Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 31 de maio de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 148)


Uma Trova de Curitiba/PR
NEI GARCEZ


O melhor amigo, em tudo,
de atitude sempre pronta,
nos quer bem e não é mudo:
nossos erros nos aponta.

Uma Trova Humorística, de Fortaleza/CE
FRANCISCO JOSÉ PESSOA


Nos quatro dias de momo
ante tanta bebedeira,
eu estarei, não sei como,
quando chegar quarta-feira!

Uma Trova Premiada  em Pedralva/MG, 1963
CORIOLANO HENRIQUES DA SILVA CAMPOS (Maringá/PR)

 

- O que tens, minha netinha,
com este choro profundo?
- Morreu a sua filhinha...
E eu perdi tudo no mundo...

Uma Trova De Mogi-Guaçu/SP
OLIVALDO JUNIOR


No sertão de minha vida,
vivo feito o Riobaldo:
só "veredas" dão guarida
para o rio do Olivaldo.

Um Poema de de Mariana/MG
ALPHONSUS DE GUIMARAENS FILHO
(Afonso Henriques de Guimarães Filho)
Mariana/MG (1918 – 2008) Rio de Janeiro/RJ

Canção

O leve vento me leve
Para as praias de além-mar.
O leve vento me leve...
Para em luzes me banhar.
Quero um sopro de inocência
Que afoga os caminhos mortos
Onde estaria a saudade
E treme na luz das velas
Nos velórios de além-mar?

Quero fugir da loucura
Que prende os corpos no mar.

Em tudo que me esperava
Jamais pureza encontrei.
Fui gemido, tédio, noite,
Fui vagabundo e fui rei.
E me buscando no mundo
No mundo não me encontrei.
O leve vento me leve,
Para as praias de além-mar.
O leve vento me leve,
Me deste em praias macias,
Me deste as bocas macias
Nas namoradas do mar.
Quero um sopro de inocência .
Para em luzes me banhar.

Trovadores que deixaram Saudades
MARIO QUINTANA
Alegrete/RS (1906 – 1994) Porto Alegre/RS


Sorri com tranquilidade
quando alguém te calunia;
se ele dissesse a verdade,
quem sabe o que não diria…

Um Poema da Ilha de São Vicente/Cabo Verde
ONÉSIMO DA SILVEIRA

As águas


 A chuva regressou pela boca da noite
Da sua grande caminhada
Qual virgem prostituída
Lançou-se desesperada
Nos braços famintos
Das árvores ressequidas!

   (Nos braços famintos das árvores
Que eram os braços famintos dos homens...)  

 Derramou-se sobre as chagas da terra
E pingou das frestas
Do chapéu roto dos desalmados casebres das ilhas
E escorreu do dorso descarnado dos montes!  

 Desceu pela noite a serenar
A louca, a vagabunda, a pérfida estrela do céu
Até que ao olhar brando e calmo da manhã
Num aceno farto de promessas
Ressurgiu a terra sarada
Ressomando a fartura e a vida! 
Nos braços das árvores...
Nos braços dos homens...

Uma Aldravia de Belo Horizonte/MG
CLEVANE PESSOA


Perfume
floral
alcança
espíritos
adoça
sonhos

Um Haicai de São Paulo/SP
IRENE M. FUKE

 

Brancas e vermelhas
Perfume na banca de frutas
Tempo de goiabas!

Recordando Velhas Canções
PADRE CELSO DE CARVALHO
Curvelo/MG, radicado em Diamantina/MG (1913 – 2000)

Diamantina em Serenata


Quando a noite alinda lua
Torna as pedras cor de prata
Diamantina sai à rua
Transformada em serenata
Seresteiros indomados
Dedilhando violões
Levam música aos ouvidos
E saudade aos corações.

A seresta apaixonada
Corre as ruas do Macau
Capistrana Cavalhada
São Francisco, Burgalhau
Essas ruas serpeantes
É tão fácil entendê-las
Descem doidas por diamantes
Sobem ávidas de estrelas.

O Itambé mesmo de longe
Ouve os sons quase em surdina
Ergue as mãos azuis de monge
E abençoe Diamantina
Se de um sonho nada resta
Só saudade, só, mais nada,
Como é linda uma seresta,
Numa noite enluarada.

Um Poema de Portugal
AFONSO DUARTE
Montemor-o-Velho (1884 – 1958) Coimbra

Saudades do Corgo


Murmúrio de água em Terra da Purinha,
Lembra a voz da montanha o meu amor.
Oh água em quebra voz “sou teu, és minha”!
Rescende em mim a madressilva em flor.

 — Suas palavras dão perfume ao vento,
— Seus Olhos pedem o maior sigilo...
Sóror amando às grades de um convento,
Ó Sóror dum romance de Camilo!

 De longe e ausente ao seu perfil do Norte,
Evoco em sonho as Terras do luar,
— Fragas do Corgo em medievo corte!

 À Lua e ao Sol para a servir e amar,
Quando a ausência vem — quem a suporte!
As saudades são o meu falar.

Um Soneto de Divisa Nova/MG
LAÉRCIO BORSATO

Tributo a Severino Silveira de Sousa


COMO o orvalho emergindo da aurora,
Quando o sol o dissolve na vegetação,
Espalhando pingos de ouro pelo chão,
Para vicejar a relva nativa e a flora;

Assim se expandem pelo mundo afora,
Quem sempre extrai da alma e coração,
Nobre sentimento e real dedicação:
-Tudo de bom que de seu âmago aflora...

No livro da vida, um soneto perfeito!
Rendo-me, aqui, com todo meu respeito,
Ao colega gaúcho, exímio trovador:

-Poeta Severino Silveira de Sousa!...
Pássaro cantor!...No galho onde pousa,
Com sua lira faz - "caramanchéis de amor!..."

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Dorothy Jansson Moretti (Baú de Trovas) 13


Folclore Brasileiro (Mitos Indígenas) Arutsãm, o sapo astucioso

O sapo Arutsãm foi ao encontro de seu cunhado onça, para dele tomar emprestado um arco e uma gaita de bambu.

Aproximando-se de seu território, foi alertado por outros animais, com ironia, do perigo que estava correndo. Mesmo assim prosseguiu.

A onça mostrou-se gentil ao recebê-lo, convidando-o para um banho no lago, cuidando, porém, para que sempre caminhasse atrás do convidado.

Arutsãm desconfiado, manteve-se atento.

Ao anoitecer a onça esperou ansiosa que o cunhado adormecesse, aguardando o momento ideal para devorá-lo. Arutsãm, entretanto, colocou sobre os seus, olhos de um vagalume, ludibriando assim a onça, que o julgava acordado e não ousou atacá-lo.

No dia seguinte, já de posse do arco e da gaita, despediu-se agradecido de seu anfitrião. Esperto que era, espalhou formigas no caminho, que, atacando a onça, faziam com que esta batesse as patas no chão, acusando sua proximidade.

Arutsãm seguia o seu caminho. Passava agora pelo território das serpentes, a quem seu inimigo incansável pediu que o apanhassem. O astuto sapo atraiu-as até o lago, saltando velozmente para outra margem, escapando à sua perseguição.

Chegando à aldeia das cobras, apressou-se em quebrar todas as panelas de barro de suas fêmeas. Ao verem o estrago, estas o perseguiram enfurecidas.

Neste momento, partiu Arutsãm para seu grande salto: como um toque mágico, pulou para a lua, onde, zombeteiro, está eternamente a tocar sua gaita.

Ainda hoje, em noites claras, a onça contempla a lua (Iaê), lamentando o fracasso do seu plano traidor.

Fonte:
Jayhr Gael (Mitos indígenas). www.caminhodewicca.com.br

Machado de Assis (Almas Agradecidas) Capítulo II

Três dias depois, apareceu Magalhães no escritório de Oliveira; falou na sala a um porteiro que lhe pediu o cartão.

— Não tenho cartão, respondeu Magalhães envergonhado; esqueci-me de o trazer; diga-lhe que é o Magalhães.

— Queira esperar alguns minutos, tornou o porteiro; ele está conversando com uma pessoa.

Magalhães assentou-se numa cadeira de braços, enquanto o porteiro assoava silenciosamente o nariz e tomava uma pitada de rapé, que lhe não ofereceu. Magalhães examinou detidamente as cadeiras, as estantes, os quadros de gravuras, os capachos e as escarradeiras. A sua curiosidade era minuciosa e sagaz; parecia estar avaliando o gosto ou a riqueza de seu ex-colega.

Minutos depois, ouviu-se um rumor de cadeiras, e não tardou que viesse da sala do fundo um velho alto e empertigado, vestido com certo apuro, a quem o porteiro fez largos cumprimentos até o patamar da escada.

Magalhães não esperou que o porteiro fosse avisar Oliveira; atravessou o corredor que separava as duas salas e foi ter com o amigo.

— Ora, viva! disse este apenas o viu entrar. Estimo que não lhe houvesse esquecido a promessa. Sente-se; chegou a casa com chuva? — Começou a chuviscar, quando eu me achava a dois passos da porta, respondeu Magalhães.

— Que horas são? — Pouco mais de duas, creio eu.

— O meu relógio está parado, disse Oliveira, lançando o olhar de esguelha para o colete de Magalhães, que não tinha relógio. Naturalmente, ninguém mais me procurará hoje; e ainda que venham, quero descansar.

Oliveira tocou a campainha apenas acabou de proferir estas palavras. Veio o porteiro.

— Se vier alguém, disse Oliveira, não estou cá.

O porteiro inclinou-se e saiu.

— Estamos livres de importunos, disse o advogado, apenas o porteiro virou as costas.

Todas estas maneiras e palavras de simpatia e cordialidade foram angariando a confiança de Magalhães, que começou a parecer alegre e franco com o seu ex-colega.

Longa foi a conversa, que durou até às 4 horas da tarde. As 5 jantava Oliveira; mas o outro jantava às 3, e se o não disse, era talvez por deferência, se não fosse por cálculo.

Um jantar copioso e escolhido não era melhor que o ramerão culinário de Magalhães? Fosse uma ou outra coisa, Magalhães suportou a fome com admirável denodo. Eram 4 horas da tarde, quando Oliveira deu acordo de si.

— Quatro horas! exclamou ele, ouvindo as badaladas de um sino próximo. Naturalmente, já você perdeu a hora do jantar.

— Assim é, respondeu Magalhães; eu costumo jantar às 3 horas. Não importa; adeus.

— Isso é que não; há de ir jantar comigo — Não; obrigado...

— Ande cá, jantaremos no hotel mais próximo, porque a minha casa é longe. Eu ando com ideia de mudar de casa; estou muito fora do centro da cidade. Vamos aqui ao Hotel de Europa.

