Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Falece o Poeta Catarinense Luiz Eduardo Caminha


Luiz Eduardo Caminha (1951 - 2015)
Luiz Eduardo Caminha era médico nascido em Florianópolis em 04 de outubro de 1951, dia de São Francisco de Assis, recebendo o grau de médico, em 1976, pela Universidade Federal de Santa Catarina. Fez Residência Médica em Cirurgia geral e Colo-Proctologia no Rio de Janeiro e Pós Graduação em Londres e Wiesbaden (Ex-Alemanha Ocidental). Em 1982, transferiu-se para Blumenau. Membro da Sociedade de Escritores de Blumenau – SEB e fundador do Capítulo Santa Catarina da SOBRAMES – Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.
    Sua paixão por escrever vem dos tempos de Primário, quando ainda se ensinavam aos alunos o que era uma descrição, uma interpretação, uma composição, mas aflorou em 1970 quando da aula magna proferida pelo poeta Lindolf Bell, no Curso de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina. Pensava em fazer Jornalismo, mas, com a transferência do Curso para Porto Alegre, desistiu e prestou novo Vestibular para Medicina. Foi Presidente da Associação Médica de Blumenau no biênio 1992/93, Secretário de Saúde de Blumenau entre 1993 e 1996, Presidente do Conselho Estadual de Secretários Municipais de Saúde de 94 a 97 e Vice-Presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde de 93 a 97.
    De 1985 a 1989, editou, sozinho, o Jornal “Clarins do Vale”, impresso nas oficinas da Fundação Cultural de Blumenau. De 1989 a 1992 foi produtor e apresentador do Programa Canal Livre no Rádio, na então Rádio União AM, Rede Fronteira de Comunicação de Blumenau. Entre 1999 e 2002 produzia e apresentava o Programa Feliz Cidade, na TV Galega, desta mesma cidade. Desde Abril de 2000 produziu e apresentou o Programa Stammtisch, na mesma emissora. Foi através deste Programa que se iniciou o resgate da tradição dos “stammtische”, em Blumenau e região. Como tal, foi um dos articuladores dos Encontros de Stammtisch (Strassenfest mit Stammtischtreffen).
    Seu conhecimento e pesquisas sobre esta tradição germânica motivaram-lhe lançar um Sítio na Internet denominado “Stammtisch, Confrarias e Patotas” http://www.stmt.com.br, em 23 de Dezembro de 2005. Desde Abril de 2006 tal site situa-se no 1º. Lugar entre todas as referências mundiais para o termo “stammtisch” nos principais sítios de busca do mundo (Google, Yahoo, Cadê, MSN Buscas, entre outros). Só no Google são mais de seis milhões de referências para o termo.
    Seu primeiro livro, de poesias, intitulado “Reflexos”, foi editado em 1995. Em 1997 foi co-autor da Coletânea “Florilégios Poéticos” da SOBRAMES. Em 2005 participou da II Antologia da Sociedade Blumenauense de Escritores.
    Em 2006 teve quatro de seus contos/crônicas e três poesias pré-selecionadas no II Concurso Literário Guemanisse de Contos e Poesias.
    Ainda neste ano teve mais dois contos e duas crônicas selecionados no III Concurso Literário Guemanisse de Contos, Crônicas e Poesias. Recentemente sua crônica “Felicidade”, aqui apresentada, classificada em 2º. lugar no II Concurso Literário da Sociedade de Escritores de Blumenau (Poema, Conto e Crônica) – Edição 2006.
    Participou também da III Antologia da Sociedade Blumenauense de Escritores, em 2006 e da Antologia Asas e Vôos da Editora Guemanisse, Rio de Janeiro, com os autores dos textos selecionados no Concurso Literário Guemanisse de Contos e Poesias. Em Agosto de 2005 passou a integrar a comunidade virtual Novaliteratura.com.
    Desde Julho de 2006 pertenceu ao quadro de Escritores do Portal CEN “Cá Estamos Nós”, da qual participou de seu II Encontro, na cidade do Rio de Janeiro.
    Membro da Academia de Letras do Brasil/Blumenau.
    Faleceu em 29 de Agosto de 2015.

Fonte:
http://www.avspe.eti.br/

Luiz Eduardo Caminha (Caderno de Poemas)

https://nuhtaradahab.files.wordpress.com/2013/09/7bbfc-luizeduardocaminha.jpg 
LIBERDADE, LIBERDADE!

Um caniço na beira do lago, uma voz no deserto, um uivo na escuridão, sei lá, não importa. Não me curvo com o vento, o deserto não me cala (mesmo que ninguém me ouça!), as trevas não me amedrontam. Então: brademos!!!
Liberdade, liberdade!

Não me ponhas normas,
Preceitos, nem regra.
Depois de tanta refrega,
Não hei de obedecer!

Não me imponhas grades,
Grilhões, nem cadeia.
Depois de tanta peleia,
Não hei de me prender!

Não me coloques canga
Ferros, nem algema.
Depois de tanta pena,
Não hei de fenecer!

