Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 30 de junho de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 176)


Uma Trova de Curitiba/PR
JANSKE NIEMANN


Sejamos gratos pelo ar
que respiramos de graça
ou iremos transformar
nosso planeta em fumaça!

Uma Trova Humorística de Curitiba/PR
ROZA DE OLIVEIRA


Não cresceu... Ficou baixinha,
tem, da tesoura o viés
porque a língua, coitadinha,
corre mais do que os seus pés!...

Uma Trova Premiada  em Maranguape/CE, 2014
ALBERTO PACO (Maringá/PR)


Se me ofendem sem razão,
logo me invade a tristeza,
mas eu pago a ingratidão
usando de gentileza!

Uma Trova de Santos/SP
CAROLINA RAMOS


Só tu, sabiá tristonho,
preso, conheces a dor,
da atroz solidão de um sonho
dos que vivem sem amor!

Uma Trova Hispânica da Espanha
ESTHER DE SANTANDER


Si no me puedes amar,
 ¡vete! salte de mi vida,
 y yo la quiero cerrar,
 que tu amor es una herida.

Um Poema de Itajaí/SC
SAMUEL DA COSTA

Solitude ad aeturnus (teu silêncio em mim)


Só posso entender...
O teu silêncio como recusa!
Do meu amor que declaro a ti

Nessa hora de dor extrema
Fico a pensar nos beijos
Que ainda não te dei
Penso no sofrimento
Que me condenas
Na vida vazia que tenho...
Sem a tua presença ao meu lado
Sem tu aqui e para sempre ao meu lado

Ouço o teu silêncio com angustia
Que me constrange

No meu desespero
Penso no resplendor do teu sorriso
No teu belo rosto emoldurado
Pelos longos e trigais cabelos
São frutos dourados do sol
Nos teus belos olhos postados em mim
Que alegra os meus trágicos dias
Amenizam os dias cruéis
Sem a tua doce presença
Ao meu lado.

Trovadores que deixaram Saudades
BAPTISTA NUNES 
Rio de Janeiro/RJ (1883 – 1965)


As dores e os desencantos
 têm dois destinos diversos:
 ou se dissolvem nos prantos,
 ou se desfazem nos versos.

Um Poema de São Vicente/Cabo Verde
YOLANDA MARAZZO

Derrocada


A asa de um morcego transparente
e no canto um olho descaído
de pestanas longas espreitando
o ácido viscoso da loucura
escorrendo pelos telhados do mundo

Viajante incansável do pasmo
no silêncio das órbitas vagabundas
dos mares-mortos delírio-espasmo
do cansaço mole das brisas vazias
que do nada se afirmam nas florestas
do ódio de gigantes e anões liliputianos

Blocos monolíticos tristes quedos
imagens-desespero cancerosos
miasmas-visco cobras moribundas
agonizando em convulsões de magma
lanças setas envenenadas dirigidas
ao coração das virgens e crianças

Sombra parda pálida acutilante
teu vulto de insônia transparente
bóia nas trevas flutuantes
da noite dos espiões pelas estradas
das feras que matam as ovelhas
e apunhalam pastores no caminho

Sombra feroz invernal medonha
destroços e cadáveres pútridos
sugando o seio das madonas
e acalentando monstros nas cavernas
pelas horas taciturnas do medo dos teus passos.

Uma Setilha de Fortaleza/CE
NEMÉSIO PRATA


Enviei um e-mail ao Nemésio preocupado com o Pessoa que há muito não tinha notícias, pois ambos temos diabetes, ao que ele respondeu:

De doce todos gostamos,
seja de leite ou goiaba,
de caju, mamão ou coco,
até banana e mangaba;
para completar a vez,
agora somos os três,
"doces" vítimas da "diaba"!

Trovas para São Pedro, de Mogi-Guaçu/SP
OLIVALDO JUNIOR


Pescador de pecadores,
vem São Pedro, lá do Céu:
na cintura, chave e flores;
na cabeça, peixe e mel.

Logo após o São João,
tendo Antonio festejado,
chega Pedro, coração,
num trovão relampejado!

Ó São Pedro Pescador,
manda chuva para o povo,
que soluça em seu clamor
pelo bálsamo de novo!

Água doce de Jesus,
água pétrea da virtude,
desce logo feito luz,
que São Pedro dá saúde!

Feito Pedro, pedra dura,
dou firmeza à diretriz,
e o relâmpago estrutura
cada trova que lhe fiz.

Uma Quadra Popular
 

Após um dia tristonho
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho:
são assim todos os dias

Um Haicai de Campinas/SP
GUILHERME DE ALMEIDA
(1890-1969)


Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se "Agora".

Recordando Velhas Canções
NOEL ROSA

Coisas nossas

(samba, 1932)

Queria ser pandeiro
Pra sentir o dia inteiro
A tua mão na minha pele a batucar
Saudade do violão e da palhoça
Coisa nossa  
Muito nossa

O samba, partidão e outras bossas
São nossas coisas
São coisas nossas

Menina que namora na esquina
e no portão
Rapaz casado com dez filhos  
sem tostão
Se o pai descobre 
o truque dá uma coça
Coisa nossa 
Muito nossa 

O samba, partidão e outras bossas
São nossas coisas
São coisas nossas

Baleiro, jornaleiro, motorneiro 
Condutor e motorista
Prestamista, vigarista
E o carro que parece uma carroça
Coisa nossa 
Muito nossa

O samba, partidão e outras bossas
São nossas coisas
São coisas nossas

Malandro que não bebe, que não come
Que não abandona o samba
Pois o samba mata a fome
Morena bem bonita lá na roça
Coisa nossa 
Muito nossa

Um Poetrix de Portugal
MARTINHO BRANCO

Por vezes


Se me anulo ou embaraço
não sou o que pareço
sou o que faço

Um Poema de Viana/Portugal
JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO

Poema para Maria


 Os longes da memória, o tempo e o modo
renascem, inventados, água e lodo...

 Rasgando a treva, a chama de um farol,
por montes, vales, plainos, surge o trilho...

 O múrmuro trinar do rouxinol
pousou no choro brando do teu filho.

 E de montante, o rio rumoreja,
espreguiçando a doce melodia.

 P'los campos, o olivedo que esbraceja
candeia que há-de ser já anuncia...

 Na calma santa e mítica de luz,
a vida sonha e quer-se imaginário...

 O tudo e o nada, o todo se reduz
ao berço do infinito planetário...

Um Soneto de Poços de Caldas/MG
LAÉRCIO BORSATO

Cabelos ao vento


Ao ver seus cabelos espalhando ao vento,
Vieram-me à minha mente, feitos do criador:
Pondo as palavras em meu pensamento
Fazendo luzir, o meu céu interior...

Sou mero detalhe num mundo portento,
Onde Suas belezas me fez sonhador;
Assim eu navego e em cada seguimento,
Encontro primícias de Seu grande amor...

No fato da brisa bailar seus cabelos,
Vi com alegria os cuidados e zelos,
Ao fazer brilhar o sol nessa manhã!

Mostrando na face, tom lindo, vibrante...
Observei o casal caminhando radiante:
Juntinhos se via, ANA LUCIA E IVAN!

Quadras Populares de Minas Gerais
Região do Nordeste de Minas II


Bate água, bate na pedra,
na pedra dura do peito.
Como cabem tantas mágoas
num espaço tão estreito?

Menina tome esta uva,
da uva faça seu vinho;
teus braços serão gaiola,
eu serei o passarinho.

Agora acabei de crer
que o amor é coisa triste;
dá-se por acabado
e o coração não resiste.

Bem vejo que não mereço
seu carinho e seu amor;
por isso é que choro,
suspiro e padeço dor.

Ingratidão vou sofrendo
até o dia marcado,
que tudo no mundo tem fim,
e há de ser acabado.

O amor que tenho a você
nunca há de se acabar;
não perco a esperança
do nosso coração juntar.

De dia vivo triste,
de noite apaixonado,
morrendo de sentimento,
sem poder ser consolado.

Grande razão eu tenho
de viver amargurado,
porque sou louco por ti,
mas fico tão desprezado.

Depois que vim de lá,
poucas noites tenho dormido;
 anoiteço, amanheço
com você no meu sentido.

Vou ao Rio de Janeiro
fazer queixa ao delegado,
que o maldito trem de ferro
muita gente tem matado.

Existe esta variante:

Vou ao Rio de Janeiro
fazer queixa ao delegado,
que o maldito trem de ferro
carregou meu namorado.
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Sobre a Canção “Coisas Nossas”
Com a gradual implantação do som no cinema brasileiro, Wallace Downey, um americano ligado à nossa indústria fonográfica, percebeu que a produção de filmes musicais poderia ser um negócio muito lucrativo. Assim apoiado pela empresa Byington & Cia., de São Paulo, realizaria em 1931 o curta-metragem “Mágoa Sertaneja” e o longa “Coisas Nossas”, os musicais pioneiros do nosso cinema. Inspirado, talvez, pelo título deste último, Noel Rosa compôs o samba homônimo (também conhecido por “São coisas nossas”), em que “filosofa” espirituosamente sobre hábitos, manias e “outras bossas” tipicamente brasileiras — “O samba, a prontidão e outras bossas / são nossas coisas, são coisas nossas...”. “Coisas Nossas” e mais outros quatro sambas foram lançados por Noel em discos Columbia, empresa que na época havia instalado um estúdio de gravação no Rio de Janeiro (A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).
(Fonte: Cifrantiga)
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Tertúlia da Saudade


 

"A coisa está toda errada"
- diz o pescador Romão -
"No mar, peixinhos de nada,
na praia, cada peixão!"

A confusão foi tamanha...
Móveis quebrados... Berreiro,,,
É que a sogra do Saldanha
baixou naquele terreiro.

A minha comadre Clara
está bonita e feliz:
gastou os olhos da cara,
mas consertou o nariz.

A minha mão, estendida
ao teu aperto de mão,
revela a mágoa esquecida,
mostra a paz no coração.

A minha sogra é uma bola
e meu sogro já dizia:
- Dorme até sem camisola,
pra fazer economia.

Ante o desquite, maroto,
segreda o primo da Berta:
- Velho casado com "broto",
tem que "dar galho", na certa.

Ao meu sogro, ninguém logra
vencer em azar, ninguém,
pois atura a minha sogra
e a sogra dele, também.

Ao vê-la cheia de graça,
vizinhas contam piadas,
mas, se é o marido quem passa,
há explosões de gargalhadas.

Ao vê-Ia, na cova, inerme,
roliça qual um presunto,
segreda um verme a outro verme:
- que abundância de defunto!

Ao vê-la na igreja entrar,
bamboleante, os braços nus,
Santo Antônio, em seu altar,
cobre os olhos de Jesus!

Ao vê-lo descer inerme,
em meio a tanto aparato,
disse um verme a um outro verme
- Vou comprar bicarbonato...