Os vinhos eram bons; Magalhães gostava de vinhos bons. No meio do jantar, tinha-se-lhe desenvolvido completamente a língua. Oliveira fazia quanto podia para tirar ao amigo da infância toda espécie de acanhamento. Isto e o vinho deram excelente resultado.

Desta ocasião em diante foi que Oliveira começou a apreciar o ex-colega. Era Magalhães um rapaz de agudo espírito, boa observação, conversador ameno, um pouco lido em obras fúteis e correntes. Tinha, além disso, o dom de ser naturalmente insinuante. Com estas prendas juntas não era difícil, era antes facílimo angariar as boas graças de Oliveira, que, à sua extrema bondade, reunia uma natural confiança, ainda não diminuída pelos cálculos da vida madura. Demais Magalhães tinha sido infeliz; esta circunstância era aos olhos de Oliveira um realce. Finalmente, o seu ex-colega já lhe confiara no trajeto do escritório ao hotel, que não contava um amigo debaixo do sol. Oliveira queria ser esse amigo.

Qual importa mais à vida, ser Dom Quixote ou Sancho Pança? O ideal ou o prático? A generosidade ou a prudência? Oliveira não hesitava entre esses dois opostos papéis; nem sequer pensara neles. Estava no período do coração.

Apertaram-se os laços da amizade entre os dois colegas. Oliveira mudou-se para a cidade, o que deu azo a que os dois amigos se encontrassem mais vezes. A frequência veio a uni-los ainda mais.

Oliveira apresentou Magalhães a todos os seus amigos; levou-o à casa de alguns. A sua palavra afiançava o hóspede que, dentro em pouco tempo, captava as simpatias de todos.

Nisto era Magalhães superior a Oliveira. Não faltava ao advogado inteligência, nem maneiras, nem dom para se fazer estimado. Mas os dotes de Magalhães superavam os dele. A conversa de Magalhães era mais picante, mais variada, mais atraente. Há muito quem prefira a amizade de um homem sarcástico, e Magalhães tinha seus longes de sarcástico.

Não se magoava com isto Oliveira, antes parecia ter certa glória em ver que seu amigo obtinha por seu mérito a estima dos outros.

Facilmente acreditará o leitor que estes dois amigos se fizessem confidentes de todas as coisas, principalmente de coisas de amores. Nada esconderam a este respeito um ao outro, com a diferença de que Magalhães, não tendo amores atuais, confiou ao amigo apenas algumas proezas antigas, ao passo que Oliveira, a braços com algumas aventuras, não dissimulou nenhuma delas, e tudo contou a Magalhães.

E foi bem que o fizesse, porque Magalhães era homem de bom conselho, dava ao amigo pareceres sensatos, que ele ouvia e aceitava com grande proveito seu e para maior glória da recíproca amizade.

A dedicação de Magalhães ainda se manifestava por outro modo. Não era raro vê-lo desempenhar um papel de conciliador, auxiliar uma inocente mentira, ajudar o amigo em todas as dificuldades que o amor depara aos seus alunos.
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continua...
 
Fonte:
www.dominiopublico.gov.br

Gonçalves Dias (Primeiros Cantos) 5

Amor! Delírio – Engano

Y el llanto que en su cólera derrama,
La hoguera apaga del antiguo amor!
- Zorrilla


Amor! delírio - engano... Sobre a terra
Amor tão bem fruí; a vida Inteira
Concentrei num só ponto - amá-la, e sempre.
Amei! - dedicação, ternura, extremos
Cismou meu coração, cismou minha alma,
- Minha alma que na taça da ventura
Vida breve d’amor sorveu gostosa.
Eu e ela, ambos nós, na terra ingrata
Oásis, paraíso, éden ou templo
Habitamos uma hora; e logo o tempo
Com a foice roaz quebrou-lhe o encanto,
Doce encanto que o amor nos fabricara.
E eu sempre a via!... quer nas nuvens d’oiro
Quando ia o sol nas vagas sepultar-se,
Ou quer na branca nuvem que velava _
O círculo da lua, - quer no manto
D’alvacenta neblina que baixava
Sobre as folhas do bosque, muda e grave,
Da tarde no cair; nos céus, na terra,
A ela, a ela só, viam meus olhos.
Seu nome, sua voz - ouvia eu sempre;
Ouvia-os no gemer da parda rola,
No trépido correr da veia argêntea,
No respirar da brisa, no sussurro
Do arvoredo frondoso, na harmonia
Dos astros inefável; - o seu nome!
Nos fugitivos sons de alguma frauta,
Que da noite o silêncio realçavam,
Os ares e a amplidão divinizando,
Ouviam meus ouvidos; e de ouvi-lo
Arfava de prazer meu peito ardente.
Ah! quantas vezes, quantas! junto dela
Não senti sua mão tremer na minha;
Não lhe escutei um lânguido suspiro,
Que vinha lá do peito à flor dos lábios
Deslizar-se e morrer?! Dos seus cabelos
A mágica fragrância respirando,
Escutando-lhe a voz doce e pausada,
Mil venturas colhi dos lábios dela,
Que Instantes de prazer me futuravam.
Cada sorriso seu era uma esp’rança,
E cada esp’rança enlouquecer de amores.
E eu amei tanto! - Oh! não! não hão de os homens
Saber que amor, à ingrata, havia eu dado;
Que afetos melindrosos, que em meu peito
Tinha eu guardado para ornar-lhe a fronte!
Oh! - não, - morra comigo o meu segredo;
Rebelde o coração murmure embora.
Que de vezes, pensando a sós comigo,
Não disse eu entre mim: - Anjo formoso,
Da minha vida que farei, se acaso
Faltar-me o teu amor um só instante;
- Eu que só vivo por te amar, que apenas
O que sinto por ti a custo exprimo?
No mundo que farei, como estrangeiro
Pelas vagas cruéis à praia Inóspita
Exânime arrojado? - Eu, que isto disse,
Existo e penso - e não morri, - não morro
Do que outrora senti, do que ora sinto
De pensar nela, de a rever em sonhos,
Do que fui, do que sou e ser podia!
Existo; e ela de mim jaz esquecida!
Esquecida talvez de amor tamanho,
Derramando talvez noutros ouvidos
Frases doces de amor, que dos seus lábios
Tantas vezes ouvi, - que tantas vezes
Em êxtase divino aos céus me alçaram,
- Que dando à terra ingrata o que era terra
Minha alma além das nuvens transportaram.
Existo! como outrora, no meu peito
Férvido o coração pular sentindo,
Todo o fogo da vida derramando
Em queixas mulheris, em moles versos.
E ela!... ela talvez nos braços doutrem
Com sua vida alimenta uma outra vida,
Com o seu coração o de outro amante,
Que mais feliz do que eu, inferno! a goza.
Ela, que eu respeitei, que eu venerava
Como a relíquia santa! - a quem meus olhos,
Receando ofendê-la, tantas vezes
De castos e de humildes se abaixaram!
Ela, perante quem sentia eu presa
A voz nos lábios e a paixão no peito!
Ela, ídolo meu, a quem o orgulho,
A força d’homem, o sentir, vontade
Própria e minha dediquei, - sujeita
À voz de alguém que não sou eu, - desperta,
Talvez no instante em que de mim se lembra,
Por um ósculo frio, por carícias
Devidas dum esposo!...
Oh! não poder-te,
Abutre roedor, cruel ciúme,
Tua funda raiz e a imagem dela
No peito em sangue espedaçar raivoso!
Mas tu, cruel, que és meu rival, numa hora,
Em que ela só julgar-se, hás de escutar-lhe
Um quebrado suspiro do imo peito,
Que d’eras já passadas se recorda.
Hás de escutá-lo, e ver-lhe a cor do rosto
Enrubescer-se ao deparar contigo!
Presa serás também d’atros cuidados,
Terás ciúme, e sofrerás qual sofro:
Nem menor que o meu mal quero a vingança.

Delírio

Quando dormimos o nosso espírito vela.
- Ésquilo


A noite quando durmo, esclarecendo
As trevas do meu sono,
Uma etérea visão vem assentar-se
Junto ao meu leito aflito!
Anjo ou mulher? não sei. - Ah! se não fosse
Um qual véu transparente,
Como que a alma pura ali se pinta
Ao través do semblante,
Eu a crera mulher... - E tentas, louco,
Recordar o passado,
Transformando o prazer, que desfrutaste,
Em lentas agonias?!
Visão, fatal visão, por que derramas
Sobre o meu rosto pálido
A luz de um longo olhar, que amor exprime
E pede compaixão?
Por que teu coração exala uns fundos,
Magoados suspiros,
Que eu não escuto, mas que vejo e sinto
Nos teus lábios morrer?
Por que esse gesto e mórbida postura
De macerado espírito,
Que vive entre aflições, que já nem sabe
Desfrutar um prazer?
Tu falas! tu que dizes? este acento,
Esta voz melindrosa,
Noutros tempos ouvi, porém mais leda;
Era um hino d’amor.
A voz, que escuto, é magoada e triste,
- Harmonia celeste,
Que à noite vem nas asas do silêncio
Umedecer as faces
Do que enxerga outra vida além das nuvens.
Esta voz não é sua;
É acorde talvez d’harpa celeste,
Caído sobre a terra!
Balbucias uns sons, que eu mal percebo,
Doridos, compassados,
Fracos, mais fracos; - lágrimas despontam
Nos teus olhos brilhantes...
Choras! tu choras!... Para mim teus braços
Por força irresistível
Estendem-se, procuram-me; procuro-te
Em delírio afanoso.
Fatídico poder entre nós ambos
Ergueu alta barreira;
Ele te enlaça e prende... mal resistes...
Cedes enfim. . . acordo!
Acordo do meu sonho tormentoso,
E choro o meu sonhar!
E fecho os olhos, e de novo intento
O sonho reatar.
Embalde! porque a vida me tem preso;
E eu sou escravo seu!
Acordado ou dormindo, é triste a vida
Dês que o amor se perdeu.
Há contudo prazer em nos lembrarmos
Da passada ventura,
Como o que educa flores vicejantes
Em triste sepultura.

Epicédio

Passa la bella donna e par che dorma.
- Tasso


Seu rosto pálido e belo
Já não tem vida nem cor!
Sobre ele a morte descansa,
Envolta em baço palor.
Cerraram-se olhos tão puros,
Que tinham tanto fulgor;
Coração que tanto amava
Já hoje não sente amor;
Que o anjo belo da morte
A par desse anjo baixou!
Trocaram brandas palavras,
Que Deus somente escutou.
Ventura, prazer, ledice
Duma outra vida contou;
E o anjo puro da terra
Prazer da terra enjeitou.
Depois co’as asas candentes
O formoso anjo do céu
Roçou-lhe a face mimosa,
Cobriu-lhe o rosto co’um véu.
Depois o corpo engraçado
Deixou à terra sem vida,
De tênue palor coberto,
- Verniz de estátua esquecida.
E bela assim, como um lírio
Murcho da sesta ao ardor,
Teve a inocência dos anjos,
Tendo o viver duma flor.
Foi breve! - mas a desgraça
A testa não lhe enrugou,
E aos pés do Deus que a crIara
Alma inda virgem levou.
Sai da larva a borboleta,
Sai da rocha o diamante,
De um cadáver mudo e frio
Sai uma alma radiante.
Não choremos essa morte,
Não choremos casos tais;
Quando a terra perde um justo,
Conta um anjo o céu de mais.