Não me cales, enfim,
Nem queiras qu’eu fique mudo.
O que sobra do meu mundo imundo,
É o meu jeito de dizer!

Liberdade, liberdade,
Ainda que seja tarde.
Ainda que duvidoso,
O porvir, o alvorecer!

Minha voz é filha do silêncio,
Minha escrita, enteada do vento,
Minha vida é um curso d’água,
Minha vocação, um oceano!


VELEJADOR

Um barco.
Uma vela (branca).
Uma aragem.
Oceano.

Lá se vai,
o poeta velejador!

Um lápis.
Uma folha (em branco).
Um sopro.
Pensamento.

Lá se vai,
velejando o poeta!

Mar.
Vela.
Folha.
Versos.
Tudo se lhe assemelha!

Um remo.
Um lápis.
Um, quase nada.
Outro, quase tudo.


OUTONO

O compasso da vida
Me abre os olhos,
A bruma cobre,
Densa, silente,
O leito do rio,
A roupagem da mata.

A brisa fresca da manhã,
Faz a pele aquecida,
Contrastar com a natureza,
O calor do corpo, da noite.

A vida,
Parte deste ar outonal,
Desperta alegre,
Aos primeiros raios,
Do astro rei.

Num cochilo do tempo,
De repente,
Como se um hiato houvesse,
A névoa some,
A mata descortina seu verde,
É manhã.

O céu azul límpido,
Perpassa à bicharada,
A onda cálida,
Do novo dia.

A sinfônica dos pássaros,
A voz dos bichos,
A melodia das águas,
Serpenteando a corrida do rio,
Misturam-se ao som,
Barulho da cidade.

O tempo passa,
A tribo humana,
Segue seu passo.
A natureza aguarda,
Como mágica,
A volta do crepúsculo,
O sumir do novo dia.


AMIZADE

Uma estrada que acaba,
Num ponto do horizonte.
Um cais que finda, no infinito
Que é mar,
Um feixe doirado refletido. Do sol.
No oceano sem fim,
Uma canoa, um pescador. Solitários,
Solidários navegam.

Como guia o feixe prateado.
Da lua,
O luar.

Tudo, tudo é infinitude,
Tudo, tudo leva. (Todos).
A algum ponto. Distante.
Horizonte de esperança.

Um fio, como se fosse de espada,
Conduz, passo a passo.
Qual equilibrista,
Na corda de arame.

Certeza mesmo, uma só.
Haverá lá no fim,
Alguém.
Um amigo,
Um abraço,
Um ombro,
Um teto a nos colher.

Amizade.
Um meio?

Um fim.

NATAL MENDIGO

Natal lembra um novo rebento,
Esperança que o mendigo sente
Triste alegria que se faz semente
Fé convertida, novo advento.

Natal estrela que lhe alumia
Por mais que lhe sofra a dor parida
Molhe o rosto a lágrima furtiva.
É menino, caminho que nos guia.

Natal é partilha do pão dormido
Que aplaca a fome do desvalido.
É felicidade quase certa.

Até que soe o sino da manhã,
Que volva mendaz a esperança vã.
Sonho vai. O mendigo desperta.


RAÍZES

Que seja ela,
A poesia,
Firme como a árvore.
Embora estática
Finca raízes,
Suga da terra…

E mostra, um dia
Nas folhas e frutos,
A razão que a move.

Que exprima ela,
A poesia,
Como a árvore,
Da seiva, o fruto.
Rabiscos de letras,
Amores e paixões,
No leito virgem, papel,
O seu doce cantar.

Sobretudo,
Que seja ela,
A poesia,
Como a água
Que se move
Corredeira abaixo.
Busca mar oceano,
Onde singram velas,
Horizontes sem fim…

FONTES

Lua cheia,
Estrelas que faíscam,

Sol nascente,
Poente eterno,

Fontes inspiram,
Respiram,
Poesias.


SONHOS

Estás louco poeta?
Queres tu imaginar,
Que o imponderável
Acontece?

Sonha, sonha, oh! Poeta.
Ainda bem que dormes,
Melhor: existes.

E sonhas…
Poesias!

PRENÚNCIO DE VERÃO
Que os ventos de Agosto,
Tão frios cá no Sul,
Tragam breve, a gosto,
O céu de Primavera, azul.

Pássaros a cantar,
Ninhos a fazer, então,
Amores a desbravar,
Prenúncio de verão.


POEMÍNIMO
 

no
sul
é

frio
que


quiçá
saudade
do
verão

é
tão
frio
que
não

pra
mim
mas

um
bom
surf
prá
pinguim

RODA DE VIOLA

O som,
Enche de romantismo,
O ambiente cálido
Da cantina acolhedora.

Lá está ele,
Cinquenta anos após,
A dedilhar as notas
Que lhe mandam o coração.

Olhos cerrados,
Cabeça inclinada,
Violeiro e Violão,
Misturam-se ao transe,
Da plateia; apoteose.

As mãos,
Aquelas mãos cheias de rugas,
Dedos finos,
Mostram um movimento frenético.