Ao ver a loura passar,
diz um luso muito vivo:
- Espero ainda encontrar
esse "troço" em negativo.

A poça d'água da rua
- igual a certas pessoas -
pensa ao refletir a lua,
ser a maior das lagoas.

Aqui Jaz o Godofredo,
porque o vizinho, avisado,
chegou um pouco mais cedo
do que havia combinado.

"Aqui Jaz Zé das Boêmias".
E os vermes, por precaução,
não permitiram que as fêmeas
visitassem-lhe, o caixão...

As vezes, a gente canta
para a si mesmo enganar,
sentindo um nó na garganta,
com vontade de chorar.

Até parece pilhéria,
ouvir, de certa pessoa,
a informação de que és séria,
só porque não ris à toa...

Boa de bola e aguerrida,
chutando bem, a Lalá
é sempre muito aplaudida,
nas cabeçadas que dá.

Boa mulata, a Anacleta
diz por piada, talvez,
que, apesar de analfabeta,
conhece bem português.

Cai a chuva escassa e mansa,
no sertão de sol ardente:
- reticências de esperança,
que Deus manda àquela gente.

Cansado, desiludido,
chego ao fim da minha estrada,
sem horizonte, perdido,
entre as brumas da jornada

Cão de marujo, também,
por mais perigos que arroste,
imita o seu dono e tem
um amor em cada poste.

Caro doutor, saiba disso:
se esse transplante malogra,
eu pago em dobro o serviço,
que a coroa é minha sogra.

Casou-se o pobre Peçanha,
com mulher feia e sem graça:
Para quem não tem champanha,
vale um trago de cachaça...

Cheque sem fundos, o Meira
recebeu naquele dia:
- Vendendo uma geladeira,
o coitado "entrou em fria"

Começou mal a semana
o beberrão azarado:
abusou tanto da cana,
que acabou sendo "encanado".

Como pode, Madalena,
nem sei como acreditar,
pílula assim tão pequena
nosso segredo guardar...

Comprou, na Agência Postal,
o menor selo que havia,
deu-lhe um jeito de avental
e eis a tanga de Maria !

Com todo o senso de artista
e, apesar de todo o zelo,
não sou bom filatelista,
no entanto, procuro "sê-lo"

Da gravata à borboleta,
que eu usei esta semana,
a minha prima, Julieta,
fez um biquíni bacana.

Da ingente lida cansada,
velha cegonha matreira,
hoje, vive, aposentada,
a assustar moça solteira.

Datilógrafa, a Maria
é "boa" como ninguém:
mesmo em datilografia,
tem seus méritos, também.

Declara, em meio à homenagem,
o astronauta, herói da Nasa
- Prova mesmo de coragem
vou dar voltando pra casa!

De fazenda é tão escasso
o biquíni da Julieta,
que até não sobrou espaço
pra colocar a etiqueta...

Deixei minha namorada,
numa agonia tremenda:
escondi, na mão fechada,
o seu biquíni de renda.

Dentro do meu coração,
na minha radiografia,
o doutor - que indiscrição! -
viu tua fotografia!

Deu-me tanta bola a Berta,
com sorrisos e olhar doce,
que eu fui em frente na certa:
aí, a Berta trancou-se !

Diz a mulata Maria,
sem explicar a razão
que o luso da padaria
é pão vendendo outro pão....

Diz que detesta covarde
e odeia os homens pecatos;
da coragem, faz alarde
e, em casa, é quem lava os pratos...

Do amor fervorosa crente,
a mulher do seu Tomás,
sendo uma cara pra frente,
vive a passá-lo pra trás...

Do espelho da tua sala,
procura o exemplo seguir:
ele reflete e não fala,
tu falas sem refletir...

Eis um conceito maroto,
que aos quatro cantos espalho:
se todo o galho foi broto,
nem todo o "broto" "dá galho".

Ela é séria e não dá bola,
chega a ser ultrapassada...
Com tantas curvas, Carola,
afinal, é tão quadrada...

Ela vive no oculista
e ele é motivo de troça,
pois se ela trata, da vista,
ele faz a vista grossa...

Em perfeita comunhão,
na vila de Santarém,
a mulher do sacristão
ajuda ao padre, também.

Entra a esposa bem idosa
e uma "gatinha" assanhada,
o macumbeiro Barbosa
vive numa encruzilhada.

Entre um branca gelada
e uma preta bem quentinha,
topo as duas, camarada:
- não perco uma cervejinha.

Estendido sobre a cama,
na brancura do lençol,
que saudades meu pijama
sente do teu "baby-doll"!

Eu tenho quatro vizinhas
- que santas meninas são! -
à sua porta, às tardinhas,
há homens em procissão...

Explica a mulher a alguém,
que seu marido é pintor:
é por isso, que ela tem
um filho de cada cor...

Explica cheia de sestro,
que não engana a ninguém:
sendo mulher de maestro,
faz seus "arranjos", também.

Felicidade, querida,
assim posso enunciar:
- moeda falsa que a vida
insiste em querer passar.

Imploraste a Santo Antônio
um casamento, Maria:
deu-te o santo o matrimônio
mas fui eu que "entrou em fria"...

Já pronto para o transplante,
pergunta, aflito, o ancião:
- Fico em forma, doutor Dante,
só trocando o coração?

Jogador inveterado,
morre o amigo Zé do Taco...
Vai entrar, pobre coitado,
no seu último buraco...

Louvado sejas, Senhor,
pela crença que me dás,
pelo que eu logro em Amor,
pelo que recebo em Paz,

Maria, a minha Maria,
põe nos beijos tal calor,
que a noite pode ser fria
e eu não uso cobertor...

Maria, ao jogar "pelada",
me dá bola a tarde inteira
e porque joga avançada,
terminamos na "banheira"...

Meu amigo, Zé da Mota,
fala mal da sogra à toa,
pois eu conheço a velhota
e ela até que é muito boa!

Meu gato sumiu e o fato
deixa a gata tiririca,
lamentando, sempre, o gato,
ao ouvir certa cuíca.

Minha sogra sempre anota
meus atrasos num caderno:
se essa "coroa" empacota,
vai ser porteira do inferno...

Morre a sogra e, comovido
o meu compadre Tomás,
na coroa, distraído,
escreveu: "Descanso em paz"!

Morreu lutando, e aqui jaz
Chico Bomba, o corajoso...
E esse epitáfio, quem faz
é o seu primo: o Zé Medroso...

Muito embora não se esgote
todo assunto que é você,
pelo V do seu decote
quanta coisa a gente vê!

Mulata boa, essa Helena,
que afirma ser tua prima...
Sempre que passa, me acena
de polegar para cima.

Na bebida, a minha mágoa
procuro ver afogada...
Já me chamam de pau-d'água,
mas, a minha mágoa... nada...

Namorei a Margarida,
mas como me deu trabalho!
Nunca vi, na minha vida,
um broto dar tanto galho...

Não fez o menor sarilho
meu amigo Vivaldino
e deu, ao décimo filho,
o nome de PILULINO...

Não vende móveis, Maria,
mas, segundo as faladeiras,
atrai boa freguesia
com seu "jogo de cadeiras"

No banheiro, de surpresa,
ao entrar, reparo bem,
que até no banho, Teresa
é enxuta como ninguém.

Num biquíni diferente,
pôs fogo na praia inteira,
ao desfilar imponente,
só de peruca e piteira...

O Machado é grande amigo,
que eu tenho, sempre, ao meu lado:
qualquer problema comigo,
quem "quebra o galho" é o Machado.

O que eu desejo, sem pressa,
consigo sempre, Maria...
Hoje, me dás, sem que eu peça,
o que me negaste um dia...

O rapaz tanto bebia,
que, um mês depois de enterrado,
nenhum verme conseguia
fazer "quatro", nem deitado...

Pão duro a mais não poder,
o meu compadre Zulmiro,
em vez de dar, quis vender
o seu último suspiro.

Para casar, o Joaquim
tornou bruta carraspana:
Esse cara só diz "sim",
com a cara cheia de "cana".

Para evitar confusão,
afirma, sempre o Ramalho,
que não tem superstição:
tem alergia ao trabalho...

Pelo olhar de antipatia,
que o vigário me lançou,
estou certo que Maria,
de manhã se confessou.

Pensam que caí num logro,
mas, aviso a quem quiser
- pelo dinheiro do sogro,
aturo sogra e mulher.

Perdão, Senhor, mas não posso
resistir à tentação
de, ao rezar o Padre-Nosso,
pedir manteiga no pão.

Pões tal feitiço na ginga,
que, ao sambar, eu me atrapalho:
és tu, mulata, o coringa,
que faltava em meu baralho

Por bigamia, garanto,
castigo do céu não logras:
deve ter honras de santo,
quem aturou duas sogras...

Por mera superstição
Zé Cachaça explica bem:
Bebe antes da refeição,
durante e depois, também.

Porque a mulher é de morte,
estranha o compadre Osmar,
que o chamemos de "consorte",
se ele viva é "com azar".

Porque a mulher do goleiro,
jogando um tanto avançada,
me deu bola o dia inteiro,
entrei, também, na pelada....

Quando bebo mais um pouco,
uma coisa me maltrata
e me deixa quase louco:
- é ver sogra em duplicata...

Quando ela passa, divina,
penso ao ver-lhe a majestade:
- Ah! Se eu pudesse, menina,
dividir por dois a idade! ...

Quando eu morrer, a mulher
em apuros, que não fique:
se na cova eu não couber,
que me enterre no alambique...

Quando minha sogra entrou
no inferno, em grande escarcéu,
o Demônio se assustou
e se mandou para o Céu.

Quando ouviu o Pai-de-Santo
falar, em "trabalho", o Augusto
que é folgado, tremeu tanto
e quase morreu de susto...

Que importa meu dia-a-dia
seja de mágoa e tristonho:
nas asas da fantasia,
vivo momentos de sonho.

Quem usa como remédio
a solidão, na verdade,
não cura os males do tédio
só aumenta a dor da saudade.

Se a vida tem algo errado,
a própria vida conserta;
vejam só: o Zé Trancado,
ontem, casou-se com a Berta.

Se meus apelos comovem
ao senhor, eu peço, então,
que transplante um corpo jovem,
no meu velho coração...

Soldador de profissão,
vive a soldar Zé Trancado
e a mulher, por distração,
vai namorando um "soldado".

Superstição esquisita
essa que tem Dona Aurora,
pois só recebe visita,
quando o marido está fora.

Tanto mente o Zé Patranha,
faz tanto rolo e trapaça,
que se estoura uma champanha,
há quem jure que é cachaça.

Tem, o Zé, vida apertada
e a má sorte a castigá-lo:
se a mulher dá cabeçada,
é nele que nasce o galo...

Tem tanto medo da bronca
da mulher, o meu vizinho,
que até mesmo quando ronca,
o seu ronco sai fininho.