Sofrimento

Meu Deus, Senhor meu Deus, o que há no mundo
Que não seja sofrer?
O homem nasce, e vive um só instante,
E sofre até morrer!
A flor ao menos, nesse breve espaço
Do seu doce viver,
Encanta os ares com celeste aroma,
Querida até morrer.
É breve o romper d’alva, mas ao menos
Traz consigo prazer;
E o homem nasce e vive um só instante:
E sofre até morrer!
Meu peito de gemer já está cansado,
Meus olhos de chorar;
E eu sofro ainda, e já não posso alivio
Sequer no pranto achar!
Já farto de viver, em meia vida,
Quebrado pela dor,
Meus anos hei passado, uns após outros,
Sem paz e sem amor.
O amor que eu tanto amava do imo peito,
Que nunca pude achar,
Que embalde procurei, na flor, na planta,
No prado, e terra, e mar!
E agora o que sou eu? - Pálido espectro,
Que da campa fugiu;
Flor ceifada em botão; imagem triste
De um ente que existiu...
Não escutes, meu Deus, esta blasfêmia;
Perdão, Senhor, perdão!
Minha alma sinto ainda, - sinto, escuto
Bater-me o coração.
Quando roja meu corpo sobre a terra,
Quando me aflige a dor,
Minha alma aos céus se eleva, como o incenso,
Como o aroma da flor.
E eu bendigo o teu nome eterno e santo,
Bendigo a minha dor,
Que vai além da terra aos céus infindos
Prender-me ao criador.
Bendigo o nome teu, que uma outra vida
Me fez descortinar,
Uma outra vida, onde não há só trevas,
E nem há só penar.

XVI Concurso Literário “Manuel Maria Barbosa Du Bocage” (Prazo: 6 de Junho)

Concurso de poesia e prosa

REGULAMENTO


Art.1º - Objetivos

1 – A LASA, Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão leva a efeito, no ano de 2014, o XVI Concurso Literário “Manuel Maria Barbosa du Bocage”- Concurso de Poesia e Prosa, como forma de promover a criatividade no campo da poesia e do texto em prosa, de incentivar o aparecimento de novos valores e de divulgar a obra deste grande Poeta Nacional, nascido em Setúbal, homenageando os 249 anos do seu nascimento.

Art.2º - Modalidades

1 – As modalidades a Concurso são: Poesia, Revelação, e Conto.

1.1 - A modalidade de Poesia contempla qualquer versão inédita, de tema livre, em poesia, com os limites entre 20 e 30 páginas datilografadas, em formato A4.

1.2 - A modalidade Revelação contempla trabalho inédito, com os limites entre 5 e 10 páginas datilografadas, em formato A4, em poesia ou em prosa, com tema livre, produzido por jovens nascidos depois de 31 de Dezembro de 1992.

1.3 - A modalidade de Conto contempla texto em prosa, inédito, com tema livre, com os limites entre 5 e 10 páginas datilografadas, em formato A4.

1.4 - Os trabalhos apresentar-se-ão com as folhas numeradas, agrafadas ou presas por qualquer outro processo similar, devendo obedecer às seguintes normas de apresentação:

1.4.1 – A letra a utilizar será do tipo “times new roman” ou equivalente, com tamanho 12.

1.4.2 – A separação entre linhas será de 1,5 espaços.

1.4.3 – Nas modalidades de Poesia e de Revelação, um poema poderá ocupar mais do que uma página, mas não poderá haver mais do que um poema por página.

Art.3º - Apresentação de Candidaturas

1 - Cada candidato só pode concorrer a uma das modalidades em concurso.

2 – É possível o mesmo concorrente concorrer com vários trabalhos. Contudo, cada trabalho concorrente deverá ter um pseudônimo diferente e respeitar sempre as alíneas 1.1, 1.2, 1.3 e 1.4 do numero 1 do Art. 2.º.

3 - Os trabalhos serão obrigatoriamente apresentados na língua portuguesa.

4 - Os trabalhos concorrentes deverão manter-se inéditos até à sua publicação em livro, pela LASA, nos termos do regulamento.

5 - Os trabalhos deverão ser enviados até ao dia 6 de Junho de 2014 (data de correio) e dirigidos a:

                   Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão
                  Apartado 292
                  2901- 901 SETÚBAL

6 - Os originais dos trabalhos deverão ser enviados em quatro exemplares, contidos num único sobrescrito,  identificados com pseudônimo, mencionando a categoria a que concorrem, para a direção referida no número anterior e com a indicação ”Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage”.

7 - Cada trabalho (conjunto dos 4 exemplares) será acompanhado de sobrescrito fechado contendo no exterior o pseudônimo do autor e, no interior, uma ficha de identificação com os seguintes elementos: nome, idade, nacionalidade, naturalidade, profissão, local de residência, telefone ou endereço eletrônico e fotocópia do Bilhete de Identidade ou documento equivalente

7.1 – O nome próprio do concorrente não pode constar em lugar algum, a não ser na ficha de identificação a incluir no sobrescrito fechado, mencionado no ponto 7 deste artigo.

8 - Não poderão ser candidatos a este concurso os vencedores da edição anterior, nem os elementos dos Corpos Sociais da LASA e os membros do júri.

Art.4º- Organização

1 - Só serão abertos os sobrescritos de identificação relativos aos trabalhos premiados, após decisão do júri.

2 - Se o concorrente desejar a devolução do respectivo trabalho, deverá enviar juntamente com o mesmo um sobrescrito devidamente franqueado, devendo no endereço constar o pseudônimo (nunca o nome verdadeiro) utilizado para o concurso.

Para os residentes em Portugal sugere-se, para este efeito, a utilização do correio verde dos CTT.

Art.5º- Júri

1 - Os prêmios serão atribuídos por um júri de seleção, que avaliará todas as composições literárias concorrentes.

2 - O júri será constituído por três elementos convidados pela Direção da LASA.

3 - A atribuição dos prêmios, um para cada categoria, será decidida por maioria de votos, reservando-se ao júri o direito de não atribuir prêmio em qualquer das modalidades se a qualidade das composições assim o justificar.

Art.6º Divulgação dos Prêmios

1 - A decisão do júri, de que não haverá recurso, será tornada pública e divulgada através do site da LASA, em www.lasa.pt.

2 - A apresentação dos trabalhos premiados e a entrega dos prêmios será efetuada a 15 de Setembro, data comemorativa do nascimento de Bocage (Dia de Bocage e Dia da Cidade de Setúbal), em cerimônia realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho e integrada nas comemorações oficiais levadas a efeito pela Câmara Municipal de Setúbal.

3 - Os prêmios serão entregues, pessoalmente, aos vencedores ou aos seus representantes, desde que possuidores de procuração notarial (condição obrigatória) na cerimônia pública referida no número anterior.

Art.7º - Prêmios

1 - Os trabalhos vencedores em cada uma das modalidades serão publicados em livro pela LASA, a quem pertencem os respectivos direitos relativamente à primeira edição, que terá uma tiragem não superior a 500 exemplares.

2 - A edição do livro com os trabalhos premiados dos vencedores das modalidades de Poesia, Revelação e Conto do XVI CONCURSO LITERÁRIO "MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE, será apresentada até ao dia 31 de Dezembro, de 2014, em data e local a designar.

3 - A cada autor dos trabalhos premiados serão atribuídos cinquenta exemplares da edição promovida pela LASA e um prêmio monetário.

4 - O prêmio monetário na modalidade de Poesia é de € 2 000,00 (dois mil euros)

5 - O prêmio monetário na modalidade Revelação é de € 1 500,00 (mil e quinhentos euros).

6 - O prêmio monetário na modalidade Conto é de € 1 500,00 (mil e quinhentos euros)

7 - Não serão atribuídos prêmios ex-aequo nem menções honrosas.

Art.8º - Considerações Finais

1 - Os casos omissos e as dúvidas de interpretação deste “Regulamento” serão resolvidas pelo Júri que, para questões não relacionadas com o conteúdo ou forma dos trabalhos concorrentes, poderá ouvir a Direção da LASA.

2 - Uma vez enviados os trabalhos, considera-se que os concorrentes conhecem e aceitam as cláusulas do presente “Regulamento“.

3 – Os trabalhos não reclamados no âmbito do ponto 2 do art.4º, serão totalmente destruídos sob a supervisão da Direção da LASA.

Fonte:
http://www.lasa.pt/index.php/concursos/regulamento

10º Prêmio Maximiano Campos de Literatura (Prazo: 30 de Julho)

REGULAMENTO

O Instituto Maximiano Campos – IMC – é uma organização que tem por finalidade celebrar a vida e a obra literária do escritor pernambucano Maximiano Campos, patrono da instituição, e presta relevantes serviços em favor da cultura literária e artística nos seus diversos segmentos, o que representa um estímulo considerável para a cultura do Estado de Pernambuco e do País.

O Prêmio Maximiano Campos de Literatura, deste ano de 2014, reafirma o propósito de incentivar a arte literária e seus escritores, ampliando, nesta décima edição, o seu alcance: podem participar autores de países de língua oficial portuguesa, respeitando-se a ortografia de cada um.

1. Objetivo:

1.1. Estimular e premiar novos talentos literários do conto e do microconto em Língua Portuguesa.

2. Condições:

2.1. Poderão participar brasileiros natos ou estrangeiros naturalizados. Acha-se igualmente aberto, pela primeira vez, a autores residentes em países de língua oficial portuguesa, desde que seus trabalhos sejam inéditos e cumpram este Regulamento.

2.2. Cada concorrente poderá participar com, no máximo, dois textos rigorosamente inéditos:

01 (um) texto original para a Categoria CONTO,

01 (um) texto original para Categoria MICROCONTO.

Entende-se por inédito o original não editado e não publicado (parcialmente ou em sua totalidade) em antologias, coletâneas, suplementos literários, jornais, revistas e demais publicações do gênero, em quaisquer mídias virtuais ou impressas.

2.4. Os textos enviados para o concurso não poderão ser divulgados por quaisquer meios, total ou parcialmente, até a data da publicação, que será definida pelo IMC.

 3. Inscrições:

    3.1. As inscrições devem ser feitas no período de 9 de maio até 30 de julho de 2014. Os interessados devem acessar a fan page da instituição na rede social Facebook, compartilhar, curtir e preencher corretamente o formulário com os dados solicitados.