O toque suave,
Compasso a compasso
Sobre as cordas do violão,
Embaraçam solos e harpejos,
Maviosa sinfonia.

A seu lado,
Um copo de cerveja,
Um bandolim afinado,
Uma mesa vazia.

A plateia delira,
Canta contente :
Naquela mesa,
Eles sentavam sempre…


P.S.: Homenagem aos anônimos boêmios, a Jacó do Bandolim e a Velha Guarda, que fizeram da música brasileira, o romantismo, que até hoje, embalou tantas décadas.

REFLEXÕES POÉTICAS OU NADA POÉTICAS SOBRE O INVERNO

Inverno 1


Cruel,
Sisudo,
Padrasto.

De mim?

Carrancudo,
Casmurro,
Sofrido.

Teu corpo?

Se amolda,
Me aquece,
Me envolve,
Me cobre.

Só tu,
Mulher,
Podes ser
Meu Sol!


Inverno 2

Frio intenso.

Na estepe
De minha mente
Nada cresce.

Nem mesmo
Um poema –
Que me aquece –
Que me aqueça!!!

Porventura…

Inverno?
Não rima
Com estéril?

Deveria!

É isto
Qu’ele faz:

Até a mente
Tolda,
Congela,
Nada produz!


MÍNIMO

Tu és,
Mulher,
No
Inverno,
Meu
Sol.
Meu
Verão.


AMENIDADES

Coisas boas do Inverno:
Uma cama bem quentinha,
Um ar quente no máximo,
Um café de pelar a boca


Só prá continuar
Debaixo dos cobertores.

Nada disto é melhor
Que a areia leito de uma praia,
Um Sol de verão,
Uma água de coco bem gelada,
De doer os dentes.


Quem gosta de frio e neve
É pinguim, urso polar e esquimó!


LUA INVERNAL
 
Até a lua,
Amante dos boêmios,
Companheira dos notívagos,
Se acoberta;
Agasalha-se de nuvens,
Névoa,
Neblina;
Esconde-se
Do frio gelado.
Mas está lá!
Pronta, à espera,
O poeta sabe.

ORFANDADE

Eu não imaginava
Ficar órfão tão cedo.
Aliás, eu nunca
Imaginei-me um órfão.

Estou nos cinquenta e oito,
Quase cinquenta e nove,
Primeiro meu pai,
Tristeza, melancolia.
Depois um irmão,
Dor, sentimento.
Mas ainda tinha uma mãe.
O fel da dor compensava!

Daí… ela resolveu partir,
Bateu asas
Como um pássaro,
Uma borboleta
Foi ao encontro dos seus,
Do outro lado.

O velho útero,
Sacrário dos filhos,
Já não vivia.
O cordão umbilical
Definitivamente se partira.
Um silêncio ensurdecedor,
Eco de uma ausência.

Foi aí que senti a orfandade.
Ficou fácil entender saudade.
Tão fácil! Tão amarga!
Sem graça, senti-la!

A Hamilton e Edy, meus pais, 1 ano depois que ela partiu para encontra-lo e reverem, juntos, meu irmão!

ESPECTRO

Foto noturna,
Riscos de luzes,
Rasgos melancólicos,
Soturnas lembranças.

Lúgubres sombras,
Espectros famélicos,
Andanças perdidas,
Descoloridas!

Uma tela disforme
Retrata a fome.
Miséria cansada
Da exclusão.

Quem vai parir o amanhã?
Quem vai colorir a vida?
A Esperança? Último grito de Pandora?
Ou a certeza? Dum triste futuro possível?

A argamassa, massa dos pobres,
Pão amanhecido, amolecido
Pelo suor diário de desatinos.
Faina diuturna, sede insaciável
De Justiça… e Paz, enfim!

Um Sepulcro futuro e garantido,
Repleto de sonhos, sussurros,
(Caiado pela hipocrisia)
Resta como digno descanso!


Fonte:
http://caminhapoetando.blogspot.com.br/search/label/meus%20poemas

Guilherme de Almeida (Revoada de Haicais)




A INSÔNIA

Furo a terra fria.

No fundo, em baixo do mundo,

trabalha-se: é dia.
CARIDADE

Desfolha-se a rosa.

Parece até que floresce

O chão cor-de-rosa.


CHUVA DE PRIMAVERA


Vê como se atraem

nos fios os pingos frios!

E juntam-se. E caem.


CIGARRA


Diamante. Vidraça.

Arisca, áspera asa risca

o ar. E brilha. E passa.


CIGARRO


Olho a noite pela

vidraça. Um beijo, que passa,

acenda uma estrela.


CONSOLO


A noite chorou

a bolha em que, sobre a folha,

o sol despertou.


DE NOITE


Uma árvore nua

aponta o céu. Numa ponta

brota um fruto. A lua?


EQUINÓCIO


No fim da alameda

há raios e papagaios

de papel de seda.

FILOSOFIA


Lutar? Para quê?

De que vive a rosa? Em que

pensa? Faz o quê?