"Tenho coragem" dizia
e provou do que é capaz,
ao correr naquele dia
com o marido "dela" atrás.

Trazendo a Prudência ao lado,
eu demonstro inteligência,
pois viajo sossegado,
se dirijo com "prudência" .....

Vem gente de todo o lado,
ver minha prima Janete,
num "triquini" muito ousado:
chapéu, sandália e chiclete...

Vem Maria, ao meu amor,
que, com jeito, a gente arranja
botar no congelador
tuas flores de laranja.

Vive o Domingos feliz
sem o trabalho enfrentar,
que os "domingos" - ele diz -
são feitos pra descansar.

Voltou de cesta vazia,
pois não pescou nada, nada...
Mas, foi nessa pescaria,
que Benvinda foi pescada...

domingo, 29 de junho de 2014

A. A. de Assis (Revista virtual de trovas n. 175 Julho de 2014)


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Penetra no coração;
fica entranhado na mente...
A gente sai do sertão,
mas ele não sai da gente!
Ademar Macedo – RN

Ao beijar a tua mão,
que o destino não me deu,
tenho a estranha sensação
de estar roubando o que é meu!
Durval Mendonça

Vem, palhaço, sem tardança,
com teus trejeitos, teus chistes,
e acorda a alegre criança
que dorme nos homens tristes...
Élton Carvalho

Não há ruas sem esquinas,
nem esquinas sem enredos,
nem enredos sem meninas,
nem meninas sem segredos...
José Coelho de Babo

Minha casa, que tem tudo,
tanta coisa de valor,
minha casa não tem nada;
vive só, sem teu amor!
Joubert de Carvalho

Seria a vida esplendor,
ventura, luz e perfume,
se tu me desses de amor
o quanto tens de ciúme!
Luiz Otávio

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Ao saber que a noiva gasta,
na modista, herança inteira,
o noivo vivo se afasta,
e casa com... a costureira...
Dorothy Jansson Moretti – SP

Eta mulher jogo duro!
Por mais que eu implore e tente,
não me garante o futuro...
só quer saber de... presente.
João Costa – RJ

O reumatismo atacava
meu avô em tal escala,
que o velho já se queixava
de dor até na bengala...
José Lucas de Barros – RN

– Mamãe, eu vou pra balada,
mas não demoro a voltar.
– Filha, eu estou preocupada
é se você vai “ficar”!
Olympio Coutinho – MG

Vermelho igual ao tomate,
meu coração é um bife:
quanto mais alguém lhe bate,
mais amolece o patife.
Orlando Woczikosky – PR

Menininha no quintal,
tadinha, brincando só,
faz algo que lhe faz mal:
cata cocô de cocó...
Osvaldo Reis – PR
 

No casório, bebeu todas...
Ficou de fogo o Mané.
E em vez de curtir as bodas,
curtiu a lua... de mé...
Pedro Melo – SP

Na noite do seu casório,
sendo um noivo muito antigo,
usou até suspensório,
mas não suspendeu o artigo...
Wanda Mourthé – MG

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Esta é uma lei que não muda,
portanto preste atenção:
– O Pai jamais nega ajuda
àquele que ajuda o irmão.
A. A. de Assis – PR

Os namorados, querida,
dois relógios devem ter:
um que retarde a partida,
outro que apresse o volver.
Albercyr Camargo – RJ

Chocolate é ingrediente
de precioso sabor,
que entra na boca da gente
igual a beijo de amor!...
Alberto Paco – PR

Sigam, poetas, cantando
em dom divino e fecundo,
com suas mãos derramando
beleza e paz pelo mundo!...
Almir Pinto de Azevedo – RJ

Sonhando ver sua imagem
na varanda, uma outra vez,
recomponho uma paisagem
que, sem você, se desfez...
Almira Guaracy Rebelo – MG

O poeta é um ser divino
e nos traz felicidade.
A ele dedico um hino
de amor e fraternidade.
Ângela Stefanelli – RJ

Não sente, nunca, a fadiga
desta existência bizarra
quem no peito de formiga
tem coração de cigarra.
Antonio Juraci Siqueira – PA

Com musas vivo a sonhar:
à noite durmo um pedaço,
num caderno ao despertar
uma trova eu sempre faço.
Ari Santos de Campos – SC

Não pense que todo amigo
pode ser um confidente;
às vezes fala contigo
e te entrega logo à frente.
Benedita Azevedo – RJ
 

Ouço teus passos serenos
e o meu abraço se expande,
mas sinto os braços pequenos,
para ternura tão grande!
Carolina Ramos – SP

Nossa briga de verdade,
essa o tempo não contou,
e o que foi felicidade...
a saudade engavetou!...
Clenir Neves Ribeiro – RJ

Teu grande amor, que ironia,
é hoje coisa esquecida:
foi luz que por um só dia
iluminou minha vida!
Conceição de Assis – MG

O vento farfalha a copa,
da árvore, folhas e flores,
e a ave o ninho envelopa
para abrigar seus amores.
Cônego Telles – PR

La buscamos con anhelo
lleva, dicha al corazón,
de dicha nos da desvelo
lleva por nombre ilusión!
Cristina Olivera Chávez – EUA

Mansamente morre a tarde,
e eu na rede a te esperar.
E a saudade, sem alarde,
chega e toma o seu lugar...
Dáguima Verônica – MG

Na minha melhor idade,
sendo velho, sou criança,
vivendo a felicidade
no carrossel da esperança.
Décio Rodrigues Lopes – SP

Empilhados na memória,
um a um, mesmo à distância,
escreveram linda história
os meus brinquedos de infância.
Delcy Canalles – RS

Eu não ouço os teus conselhos
mas, quando fala a razão,
meus pecados, de joelhos,
imploram por teu perdão...
Dilva Moraes – RJ

Ultrapassando as fronteiras,
do Sim, do Não, do Talvez,
nosso amor vence barreiras
e o ciúme não tem vez!
Dirce Montechiari – RJ

Teus cabelos ondulados
caídos sobre o meu rosto,
cobrem os beijos molhados
trocados com tanto gosto.
Djalma da Mota – RN

Saudade é uma dor pousada
nos ombros da solidão:
felicidade passada,
vedada a repetição.
Eliana Jimenez – SC

O progresso da ciência
impulsiona uma nação,
porém só a consciência
constrói nela o cidadão!
Eliana Palma – PR
 

Quando me pedes perdão,
humildemente,  reflito:
– Quem tem Deus no coração
abranda qualquer conflito!
Elisabeth Souza Cruz – RJ

Lembranças que hoje sinto
da infância muito querida;
pedras rolando, não minto,
na longa estrada da vida.
Euclymar Porto – RJ

Este silêncio, tão mudo,
que o nosso olhar escondia,
nos fez sentir quase tudo
de tudo o que já sentia!
Eva Yanni Garcia – RN
 

Tu voltaste tão risonha
e eu, com minha insensatez,
desfiz o amor de quem sonha,
sendo infeliz outra vez!
Francisco Garcia – RN
 

Mesmo que lhe desagrade
dentre os sabores prefira
o amargo de uma verdade
ao doce de uma mentira.
Francisco Pessoa – CE
 

Eu prossigo o meu caminho,
procurando um grande amor,
que me envolva com carinho
e me aqueça em seu calor!
Gislaine Canales – SC

Seu aroma chega a mim,
vindo daquela janela:
são as flores do jardim
que emoldura a vida dela.
Hulda Ramos – PR
 

Numa estrada colorida,
ou na trilha empoeirada,
se a família segue unida,
é suave a caminhada.
Istela Marina – PR
 

Sejamos gratos pelo ar
que respiramos de graça
ou iremos transformar
nosso planeta em fumaça!
Janske Niemann – PR
 

Na clausura da existência
das prisões que nos impomos,
um devaneio é a essência
do que pensamos que somos!
J. B. Xavier – SP

Se sofres, poeta, canta,
que essa cantiga, aonde for,
consola, embala, acalanta,
quem vive pobre de amor!
Jeanette De Cnop – PR

Ah, relógio, meu amigo,
teus ponteiros, como correm!
O tempo voa contigo
e com ele os sonhos morrem...
Jessé Nascimento – RJ

Sem amor e sem carinho,
o homem vive a lamentar
e deixa o calor do ninho
pra buscar noutro lugar.
Jorge Fregadolli – PR
 

Tanta gente só… num canto…
perdida no desamor,
resguardando o desencanto
de um coração sofredor!
José Feldman – PR

Essas antigas mobílias,
acolhedoras e ternas,
se dá cupim nas famílias,
elas seguem sempiternas.
José Marins – PR

De uma forma muito astuta,
a mentira nunca falha:
hoje atinge a quem a escuta,
amanhã a quem a espalha...
José Ouverney – SP

Navega lejos mi barca
son mis años, es mi vida.
La está llamandola parca
para dar la bienvenida.
Libia Carciofetti – Argentina

Na pouca pressa que tens
de aliviar minha saudade,
enquanto espero e não vens,
transcorre uma eternidade!
Lucília Decarli – PR

Fitando o manto estrelado,
fica fácil compreender
a pequenez de meu fado
perante o divino Ser.
Luiz Antonio Cardoso – SP

Vamos fazer uma aliança,
pois poluir é desgraça:
levar o sol da esperança
à chaminé de fumaça !
Luiz Carlos Abritta – MG
 

Saudade, nem sempre triste,
traz lembrança de um ausente
que de longe ainda insiste
em se dar como presente.
Luiz Hélio Friedrich – PR

A brisa, leve em seu canto,
na voz de um timbre sem dono,
é quem solfeja o acalanto
pra noite pegar no sono...
Manoel Cavalcante – RN

Em tua ausência, a esperança
põe seus véus na realidade,
mas quem vive de lembrança
morre aos poucos... de saudade!
Mª Lúcia Daloce – PR

Volta agora com vontade
ser o amor que me encantou...
Traga contigo a saudade
que ao partir você deixou!
Mª Luíza Walendowsky – SC

Os cílios fazem cortina
para um palco de emoção,
que a luz do amor ilumina
quando canta o coração!
Mª Thereza Cavalheiro – SP

Ante os pobres, ter piedade,
ter doçura e compaixão,
é provar a suavidade
que brota do coração.
Marina Valente – SP

No adeus da tua partida
meu coração infeliz
ganhou enorme ferida
e, não parou... por um triz!
Maurício Friedrich – PR

Paciência teve Jó,
que tantas dores sofreu,
perdeu tudo, ficou só,
mas sua fé não morreu.
Mifori – SP

É uma sublime atitude
o saber pedir perdão.
Bem mais nobre é a virtude,
perdoar sem restrição.
Neiva Fernandes – RJ

Quando a neblina é mais densa
e a luz parece tão mansa,
na estrada o que a gente pensa
é que o sol ainda descansa.
Olga Agulhon – PR

Numa montanha de mágoas
há uma vertente escondida
por onde correm as águas
dos prantos da minha vida.
Renato Alves – RJ

