Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Contos Populares Portugueses (Duas Pessoas Casadas)

Era uma vez um homem e uma mulher, casados e muito amigos. Mas, em dada altura, ela começou a sentir uma aflição e pôs-se a dizer que lhe estava a apetecer matar-se. E o marido disse-lhe:

- Vamos passear, vamos espairecer!

E foram. Depois ele andou para o campo e ela para casa. Nessa ocasião passou o Diabo, que ia muito apressado, e uma mulher feiticeira, que o viu, perguntou-lhe:

- Tu vais tão aflito? E ele respondeu:

- Queria arranjar aqueles dois para mim e não posso. - Aludia aos dois casados.

E ela disse-lhe:

- Isso te arranjo eu, mas quanto me dás?

- Dou-te umas chinelas.

E a feiticeira foi ter com o homem ao campo e pediu-lhe uma esmolinha. E o homem:

- Vá a casa ter com a minha mulher. E ela perguntou-lhe:

- A sua mulher é sua amiga?

- Sim, senhora, é muito minha amiga.

- Pois olhe que ela quer matá-lo.

A tal foi então a casa do homem e pediu a esmola à mulher. Perguntou-lhe:

- Q seu homem é seu amigo?

- É muito meu amigo.

- Pois olhe, se quer que ele seja mais seu amigo, fique a cirandar e deixe-o adormecer, corte-lhe dois cabelos da cabeça e traga-os consigo. Isso então é que ele há-de ser seu amigo.

A mulher assim fez. Deixou-o adormecer, pegou numa tesoura e foi ver se ele dormia. Pôs-se a examinar e foi com a tesoura para ele. Ele então levantou-se e sempre acreditou o que a outra lhe tinha dito, pois que cuidava que a tesoura era para ela o matar. Mas quem a matou foi ele.

Depois a feiticeira foi ter com o Diabo e disse-lhe:

- Venham, venham para cá as minhas chinelas.

E ele exclamou, pondo-se à distância:

- De longe!... Toma lá! Fizeste num dia o que eu não fiz num ano!

Fonte:
Viale Moutinho (org.) . Contos Populares Portugueses. 2.ed. Portugal: Publicações Europa-América.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Elizabeth Misciasci (Poemas Escolhidos)

OLHO NO OLHO...

Dos meus medos faço canção
embalando meus sonhos em desatino.
Desvairada num anseio turbulento
de quem se despede da razão

Envolta persisto e desisto
insegura me entrego aos desvios
do vazio que minh' alma teme
meus dias são passados distantes
Versos sem rimas que se apagam
Folhas secas caindo a fremir
Atroz aparente disfarçada audaz
arsenal revestida conclamo concisa

Mar a ser atravessado
sem barco nem remo
Necessidade de transpor
lanço-me neste fluxo

Incerteza é direção
niilismo insistente
desordenada renego
este meu perecimento

Canção que me decompõe
harmonia espacejada sem ritmo
procriada dos meus medos
transformados mau grado e solidão.

Olho no olho
encaro meu ego sem receio
sou de mim mesma esteio
Dos meus medos, faço canção.

SER POETA

Ser poeta é estar no palco da vida
representando com suas silenciosas palavras
a cena mais forte de um ato
que consegue mesmo sem falas
penetrar em mentes diversas
criando sonhos, gerando esperanças,
plantando sorrisos sentimentos libertados
transformando vidas, emocionando os que
desconhecem
mas que por ser este o POETA de raiz
com sapiência e vivencia transporta
para a platéia, as letras que bailam
deixando no ar o bálsamo envolvente
mágicas que tecem almas,
E como alguém a levitar,
o POETA se transporta
estando em toda parte em todo canto
com suas mudas palavras
repletas do saber, do sentir e do fazer,
oferta
com suas bailarinas incansáveis
ahhhh..... essas letras intermináveis
que chegam para muitos como
abraços, acalantos, aconchegos, afagos
despertando sentimentos
estimulando momentos, distribuindo
calor.
Porque para fazer poemas,
poesias, trovas e versos
é necessário ser POETA...
é necessário SER AMOR…

REFÉM DO PASSADO

Fechei os olhos... sonhei acordada
Com voragem me despi da razão
E em torno do meu eu recatada
Libertei! Fiz-me reconstrução.

Aterrei um amor passado
Liberei a vida atilada
lacuna de um vazio apossado
amarra entregue....mutilada

Folhetinesco romance apagado
Um pasquim que já foi editado
Fez-se vida em ano dourado
Foi me o tempo refém do passado

Aflorei na mais pura emoção
E em confidencias sem atritos
Levei meus medos a redução
Sendo o que fui... sem conflitos.

Reeditei minha história de vida
Miscível alegria e dor
Cenário de luz reluzida
Esplanada...hoje sou só amor

De um sonho fiz realidade
Viagem que sigo na estrada
Meu caminho só é Felicidade
Fechei os olhos... sonhei acordada!