FRIO


Neblina? ou vidraça

que o quente alento da gente,

que olha a rua, embaça?


HISTÓRIAS DE ALGUMAS VIDAS


Noite. Um silvo no ar.

Ninguém na estação. E o trem

passa sem parar.


HORA DE TER SAUDADE


Houve aquele tempo...

(E agora, que a chuva chora,

ouve aquele tempo!)


INFÂNCIA


Um gosto de amora

comida com sol. A vida

chamava-se "Agora".


JANEIRO


Jasmineiro em flor.

Ciranda o luar na varanda.

Cheiro de calor.


LEMBRANÇA


Confete. E um havia

de se ir esconder, e eu vir

a encontrá-lo, um dia.


MEIO-DIA


Sombras redondinhas

Soldados de pau fincados

sobre rodelinhas.


MERCADO DE FLORES


Fios. Alarido.

Assaltos de pedra. Asfaltos.

E um lenço perdido.


MOCIDADE


Do beiral da casa

(ó telhas novas, vermelhas!)

vai-se embora uma asa.


NÓS DOIS


Chão humilde. Então,

riscou-o a sombra de um vôo.

"Sou céu!" disse o chão.


NOTURNO


Na cidade, a lua:

a jóia branca que bóia

na lama da rua.


N. W.


Dilaceramentos.

Pois tem espinhos também

a rosa-dos-ventos.


O BOÊMIO


Cigarro apagado

no canto da boca, enquanto

passa o seu passado.


O HAIKAI


Lava, escorre, agita

A areia. E, enfim, na bateia

Fica uma pepita.


O PENSAMENTO


O ar. A folha. A fuga.

No lago, um círculo vago.

No rosto, uma ruga.


O POETA


Caçador de estrelas.

Chorou: seu olhar voltou

com tantas! Vem vê-las!


OS ANDAIMES


Na gaiola cheia

(pedreiros e carpinteiros)

o dia gorjeia.


O SONO


Um corpo que é um trapo.

Na cara, as pálpebras claras

são de esparadrapo.


OUTONO


Sistema nervoso,

que eu vi, da folha sorvida

pelo chão poroso.


PASSADO


Esse olhar ferido,

tão contra a flor que ele encontra

no livro já lido!


PERNILONGO


Funga, emaranhada

na trama que envolve a cama,

uma alma penada.


PESCARIA


Cochilo. Na linha

eu ponho a isca de um sonho.

Pesco uma estrelinha.


QUIRIRI


Calor. Nos tapetes

tranqüilos da noite, os grilos

fincam alfinetes.


 SILÊNCIO


Uma tosse rouca,

Lã male. O "store" que bole,

A noite opaca e oca.


TRISTEZA


Por que estás assim,

violeta? Que borboleta

morreu no jardim?


UM RITMO DA VIDA


O berço vai e vem.

Mas vai com a quê? – Um ai.

E vem? – Sem ninguém.


UM SALGUEIRO


A asa. A luz que pousa.

O vento... É o estremecimento

vão por qualquer cousa.


VELHICE


Uma folha morta.

Um galho, no céu grisalho.

Fecho a minha porta.


VENTO DE MAIO


Risco branco e teso

que eu traço a giz, quando passo.

Meu cigarro aceso.

Guilherme de Almeida (1890 - 1969)


Guilherme de Almeida (G. de Andrade e A.), poeta e ensaísta, nasceu em Campinas, SP, em 24 de julho de 1890, e faleceu em São Paulo, SP, em 11 de julho de 1969. Filho do jurista e professor de Direito Estevam de Almeida, estudou nos ginásios Culto à Ciência, de Campinas, e São Bento e N. Sra. do Carmo, de São Paulo. Cursou a Faculdade de Direito de São Paulo, onde colou grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, em 1912. Dedicou-se à advocacia e à imprensa em São Paulo e no Rio de Janeiro. Foi redator de O Estado de São Paulo, diretor da Folha da Manhã e da Folha da Noite, fundador do Jornal de São Paulo e redator do Diário de São Paulo. A publicação do livro de poesias Nós (1917), iniciando sua carreira literária, e dos que se seguiram, até 1922, de inspiração romântica, colocou-o entre os maiores líricos brasileiros. Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna, fundando depois a revista Klaxon. Percorreu o Brasil, difundindo as ideias da renovação artística e literária, através de conferências e artigos, adotando a linha nacionalista do Modernismo, segundo a tese de que a poesia brasileira “deve ser de exportação e não de importação”. Os seus livros Meu e Raça (1925) exprimem essa orientação fiel à temática brasileira.

