3 – Fica assegurada, com o máximo rigor, a confidencialidade dos dados pessoais dos concorrentes. Os arquivos com os dados pessoais dos candidatos ficarão resguardados, sendo absolutamente desconhecidos dos membros da Comissão Julgadora.

4 – As inscrições estarão abertas de 22 de abril de 2014 até 30 de maio de 2014, no seguinte endereço eletrônico:
http://biblioteca.piracicaba.sp.gov.br/premioescriba

5 – Os autores do primeiro, do segundo e do terceiro trabalhos classificados receberão um troféu, um diploma e, respectivamente, os valores de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), R$ 3.000,00 (três mil reais) e R$ 2.000,00 (dois mil reais).

6 ─ Excetuando – se os três primeiros trabalhos premiados em 1º, 2º e 3º lugar , o melhor trabalho de escritor local (natural do município de Piracicaba ou nele residente há mais de dois anos) será premiado com a entrega de um TROFÉU especial , que se constitui do mesmo troféu do Prêmio Escriba com a seguinte descrição “ Melhor de Piracicaba – Homenagem a José de Alcantara Machado de Oliveira e da quantia de R$ 1.500,00.

7 – Os trabalhos terão a seguinte classificação:

Os três primeiros lugares; o melhor de Piracicaba; 7 menções honrosas e 10 selecionados.

8 – A Secretaria Municipal da Ação Cultural indicará um júri constituído de 05 (cinco) intelectuais de reconhecida capacidade, atuantes na área da literatura, os quais procederão à seleção dos trabalhos inscritos, classificando as 21 (vinte e uma) melhores crônicas. Os trabalhos não classificados serão deletados após a seleção e premiação.

9 – As 21 (vinte e uma) crônicas selecionadas serão reunidas numa Antologia, que será editada pela Secretaria Municipal da Ação Cultural e oferecida aos participantes e entidades culturais sem custos adicionais.

10 – Aos classificados não será paga taxa monetária alguma a título de direitos autorais.

11 – A Secretaria Municipal da Ação Cultural se reserva o direito de veicular a Antologia da maneira que melhor lhe aprouver, sem fins lucrativos.

12 – Os prêmios serão conferidos em cerimônia a ser realizada no dia 18 de outubro de 2014 as 19h30 na Biblioteca Pública Municipal de Piracicaba. Todos os classificados receberão diplomas e 10 (dez) exemplares da antologia.

13 – O julgamento será realizado até o mês de agosto de 2014.

14 – Os concorrentes serão notificados do resultado por e-mail, e por divulgação na Imprensa a partir da segunda quinzena de setembro.

15 – O simples envio das crônicas implica na aceitação direta deste regulamento.

16 – Os trabalhos remetidos em desacordo com este Regulamento (falta de dados precisos ou de difícil identificação e aqueles corrompidos ou infectados etc.) serão sumariamente desclassificados.

17 – A decisão do júri é irrecorrível e não caberão recursos.

18 – Os trabalhos enviados com teor preconceituoso, pornográfico ou que possa ser considerado ofensivo serão desclassificados.

19 – Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela Comissão Organizadora e a de seleção e Premiação e pela Coordenadoria do II Prêmio Escriba de Crônicas.

Prêmio Lila Ripoll 2014 (Prazo: 30 de Maio)

REGULAMENTO

I. Da Finalidade

O Prêmio Lila Ripoll de Poesia visa fomentar o desenvolvimento cultural e estimular a criação artística, por intermédio da divulgação e valorização da poesia dedicada às causas sociais e às questões de gênero, bem como dar visibilidade a novos talentos literários, sendo realizado anualmente pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.

II. Da Organização

O Concurso será organizado por uma comissão específica para este fim, a ser designada pela Mesa da Assembleia Legislativa, formada por um Deputado e dois servidores indicados pela Superintendência – Geral, sendo ao menos um deles representante do Departamento de Relações Públicas e Atividades Culturais.

III. Da Inscrição

As inscrições serão realizadas no período de 30 de março a 30 de maio, e deverão ser efetivadas de acordo com as seguintes regras:

1. As poesias deverão ser digitadas em arquivo de editor de texto na fonte “Times New Roman” com tamanho 12 (doze), página formato A4, contendo no máximo 14 (catorze) versos ou linhas, em língua portuguesa, apenas identificadas pelo título no topo do texto e pseudônimo do autor no rodapé da página de cada poesia;

2. As poesias deverão ser gravadas em um mesmo arquivo eletrônico cuja denominação consistirá no seu pseudônimo seguido da palavra “poesia” separado por hífen, como por exemplo, “rosadosventos – poesia.doc”;

3. A identificação do autor da poesia consistirá em um outro arquivo eletrônico de texto cuja denominação consistirá no seu pseudônimo seguido da palavra “identificação” separado por hífen, como por exemplo, “rosadosventos – identificação.doc”, e deverá conter:
a) nome completo e breve currículo;
b) endereço co
mpleto;
c) telefone para contato;
d) e-mail alternativo;
e) profissão; e
f) como tomou conhecimento do Concurso;

4. Os arquivos descritos nos itens 2 e 3, contendo a(s) poesia(s) e a respectiva identificação do autor, deverão ser enviados por e-mail para:
lila.ripoll@al.rs.gov.br
informando no campo “Assunto” a frase “ Prêmio Lila Ripoll 2014”;

5. A confirmação da inscrição se dará somente pela resposta da comissão organizadora
para o e-mail utilizado no envio da inscrição; caso o participante não receba a confirmação por este e-mail, deverá entrar em contato com a Divisão de Prêmios da Assembleia Legislativa através dos fones (51)3210-1112 ou (51)3210-1129;

6. Os trabalhos inscritos não serão devolvidos;

7. Cada autor poderá apresentar, no máximo, 03 (três) trabalhos, que deverão ser inéditos;

8. A comissão organizadora não se responsabilizará por inscrição que eventualmente não for recebida por questões técnicas ou por erro de envio;

9. No ato do recebimento das inscrições, os arquivos a que se referem os itens 2 e 3 serão separados e somente serão reunidos para a identificação dos vencedores após a deliberação da comissão julgadora;

10. O ato da inscrição implica, automaticamente, ciência de que cessarão os direitos autorais caso o trabalho seja selecionado para publicação ou utilização em qualquer outra forma de veiculação;

11. Não serão aceitas inscrições por meio físico (papel).

Organização:
Assembleia Legislativa do RS

Contato - Mais informações e Dúvidas:
lila.ripoll@al.rs.gov.br

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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