3.2. O preenchimento incorreto do formulário resultará na anulação da inscrição sem aviso prévio.

3.3. O concurso contempla 2 categorias e você só pode inscrever-se uma vez em cada uma delas.

Categoria CONTO:

Os textos devem ser escritos em língua portuguesa e ter no máximo 6000 caracteres com espaço, o que equivale a, aproximadamente, 2 páginas de papel A4, com espaço dois e fonte corpo 12.

Categoria MICROCONTO:

Os textos devem ser escritos em língua portuguesa e ter, no máximo, 1500 caracteres com espaço, o que equivale a, aproximadamente, meia página de papel A4, com espaço dois e fonte corpo 12.

4. Seleção:

4.1. Independente do número total de inscritos, serão escolhidos 10 (dez) textos de cada categoria para publicação na antologia do concurso, no entanto, apenas o primeiro colocado da categoria Conto e os três primeiros colocados da categoria Micro Conto terão premiação em dinheiro.

4.2. A seleção será feita por uma Comissão Julgadora composta por pessoas de notórios saberes acadêmicos nesse campo literário.

4.3. O parecer da Comissão Julgadora é irrecorrível.

4.4. Qualquer outro processo/etapa de seleção incluso no concurso ou mudança no seu  desenvolvimento não poderá ser questionado.

5. Critérios:

5.1. Os textos serão analisados a partir dos seguintes critérios:

a. Correção da linguagem, respeitadas as peculiaridades da Língua Portuguesa de cada país lusófono e as “licenças poéticas”.

b. Criatividade.

5.2 A identificação dos originais dar-se-á mediante o preenchimento completo e correto da ficha de inscrição, que conterá: nome completo, número do RG (ou documento de Identificação equivalente), número do CPF (ou registro equivalente do Imposto de Renda), endereço postal, endereço eletrônico (e-mail), telefone com o respectivo DDD, minicurrículo pessoal do autor concorrente. O candidato que enviar a ficha incorreta ou incompleta, com qualquer dado em branco, será automaticamente desclassificado.

6. Premiação:

6.1. Na categoria Conto, os classificados serão premiados da seguinte maneira:

 1º Lugar: R$ 4.000,00 (quatro mil reais) e certificado.

 6.2. Na categoria Microconto, a premiação dar-se-á da seguinte forma:

1º Lugar: R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) e certificado.

2º Lugar: R$ 750,00 (setecentos e cinquenta reais) e certificado.

3º Lugar: R$ 500,00 (cinquenta reais) e certificado.

 6.3. A premiação dos demais classificados será dez exemplares da obra que reúne os contos escolhidos pela comissão julgadora com data da premiação a ser definida. Cada autor receberá um Certificado do IMC, alusivo à sua participação.

6.4. A divulgação dos 10 (dez) selecionados da Categoria Conto e dos 10 (dez) selecionados da Categoria Microconto será feita através do site e redes sociais do IMC, até o dia 25 de setembro de 2014.

7. Publicação e direitos autorais:

7.1. Os candidatos assumem total responsabilidade pela autenticidade dos trabalhos inscritos não respondendo o Instituto Maximiano Campos – IMC – a Coordenação do concurso e a Comissão Julgadora por reclamações de terceiros, a qualquer título e a qualquer tempo.

7.2. A inscrição no concurso implica, automaticamente, na cessão dos direitos do autor ao IMC e à Editora Carpe Diem, gratuitamente, ficando o IMC e a Editora Carpe Diem autorizados a reproduzir os textos na íntegra ou parte deles, com a devida identificação do seu autor, em qualquer lugar e meios de comunicação.

7.3. Os originais e demais documentos entregues ao concurso literário do IMC em razão da participação no presente concurso, não serão devolvidos.

 8. Das disposições gerais

8.1. A inscrição, independente de qualquer outro documento, significa plena aceitação do concorrente quanto aos termos e normas deste Regulamento.

8.2.  As decisões dos jurados são definitivas e irrecorríveis, não havendo reavaliação ou revisão das decisões proferidas.

8.3. Os casos não previstos neste Regulamento serão resolvidos pela Presidência do Instituto Maximiano Campos.

 Acesse o tutorial para inscrições. http://www.imcbr.org.br/2012/index.php/10o-premio-maximiano-campos-de-literatura-tutorial/

Informações:

Marcus Prado, coordenador.

Contatos 55-81- 3269-6134 marcuspradoimprensa@gmail.com

Fonte:
http://www.imcbr.org.br/2012/index.php/10o-premio-maximiano-campos-de-literatura-regulamento

V Concurso Literário Prado Veppo (Prazo: 30 de julho)

A quinta edição do Concurso Literário Prado Veppo reafirma os objetivos dessa promoção do Curso de Letras do Centro Universitário Franciscano em promover e divulgar novos talentos, incentivando a produção literária nacional nos gêneros conto e poesia.

REGULAMENTO:
1.
Modalidades: poesia e conto. minicontos não serão aceitos.

2.
Seleção: os textos serão avaliados por uma comissão julgadora, composta por 3 (três) professores designados pela Comissão Organizadora do concurso. A decisão da Comissão Julgadora será irrecorrível. Os trabalhos inscritos não serão devolvidos.

3.
Premiação: nas duas modalidades, será concedido como prêmio, UM TABLET para o 1° colocado; e haverá menções honrosas para os 2° e 3° lugares.
Todos os trabalhos premiados receberão certificado de participação.

4.
Inscrições: gratuitas, de 10 de março de 2014 a 30 de julho de 2014.
Os trabalhos enviados (postados) fora do prazo serão desclassificados.

5.
Apresentação dos trabalhos: os trabalhos inscritos devem ser apresentados na Língua Portuguesa, espaçamento duplo, margem lateral de 3 cm. Deverão ser digitados em Word, fonte tamanho 12, Times New Roman, impressos com qualidade, em folha A4 (210 x297), em apenas uma das faces. Cada autor poderá inscrever, no máximo, 2 (dois) trabalhos, um em cada modalidade, que deverão apresentar título, obrigatoriamente.

6.
Envio dos trabalhos: Os trabalhos devem ser encaminhados dentro de um envelope grande e, dentro desse envelope, um menor, lacrado, contendo em seu interior a ficha de inscrição (abaixo) completamente preenchida. Pseudônimo que permita a identificação do nome real do autor desclassifica o concorrente. Enviar uma cópia em CD e 4 (quatro) vias do material impresso, nas quais deverão constar apenas o título do trabalho e o pseudônimo do autor .

6.1. Somente serão aceitos trabalhos ENVIADOS POR CORREIO POSTAL. Quando da postagem no Correio, caso se exija preenchimento da parte do REMETENTE, o candidato pode escrever

V CONCURSO LITERÁRIO PRADO VEPPO, seguido do pseudônimo do autor e complementado com o endereço real do concorrente.

7.
Endereço:
Rua Silva Jardim, 1175 – Prédio 14 – 4º andar – Sala 406 A -
Santa Maria – RS
CEP 97010 – 491.


8.
Resultados:
serão divulgados no dia 11 de setembro de 2014, durante cerimônia de premiação do V Concurso Literário Prado Veppo, no Salão Acústico do prédio 14, no Centro Universitário Franciscano.

FICHA DE INSCRIÇÃO*

V CONCURSO LITERÁRIO PRADO VEPPO
Categoria:
___________________________________________________
Pseudônimo do autor:
___________________________________________________
Nome:
___________________________________________________
CPF ________________________
RG _________________________
Endereço: __________________________________________
Cidade:_______________________________ Estado: ______
CEP: __________________
Telefone: ___________________________
E-mail: _____________________________________________
_______________________________________________________
* (Deverá ser completamente preenchida e enviada em envelope separado e lacrado junto às cópias dos trabalhos)

Luiz Guilherme do Prado Veppo nasceu em Porto Alegre, mas considerou-se santa-mariense de coração. Formou -se em Medicina pela UFSM, dedicou -se à psiquiatria e à literatura e representa um nome expressivo na produção poética santa -mariense. Escreveu vários livros de poesias entre eles
Alba Tempo e Rosa (1962)
Passos do vislumbre (1993) e
Girassol azul (1990).
A atividade artística de Prado Veppo coincide com as produções brasileiras que renovam a lírica e propagam-se em tendências diversas, como a busca do despojamento expressivo, o neovanguardismo e o engajamento político – ideológico do verso.
Assim, o traço principal de sua obra fica por conta de um estilo metafísico que se assenta em termos conceituais. As definições sobre o prosaico, natureza e transcendente, dão à construção de Veppo um substrato positivista, que nasce pela alquimia das palavras, misturando significantes diversos e, às vezes, conflitantes, na busca do sentido inaudito e sintetizador. Daí as constantes variações sobre o mesmo tema, a fuga das imagens grandiosas e das construções longas.
O título dado ao concurso tem como intento homenagear o poeta sócio fundador da ASL – Associação Santa – Mariense de Letras. Prado Veppo, em muitas oportunidades, frequentou os
espaços dessa Instituição, em semanas acadêmicas, palestras, sessões de autógrafos e outros
eventos.

Fonte:
http://www.unifra.br/arquivos/Regulamento%20Concurso%20Prado%20Veppo%202014.pdf

José Feldman (Chuva de Versos n. 147)


Uma Trova do Rio de Janeiro
EDGAR BARCELOS CERQUEIRA


De verde, toda vestida,
de esperança, tu povoas
o vácuo de minha vida
somente de coisas boas.

Uma Trova Humorística de Porto Alegre/RS
MILTON SOUZA


Sou louco quando preciso
e o remorso não me assalta;
eu nunca tive juízo
e ele nunca me fez falta…

Uma Trova Premiada  no Rio de Janeiro/RJ, 1991
ZAÉ JÚNIOR (São Paulo/SP)

 

Conquista é jogo de azar
e, no amor, jogo pesado;
querendo te conquistar,
eu é que fui conquistado!

Uma Trova de Ponta Grossa/PR
SONIA MARIA DITZEL MARTELO


Entre todos os recantos
é aqui que me sinto bem:
- o meu lar tem tais encantos
que outros lugares não têm!

Um Poema do Panamá
CARLOS ENRIQUE UNGO

Despedidas

 

Não desperdices tua noite
O punho desafiante de meu ódio.

Retrocede
e leva contigo os poemas de amor
as miradas
as carícias
os segredos
compartilhados com vozes e em silêncio.

Deixe-me completar o ritual do condenado
e compartilhar com aqueles
os ausentes
esse futuro que exige com urgência
sua quota de presente.

Deixe-me oferecer este último poema
com a face para o sol
e sorridente
para que logo
com o fuzil no ombro e ódio no bolso
me apresse em afinar a pontaria.

Trovadores que deixaram Saudades
PE. CELSO DE CARVALHO
Curvelo/MG (1913 – 2000)
radicado em Diamantina/MG

Poeta, gêmeo do santo,
sofre muito e não blasfema;
faz dos gemidos um canto,
faz da saudade um poema.