            A essência de sua poesia é o ritmo “no sentir, no pensar, no dizer”. Dominou amplamente os processos rímicos, rítmicos e verbais, bem como o verso livre, explorando os recursos da língua, a onomatopéia, as assonâncias e aliterações. Na época heróica da campanha modernista, soube seguir diretrizes muito nítidas e conscientes, sem se deixar possuir pela tendência à exaltação nacionalista. Nos poemas de Simplicidade, publicado em 1929, retornou às suas matrizes iniciais, à perfeição formal desprezada pelos outros, mas não recaiu no Parnasianismo, porque continuou privilegiando a renovação de temas e linguagem. Sobressaiu sempre o artista do verso, que Manuel Bandeira considerou o maior em língua portuguesa. A sua entrada na Casa de Machado de Assis significou a abertura das portas aos modernistas. Formou, com Cassiano Ricardo, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia e Alceu Amoroso Lima, o grupo dos que lideraram a renovação da Academia.
            Em 1932 participou da Revolução Constitucionalista de São Paulo e esteve exilado em Portugal. Distinguiu-se também com heraldista. É autor dos brasões-de-armas das seguintes cidades: São Paulo (SP), Petrópolis (RJ), Volta Redonda (RJ), Londrina (PR), Brasília (DF), Guaxupé (MG), Caconde, Iacanga e Embu (SP). Compôs um hino a Brasília, quando da inauguração da cidade.
            Em concurso organizado pelo Correio da Manhã foi eleito, 16 de setembro de 1959, “Príncipe dos Poetas Brasileiros” (4o do título).
            Era membro da Academia Paulista de Letras; do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; do Seminário de Estudos Galegos, de Santiago de Compostela; e do Instituto de Coimbra.
            Faleceu em 11 de julho de 1969, em São Paulo/SP.
Obras:
Nós, poesia (1917); A dança das horas, poesia (1919); Messidor, poesia (1919); Livro de horas de Soror Dolorosa, poesia (1920); A flor que foi um homem: Narciso (1921); Era uma vez…, poesia (1922); Natalika (1924); A flauta que eu perdi, poesia (1924); Meu, poesia (1925); Raça, poesia (1925); Encantamento, poesia (1925); Do sentimento nacionalista na poesia brasileira, ensaio (1926); Ritmo, elemento de expressão, ensaio (1926); Simplicidade, poesia (1929); Gente de cinema (1929); Carta à minha noiva (1931); Você, poesia (1931); Poemas escolhidos (1931); Cartas que eu não mandei (1931); Hino paulista (1932); Nova bandeira (1932); O meu Portugal (1933);A casa (1935); Acaso, poesia (1938); Cartas do meu amor (1941); Estudante poeta (1943); Tempo (1944); Poesia vária (1947); Gonçalves Dias e o romantismo (1948); Joca (1948); Histórias talvez (1949); O anjo de sal (1951); Toda poesia (1952); Acalanto de Bartira (1954); Camomiana (1956); Pequeno romanceiro (1957); A rua (1961); Cosmópolis (1962); Rosamor (1966); Os sonetos de G. A (1968); O sonho de Marina (s.d.).
Fonte:
Academia Brasileira de Letras

Trovador Homenageado: Alfredo Alisson Elian Valadares

A minha casa aparenta

o quartel de um batalhão:

- quanto mais a “tropa” aumenta,

mais aumenta a “prontidão”.



A minha vida hoje é feia,

neste exílio que me imponho.

Porém minha alma vagueia

pelas veredas do sonho…



Aquele fantasma, quando

o sono demora a vir,

combate a insônia contando

caveiras para dormir.



A solteirona não nega

a sua satisfação

ao ver que, na Noruega,

'coroa" tem cotação.



Cai a velha na lagoa

sendo a custo resgatada,

mas seu genro não perdoa:

– tanto barulho por nada?!!!             



Em meio às paixões fictícias

de minha vida agitada,

comprei milhões de carícias

e continuo sem nada.





É o maior dos pesadelos

a afligir nossa nação:

- mãozinhas fazendo apelos

por um pedaço de pão.



Hoje, velhinhos que somos,

são nossos olhos em festa,

um santuário onde pomos

toda a ternura que resta.



Morre a sogra tão amada,

mas não muda a situação;

o fantasma da danada

prossegue a sua missão.



Nas veredas do destino

que trilhei quando rapaz,

sonho grande ou pequenino,

deixei tudo para trás.



Nesta vida o que eu queria

(muito embora não reclame)

era ter a mordomia

de um cachorro de madame.



Neste mar de falsidade,

um sorriso de criança

se assemelha, na verdade,

a uma ilha de esperança.



No cemitério a caveira,

entre suspiros bisonhos,

diz que encontrou, prazenteira,

o fantasma de seus sonhos!



No inferno, o recém-chegado

a lamentar seu fadário:

- Tudo por ter espirrado

quando escondido no armário!



O Bem, que a guerra desfaz,

há de colher às mancheias

quem a semente da paz

planta em searas alheias.



Pela seara que lavras

na vida, entre mil boatos,

não te entristeçam palavras

se desprovidas de fatos.



Quanto mais se torna rara

neste mundo a sensatez,

menos frutos da seara

na mesa do camponês.



Quebrado o grilhão do agravo

o júbilo então me invade.

Porém continuo escravo:

– escravo da liberdade.

Quem nasceu com a desventura

de não ver a luz do dia,

do olhar transfere a ternura

para a mão que acaricia.