ABNEGADA

"Sou tudo aquilo que um coração pede
por indução, a perfilar sentimentos.
Sem o desvio do probo que me norteia,
torno por vezes redutível à razão.
Por crer, que o inviável é mera justificativa
do "não tentar", contesto!
Abnegada, não julgo o que desconheço e,
até que se apresente o reverso, considero
crível, os relatos e fatos a mim revelados.
Apiedando-me dos excluídos, não temo a luta e,
relevando os que tendem a profligar, sigo adiante.
Não nego que tenho imperfeições e repudio a injúria,
No entanto, por ser eu, tudo aquilo que meu
coração pede, me esquivo dos ínfimos
e de peito aberto, só quero transbordar Amor".

QUANTO MAIS

Quantas vezes te procurei...
vaguei pelos vales, atravessei os rios
me fiz águia, condor, gaivota
nas noites frias queria teu calor teu sorriso.
Em cada dor, chorei o choro mais triste
meu lamento não foi o bastante
nem minhas lágrimas molharam seu chão.
A estrada que percorri era uma
e a busca incansável parecia em vão.
Dias passando, noites em murmúrios
lábios cerrados e a voz?
Aos poucos se calando...
coração parando, olhares que buscavam
nada mais enxergaram
Quanto mais busquei mais me distanciei
quanto mais te quis mais me perdi
quanto mais tentei, mais sei que errei
quanto mais acreditei, mais me magoei.

Hoje sei que nada encontrei…

Elizabeth Misciasci

Elizabeth Misciasci é jornalista, humanista, pesquisadora, escritora, poetisa, crítica literária, jurada de diversos concursos de literatura, palestrante, empresária.
            Embaixadora Universal da Paz no âmbito do Círculo Universal dos Embaixadores da Paz! (Cercle Universel Des Ambassadeurs De La Paix - Suisse/France)
            Membro Correspondente da Governadoria da INBRASCI no Estado de São Paulo- Instituto Brasileiro Culturas Internacionais -
            Membro Efetivo AVSPE.
            Prêmio Frente Nacional dos Direitos da Criança em 2010
            Honra ao mérito - Clube Brasileiro da Língua Portuguesa - título Humanista Honoris Causa, em Língua Portuguesa, em razão da excelência de sua obra a favor dos Direitos Humanos.
            Delegada para e Estado de São Paulo (Brasil) do CEN- Intercâmbio Brasil Portugal.
            Coordenadora de imprensa do Proyecto Cultural Sur Paulista
            Indicada ao "Prêmio Clara Mil Mulheres" Nobel da Paz
            Certificação de Empreendedor Social pelo Apoio na Campanha Páscoa Solidária 2010
            Cadeira vitalícia 02, Academia de Letras do Brasil Estado de São Paulo.
            Misciasci foi uma das fundadoras do projeto zaP! Ao qual, hoje é Presidente. O zaP! É um trabalho voluntário desenvolvido nos Presídios Femininos, com as reeducandas e fora destes, com as egressas, que visa entre muitos, a não reincidência e a reinserção social. Desde 1987, ela vem desenvolvendo trabalhos voluntários, pesquisas e combate á exclusão social, diretamente com a pessoa na condição de encarcerada e egressa. Nessa trajetória, permaneceu com a massa carcerária masculina (e mais precisamente na antiga Casa de Detenção) - Carandiru, onde atuou até o início de 1992, época em que passou a se dedicar aos menores infratores e ex-infratores da FEBEM. Já entre os anos de 1997 e 1998, com o objetivo de se aprofundar nas questões que tratavam à criminalidade feminina e todo o contexto que a englobava, escreveu em parceria a Obra Literária Presídio de Mulheres.
            Sempre ressaltando a realidade da mulher na condição de pessoa presa e todas as dificuldades, que estão presentes. Assim, pela sua ótica tendo como básico relatos daquelas que estão ou estiveram encarceradas, se preocupa com as condições precárias e degradantes, aos quais algumas sentenciadas são ou foram submetidas. O que constantemente, se agrava, pelo estado gravídico no cárcere e período pós-parto.