Um Poema de Jaraguá/GO
AFONSO FÉLIX DE SOUZA
(1925 – 2002)

Canção da Noite Nua


Noite sem alma
Noite sem vozes roucas
assombrando o silencio.
Noite nua.

Passos incertos
duro como o asfalto
e pensamentos leves
guiando-me os passos.
Indiferença do luar.
Na rua triste
paradas súbitas.
No olhar o medo ingênuo
da infância que não morre.

Risos de mulher
atrás da janela fechada.
Desejos rápidos
a apressar os passos...
A memória murmura
confidencias,
que o silêncio apaga.

Noite sem véu.
Noite que tem a clara nudez da alma
que sonha no escuro.
Desejos leves de amor a guiar os passos
e essa ânsia incontida de sonhar
que como a infância
não morre nunca.

Uma Aldravia do Rio de Janeiro/RJ
DORÉE CAMARGO CORRÊA


mãe
natureza
espalha
ruídos
palavras
amor

Um Haicai de São Paulo
GUILHERME DE ALMEIDA
(Guilherme de Andrade de Almeida)
Campinas/SP 1890 – 1969 São Paulo/SP

O Pensamento


O ar. A folha. A fuga.
No lago, um círculo vago.
No rosto, uma ruga.

Recordando Velhas Canções
MILTON AMARAL

Folhas ao vento

(valsa, 1934)

Tão mimosa
Graciosa e angelical
Nasceu em seu jardim uma linda flor
Naquela noite santa de Natal
No momento que juramos eterno amor
No entanto você tudo esqueceu
Trocando meu coração por outro ser
E a flor, ao ver a sua ingratidão
Murchou e em prantos se desfolhou
Até morrer.

Folhas ao vento
Já que o destino assim nos transformou
Envelheci
Na lucidez da imensa provação
Num labirinto
De tristeza e saudade
Num relicário, a cruci dor da ingratidão

Folhas ao vento
Quando a bonança veio me abraçar
Num desalento
Aquele amor fui encontrar
Numa igrejinha, tendo ao colo filhos seus
Pedindo uma esmola
Pelo amor de Deus!

Um Poetrix do Pará
MARÍLIA BAÊTAS

No mundo da lua


Vagam meus pensamentos,
flutuam qual astronauta.
Na terra, tua falta.

Um Poema de Portugal
ADOLFO CASAIS MONTEIRO
(Adolfo Vítor Casais Monteiro)
Porto/Portugal (1908 – 1972) São Paulo/SP

Permanência


Não peçam aos poetas um caminho. O poeta
não sabe nada de geografia celestial.
Anda aos encontrões da realidade
sem acertar o tempo com o espaço.
Os relógios e as fronteiras não tem
tradução na sua língua. Falta-lhe
o amor da convenção em que nas outras
as palavras fingem de certezas.
O poeta lê apenas os sinais
da terra. Seus passos cobrem
apenas distâncias de amor e
de presença. Sabe
apenas inúteis palavras de consolo
e mágoa pelo inútil. Conhece
apenas do tempo o já perdido; do amor
a câmara escura sem revelações; do espaço
o silêncio de um vôo pairando
em toda a parte.
Cego entre as veredas obscuras é ninguém e nada sabe
— morto redivivo.

Tudo é simples para quem
adia sempre o momento
de olhar de frente a ameaça
de quanto não tem resposta.
Tudo é nada para quem
descreu de si e do mundo
e de olhos cegos vai dizendo:
Não há o que não entendo.

Um Soneto de São Vicente/SP
Cid Silveira 


A Rua da Vida 
À Affonso Schmidt

Esta é rua da vida. E a vida se revela,
a rua sem pudor, completamente nua.
Mas, mostrando-se nua, a vida não é bela
e não é boa a vida através desta rua.

O convite que sai da entreaberta janela
tem a fascinação indizível da sua
promessa de pecado! E, atraída por ela,
a sombra do homem pelas portas se insinua ...

Marítimos gingando o corpo forte e suado,
malandros de chinelo, asiáticos franzinos,
toda esta malta vil que o homem detesta

vem deixar, nesta rua, um pouco do passado;
vem cumprir, nesta rua, os seus torvos destinos
para que possa haver a nossa rua honesta!
=============

quinta-feira, 29 de maio de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 146)

Ubiratan Lustosa é de Curitiba/PR
Uma Trova de Fortaleza/CE
NEMÉSIO PRATA


Tem Poeta nesta terra
que seus versos dão prazer
de lê-los, pois ele encerra
numa Trova o seu dizer!

Uma Trova Humorística, de Belo Horizonte/MG
OLYMPIO COUTINHO

 

Eu não tenho o que queria,
mas sou feliz mesmo assim:
faço a minha terapia
na mesa do botequim.

Uma Trova Premiada  em Rio Bonito/RJ, 2006
JOSÉ OUVERNEY (Pindamonhangaba/SP)

 

Não deixe que a vida o leve
por caminhos viscerais;
a vida já é tão breve!
Por que encurtá-la ainda mais?

Uma Trova Ecológica de Santos/SP
CAROLINA RAMOS


Sempre que um tronco desaba,
sob o machado inclemente,
tarde ou cedo a gente acaba
sentindo a dor que ele sente!

Um Poema de Belo Horizonte/MG
ANGELA TOGEIRO

Mulher


    Sou mulher,
    sou todas as mulheres:
    sou Afrodite, Amélia, Angela, Eva, Diana, Joana,
    Madalena, Maria, Raquel, Rita, Sara,
    Salomé, Tereza, Vênus, Zênite...
    Tenho na genética
    a herança dos tempos,
    que me dá todos os nomes,
    que me tira todos os nomes,
    quando me desdobro em outra mulher.
    Nasci em todas as raças,
    tenho todas as cores puras e miscigenadas.
    Pratico todos os credos.
    Nasci em todos os cantos deste planeta.
    Vivi em todas as eras.
    Registrei meus gritos em todos os rincões,
    mesmo se expulsos da alma
    no mais profundo silêncio.
    Vim de todos os lugares,
    nasci em berço de ouro, em choupana,
    na rua, nas matas, hospitais, templos...
    Fui vestida, fui enrolada,
    despida, jogada.
    Gerada num útero que me amou,
    ou num que me recusou.
    Pouco importa, se rica ou pobre,
    se esculpida no Belo ou no Feio,
    preciso cumprir meu destino,
    meu destino de Mulher.

Trovadores que deixaram Saudades
ALCIDES CARNEIRO
Princesa Isabel/PB (1906 – 1976)

 

Mulher feia dá sossego,
mulher bonita aflição;
descobri que andar aflito
me faz bem ao coração...

Um Poema de Angola 

ARNALDO SANTOS 

A Vigilia do Pescador


Na praia o vulto do pescador
É mais denso que a noite...

E enquanto espera
A sua ânsia solidifica em concha
E sonoriza os ventos livres do mar.

E enquanto espera
A sua ânsia descobre
os passos da maré na praia
e o sono do borco das canoas.

É manhã
e o pescador
ainda espera

e enquanto o mar
Não lhe devolve o seu corpo de sonhos
Num lençol branco de escamas            
                                                  
Um torpor de baixa-mar                  
Denuncia algas nos seus ombros.         

Uma Aldravia do Rio de Janeiro/RJ
DALADIER CARLOS


póstero
não
virá
depois
é
imaginação

Um Haicai Infanto-Juvenil, de Jaboti/PR
LUIZ FERNANDO ORLANDINI LIMA

(10 anos de idade)

Bolo de fubá
Saboroso e fofinho
Só mesmo a mamãe.

Recordando Velhas Canções
NOEL ROSA e VADICO

Feitio de Oração

(samba, 1933)

Quem acha vive se perdendo
Por isso  agora eu vou me defendendo
Da dor tão cruel desta saudade
Que por infelicidade         
Meu pobre peito invade

Batuque é um privilégio
Ninguém aprende samba no colégio
Sambar é chorar de alegria
É sorrir de nostalgia
Dentro da melodia
Por isso agora lá na Penha vou mandar
Minha morena pra cantar
Com satisfação,  e com harmonia
Esta triste melodia,  que é meu samba
Em feitio de oração

O samba na realidade,      
não vem   do morro
Nem lá da cidade
E quem suportar uma paixão
Sentirá que o samba então
Nasce no coração

Um Poetrix da Bahia
RONALDO RIBEIRO JACOBINA

Pena capital


Confesso e pena peço.
Senhor Juiz, eu roubo os sonhos
E registro-os em versos.

Um Poema de Lisboa/Portugal
FERNANDO PESSOA
(Fernando António Nogueira Pessoa)
1888 – 1935

Vendaval


Ó vento do norte, tão fundo e tão frio,
Não achas, soprando por tanta solidão,
Deserto, penhasco, coval mais vazio
Que o meu coração!

Indômita praia, que a raiva do oceano
Faz louco lugar, caverna sem fim,
Não são tão deixados do alegre e do humano
Como a alma que há em mim!

Mas dura planície, praia atra em fereza,
Só têm a tristeza que a gente lhes vê
E nisto que em mim é vácuo e tristeza
É o visto o que vê.

Ah, mágoa de ter consciência da vida!
Tu, vento do norte, teimoso, iracundo,
Que rasgas os robles — teu pulso divida
Minh'alma do mundo!

Ah, se, como levas as folhas e a areia,
A alma que tenho pudesses levar -
Fosse pr'onde fosse, pra longe da idéia
De eu ter que pensar!

Abismo da noite, da chuva, do vento,
Mar torvo do caos que parece volver -
Porque é que não entras no meu pensamento
Para ele morrer?

Horror de ser sempre com vida a consciência!
Horror de sentir a alma sempre a pensar!
Arranca-me, é vento; do chão da existência,
De ser um lugar!

E, pela alta noite que fazes mais'scura,
Pelo caos furioso que crias no mundo,
Dissolve em areia esta minha amargura,
Meu tédio profundo.

E contra as vidraças dos que há que têm lares,
Telhados daqueles que têm razão,
Atira, já pária desfeito dos ares,
O meu coração!

Meu coração triste, meu coração ermo,
Tornado a substância dispersa e negada
Do vento sem forma, da noite sem termo,
Do abismo e do nada!

Um Soneto de Santos/SP
MARTINS FONTES
(José Martins Fontes)
(1884 – 1937)

O que se escuta numa velha caixa de música


    Nunca roubei um beijo. O beijo dá-se,
    ou permuta-se, mas naturalmente.
    Em seu sabor seria diferente
    se, em vez de ser trocado, se furtasse.

    Todo beijo de amor, longo ou fugace,
    deve ser u prazer que a ambos contente.
    Quando, encantado, o coração consente,
    beija-se a boca, não se beija a face.