Sempre que está de pirraça

a mulher do "seu" Vavá,

o pobre, por mais que faça,

tem que dormir no sofá.



Sofre o carteiro, na mata,

um arranjo repentino.

Muita carta, nessa data,

não chegou ao seu destino...



Só quem amou compreende

este ditado exemplar:

– a mulher que a dois pretende,

a três deseja enganar.



Sou da ilusão jardineiro;

e após mil sonhos desfeitos,

trago no peito um canteiro

de desamores-perfeitos.



Um carteiro dedicado,

em um dia de atropelo,

acabou sendo chamado

de relaxado, sem sê-lo!

Concursos Literários com Inscrições Abertas



Concurso de Poesia do Elos Clube 
Prazo: 15 de setembro de 2015
ELOS INTERNACIONAL DA COMUNIDADE LUSÍADA
XXX CONVENÇÃO INTERNACIONAL
Santos – São Paulo - Brasil
CONCURSO DE POESIA 2015
Definição:
Concurso de Poesia em duas categorias: juvenil e adulto
Objetivo:
Divulgar e enriquecer a língua portuguesa, estimulando a capacidade criativa de talentos.
REGULAMENTO
1 – Participantes
1.a – O trabalho deverá ser apresentado em língua portuguesa, na categoria juvenil de 13 a 17 anos e adulto maiores de 18 anos.
1.b – Não poderão participar membros da Diretoria do Elos Internacional e de Elos Clubes, bem como seus parentes próximos.
1.c – Cada autor poderá participar com um único trabalho.
2 – Trabalhos
2.a – O tema do concurso é “Língua Portuguesa”
2.b – Cada poesia deverá ter o limite máximo de 30 linhas/versos.
2.c – A formatação deverá ser apresentada em folha A-4, letra Arial, fonte 12.
2.d–Os textos manuscritos ou enviados por e-mail não serão aceitos.
2.e – As poesias deverão ser de autoria própria e inédita.
2.f – A poesia que contiver palavras de baixo calão, ou se for reconhecida como cópia de outro autor, será desclassificada.
3 – Identificação
3.a – O trabalho deverá ser obrigatoriamente apresentado com pseudônimo e a qual categoria pertence (juvenil ou adulto).
3.b – O trabalho deverá ser colocado em envelope pardo tamanho ofício em 3 (três) vias.
3.c – Juntamente com a poesia (em 3 vias) deverá vir um envelope pequeno, lacrado, contendo ficha de inscrição preenchida em letra de forma.
3.d – No canto inferior direito de ambos os envelopes, deverão constar:o nome do trabalho, pseudônimo e categoria.
3.e – O envelope deverá ser endereçado ao
Elos Internacional da Comunidade Lusíada – Rua 15 de Novembro, 112, sala 11 – Centro – São Vicente – SP – Brasil  -  CEP 11310-400.
4 – Prazo
4.a - O prazo para postagem do envelope tem datalimite até 15/09/2015, considerada a data carimbada pelo serviço postal.
5 – Seleção
5.a -O júri que avaliará e classificará os trabalhos apresentados será constituído por pessoas idôneas e capacitadas.
6 – Premiação
6.a – Serão premiados os três melhores trabalhos de cada categoria.
6.b – A abertura dos envelopes de identificação será realizada em 01 de outubro de 2015, às 19 horas na sede do Elos Clube de São Vicente – Av. Nove de Julho, 126, Vila Cascatinha, São Vicente, SP, Brasil.
6.c – Os prêmios serão entregues na XXX Convenção do Elos Internacional da Comunidade Lusíada, em Sessão Plenária, dia 15 de outubro de 2015, às 16:15 horas, Rua Amador Bueno, 188 – Santos, SP, Brasil.
7 – Disposições Finais
7.a – As poesias apresentadas não serão devolvidas aos participantes.
7.b –O Elos Internacional da Comunidade Lusíada se reserva o direito de publicar os trabalhos sem prévia autorização de seus autores.
7.c – Não haverá apelação às decisões do júri.
7.d –À inscrição ao concurso implica a aceitação deste regulamento na íntegra.
7.e – Os trabalhos em desacordo com o regulamento serão desclassificados.
Santos, SP, Brasil,  agosto de 2015

FICHA DE INSCRIÇÃO

NOME: ....................................................................................................
NASCIMENTO: ....../......./..............
PSEUDÔNIMO: .......................................
OBRA:.................................................CATEGORIA: .................................
ENDEREÇO: .............................................................................................
CEP:......................... BAIRRO: ..............................
CIDADE:.........................
ESTADO: .......................  PAÍS: .....................................…
TELEFONE FIXO: .............................. CELULAR: ....................................…
ESCOLA E SÉRIE (SE FOR ESTUDANTE):
..........................................................................................................…
................................................................………………………………………….
E-MAIL: .............................................................................................
CURRÍCULO (SE TIVER): ...........................................................................……………………………………
.................................................................................................................
..............................................................................................................…
……….........................................................................................................
ASSINATURA DO AUTOR: ........................................................
REGISTRO GERAL N°: .........................................……………….....