Não me intimida o futuro,
nem os porquês dos meus ais.
Quem tem um porto seguro
tem o controle do cais.
Rita Mourão – SP

Concedido por esmola
o perdão não traz fiança.
Dificilmente consola,
tendo sabor de vingança...
Ruth Farah – RJ

Verdade que não se trai,
e quem bem viver verá:
quando um filho agrada o pai,
um bom pai também será!
Selma Spinelli – SP

Vão meus sonhos, num batel,
buscar certezas... Em vão:
os meus barcos de papel
são, apenas, o que são!
Sérgio Ferreira da Silva – SP

Passa a vida passageira,
nesse passo de inquietude,
e leva ao passar ligeira
os traços da juventude.
Sônia Sobreira da Silva – RJ

Em nossas doces lembranças
vejo-me ainda o menino
que ao tocar em tuas tranças
uniu ao teu seu destino.
Thalma Tavares – SP

Tu chegas, só por instantes,
e as minhas mágoas contenho:
se não há depois, nem antes,
vivo os instantes que tenho!
Thereza Costa Val – MG

Meu coração não se expande.
Chora sozinho e sem queixa...
Sabe quando o amor é grande
pela saudade que deixa.
Therezinha Brisolla – SP

Sempre e sempre se convença
de que há distância infinita
entre aquilo que se pensa
e aquilo que a vida dita...
Vanda Alves – PR

Onde a sombra cobre e embaça
o sol que anima e clareia,
eu quisera ser quem passa
e reacende a luz alheia.
Vanda Fagundes Queiroz – PR

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XXVIII Jogos Florais de Bandeirantes/PR - 2014 (Resultado Final: Estadual e Nacional/Internacional)

Concurso de Âmbito Estadual (Paraná)

tema: MOTIVO

Vencedores em ordem alfabética


1- Alberto Paco - Maringá

2- Antonio Augusto de Assis - Maringá (2 Trovas)

3- Dari Pereira – Maringá (2 Trovas)

4- Istela Marina Gotelipe Lima - Bandeirantes (2 Trovas)

5- Janete de Azevedo Guerra – Bandeirantes

6- José Feldman - Maringá (2 Trovas)

7- José Luiz da Luz - Ponta Grossa

8- Lucília Alzira Trindade Decarli - Bandeirantes (2 Trovas)

9- Maria Aparecida Pires - Curitiba

10- Maria da Conceição Fagundes – Curitiba

11- Maria Helena Oliveira Costa - Ponta Grossa

12- Maria Lúcia Daloce – Bandeirantes (2 Trovas)

13- Maurício Fernandes Leonardo - Ibiporã (2 Trovas)

14- Vanda Alves da Silva - Curitiba (2 Trovas)

15- Vanda Fagundes Queiroz - Curitiba

Concurso de Âmbito Estadual (Paraná)

Tema: LOROTA

Vencedores em ordem alfabética


1- Alberto Paco - Maringá (2 Trovas)

2- Antonio Augusto de Assis - Maringá (2 Trovas)

3- Dari Pereira - Maringá

4- Dinair Leite – Paranavaí (2 Trovas)

5- Istela Marina Gotelipe Lima - Bandeirantes (2 Trovas)

6- Janete de Azevedo Guerra - Bandeirantes (2 Trovas)

7-Lucília Alzira Trindade Decarli - Bandeirantes (2 Trovas)

8- Maria Aparecida Pires - Curitiba

9- Maria da Conceição Fagundes - Curitiba

10- Maria Helena Cristovo -- Bandeirantes

11- Maria Lúcia Daloce - Bandeirantes (2 Trovas)

12- Maurício Fernandes Leonardo - Ibiporã

13- Renato Luiz Trindade - Santo Antonio da Platina

14- Vanda Alves da Silva - Curitiba

15- Vanda Fagundes Queiroz - Curitiba (2 Trovas)

Concurso de Âmbito Estadual (Paraná)

Tema: BANDEIRANTES - 80 ANOS

Vencedores em ordem alfabética


01- Antonio Augusto de Assis – Maringá

02– Dari Pereira – Maringá

03– Janete de Azevedo Guerra – Bandeirantes

04- Maria Helena Cristovo – Bandeirantes

05– Maria Lúcia Daloce – Bandeirantes

Concurso de Âmbito Nacional/Internacional

tema: FELICIDADE

Vencedores em ordem alfabética


1 - Bessant – Pindamonhangaba - SP

2 - Campos Sales - São Paulo - SP

3 - Dáguima Verônica de Oliveira - Santa Juliana - MG

4 - Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho - Juiz de Fora - MG

5 - Ercy Maria Marques de Faria -Bauru - SP

6 - Héron Patrício - Pouso Alegre - MG

7 - José Antônio de Freitas - Pitangui - Mg

8 - José Guarany Rodrigues - Pindamonhangaba -SP

9 - José Ouverney - Pindamonhangaba - SP (2 Trovas)

10 - Maria Madalena Ferreira - Magé - RJ

11 - Pedro Mello - São Caetano do Sul - SP

12 - Renata Paccola - São Paulo - SP

13 - Sandro Pereira Rebel - Niterói - RJ

14 - Sérgio Bernardo Correa - Nova Friburgo - RJ

15 - Therezinha Dieguez Brisolla - São Paulo - SP

Concurso de Âmbito Nacional/Internacional

Tema: JANELA

Vencedores  em ordem alfabética


1 - Campos Sales - São Paulo - SP

2 - Edmar Japiassú Maia - Nova Friburgo - RJ (2 Trovas)

3 - Élbea Priscila de Sousa e Silva - Caçapava - SP

4 - Élen de Novais Félix - Niterói - RJ

5 - Geraldo Trombin - Americana - SP

6 - Giva da Rocha - São Paulo - SP

7 - Jaime Pina da Silveira - São Paulo - SP

8 - José Antônio de Freitas - Pitangui - MG

9 - José Ouverney - Pindamonhangaba - SP (2 Trovas)

10 - Nazareno Tourinho - Belém - PA

11 – Olympio da Cruz Simões Coutinho - Belo Horizonte - MG (2 Trovas)

12 - Roberto Tchepelentyky - São Paulo - SP

13 - Sandro Pereira Rebel - Niterói - RJ

!4 - Sérgio Bernardo Correa - Nova Friburgo - RJ

15 - Therezinha Dieguez Brisolla - São Paulo - SP
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Concurso de Âmbito Nacional/Internacional

Tema : BANDEIRANTES - 80 Anos

Vencedores  em ordem alfabética


1 - Austregésilo de Miranda Alves - Senhor do Bonfim - BA

2 - Clenir Neves Ribeiro - (... ? ) - Austrália

3 - Dodora Galinari - Belo Horizonte - MG

4 - Jaime Pina da Silveira - São Paulo - SP

5 - Roberto Tchepelentyky - São Paulo - SP

X Concurso de Trovas/2014 da UBT Maranguape/CE (Resultado Final Nacional/Internacional e Aberto)

Âmbito Nacional/Internacional
TEMA: GENTILEZA

(Trovas líricas ou filosóficas)

VENCEDORES (1º ao 5º lugares)

 

1º. Lugar:

Sempre que o destino aperta
e fornece pistas tortas,
gentileza é a chave certa
para abrir todas as portas...
MILTON SOUZA
Porto Alegre/RS

2º. Lugar:

No roseiral das virtudes
sobressai a gentileza,
sem a qual, às atitudes
mais lindas, falta a grandeza!
AMILTON MACIEL MONTEIRO
São José dos Campos/SP

3º. Lugar:

Atenda bem, com presteza,
a quem lhe pede um favor,
porque qualquer gentileza
é sempre um gesto de amor!
EDUARDO A. O. TOLEDO
São Sebastião da Bela Vista/MG

4º. Lugar:

Gentileza e cortesia,
qualidades naturais,
que a todo instante se via,
mas hoje não se vê mais.
ALDA LOPES DE OLIVEIRA REZENDE
Taubaté/SP

5º. Lugar:

Gentileza é quando o sol,
vendo o dia se findar,
no resplendor do arrebol,
deixa a lua triunfar.
JOEL HIRENALDO BARBIERI
Taubaté/SP

MENÇÕES HONROSAS (6º ao 10º lugares):

6º. Lugar:

A gentileza, meu filho,
sincera e sem pretensões,
reflete, na vida, o brilho
dos mais belos corações!
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Natal/RN

7º. Lugar:

A gentileza revela
o bem que o mimo nos faz...
Pois gentileza é janela
aberta ao pódio da paz!
PROFESSOR FRANCISCO GARCIA
Caicó/RN

8º. Lugar:

Gentileza, óh! Gentileza!
Não te faças diminuta...
Sem ti, no mundo a rudeza
ganha espaço e vence a luta!
MARIA LÚCIA DALOCE
Bandeirantes/PR

9º. Lugar:

A gentileza,de fato,
tem uma definição:
ela é por certo o retrato
de quem tem educação.
LARISSA LORETTI
Rio de Janeiro/RJ

10º. Lugar:

Me envolveu com gentileza,
me enganou dizendo amar...
Foi como quem pôs a mesa
mas não serviu o jantar.
JOSÉ HENRIQUE DA COSTA
Magé/RJ

MENÇÕES ESPECIAIS (11º ao 15º lugares):

11º. Lugar:

Na rua, que gentileza,
em casa, quanta agressão!
Quem trata os seus com crueza
já não merece atenção.
ALFREDO BARBIERI
Taubaté/SP

12º. Lugar:

Falar com o coração
Em tudo pondo beleza
Faz a mera educação
Transformar-se em gentileza.
DOMINGOS FREIRE CARDOSO
Ílhavo/Portugal

13º. Lugar:

A gentileza do abraço,
quando o soluço emudece,
é sol que nasce, é mormaço
no âmago de quem padece.
MARIA HELENA URURAHY C. DA FONSECA
Angra dos Reis/RJ

14º. Lugar:

Parece que a humanidade
esqueceu que a gentileza
é um gesto de amizade,
de respeito e de nobreza...
AMAEL TAVARES DA SILVA
Juiz de Fora/MG

15º. Lugar:

Numa Santa gentileza,
com presença garantida,
Deus, na bela natureza,
rege, o milagre da vida...
JOSÉ CARLOS PANAZZOLO
Ribeirão Preto/SP

DESTAQUES (16º ao 20º lugares):
 

16º. Lugar:

Perdão, desculpa, obrigado,
são atos de gentileza
de um povo sério e educado
que vive em paz, com certeza.
ALFREDO BARBIERI
Taubaté/SP

17º. Lugar:

Se você for bom cristão,
Será gentil com certeza,
E tratará seu irmão
Com finura e gentileza.
MAURÍCIO FERNANDES LEONARDO
Ibiporã/PR

18º. Lugar:

Com sorrisos de carinho
e atitudes de nobreza,
vamos plantar nos caminhos
as flores da gentileza!
ELEN DE NOVAIS FÉLIX
Niterói/RJ