    Não toquemos na flor maravilhosa,
    seja qual for a sedução do ensejo,
    vendo-a ofertar-se, fácil e formosa.

    Como os árabes, loucos de desejo,
    amemos a roseira, olhando a rosa,
    roubemos a mulher e não o beijo.
=========

Sobre a Canção Feitio de Oração
O compositor Vadico (Osvaldo Gogliano) era um jovem de 22 anos e trabalhava no Rio havia pouco tempo, quando foi apresentado por Eduardo Souto a Noel Rosa, nos estúdios da Odeon. Razão da apresentação: o maestro acabara de ouvi-lo tocar ao piano uma música de sua autoria, ainda sem letra, e achara que o encontro poderia render uma boa parceria.
Noel, então, impressionado com a beleza e o clima místico da melodia, fez a letra de "Feitio de Oração", iniciando com uma obra-prima a parceria desejada. Pertence a esta letra os famosos versos: "Batuque é um privilégio / ninguém aprende samba no colégio..." A dupla Noel e Vadico durou quatro anos, deixando onze composições.
(Cifrantiga)

quarta-feira, 28 de maio de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 145)

 
Uma Trova de Maringá/PR
CÔNEGO BENEDITO VIEIRA TELLES

 

Santo Antônio, agradecida,
por ouvir minha oração.
Casei-me na Aparecida,
sou feliz com Sebastião!

Uma Trova Humorística, de São Paulo/SP
HÉRON PATRÍCIO


Disse a sogra, lá do morro,
ao ver o  genro chegar:
- Não te chamo de cachorro
só pra não te elogiar!

Uma Trova Premiada  em São Jerônimo da Serra/PR, 1992
ADELIR COELHO MACHADO (Niterói/RJ)


Nosso grisalho carinho
é bênção que Deus nos deu:
és presença em meu caminho,
eu sou presença no teu!

Uma Trova de Curitiba/PR
PAULO WALBACH PRESTES


Sou pura saudade quando,
vejo na fotografia,
a minha mãe me abraçando
na mais total alegria!

Um Poema de Balneário Camboriú/SC
EFIGÊNIA COUTINHO

Cupido


Sendo eu mulher, muito mulher,
confesso (e me penitencio, se é mister),
que não nasci para ser pobre!
Está no meu feitio desejar que a existência
se desdobre na magnificência, jamais em privações.
.
Tenho gostos, requintes de caprichos,
ambições, e, sem razão, não nego aos meus
sentidos, os gozos com que a Vida me agracia,
enaltecendo a dor apenas em teoria!

Porem, nada possuo em realidade!
Nem fausto, nem poder...
Porque, para seguir um velho ditado,
do Grande Livro, Santo e Consagrado,
o meu despotismo deve ser restrito,
e pertence, inda assim, ao meu Amado!

Em meio ao destino que me impõe,
entretanto, eu duvido, haver outra
mulher a quem Cupido generoso ofertasse
um lindo trono, com mais magnificência do que
o meu, onde governo só, como a depositaria
de um tesouro de Amor, que tocou o apogeu!

E, por muito que conte e reconte,
meu Capital de multimilionária,
eu nunca chego ao fim, porquanto de
uma fonte fecunda e inexorável se origina.

Cresce dentro de mim esta riqueza ilimitada,
sólida e genuína, que me empresta atitudes de
Princesa! E, entre as Fortunas de que tomo
a nota, a minha é que mais vale e mais ressalta,
pois dos meus bens a renda não se esgota!

Trovadores que deixaram Saudades
EVANGELINA MAIA CAVALCANTI
Recife/PE


Tenho o coração ferido
pela tua ingratidão.
Antes tivesse nascido
como tu, sem coração!

Um Poema de Angola
MÁRIO ANTÓNIO

Uma Negra Convertida


Minha avó negra, de panos escuros,
da cor do carvão...
Minha avó negra de panos escuros
que nunca mais deixou...

Andas de luto,
toda és tristeza...
Heroína de ideias,
rompeste com a velha tradição
dos cazumbis, dos quimbandas...

Não xinguilas, no obito.
Tuas mãos de dedos encarquilhados,
tuas mãos calosas da enxada,
tuas mãos que preparam mimos da Nossa Terra,
quitabas e quifufutilas - ,
tuas mãos, ora tranquilas,
desfilam as contas gastas de um rosário já velho...

Teus olhos perderam o brilho;
e da tua mocidade
só te ficou a saudade
e um colar de missangas...

Avózinha,
as vezes, ouço vozes que te segredam
saudades da tua velha senzala,
da cubata onde nasceste,
das algazarras dos óbitos,
das tentadoras mentiras do quimbanda,
dos sonhos de alambamento
que supunhas merecer...
E penso que... se pudesses,
talvez  revivesses
as velhas tradições!

(mantida a grafia original)

Uma Aldravia de Mesquita/MG
CIDA PINHO


colo
de
mãe
cantinho
de
céu

Um Triverso de São Paulo
JOÃO TOLOI


Clareira na mata —
Velho jacarandá caído
Carregado de flores.

Recordando Velhas Canções
CUSTÓDIO MESQUITA

Se a lua contasse

(marcha/carnaval, 1934)

Se a lua contasse
Tudo o que vê
De mim e de você
Muito teria o que contar
Contaria que nos viu brigando
E viu você - chorando
Me pedindo pra voltar

Somente a lua foi testemunha
Daquele beijo sensacional
Nesse momento foi tal o enlevo
Que a própria lua sentiu-se mal

Só as estrelas que cintilavam
Hoje dão conta do que se viu
-Contam que a lua foi desmaiando
Caiu nas ondas, boiou. . . sumiu

Um Poetrix de Brasília/DF
PEDRO CARDOSO

Outono


as folhas amareladas
dizem que o meu coração
mudou de estação

Um Poema de Lisboa/Portugal
EUGÉNIO DE SÁ

Fome de Beijos


Nunca gostei de beijos de rotina
Aqueles beijos fugazes, não sentidos
Que se dão como acenos devolvidos
Sem emoções brilhando na retina

Não! — Os beijos devem vir do coração
Sejam aqueles que trocam as salivas
Ou os castos, que damos a um irmão
Todos são comoções em nossas vidas

Pois que o beijar é um ato de nobreza
De quem faz desse gesto um ponto alto
Para mostrar um querer, sem sutileza

E então o Ser beijado, em sobressalto
Perde a noção de tudo, e em ligeireza
Responde com fulgor ao doce assalto!

Beijos que tornam-se  rotina
São beijos de amores mornos
Gosto de beijos ardentes, quentes
Que dão início a  prelúdios de amor

Um Soneto do Rio de Janeiro
OLAVO BILAC
(Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac)
Rio de Janeiro/RJ (1865 – 1918)

Música Brasileira


Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.

És samba e jongo, xiba e fado, cujos
Acordes são desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:

E em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes.
===================
Trovador Destaque

A frase dura que escapa
da boca de muitos pais
é tão cruel quanto um tapa
e, às vezes, machuca mais!

A justiça, rica em falhas,
corrompida por esquemas,
enche de glória e medalhas
mãos que merecem algemas!

A natureza se rende
quando a noite cai nos campos
e a usina de Deus acende
estrelas e pirilampos...

Ao ver que meu teto vaza,
a sogra encerra a visita...
E eu deixo chover lá em casa:
êta goteira bendita!!!

Aquele adeus... teus acenos...
O barco partindo... o cais...
Eras minha um pouco menos
E eu te amava um pouco mais...

Ator, arisco ao cabresto,
rebelde, se for preciso,
a vida escreve o meu texto
e eu teimo e sempre improviso!

Bondade, segundo eu penso,
é a peça que está perdida
do quebra-cabeça imenso
que nós chamamos de vida.

Dizem que eu sonho em excesso...
Mas insisto em voos altos!
E as pedras nas quais tropeço
impulsionam novos saltos!!!

Espera é aquele momento
em que a saudade dispara
e o relógio fica lento,
fica lento e quase para...

Esta penumbra introduz,
no quarto, um amor profundo...
A gente desliga a luz
como quem desliga o mundo.

Eu comparo o meu sonhar
com quem, na praia, anda ao léu,
colhendo estrelas-do-mar,
querendo as que estão no céu.

Eu te deixei por orgulho,
mas meu coração não deixa
que eu te esqueça. E seu barulho
já não é batida... é queixa!

Foi com pregos de desgosto
que a saudade, do seu jeito,
pôs retratos do teu rosto
nas paredes do meu peito...

Maria, ao ver no madeiro
o Filho que tanto quer
sente a dor do mundo inteiro
num coração de mulher.

Meu filho, quando adormeces,
há um silêncio tão perfeito
que eu chego a escutar as preces
dos anjos, junto ao teu leito.

Não julgue alguém pela imagem,
pois muitos fazem de tudo
para esconder na “embalagem”
a falta de conteúdo.

Não permito, a quem me agride,
que os meus ideais distorça:
a força da Paz reside
em jamais usar a força!

Nas horas de despedida
sem querer a gente chora
e uma lágrima perdida
quer seguir quem vai embora...

Nas mãos de Deus tudo entrego
fazendo um pedido assim:
que estes sonhos que carrego
não morram antes de mim!

Nesta saudade, sem vê-la,
boêmio, só, pela rua,
faço queixa a cada estrela
e choro no ombro da lua.

Nesta vida poluída
é feliz quem, sem ter medo,
manteve a rede estendida
à sombra de um arvoredo.

Neste mundo profanado
(me desminta quem puder)
não há lugar mais sagrado
que o ventre de uma mulher.

Num show que bem poucos olham,
no palco das noites calmas,
chuvas de estrelas não molham,
mas lavam as nossas almas...

O namoro que se cria
feito de amor verdadeiro
sabe viver cada dia
como se fosse o primeiro!

O perdão, embora escasso,
é a cola mais indicada
para unir cada pedaço
de uma promessa quebrada.

Quando a dor se manifesta,
não desisto, sigo em frente,
pois sei que a luz que me resta
é Sol para muita gente.

Quando a esperança se cansa
o amigo é quem, prontamente,
empresta a sua esperança
para amparar a da gente.

Saudade, estranho licor
que embriaga, que extasia,
que faz um brinde de amor
com outra taça vazia.

Se a vida me fecha as portas
eu sigo em combate aberto:
por detrás das linhas tortas
há um Deus que só escreve certo!

Sei que os motivos são poucos,
sei que as razões também são,
mas este amor nos faz loucos,
e loucos não têm razão!!!

Se tens filho adolescente,
conversa, escuta, respeita:
do detalhe da semente
depende toda a colheita!

Siga os mais velhos e creia
na experiência que eles têm:
quem reflete a luz alheia
ganha luz própria também!

Sinto ao final das jornadas
que o esforço não foi à-toa
se vejo em minhas pegadas
os pés de alguma pessoa.