XII Jogos Florais de Cantagalo - 2016
Prazo: 30 de Setembro de 2015

Temas exigidos na trova:
 Nacional - AFETO
Novo Trovador - AFEIÇÃO  (escrever no envelopinho, abaixo da trova: "NOVO TROVADOR")
Estadual - SORRISO
Humor (não há a categoria Novo Trovador para humorismo) - ABRAÇO
Duas trovas por concorrente.
PRAZO: trovas chegadas até 30 de setembro
Imprescindível:  um e-mail para contato
Enviar para:
Rua Dr. Nagib Jorge Farah, 204
Cantagalo / RJ    28.500-000
OBS: Considera-se Novo Trovador aquele que ainda não obteve três classificações em concurso de âmbito nacional em trovas líricas/filosóficas. Colocar abaixo da trova “Novo Trovador”.
Concurso UBT Nacional
(exclusivo para associados das Seções e Delegacias e dos presidentes estaduais e de seção da UBT)
Prazo: 30 de setembro de 2015
TEMA: "FIGURAS DO FOLCLORE BRASILEIRO"
(para Veteranos e Novos Trovadores)
Máximo de duas trovas por concorrente.
Prazo máximo = até 30.09.2015
Sistema de Envelopes (colocar, na identificação, a Seção ou Delegacia à qual é filiado)
 
Enviar:
A/C Domitilla Borges Beltrame
Rua Batista Cepelos, 18, aptº 31
São Paulo - SP  Cep 04109-120
Aos Veteranos serão outorgados 05 troféus (Vencedores) e 05 diplomas (Menções).
Aos Novos Trovadores, 03 troféus (Vencedores) e 02 diplomas (Menções).
A Comissão Julgadora será composta pelos membros da Diretoria Nacional: Domitilla Beltrame, Arlindo Tadeu Hagen, JB Xavier, Flávio R. Stefani, Carolina Ramos e Maurício N. Friedrich
OBS:
- A entrega das premiações deste concurso será efetuada durante as festividades da UBT Seção São Paulo.
- As premiações dos que não comparecerem serão enviadas via correio para o endereço dos vencedores.
OBS: Considera-se Novo Trovador aquele que ainda não obteve três classificações em concurso de âmbito nacional em trovas líricas/filosóficas. Colocar abaixo da trova “Novo Trovador”.
 
Concurso UBT Seção São Paulo
(São Paulo homenageia Mário de Andrade)
Prazo: 30 de Setembro de 2015

1º tema:
Nacional/Internacional, aberto a todos os interessados.
Quem for membro da UBT, assinalar VETERANO ou NOVO TROVADOR, abaixo da trova.
"RAÍZES" - líricas/filosóficas
Enviar para:
SELMA PATTI SPINELLI
Rua Graúna, 419, aptº 91
Cep 04514-001 - São Paulo - SP
2º tema:
Apenas para Assinantes do "Informativo SP"
"MISTÉRIO" - líricas/filosóficas
Enviar para:
ANA CRISTINA DE SOUZA
Rua Pariquera-Açu, 78
Cep 04517-010, São Paulo - SP
3º tema:
Apenas associados da Seção São Paulo
(escrever na trova: VETERANO ou NOVO TROVADOR)
"RETALHO" - líricas/filosóficas
Enviar para:
JB XAVIER
Rua Leandro de Carvalho, 273
Cep 01551-010, São Paulo - SP
4º tema: 
Apenas associados da Seção São Paulo
"MODERNO" - humorísticas
Enviar para:
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
Rua Costa Carvalho, 351-A, aptº 54
Cep 05429-130, São Paulo - SP
5º tema:
Apenas para Assinantes do Informativo SP e Associados da Seção SP
"GÊNIO" ( Concurso Homenagem a Izo Goldman)
Enviar para:
MARTA MARIA O. PAES DE BARROS
Rua Cônego Eugênio Leite, 616, aptº 52
Cep 05414-000, São Paulo - SP
Para todos os temas, a data é até 30.09,
Sistema de Envelopes 
Até duas trovas por tema.
OBS: Considera-se Novo Trovador aquele que ainda não obteve três classificações em concurso de âmbito nacional em trovas líricas/filosóficas. Colocar abaixo da trova “Novo Trovador”.
Concurso Nacional Intersedes 2015
(Exclusivo para Associados da UBT, exceto da seção São Paulo, que coordena o concurso)
Prazo: 30 de setembro de 2015

Tema: "MOÇA" (líricas/filosóficas)
Prazo Máximo: até 30.09.2015 (carimbo do correio)
Enviar para:
RENATA PACCOLA
Rua Cafelândia, 53
Cep 01255-030, São Paulo - SP
Máximo de duas trovas por concorrente (valem cognatos)
Sistema de Envelopes.
Abaixo da trova digitar VETERANO ou NOVO.  Na identificação, citar a qual Seção ou Delegacia pertence.
OBS: Considera-se Novo Trovador aquele que ainda não obteve três classificações em concurso de âmbito nacional em trovas líricas/filosóficas. Colocar abaixo da trova “Novo Trovador”.