19º. Lugar:

Se me ofendem sem razão,
logo me invade a tristeza,
mas eu pago a ingratidão
usando de gentileza!
ALBERTO PACO
Maringá/PR

20º. Lugar:

A gentileza do pobre
Não é pouca nem é rara,
porém ninguém a descobre,
e nela ninguém repara.
António José Barradas Barroso
PAREDE – PORTUGAL

NACIONAL/INTERNACIONAL
TEMA: BOLA [H]

VENCEDORES (1º ao 5º lugares)


1º. Lugar:

O juiz recolhe a bola...
O time deixa o gramado...
E a torcida se consola,
xingando a mãe do coitado!!!
ERCY MARIA MARQUES DE FARIA
Bauru/SP

2º. Lugar:

Na “pelada” a bola rola
misturando o bom e o mau...
Somente o dono da bola
pode ser “perna de pau”...
MILTON SOUZA
Porto Alegre/RS

3º. Lugar:

Casado, ele dava bola
para as moças lá na festa.
Mas, hoje, sempre se amola,
com os dois chifres na testa!
LEONILDA YVONNETI SPINA
Londrina/PR

4º. Lugar:

De olho gordo em seu dinheiro
deu "bola" pro sessentão
que enrolou-a, por inteiro,
e lhe deu tanque e fogão.
ALFREDO BARBIERI
Taubaté/SP

5º. Lugar:

Como enrola o Zé Gabola,
que afirma ser craque, embora,
toda a vez que pega a bola,
é gol contra... ou chute fora!!
CAROLINA RAMOS
Santos/SP

MENÇÕES HONROSAS (6º ao 10º lugares):

6º. Lugar:

O preconceito careta
na sinuca ele desmente
ao chamar a bola preta
de bola afrodescendente.
DULCÍDIO DE BARROS MOREIRA SOBRINHO
Natal/RN

7º. Lugar:

O estrábico deita e rola,
e o goleiro o encara e diz:
você tá olhando a bola,
ou mirando o meu nariz?
PROFESSOR FRANCISCO GARCIA
Caicó/RN

8º. Lugar:

Ela é boa faxineira,
e dá "Bola" ao Coronel...
Seu "requebro" de "cadeira",
botou fogo no quartel!
IVONE TAGLIALEGNA PRADO
Belo Horizonte/MG

9º. Lugar:

Aquele velho gabola
Quis marcar um gol de placa,
Tropeçou na própria bola,
Coitado! Saiu de maca.
LUIZ POETA
Rio de Janeiro/RJ

10º. Lugar:

Faz gol, mas não se consola...
Choraminga olhando o pé!...
Quando dá chutes na bola
tem saudade do balé!...
MERCEDES LISBÔA SUTILO
Santos/SP

MENÇÕES ESPECIAIS (11º ao 15º  lugares):

11º. Lugar:

O político é matreiro,
quando é corrupto, e ladrão.
Se é mensaleiro, é goleiro:
- Tem sempre, “bolas” na mão...
FABIANO DE CRISTO MAGALHÃES WANDERLEY
Natal/RN

12º. Lugar:

Requebrando na avenida
no desfile lá da escola,
minha sogra Margarida
se achava a "Dona da Bola".
LICÍNIO ANTÔNIO DE ANDRADE
Juiz de Fora/MG

13º. Lugar:

Com fama de ser machão
no campo domina a bola;
sensual, o gostosão...
Dorme só de camisola!
NADIR NOGUEIRA GIOVANELLI
São José dos Campos/SP

14º. Lugar:

Existem bolas e bolas...
Aquelas do Mensalão,
foram festas de cartolas,
Dirceu bateu um bolão!
GERALDO LYRA
Recife/PE

15º. Lugar:

Em jogo da Seleção,
antes da bola rolar,
torço muito que o Galvão
não seja quem vai narrar.
EDWEINE LOUREIRO DA SILVA
Saitama/Japão

DESTAQUES (16º ao 20º lugares)
 

16º. Lugar:

É juíza e bandeirola,
a sogra do Juca Bento.
Se a vizinha lhe dá bola
Ela marca impedimento
DÉCIO RODRIGUES LOPES
Mogi das Cruzes/SP

17º. Lugar:

Quando andas tu rebolas,
não por seres provocante;
mas teu traseiro tem bolas
que a deixam muito abundante!
AMILTON MACIEL MONTEIRO
São José dos Campos/SP

18º. Lugar:

-Deita no colchão de molas,
vem aqui me aconchegar.
-Deitar contigo, ora bolas?
Só simplesmente deitar?
ALBÉRCIO NUNES
Serra/ES

19º. Lugar:

“Não adianta puxar-saco”
-diz a galinha d’angolaquanto
mais dizes “tô fraco”,
mais o galo me dá bola...
DODORA GALINARI
Belo Horizonte/MG

20º. Lugar:

Vendo a bola de cristal,
lendo a minha mão, também,
disse a vidente, afinal:
- Futuro? Você não tem!!!
SECEL BARCOS
Cambridge - Canadá


Âmbito: ABERTO
Nacional/Internacional

TEMA: MÉDICO (L/F]

VENCEDORES (1º ao 5º lugares)


1º. Lugar:

Entre a dor e o seu paciente,
na missão à qual fez jura,
vive, o médico, consciente,
o sacerdócio da cura.
NEI GARCEZ
Curitiba/PR

2º. Lugar:

Não bastam ciência e estudo,
não basta a disposição.
Ser médico é sobretudo
altruísmo e vocação.
ELIANA RUIZ JIMENEZ
Balneário Camboriú/SC

3º. Lugar:

Ser médico numa terra
que carece de hospitais
é sobreviver à guerra,
sem que a paz chegue jamais.
EDWEINE LOUREIRO DA SILVA
Saitama/Japão

4º. Lugar:

O médico em branca farda,
zelando por nossa sorte,
na vida é o anjo da guarda
que nos protege da morte.
DULCÍDIO DE BARROS MOREIRA SOBRINHO
Taubaté/SP

5º. Lugar:

O bom médico, educado,
que os pobres assiste e ensina,
é sempre recompensado
e enobrece a medicina.
ROBERTO RESENDE VILELA
Pouso Alegre/MG

MENÇÕES HONROSAS (6º ao 10º lugares):
 

6º. Lugar:

O médico, na cidade,
para agravar-me a tortura.
disse: - teu mal é saudade,
e a medicina não cura!
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Natal/RN

7º. Lugar:

O médico, meus senhores,
é sacerdote em missão.
Salva vidas, cura dores.
- Bendita essa profissão!
LEONILDA YVONNETI SPINA
Londrina/PR

8º. Lugar:

Nas mãos do médico pomos
A nossa vida, a sofrer;
Dizemos tudo que somos
Só com medo de morrer...
DOMINGOS FREIRE CARDOSO
Ílhavo - Portugal

9º. Lugar:

Deus nos deu inteligência,
e ao médico autorizou
salvar, à luz da Ciência,
as vidas que Ele criou.
VANDA FAGUNDES QUEIROZ
Curitiba/PR

10º. Lugar:
Médico é uma profissão
que requer desprendimento,
muito estudo e doação,
na cura de um sofrimento.
LICÍNIO ANTÔNIO DE ANDRADE
Juiz de Fora/MG

MENÇÕES ESPECIAIS (11º ao 15º lugares):
 

11º. Lugar:

Médico para o doente
é mais que anjo protetor,
é a mão de Deus presente
em cima da sua dor.
LUIZ MORAES
São José dos Campos/SP

12º. Lugar:

Resolve os problemas meus,
meu médico preferido,
para mim, é quase um deus,
um amigo bem querido!
GISLAINE CANALES
Porto Alegre/RS

13º. Lugar:
Um médico competente,
na profissão escolhida,
faz a vida do paciente
valer mais que a própria vida...
MILTON SOUZA
Porto Alegre/RS

14º. Lugar:

São Lucas Evangelista,
foi médico também de almas
e jamais perdeu de vista
as almas que foram salvas.
DANILO DOS SANTOS PEREIRA
Belo Horizonte/MG

15º. Lugar:

O Médico traz consigo
a noção de uma verdade
e trata amigo e inimigo,
com igual sinceridade!
CAROLINA RAMOS
Santos/SP

DESTAQUES (16º ao 20º lugares):

16º. Lugar:

Em seus labores diários,
com muito desvelo e amor,
médicos são emissários
das benesses do Senhor.
WANDA DE PAULA MOURTHÉ
Belo Horizonte/MG

17º. Lugar:

Médico, seu intermédio
buscando a cura de alguém,
se torna, às vezes, remédio
que a Medicina não tem.
DODORA GALINARI
Belo Horizonte/MG

18º. Lugar:

Seja qual for o roteiro,
prioridade é a saúde:
Deus ajuda mas, primeiro,
deixe que o médico ajude!
JOSÉ OUVERNEY
Pindamonhangaba/SP

19º. Lugar:

Estes versos vêm dizer,
com carinho e doce enlevo,
quanto eu quero agradecer
tudo que ao médico devo.
MARIA IGNEZ PEREIRA
Moji Guaçu/SP

20º. Lugar:

Caro médico, mereces
o nosso muito obrigado.
Toda noite, em minhas preces,
teu nome é pronunciado!
ANTÔNIO AUGUSTO DE ASSIS
Maringá/PR

Âmbito: ABERTO
Nacional/Internacional

TEMA: ÉTICA (L/F]

VENCEDORES (1º ao 5º lugares)

 

1º. Lugar:

É de Hipócrates a escrita
de uma sentença profética:
- Salve aquele que exercita
a Medicina com Ética!!!
EDUARDO A. O. TOLEDO
São Sebastião da Bela Vista/MG

2º. Lugar:

Ter ética é respeitar
em cada um seu direito,
é ter conduta exemplar
com retidão e respeito.
LICÍNIO ANTÔNIO DE ANDRADE
Juiz de Fora/MG

3º. Lugar:

Quem numa ética se escora
põe fim a contestação.
Quando a verdade vigora:
fala mais alto a razão!
WANDISLEY GARCIA
Jales/SP

4º. Lugar:

A fala, suave ou rude,
isso é o que menos importa:
sem ética na atitude,
qualquer ação nasce morta!
JOSÉ OUVERNEY
Pindamonhangaba/SP

5º. Lugar:

Valeu teu suor... teu pranto...
mas lembra, ao rumo que tomas,
que a Ética vale tanto
quanto valem os diplomas!...
EDMAR JAPIASSÚ MAIA
Nova Friburgo/RJ

MENÇÕES HONROSAS (6º ao 10º lugares):

6º. Lugar:

Em qualquer escola estética,
filosófica ou moral,
os princípios para a ética
tratam todos por igual.
OLIVALDO JÚNIOR
Mogi Guaçu/SP

7º. Lugar:

Ética, quando se aprende
desde tenra mocidade,
toda a gente a compreende
pois é mãe da honestidade.
ANTÓNIO JOSÉ BARRADAS BARROSO
Parede – PORTUGAL

8º. Lugar:

Sem qualquer mancha ou resíduo
nos pilares da moral,
na ética é que o indivíduo
mostra o seu valor real.
ELIANA RUIZ JIMENEZ
Balneário Camboriú/SC

9º. Lugar:

A Ética é aquele crivo
que apura padrões morais
e, em mundo competitivo,
é necessária demais!
WANDA DE PAULA MOURTHÉ
Belo Horizonte/MG

10º. Lugar:

Cuide de sua postura,
seja entre amigos ou não,
- ter ética, ter lisura -
é da boa educação.
HELENA BARROS

MENÇÕES ESPECIAIS (11º ao 15º lugares):

11º. Lugar:

A gente se torna cética
com gentinha que costuma
nos ditar lições de ética
sem ter ética nenhuma...
CARLOS HENRIQUE SILVA ALVES
Senhor do Bonfim/BA

12º. Lugar:

Quem só pensa no progresso,
que se diz ser muito cética,
que se escraviza ao sucesso,
tem tudo, mas...não tem ética!
DILVA NARIA DE MORAES
Nova Friburgo/RJ

13º. Lugar:

Quem acende a luz da ética,
mesmo em terra pervertida,
vai derretendo a cosmética
que esconde a face da vida.
ROBERTO RESENDE VILELA
Pouso Alegre/MG

14º. Lugar:

Se sou ético, a minha ética,
Busca os trilhos da razão
Sem quedar-me na epiléptica
Postura da contramão.
JAIR SALES DE ALMEIDA
Tomé-Açu/PA

15º. Lugar:

Ética, se desprezada,
tanto mal causa ao redor;
pois atrasa a caminhada
para um futuro melhor.
EDWEINE LOUREIRO DA SILVA
Saitama/Japão

DESTAQUES (16º ao 20º lugares):

16º. Lugar:

Ética conduta mor;
sensatez e disciplina,
ajuda a ser bem melhor
quem pratica a medicina.
LUIZ MORAES
São José dos Campos/SP

17º. Lugar:

Neste mundo de injustiça,
de maldade e intemperança,
a sociedade enfermiça
põe, na Ética, a esperança!
DELCY CANALLES
Porto Alegre/RS

18º. Lugar:

Só a Ética não pode
faltar nunca a quem governa,
pois sem ela o mal eclode
e tudo vira baderna!
AMILTON MACIEL MONTEIRO
São José dos Campos/SP

19º. Lugar:

Como pode a flor mais fina,
mas, na ética, insensata,
ser doutora em medicina
se, de amor, quase me mata?!
JAIME PINA DA SILVEIRA
São Paulo/SP

20º. Lugar:

Uma esperança perdida
Assumida no momento,
É brilho da nossa vida
Na ética do sentimento.
VITOR BATISTA
Portugal

 
Os parabéns da presidência da UBT-Maranguape e da ACLA aos trovadores classificados e participantes do concurso.

Dentro de alguns dias estaremos divulgando os âmbitos Estadual e Municipal, pois as trovas ainda estão com os julgadores.

Saliento que houve um atraso nos troféus do concurso anterior. A UBT-Maranguape e a FITEC está providenciando para receber do fabricante e enviar na mesma data dos troféus do presente concurso.

Os diplomas serão enviados por e-mail.

Solicito cientificar aos trovadores e poetas de seus contatos.

Abraços.
Fco. J. Moreira Lopes (Dedé Lopes)
Presidente da UBT-Maranguape e Coordenador do Concurso.

José Feldman (Chuva de Versos n. 175)


Uma Trova da Lapa/PR
JOSÉ WESTPHALEN CORRÊA


Nas águas mansas do lago,
nas verdes ondas do mar,
nas delícias de um afago,
vejo a mão de Deus pairar.

Uma Trova Humorística, de Umari/CE
ALOISIO ALVES DA COSTA


Enquanto o Zé Liberato
sai em busca da gatinha,
pela janela entra um gato
que janta a sua sardinha!

Uma Trova Premiada em Natal/RN, 2011
JOÃO COSTA (Saquarema/RJ)


É tanta angústia, insistente,
pesar intenso e profundo,
que eu me sinto uma vertente
de toda a mágoa do mundo.

Uma Trova de Pinhalão/PR
LAIRTON TROVÃO DE ANDRADE


Todo filho vem dos pais,
vem o mel da flor silvestre;
não há dor sem dor nos ais
nem discípulo sem mestre.

Uma Trova Hispânica da Argentina
NORA LANZIERI


Entendimiento mi amor
hay entre nosotros dos
como luz de unicolor
que siempre me abraza a vos.

Uma Trova de Olhão/Portugal
DEODATO PIRES


Dentre as flores de Jardim,
solitárias ou aos molhos,
é a rosa, para mim,
a “menina” dos meus olhos…

Um Poema de Barbacena/MG
ABGAR RENAULT
(Abgar de Castro Araújo Renault)
Barbacena/MG (1901 – 1995) Rio de Janeiro/RJ

Retorno de Pasárgada


Do que vi, do que fiz, do que compus, do que andei
nos palácios, nas ilhas, nas selvas, nos astros da rainha do rei,
só ficou este repleto silêncio, a unânime solidão
que escorre, negro luar, de dentro para fora,
e desce a rampa onde enterrei a aurora.
De tudo, na tristeza de cinza de cada mão,
trouxe uma flor defunta e, na profundidade do meu chão,
dura lágrima que não usarei.

Trovadores que deixaram Saudades
LUCY SOTHER ROCHA – Belo Horizonte/MG
(1928 – 2006)


Murmuram de nós que amamos
um ao outro, mas que importa?...
Importa o que murmuramos
nós dois, por detrás da porta...

Um Poema de Tours/França
YVES BONNEFOY
1923

O Poço


Escutas a corrente a bater na parede
Quando o balde desce no poço que é a outra estrela.
Vésper às vezes, solitária estrela,
Fogo sem raio as vezes a esperar à alva
Que saiam o pastor e suas reses.

Mas sempre a água está presa, no fundo do poço.
A estrela fica sempre ali selada.
É possível ver sombras, sob os galhos.
São viajantes que de noite passam

Curvados, carregando às costas massa negra,
Hesitantes, diria, numa encruzilhada.
Uns parecem que esperam, outros se apagam
No faiscar que vai sem luz.

A viagem do homem, da mulher é longa, mais longa do que a vida,
É uma estrada no fim do caminho, um céu
Que se pensou ter visto brilhar entre as árvores.
Quando o balde toca a água, que o levanta,
É uma alegria, então a corrente o esmaga.

Uma Setilha Sobre o Mar de Crato/CE
ANILDA FIGUEIREDO



Estava olhando o mar
Pus o teu nome na areia
A onda enciumada
Apagou nu’a volta e meia
Qualquer dia volto lá
Pra contigo navegar
Nos braços duma sereia.

Uma Quadra Popular

Para não fazeres ofensas
e teres dias felizes,
não digas tudo o que pensas,
mas pensa tudo o que dizes.

Um Haicai de São Paulo/SP
FABRÍCIO SOARES PERICORO


Friozinho da manhã
Sob as azaleias floridas
Dorme o cãozinho.

Recordando Velhas Canções
WALDECK ARTUR DE MACEDO

Súplica Cearense


Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o Senhor se zangou
E só por isso o sol se arretirou
Fazendo cair toda chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará

Que sempre queimou o meu Ceará
Que sempre queimou o meu Ceará
Que sempre queimou o meu Ceará

Um Poetrix de Portugal
ARMANDO LEAL

Fútil


sinto-me vazio e escrevo.
as letras parecem pedras,
e doem-me os gestos.

Um Martelo Agalopado do Rio de Janeiro/RJ
FRANCISCO  OTAVIANO DE ALMEIDA ROSA
(1825 – 1889)


     Quem passou pela vida em branca nuvem,
     Num plácido repouso, adormeceu;
     Quem não sentiu o trio da desgraça,
     Passou pela vida e não sofreu:
     Foi espectro de homem, não foi homem,
     Só passou pela vida e não viveu.

Um Soneto de Lisboa/Portugal
CARLOS ALBERTO DA COSTA FRAGATA

Ilusão


O riacho correu, endiabrado,
Com ânsias de ser mar, de ver o mundo...
O fascínio de ser forte, profundo,
Correr, com os golfinhos, lado a lado,

Saír do vale d'onde é oriundo,
Deixar de ser só rio, ser respeitado!...
Por esse sonho louco enfeitiçado,
Caíu num rio maior, mergulhou fundo!!

Confuso, procurando seu caudal,
Num turbilhão maior do que sonhara,
Engolido p'lo rio principal,

Apercebeu-se, então, de quanto errara!...
Chorou saudades da terra natal,
Que, em sonhos de grandeza, em vão deixara…

Um Soneto de São José dos Campos/SP
AMILTON MACIEL MONTEIRO

Súplica


Aves! Cantai por mim que não possuo lira!
Vós sois, como os poetas, livres e inspiradas...
Onde existis, cantais, alegres, descansadas,
Como a dizer que a vida enleva, encanta e inspira.

Eu não nasci com estro, ó donas da safira!
Jamais foi meu o dom das palavras rimadas;
Dentro em meu peito as dores estão sempre caladas,
Apenas sei chorar! E o pranto já se expira...

Clamor de desespero é só o que tu poderia
Arrancar de meu peito. E nunca uma poesia!
Oh! menestréis dos céus, ouvi o que vos clamo:

Ide bem alto, alto, e lá no céu profundo,
Dizei ao Criador que eu peço neste mundo,
Amor, somente o amor do alguém a quem eu amo!

Quadras Populares de Minas Gerais
Região do Nordeste de Minas I


Moça está na janela
comendo seu pão com queijo;
da boca faz um revólver,
atira de lá um beijo.

Está chegando a hora,
a hora da despedida;
de ti levo saudade,
saudade pra toda a vida.

A despedida foi hoje,
amanhã não pode ser;
 chega a hora da partida
nem adeus posso dizer.

De teus olhos um volver,
do teu lábio um sorriso;
vale mais que o mundo inteiro,
vale mais que o paraíso.

Menina, estes teus olhos,
são dois amigos brilhantes;
de dia – são duas tochas
de noite – dois diamantes.

Meu amor não é este,
nem aquele que lá vem;
meu amor é bonitinho,
não mistura com ninguém.

Tudo que é triste no mundo,
quisera que fosse meu;
para ver se tudo perto,
era mais triste que eu.

Atirei um limão verde
numa moça na janela;
o limão caiu no chão,
eu caí no colo dela.

Eu fui me confessar
que não tinha amor nenhum;
a penitência do padre foi
que namorasse ao menos um.