Sou feliz, por um segundo,
quando o amor encurta espaços
e a fronteira do meu mundo
toma a forma dos teus braços.

Tropeço.. Sigo a jornada...
A neblina dos fracassos
pode ocultar minha estrada
mas não segura os meus passos.

Vejo a fé sem fundamento
dos que, olhando o céu em vão,
buscam Deus no firmamento
mas não O enxergam no irmão...

terça-feira, 27 de maio de 2014

Dorothy Jansson Moretti (Baú de Trovas) 12


Eliana Jimenez (Trova-Legenda até 15/06/2014 – PARTICIPE!!!!)


Enviem  trovas inspiradas na imagem para:

elianarjz@gmail.com

Prazo: 15/06/2014

Publicação: 17/06/2014
no blog
http://poesiaemtrovas.blogspot.com

Folclore Brasileiro (Mitos Indígenas) Igaranhã - a canoa encantada

Um índio da tribo Kamaiúra iniciou a construção de uma canoa com a casca do jatobá. Ao terminá-la retomou para junto de sua mulher, que há pouco dera à luz, permanecendo por alguns dias.

Algum tempo depois, voltando à mata onde havia deixado a canoa, não mais a encontrou. Entristeceu-se e, pensativo, tentou imaginar o que ocorrera. Talvez a tivessem roubado, ou algum animal a tivesse destruído. Como poderia pescar agora? Absorto, despertou com um ruído.

Foi grande o seu espanto ao perceber que em sua direção movimentava-se lentamente, por si mesma, uma canoa, a mesma que ele construíra, agora com vida e olhos na proa.

Talvez houvesse se transformado em um animal, pensou. Dar-lhe-ia então um nome: Igaranhã - o crocodilo. Entrou na canoa, ordenando-lhe que seguisse em direção ao lago.

Assim que Igaranhã tocou a água, cobriu-se com muitos peixes, dos mais variados tipos, cores e tamanhos, que saltavam sem cessar da água para dentro da embarcação.

Os primeiros, a própria canoa devorou, ficando no entanto a maior parte para o índio.

Á sua mulher, maravilhada, falou apenas de um lugar ideal para a pesca, que houvera encontrado.

Dias depois, retomando ao mesmo local, nada encontrou sob a frondosa árvore. Como por encanto a canoa surgiu novamente da mata, dirigindo-se ao lago e o fenômeno repetiu-se.

O índio ambicioso recolheu rapidamente os peixes, sem deixar à Igaranhã sua parcela do alimento. Esta então, muito contrariada, acabou por devorar seu próprio dono.

Fonte:
Jayhr Gael (Mitos indígenas). www.caminhodewicca.com.br

Gerson Cesar Souza (Peça Teatral: A Floresta da Tristeza sem Fim)

ATO 1:

(Caco e Magú jogando futebol. Leleco entra e quer jogar também).

LELECO - Mano, deixa eu jogar também?

CACO - Não, não, tu é muito ruim.

LELECO - Ah, mano deixa...

MAGÚ - Não, da outra vez tu quebrou o vidro da casa da véia chata ali do lado, e ela ficou brigando com a gente. (Imita a véia)

LELECO - Ah, só um chute vai.

CACO - Tá, espera a gente jogar e depois tu joga. São só 150 chutes prá cada um.

LELECO - Tá

(Leleco faz que vai esperar, mas na hora que Caco vai chutar ele chuta e a bola vai para o pátio da vizinha)

MAGÚ - Bá, foi lá pro pátio da véia!

CACO - Eu te falei Leleco, agora tu vai buscar.

(Leleco indeciso começa a falar. Enquanto fala a vizinha aparece atrás dele com a bola na mão).

LELECO - Ah, eu vou. Eu não tenho medo, não sou covarde como vocês. Não vou ter medo daquela véia chata e coroca.

VIZINHA - Quem é véia chata e coroca?

LELECO - Aquela que mora ali ó!

(Se vira, vê a véia e leva um susto).

LELECO - Oi vizinha; trouxe a bola, que bom. Toma a bola mano e cuidem prá não incomodar a vizinha.

VIZINHA - Escuta aqui seu pivetinho, fecha essa matraca. E vocês, parem de ficar jogando essa bola pro meu pátio, pois se eu pegar ela  novamente, vou picar tanto essa bola que açougueiro vai querer vender como guisado.

MAGÚ - Desculpa vizinha, mas nosso irmão é um pouco mal educado. Eu já não te falei Leleco prá não chamar a véia de vizinha?

VIZINHA - O que tu disse?

MAGÚ - Quer dizer, não chamar a vizinha de véia.

CACO - Dona, isso não vai acontecer mais. Eu vou guardar essa bola e ninguém mais vai jogar.

VIZINHA - É bom mesmo, porque se quebrar o meu vidro outra vez eu esmago vocês.

(Velha sai. Assim que ela vai embora Caco larga a bola no chão)

CACO - Tá liberado pessoal, vamos jogar.

LELECO - Oba, eu chuto, é minha vez...

MAGÚ - Tu não, tu quase estragou o nosso jogo.

CACO - É, tu não joga mais.

LELECO - Ah, vocês vão vê! Então eu vou pegar a minha funda e vou caçar passarinho lá na Floresta.

MAGÚ - Tu é louco? Essa é a Floresta da Tristeza sem Fim. Tem fantasma!

CACO - Dizem que tem uma bruxa também. Ela pega as crianças e transforma em sapos.

MAGÚ - E essa bruxa tem três monstros que ajudam ela.

LELECO - Eu não tenho medo de bruxa nem de fantasma. Se eles vierem eu pego minha funda e ó... Tchau prá vocês.

MAGÚ - É louco!

CACO - A bruxa vai pegar ele...

ATO 2:

(Leleco entra na Floresta. Caco e Magú saem de cena. Leleco procura passarinhos, dá tiros com a funda e conversa com a plateia ).

LELECO - Ah, o Caco e o Magú disseram que tinha fantasma aqui, mas não tem nada. Bom eu vou dormir um pouco, se aparecer um fantasma vocês avisam, tá?

(Quando Leleco dorme, entra em cena a Fantasminha Rafaela, plantando flores. A plateia grita para avisar. Rafaela vai até Leleco com curiosidade. Leleco acorda e Rafaela esconde-se atrás das árvores).

LELECO - Porque vocês estão gritando? Não tem fantasma nenhum aqui.

(Vai atrás das árvores, procura e vai dormir de novo)

LELECO - Eu vou dormir de novo. Qualquer coisa vocês gritam.

(Rafaela vai até ele novamente).

LELECO - Vocês estão gritando de novo, não tem fantasma aqui. Atrás de mim não tem nada.

(Vira e leva um susto. Pega a funda.)

LELECO - Ah meu Deus, sai prá lá coisa ruim...

RAFAELA - Calma, calma.

LELECO - Quem é você?

RAFAELA - Eu sou a Fantasminha Rafaela.

LELECO - Os fantasmas são do mal! Sai!

(Rafaela senta e começa a chorar)

RAFAELA - Eu não sou do mal, sou do bem! Ninguém gosta de mim, todo mundo foge de mim.

(Leleco tenta fugir, árvores fecham o caminho)

ÁRVORE1 - Menino mau!

ÁRVORE2 - Você fez a Rafaela chorar.

LELECO - Vocês falam? Eu vou fugir!

ÁRVORE1 - Na na não. Volte lá e peça desculpas!

LELECO - Mas ela é um fantasma...

ÁRVORE2 - Vá lá agora!

LELECO - Mas eu tenho medo...

ÁRVORE1 - Se você não for lá nós vamos fazer soprar um vento forte, que vai levar você para muito longe daqui.

ÁRVORE2 - Você nunca mais vai voltar.

LELECO - Tá bom, eu vou!

(Leleco vai até Rafaela. Quando toca nela, ela chora mais ainda, e ele se assusta. Rafaela fala chorando e ele não entende. Leleco acalma ela)

RAFAELA - Eu sou boazinha, mas ninguém quer ser meu amigo... Todo mundo tem medo de mim.

LELECO - Mas eu pensei que os fantasmas fossem maus.

RAFAELA - Mau é você que fica com essa funda matando os passarinhos. E eu não era um fantasma! Eu era uma menina normal, e cuidava dessa floresta. Plantava flores, dava comida pros bichinhos. Aí, a Bruxa Magnólia me pegou e me jogou um feitiço. Eu virei uma fantasma e esta floresta virou a Floresta da Tristeza sem Fim.

LELECO - Puxa! que bruxa malvada. E não tem como acabar com esse feitiço?

RAFAELA - A única maneira é pegar a varinha mágica da Bruxa e quebrar. Mas ninguém consegue chegar perto dela.

LELECO - Deixa comigo Rafaela. Vou pegar essa varinha e acabar com o feitiço)

(Risadas da Bruxa)

RAFAELA - É a Bruxa Magnólia, ela vem vindo... Vamos nos esconder!

LELECO - Não, eu vou enfrentar ela. Dou um soco assim, outro assim...

RAFAELA - Mas ela tem três monstros que ajudam ela, e adora transformar as crianças em sapos, e depois arrancar as pernas prá fazer feitiços.

LELECO - Pensando bem, vamos nos esconder.

ATO 3:

(Rafaela e Leleco escondem-se. Entra a bruxa com os três ajudantes).

BRUXA MAGNÓLIA - Eu estou sentindo cheiro de crianças. Tem crianças aqui! Trac, Trec e Troc, procurem!

(Monstros procuram e não acham.).

BRUXA MAGNÓLIA - Olhem essas flores! Aquela Fantasminha idiota andou plantando flores na minha floresta outra vez. Eu acabo com a Rafaela.

(Enquanto a Bruxa fala, gesticula e derruba Trac)

BRUXA MAGNÓLIA - Arranquem essa flores e depois venham me ajudar a procurar a Rafaela!

(Bruxa sai, Monstros – sempre em fila – vão arrancando as flores, e entregando um para o outro. O último monstro vai replantando as flores. Quando acabam:).

MONSTRO1 - Serviço completo.

MONSTRO2 - É, serviço completo.

MONSTRO3 - Completíssimo!

(Olhar para trás.)

MONSTRO1 - Seu idiota, é prá arrancar as flores, e não para plantar. (Arrancam de novo e saem)

(Rafaela e Leleco saem do cenário, depois dos monstros. Magú e Caco voltam a jogar bola)

MAGÚ - Acho que o Leleco está na floresta agora e não vai nos incomodar.

CACO - É, vamos aproveitar e jogar...

(Jogam um pouco até quebrarem a janela da vizinha)

CACO - Iiih, Magú, a velha vai nos pegar...

(A vizinha grita de fora do cenário)

VIZINHA - Quebram a minha janela, eu vou matar vocês!!!

MAGÚ - E agora???

CACO - Vamos nos esconder na floresta!