Concurso de Trovas Alternativo "Navegando nas Poesias - 2015 - 28. Aniversário
Prazo: de 01 de setembro a 30 de outubro de 2015.

     O Alternativo “Navegando nas Poesias” outorgará no mês de setembro 2015, Diploma de Honra ao Mérito a personalidades, pela passagem do seu 28º aniversário. Na ocasião, será lançado mais um Concurso de Trovas do ALTERNATIVO.
TEMA:  “VALOR”
direcionado à importância no meio literário do Alternativo Navegando nas Letras e Artes.
Âmbito nacional
Uma trova
FORMA DE ENVIO:
por email -    c2013rj@yahoo.com.br
 e/ou através do sistema de envelope:
A/C  Agostinho Rodrigues/RJ
 Caixa Postal 114566 – Campos/RJ – CEP 28010 – 972
Prazo para envio: de 01 de setembro a 30 de outubro de 2015.
Resultados em 30 de novembro de 2015.
Premiação: Diploma e Medalha: 5 Vencedores e 5 Moções Honrosas. Não haverá Diploma de Participação.
O participante ao enviar sua trova, aceita em caráter irrevogável, as condições da comissão julgadora, composta de três membros literatos. A premiação será encaminhada via correio.
Não se esquecer de além do nome, registrar o respectivo endereço completo, e-mail, telefone e/ou celular.
VII Concurso Literário “Cidade de Maringá”
 Prazo: 31 de Outubro de 2015

Promoção:
Academia de Letras de Maringá e União Brasileira de Trovadores – Seção Maringá
Modalidades:
    TROVA (lírica ou filosófica e humorística)
    POEMA LIVRE (máximo 30 linhas)
    CRÔNICA (máximo 30 linhas)
 Temas:
TROVAS
Trova lírica ou filosófica –  LEITOR (Categorias "Veteranos" e "Novos Trovadores")   
OBS: o tema "LEITOR" se aplica também às demais modalidades literárias.
Trova humorística - TRAÇA  (em humorismo não há distinção entre categorias)
POEMA LIVRE
– LEITOR
CRÔNICA
– LEITOR
Prazo: 31 de outubro de 2015.
Endereço:
Academia de Letras de Maringá
Caixa Postal 982 - MARINGÁ - PR / CEP: 87001-970
Normas:
    Máximo 3 (três) trabalhos em cada modalidade.
    Trova: Sistema de envelopes. As trovas devem ser coladas na face de um pequeno envelope. Dentro dele deverá estar o nome do autor com seus dados pessoais: endereço postal completo, e-mail e  telefone. No caso de Novo Trovador, digitar Novo Trovador abaixo da trova.
    Demais modalidades: Papel A-4, em quatro vias, Times New Roman, corpo 12, usando pseudônimo. Anexar envelope menor (fechado) indicando externamente a modalidade, título e pseudônimo, e, internamente, identificação do concorrente: nome, endereço postal completo, telefone, assinatura e e-mail.
    Todos os textos devem ser inéditos e não poderão ser divulgados por quaisquer meios, total ou parcialmente, até a data da publicação do resultado da seleção.
     Os resultados serão divulgados, a partir do dia 20 de dezembro de 2015, no site da ALM: www.academiadeletrasdemaringa.com.br; no facebook da ALM e no da UBT Seção Maringá.
    Premiação: Troféu e diploma para 10 (dez) vencedores na modalidade Trova lírica ou filosófica (sendo 07 para trovadores "Veteranos" e 03 para "Novos Trovadores") e 05  (cinco) vencedores em cada uma das demais modalidades (Trova humorística, Poema Livre e Crônica).
    Os autores dos trabalhos premiados autorizam sua publicação pelas entidades organizadoras, sem ônus de nenhuma espécie.
    As decisões das comissões julgadoras serão definitivas.
    A participação no concurso significa aceitação plena das normas aqui relacionadas.
    Não poderão participar do concurso os membros efetivos da Academia de Letras de Maringá e da União Brasileira de Trovadores – Seção Maringá.
OBS: Considera-se Novo Trovador aquele que ainda não obteve três classificações em concurso de âmbito nacional em trovas líricas/filosóficas. Colocar abaixo da trova “Novo Trovador”.
Coordenação Geral do Concurso
ALM / UBT - Maringá -   Contatos
Jeanette Monteiro De Cnop
presidente da ALM- decnop@hotmail.com – (44) 9951-0886
Hulda Ramos Gabriel
secretária geral da ALM- huldar@hotmail.com – (44) 3227-3364 / 9948-6047 (Tim) / 8830-0617 (Claro)
Alberto Paco
presidente da UBT/Maringá  albertopaco@wnet.com.br – (44) 9982-0926
Eliana Palma
coordenadora do concurso – mep@teracom.com.br – (44) 9145-0952

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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