A garça com o bico n’água
pode estar quarenta dias;
 eu fora de meu bem,
nem uma hora, nem um dia.
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Sobre a Canção “Súplica Cearense”
"Súplica Cearense" é uma canção do cantor e radialista e humorista e artista de circo baiano Waldeck Artur de Macedo, mais conhecido como Gordurinha, em parceria com o compositor Nelinho, lançada em 1960 e gravada pelo próprio Gordurinha.
A canção, conhecida pela gravação original em 1960 , chegando a vender naquela época sem internet 400 mil cópias. A música foi composta em um programa de tv que arrecadava dinheiro para ajudar a população do Nordeste, o qual acabava de sofrer uma enchente que destruíra os lares.
Posteriormente a canção foi regravada por artistas como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Elba Ramalho, Fagner.

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Trovador Destaque


 
A beleza que estonteia
não é tudo, mas eu digo:
- cafuné de mulher feia
não é carinho… é castigo!

A “feia” caça um marido.
Porém ao vê-Ia, há quem diga
que só um doido varrido
pode topar essa briga!…

Amar-te em segredo aceito,
mas tens que entender meu ais,
porque te amar deste jeito
é doloroso demais!…

A quem, lutando, persegue
um sonho que não alcança,
suplico a Deus que não negue
o consolo da esperança!

Confesso que, fascinado
por tua graça invulgar,
se te amar foi um pecado,
não sei viver sem pecar!

Da mulher muito carente
seu Brochado anda arredio:
no verão, porque está quente
no inverno porque está frio!

Depois que te foste embora,
eu vejo, ante o amor desfeito,
que o sol resplende lá fora…
Mas há neblina em meu peito!

“Deu trambique sim senhor!
Não negue que estou sabendo…”
– Responde o Salim: “Doutor,
eu nunca dei nada… Eu vendo!”

Diz, louquinha pra casar,
a viúva, num gemido:
só eu sei como é ficar
dez anos sem ter marido!…

Dói-me não estar contigo
e ter que abafar meus ais;
mas, deste amor que eu não digo,
guardar segredo dói mais!

Dói-me tanto a ausência tua
que, imerso na angústia imensa,
se a noite é linda ou sem lua,
nem percebo a diferença!…

Em cascatas de poesias
eu transformo, comovido,
o rio de águas sombrias
que a minha vida tem sido…

Esquece a luta perdida
porque, mais que insensatez,
lembrar fracassos na vida
é fracassar outra vez!

Esquece o triste passado
que te deixa descontente…
Se o teu “ontem” foi nublado,
põe um sol no teu “presente”!

Esquecer-te? De que jeito?!…
Teu receio é sem motivo,
porque, dentro do meu peito,
tens lugar definitivo!

Fazer prece a todo instante
tão importante não é;
para Deus, mais importante
é o suplicante ter fé…

Foi o amor que nos unia
tido como insensatez…
Mesmo assim, como eu queria
ser insensato outra vez!

Gemendo, diz: meu marido
só me chama de canhão!…
E ao vê-la, alguém, distraído:
seu marido tem razão!

Lamenta-se o caloteiro:
- O meu ganho anda precário…
- Está faltando dinheiro?
- Não! Está faltando otário!

Mas o que faz esse “artista”?
- Pensa em calo o dia inteiro.
- Quer dizer que ele é calista?
- Negativo… é caloteiro!

Mente quem diz que não fez
durante a vida, algum dia,
a gostosa insensatez
de amar a quem não devia…

Meu coração que sofria,
finalmente hoje se solta
das amarras da agonia
feliz com a tua volta!

Muitos sonhos de venturas
são cascatas de ilusão:
encantam, lá das alturas,
mas se desfazem, no chão…

Muito te amo. Podes crer.
Mas tenho um receio louco
de que, para te prender,
todo este amor seja pouco!

Na dor, não lamente a sina…
Quem no peito a fé conduz,
por entre a densa neblina
descobre raios de luz !

Não fales com toda gente
dos teus tormentos e anseios…
Pois há quem fique contente
ouvindo os dramas alheios!

Não foi musa de um momento…
Desde que a vi, deslumbrado,
alugou meu pensamento
por tempo indeterminado!

Não merece glória tanta
quem só vence… O mais valente
é quem perde e se levanta
para lutar novamente.

Não queiras, na desavença,
ofender quem te ofendeu,
pois quem revida uma ofensa
merece a que recebeu!

Não sei bem por que partiste;
mas para o gesto insensato
eu sei que o remédio existe:
teu regresso imediato!…

Não tem marido, contudo,
vai, de topada em topada,
a Maria topa-tudo,
aumentando a filharada!

No momento em que partiste,
a lua, no céu, sozinha,
me pareceu muito triste…
mas a tristeza era minha!

Nosso motel não tem cama,
mas tem rede … Vão topar?
E o jovem casal exclama:
- Nós não viemos pescar…

No sufoco que o atormenta
geme o velhinho, intranqüilo:
a mulher com mais de oitenta
voltou a pensar naquilo!…

Numa imagem que revela
contrastes da vida ingrata,
a lua cobre a favela
com lindo lençol de prata!

Nunca dizia: “não pago”.
Mas em calote doutor,
simulava que era gago
até cansar o credor!

Ofensa dói, reconheço;
mas a tua indiferença
ao amor que eu te ofereço…
Dói muito mais que uma ofensa!

O inverno que acinza os dias,
insiste em mostrar, sem dó,
que em noites longas e frias
sofre mais quem vive só!…

O receio evidencia,
às vezes, sábia conduta;
mas disfarça a covardia
de alguns que fogem da luta!

O sujeito caloteiro
diz ao cobrador que insiste:
- hoje eu não tenho dinheiro,
mas volte… Milagre existe!…

Para ver-te, de tão louco
nem meço a distância imensa…
A viagem cansa um pouco,
mas o prêmio, recompensa!

Partes, alheia aos meus ais,
mas te suplico, sincero:
mesmo que não venhas mais,
fala que vens… que eu te espero!

Partir grilhões eu não quis …
Com teu amor, todavia,
sou um escravo feliz
que não reclama alforria! …

Passa linda… do alto, a lua
surpresa ao ver tanta graça,
ilumina mais a rua
no momento em que ela passa !

Pode ventar ou chover…
eu, nos teus braços agora,
nem perco tempo em saber
se tem inverno lá fora!

Por amor eu sou capaz
de fazer insensatez,
daquelas que a gente faz
sem lamentar por que fez…

Por culpa de alguns receios
e de tolos preconceitos,
somos, hoje, dois anseios
que não foram satisfeitos…

Porque te dei muito amor
fiquei só… Pois não sabia
que vai perdendo o valor,
o que é dado em demasia!…

Quando a Graça na lambada
requebra seu corpo jovem,
a turma fica assanhada,
vendo as “graças” que se movem.

Quando me abraças e dizes:
-Vivo do amor que te dou…
O mais feliz dos felizes
não é feliz como eu sou!

Que eu devo partir, urgente,
ela entende, e não replica…
mas, em súplica silente,
seus olhos me dizem: fica!

Quem por ser pobre reclama,
precisa entender, também,
que a flor nascida na lama
não perde a essência que tem…

Que não me queres, sei bem…
Suplico a Deus, mesmo assim,
que transforme o teu desdém
num pouco de amor por mim…

Sangue azul não tenho, sei;
de um plebeu sei que não passo,
mas sou feliz como um rei
no momento em que te abraço!

Se em meu rumo há névoa e abrolhos,
nem assim me intranqüilizo:
tenho as luas dos teus olhos;
tenho o sol do teu sorriso!

Se em meus poemas dispersos
falo sempre de fracassos,
é que a musa dos meus versos
vive ausente dos meus braços!

Se o amor que te dou te espanta
de tão grande, eis o motivo:
és a seiva; sou a planta;
se me faltares… não vivo!

Só peço a Deus uma graça:
que nunca uma despedida
destrua este nó que enlaça
minha vida à tua vida!

Sozinho, não desespero,
pois no verso encontro alento…
Não tenho a musa que eu quero,
mas tenho a musa que invento!

Tarda a chuva; e, por Deus chama
o nordestino apreensivo,
vendo a seca armar seu drama
com cenas de fome ao vivo!

Topa um “programa” vovô?
E o velhinho, triste, fala:
- agora, borocoxô,
só topo o pé na bengala!

Uma topada incomum
a minha vizinha deu.
Não feriu dedo nenhum
mas a barriga… cresceu!

Veja o golpe do Clemente:
- diz que foi uma topada
que o fez cair, justamente,
lá na cama da empregada!

Vence o receio e confia
nos teus sonhos; pois, em suma,
sem um pouco de ousadia
não se alcança coisa alguma!

Viva a vida; mas, cuidado!
Precavido, não se esqueça
de construir seu telhado
antes que a chuva aconteça!..

sábado, 28 de junho de 2014

José Feldman (Chuva de Versos n. 174)

 

Uma Trova de Piraquara/PR
HORÁCIO F. PORTELLA


Não chame a trova trovinha
nem diga que ela é pequena…
Seja sua ou seja minha,
é majestosa verbena.

Uma Trova Humorística, de Maranguape/CE
GLICE SALES ALCÂNTARA

 

Quando o noivo ao pai pediu
a mão da filha Mazé
o papagaio sorriu
- A mim só pedem o pé!

Uma Trova Premiada  em Nova Friburgo/RJ, 2008
ÉLBEA PRISCILA (Caçapava/SP)


A escolha do par perfeito,
farei nesta… em qualquer vida,
ao resgatar de outro peito,
minha metade perdida!

Uma Trova de Pedro Leopoldo/MG
WAGNER MARQUES LOPES


Futebol... O bom se faz -
passe a passe... Par a par...
Que o craque chamado Paz
ninguém consiga driblar!

Uma Trova Hispânica da Argentina
MARIA CRISTINA FERVIER

 

Luna que en la dicha o pena
a los poetas acompaña
que escriben sobre la arena
de las letras su hazaña.

Uma Trova de Parede/Portugal
OLÍVIA ALVAREZ MIGUEZ BARROSO


A vida, com temperança,
vinda desde pequenino,
é rumo de confiança,
ensinamento divino.

Um Poema de Niterói/RJ
MARCOS ASSUMPÇÃO
(Marcos André Caridade de Assumpção)

Casa Vazia

 

Falar de amor não é mistério
Nem tão difícil de explicar
A gente nunca faz por mal

Meu coração praia deserta
Morre de medo do inverno
E da solidão que me devora

Agora, a casa vazia,
Eu grito seu nome,
Só o silêncio me responde

Pensar que o amor é sempre eterno
Que é impossível ele se acabar,
Você bem que podia tentar, mas não, não, não.....