MAGÚ - Mas na floresta tem a bruxa!

(Ficam na indecisão e decidem pela floresta)

ATO 4

(Meninos na floresta)

MAGÚ - Que floresta horrível. Agora é sei porque chamam de Floresta da Tristeza sem fim. Chega a dar medo...

CACO - É, dizem que a bruxa é má e transforma as crianças em sapos.

MAGÚ - É, e os monstros que ajudam ela são terríveis...

(Monstros entram e escondem-se atrás das árvores. O monstro Trac se disfarça de árvore)

MAGÚ - Ah, que árvore mais feia....

(Trac começa a rir e outros monstros cutucam ele)

CACO - Parece um monstro!

MAGÚ - Vamos Caco, vamos achar o Leleco e dar o fora desta floresta.

(Sai um atrás do outro. Monstros saem das árvores e pegam Caco. Outro monstro segue atrás do Magú. Bruxa dá uma risada)

MAGÚ - Ouviu é a Bruxa.... Dá a mão, Caco, porque senão ela nos pega...

(Magú agarra a mão do monstro).

MAGÚ - Lelecoooo! Leleeeeco, onde é que tu tá?

(Magú dá a volta puxando o monstro e chega aonde Caco está preso)

MAGÚ - É Caco, não achamos o Leleco.

(Caco tenta avisar, mas está amordaçado)

CACO - Hummmmmm.

MAGÚ - Que foi Caco, fala.

CACO - Hummmmmm.

MAGÚ - Ô Caco, como é que tu está aí e aqui atrás?

CACO - Hummmmmm.

MAGÚ - Se tu tá aí...

(Se vira e leva um susto, Monstros correm atrás e pegam. Amarram junto com Caco).

MONSTRO1 - Trac, chama a Bruxa!

(Trac sai e vai chamar a Bruxa. Troc e Trec ameaçam os meninos. Trac volta com a Bruxa).

BRUXA MAGNÓLIA - Eu sabia que haviam crianças aqui!!! Eu falei! Agora vou transformá-los em sapos e arrancar as pernas de vocês. Monstros, cuidem deles. Eu vou buscar meu livro de feitiços. Vou deixar minha varinha aqui. Não saiam de perto dela.

(Bruxa sai de cena)

ATO 5


MONSTRO1 - A bruxa ficou contente, pegamos os meninos...

MONSTRO2 - É, nós somos bons.

MONSTRO3 - É, agora ela vai transformar essas crianças em monstros feios como vocês.

MONSTRO1 - Cale essa boca, você não serve nem prá ser monstro.

MONSTRO2 - É, tu te disfarçou de árvore, quase estragou tudo!!!

MONSTRO3 - Mas...

MONSTRO1 - Sai daqui. Tu cuida da varinha e nós cuidamos dos meninos.

MONSTRO2 - É, babaca.

(Trac sai chorando até a varinha. Chegando na varinha, tem a ideia de vingança. Pode até conversar com as crianças para decidir transformar os monstros em animais. Após todas as transformações a Bruxa volta).

BRUXA MAGNÓLIA - O que é isso, o que você fez com eles? Chega! Eu quero que vocês voltem a ser monstros.

(Bruxa transforma eles em monstros novamente).

BRUXA MAGNÓLIA- Vocês três, agora, agarrem as crianças e calem a boca que eu vou procurar o feitiço no livro.

ATO 6

(Rafaela e Leleco voltam à Cena e conversam encobertos pelas árvores, próximos à plateia)

LELECO - Rafaela, a Bruxa pegou os manos...

RAFAELA - Ela vai transformar eles em sapos!

LELECO - Temos que fazer alguma coisa!!!!

RAFAELA - Mas a gente precisa pegar a varinha...

LELECO - Já sei, você vai lá prá trás da Bruxa. Eu vou chamar a atenção dela. Você pega a varinha, joga prá mim e eu quebro.

(Leleco combina com as crianças da plateia, pedindo que elas ajudem a quebrar a varinha. Enquanto a Bruxa começa a falar, Rafaela desloca-se com a árvore por trás dela.)

ATO 7

BRUXA MAGNÓLIA - Achei! Achei o feitiço! Silêncio, eu tenho dizer “Xixi xiriri xipum. Pelos poderes das trevas, eu Bruxa Magnólia, transformo em sapos essas crianças!”.

(Bruxa pede ajuda das crianças para falar o xixi xiriri xipum)

BRUXA MAGNÓLIA - Tudo bem, tudo bem, vamos começar. Xixi xiriri xipum. Pelos poderes das trevas, eu Bruxa Magnólia, transformo...”

MONSTRO1 - Majestade...

BRUXA MAGNÓLIA - Cale a boca. Tenho que me concentrar!!!! Xixi xiriri xipum. Pelos poderes das trevas, eu Bruxa Magnólia, transformo...

MONSTRO2 - Mas Majestade...

BRUXA MAGNÓLIA - Fiquem quietos.

(Rafaela se posiciona atrás da bruxa e combina com as crianças em fazer de conta que vai ajudar)

RAFAELA - Senhora Bruxa, agora a gente vai te ajudar a dizer tudo!!!

BRUXA MAGNÓLIA - Ah, muito obrigado!!!!

RAFAELA - Xixi xiriri xipum!

BRUXA MAGNÓLIA - Xixi xiriri xipum!

RAFAELA - Pelos poderes das trevas...

BRUXA MAGNÓLIA - Pelos poderes das trevas...

RAFAELA - Eu, Bruxa Magnólia...

BRUXA MAGNÓLIA - Eu, Bruxa Magnólia...

RAFAELA - transformo em sapos...

BRUXA MAGNÓLIA - transformo em sapos...

RAFAELA - esses monstros!

BRUXA MAGNÓLIA - esses monstros!

(Monstros viram sapos)

BRUXA MAGNÓLIA - O quê? Rafaela, você me enganou. Eu vou acabar com você!!!!

(Leleco aparece, chama atenção da Bruxa cantando)

BRUXA MAGNÓLIA - Eu é que vou te transformar numa minhoca, seu pirralho!!!! Xixi xiriri xipum! Pelos poderes das trevas, eu Bruxa Magnólia transformo em minhoca...”

(Leleco atira com a funda. A varinha cai. Rafaela pega. Joga prá Leleco. Bruxa corre de um lado para o outro. Até que a Bruxa pega Leleco e ele joga a varinha para a plateia quebrar.)

LELECO - Quebrem!!!

BRUXA MAGNÓLIA - Devolvam minha varinha!

RAFAELA - Quebrem a varinha!!!

(Crianças quebram a varinha. Bruxa morre. Rafaela volta a ser criança, bem como os monstros)

LELECO - Rafaela, você voltou a ser uma menina!!!

RAFAELA- Voltei sim!!! Obrigado Leleco, vocês me salvaram!!!

MONSTRO1 - Nós também estamos livres.

(Monstros soltam os meninos)

RAFAELA - Agora minha floresta vai voltar a ser alegre, com flores, com pássaros, ninguém mais com fundas.

LELECO - Isso mesmo Rafaela. Ninguém mais vai maltratar os bichinhos e a floresta, que agora será a Floresta da Alegria sem Fim.

(Final cantando)

Fontes:
SOUZA, Gérson César. Dons Diversos.
Imagem = http://www.desvendandoteatro.com

Marcelo Spalding (A importância do conflito na criação literária)


    Quem não lembra do tempo das redações escolares? Ao voltar das férias, invariavelmente escrevíamos sobre "Minhas Férias". E só hoje penso na professora, coitada, que lia 30 textos iguais em cada turma. Vamos nos colocar no lugar de uma professora de séries iniciais. Pense que você está lendo pela 28ª vez um texto mais ou menos assim:

    "Minhas férias foi boa, fomos para a praia, brincamo muito de bola e de piscina e de mar e comemo muito churrasco. Mamãe e papai estavam muito feliz. E eu também, claro."

    Até que, de repente, na 29ª redação, você lê isso:

    "Minhas férias foi boa, fomos para a praia, brincamo muito de bola e de piscina e de mar e comemo muito churrasco. Só que no último dia a mamãe encontrou um cara cabeludo na praia, conversou com ele e os dois fugiram. O papai ficou muito, muito brabo, pegou uma arma e saiu correndo atrás deles..."

    Opa! Esse texto me interessou! Esse texto eu quero ler até o final! Por quê? Porque esse texto tem conflito.

    O segredo da narrativa é ter um conflito. Se tudo estiver bem, a história não precisa ser contada. Outra comparação: quando você cruza por um conhecido e pergunta, sem sequer parar de caminhar: "Tudo bem?". O outro, também sem parar de caminhar, diz: "Tudo". É sempre assim.

    Se um dia seu amigo ou colega de trabalho disser "Não, não está tudo bem" você irá não só parar de caminhar como se voltar a ele, arregalar os olhos e perguntar com sincero interesse: "O que aconteceu???".

    Conflito, porém, não é necessariamente uma morte, a troca de um bebê na maternidade, o sequestro da mocinha, a traição, a doença terminal. A não ser que você queira trabalhar escrevendo novelas para a Globo, os conflitos podem - e devem - ser mais sutis. Para escrever uma história sobre traição, você pode começar narrando um jantar do casal em que ele sequer olha para ela, envergonhado. Eis um conflito. O leitor pode terminar o conto e sequer ter certeza do que houve. Mas o conflito está ali e o leitor irá até o final da história para tentar resolvê-lo.

    Há conflito, por vezes, em um simples olhar. Em um rosto. Em um gesto. Saber explorá-los é o grande segredo do bom escritor. Observe a imagem abaixo.

 
    
Inicialmente essa fotografia era uma entre milhares que um repórter fotográfico da National Geographic, Steve McCurry, fez na região do Afeganistão. Anos depois, alguém a achou no arquivo e pensou que seria uma boa foto para a capa, tornando-se uma das capas de revista mais famosas da história.

    Ainda sobre conflito, é importante você saber que tipo de texto irá escrever para determinar quantos conflitos cabem nele. A rigor, o conto é a narrativa de UMA história, ou seja, deve haver nele UM conflito.

    Claro que esse conflito (digamos a traição) pode estar espalhado em várias cenas de maneira mais sutil (o olhar, o silêncio, a raiva, o choro). E pode, até, uma doença grave da mulher justificar o conflito inicial. O problema é quando, no meio do texto, surge e é desenvolvido um novo conflito que não é causa nem consequência do primeiro (se refere a outra personagem, por exemplo).

    Já em narrativas longas, como romances ou telenovelas, há mais de um conflito (embora um costume ser o principal) e essas histórias (cada uma com seu conflito) se sobrepõem. O planejamento dessas ações e dessa história é fundamental para que o leitor não se perca.

Fonte:
Marcelo Spalding in http://www.cursosdeescrita.com.br/4108/a-importancia-do-conflito-na-criacao-literaria

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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