            Mantenedora de vasta documentação e material tanto físico como humano, e este último, podendo ser contado por uma longa trajetória, que reuniu estudos, pesquisas, cotidiano, situações de risco, emoções, enfim, Experiências vividas na alma, e colhidas de dentro das galerias das prisões.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Matusalém Dias de Moura (Aldravias)

fico
mudo
ao
ouvir
tua
voz
*

minha
mãe
morrendo
dói
em
mim
*

procurando
poesia:
em
Mariana
descobri
aldravia
*

minha
alma
chora
um
sonho
morto
*

sonho
morto
a
esperança
ainda
vive
*

espero
tua
chegada
e
você
virá?
*

ontem
esperei
e
você
vão
veio
*

teu
sorriso
me
basta
sou
feliz
*

bem-te-vi
na
antena
cantando
a
tarde
*

todo
dia
leio
Deus
na
poesia
*

sou
seixo
rolado
mas
todo
esfolado
*

paradoxo:
frente
fria
aquece
minha
alma
*

de
repente
teu
sorriso
me
olha
*

tua
piscadela
me
confirma
nosso
amor
*
no
olhar
me
diz:
sou
tua
*

mesmo
velho
meu
coração
ainda
sonha
*

pela
janela
a
piscadela
da
estrela
*

noite
alta:
a
lua
no
quarto
*

sozinho
na
varanda
namoro
as

nuvens

Matusalém Dias de Moura (1959)

Matusalém Dias de Moura nasceu em 05 de junho de 1959, no Município de Iúna, ES. Advogado e Procurador de carreira da Assembléia Legislativa do Espírito Santo. Foi Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Iúna, Relator Geral da primeira Lei Orgânica do Município de Iúna. Foi Assessor Jurídico dos Municípios de Ibatiba (ES) e Lajinha (MG); Escrivão Judiciário da Quarta Vara Criminal de Cariacica (ES) e Secretário Particular da Presidência da Assembléia Legislativa, na gestão do então Deputado Vicente Silveira. Em 2000 recebeu da Câmara Municipal de Vitória o título de “Cidadão Vitoriense”.
            Poeta, cronista, contista, ensaísta e haicaísta, com trabalhos publicados em vários jornais e revistas. Publicou, também, os seguintes livros: Menino de Cachoeirinha, 1993; Varal Partido, 1998; 17 Poemas da Infância, 1999; Vento Rasteiro, 1999; O Silêncio dos Sinos, 2000; Poemas do Caparaó, 2000; Crônicas da Montanha e do Mar, 2006, (Prêmio Rubem Braga, da União Brasileira dos Escritores/RJ); Poemas Mínimos, 2008; Minha Mãe Lavadeira, 2008; Flagrantes da Rua, 2009; Pequenos Ensaios, 2009; Água de Nascente, 2009; e História da Criação e Instalação da Biblioteca Municipal de Iúna, 2010; Alguma Coisa da Memória, 2011; Os Olhos de Lúcia e Outros Poemas de Amor, 2011 (Prêmio Arnaldo Aizim, da União Brasileira de Escritores/RJ); Carta Um Lavrador e Outros Poemas, 2011. Participou de várias Antologias publicadas em nível nacional.
            Membro da Academia Espírito-santense de Letras (cadeira 34); da Academia Iunense de Letras (cadeira 26), do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, União Brasileira dos Trovadores. Como Membro Correspondente, pertence, dentre outras, à Academia Mineira de Letras; Academia Cachoeirense de Letras; Academia Pindamonhangabense de Letras e à União Brasileira de Escritores, do Rio de Janeiro. Em 2001 recebeu o Diploma de Alto Mérito Cultural da União Brasileira de Escritores, do Rio de Janeiro. trabalhos publicados em vários jornais e revistas. Publicou, também, os seguintes livros: Menino de Cachoeirinha, 1993; Varal Partido, 1998; 17 Poemas da Infância, 1999; Vento Rasteiro, 1999; O Silêncio dos Sinos, 2000; Poemas do Caparaó, 2000; Crônicas da Montanha e do Mar, 2006, (Prêmio Rubem Braga, da União Brasileira dos Escritores/RJ); Poemas Mínimos, 2008; Minha Mãe Lavadeira, 2008; Flagrantes da Rua, 2009; Pequenos Ensaios, 2009; Água de Nascente, 2009; e História da Criação e Instalação da Biblioteca Municipal de Iúna, 2010; Alguma 

sábado, 23 de abril de 2016

Cecy Barbosa Campos (Aldravias Infantis)

1
girafa
altaneira
olha
por
cima

2
cachorrinho
alegre
balança
rabinho
latindo:
au-au

3
na
estrada
cascavel
arrasta
chocalho:
tim-tim

4
pulando
cercas
berra
a
cabrita:
béé-béé

5
comendo
bananas
macaco
diverte
crianças
nhóc-nhóc

6
elefante
bebe
água
na
lagoa:
tchoc-tchoc

7
coelhinho
branquinho
procura
cenoura
dando
pulinhos

8
gatinho
travesso
entrou
no
buraco
miau-miau

9
ratinho
esperto
se
escondera
do
gato

10
preguiça
sonolenta
boceja
deitada
no
galho

11
tamanduá
faz
banquete
almoçando
as
formigas

12
cavalo
marchador
levando
o
cavaleiro
pocotó-pocotó

13
cachorro
não
falando
entende
como
gente

14
raposa
azedou
uvas
que
não
alcançou

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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