Então quero falar por um momento (só por um momento)
Da tua ausência no meu corpo
E dessa lágrima no meu rosto

Agora, a casa vazia,
Eu grito seu nome,
Só o silêncio me responde

o fogo arde sob o nosso chão
nada é tão fácil assim
eu ando sozinho, no olho do furacão
você nem lembra mais de mim

Agora, a casa vazia,
Eu grito seu nome,
Só o silêncio me responde

Trovadores que deixaram Saudades
MARITA FRANÇA
Curitiba/PR (1915 – 2009)

 

A poesia, inspiração,
fulge na alegria e dor…
São toques do coração,
que nos empolgam no amor.

Um Poema de Barcelona/Espanha
JOSÉ AGUSTÍN GOYTISOLO
(1928 – 1999)

Neste Mesmo Instante...


Neste mesmo instante
há um homem que sofre,
um homem torturado
tão somente por amar
a liberdade. Ignoro
onde vive, que língua
fala, de que cor
é sua pele, como
se chama, mas
neste mesmo instante,
quando teus olhos leem
meu pequeno poema,
esse homem existe, grita,
pode-se ouvir seu pranto
de animal acossado,
enquanto morde os lábios
para não denunciar
os amigos. Ouves?
Um homem só
grita amarrado, existe
em algum lugar. Eu disse só?
Não sentes, como eu,
a dor de seu corpo
repetida no teu?
Não te brota o sangue
sob os golpes cegos?
Ninguém está só. Agora,
neste mesmo instante,
também a ti e a mim
nos mantêm amarrados.

Uma Setilha de Caicó/RN
PROF. GARCIA


Casinha à beira da estrada
com chão de terra batida,
fiz do teu portão de entrada
o meu portão de saída,
parti morto de saudade
tangendo os sonhos da idade
pelas estradas da vida!

Uma Quadra Popular

Muito vence quem se vence
muito diz quem diz tudo,
porque ao discreto pertence
a tempo fazer-se mudo.

Um Triverso do Rio de Janeiro/RJ
MILLÔR FERNANDES
(Milton Viola Fernandes)
(1923 – 2012)

 

Não tem nexo
Tudo é apenas
Reflexo

Recordando Velhas Canções
MÁRIO DE SÃO JOÃO RABELO (Portugal)

A baratinha

(marcha, 1918)

Chega, chega, minha gente,
Que o choro vai começá,
Repara como é gostoso,
Este samba de matá.

A baratinha,a baratinha,
A baratinha, bateu asas e voou.
A baratinha, iaiá,
A baratinha, ioiô,
A baratinha, bateu asas e voou.

Perna de porco, é presunto,
Mão de vaca, é mocotó,
Quem quiser viver feliz,
Deve sempre dormir só...

Minha menina faceira
Cinturinha de retrós
Põe a chaleira no fogo
Vai quentá café pra nós...

Menina da saia curta
Que mora lá no riacho
Atrepa neste coqueiro
Joga-me os cocos pra baixo…

Um Poetrix de São Paio de Oleiros, Santa Maria da Feira/Portugal
ANTHERO MONTEIRO

Morte

 

uma cadeira vazia na alameda
sentada numa tarde de outono
a olhar o meu ponto de fuga

Um Soneto de Alcantarilha, Silves/Portugal
M
ANUEL NETO DOS SANTOS
(1959)

Primavera Esperada


Vem amor, quando chegar a Primavera,
Fazer com que floresça o meu sorrir,
Prender-me com os teus braços de hera
E amar-me no regaço do devir.

Vem amor, quando a terra florescer
E o ar, almiscarado de perfume,
Em brisas de ternura te disser
Que acendas no meu corpo esse teu lume.

Vem amor, quando a greda revolvida
Florir, numa aquarela aveludada;
Boninas, lírios brancos, açucenas…

Vem, amor! Quando o dia, a alvorada,
Florir as flores, mesmo as mais pequenas
E traz-me, então, de volta a própria vida.

Um Soneto de Novo Hamburgo/RS
ALMA WELT
(1972 – 2007)

O Destino


Nossa vida faz patético percurso
Até aquela final nota de ironia,
Das cartas sempre o último recurso
Pra velar sua vocação que é a poesia.

Tenho medo da leitura da cigana,
Conquanto muitas vezes enganosa,
Quando lendo nossa vida nos engana,
Pensa dar gato e dá poesia pela prosa.

Da resposta não temos o tal código
Como um pai não saberá antes da hora
Se pra casa volta o filho pródigo...

Tudo é mistério: estamos às escuras,
Quem mente para a gente jamais cora,
Também não aquela face que procuras…

Quadras Populares de Minas Gerais
Região do Norte de Minas

 

Menina, se tu soubesses
o quanto te quero bem,
calava tua boca,
não falava a ninguém.

Suspirando eu deitei,
suspirando amanheci.
Meus suspiros foram em vão,
suspirei tanto por ti.

Lá atrás daquela serra,
tem um banquinho de areia,
onde assentam as mulheres velhas
pra falar da vida alheia.

Lá do céu caiu um cravo,
na mesa da ralação;
quando o cravo foi ralado,
Que dirá meu coração?

Cupido subiu ao céu,
foi pedir a Deus perdão;
os anjos saíram de pedra,
São Pedro de bofetão.

A perdiz pia no campo,
a jaó na mata deserta;
vai um amor e vem outro,
nunca vi coisa tão certa.

Amor, se fores embora,
não fica a praia deserta,
Vão uns amores, vem outros,
não há palavra tão certa!

A maré que enche a vaza,
deixa praia descoberta;
Vão uns amores, vem outros,
não se dá coisa mais certa.

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Sobre a Canção “A Baratinha”
A marcha A baratinha composta pelo português Mário de São João Rabelo, foi divulgada no Brasil por companhias de teatro musicado e foi o grande sucessso no carnaval de 1918. Primeira gravação na Casa Edison em 1917 por Bahiano, e em 1918 na Odeon, pelo grupo O Passo no Choro (instrumental). (Cifrantiga)
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Trovadora Destaque


Alegrias coleciono
neste meu tardio amor.
É na colheita do outono
que os frutos têm mais sabor.

Ao seu filho, desde cedo,
ministre a boa lição:
em vez de armas de brinquedo,
ponha um livro em sua mão!

A realidade transponho
e vivo em mundo ideal...
Quero as mentiras do sonho,
não as da vida real!

Arma um barulho no "ninho"
ao ver que a cara-metade
curte um som com o vizinho
em "alta-infidelidade!"

– Barata em pinga?! Que horror!
E a garçonete “sensata”:
– Mas não pediu o senhor
a cachaça mais barata?

Bebe a sogra mais que Baco
e, tendo um gênio de cão,
consegue armar um barraco
maior que meu barracão!

Chega bêbado… sequer
distingue um rosto e malogra:
dá alguns tapas na mulher
e muitos beijos na sogra!

De um amor que é só miragem
finjo agora ter o assédio,
para escapar da engrenagem
dessa moenda que é o tédio.

Disse pra linda tainha
o peixe, muito gamado:
– Casa comigo, peixinha,
que eu estou “apeixonado!”

Envolta em brilhos e cores,
a natureza se esmera
para, em delírio de flores,
eclodir na primavera.

Esta angústia indefinida,
que sempre à noite me invade,
são sombras próprias da vida
ou disfarces da saudade?

Eu fui náufrago da sorte
em um mar de solidão,
mas teu amor foi suporte
e tábua de salvação!

Forçada a escolhas na vida
- teatro que não domino
fui marionete movida
pelos cordéis do destino!

Gente que escolhe sem tino
as propostas da existência,
quando erra, culpa o destino
pela própria incompetência.

Lembranças de amor desfeito...
silêncio em horas tardias,
pois tua ausência em meu leito
dorme onde outrora dormias.

Meu coração se comove
por te sentir ao meu lado,
quando a saudade se move
entre as sombras do passado!...

Meu diário! Em tuas folhas
morrem desejos sem fim...
Pago o preço das escolhas
que outros fizeram por mim.

Minha insensata paixão
passou – transpondo barreiras –
das fronteiras da ilusão
para a ilusão sem fronteiras...

Minha madrasta é um bagulho!
No pomar, se abrir os braços,
mesmo sem fazer barulho,
vai espantar os sanhaços!

Minha mulher é nanica,
mas na cama é colossal:
ronca mais do que cuíca
na terça de carnaval!...

Na feira de antiguidade,
ao ancião combalido
perguntam, não sem maldade:
-Vem comprar ou ser vendido?

Na noite do seu casório,
sendo um noivo muito antigo,
usou até suspensório,
mas não sustentou o artigo...

Não importam a censura
e o louvor da sociedade:
procuro viver à altura
da minha própria verdade!

Não prometo, em nossa história,
meu amor por toda a vida,
porque a vida é transitória,
e meu amor, sem medida!...

No lento passar das horas,
em insônia e devaneio,
contei inúteis auroras,
à espera de quem não veio.

O casca-grossa sincero
pede a mão da moça aos pais:
– Da sua filha eu espero
ter a mão e tudo mais…

O destino traiçoeiro
separou-nos, sem piedade,
mas o amor fez do carteiro
o porta-voz da saudade.

Olho a rua... a noite avança,
tudo adormece ao luar...
Dorme até minha esperança,
pois cansou de te esperar!

– O meu marido é carteiro;
porém bem cedo aprendeu
que, no lar, o tempo inteiro,
quem dá as cartas sou eu!

Os meus sonhos delirantes,
em sua trilha fugaz,
são feito nuvens distantes
que o vento logo desfaz.

O teu silêncio me afronta;
nem breve mensagem veio,
mas meu amor faz de conta
que a culpa é só do correio.

Pão-duro, o cara declara:
– Ter cara-metade é asneira.
Se a metade já é cara,
imagina a esposa inteira!

Partiste...e meu desencanto,
vendo ruir a ilusão,
escorre em gotas de pranto,
orvalhando a solidão.

Partiu... nem disse o motivo,
e eu, da saudade à mercê,
estou vivo, mas não vivo,
pois não vivo sem você.

Quando pisam no meu calo,
“calada” não fico não,
pois sempre, em revide, falo
frases de “baixo calão”.

Que me importam os cansaços
e o céu distante e encoberto,
se, quando presa em teus braços,
minha vida é um céu aberto?

Que sempre em mim se concentre
esta união que bendigo:
filho nascendo do ventre,
coração gerando o amigo!

Se a voz do orgulho me impele,
sempre, a esquecê-lo de vez,
a paixão, à flor da pele,
impõe silêncio à altivez.

Sem oásis, retirante,
na aridez do teu sertão,
única sombra flagrante
é tua sombra no chão.

Tanto amor e afinidade
entre nós dois, já se vê,
que perdi a identidade:
eu sou eu... ou sou você?

Tua partida me fala
do teu desprezo... um açoite!
E a saudade não se cala
nem na calada da noite...

Uma estrela cintilante,
os Reis, a Belém conduz.
Maria, mais fulgurante,
deu à luz... a própria Luz!

Volto à capela em que, um dia
me esperaste ao pé do altar...
E hoje a saudade, em magia,
me espera no teu lugar...

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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